quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Neymar Jr. e a loucura das transferências

Neymar da Silva Santos Júnior ou Neymar Jr. é um futebolista brasileiro com 25 anos de idade que desde 2013 tem pertencido à equipa do Barcelona FC. É o maior ídolo do futebol brasileiro, mas os brasileiros não se conformam que exista Cristiano Ronaldo e Leonel Messi e que Neymar não seja a figura máxima do futebol mundial. A transferência de Neymar do futebol brasileiro para Barcelona terá custado cerca de 86 milhões de euros e nas cinco épocas em que representou o clube catalão, o jogador disputou 145 jogos e marcou 84 golos. Agora, naquilo a que o jornal A Bola chama de loucura, aconteceu a transferência de Neymar do Barcelona para o Paris Saint-Germain.
Foram anunciados 222 milhões de euros para pagamento ao Barcelona da cláusula de rescisão, mas o negócio implica ainda o pagamento de 80 milhões de euros ao fisco espanhol e 40 milhões para comissões de agenciamento. Segundo o jornal português, o negócio pode superar os 700 milhões de euros com salários, prémios e impostos.
É, realmente, uma loucura!
O mundo do futebol agitou-se e hoje as capas dos jornais desportivos europeus destacam esta transferência pelos números colossais que envolve e porque nada disto acontecera antes. No entanto, os tons são bastante diferentes entre os catalães e os franceses, porque enquanto os catalães se mostram demasiado irritados e escrevem “Bom voyage”, “Au revoir” ou “Hasta nunca” a denunciar um mau perder, os franceses revelam-se empolgados com a “transferência do século”. No meio de tudo isto, talvez agora os brasileiros possam vir a ter o melhor jogador do mundo a consagrar pela FIFA, uma coisa que tanta falta lhes parece fazer.
Depois disto, havemos de continuar a gostar de futebol porque é uma arte, mas o negócio do futebol é cada vez mais isso mesmo.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Fiestas Colombinas e Huelva ali tão perto

A cidade espanhola de Huelva é a capital da província de Huelva, que pertence à comunidade autónoma da Andaluzia, distando cerca de 50 quilómetros da fronteira portuguesa. Tal como Vigo, Badajoz ou Ayamonte, também Huelva atrai os portugueses pela sua proximidade e vitalidade económica, mas também pelo seu interesse histórico.
Na periferia da cidade situa-se o município de Palos de la Frontera, uma pequena localidade das margens da ria de Huelva, de cujo porto partiram no dia 3 de Agosto de 1492 as caravelas La Pinta e La Niña e a nau Santa Maria, sob o comando de Cristovão Colombo e com a companhia dos irmãos Pinzón. Foram estes navios que rumaram ao desconhecido e julgaram ter chegado à Índia. Por isso, aqueles territórios tomaram o nome de Índias de Castela e, ainda hoje, as ilhas das Caraíbas são conhecidas como as West Indies.   
Nas proximidades fica o mosteiro franciscano de La Rabida, onde Cristovão Colombo se recolheu antes de iniciar a sua viagem, bem como o Muelle de las Carabelas, um espaço museológico onde podem ser visitadas as réplicas dos navios de Colombo.
Porém, quer Huelva quer Palos de la Frontera têm outros motivos históricos de interesse e, também, as Fiestas Colombinas, que comemoram o dia da partida dos três navios de Cristovão Colombo que chegaram ao continente americano. São seis dias de festa e de alegria, sobretudo na área do Recinto Colombino, isto é, na área a sul da cidade onde se encontra o Monumento a la Fe Descobridora ou Monumento a Colón de 37 metros de altura e que foi doado pelos Estados Unidos em 1929.
Hoje, o diário Huelva información dedica a sua primeira página às Festas Colombinas com uma fotografia do iluminado Monumento a Colón.

Paris vai receber as Olimpíadas de 2024

A imprensa francesa está eufórica com a mais que provável realização em Paris dos Jogos Olímpicos de 2024, embora a decisão final só venha a ser tomada no próximo dia 13 de Setembro, quando os 95 membros do Comité Olímpico Internacional se reunirem na cidade peruana de Lima.
A realização dos Jogos Olímpicos é um objectivo de qualquer grande cidade, porque a promove, a prestigia e a torna atractiva. Desta vez foram cinco as cidades que apresentaram processos de candidatura à realização da 33ª Olimpíada: Hamburgo, Roma, Budapeste, Boston e Paris. Boston foi a primeira desistente por falta de apoio popular mas, em sua substituição, apareceu Los Angeles. Depois, por insuficiência de recursos financeiros ou de apoio governamental, as várias candidaturas foram desistindo até ficarem apenas Paris e Los Angeles. Então, estas duas cidades chegaram a um acordo, ficando a organização dos Jogos de 2024 entregue a Paris e a organização dos Jogos de 2028 entregue a Los Angeles.
A cidade de Paris e a França perseguiam desde há vários anos o objectivo da realização dos Jogos Olímpicos e tinham apresentado candidaturas que foram derrotadas em 1992, 2008 e 2012. Agora, antes mesmo do anúncio oficial, o entusiasmo domina a imprensa francesa: “cette fois, c’est gagné” titulou o jornal Le Parisien.
Para o desporto português, depois das longínquas jornadas olímpicas do Rio de Janeiro (2016) e de Tóquio (2020), a realização dos Jogos ao pé da porta pode proporcionar condições para um bom resultado. Mas ainda falta tanto tempo.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A modernização do poder militar chinês

A República Popular da China comemora hoje o 90º aniversário das suas PLA (Chinese People’s Liberation Army) e, no passado domingo, festejou o acontecimento com uma invulgar demonstração de força em Zhurihe, na região autónoma da Mongólia. Pela primeira vez, essa exibição de força não aconteceu em Pequim na famosa praça de Tiananmen, que é um símbolo do poder e do centralismo chinês, tendo o diário China Daily destacado na sua primeira página que a parada demonstrou a evolução e modernização das PLA. As fotografias que foram divulgadas mostram o Presidente Xi Jinping, enquanto secretário-geral do Partido Comunista Chinês e comandante-chefe das Forças Armadas, uniformizado de fato camuflado a passar revista às tropas.
As PLA são a maior força militar do mundo com cerca de 2.285.000 efectivos e têm um orçamento superior a 150 mil milhões de dólares, que em termos nominais só é superado pelos Estados Unidos, correspondendo a cerca de 1.3% do PIB chinês.
Nos últimos decénios as PLA têm-se modernizado muito rapidamente e desenvolvido a sua indústria militar, o que é visível nas capacidades navais e aéreas que demonstra.
Embora este tipo de demonstrações militares seja uma prática corrente nos países que se reclamam do comunismo, o facto é que nesta altura bem nos podemos interrogar se esta exibição é para impressionar a Coreia do Norte ou os Estados Unidos. É natural que seja para impressionar o Donald, para que pense duas vezes antes de se meter em aventuras.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Onda de violência aumenta na Venezuela

A disputa política que está a acontecer na Venezuela teve ontem mais um episódio doloroso, com uma dezena de mortos e com a violência a atingir grandes proporções em Caracas, mas também em todo o país. Foi o dia das eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte (ANC) que, segundo tem sido afirmado, se destina apenas a assegurar a possibilidade do Presidente Nicolás Maduro e os seus apoiantes se manterem no poder e a anular o papel do Parlamento que por larga maioria se lhes opõe.
Hoje, as notícias divergem e enquanto umas afirmam a vitória do governo, outras anunciam a derrota da deriva autoritária, o que significa que as partes estão extremadas. A própria imprensa venezuelana é o espelho dessa divergência e aparece hoje com títulos bem diversos, conforme o seu alinhamento político. Uns escolheram títulos como “8 089 320 votaron por la paz” (Ultimas Noticias) ou “Gobierno califica jornada de victoria constituyente” (El Universal), enquanto outros escreveram “Fracasó fraude constituyente” (El Nacional) ou “Electa ANC en medio de muertes y violencia” (El Informador) ou, ainda, “16 muertos durante elección de ANC chavista” (Diário 2001).
Curiosamente, a notícia destas eleições não tem destaque significativo na imprensa da América do Sul e até a imprensa brasileira quase a ignora, apesar de estar bem perto dos acontecimentos. A Espanha é o único país em que a generalidade da imprensa destaca a crise da Venezuela nas suas primeiras páginas, caso do diário La Razón, ilustrando-a com a expressiva fotografia da explosão de um petardo lançado pelos opositores ao regime de Maduro à passagem de uma coluna de polícias motorizados da Guarda Nacional Bolivariana. Dezenas de jornais espanhóis escolheram essa fotografia para ilustrar as suas edições.
O facto é que a tensão e a violência aumentam e não há notícia de quaisquer tentativas internas ou internacionais para chegar a um acordo, apesar de se verificar uma quase unânime condenação internacional do regime de Maduro. É preciso que o clima de guerra civil seja travado a tempo.

sábado, 29 de julho de 2017

Portugal e a grave crise venezuelana

No dia 14 de Abril de 2013, após a morte de Hugo Chávez, os venezuelanos elegeram Nicolás Maduro para seu presidente com 50,66% dos votos. A luta contra o chavismo já vinha de trás mas acentuou-se a partir de então, até porque o país atravessava uma profunda crise económica e social. Seguiram-se eleições parlamentares no dia 6 de Dezembro de 2015 e a oposição venezuelana unida em torno da Mesa de Unidade Democrática (MUD) conseguiu 56,3% dos votos, enquanto o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) que suporta Nicolás Maduro, se ficou pelos 40,9% dos votos. Pela primeira vez desde 1999, o chavismo e Nicolás Maduro perderam o controlo da Assembleia Nacional, o que originou que o país ficasse nas mãos de duas forças políticas opostas, embora ambas igualmente legitimadas pelo voto popular.
Desde então, a oposição tem procurado destituir Maduro por todos os meios legais, mas também através de manifestações, greves e outras acções de protesto que têm deslizado para confrontos de grande violência. A confusão e o caos instalaram-se na Venezuela com a degradação da vida pública e o aumento de actos de violência, assaltos e ajustes de contas. A falta de comida é cada vez mais sentida e referem-se 113 mortos em consequência dos confrontos. A imprensa internacional está atenta à gravidade da situação e a revista The Economist destacou o caos venezuelano na capa da sua última edição. Muitos observadores já descrevem um clima de guerra civil e muitas comunidades, como por exemplo a enorme comunidade portuguesa da Venezuela, parece já ter optado por regressar a Portugal por razões de segurança.
A mediação internacional parece ser a única via para encontrar uma solução rápida e honrosa para o país e para as partes em confronto. Nessa perspectiva, não há dúvidas que a diplomacia portuguesa pode prestar um grande serviço à causa da paz na Venezuela, em diferentes planos, isto é, através de António Guterres nas Nações Unidas ou de Augusto Santos Silva no Palácio das Necessidades. Se assim fosse e resultasse bem, era um sucesso maior que uma final europeia com golo de Éder...

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Mbanza Kongo inscrita pela UNESCO

A 41ª reunião do World Heritage Committee da UNESCO, realizada na cidade polaca de Cracóvia, decidiu no passado dia 9 de Julho inscrever o centro histórico de Mbanza Kongo, no norte de Angola, na sua Lista do Património Mundial. Foi a primeira vez que um sítio angolano foi classificado pela UNESCO e o jornal Cultura – Jornal Angolano de Artes e Letras deu o devido destaque a este acontecimento de grande importância cultural para a preservação do património angolano.
Mbanza Kongo foi a capital do antigo reino do Congo, tendo sido fundada antes da chegada dos portugueses àquela região que aconteceu em finais do século XV e que a baptizaram como São Salvador do Congo. Pouco tempo depois, no ano de 1549, por influência dos missionários católicos portugueses, foi construída uma igreja que em 1596 foi elevada ao estatuto de catedral e que é considerada a mais antiga da África Sub-Saariana. O historial da cidade refere a realização de conversões em massa naquela região, mas algumas guerras civis ocorridas no século XVII levaram ao seu abandono, até que no início do século XVIII a cidade foi definitivamente reocupada.
Depois da independência de Angola a cidade voltou a chamar-se Mbanza Kongo e hoje é sede de um município da província do Zaire.
Segundo informa a UNESCO, a área agora classificada mostra, como em nenhum outro local sub-saariano, a influência causada pela chegada dos portugueses e a introdução do Cristianismo e situa-se junto da residência do rei do Congo, da árvore sagrada, dos lugares funerários e dos vestígios das casas de pedra construídas pelos portugueses segundo as técnicas europeias.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Os oportunistas políticos vivem do fogo

Os incêndios florestais continuam a devastar a zona centro do país, mas o incêndio de Pedrógão Grande e a tragédia que então aconteceu ainda estão presentes na memória dos portugueses, apesar de já ter passado mais de um mês.
Essa tragédia e a calamidade que nos está a atingir deveriam ser factores de unidade nacional, de reflexão crítica sobre a solução a adoptar no futuro e de coesão em torno da tarefa de reconstrução emocional e material daquela região mas, provavelmente na linha preconizada por esse estratega-caceteiro que é Paulo Rangel, tem sido usada como oportunidade política. Sim, Rangel classificou a tragédia de Pedrógão como uma oportunidade política! Porém, o que tem sido dito por Passos Coelho e por Assunção Cristas, depois repetido por alguns dos seus mais fiéis seguidores, tem sido uma vergonha e revela a enorme mediocridade e insensibilidade desses dirigentes ambiciosos que pouco têm para oferecer ao país.
Nunca o aproveitamento político foi tão longe e foi tão miserável. Desde a exigência da demisssão da ministra da Administração Interna, passando pela tese dos suicídios inventada por Passos Coelho ou pela insistência quanto ao número de bombeiros feridos, até ao recente ultimato para publicação das listas das vítimas de Pedrógão e à ameaça de uma moção de censura ao governo, tudo tem servido para insultar os governantes, com a repetida insinuação de que escondem a verdade aos portugueses. Tem sido um vale tudo. A partir de um simples boato, de uma declaração ou de uma notícia não confirmada, que a comunicação social dos jovens enviados especiais à procura de emprego repete e amplifica acriticamente, Cristas e Passos têm-se revelado oportunistas sem escrúpulos. Pegam nos microfones e, como se os portugueses tivessem memória curta e desconhecessem o mal que nos fizeram quando foram subservientes à troika, tratam de aproveitar a terrível conjuntura do fogo florestal para servir os seus interesses políticos. Nem o exemplo do Presidente da República os trava no seu alarido social. Até parece que vivem do fogo e da desgraça de tanta gente.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Timor Leste e o seu futuro político

Nas eleições legislativas ontem realizadas em Timor Leste, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (FRETILIN) dirigida por Mari Alkatiri obteve 168.422 votos, enquanto o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) liderado por Xanana Gusmão conseguiu 167.330 votos, isto é, verificou-se uma diferença de apenas 1092 votos, o que é realmente um acontecimento! Este resultado faz com que dos 65 assentos do parlamento timorense, haja 23 cadeiras a ocupar pelos deputados da FRETILIN, 22 assentos a ocupar pelos eleitos do CNRT e que haverá 20 lugares a ser ocupados pelos restantes partidos, sendo que o Partido da Libertação Popular (PLP) do ex-Presidente Taur Matan Ruak ocupará 8 cadeiras. 
Este resultado é muito problemático e pode gerar uma situação de grande instabilidade política porque o provável governo de Mari Alkatiri estará sempre em minoria, a não ser que faça uma coligação com o seu adversário mais directo. Por isso, Xanana Gusmão está mais uma vez no centro da vida política timorense, tal como tem acontecido desde há mais de quarenta anos.
Acontece que estas eleições legislativas foram as primeiras realizadas exclusivamente pelas autoridades timorenses e já foram consideradas as mais tranquilas de sempre, não tendo sido registados quaisquer incidentes graves durante a campanha eleitoral ou no dia da votação. Essa circunstância é uma boa indicação quanto ao futuro político do país, que vai continuar nas mãos experientes de homens que vieram da Resistência e da luta armada.
Por isso, existe um clima de confiança no país, até porque Francisco Guterres, o Presidente da República de Timor Leste eleito em 20 de Março e que também é oriundo da FRETILIN, é um patriota e um companheiro de percurso de Alkatiri e de Xanana, o que vai certamente favorecer uma solução de estabilidade política e de boa governabilidade. É, também, o que esperam aqueles que, como nós, conhecem a ilha de Timor.

domingo, 23 de julho de 2017

As eleições presidenciais em Angola

Depois de uma longa permanência no poder em Angola, o Presidente José Eduardo dos Santos marcou eleições presidenciais para o próximo dia 23 de Agosto e, depois de ter exercido o poder de forma autoritária durante quase 38 anos, decidiu não concorrer a mais um mandato. Abre-se, assim, um novo capítulo na história de Angola, até porque estão seis candidaturas no terreno, cujas propostas e programas vão arejar a sociedade angolana, permitir alguma reflexão e contribuir para que a vida angolana se torne mais democrática e mais transparente.
José Eduardo dos Santos sucedeu a Agostinho Neto em 1979 e coube-lhe a missão de conduzir o MPLA nas lutas internas pelo poder e de dirigir o governo de Angola na construção de alianças estratégicas, na longa guerra civil e na luta pelo progresso do país. Foram demasiadas lutas e muitos anos de poder absoluto. Para enfrentar esses desafios rodeou-se de gente da sua confiança e criou uma élite a quem permitiu uma indevida apropriação do rendimento nacional e comprovadas práticas de corrupção, ao mesmo tempo que abusou do poder, o instrumentalizou em seu benefício e reprimiu todas as oposições. 
Porém, o afastamento voluntário de José Eduardo dos Santos da cena política não vai significar o fim do seu regime autoritário em que a vontade do chefe se sobrepõe à lei, porque as raízes criadas e os interesses instalados tudo farão para se manterem no futuro, até para se livrarem da responsabilização criminal e moral que não deixará de surgir.
O Jornal de Angola noticia hoje o início da campanha eleitoral, apresentando os candidatos e os seus tempos de antena na rádio e na televisão. Tudo parece normal. As seis candidaturas que vão a votos no dia 23 de Agosto são um sinal de esperança num futuro melhor para Angola e para as relações com Portugal.

sábado, 22 de julho de 2017

O país dos progressos impressionantes

A edição de hoje do semanário Expresso destaca uma fotografia de Wolfgang Schäuble, o super-poderoso e influente ministro das Finanças alemão e a frase “Portugal fez progressos impressionantes” na redução do défice orçamental e na promoção do crescimento, isto é, nas finanças públicas e na economia, embora exiba o seu habitual preconceito e atribua o mérito desse resultado ao programa de ajustamento e às políticas da troika e não aos portugueses, nem ao governo de António Costa.
Uns dias antes, Pierre Moscovici, o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, também utilizou a palavra “impressionante” para se referir aos progressos da economia portuguesa, sem adiantar a sua opinião sobre o tema.
Antes, tinha sido Angel Gurría, o secretário-geral da OCDE, quem salientou “os progressos muito impressionantes” feitos por Portugal. Significa que a palavra impressionante tem sido a palavra mais utilizada para classificar o que se passa em Portugal.
No caso de Wolfgang Schäuble, a sua declaração é surpreendente. Depois de ter sido adulado durante vários anos pelos subservientes Vitor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, muito lhe tem custado a engolir a solução governativa portuguesa que tão bons resultados tem alcançado, devido à conjugação de vários factores mas, sobretudo, devido à recuperação da confiança dos agentes económicos e à cooperação institucional entre o governo e a Presidência da República. Afinal, quer Schäuble, quer os seus amigos portugueses com Passos e Cristas à cabeça, ainda não perceberam que estavam errados na política seguidista e retrógrada que praticaram com entusiasmo nos anos da troika.
Lamentavelmente, agora não sabem fazer oposição ao governo como lhes competia e é necessário em democracia, mas insistem no mesmo tipo de exigências ridículas e de desafios oportunistas que roçam o insulto pessoal e que afrontam a inteligência dos portugueses. É, também, muito impressionante.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O Tour é a grande festa dos franceses

O Tour de France realiza-se desde 1903, é uma das mais antigas provas desportivas mundiais e este ano está na sua 104ª edição.
Como é habitual, todos os anos durante o mês de Julho, um pelotão com mais de duas centenas de ciclistas pedala pelas estradas francesas, trepa pelas cadeias montanhosas dos Pirinéus e dos Alpes e, no último dia, desfila pelos Campos Elíseos em Paris. A popularidade do Tour é realmente indescritível e nenhum acontecimento social desperta tanto o entusiasmo dos franceses, conforme testemunham as transmissões televisivas feitas em directo.
Nos últimos anos os ciclistas franceses têm estado pouco competitivos e não têm dado grandes alegrias aos seus compatriotas. Porém, este ano as coisas têm sido diferentes e há dois ciclistas franceses que estão no top 10, o que reforça o entusiasmo dos franceses, inclusive do Presidente Macron que não deixou de ir incentivar os ciclistas seus compatriotas. Ontem, numa das mais importantes etapas disputada entre Briançon e o Col d’Izoard, o ciclista francês Warren Barguil destacou-se, subiu quilómetros de montanha alpina e terminou a etapa isolado e em primeiro lugar. Foi uma quase festa nacional e muitos jornais franceses, entre os quais Le Parisien, publicaram hoje a fotografia de Barguil, poderoso e imponenente, a cortar a meta com as montanhas alpinas em segundo plano. Foi realmente uma grande alegria para os franceses que, assim, se esquecem que quem vai à frente é um inglês de apelido Froome.

terça-feira, 18 de julho de 2017

A imprensa ignora os nossos campeões

Fernando Pimenta: vice-campeão olímpico,
campeão do Mundo e campeão da Europa
O canoista Fernando Pimenta é um dos poucos atletas portugueses que já ganharam medalhas olímpicas, pois em 2012 conquistou uma medalha de prata na prova de K2 1000 metros nos Jogos Olímpicos de Londres. Depois, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, as coisas correram mal, foi derrotado e ele protagonizou a desilusão portuguesa. Porém, ao longo da sua carreira desportiva, Fernando Pimenta já ganhara 5 medalhas de ouro, 4 medalhas de prata e 4 medalhas de bronze em Campeonatos do Mundo, Campeonatos da Europa e Universíadas. O seu palmarés é realmente muito raro em Portugal.
Na semana que passou, em Plovdiv, na Bulgária, durante os Europeus de canoagem de velocidade, Fernando Pimenta voltou a brilhar e revalidou o seu título europeu em K1 1000 metros e, dois dias depois, conquistou a medalha de prata na prova de K1 5000 metros, falhando a revalidação do seu título por 1 segundo apenas. Portugal regressou de Plovdic com três medalhas, duas das quais ao pescoço de Fernando Pimenta.
A imprensa escrita e as televisões portuguesas têm andado ocupadas com outros assuntos demasiado irrelevantes, numa lógica de vender papel ou de ter audiências a qualquer preço. O nível de manipulação está a atingir níveis insuportáveis. Passam horas e gastam páginas a tratar do mundo do futebol e de outros sensacionalismos. Por isso, lamentavelmente, quase ignoraram o feito desportivo de Fernando Pimenta, tal como tinham ignorado a vitória de João Pereira e o 3º lugar de João Silva nos Europeus de triatlo disputados em Kitzbühel, na Áustria. Nada disto se passa na Espanha ou na França, onde os seus campeões são destacados nas primeiras páginas da imprensa. Os nossos orgãos da comunicação social informam de menos e manipulam de mais. A “informação” que produzem é, cada vez mais, provinciana e panfletária. Uma tristeza!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Afinal Cristas escolheu a Política Negativa

Na sua curta carreira política a presidente do CDS tem procurado ganhar a notoriedade de que precisa para ter votos, porque sem eles nunca  mais chegará ao poder, nem terá o apoio dos seus colegas de partido. Por isso tem tido uma vida difícil, até porque a vida político-partidária é muito dura e é sempre cruel para quem não vence. E ela não está a vencer, como as sondagens vão indicando.
Habituados a ter lugares (e tachos) no aparelho do Estado por fazerem parte daquela solução a que chamaram arco da governação, os militantes do CDS desesperaram com a solução governativa de António Costa, porque os surpreendeu e cada dia os afasta mais da esfera governativa e das benesses a que estavam habituados.
O CDS ficou prisioneiro da sua pequenez e da falta de notoriedade e de currículo da sua líder. Então, a jovem e muito ambiciosa Cristas decidiu espalhar cartazes pela cidade de Lisboa com a sua fotografia associada ao slogan Política Positiva. Esperavam-se ideias e propostas, bem diferentes do demagógico anúncio da criação de mais vintes estações do Metropolitano. Depois, teve a ligeireza de avançar para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa, convencida que os seus antigos colegas do PSD a apoiariam, mas essa jogada falhou e, ela que nasceu em Angola, está sozinha e não convence ninguém com aquele slogan mentiroso d’A nossa Lisboa, porque ela não é lisboeta.
Até que aconteceu a tragédia de Pedrógão, o roubo de Tancos e muitos outros incêndios. Cristas não perdeu a oportunidade e esqueceu a Política Positiva, substituindo-a pela Política Negativa ou do bota abaixo, que tem tido larga difusão nas televisões, onde aparece todos os dias, quase sempre a dizer disparates, a insultar António Costa e a dizer mal de todos e de tudo, o que mostra a sua ignorância relativamente ao nosso país. De facto, há muitos problemas estruturais no nosso país, cuja resolução foi adiada durante muitos anos, incluindo os quatro anos em que Cristas tutelou a floresta portuguesa e onde não deixou de colocar os seus correlegionários, que ainda lá estão. Era melhor que tivesse mais bom senso, que se lembrasse do que fez ou não fez quando governou e que se deixasse da gritaria que nada resolve. Já ninguém tem paciência para a ouvir. É lamentável a forma como se aproveita desta tragédia para fazer política.

domingo, 16 de julho de 2017

Os juízes brasileiros tomaram o poder

Toda a imprensa espanhola destaca hoje com grande entusiasmo a vitória de Garbiñe Muguruza no torneio de Wimbledon, conseguida frente à americana Vénus Williams, não só porque se trata do mais antigo e mais famoso torneio de ténis do mundo, mas também porque foi obtida perante uma das lendárias irmãs Williams, que já venceram 12 vezes em Wimbledon.
Porém, no diário El País há uma notícia inquietante relativa ao Brasil, onde segundo escreve o jornal “los jueces tomaron el poder”. O panorama político brasileiro tem sido dominado pelas investigações do caso Petrobras, dirigidas por inúmeros juízes, procuradores, agentes tributários e diversos tribunais, que procuram esclarecer a rede de corrupção que alastrou pela classe política brasileira. Porém, nas últimas semanas o poder judicial pareceu querer atacar o núcleo duro do poder político e, pela primeira vez, um presidente (Michel Temer) foi denunciado por corrupção e, também pela primeira vez, um ex-presidente (Lula da Silva), foi condenado em primeira instância a uma pena de prisão de nove anos e meio por corrupção e lavagem de dinheiro.
Ambos reagiram em tom semelhante, questionando a autoridade dos juízes e argumentando que o poder pertence ao povo e não aos juízes que, cada vez mais, interferem ilegitimamente na actividade política.
Por cá vai acontecendo a mesma coisa e, alguns políticos, são vítimas da mediatização orquestrada por alguns agentes da Justiça e condenados sem acusação nem julgamento, o que revela a intenção dos juízes de interferir na política. São muitos os casos, mas a recente história dos Secretários de Estado que foram a  França ver e aplaudir a selecção nacional de futebol é mesmo uma vergonha para quem os constituiu arguidos, a mostrar uma faceta mesquinha e trauliteira da classe dos juízes. Será que foi assim tão grave aceitar um convite para ver o futebol e fazer uma acusação que interferiu gravemente na governação? Ou será que, para além dos políticos e dos jornalistas que encheram esses aviões e que aceitam viagens, não haverá juízes que também beneficiam dessas práticas?