quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Um gigante dos mares em doca seca

O diário Le Télégramme que se publica em Lorient destaca na capa da sua edição de hoje uma fotografia do Emma Maersk, um navio porta-contentores dinamarquês que com os seus 398 metros de comprimento e 56 metros de boca, é um dos maiores navios do mundo.
O navio foi construido em 2006 nos estaleiros da Odense Steel Shhipyard, na Dinamarca, desloca 170 mil toneladas, tem 16 metros de calado e pode transportar 15 mil contentores de 20 pés. O seu proprietário é o grupo A. P. Moller-Maersk e o navio está empenhado nas viagens entre o norte da Europa e os portos do sueste asiático e da costa da China, sobretudo Singapura, Hong Kong e Shangai. Dispõe das mais modernas tecnologias para navegação e manuseamento de cargas e, embora disponha de alojamento para 30 pessoas, tem uma tripulação de 13 pessoas apenas!
A pintura do casco do Emma Maersk é uma curiosidade, pois utiliza um produto à base de silicone que reduz a resistência da água e permite uma poupança de cerca de 1,2 milhões de litros de combustível por ano e, pela necessidade de renovar essa pintura, o navio entrou esta semana na doca seca nº 3 dos estaleiros Damen de Brest para uma breve operação de limpeza e pintura do casco. A imprensa local rejubilou porque os estaleiros Damen provaram ser capazes de tratar os maiores navios do mundo. É caso para perguntarmos o que aconteceu por cá com a Lisnave, a Setenave, os ENVC e, naturalmente, com as nossas enormes potencialidades no domínio da construção e da reparação naval.

A paz mundial está muito ameaçada

Embora haja notícias a revelar que há muita gente que procura a paz na martirizada Síria, o facto é que a guerra prossegue no terreno. Diz-se que as forças de Bashar al-Assad recuperam posições e que a oposição síria e o ISIS ou Daesh perdem terreno, enquanto Allepo e muitas outras cidades sírias estão destruidas, havendo milhões de refugiados que procuram a Europa. Nos espaços aéreos da região cruzam-se aviões de muitas origens, que não apenas russos, americanos, franceses, ingleses, canadianos, turcos, sauditas e outros, todos a reclamar acções contra o Daesh. Agora são os holandeses a entrar neste teatro que mais parece um treino de guerra aérea preparatório de qualquer coisa que possa vir a acontecer no futuro, do que uma acção coordenada para fazer frente a uma ameaça comum.
Os turcos são muito suspeitos como suporte logístico do Daesh e têm aproveitado a ocasião para se lançarem sobre os curdos e para atacar as suas pretensões independentistas. Agora desafiam os sauditas para lançarem uma ofensiva comum contra as forças de Bashar al-Assad e para uma invasão do território sírio, ao mesmo tempo que os russos e os iranianos já anunciaram que reagirão com firmeza a essa iniciativa. Nunca se falou tanto numa terceira guerra mundial e, na edição de hoje do Le Figaro, o jornal destaca os bombardeamentos da Turquia aos curdos e da Rússia à oposição síria, o que mostra que cada qual ataca indirectamente o seu adversário principal e que a Rússia e a Turquia estão cada vez mais em rota de colisão.
Estamos realmente perante um problema muito sério que perturba e ameaça a paz mundial e, porque tudo isto acontece desde há cinco anos, não é difícil encontrar os grandes responsáveis por esta enorme calamidade, pois muitos deles continuam instalados no poder em vários países.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Um navio que evoca a glória ibérica

Durante o próximo fim-de-semana, a nau Victoria que é a réplica da nau que concluiu a primeira volta ao mundo da História (1519-1522), estará atracada no porto andaluz de Almeria e poderá ser visitada pelo público. Esta visita está enquadrada numa viagem pelas costa mediterrânica espanhola e, antes de Almeria, o navio esteve em visita aos portos de Sanlúcar, Algeciras e Fuengirola, onde recebeu milhares de visitantes, sobretudo estudantes, que puderam conhecer a história do navio e da sua memorável viagem que, como se sabe, foi inicialmente comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães e na qual participaram muitos marinheiros portugueses.
A nau Victoria foi construida entre 2004 e 2006 e já realizou uma volta ao mundo com escala em 17 países, numa viagem de representação nacional e de promoção da cultura e da História de Espanha.
É muito interessante esta iniciativa espanhola de divulgar a sua história marítima através da apresentação da nau Victoria por diferentes portos e, por essa via, estimular o interesse da juventude pelo mar e contribuir para o reforço da coesão nacional, numa acção a que se associa a imprensa da cidade de Almeria. Porém, teremos sempre que lembrar que a glória desta viagem é ibérica, porque na sua preparação e execução houve uma grande participação portuguesa que, por vezes, é esquecida pelos nossos vizinhos.
Aqui entre nós, este tipo de acções de representação não é inédita, embora não tenhamos, nem sei se devíamos ter, uma réplica da nau São Gabriel na qual Vasco da Gama chegou à Índia em 1498. Contentemo-nos com o navio-escola Sagres!

Portugal e a tensão financeira mundial

Vivemos um “tempo de incerteza” como disse, muito sabiamente, o nosso ainda Presidente da República na sua mensagem de Ano Novo, decerto por ter lido que o mundo enfrentava riscos crescentes de entrar em recessão, devido às crises nos países emergentes e em especial na China. A incerteza resulta de muitos factores que intranquilizam o mundo, desde a desaceleração da economia chinesa à guerra na Síria, passando pela crise política brasileira, pelas eleições americanas, pelo problema dos refugiados na Europa e até pelas recentes dúvidas sobre a solidez do Deutsche Bank que, entre os dias 5 e 11 de Fevereiro, viu as suas cotações cairem 9,3%.
O jornal inglês City A.M. (Business with Personality!) é um dos muitos periódicos europeus que hoje analisa a última semana e que destaca a queda das cotações dos principais bancos europeus. O jornal francês Les Echos fala na débâcle boursière, nos banques attaquées e diz que a Société Génerale plonge. Na Espanha, segundo o El Economista, na semana de 8 a 11 de Fevereiro a queda bolsista atingiu 8,86% e é noticiado que, juntos, o Santander, o BBVA e a Telefonica perderam cem mil milhões de euros, isto é, mais de metade do PIB português.
As bolsas estão em vias de entrar em crash e a finança internacional está assustada. Esses é que são os sinais da incerteza mas, num artigo intitulado “Les raisons d’un krach”, o jornal Les Echos destaca hoje a derrocada das bolsas mas, lamentavelmente, vem dizer escrever a frase “le Portugal au centre des inquiétudes”. Como é possível dizer-se uma coisa destas? Como é possível que com tanta incerteza no mundo e tanta falta de rumo na Europa, sejam algumas centenas de milhões de euros do Orçamento português  e dois ou três décimos de défice a perturbar Jean-Claude Juncker, Pierre Moscovici, Wolfgang Schäuble e Jeroen Dijsselbloem?
Estamos realmente perante uma violenta tempestade que ameaça a Europa com a guerra, com milhares de refugiados, com o brexit, o desemprego maciço, o envelhecimento demográfico, os nacionalismos e os autoritarismos, mas estes dirigentes-burocratas vivem obcecados com os países do sul que erguem a sua voz e escolhem um caminho de dignidade. É que eles não estão preocupados com Portugal mas, depois da Grécia, vivem agora assustados com o que pode acontecer com a Espanha e com a Itália.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Mourinho será o “world’s best-paid boss”

Goste-se ou não de futebol, o facto é que o treinador José Mourinho é um dos mais famosos portugueses de todos os tempos, não só pelos resultados desportivos que tem conseguido, mas sobretudo pela forma como tem sabido gerir a sua carreira profissional. Apesar de ter sido despedido dos seus dois últimos clubes, o que sucedeu com o Real Madrid em Maio de 2013 e com o Chelsea em Dezembro de 2015, o facto é que se anuncia que Mourinho já tem novo emprego. E que emprego!
A notícia que é hoje divulgada pela imprensa desportiva inglesa anuncia que Mourinho vai ser o futuro treinador do Manchester United, com um contrato de três anos que lhe irá render 59,7 milhões de euros, o que significa cerca de 385,5 mil euros por semana!
Parece que ainda se trata de um rumor que a imprensa transformou em notícia, mas o facto é que, como dizem os livros de jornalismo, uma notícia é o relato de um acontecimento, verdadeiro ou não. Assim, este facto pode ser verdadeiro ou não verdadeiro, mas é uma notícia e como tal tem naturalmente um enorme impacto mundial.
Acontece que o maior rival do Manchester United é o Manchester City que acaba de anunciar a contratação do catalão Pepe Guardiola para seu treinador. Para alimentar a enorme rivalidade futebolística da cidade de Manchester, o United não olhou a meios e parece ter procurado o melhor treinador do mundo, isto é, alguém que possa afrontar e vencer Guardiola. Parece terem descoberto esse homem e disponibilizam-se para lhe pagar muitas, muitas libras. É por isso que o Daily Express anuncia hoje o pacote remuneratório previsto para José Mourinho e que titula: “United to make Mourinho world’s best-paid boss”.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Os temporais nas costas asturianas

A orla atlântica da Europa tem estado a ser afectada por temporais e por forte agitação marítima, que a imprensa noticia e que, muitas vezes, ilustra com expressivas imagens. Nessa temática destacam-se os jornais britânicos que não resistem à publicação de uma boa fotografia do stormy sea, facto que aqui referimos há bem pouco tempo, mas também os jornais espanhóis, sobretudo os que são publicados no norte de Espanha, cuja orla marítima é banhada pelo golfo da Biscaia (Astúrias, Cantábria e País Basco).
Assim acontece hoje com vários jornais dessas regiões, como por exemplo com o diário La Nueva España que se publica em Oviedo. Este periódico, informa na sua edição de hoje que os temporais atingiram as costas asturianas com o vento a soprar a uma velocidade de 148 quilómetros por hora e com as ondas a atingir os 11 metros de altura. Para ilustrar a notícia, o jornal apresenta uma fotografia do mar a rebentar a toda a altura dos edifícios da zona de El Fuerte, entre o porto e a praia de Sablón, no município de Llanes.
Estamos sensivelmente a meio do Inverno, o que significa que dentro de cerca de um mês e meio teremos a Primavera de volta, o que pode ou não significar uma meteorologia marítima mais favorável.

O bar de excepção numa ilha excepcional

O site de arquitectura ArchDaily promoveu este ano, pelo sétimo ano consecutivo, a atribuição do prémio internacional para o melhor edifício de 2016, isto é, o Archdaily Building of the Year 2016.
Foram pré-seleccionadas mais de três mil propostas assinadas por cerca de 18 mil arquitectos de todo o mundo, que concorreram às 14 categorias em concurso. Nesse conjunto de obras pré-seleccionadas encontravam-se 174 obras da autoria de arquitectos portugueses, concorrendo às categorias Casas (62), Reabilitação (23), Arquitectura Cultural (18), Escritórios (11), Arquitectura Pública (10), Educação (9), Interiores (9), Hospitality (8), Housing (6), Arquitectura Desportiva (5), Healthcare (4), Comercial (4), Industrial (3) e Arquitectura Religiosa (2). 
Desta pré-selecção global foram apuradas 70 obras, isto é, cinco obras por cada uma das 14 categorias, verificando-se a presença na final de sete projectos portugueses: o Cella Bar na vila da Madalena da Ilha do Pico, a sede da Uralchem Headquarters na Rússia, o Centro Equestre de Leça da Palmeira, a Casa em Guimarães, o Mercado Municipal de Abrantes, o Al Shaheed Park no Kuwait e a Cozinha Comunitária das Terras da Costa da Caparica.
A votação decorreu entre os dias 2 e 9 de Fevereiro e veio a declarar o Cella Bar, a Casa de Guimarães e a Cozinha Comunitária das Terras da Costa da Caparica como Edifícios do Ano 2016 de acordo com a votação da ArchDaily.
O Diário de Notícias destaca hoje a notícia da atribuição dos Archdaily Building of the Year 2016 a três obras com marca portuguesa e ilustram-na com a fotografia do espectacular Cella Bar da ilha do Pico, enquadrado por uma paisagem de mar azul, pedras negras e encostas verdes.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Uma imagem vale mais que mil palavras

Há uma forte depressão centrada a oeste das ilhas Britânicas que está a condicionar o estado do tempo na costa ocidental da Europa, com forte ondulação marítima e ventos muito frescos, que estão a afectar a vida das populações do litoral. Embora haja notícia de cortes de estradas, de tráfego costeiro suspenso e de muitas localidades privadas de energia eléctrica, a situação é normal para esta época do ano. Porém, para além dessas  consequências mais ou menos graves, estas situações proporcionam alguns aspectos de interesse, como são as impressionantes imagens do mar a desfazer-se sobre os obstáculos que encontra. É assim nas costas britânicas e irlandesas, no golfo da Biscaia e, naturalmente, na costa portuguesa.
Os amantes da fotografia têm então um tema muito inspirador para exprimir a sua arte e os jornais aproveitam para publicar as belas imagens das enormes ondas a desfazer-se no litoral, a lembrar que o mar é uma força da natureza que sempre desafia o homem. No entanto, embora isso aconteça em diversos países, em nenhum deles é tratado com o destaque que lhe é dado no Reino Unido, onde os principais periódicos escolhem esse tipo de imagens para ilustrar as suas edições. Assim acontece com os principais jornais ingleses e, entre eles, o The Guardian que, na sua edição de hoje, publica uma expressiva fotografia de Graham Lawrence obtida ontem em Porthcawl, no País de Gales.
Como se costuma dizer e parece ser uma verdade universal, “uma imagem vale mais que mil palavras”.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O deslumbramento do Carnaval brasileiro

Na generalidade dos países de tradição cristã está a viver-se o tempo do Carnaval mas, como se sabe, existem diferentes tradições ou culturas carnavalescas em cada lugar do mundo, com mais ou menos práticas outdoor e indoor, nuns casos de cariz mais popular e noutros casos de tendência mais sofisticada.
Por razões históricas os portugueses levaram o Carnaval para muitas regiões distantes de todos os continentes, nunca deixando de o festejar no seu próprio território. Assim acontece este ano, com festejos anunciados por toda a parte, desde Ovar a Loulé, de Torres Vedras a Estarreja, mas também nos Açores e na Madeira. A programação de todos os canais televisivos portugueses tem dedicado muitas horas à transmissão dos festejos carnavalescos que, muitas vezes, são verdadeiras manifestações de boçalidade e de profundo mau gosto.
Porém, é no Brasil que o Carnaval tem a sua maior expressão cultural em todo o país, sobretudo nas cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo e Salvador, mobilizando o entusiasmo e até o delírio de milhões de pessoas nas ruas, nos sambódromos, nos clubes e por toda a parte. Porém, o Carnaval do Rio de Janeiro destaca-se e, por vezes, é considerado como o maior espectáculo da Terra. O seu mais expressivo ex-libris são as escolas de samba com os seus desfiles e as suas espectaculares fantasias, as suas indumentárias, as suas músicas e as suas danças, que constituem um caso único no mundo. Um deslumbramento de cor, de alegria e de vitalidade!
O Carnaval é uma grande festa para todos os brasileiros e uma grande atracção para o turismo e para a economia brasileira, pelo que toda a imprensa lhe dá o devido destaque, como sucedeu hoje com o diário Extra do Rio de Janeiro que parece apostar na Escola Beija-Flor, a campeã de 2015, para voltar a vencer este ano a competição entre as escolas de samba.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Orçamento, TAP e dignidade nacional

A última semana foi politicamente dominada por dois importantes temas. Por um lado, a apresentação do Orçamento do Estado em Bruxelas e, por outro, o fim das negociações a respeito da privatização da TAP.
A questão do Orçamento gerou uma injustificável dramatização conduzida pelos jornalistas e comentadores do costume, a que se associaram alguns deputados da antiga maioria. Porém, o governo português teve uma clara vitória formal e política, pois foi possível garantir um orçamento equilibrado de acordo com os critérios da União Europeia mas, também, alinhado com as promessas eleitorais do governo e com as normas constitucionais e que, além disso, não abdica das medidas que lhe garantem o apoio dos partidos que formam a actual maioria e a sua aprovação na Assembleia da República. Significa que nesse braço de ferro com Bruxelas houve negociação e, naturalmente, houve cedências das duas partes, não tendo havido as imposições arrogantes de outros tempos a um Portugal submisso. A síntese desse processo foi dita publicamente pelo primeiro-ministro Costa, quando com um sorriso disse à chanceler alemã que se preocupasse unicamente com o seu próprio orçamento, o que tanto nos fez lembrar as humilhantes posturas de Vítor Gaspar e de Maria Luís perante Wolfgang Schäuble. Há muito, muito tempo, que não assistiamos a uma tão subtil e eloquente afirmação da dignidade nacional.
O outro tema da semana foi a reversão do processo de privatização da TAP, que fora assinado entre o consórcio Atlantic Gateway e um governo que tinha sido demitido na véspera. Foi uma decisão muito estranha e apressada do anterior governo. Porém, essa decisão sempre foi contestada pelo actual governo e foi agora cumprida através de negociações chegadas a bom porto. Humberto Pedrosa, um dos empresários do consórcio, afirmou que “a boa vontade e o diálogo permitiram o casamento”, enquanto o primeiro-ministro disse que “como nós dizemos em Portugal, é a falar que a gente se entende. E falando, a gente entendeu-se”.
Significa que, quer no caso do Orçamento, quer no caso da TAP, prevaleceram o diálogo e a negociação que defenderam o interesse e a dignidade nacionais. Lamentavelmente, os jornalistas e os comentadores do costume não viram isso.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A imbecilidade do euro-deputado Rangel

Aconteceu ontem e a televisão mostrou: durante um debate no Parlamento Europeu sobre as consequências da eventual saída britânica da União Europeia, o euro-deputado Paulo Rangel exibiu o seu habitual radicalismo e imbecilidade, atirando-se ao governo do seu próprio país e rotulando-o de extremista. O fulano assumiu o vergonhoso papel de lacaio e de porta-voz das mais reaccionárias instituições internacionais e revelou-se um reles sabujo. Mostrou ser uma vergonha nacional. O seu agressivo discurso, proferido numa altura em que o governo português e a Comissão Europeia discutiam o conteúdo do Orçamento do Estado para 2016, revela a falta de carácter, a arrogância, a inteligência enviezada e a cegueira política deste verdadeiro imbecil que insultou e difamou os portugueses perante os deputados e os jornalistas de toda a Europa.
Em Novembro passado, já este deputado-imbecil chamara a atenção da Comissão Europeia para o facto de “todo o esforço que a população portuguesa fez nos últimos quatro anos, com resultados tão prometedores e tão inspiradores”, estar agora “comprometido” devido ao “acordo de forças da extrema-esquerda com o PS, que põe em causa o equilíbrio que até agora tem sido seguido em Portugal”.
Conforme é do conhecimento público, este deputado-imbecil tem aproveitado o palco de Bruxelas para se promover e para enriquecer, porque além das mordomias de que beneficia como deputado, ainda dá umas aulas, integra uma sociedade de advogados e é comentador televisivo. Porém, apesar dessas actividades todas, Rangel ainda tem tempo para ter este comportamento abjecto de lacaio.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O inaceitável comportamento europeu

Desde há alguns dias que o governo está debaixo de fogo cruzado relativamente ao Orçamento do Estado para 2016, com críticas e ameaças internas e externas. Por um lado procura cumprir as suas promessas eleitorais e os compromissos que acordou com os partidos que lhe dão suporte parlamentar, mas por outro tem que cumprir as exigências da Comissão Europeia que constam do Tratado Orçamental ou, mais precisamente, do Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária (TECG), que entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2013. O TECG exige que os orçamentos nacionais sejam equilibrados, isto é, que o défice global se situe abaixo dos 3% e que, para os países com dívidas acima de 60% do PIB, o défice estrutural se situe abaixo de 0,5%.
Tanto quanto vamos sabendo, depois de filtrarmos a informação que nos chega através de uma monumental campanha de propaganda interna e externa, o défice global apresentado de 2,6% não levantou quaisquer problemas aos burocratas de Bruxelas. O problema está no défice estrutural que resulta da diferença entre as receitas e as despesas públicas, excluindo os efeitos temporários e conjunturais, que é um indicador que ninguém sabe exactamente o que é, nem como se calcula. Aqui é que parece residir a polémica quanto à natureza, temporária ou não, dos cortes de salários e pensões que o governo decidiu reverter. Estamos, portanto, perante um braço de ferro político que, como hoje titula o Diário Económico, vale cerca de 500 milhões de euros e vale, veja-se bem, cerca de 0,2% do PIB. Significa que o tratamento dado ao orçamento português revela a vontade da troika de continuar a humilhar o nosso país e de assegurar que as mudanças políticas em curso não contagiem outros países, como por exemplo a Espanha. Este comportamento europeu é inaceitável.
As ameaças que desrespeitam o eleitorado português e a sua vontade expressa de recuar com a receita da austeridade, não podem ser ignoradas, embora seja a soberana Assembleia da República que virá a aprovar ou a rejeitar a proposta governamental. Os tempos mudaram e melhor era que a Comissão Europeia se preocupasse com os refugiados, com o brexit, com os independentismos, com o desemprego jovem e com tantos outros problemas europeus.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A nossa juventude adere a boas causas

No último quartel do século XIX e nos primeiros anos do regime republicano, a recolha de fundos através de subscrições públicas de âmbito nacional foi uma prática muito frequente em Portugal, para financiar as mais diversas iniciativas. Assim, foi através desse tipo de subscrições que se adquiriram navios de guerra, se compraram aeroplanos, se criaram obras de assistência social, se construiram alguns monumentos e se ergueram muitas estátuas. Habitualmente, eram os grandes periódicos, como por exemplo O Século, o Diário de Notícias e O Comércio do Porto, que organizavam e dinamizavam essas acções de recolha de fundos que se enquadravam no comemorativismo ou no campo da benemerência e de que resultaram, por exemplo, as estátuas do Marquês de Pombal e de Camões, em Lisboa, a estátua equestre de D. Pedro IV no Porto e o Monumento aos Restauradores em Lisboa.
Os tempos são hoje bem diferentes e esse tipo de subscrições públicas de carácter nacional deixaram de ter os periódicos como seus dinamizadores, embora existam outros tipos de iniciativas muito beneméritas, como a recolha de alimentos do Banco Alimentar contra a Fome ou os peditórios nacionais da Cruz Vermelha Portuguesa e da Liga Portuguesa contra o Cancro.
Foi nessa linha de intervenção pública e ao abrigo da lei do mecenato que o Museu Nacional de Arte Antiga iniciou uma campanha de recolha de fundos para adquirir a “Adoração dos Magos”, considerada a obra-prima de Domingos Sequeira, pintada em 1828 e que pertence a colecionadores privados. Em boa hora o Agrupamento de Escolas Domingos Sequeira, de Leiria, convidou os 2.800 alunos das suas 16 escolas a participar na campanha de angariação de fundos, ao mesmo tempo que conheciam e davam a conhecer o pintor-patrono da sua escola. Em boa hora, o jornal Região de Leiria se associou a esta iniciativa de grande impacto educativo, cívico e cultural, dando-lhe uma dimensão regional, neste caso exemplar de mobilização da juventude por uma boa causa.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

As muitas poucas-vergonhas da política

A vida política é uma actividade difícil que exige muita dedicação, muito estudo e, sobretudo, muita vocação para servir a comunidade. Nessa lógica de serviço que poucos praticam e de que muitos se servem de forma perversa e ignóbil, é necessária uma forte sensibilidade social que assegure igualdade de oportunidades mas, também, harmonia e coesão social.
Por isso, num tempo em que se acrescentaram dificuldades à população, que se mandaram emigrar as pessoas, que se empobreceu o país e se retiraram rendimentos aos portugueses, em simultâneo com uma criminosa passividade face à fraudulenta falência de alguns bancos e à apressada e desnecessária venda das melhores empresas nacionais a quem apareceu por aí com um maço de notas, a notícia de hoje do Jornal de Notícias é absolutamente chocante.
No passado mês de Outubro, quando o governo de P & P estava a arrumar os seus papéis para se ir embora, ainda tratou de algumas mal-feitorias que não foi apenas a venda da TAP fora de horas e num vão de escada. Foi, então, que decidiu que os administradores que ele próprio nomeara para a ANAC, a entidade reguladora da aviação civil, fossem aumentados com direito a retroactivos desde Julho. Assim, o presidente passou de 6030 euros para 16075 euros; o vice-presidente passou de 5499 euros para 14.468 euros; a vogal subiu de 5141 euros para 12.860 euros. E quem são os administradores? Os seus currículos estão na internet e revelam verdadeiros boys, daqueles que usam a bandeirinha na lapela, que foram assessores deste e daquele, que frequentaram acções de formação nisto e naquilo. No caso da girl, para além do tempo que passou em gabinetes ministeriais, é notável a sua formação de base em "estudos europeus" que, naturalmente, tem muito a ver com a regulação da aviação civil. Certamente pela sua militância, a licenciada Lígia foi nomeada pelo Sérgio Monteiro e aos 35 anos de idade tem os tais 12.860 euros mensais, mais as mordomias que o cargo lhe dá. Boa menina!
Este caso mostra o desvario que tomou conta da vida política e partidária, evidenciando uma das formas mais subtis da corrupção em Portugal, isto é, o favorecimento dos amigos e dos companheiros de partido. Bom seria que António Costa e o seu governo não entrassem nessa onda e pusessem fim a esta pouca-vergonha.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Por onde já anda a nossa pobre soberania

As relações de Portugal com a União Europeia evoluiram num sentido que é lamentável, pois a humilhação e a perda de soberania já envergonham um país com nove séculos de história.
Os portugueses votaram no dia 4 de Outubro e fizeram uma escolha política que vai em sentido diferente da receita única de austeridade que vigorou desde o início da crise do euro e tão maus resultados teve, não só em Portugal, mas também nos outros países do Sul da Europa. Como é natural, em função das suas promessas eleitorais e dos acordos parlamentares realizados, não era de esperar que o novo governo preparasse um Orçamento do Estado de mera continuidade em relação ao anterior. Porém, quando o governo enviou para Bruxelas o esboço desse mesmo Orçamento, de imediato apareceram muitas críticas, quase todas no mesmo sentido. O Orçamento ficou sob "fogo cerrado" como titulou o Diário Económico. A Comissão Europeia veio dizer que o esboço não cumpria alguns critérios obrigatórios e, depois, foi o Conselho de Finanças Públicas, a UTAO e algumas agências de rating a deixar ameaças. Alguns partidos políticos que ainda não engoliram a sua derrota parlamentar e muitos comentadores rejubilaram com esta situação porque, dominados por uma cegueira ideológica, ainda não perceberam que não podemos estar de cócoras perante os mercados, as agências de rating e os burocratas de Bruxelas, que ninguém elegeu e ninguém sabe quem são. Tenhamos vergonha! Tenhamos dignidade!
Até à sua aprovação pela Assembleia da República o Orçamento é um documento aberto e susceptível de alterações. Não é aí que está o problema e não são os números, nem o carácter das previsões mais ou menos optimistas que estão em causa. O que está em causa é uma prática cada vez mais arrogante da Comissão Europeia e dos seus aliados internos, que se mostra incapaz de resolver os gravíssimos problemas que estão a ameaçar a coesão económica e social europeia, que se cala perante os comportamentos orçamentais franceses e italianos e que se atira a Portugal, entre outras coisas ridículas porque prevê um crescimento de 2,1%, quando aceitara um crescimento de 2,0% do anterior governo.
O caminho seguido nos últimos anos empobreceu o país, aumentou a dívida e desertificou o território. Votamos noutra coisa. O governo garante que os compromissos eleitorais e os acordos parlamentares são para cumprir, ao mesmo tempo que negoceia com a Comissão Europeia o esboço de Orçamento para 2016.  Esperemos que António Costa chegue a bom porto.