sábado, 16 de março de 2013

O futuro bem negro que nos anunciam

Ontem o nosso contabilista deu mais uma lição de insensibilidade social, de ignorância económica e de servilismo aos interesses dos especuladores (ou dos mercados) e o Diário de Notícias sumariou-a: “Gaspar anuncia futuro negro”. Então um ministro anuncia um futuro negro e não se demite? E ninguém o demite por ele nos andar a enganar há tanto tempo? Depois de cerca de 21 meses de governo e de todas as declarações e promessas feitas, antes e depois das eleições legislativas de 5 de Junho de 2011, os resultados são verdadeiramente catastróficos. Estamos perante a pior recessão de que há memória em Portugal, com uma quebra do produto nacional de 3,2%, uma brutal quebra no consumo e nas exportações, um desemprego que já atinge cerca de um milhão de pessoas e um ambiente social depressivo e sem esperança. Não é preciso ser economista nem ler estatísticas para ver a triste realidade que nos cerca. Os nossos jovens governantes revelam inexperiência, ignorância, atrevimento e insensibilidade social. Um dos que se destaca nessa intolerável atitude é exactamente o nosso contabilista, que tem falhado sempre e que já nem tem o apoio do seu próprio partido. É a nossa desgraça!
Entretanto, o homem que chamou piegas aos portugueses, movimenta-se emparedado entre o seu contabilista e um relvas sem escrúpulos, insistindo teimosamente nas mesmas receitas que nos levaram a esta delicada situação. Ele não sabe, nem quer aprender outras soluções. Submisso e vaidoso, deslumbra-se com os elogios que lhe fazem em Bruxelas e Frankfurt. Não arrepia caminho e continua a afirmar “nem mais tempo, nem mais dinheiro”. O Titanic afunda, mas ele e a sua banda continuam a tocar no salão, embora alguns músicos já estejam a preparar-se para embarcar nos botes de salvação. A situação é muito complexa e as dificuldades são enormes. A recessão é europeia e a crise também é europeia. Ninguém tem dúvidas disso. Anunciam-nos um futuro negro. E o que faz o homem do leme? Visita moagens e fábricas de cogumelos.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Habemus Papam!

Ontem à noite em Roma, de uma varanda da Basílica de São Pedro, o cardeal francês Jean-Louis Tauran anunciou ao mundo que o conclave tinha escolhido o novo Papa, o homem que vai dirigir uma comunidade de 1200 milhões de católicos em todo o mundo. O eleito tinha sido o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires de 76 anos de idade, que decidiu adoptar o nome de Francisco.
O novo Papa nasceu em Buenos Aires em 1936, filho de um ferroviário de origem italiana. Foi engenheiro químico antes de se tornar padre em 1969 e era arcebispo de Buenos Aires. É o primeiro latino-americano e o primeiro jesuíta a dirigir a Igreja Católica. Dirigindo-se à multidão que o aclamou disse que “os meus irmãos cardeais foram buscar-me quase até ao fim do mundo”.
Hoje sabe-se que o cardeal Bergoglio terá sido o principal adversário de Joseph Ratzinger na eleição de 2005, tendo chegado a reunir 40 votos dos cardeais eleitores. Dizem os registos que é um homem tímido, modesto, conservador e preocupado com os mais pobres. O seu estilo de vida é sóbrio e austero. Vive num pequeno apartamento em Buenos Aires e recusou viver no Palácio Apostólico. Viaja de metropolitano e de autocarro e, quando vai a Roma, voa em classe económica. Cozinha as suas próprias refeições, gosta de tango e de literatura, mas também é um apaixonado pelo futebol. É adepto e sócio do San Lorenzo de Almagro e gosta de ir ver os jogos da sua equipa. Com este exemplo de vida podemos dizer: Habemus Papam!
O diario argentino El Dia diz que é “um dia histórico” e salienta o “orgulho e a emoção” argentinas. O país de Jorge Luis Borges e Juan Manuel Fangio, de Maradona e Messi, de Che Guevara e Eva Peron, de Carlos Gardel e Piazzola, rejubila.

terça-feira, 12 de março de 2013

115 cardeais para escolher o novo Papa

Esta tarde na Capela Sistina do Vaticano, os 115 cardeais da Igreja Católica com menos de 80 anos de idade iniciaram o conclave para escolher o novo Papa que irá suceder a Bento XVI. Os cardeais eleitores, entre os quais há dois portugueses, são originários da Europa (60), América Latina (19), América do Norte (14), África (11), Ásia (10) e Oceânia (1), ficando fechados e isolados do mundo até que o novo Papa seja escolhido. As votações decorrem até que um nome obtenha uma maioria de dois terços dos 115 votos e, uma vez escolhido, o eleito declara se aceita a eleição como soberano pontífice e escolhe o nome que adopta. Então, o fumo branco anuncia que já há um novo Papa que, a partir da varanda da basílica de São Pedro, profere a bênção apostólica Urbi et Orbi. O Papa é o líder espiritual de 1200 milhões de católicos, é o Chefe do Estado do Vaticano e o Bispo de Roma. O Papa terá de mobilizar as energias da Igreja Católica em todos os continentes e proteger a diplomacia da Santa Sé, proceder à reforma da Cúria Romana e do governo da Igreja, tornando-a moderna, global e plural. Terá que ter respostas para as questões da ordenação das mulheres, do celibato dos padres, da sexualidade e da pedofilia, mas também para os problemas e suspeitas que pairam sobre o Banco do Vaticano.
O Papa é uma figura de influência mundial e, uma vez que, por razões que a História explica, a Santa Sé e o Vaticano existem, exige-se que estejam, através das suas redes diplomáticas e religiosas, ao serviço da paz, dos direitos humanos, dos pobres, dos oprimidos e do diálogo entre as nações. É isso que se espera do novo Papa.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Resistência Galega

Numa altura de grandes dificuldades económicas e sociais, a Espanha defronta-se também com sérias intenções independentistas no País Basco e na Catalunha, mas também na Galiza, embora neste caso se trate de uma reivindicação quase simbólica, mas que não deixa de se mostrar activa. Assim, a imprensa galega noticiava hoje que a Resistência Galega realizou mais um atentado bombista e o diário Atlántico, que se publica em Vigo, destacava na sua primeira página o “nuevo atentado de Resistência Galega a un banco en O Rosal”.
A Resistência Galega agrega diferentes grupos organizados no quadro da luta pela independência da Galiza e, em 2005, publicou um “Manifesto pola resistência galega”, passando a levar a efeito acções bombistas contra entidades bancárias e partidos políticos espanhóis. A primeira dessas acções aconteceu no dia 23 de Julho de 2005 e foi dirigida contra uma agência bancária em Santiago de Compostela, na véspera do Dia Nacional da Galiza. Desde então, a Resistência Galega efectuou cerca de três dezenas de acções armadas, das quais só resultaram danos materiais. As forças de segurança espanholas consideram que os independentistas actuam a partir de três células activas, baseadas em Santiago de Compostela e Vigo, mas também de uma terceira célula localizada, eventualmente, no norte de Portugal.
Em Outubro de 2010, o Tribunal Supremo espanhol designou a "Resistência Galega" como um "grupo terrorista", comparando-o com outras organizações armadas que actuam em Espanha, como por exemplo a ETA. Não são fáceis os tempos nem os ventos que sopram em Espanha.

domingo, 10 de março de 2013

Que mais nos irá acontecer?

O nosso primeiro afirmou em campanha eleitoral que fez as contas e que estava em condições de garantir que não seria preciso cortar salários nem fazer despedimentos para consolidar as nossas finanças públicas. Era a voz da arrogância. Disse, então, que tudo foi vasculhado para haver contas bem feitas e que a sua gente procurou estimar, preferindo fazê-lo mais por excesso do que por defeito. Anunciou que iria mais longe do que a troika. Era a teoria do corte das gorduras que o amigo catroga todos os dias anunciava por megafone televisivo e que uma legião de relvas, moedas, borges e nogueiras aplaudia. Porém, os homens da bandeirinha na lapela não tinham estudado a lição, não conheciam o país, deslumbraram-se com o poder e nem perceberam que as coisas eram bem mais complexas do que pensavam. Depressa esqueceram programas e promessas e passaram a fazer o contrário do que anunciaram e prometeram. Os resultados são desastrosos. Afundaram a nossa economia. Levaram o desemprego para níveis insuportáveis. Aumentaram a dívida pública. Não reduziram o défice. Aumentaram impostos. Cortaram salários e pensões. Empobreceram o país. Estimularam a emigração. Roubaram-nos a confiança. Humilham-nos todos os dias.
Agora, cegos e surdos, insistem na mesma receita, querem ainda mais austeridade e preparam-se para cortar nas despesas sociais e nas funções de soberania. E querem mais cortes nas pensões de quem descontou toda a vida e confiou no sistema. São uns fundamentalistas obcecados e nem sequer obedecem aos seus colegas da troika porque, em boa verdade, eles são a troika. Estão a levar-nos para um desastre e a destruir a identidade e o orgulho nacionais. Que mais nos irá acontecer?

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vodafone Red

Hoje, estranhamente, os principais jornais portugueses – generalistas, económicos e desportivos – apareceram nas bancas totalmente coloridos de vermelho. A dúvida assaltou-me. Seria uma forma de solidariedade para com a Venezuela e uma homenagem ao Presidente Hugo Chavez? Seria um apoio ao Benfica para o seu jogo desta noite com o Bordéus para a Liga Europa? Não podia ser nenhuma destas coisas. Só poderia ser uma qualquer mensagem publicitária induzida. Lembrei-me, então, que desde há dois dias, havia alguns outdoors a anunciar um novo pacote de serviços da Vodafone – o Vodafone Red.
O vermelho dos jornais cumpriu os dois primeiros passos do processo de comunicação publicitária - chamar a atenção e despertar o interesse. Depois, suscitou-me o desejo de conhecer o conteúdo da mensagem induzida no vermelho da capa dos jornais. Verifiquei, então, que a Vodafone decidiu responder à ofensiva recentemente lançada pela PT através da marca Meo, juntando  no mesmo pacote os serviços de internet, telemóvel, telefone fixo e televisão, com um tarifário atraente e competitivo, que pode levar à experimentação/aquisição do novo serviço. O vermelho serviu, portanto, os quatro pilares essenciais da comunicação publicitária: atenção, interesse, desejo e aquisição. 
Não sei se o Vodafone Red é melhor ou pior que a PT, mas ambas estão a lutar por um lugar no mercado das telecomunicações e a antecipar-se à anunciada fusão entre a Zon e a Optimus, que deverá estar concluída no Verão. A concorrência é assim e os consumidores é que ganham. É pena que este tipo de guerra não chegue à banca e aos combustíveis onde,  por vezes, a cartelização parece evidente.

Hugo Chávez, um amigo de Portugal

A morte de Hugo Chávez, o Presidente da República Bolivariana da Venezuela, era esperada mas nem por isso deixou de ser notícia na imprensa mundial.
Chavez foi eleito em 1998 e foi sucessivamente reeleito para a Presidência da República em todas as votações, a última das quais sucedeu em Outubro de 2012, tendo-se destacado internamente pelas suas políticas de inclusão social, de combate à pobreza e de cooperação no quadro latino-americano e, internacionalmente, pelo seu anti-americanismo e anti-capitalismo.
A Venezuela é um país em que vivem cerca de meio milhão de portugueses e em que se estima haver um milhão e meio de luso-descendentes (cerca de 5% da população), pelo que as relações bilaterais luso-venezuelanas são muito importantes. Hugo Chávez sempre expressou simpatia pela comunidade portuguesa e empenhou-se pessoalmente no desenvolvimento das relações económicas entre os dois países, tendo visitado Portugal por quatro vezes durante os seus doze anos de mandato. Daí resultou um enorme incremento das relações económicas entre os dois países e uma balança comercial muito favorável a Portugal. Hoje a Venezuela é o 19º mercado português e é o quinto mercado mais importante fora da União Europeia, tendo as exportações de bens e serviços aumentado 65,8% em 2012 e atingido mais de 500 milhões de euros.
Em Portugal todos os dirigentes políticos reconhecem Hugo Chávez como um grande amigo de Portugal e, numa altura em que no seio da própria Europa se está a perder a ideia de solidariedade, a evocação de um país e de um líder que mostrou essa mesma solidariedade para com os portugueses merece ser posta em evidência.  

quarta-feira, 6 de março de 2013

Uma exposição imperdível na Gulbenkian

Na Galeria de Exposições Temporárias do edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian está patente a exposição 360º Ciência Descoberta, que aborda uma página pouco conhecida da história da ciência que se desenvolveu durante o período das grandes navegações marítimas dos séculos XV e XVI, na qual os povos ibéricos foram os grandes protagonistas e se tornaram de facto os verdadeiros precursores da moderna ciência europeia do século XVII.
A exposição está didacticamente organizada por núcleos temáticos, revelando o confronto com os saberes antigos e descrevendo as novas realidades observadas no encontro com um novo mundo. Apresenta-nos alguns dos mais simbólicos testemunhos materiais desse período dourado da ciência ibérica, como mapas e manuscritos raros, produtos exóticos e especiarias, instrumentos de navegação e livros, alguns dos quais são mostrados pela primeira vez em Portugal. Trata-se, portanto, de uma narrativa sobre as origens da ciência em Portugal e Espanha, que demonstra claramente o espírito inovador daquele tempo e a sua importância pioneira no contexto da ciência europeia que, muitas vezes, ainda é erradamente atribuída apenas a ingleses, franceses e italianos.
A exposição é acompanhada por um ciclo de conferências e é apoiada por um programa educativo muito inovador que está orientado para escolas e grupos organizados. A exposição é absolutamente imperdível e pode ser visitada até ao dia 2 de Junho.

terça-feira, 5 de março de 2013

A abrir portas ou a promover o portas?

O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros foi de viagem à Índia para abrir portas e levou consigo uma alargada comitiva, onde se incluem 36 empresários mas também a televisão, para nos mostrar o sorridente ministro a inaugurar um ginásio e a informar-nos que a nossa economia precisa de músculo. A comitiva não viajou em classe económica, nem se instalou em hotéis de três estrelas, nem circulou localmente num riquexó barato. Evidentemente que não podia ser assim. São as exigências da dignidade do Estado. Por isso, estas coisas saem caras e se o ministro fizesse uma análise custo-benefício destas iniciativas a que chama “diplomacia económica”, mas que pouco mais são do que propaganda pessoal, ficaria muito surpreendido. Mas ele não resiste à sua paixão por viagens, nem à sua atracção por feiras e mercados. Depois das visitas à Ribeira e ao Bolhão, agora visita os mercados da Índia.
Porém, ele deveria conhecer um estudo realizado na Faculdade de Economia do Porto que o “Jornal de Notícias” divulgou em 24 de Agosto de 2009. O autor desse estudo analisou 12 visitas oficiais efectuadas entre 2005 e 2008, tendo concluído que os empresários portugueses que viajam em comitivas oficiais não as aproveitam para desenvolver negócios com empresários locais, preferindo desenvolver negócios com os outros empresários da comitiva. O estudo defendia que tanto os empresários como o Estado deviam repensar o modelo de funcionamento das visitas oficiais e salientava que não existia qualquer tipo de avaliação quanto à utilidade dessas visitas, que são financiadas por fundos públicos. Além disso, é evidente que os empresários não precisam que lhes abram as portas e, para inaugurar ginásios e promover encontros, já lá temos os nossos diplomatas.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Clientes BPN: quem são e quanto devem?

A imprensa noticia hoje e o Diário de Notícias destaca essa notícia em primeira página, que o governo tem um plano de recuperação do crédito malparado no BPN, o qual atingirá 17 mil devedores e se estima ter um valor de 4,2 mil milhões de euros. Segundo foi divulgado, até ao próximo mês de Julho, o governo irá contratar uma empresa especializada na recuperação de créditos, enquanto já haverá actualmente 13 mil processos em contencioso. Aparentemente, trata-se de boas notícias para os contribuintes portugueses, pois têm sido eles que têm sido chamados a “tapar o buraco” do BPN. Porém, perante a irresponsabilidade e a impunidade com que, desde há muitos meses, tem sido tratado este caso, teremos que ser descrentes e desconfiados. Tem havido uma incompreensível condescendência para com os assaltantes do BPN, muitos dos quais se passeiam por aí e, depois da venda do banco ao BIC, muitas empresas e muitos particulares em dívida deixaram de cumprir as suas obrigações que tinham para com o BPN. A morosidade da Justiça também não nos dá garantias de uma intervenção rápida, justa e eficaz, que assegure o pagamento dos créditos ou o confisco de bens que, sabemos agora, resultaram de um processo de acumulação de riqueza assente em práticas e favorecimentos ilícitos. No passado mês de Janeiro, todos os grupos parlamentares se uniram para exigir que os poderes judiciais actuassem rapidamente para julgar e punir os responsáveis pelos milhões roubados no BPN.
No entanto, o tempo corre e continuamos sem saber quem são e quanto devem aqueles que se aproveitaram do BPN. E todos temos o direito a saber isso.

domingo, 3 de março de 2013

Vozes de protesto para serem ouvidas

As manifestações que ontem se realizaram, um pouco por todo o país, em protesto contra a troika, o governo e as políticas de austeridade, tiveram a sua expressão mais evidente em Lisboa e no Porto e nem é importante saber quantos foram aqueles que nelas participaram.
Em Lisboa desfilaram muitos, muitos milhares de descontentes, de indignados, de desempregados, de reformados, de jovens sem futuro e de gente como eu, que cantou a “Grândola vila morena” e gritou palavras de ordem como “O povo unido jamais será vencido”, a evocar os tempos da conquista da liberdade e da luta contra a tirania. Os manifestantes reclamavam a demissão do governo e reagiam contra as políticas de austeridade e de ataque ao Estado social, de destruição da economia, de empobrecimento generalizado e de insensibilidade social, que estão a ser prosseguidas pelo governo e que ameaçam a coesão social e o futuro.
Embora as manifestações sejam uma prova de força popular e uma forma de expressão democrática e legítima, pouco mais conseguem do que desgastar politicamente o governo e de, eventualmente, levar a algumas alterações na sua orientação política. Porém, enquanto expressões da vontade popular, as manifestações não podem deixar indiferente o homem que elegemos em Janeiro de 2011 para ocupar o Palácio de Belém e que até tem um orçamento de 15 248 380 euros para pensar e para actuar. Por isso, o título do Jornal de Notícias é significativo e é dirigido ao governo, mas também ao homem do leme: oiçam-nos!





The Tall Ships Race 2016 em Lisboa

Num intervalo de poucas horas a cidade de Lisboa voltou a ser notícia por bons motivos, pois vai receber em 2016 a regata anual da Sail Training International - The Tall Ships Race - uma regata/festival náutico em que participam os grandes veleiros e que se realiza todos os anos com escalas em diversos países. Depois da anunciada escala lisboeta da Volvo Ocean Race em 2015, esta visita dos grandes veleiros em 2016 vem confirmar Lisboa como uma cidade marítima de excelência e um importante palco para grandes eventos náuticos internacionais.
A decisão de receber aquela regata/festival em Lisboa só foi possível devido ao envolvimento da Câmara Municipal de Lisboa e ao protocolo que foi assinado entre a autarquia e a Aporvela – Associação Portuguesa de Treino de Vela, o parceiro nacional da Sail Training International que é a entidade que, desde 1982, tem organizado a visita dos grandes veleiros ao porto de Lisboa.
Por outro lado, a decisão de incluir Lisboa na regata de 2016 resulta do sucesso da edição de 2012, na qual a Aporvela contou com o apoio de mais de duas centenas de voluntários. Nessa altura estiveram em Lisboa 49 grandes veleiros com cerca de 2500 jovens tripulantes de 43 nacionalidades, que tiveram a oportunidade de participar em vários eventos, animações de rua e concertos, mas também de conhecer a cidade. Um imponente desfile náutico atraiu ao rio Tejo algumas centenas de pequenas embarcações, enquanto muitos milhares de espectadores assistiram ao desfile nas margens do Tejo.
Para nosso contentamento, em 2016 esperamos voltar a ver o navio-escola Sagres a navegar rio abaixo com todo o pano e com tão numerosa companhia.

sábado, 2 de março de 2013

A Alemanha é rica mas tem fraca memória

A Alemanha é rica mas tem fraca memória, pois esquece que há 60 anos, exactamente no dia 27 de Fevereiro de 1953, houve um grupo de duas dezenas de países, entre os quais a Grécia, a Irlanda e a Espanha, que decidiram perdoar-lhe mais de 60% da sua dívida, através de um acordo assinado em Londres, conforme revelou o diário digital Dinheiro Vivo. Este perdão, que na prática foi uma extensão e reforço das ajudas financeiras directas do Plano Marshall, permitiu aos alemães a redução substancial da sua dívida, contraída antes e depois da Segunda Guerra Mundial. Segundo um perito citado pelo Dinheiro Vivo, a dívida antes da guerra ascendia a 22,6 mil milhões de marcos, incluindo juros, enquanto a dívida do pós-guerra foi estimada em 16,2 mil milhões. No acordo assinado em Londres esses montantes foram reduzidos para 7,5 mil milhões e 7 mil milhões respectivamente, o que equivale a uma redução de 62,6%. Porém, o acordo foi mais longe ao estabelecer  a possibilidade da Alemanha suspender pagamentos e renegociar as condições, caso ocorresse “uma mudança substancial que limitasse a disponibilidade de recursos" para além de, em alguns casos, ter havido uma redução significativa das taxas de juro aplicadas. O historiador alemão Albrecht Ritschl, que é professor na London School of Economics, numa entrevista à edição on line da revista Der Spiegel (21 de Junho de 2011) afirmou  que “Germany was the biggest debt transgressor of 20th century” e confirmou que existiu de facto um perdão de dívida gigantesco ao país. Porém, agora são os filhos e os netos dos que beneficiaram daquele perdão, que estão a asfixiar quem antes foi solidário e lhes perdoou as dívidas e tantas outras coisas mais.

sexta-feira, 1 de março de 2013

A Volvo Ocean Race regressa a Lisboa

A organização da Volvo Ocean Race anunciou hoje que Lisboa vai continuar a ser um dos portos de escala da volta ao mundo à vela e que essa presença fica garantida para as duas próximas edições da prova, a realizar em 2014/15 e 2017/18. É uma importante notícia para Portugal, não só em termos desportivos, mas também em termos económicos e promocionais, que só foi possível pelo apoio da Câmara Municipal de Lisboa e pelo êxito que, em Junho de 2012, constituiu a passagem por Lisboa da 11ª edição da prova, que teve um enorme impacto económico avaliado em cerca de 30 milhões de euros e que atraiu muitos milhares de visitantes e espectadores.
A organização revelou que a próxima edição da Volvo Ocean Race partirá de Alicante (Espanha), seguirá para o Recife (Brasil) e, depois de contornar o cabo da Boa Esperança, navegará até Abu Dhabi (EAU). A prova sairá depois para Auckland (Nova Zelândia) e passará o cabo Horn a caminho de Itajaí (Brasil) e de Newport (EUA). A travessia do Atlântico será feita entre Newport e Lisboa e a corrida seguirá depois para Gotemburgo (Suécia) onde termina, estando ainda em aberto a hipótese de haver mais uma ou duas escalas em portos europeus. Faltam 18 meses para o início da 12ª edição da grande corrida e já está garantida a participação de três equipas. O que também está garantido é que a Volvo Ocean Race regressará a Lisboa no Verão de 2015 e que a cidade e o Tejo aparecerão em todas as televisões do planeta.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Postais turísticos de Coimbra

Coimbra é uma cidade de património e de cultura, uma terra de memórias para muita gente e um local que sempre se visita (e fotografa) com agrado. Ontem aconteceu-me isso na Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes, uma das artérias que liga a Baixa à Alta da cidade.
Ao longo dessa rua existe uma parede decorada com vários painéis de azulejos azuis e brancos que representam vários monumentos localizados na cidade e a sua história é simples: depois de Abril de 1974, esse extenso muro situado em frente do Mercado D. Pedro V, foi transformado num mural de tipo revolucionário, repetidamente pintado e repintado. Em 1984 foi decidido requalificar esse muro, revestindo-o com azulejos encomendados ao artista gráfico Amílcar Matias. Porém, embora o trabalho produzido tenha um excelente desenho, apenas corresponde a uma colagem de azulejos a lembrar uma série de “postais turísticos de Coimbra”, colocados numa parede branca e esteticamente fria, sem um adequado enquadramento e sem que se lhe reconheça o estatuto artístico que a cidade merecia.
E vem-nos à memória o painel de João Abel Manta existente na Avenida Gulbenkian em Lisboa (1982) ou o painel da Ribeira Negra de Júlio Resende, colocado à saída do tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís I, no Porto (1985), que são contemporâneos dos painéis a que chamei “postais turísticos de Coimbra”.
Porém, uma manhã solarenga na Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes permite um curioso jogo de sombras e uma interessante fotografia, até ao mais amador dos fotógrafos.