domingo, 4 de fevereiro de 2018

O que fazer com o regresso dos jihadistas?

O Estado Islâmico do Iraque e do Levante, também conhecido por Isis e por Daesh, que em 2014 tinha proclamado um califado e que durante alguns anos ocupou grandes áreas territoriais da Síria e do Iraque, foi derrotado militarmente. Essa informação foi veiculada por russos e americanos, iraquianos e iranianos, a partir do dia 17 de Outubro de 2017 quando, após cinco meses de intensos combates, a cidade síria de Raqqa foi reconquistada pelas milícias curdas. Raqqa era a capital do Daesh e como sempre sucede nestes conflitos, a perda da capital significa a derrota.
Porém, a generalidade dos analistas considera que a derrota do Daesh não é o fim daquela organização e pensa que nesta altura ela já se estará a preparar para estabelecer uma rede global de terrorismo, provavelmente com base no Afeganistão.
O futuro do Daesh é, por isso, uma incógnita. No entanto, sabe-se que muitos dos seus combatentes estão a regressar aos seus países de origem acompanhados pelas suas famílias que entretanto se tornaram altamente enfeudadas ao fundamentalismo islâmico e que, talvez, estejam mobilizadas para a prática de actos terroristas. A capa do Courrier International é expressiva, com uma família a caminhar trazendo por mochila uma granada de mão. De acordo com um estudo publicado pelo semanário Le Point, desde 2014 terão partido 1700 franceses para o Iraque e para a Síria, dos quais 278 foram mortos, 690 ainda estarão na região, 302 já regressaram a França e 430 estarão em trânsito para regressar a França.
A imprensa francesa tem tratado regularmente este preocupante assunto, questiona-se sobre o quadro legal aplicável e pergunta “quelle justice pour les terroristes", analisando o seu “l’impossible retour”. Sabe-se que alguns deles já terão conseguido apoios para reintegração social e subsídios de desemprego, mas opinião pública francesa parece condenar esta reintegração e estes casos de crime sem castigo. Devem ou não regressar? Quem os julgará? A França procura as respostas.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

O Brexit levou a confusão para Gibraltar

Gibraltar é um território britânico ultramarino com 6,5 km2 de superfície que se situa a sul da península Ibérica. Tendo sido ocupado em 1704 por uma força anglo-holandesa durante a Guerra da Sucessão Espanhola, veio a ser cedido definitivamente aos ingleses pelo Tratado de Utrech de 1713.
Os anos correram sempre com grande conflitualidade entre espanhóis e ingleses por causa do Rochedo. Em meados do século XX a Espanha passou a reivindicar o retorno da península de Gibraltar à sua soberania, tendo requerido a intervenção da Comissão de Descolonização das Nações Unidas para acabar com aquela situação colonial. Os ingleses invocaram o direito dos gibraltinos à sua autodeterminação e em 1967 fizeram um referendo em que 99,64% da população expressou a vontade de permanecer sob soberania britânica. Surgiu então a ideia de uma soberania partilhada entre a Espanha e o Reino Unido pelo que em 2002 foi realizado um segundo referendo, mas os gibraltinos recusaram a proposta de partilha de soberania por 99% dos votos.
Apesar destes dois referendos a “questão de Gibraltar” nunca deixou de estar na agenda dos dois países por razões políticas, embora interesse sobretudo aos seus 32 mil habitantes, mas também aos 8 mil espanhóis que todos os dias atravessam a fronteira para trabalhar.
O governo do território de Gibraltar é partilhado por um governador designado pelo monarca da Grã-Bretanha e por um governo autónomo eleito pelos gibraltinos de acordo com uma carta constitucional.
No meio de toda esta complexa questão, em 2016 surgiu o referendo do Brexit em que perguntaram aos gibraltinos se queriam ou não continuar como membros da União Europeia, tendo 95,91% votado pelo remain e só 4,09% optado pelo leave. Portanto, o Brexit levou ainda mais confusão e mais incerteza a Gibraltar, pois os gibraltinos querem ser britânicos mas não querem sair da União Europeia. O jornal La Libre Belgique tratou deste assunto e procurou saber como irão os gibraltinos resolver este imbróglio que os confunde cada vez mais.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A brutal violência do Rio de Janeiro

O jornal brasileiro O Globo anunciou que no passado mês de Janeiro se verificaram 640 tiroteios na área metropolitana do Rio de Janeiro, o que significa que os moradores da cidade se confrontaram com quase um tiroteio por hora, na maioria das vezes entre a Polícia e os traficantes de droga.
De acordo com outra fonte, no mesmo mês de Janeiro ocorreram 688 tiroteios e verificaram-se 146 mortes por arma de fogo e 158 feridos, o que mostra a dimensão da violência na cidade do Rio de Janeiro.
O problema é trágico porque, por exemplo no 1º semestre de 2017, ocorreram mais de 2600 tiroteios no Rio de Janeiro, de que resultaram quase 800 mortes. Estes números impressionam e assustam. Não se imagina a Cidade Maravilhosa assim! 
No Brasil pergunta-se muitas vezes se há solução para o problema da violência, até porque a política de repressão que tem sido adoptada não tem produzido resultados e apenas tem provocado o seu aumento, bem como o número de mortes e a insegurança social. O facto é que a violência no Rio de Janeiro, mas também em outras regiões do Brasil, é o reflexo do progressivo aprofundamento das desigualdades sociais que se verificam no Brasil, mas também é o resultado da aplicação de políticas erradas.
A política de segurança pública que tem sido seguida pelo Estado do Rio de Janeiro tem custado muitos milhões ao erário público, sendo superior aos orçamentos estaduais da educação e da saúde, mas as pessoas questionam-se cada vez mais sobre se não teria sido preferível aplicar esses recursos em políticas de inclusão social.
Porém, com tudo o que se passa nas estruturas do poder no Brasil, sobram dúvidas sobre se há capacidade ou vontade para reduzir a violência no país e, em especial, na sua antiga capital.

A Super Lua fotografada em Burgos

Esta semana a Lua esteve na sua fase de lua cheia, ao mesmo tempo que ocorria um eclipse total e que a sua órbita estava no perigeu, isto é, no seu ponto mais próximo da Terra. Estas três circunstâncias raramente ocorrem em simultâneo.
A lua cheia e o perigeu dão origem à chamada Super Lua, que pode aparecer 14% maior e 30% mais brilhante do que é habitual. Por outro lado, o mês de Janeiro teve duas luas cheias, o que não é habitual acontecer, sendo costume chamar-se Lua Azul à segunda lua cheia do mês.
Significa que, na passada quarta-feira tivemos Super Lua, Lua Azul e, devido ao eclipse, até tivemos uma lua de cor avermelhada, embora o eclipse não tenha sido visível em Portugal.
Aqui em Lisboa, nem a Imprensa, nem o Observatório Astronómico de Lisboa, alertaram para o acontecimento e pouca gente terá olhado para a Lua, até porque o eclipse não foi visível.
A imprensa internacional deu notícia deste fenómeno, sobretudo nos Estados Unidos, onde os fotógrafos aproveitaram a oportunidade para fazer prova de vida.
Aqui ao lado, na Comunidade Autónoma de Castela e Leão, o Diário de Burgos chamou a este fenómeno um espectáculo celestial e aproveitou para publicar uma sugestiva fotografia da famosa catedral da cidade a enquadrar a Super Lua.

Um destino turístico chamado Portugal

A propósito do 60º Salão de Férias de Bruxelas que abriu as suas portas ao público, o jornal La Libre Belgique destacou ontem na sua primeira página que os destinos-tendência para 2018 são o Chile, a Coreia do Sul e Portugal. Portanto, temos o nosso país eleito pelos belgas como um grande, se não o maior, destino turístico europeu.
Nestas feiras, que no princípio do ano são organizadas em todos os países, as agências de viagens apresentam ao público as suas melhores sugestões de férias, procurando convencê-los a comprar os seus pacotes. Foi assim que, sob a pressão da indústria do turismo e das suas agências de viagens, nasceram alguns destinos turísticos como Torremolinos, Canárias, Acapulco ou Cancun, mas também a moda dos cruzeiros mediterrânicos ou nórdicos, a somar aos tradicionais circuitos pelas grandes cidades europeias.
Por razões de ordem diversa, Portugal afirmou-se nos últimos anos como um destino turístico de primeira ordem, pelo que os agentes económicos têm procurado adaptar-se a essa oportunidade que se deseja não seja apenas conjuntural e que é bem visível no renascimento ou readaptação da parte antiga da cidade de Lisboa, cada vez mais vocacionada para o turismo. Desse facto muito tem beneficiado a economia portuguesa mas também a auto-estima dos portugueses que se mostram mais abertos e mais receptivos do que nunca aos estrangeiros, o que também tem servido para melhorar a imagem internacional do nosso país.
A constatação verificada pelo jornal belga de que Portugal é um dos mais procurados destinos turísticos é encorajadora para o sector e, naturalmente, para a economia portuguesa. Os lisboetas e os portugueses em geral que se preparem, porque este ano irão chegar ainda mais turistas para ver os nossos monumentos e as nossas praias ou encher os nossos restaurantes e os nossos museus. Como vai longe o tempo do isolamento internacional...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Macau e a festividade do Ano Novo Chinês

No próximo dia 16 de Fevereiro de 2018 começa o Ano Novo Chinês que só terminará no dia 4 de Fevereiro de 2019.
O Ano Novo Chinês, que também é conhecido como Ano Novo Lunar Chinês, é a mais importante festividade para os chineses e a sua celebração dura 15 dias, durante os quais são seguidos inúmeros rituais e tradições com a finalidade de atrair a sorte. A cor vermelha é a cor predominante nos festejos, porque significa transformação e vida, mas também são utilizadas outras cores como o amarelo, o dourado e o roxo porque, segundo a cultura chinesa, atraem a prosperidade e a riqueza e, parece, que também o amor. Nas vésperas do início do seu Novo Ano os chineses limpam as casas, cortam o cabelo, preparam as roupas, fecham as contas e dão presentes aos seus deuses, além de outros rituais. Todos eles são levados muito a sério e com grande superstição.
Durante as festividades as pessoas acendem lanternas vermelhas e penduram-nas diante da porta principal das suas casas durante os 15 dias de festejos e queimam muito fogo de artifício para afastar o azar e os maus espíritos.
As festividades em Macau são um grande acontecimento, não só para os macaenses mas também para os visitantes, pelo que as autoridades aproveitam para promover o Turismo. Hoje, o jornal macaense ponto final – um dos três jornais diários de Macau publicados em português – apresenta a imagem dos festejos de 2017 com o desfile do dragão gigante dourado no Largo do Senado (vendo-se à direita a Santa Casa da Misericórdia). O jornal informa que este ano são esperados 960 mil visitantes durante os 15 dias dos festejos mas, no ano passado, o mesmo jornal afirmara que “Macau tinha recebido 2,2 milhões de visitantes por ocasião das festividades do Ano Novo Chinês”. Serão, portanto, um ou dois milhões de visitantes em 15 dias. Considerando que o território de Macau tem actualmente cerca de 617 mil habitantes, não há dúvida que as festividades do Ano Novo Chinês são um excelente contributo para a economia da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Donald e o discurso do Estado da União

Donald Trump fez ontem em Washington o discurso sobre o Estado da União. Trata-se de um discurso que é feito todos os anos no Capitólio, no qual o Presidente dos Estados Unidos se dirige ao Congresso e faz o seu relato sobre o estado do país e em que apresenta as suas orientações estratégicas para o ano que se inicia. Esta mensagem anual é muito antiga mas só a partir de 1934 passou a ser designada por “discurso sobre o Estado da União” por iniciativa do Presidente Franklin D. Roosevelt. Porém, os americanos só passaram a dar importância a este discurso quando em 1947 passou a ser transmitido em directo pela televisão e em 1997 pela internet.
No seu primeiro discurso sobre o Estado da União o Presidente Donald Trump gastou 80 minutos para impressionar a opinião pública americana e reverter os escassos 38% de popularidade de que goza, salientando a recuperação económica e a criação de 2,4 milhões de novos empregos e afirmando a necessidade de serem aumentados os investimentos nas áreas militares para “reconstruir o nosso arsenal nuclear” e assegurar o prestígio americano no mundo.
"Este é o nosso novo momento americano. Nunca houve um momento melhor para começar a viver o sonho americano”, foram frases que muitos jornais destacaram, como acontece hoje com o nova-iorquino Newsday.
Trump salientou que “juntos, estamos a construir uma América segura, forte e orgulhosa”, convidando os republicanos e os democratas a cooperar. Em termos de política externa Trump foi igual a si próprio e não poupou a Coreia do Norte, nem Cuba, nem a Venezuela, criticou os países que condenaram a sua decisão de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e não deixou de se referir aos seus “rivais como a China e a Rússia que desafiam os nossos interesses, a nossa economia e os nossos valores”. No seu longo discurso, o Donald nunca se referiu à Europa e reafirmou as suas posições mais polémicas e procurou atrair a simpatia dos americanos com histórias e historietas a explorar o seu orgulho nacional. Provavelmente, o Donald subiu um pouco a sua popularidade interna.

O culto açoriano do Divino está no Brasil

A edição do Diário Insular que se publica em Angra do Heroísmo destacou ontem na sua primeira página, em texto e em imagem, que o culto do Espírito Santo dos Açores é património no Brasil. De facto, foi recentemente aprovado na reunião do Conselho Estadual de Cultura do governo do Estado de Santa Catarina o registo da Festa do Divino Espírito Santo do Centro de Florianópolis como Património Cultural Imaterial de Santa Catarina.
Essa festa religiosa e popular é organizada pela Irmandade do Divino Espírito Santo e realiza-se desde 1775 de forma ininterrupta, tendo completado 242 anos de idade em 2017. Curiosamente, na mesma cidade, também a Procissão do Senhor Jesus dos Passos que é organizada pela Irmandade do Senhor Jesus dos Passos de Florianópolis desde há 251 anos, está registada no lista do Património Cultural Imaterial de Santa Catarina.
Na área de Florianópolis estes festejos chegaram com os colonizadores portugueses, oriundos sobretudo dos Açores e da Madeira, entre os anos de 1748 e 1756, quando os portugueses e os espanhóis disputavam a posse daquela região. Por isso, a herança cultural açoriana no Estado de Santa Catarina é justamente protegida no âmbito da preservação do património imaterial da região.
A celebração da Festa do Divino é considerada um dos eventos religiosos mais importantes da comunidade católica de Santa Catarina, pois gera grande participação popular e atrai fiéis de muitas outras regiões brasileiras, sendo festejada em muitas outras cidades. É certamente, uma das grandes festividades que “os brasileiros herdaram dos seus avós portugueses”.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A singular carreira de Roger Federer

Impressionante! No passado domingo em Melbourne e aos 36 anos de idade, o tenista suiço Roger Federer venceu o Open da Austrália e conquistou o seu vigésimo título do Grand Slam, isto é, venceu vinte vezes os torneios do Grand Slam – Open da Austrália, Torneio de Roland Garros, Torneio de Wimbledon e Open dos Estados Unidos. É o recordista de títulos do Grand Slam e é considerado como o maior tenista de todos os tempos.
Federer bateu o croata Marin Cilic em Melbourne. Foi a sua terceira vitória nos últimos cinco torneios de Grand Slam que disputou, depois de uma prolongada lesão em 2016. Emocionou-se e chorou. Parecia que acabara de ganhar o seu primeiro título.
Porém, Roger Federer não é apenas o recordista de títulos do Grand Slam. De facto, tendo a ATP World Tour decidido agrupar os Grand Slams, os ATP World Tour Finals e os ATP Masters 1000 numa categoria a que chamou Grandes Títulos com o objetivo de fazer a comparação entre os três maiores tenistas mundiais, verifica-se que Roger Federer ganhou 53 títulos, enquanto Novak Djokovic e Rafael Nadal ganharam 47 e 46 vezes.
É realmente um caso singular de um grande atleta que está no topo do ténis mundial desde há 15 anos e que é respeitado pelos seus adversários pela sua qualidade desportiva, pela sua persistência e pela sua humildade. Por isso, a sua vitória foi destacada nos grandes jornais internacionais.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Um jornalismo que nos envergonha

Mário Centeno é um economista que desempenha as funções de Ministro das Finanças de Portugal desde Novembro de 2015 e que é doutorado em Economia pela Universidade de Harvard, que é tida como a melhor escola de Economia do mundo. Poucas vezes as Finanças portuguesas estiveram entregues a uma pessoa tão qualificada como Mário Centeno e, de facto, como responsável pelas nossas Finanças Públicas tornou-se o rosto de tudo o que de positivo nos tem acontecido nos últimos dois anos na área financeira, incluindo a redução do défice orçamental e da dívida pública, a saída do procedimento por défices excessivos, a saída da categoria de lixo e a subida do rating soberano de Portugal em dois níveis, a descida dos juros nos mercados financeiros, a antecipação do pagamento do empréstimo do FMI e a recuperação da credibilidade financeira do nosso país.
Wolfgang Schäuble chamou-lhe o Ronaldo do Ecofin e os 19 países do Eurogrupo reconheceram a competência técnica e política de Mário Centeno e elegeram-no como seu presidente. Veio depois Pierre Moscovici repetir o que Schäuble tinha dito. A revista do Expresso dedicou-lhe então a sua capa e escreveu que Mário Centeno “tinha a Europa a seus pés”. A opinião pública portuguesa sentiu a sua auto-estima acrescentada, embora alguns tivessem ficado com dor de cotovelo e sem vontade para engolir o êxito de Centeno.
Só que, um dia destes, Mário Centeno foi ao futebol e parece que fez o que fazem todos os políticos, isto é, terá pedido para ir para a tribuna presidencial. O pasquim Correio da Manha mordeu de imediato como fazem todos os cães que não conhecem dono e, lamentavelmente, teve seguidores em vários jornais e até noutras instâncias, inclusive aquelas que não se têm cansado de perseguir, repito perseguir, os seus adversários políticos. Abutres e hienas juntaram-se. É demasiado ridículo. É uma tristeza e uma vergonha. Como é possível que se perca tempo com coisas destas ou que o país progrida com esta gente?

sábado, 27 de janeiro de 2018

Britânicos já pensam em novo referendo

De acordo com uma sondagem hoje publicada no diário londrino The Guardian há 58% de eleitores britânicos que entendem que após o fim das negociações do Brexit, o eleitorado britânico deve ser chamado às urnas para um segundo referendo.
A pesquisa que foi feita pela agência ICM interrogou uma amostra de mais de cinco mil britânicos e os resultados mostram que o Reino Unido está dividido, mas que vem aumentando o número dos que estão contra o Brexit. Pela dimensão da amostra e porque foi segmentada por regiões, idades, géneros, classes sociais, etnias e tipos de emprego, a sondagem faz um retrato muito completo da opinião dos britânicos em relação ao Brexit e, segundo se observa nos resultados, se houvesse "um novo referendo amanhã", haveria 51% de votos no Remain e 49% no Leave.
Outro aspecto interessante da sondagem é a opinião sobre o impacto do Brexit na economia britânica que será negativo para 49% e positivo para 36% do eleitorado.
De entre as quatro regiões ou países do Reino Unido, apenas o País de Gales continua maioritariamente a favor do Leave, enquanto a Escócia aumentou em dois pontos o apoio ao Remain que é agora de 63%. Em termos etários a sondagem é surpreendente pois o apoio dos estudantes ao Remain subiu 16 pontos e está agora nos 65%, enquanto o apoio ao Leave apenas é maioritário na população reformada e com mais de 64 anos de idade.
De uma forma geral prevalece a opinião de que com o Brexit a economia, as finanças pessoais e a qualidade de vida dos britânicos vai baixar.
Parece não haver dúvida que os britânicos já mudaram de opinião e que, mais cedo ou mais tarde, vão pedir de volta a carta em que invocando o artigo 50º do Tratado de Lisboa, declararam querer sair da União Europeia.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

As boas notícias e o mau jornalismo

Penso que não exagero quando afirmo que a generalidade do jornalismo e da imprensa portuguesa estão a atingir patamares insuportáveis de mediocridade, de incompetência e de crescente alinhamento com interesses partidários e de outra natureza. O dever de informar com isenção e rigor está a deixar de ser a norma e os gatekeepers ou os editores parecem não perceber a sua função.
Ontem, no Fórum Económico Mundial que decorre em Davos, o primeiro-ministro António Costa anunciou que a multinacional norte-americana Google vai instalar em Oeiras a partir de Junho, um centro de serviços e hub tecnológico para a Europa, Médio Oriente e África, que criará de imediato cerca de 500 empregos altamente qualificados, sobretudo engenheiros.
A decisão resultou de uma competição internacional muito dura porque havia muitos candidatos a querer atrair o investimento da Google e, por isso, Paddy Cosgrave, o fundador da Web Summit, foi um dos primeiros a congratular-se com a decisão, enquanto por cá apenas Isaltino Morais se congratulou com a notícia.
É certo que nestas coisas é de boa prudência esperar para ver porque já se viu  que algunas vezes "a montanha pariu um rato", mas num país periférico e carente de investimento que crie emprego qualificado, a notícia é relevante e não pode deixar ninguém indiferente. Porém, o facto é que só o Diário de Notícias se referiu ao assunto num canto “escondido” da sua primeira página e que nenhum outro jornal a destacou, preferindo escolher títulos irrelevantes. Lamentável ou talvez um caso de má fé. Começamos a ficar habituados a uma imprensa da treta, que não se cansa de falar em Tancos e na legionella, mas que não enfatiza a redução progressiva e acentuada do défice, a redução da dívida, a antecipação de pagamentos ao FMI, a melhoria dos ratings das agências de notação financeira ou os novos investimentos estrangeiros em Portugal. É mesmo muito lamentável.

Goa: uma vez mais o Monte Music Festival

Foi anunciada em Goa a realização da 16ª edição do Monte Music Festival, um evento que é organizado desde 2002 pela Fundação Oriente e que é uma das mais importantes iniciativas culturais portuguesas no estrangeiro, sem qualquer interferência estatal.
Durante três dias, de 2 a 4 de Fevereiro, muitas centenas de pessoas convergem para os espaços circundantes da capela de Nossa Senhora do Monte em Velha Goa, originalmente construida nos primeiros anos do século XVI e restaurada pela Fundação Oriente em finais do século passado, para assistir a um programa musical de grande qualidade estética, que já goza de grande prestígio em toda a Índia.
Nesse programa que anualmente se renova e que decorre no fantástico cenário natural que é a vista sobre a velha cidade que até meados do século XIX foi a capital do Estado Português da Índia e cujas igrejas e conventos foram classificados pela Unesco como Património da Humanidade, tem lugar a apresentação de estilos musicais bem diversos, incluindo a música clássica indiana e ocidental, os grupos corais religiosos, o canto lírico, a música de fusão e, quase sempre, o fado português cantado por artistas portugueses expressamente convidados ou por artistas goeses que cultivam essa expressão musical.
São já muito numerosos os artistas portugueses que passaram pelo Monte Music Festival e são também várias as carreiras de sucesso internacional de músicos e vozes goesas que foram lançadas neste festival e esse é um motivo de grande satisfação por esta importante iniciativa cultural da Fundação Oriente.
O Monte Music Festival tem a participação maioritária mas não exclusiva de músicos goeses e é não só o mais prestigiado festival que se realiza em Goa, mas é também uma iniciativa que prestigia Portugal numa região onde a cultura portuguesa ainda tem tão fortes raízes.

Luanda perfaz hoje 442 anos de idade

A cidade de Luanda celebra hoje 442 anos de idade pois foi fundada no dia 25 de Janeiro de 1576 por Paulo Dias de Novais, um fidalgo e explorador português que lhe então deu o nome de São Paulo da Assunção de Loanda. O Jornal de Angola evoca essa data na sua edição de hoje.
Paulo Dias de Novais estivera naquela costa em 1560 a pedido do rei de Ndongo, vassalo do reino do Kongo, que pedira aos portugueses o envio de missionários para a região, mas acabou por ser hostilizado e regressou a Portugal. Mais tarde, voltou a partir de Lisboa para a costa de Angola acompanhado por dois jesuítas, tendo chegado à ilha de Luanda em Fevereiro de 1575, com dois galeões, duas caravelas, dois patachos e uma galeota, aí estabelecendo o primeiro núcleo de colonos portugueses na costa de Angola. Eram cerca de 700 pessoas, onde se incluiam religiosos, mercadores, funcionários e 350 homens de armas.
Porém, verificando que a ilha de Luanda não era o local mais adequado para criar uma povoação, decidiu fixar-se na terra firme e aí lançar a primeira pedra para a construção de uma igreja dedicada a S. Sebastião, exactamente no dia 25 de Janeiro de 1576. Foi há 442 anos.
A história de Luanda é muito rica como revela o seu património arquitectónico religioso e militar herdado da colonização portuguesa, mas assinalam-se outros factos históricos relevantes como a sua posse pelos holandeses que entre 1641 e 1648 dominaram a cidade, até que uma coligação de portugueses, brasileiros e angolanos saiu do Rio de Janeiro sob o comando de Salvador Correia de Sá e Benevides e reconquistou a cidade.
Hoje Luanda é a capital da República de Angola e é uma cidade com mais de 8 milhões de habitantes, que é também a maior capital de língua portuguesa e a terceira maior cidade de língua portuguesa depois de São Paulo e do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Os americanos desesperam com o Donald

A mais recente edição do Courrier international dedica a sua capa à passagem do primeiro aniversário da presidência americana de Donald Trump e foi inspirar-se no mais famoso quadro do pintor norueguês Edvard Munch.
Em 1893 Munch pintou “O Grito”, no qual é representada uma figura humana que, segundo os críticos de arte, se encontra num momento de “profunda angústia e desespero existencial”. É uma obra icónica da modernidade e do expressionismo e Munch pintou quatro versões, das quais três estão em museus noruegueses e uma foi vendida em 2012 num leilão da Sotheby’s em Nova Iorque por 91 milhões de euros, tornando-se o quadro mais caro vendido até então.
A associação do quadro de Munch ao desespero dos americanos foi uma iniciativa muito apropriada dos editores do Courrier International, porque nunca um presidente dos Estados Unidos foi tão impopular como o Donald, com as suas declarações polémicas ou hostis em relação à Palestina, a Cuba, à Venezuela e ao México, à Coreia do Norte e até mesmo em relação à Europa. Os americanos ou uma grande parte da América está mesmo desesperada com os comportamentos de Dionald Trump e, segundo parece, muito mais poderá acontecer.
Os americanos têm o costume de invocar Deus e pedir que God bless America, mas parece que cada vez é mais apropriado dizer God save America of this Donald!