sábado, 29 de junho de 2013

Festival ao Largo 2013

No espaço fronteiro ao Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, vai realizar-se pelo quinto ano consecutivo, 0 Festival ao Largo 2013 dedicado à música sinfónica, ao teatro e ao bailado, no qual músicos, bailarinos, maestros e coreógrafos de renome nacional e internacional, proporcionarão ao público vários espectáculos ao ar livre e sempre de entrada gratuita. Este ano, certamente por dificuldades orçamentais, o Festival incluirá apenas onze espectáculos, que serão apresentados apenas às sextas-feiras e aos sábados, mas sempre às 22.00 horas.
O Festival ao Largo 2013 começou exactamente ontem e vai estender-se até ao dia 28 de Julho.  O programa que está a ser divulgado apresenta uma oferta suficientemente variada, que inclui apresentações da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Coro do TNSC, para além da Companhia Nacional de Bailado.
O local é particularmente adequado para a realização de um festival deste tipo pelo seu enquadramento arquitectónico e constitui uma boa oportunidade para atrair público àquela zona da cidade. Tem sido assim todos os anos, embora as condições oferecidas aos espectadores não sejam muito confortáveis. Por isso, ou se vai cedo e se encontra um dos poucos lugares sentados ou, em alternativa, se assiste de longe, de pé e com pouca visibilidade.  Contudo, nas noites quentes de Julho que se avizinham, o Festival ao Largo é uma excelente proposta cultural. Se ainda não assistiu, experimente!

 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uns são filhos e outros são enteados

A tenista portuguesa Michelle Brito derrotou a campeoníssima russa Maria Sharapova na primeira ronda do quadro principal do Torneio de Wimbledon. Antes desse encontro, era impensável este desfecho: a tenista portuguesa figurava no 131.º lugar do ranking mundial e iria ter uma luta desigual com a tenista que ocupa o 3º lugar do ranking mundial e que é uma das raras tenistas que já ganharam os quatro torneios do Grand Slam. Por isso, foi realmente um êxito desportivo invulgar e prestigiante, pelo que Michele Brito fez história no ténis português. Michele nasceu em Lisboa e tem 20 anos de idade, mas desde os nove anos que vive nos Estados Unidos com a família, exactamente para frequentar a Nick Bollettieri Tennis Academy, na Florida. 

Uns dias antes, o remador Pedro Fraga, natural e residente em Paranhos, conquistou a prova de skiff da Taça do Mundo de remo disputada em Elton Dorney, também na Inglaterra. Foi o primeiro título mundial para o remo português. Fraga é um atleta amador, mas já tem um palmarés desportivo notável. Antes remou em double scull em parceria com Nuno Mendes e obtivera um 5º lugar nos Jogos Olímpicos de 2012, uma medalha de prata nos Europeus de 2012 e 2010 e uma medalha de bronze em 2011. Este ano passou para o skiff e já ganhara a medalha de prata nos Europeus de Sevilha. 

Os jornais portugueses, generalistas ou desportivos, destacaram e quase todos "puxaram" a fotografia da tenista para a sua primeira página e até A Bola, por uma vez se esqueceu do futebol. Porém, nenhum deles se interessou pelo nosso campeão mundial de remo. Para os nossos jornalistas, há desportistas que são filhos e outros que são enteados ou, então, dão as notícias em função dos seus interesses pessoais. Como é diferente viver na Florida ou viver em Paranhos.

terça-feira, 25 de junho de 2013

A nossa governação é uma triste sina

A crise que nos afectava em 2011 e que levou ao memorando de entendimento com a troika por vontade de quem chumbou o PEC 4, aprofundou-se nos dois últimos anos. Os portugueses empobreceram, perderam o emprego ou emigraram, enquanto o Estado aumentou a sua dívida e o seu défice. A economia regrediu, aumentaram as falências, a procura interna reduziu-se e não há investimento... apesar de não ter chovido. As cidades e as ruas estão a tornar-se desertas e os espaços vazios para vender e para alugar multiplicam-se. A insegurança é cada dia maior e existe uma ameaça de ruptura social. O desespero e até a fome entraram na vida de muita gente.
Porém, estes resultados têm responsáveis.
Durante dois anos fomos enganados e o poder produziu um discurso mentiroso, arrogante e de grande insensilidade social. Não estudaram. Não se prepararam. Tinham uma ambição desmedida. Diziam que não haveria cortes nos subsídios nem nas pensões e mentiram. Diziam que não subiriam impostos e mentiram. Diziam que nunca se desculpariam com o passado e mentiram. Diziam que não pediriam mais tempo nem mais dinheiro e mentiram. Ouvi-los, ou vê-los rodeados de guarda-costas, é um exercício confrangedor.
É verdade que os tempos são difíceis, mas foram eles que semearam ventos e se deixaram humilhar pela troika. A Espanha não foi nisso. Agora, vivem isolados numa espécie de condomínio de luxo, onde não faltam os carros topo de gama, os assessores, as viagens e os guarda-costas, como se viu naquele triste passeio a Alcobaça, em jeito de piquenique. Agora descobrem-se as verdades e cada vez é mais evidente que o caminho tão servilmente percorrido tem sido errado e tem servido para alimentar os especuladores que têm enriquecido com as nossas desgraças. Já ninguém acredita neste caminho errado, nem em quem nos conduz. Não acredita a oposição, nem acreditam os senadores do partido, nem os amigos da coligação, nem os patrões, nem os sindicatos. Agora nem o FMI acredita. É uma triste sina a nossa.

domingo, 23 de junho de 2013

A Espanha, a política e a corrupção

O jornal espanhol La Razon destaca na sua edição de hoje o fenómeno da corrupção em Espanha e, embora reconheça que há milhares de cidadãos que dão os seus esforços de maneira voluntária e altruísta ao serviço da comunidade, reconhece que a corrupção é um mal que afecta a generalidade dos países. Assim, perante o aumento da corrupção espanhola, o jornal patrocinou o lançamento público de um manifesto que visa a reabilitação da política e o combate à corrupção, o qual foi imediatamente subscrito por quarenta personalidades.
O manifesto afirma que “a vida pública espanhola está a ser assolada por casos de corrupção, por uma crise institucional e de valores, assim como uma crise económica que põe em causa as instituições. Longe de cairmos em desespero ou indiferença, o nosso dever é defender o papel da política e da sociedade civil para superar a situação. Gerou-se a ideia de que o sistema não funciona e de que tudo é corrupção, mas só com o reconhecimento de que há uma grande maioria de políticos honestos que trabalham para o bem comum é que poderemos recuperar o prestígio e a confiança no nosso país”. O manifesto inclui depois cinco pontos e termina com o elogio da política: “é a política que nos permitirá acabar com os casos de corrupção, porque a corrupção consiste no aproveitamento ilícito do poder”.
Na Corruption Perceptions Index de 2012, que é o último que está publicado pela International Transparency, a Espanha figura em 30º lugar, enquanto Portugal ocupa a 33ª posição. Parece, portanto, que temos problemas semelhantes no campo da corrupção, mas por cá não há manifestos, nem o tema ocupa as primeiras páginas dos jornais. Em vésperas de sufrágio eleitoral, bom seria que os eleitores portugueses pensassem nestas coisas.

University of Coimbra – Alta and Sofia


Foi com esta designação - University of Coimbra – Alta and Sofia – que a 37ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO reunida em Phom Penh, no Cambodja, declarou a inscrição de mais um bem cultural português na Lista do Património Mundial da UNESCO.
A Universidade de Coimbra foi criada em 1290 e a sua candidatura a património da Humanidade nasceu há cerca de 15 anos, tendo evoluído com o tempo: do Paço das Escolas passou a incluir toda a Alta universitária e a Rua da Sofia, num conjunto de mais de 30 edifícios e acrescentou a vertente do património imaterial, com a produção cultural e científica, as tradições académicas e, ainda, o papel desempenhado ao serviço da língua portuguesa. Significa que, para além dos critérios no qual a candidatura vinha fundamentada e que diziam respeito ao valor patrimonial do conjunto de edifícios que integram a área da candidatura, foi acrescentado um terceiro critério que reconhece a Universidade de Coimbra como símbolo de uma “cultura que teve impacto na Humanidade”. Por isso, o que foi distinguido não foi apenas um conjunto de edifícios antigos, mas também um dos mais importantes símbolos da cultura e da língua portuguesa. Estão de parabéns os meus familiares e os meus amigos que frequentaram aquela universidade, em especial o meu irmão MC e o meu amigo ANF.
Segundo os relatos divulgados pela imprensa, a inscrição imediata da Universidade de Coimbra foi apoiada pelos 21 delegados de todo o mundo, por vezes com intervenções muito elogiosas para a importância que ela teve na divulgação da ciência e da língua portuguesa no mundo. O representante indiano referiu a importância da língua portuguesa como veículo de cultura e a sua influência expressiva na Índia, enquanto o delegado tailandês agradeceu a Portugal por ter levado a malagueta para a Tailândia.
A partir de agora, Portugal conta com 15 bens inscritos na World Heritage List da UNESCO.
 

O Brasil mexeu e já mudou

Apesar do seu tom conciliador e do reconhecimento da legitimidade das reivindicações populares por melhor qualidade de vida, melhor saúde e mais educação, o discurso da presidente Dilma Rousseff não travou o enorme protesto popular e o Brasil continua a sair à rua para se manifestar. A juventude está na primeira linha da indignação nacional porque não se sente representada nos partidos políticos, enquanto a classe média já percebeu que o seu poder de compra estagnou ou regrediu. É um fenómeno que não é só brasileiro e que também acontece aqui pela Europa, sobretudo nos países do sul.
O enorme potencial económico brasileiro tem estado a ser canalizado para benefício de uma minoria e poucos acreditam na classe dirigente brasileira para inverter a situação. Agora o povo exige uma mudança. Todos denunciam a escandalosa corrupção, que torna os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Todos criticam o desregramento dos gastos públicos, agora evidenciado com os custos e os extra-custos dos estádios de futebol. Todos exigem mais investimento na saúde, na educação e no estado social, isto é, menos bola e mais escola. A amplitude dos protestos surpreendeu e ninguém imaginou que a luta contra o aumento dos bilhetes do transporte público pudesse gerar uma tão generalizada contestação, até porque foi uma situação aparentemente de menor importância que serviu de detonador. É sempre assim. Porém, a insatisfação da juventude e da classe média brasileiras exprimiu-se genuinamente, tem o apoio de mais de 75% da população e isso significa que o Brasil não vai voltar a ser o que era. O país mexeu e, com determinação, já mudou. Os brasileiros não vão perder esta oportunidade para conquistarem direitos sociais. Tudo vai correr bem!  

 

sábado, 22 de junho de 2013

A UNESCO valoriza o nosso património

Reunida na cidade coreana de Gwangju, a UNESCO inscreveu mais um documento português na lista do património Memória do Mundo - o Diário da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia (1497-1499), cuja autoria é atribuida a Álvaro Velho. Este importante documento da História da Expansão Portuguesa pertence ao acervo da Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP) e faz parte de um conjunto de 299 documentos classificados pela UNESCO na sua Memory of World que, a partir de agora, inclui seis documentos portugueses – a Carta de Pero Vaz de Caminha (2005), o Tratado de Tordesilhas (2007), o Corpo Cronológico (2007), o Relatório da 1ª Travessia Aérea do Atlântico Sul (2011), os Arquivos dos Dembos (2011) e o Diário da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia (2013). Sobre o documento agora classificado, a UNESCO salientou tratar-se de “um testemunho verdadeiro da forma como Vasco da Gama, à frente da sua frota, descobriu a rota marítima para a Índia”, acrescentando que esta foi uma aventura “sem precedentes” e “um momento determinante que mudou o curso da História”, para além de constituir uma das maiores explorações marítimas realizadas pelos europeus naquela época.
Entretanto, o Comité do Património Mundial da UNESCO actualmente reunido no Camboja, está a apreciar um outro pedido português: a classificação da Universidade de Coimbra. Neste caso, a eventual classificação da velha Universidade, juntar-se-ia aos 14 sítios (culturais ou naturais) portugueses que estão incluidos na World Heritage List da UNESCO.


 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Um rei dos mares que visita Lisboa

O porta-aviões americano USS Dwight D. Eisenhower chegou ontem ao porto de Lisboa para uma visita de três dias, tendo ficado fundeado próximo da Trafaria, provavelmente devido às restrições de navegação a que está sujeito em Lisboa por ter propulsão nuclear. Embora o porto de Lisboa receba frequentemente a visita dos grandes navios de cruzeiro, não é habitual receber os grandes porta-aviões cuja imponência não deixa indiferentes os lisboetas, ao mesmo tempo que os tripulantes do navio têm o privilégio de admirar um cenário espectacular que é a entrada no porto de Lisboa, a serra de Sintra e o casario da cidade.
O USS Dwight D. Eisenhower é um dos mais poderosos navios de guerra do mundo com 4800 pessoas embarcadas, das quais cerca de 30% são mulheres. É uma verdadeira cidade flutuante e transporta 120 pilotos e 62 aéreos, designadamente caças F18 e helicópteros Hawkeye, Seahawk e Browler.
A visita de um navio desta dimensão e com uma tão numerosa tripulação é um acontecimento mediático e tem um significativo impacto em algumas actividades económicas da cidade em vésperas do regresso do navio aos Estados Unidos. Conforme revela hoje o Diário de Notícias, entre os tripulantes do porta-aviões encontra-se Roy Logan, um luso-descendente de 27 anos de idade que vem a Portugal pela primeira vez e que era esperado no cais pelo avô Domingos da Costa Duarte, residente em Aveiro.
 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A indignação e o protesto são globais!

A insatisfação e o protesto globalizaram-se e depois dos distúrbios acontecidos em Londres e Paris, da chamada Primavera Árabe, das manifestações na margem mediterrânica da Europa e dos protestos na Turquia, a insatisfação chegou ao Brasil numa extensão inesperada. Porém, todos parecem estar de acordo em relação ao protesto e o famoso Caetano Veloso escreveu que “os protestos são uma demonstração genuína da insatisfação da população”.
A insatisfação nem sempre tem uma origem ou um detonador precisos, mas acaba por unir os cidadãos que recusam aceitar passivamente as políticas que não os protegem, que lutam contra a corrupção, que condenam o enriquecimento ilícito e que reagem contra a violência do poder e dos poderosos.  O protesto é cada vez mais dirigido ao establishment e aos poderes que podem alternar-se, mas que se perpetuam na mesma lógica. No caso brasileiro o detonador foi o aumento dos transportes, mas existem outras razões como a corrupção generalizada, a violência policial e o comportamento dos políticos. O início da Taça das Confederações, a que seguirão o Mundial de Futebol e os Jogos Olímpicos acordaram o subconsciente dos brasileiros para os astronómicos gastos com os estádios e com a organização desses eventos mais ou menos sumptuários num país a reclamar por mais saúde, mais educação e menos pobreza.  Não se trata de um protesto de um partido ou facção contra outro partido ou facção, mas de uma reacção maioritária da população, dos jovens e das pessoas mais qualificadas, mobilizadas a partir das redes sociais. Como titula o Correio Braziliense “as manifestações desnorteiam a velha política” que está posta em causa. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e muitas outras cidades estão a mostrar a sua indignação. Como compreendemos os nossos irmãos brasileiros daqui deste lado do Atlântico!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A troika é uma criadora de desemprego



O jornal catalão La Vanguardia colocou hoje na sua primeira página um título que alude directamente ao nosso país - Portugal descubre el paro masivo bajo la tutela de la troika. Na realidade, o actual nível de desemprego é um problema recente e muito preocupante em Portugal, coincidindo com a adopção das políticas de austeridade impostas pela troika.
Quando em 1983 o país passou por uma grave crise económica, o governo tomou medidas excepcionais de contenção salarial e pediu ajuda ao FMI no sentido de corrigir o desequilíbrio das suas contas externas, daí resultando uma intensa contestação social. Como resultado desta situação verificou-se um aumento do desemprego, que em 1985 alcançou um valor histórico de 8.7%. Depois, a economia portuguesa estabilizou, o país entrou na CEE, foi adoptada a moeda única e o desemprego nunca mais atingiu o valor de 1985.
Até que em 2008 surgiu a actual crise económica e em 2009 o desemprego subiu dois pontos percentuais na União Europeia e, também, em Portugal, onde atingiu 10.6%. Depois, o desemprego iniciou uma escalada em Portugal e em 2010 subiu para 12.0%, em 2011 para 12.9%, em 2012 para 15.9% e, nesta altura, aproxima-se dos 18%. Como diz o La Vanguardia, foi com a tutela da troika e dos seus aliados internos que Portugal descobriu o desemprego massivo e caiu na espiral recessiva em que vivemos. Era suposto que a troika nos ajudasse, mas afinal…  


Azulejos de Brasília expostos em Lisboa

Não é uma exposição grande em extensão, mas é uma grande exposição e uma bela iniciativa da Fundação Athos Bulcão que se integra nas comemorações do Ano do Brasil em Portugal 2013. Intitula-se Azulejos em Lisboa – Azulejos em Brasília e está patente no Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, muito bem enquadrada no espaço e na exposição permanente do museu.
A exposição faz um interessante paralelo entre as azulejarias brasileira e portuguesa e homenageia Athos Bulcão, o principal representante da moderna azulejaria brasileira e um dos autores mais representados em Brasília, embora tenha obra dispersa por outras cidades brasileiras e tenha assinado algumas obras no estrangeiro. O seu estilo inspira-se na azulejaria barroca portuguesa, sobretudo nas temáticas compositivas, nas paletas de cores e na lógica do processo de montagem. Diz-se que ele é “o artista da capital” e que o seu trabalho “conferiu alma a Brasília, com sua capacidade de intervenção na arquitectura, utilizando o azulejo e as inovações do seu uso”, o que muitas vezes enriqueceu as concepções arquitectónicas e o trabalho do seu amigo Oscar Niemeyer.
A interessante exposição pode ser vista até ao dia 28 de Julho e é sempre uma oportunidade para revisitar um dos mais belos museus de Lisboa.

domingo, 16 de junho de 2013

Rui Costa: uma vitória ciclista na Suiça

Exceptuando o futebol e o hóquei em patins, os êxitos desportivos dos atletas portugueses nas competições internacionais não são habituais e, por isso, a vitória que o ciclista Rui Costa hoje obteve na 77ª edição da Volta à Suiça merece justo destaque.
Natural da Póvoa de Varzim e com 26 anos de idade, o ciclista repetiu a vitória que já obtivera em 2012, tendo triunfado em duas das nove etapas da prova: a etapa-rainha de 206 quilómetros entre Meilen e La Punt e o contra-relógio final de 26,8 quilómetros disputado entre Bad Ragaz e Fulmserberg.
A imprensa suiça já noticiara que o “ciclista português deu espectáculo na montanha” e hoje destaca o brilhantismo e a autoridade com que Rui Costa triunfou na prova. Foi a 15ª vitória profissional do ciclista português, que foi muito aplaudido pela comunidade portuguesa que viajou até Fulmserberg para o apoiar no seu contra-relógio e que, naturalmente, vibrou com a vitória do nosso compatriota.
Entusiasta do desporto, aqui deixo os parabéns ao ciclista e os meus votos para que, brevemente, também possa dar semelhantes alegrias desportivas aos portugueses que vivem em França. Porém, também aqui fica um lamento pela marginalização a que são votados estes atletas, mesmo na imprensa e na televisão desportivas, absolutamente vergadas ao futebol, às transferências e aos contratos de treinadores e jogadores, por vezes de categoria irrelevante.

 

 

sábado, 15 de junho de 2013

Não lancem gasolina para a fogueira

A administração americana decidiu apoiar a oposição síria e assegurar-lhe o fornecimento de armas, com base na informação de que as forças de Bashar al-Assad tinham utilizado gases tóxicos contra as forças rebeldes. Esta decisão é controversa e parece ser uma cedência ao lobby da indústria do armamento, muito semelhante ao que se passou em relação ao Iraque e a Saddam Hussein, com as suas supostas armas de destruição massiva. Na União Europeia seguiu-se o mesmo caminho e a França e o Reino Unido também se preparam para fornecer armamento aos rebeldes, enquanto o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea sobre a Síria parece ser o passo seguinte.
Ao contrário do que sucedeu no Iraque e na Líbia, o governo sírio tem aliados poderosos e os russos já reagiram e apressaram-se a declarar que os argumentos americanos não eram convincentes e que a sua decisão complicará os esforços de paz.
As Nações Unidas tinham reconhecido recentemente, através de um relatório da sua Comissão Independente de Inquérito, que tinham sido encontradas provas do uso de “quantidades limitadas” de gás tóxico em quatro locais, mas que não foi possível determinar “o tipo de agentes químicos usados”, nem identificar quem os usou. Além disso, a investigação detectou a prática de outros crimes contra a humanidade cometidos por ambos os lados do conflito, incluindo tortura e pilhagem, embora mais intensas por parte do governo e das milícias suas aliadas.
Como acontece em todas as guerras há excessos nos dois lados e é a população que sofre. Assim, é incompreensível que, em vez de parar com o fornecimento de armas e de se pressionarem os dois contendores para cessarem os combates e os massacres, para abrir o caminho da paz e para minimizar o risco de alastramento regional, alguns países atirem gasolina para a fogueira.

Dívidas, défices e dignidade nacional

A Espanha vive um período muito difícil, com a economia em recessão e com um desemprego de 26,7%, ao mesmo tempo que “a dívida pública dispara”, como hoje noticia em primeira página o jornal económico espanhol La Gaceta.
Quando em 2007 começou a actual crise económica europeia, a dívida pública espanhola era de 36,3% do PIB e, cinco anos depois é de 88,2% do PIB, tendo o montante da dívida passado de 380,66 para 922,82 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 132%. No mesmo período, a dívida pública portuguesa passou de 63,6% do PIB para 123,6% do PIB e o montante da dívida passou de 103 para 204 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 98%. Estes números significam que a situação espanhola é mais grave do que a situação portuguesa, mas enquanto os nossos vizinhos reagem com um sentido de dignidade nacional, os nossos dirigentes aceitam humilhar-se e submeter-se aos interesses dos especuladores que tanto nos conduziram à actual situação. Por isso, não se entendem a agressividade da troika, nem as entrevistas encomendadas a Abebe Selassie, nem as intromissões de Wolfgang Schäuble, nem o servilismo vergonhoso de Gaspar, nem o quase autoritarismo de Passos. Basta de fanatismo e de humilhação!
Além disso, o problema europeu também é muito grave. No mesmo período de 2007 a 2012, a dívida pública global da União Europeia aumentou em média 51% e, exceptuando a Suécia, a dívida aumentou em todos os seus Estados-membros. O desemprego europeu passou de 10,3 para 10,9% nos últimos 12 meses, há 17 países com um défice orçamental superior a 3% e há 14 países cuja dívida pública é superior a 60% do respectivo PIB. Afinal parece que o nosso problema não era uma consequência da má governação anterior, nem tão pouco se resolvia com um corte de gorduras como foi largamente apregoado por quem agora nos governa. Ao menos aprendam com a dignidade espanhola.

 

As reconfortantes declarações do rei Pelé

A propósito da Taça das Confederações que é organizada pela FIFA e se vai disputar no Brasil, o rei Pelé foi entrevistado pelo diário desportivo espanhol as que, na sua edição de hoje, destacou algumas das suas afirmações e, em especial, aquela em que o entrevistado diz que “Cristiano se mereció ganar el Balón de Oro”.
A Bola de Ouro surgiu em 1956 por iniciativa da revista francesa France Football e, de entre os seus vencedores destacam-se os futebolistas portugueses Eusébio (1965), Luís Figo (2000) e Cristiano Ronaldo (2008). Em 2010 o prémio do jornal francês foi fundido com o prémio Jogador do Ano da FIFA e passou a ser designado por Bola de Ouro da FIFA, distinguindo o futebolista com melhor desempenho mundial no ano anterior. Desde 2009 e, portanto, nas suas últimas quatro edições, o prémio do melhor futebolista do mundo foi atribuido ao argentino Lionel Messi, enquanto Cristiano Ronaldo já acumulou quatro segundos lugares (2007, 2009, 2011 e 2012).
Para os simpatizantes portugueses do futebol, estes consecutivos segundos lugares de Cristiano Ronaldo têm sido muito frustantes e, quiça, injustos. Por isso, a declaração daquele que a FIFA considerou “o melhor futebolista do século” é bastante reconfortante para quem aprecia o talento de Ronaldo e não ignora que há um lobby que tem promovido o igualmente talentoso Lionel Messi.