A última edição da revista Sábado inclui uma reportagem assinada por três jornalistas que se intitula «Como as empresas públicas engordaram nos últimos anos», na qual se salienta que, « mesmo em tempo de crise, cresceram os administradores, cresceram os salários e cresceram as despesas ».
A leitura desse trabalho jornalístico revela como aquele universo de 93 empresas, de diferente dimensão e natureza, está quase todo afogado em dívidas, para além de estar preocupantemente dominado por despesismos, desperdícios e vícios de ordem diversa.
As empresas públicas poderiam ser uma alavanca para potenciar o crescimento da economia, mas muitas delas acabam por ser um fardo para a comunidade.
A má gestão da maioria dessas empresas é uma evidência. Embora os problemas estejam diagnosticados desde há muito tempo, não tem havido coragem para enfrentar a realidade e agir. Algumas excepções que nos últimos anos se verificaram, apenas confirmam a regra. No entanto, a esses gestores inconsequentes e incapazes de inovar e de encontrar soluções, além de ganharem mais do que os ministros que os tutelam, não têm faltado as regalias, nem os prémios.
Os exemplos de despesismos apresentados na referida reportagem são para todos os gostos : na RTP há 66 carros de alta cilindrada atribuídos, enquanto a dívida das Estradas de Portugal cresceu 1.400% em dezoito meses. Mas, em vez de rebuscarmos exemplos, será preferível que o leitor leia a reportagem da revista Sábado.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Empresas públicas
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Audi A4, pois claro!
SANTARÉM, 10 FEV 2011 - No parque exclusivo do Conselho de Administração do Hospital Distrital de Santarém, EPE, vi e fotografei um Audi A4 TDI, com a matrícula 76-LG-92 e registo de Janeiro de 2011.
Novinho em folha, ali estavam estacionados 40 ou 50 mil euros de dinheiro público, para fruição de um aristocrata da gestão hospitalar ou de um pavão gerado na militância partidária.
Quando a dívida externa e o défice público são insustentáveis e há ameaças de intervenção externa, foram impostas restrições orçamentais e muitos sacrifícios para redução da despesa pública, que estão a implicar aumentos de impostos, cortes de salários e redução de benefícios sociais. É nesse quadro económica e socialmente recessivo que, já neste ano de 2011, aquele Hospital comprou o referido automóvel, como atesta a referida matrícula. É um mau exemplo de despesismo e de insensatez que me choca e para o qual não devia haver impunidade.
Novinho em folha, ali estavam estacionados 40 ou 50 mil euros de dinheiro público, para fruição de um aristocrata da gestão hospitalar ou de um pavão gerado na militância partidária.
Quando a dívida externa e o défice público são insustentáveis e há ameaças de intervenção externa, foram impostas restrições orçamentais e muitos sacrifícios para redução da despesa pública, que estão a implicar aumentos de impostos, cortes de salários e redução de benefícios sociais. É nesse quadro económica e socialmente recessivo que, já neste ano de 2011, aquele Hospital comprou o referido automóvel, como atesta a referida matrícula. É um mau exemplo de despesismo e de insensatez que me choca e para o qual não devia haver impunidade.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
A língua como especialidade.
O cromo número dois da minha colecção declara-se especialista em língua portuguesa e, portanto, tem a língua como especialidade. Estava-lhe traçado um futuro como professora e talvez esperasse integrar o elenco de uma qualquer telenovela, quando descobriu uma vocação partidária adormecida. Então começou a subir, e subiu e subiu… até ser deputada.
A ambição era muita e sentiu que podia ir mais longe. Sintra foi o seu momento de glória, mas nem Guterres nem Sócrates lhe deram um lugar nos seus governos. Ela que tanto se esforçara! Ela que era a Madrinha! E o Ministério da Cultura que lhe ficaria tão bem!
A urbanização da Portela já era demasiado pequena para si e em 2004 conseguiu que lhe dessem um lugar em Bruxelas como eurodeputada.
O estatuto político, o centro da Europa, as missões parlamentares, o convívio social e as viagens em classe executiva deslumbraram-na. A sua imagem institucional passou a ser gerida pela LPM o que, obviamente, não é caro, nem é um sinal de vaidade.
É, sem dúvida, o percurso bem sucedido de um verdadeiro cromo.
A ambição era muita e sentiu que podia ir mais longe. Sintra foi o seu momento de glória, mas nem Guterres nem Sócrates lhe deram um lugar nos seus governos. Ela que tanto se esforçara! Ela que era a Madrinha! E o Ministério da Cultura que lhe ficaria tão bem!
A urbanização da Portela já era demasiado pequena para si e em 2004 conseguiu que lhe dessem um lugar em Bruxelas como eurodeputada.
O estatuto político, o centro da Europa, as missões parlamentares, o convívio social e as viagens em classe executiva deslumbraram-na. A sua imagem institucional passou a ser gerida pela LPM o que, obviamente, não é caro, nem é um sinal de vaidade.
É, sem dúvida, o percurso bem sucedido de um verdadeiro cromo.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O fascínio da Economia
A CULTURGEST decidiu organizar uma série de quatro conferências sob o título genérico de “O Fascínio da Economia”, sob a responsabilidade do Doutor João Ferreira do Amaral, professor catedrático aposentado do ISEG.
A primeira conferência realizou-se hoje e o conferencista e o tema esgotaram o Pequeno Auditório da Culturgest, deixando ainda algumas dezenas de interessados a seguir a conferência através de televisores colocados nos átrios. Foi muito bom. Ninguém perdeu o seu tempo.
As próximas conferências realizam-se nos dias 15 e 22 de Fevereiro e 1 de Março, às 18.30 horas.
A primeira conferência realizou-se hoje e o conferencista e o tema esgotaram o Pequeno Auditório da Culturgest, deixando ainda algumas dezenas de interessados a seguir a conferência através de televisores colocados nos átrios. Foi muito bom. Ninguém perdeu o seu tempo.
As próximas conferências realizam-se nos dias 15 e 22 de Fevereiro e 1 de Março, às 18.30 horas.
Reformas douradas
Diz o Jornal de Notícias de hoje que, nos dois primeiros meses de 2011, a CGA registou um "boom" de "reformas douradas". Só nestes dois meses, reformaram-se 120 pessoas com pensões acima dos 4 mil euros por mês e a CGA passou a suportar 69 novas reformas de mais de 4 mil euros e 51 de valor superior a 5 mil euros por mês.
A desigualdade na distribuição do rendimento é, provavelmente, o factor que mais afecta a coesão social no nosso país. Sendo Portugal o mais desigual dos países da União Europeia, era de prever que se fixassem limites máximos para as pensões de reforma pagas pela CGA, não só para diminuir a desigualdade, mas também para não enfraquecer a coesão social.
As “reformas douradas” podem ser legais e corresponder ao tempo de desconto e aos montantes descontados pelos beneficiários, mas são socialmente injustas, tal como em muitos casos foi injusta a carreira desses mesmos beneficiários que, além de terem o emprego garantido, tiveram admissões e promoções de favor, ausência de avaliações de desempenho e, sempre, bons salários e muitas mordomias.
Assim, o nosso progresso social não avança e a injustiça social agrava-se.
A desigualdade na distribuição do rendimento é, provavelmente, o factor que mais afecta a coesão social no nosso país. Sendo Portugal o mais desigual dos países da União Europeia, era de prever que se fixassem limites máximos para as pensões de reforma pagas pela CGA, não só para diminuir a desigualdade, mas também para não enfraquecer a coesão social.
As “reformas douradas” podem ser legais e corresponder ao tempo de desconto e aos montantes descontados pelos beneficiários, mas são socialmente injustas, tal como em muitos casos foi injusta a carreira desses mesmos beneficiários que, além de terem o emprego garantido, tiveram admissões e promoções de favor, ausência de avaliações de desempenho e, sempre, bons salários e muitas mordomias.
Assim, o nosso progresso social não avança e a injustiça social agrava-se.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Gostou do Oriente e orientou-se.
Apresento-vos o primeiro cromo da minha colecção!
Aos 23 anos já era deputado e durante mais de 25 anos teve uma cadeirinha para ocupar em São Bento. Foi governante, professor e comentador. Foi tudo o que lhe apeteceu. Conheceu a árvore das patacas em Macau. Gostou do Oriente e orientou-se.
Aos 38 anos instalou-se em Bruxelas como Comissário Europeu. Sonhou alto de mais, mas o Barroso trocou-lhe as voltas e sacou-lhe o lugar. Hoje colecciona tachos, soma senhas de presença e muitas mordomias.
É preciso ser muito bom! A sua conta bancária cresce.
Não lhe perguntem o que ele pode fazer pelo país, mas perguntem-lhe o que é que ele já sacou e ainda quer sacar ao país.
Aos 23 anos já era deputado e durante mais de 25 anos teve uma cadeirinha para ocupar em São Bento. Foi governante, professor e comentador. Foi tudo o que lhe apeteceu. Conheceu a árvore das patacas em Macau. Gostou do Oriente e orientou-se.
Aos 38 anos instalou-se em Bruxelas como Comissário Europeu. Sonhou alto de mais, mas o Barroso trocou-lhe as voltas e sacou-lhe o lugar. Hoje colecciona tachos, soma senhas de presença e muitas mordomias.
É preciso ser muito bom! A sua conta bancária cresce.
Não lhe perguntem o que ele pode fazer pelo país, mas perguntem-lhe o que é que ele já sacou e ainda quer sacar ao país.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O ofício de deputado
A relutância e até mesmo a hostilidade com que os socialistas ouviram um dos seus dirigentes defender a redução do número de deputados de 230 para 180, revela bem o estado a que isto chegou, o alastramento da cegueira política e os caminhos tortuosos por que nos conduzem.
Esta reacção mostra como o clientelismo se tornou num problema gravíssimo e transversal à sociedade portuguesa, de que nem o próprio Parlamento se livra.
Será que não entendem que temos deputados a mais e que precisamos de uma nova lei eleitoral que identifique e aproxime o eleito do eleitor?
Será que não percebem que estamos fartos de deputados “perpétuos”, cuja principal virtude é a fidelidade ao partido a qualquer preço?
Será que não vêem que, salvo uma ou outra excepção, nunca os deputados tinham tido um emprego tão bem remunerado nas suas vidas?
Será que sabem que a generalidade dos deputados nunca teve uma profissão ou um emprego, desconhecendo objectivamente que a sua função é servir e não servir-se?
Será que não vêem que estamos cada vez mais cansados desta farsa?
Esta reacção mostra como o clientelismo se tornou num problema gravíssimo e transversal à sociedade portuguesa, de que nem o próprio Parlamento se livra.
Será que não entendem que temos deputados a mais e que precisamos de uma nova lei eleitoral que identifique e aproxime o eleito do eleitor?
Será que não percebem que estamos fartos de deputados “perpétuos”, cuja principal virtude é a fidelidade ao partido a qualquer preço?
Será que não vêem que, salvo uma ou outra excepção, nunca os deputados tinham tido um emprego tão bem remunerado nas suas vidas?
Será que sabem que a generalidade dos deputados nunca teve uma profissão ou um emprego, desconhecendo objectivamente que a sua função é servir e não servir-se?
Será que não vêem que estamos cada vez mais cansados desta farsa?
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Revisitar Portugal
Fui visitado por um familiar que vive em Brasília. Veio a Portugal para ver os pais e o país, tendo desembarcado no aeroporto com muito mais saudades do que bagagem.
A viagem com mais de 7300 quilómetros é muito longa, mas apesar dessa aventura e do frio que nesta época nos apoquenta por cá, o reencontro com a terra lusitana e com as suas marcas identitárias foi certamente reconfortante.
Não é o tempo das feiras populares, nem das sardinhas assadas, nem das tardes sem fim, mas é o tempo de um glorioso mar azul e de areais desérticos, de vinhos e de sabores únicos, além de tantos monumentos que nos evocam um passado histórico de algumas misérias e de muitas grandezas.
“Vale a pena revisitar Portugal” foi, seguramente, o que o meu familiar pensou, quando entrou no avião da TAP que o levou de regresso a Brasília.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Basta!
Os acontecimentos que estão a ocorrer na Tunísia e no Egipto continuam a suscitar interpretações muito diversas quanto às suas causas, mas também muitas preocupações quanto à sua previsível evolução.
No entanto, há um denominador comum em ambas as situações, que é o longo consulado de Zine Ben Ali na Tunísia (desde 1987) e de Hosni Mubarak no Egipto (desde 1981). Como tem sido visto na televisão, logo que as multidões se libertam dos seus constrangimentos políticos, logo reclamam o afastamento daqueles líderes.
E aqui? Quantos dirigentes nomeados pelo Estado, que nem sequer foram eleitos, ocupam lugares de topo há mais de vinte anos, sem que o seu desempenho seja questionado?
No entanto, há um denominador comum em ambas as situações, que é o longo consulado de Zine Ben Ali na Tunísia (desde 1987) e de Hosni Mubarak no Egipto (desde 1981). Como tem sido visto na televisão, logo que as multidões se libertam dos seus constrangimentos políticos, logo reclamam o afastamento daqueles líderes.
E aqui? Quantos dirigentes nomeados pelo Estado, que nem sequer foram eleitos, ocupam lugares de topo há mais de vinte anos, sem que o seu desempenho seja questionado?
Mudar de vida
Com grande frequência, somos alertados para os problemas financeiros que Portugal atravessa, nomeadamente em relação ao Estado, ao seu défice e à sua dívida, cujos principais indicadores nos são fornecidos pelo Eurostat.
O défice público português em 2009 em relação ao PIB foi de -9.3%, enquanto a média do EUR27 foi de -6.8%; piores do que Portugal foram os desempenhos orçamentais da Grécia, Irlanda, Reino Unido, Espanha e Letónia.
A dívida pública portuguesa em 2009 em relação ao PIB atingiu 76.8%, enquanto a média do EUR27 foi de 71.4%; piores do que Portugal são as dívidas públicas da Itália, Grécia, Bélgica, Hungria e França.
Estes números mostram que, embora não seja única no contexto europeu, a situação portuguesa é complexa. Por isso, alguns entendidos prevêem a necessidade de ajuda internacional, enquanto outros dizem exactamente o contrário.
O que é evidente é que, a nossa fraca taxa de crescimento económico, não suporta as taxas de juro que nos estão a ser cobradas e, qualquer dia, a receita pública não será suficiente para pagar amortizações e juros. Nestas condições, todos os dias nos continuamos a afundar.
Com ou sem ajuda internacional, só nos resta uma saída: mudar de vida.
Mas, para isso, são precisas boas práticas e bons exemplos mas, lamentavelmente, umas e outros são muito raros.
O défice público português em 2009 em relação ao PIB foi de -9.3%, enquanto a média do EUR27 foi de -6.8%; piores do que Portugal foram os desempenhos orçamentais da Grécia, Irlanda, Reino Unido, Espanha e Letónia.
A dívida pública portuguesa em 2009 em relação ao PIB atingiu 76.8%, enquanto a média do EUR27 foi de 71.4%; piores do que Portugal são as dívidas públicas da Itália, Grécia, Bélgica, Hungria e França.
Estes números mostram que, embora não seja única no contexto europeu, a situação portuguesa é complexa. Por isso, alguns entendidos prevêem a necessidade de ajuda internacional, enquanto outros dizem exactamente o contrário.
O que é evidente é que, a nossa fraca taxa de crescimento económico, não suporta as taxas de juro que nos estão a ser cobradas e, qualquer dia, a receita pública não será suficiente para pagar amortizações e juros. Nestas condições, todos os dias nos continuamos a afundar.
Com ou sem ajuda internacional, só nos resta uma saída: mudar de vida.
Mas, para isso, são precisas boas práticas e bons exemplos mas, lamentavelmente, umas e outros são muito raros.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Portalegre, os amigos e as boas memórias
Fui a Portalegre para me encontrar com alguns amigos num almoço, a reviver outros tempos e outras circunstâncias vividas nos tempos difíceis, de incerteza e de sacrifício que todos passamos na Guiné, antes de 1974.
São os bons amigos de há muitos anos, daqueles que nos fazem recuar no tempo a relembrar histórias e a recuperar memórias, no adequado ambiente proporcionado por um almoço de excelência, enriquecido com os melhores sabores da gastronomia alentejana. Estes amigos e a gastronomia alentejana, são duas experiências fantásticas.
Mas, para além do encontro com os amigos e do almoço, também havia o encanto da cidade, com um panorama atraente. É que eu gosto da orografia e do traçado urbano de Portalegre, serpenteando pela orla da serra de São Mamede, com vista para as encostas de sobreiros e oliveiras e, sempre, a evocar-nos a “Toada de Portalegre”, que José Régio criou.
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Morei numa casa velha,
Velha, grande, tosca e bela,
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela…
Foi um verdadeiro dia D, não tanto por qualquer desembarque na Normandia, mas pelas muitas emoções que a todos proporcionou. Obrigado à M. e ao C. por esta oportunidade!
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Mediterrâneo
Tunísia, Egipto… a revolução nas ruas, aqui bem perto, na margem sul do espaço geopolítico euro-mediterrânico.
Poucos imaginariam ver as imagens que a televisão nos tem mostrado, com multidões a reclamar por mudanças políticas profundas.
A rapidez da mobilização popular, estimulada pelas novas tecnologias da comunicação e da informação, surpreendeu a comunidade internacional que não esperaria este tipo de movimentações na orla mediterrânica.
Porém, numa época de crise generalizada e de dificuldades desigualmente partilhadas, como acontece na área euro-mediterrânica, não nos podemos surpreender com esta reacção à cegueira política dos dirigentes, à corrupção generalizada, ao clientelismo, ao agravamento da desigualdade e à injustiça social.
Poucos imaginariam ver as imagens que a televisão nos tem mostrado, com multidões a reclamar por mudanças políticas profundas.
A rapidez da mobilização popular, estimulada pelas novas tecnologias da comunicação e da informação, surpreendeu a comunidade internacional que não esperaria este tipo de movimentações na orla mediterrânica.
Porém, numa época de crise generalizada e de dificuldades desigualmente partilhadas, como acontece na área euro-mediterrânica, não nos podemos surpreender com esta reacção à cegueira política dos dirigentes, à corrupção generalizada, ao clientelismo, ao agravamento da desigualdade e à injustiça social.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
A Última Missão
As guerras de África são um tema que sempre me interessou e não dispenso a leitura do que se tem escrito sobre o assunto, até porque estive pessoalmente nelas envolvido e conheci muitos dos seus cenários em Moçambique e na Guiné. Por isso, li com toda a atenção A Última Missão de José de Moura Calheiros, que foi publicado muito recentemente. E gostei muito.
É uma obra muito bem estruturada, com uma escrita elegante, solidamente documentada e com um enorme interesse histórico, que nos permite conhecer com detalhe o que aconteceu na Guiné em 1973, especialmente nas violentas batalhas de Guidage e de Guilege/Gadamael.
Trata-se, provavelmente, de duas das mais importantes operações realizadas na Guiné, que se traduziram na perda de muitas vidas, de alguns aviões e de algumas dezenas de viaturas.
A Última Missão foi escrito por quem viveu esses acontecimentos no terreno e é, seguramente, um dos melhores livros até agora escritos sobre as guerras de África.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
RTP
A RTP é uma empresa pública. As suas receitas resultam, sobretudo, das indemnizações compensatórias e da taxa audiovisual, isto é, de fundos públicos. Segundo afirmou o líder do PSD (Correio da Manhã de 6 de Setembro de 2010), “só com a RTP o Estado gasta 400 milhões de euros”. Portanto, todos os dias, a RTP recebe mais de um milhão de euros.
É muito dinheiro!
Nenhuma outra empresa em Portugal recebe este avultado incentivo, que lhe permite pagar os mais elevados salários públicos, conceder mordomias impensáveis num país cronicamente deficitário e alimentar clientelas de toda a ordem, como não sucede nas estações televisivas concorrentes.
É muito despesismo!
Tudo isto até poderia ser aceitável se o serviço prestado fosse credível e de qualidade mas, infelizmente, é a mediocridade que está presente na generalidade da programação, que não diverte, que não forma e que não informa. Que faz fretes aos amigos, que embrutece, que enerva e que, por vezes, enoja!
É uma vergonha!
É muito dinheiro!
Nenhuma outra empresa em Portugal recebe este avultado incentivo, que lhe permite pagar os mais elevados salários públicos, conceder mordomias impensáveis num país cronicamente deficitário e alimentar clientelas de toda a ordem, como não sucede nas estações televisivas concorrentes.
É muito despesismo!
Tudo isto até poderia ser aceitável se o serviço prestado fosse credível e de qualidade mas, infelizmente, é a mediocridade que está presente na generalidade da programação, que não diverte, que não forma e que não informa. Que faz fretes aos amigos, que embrutece, que enerva e que, por vezes, enoja!
É uma vergonha!
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Eleições Presidenciais 2011
Realizaram-se as eleições presidenciais e, sem qualquer surpresa, tudo ficou na mesma.
Ou talvez não.
O discurso da vitória foi confrangedor e desagregador, deixando-nos perplexos e apreensivos, porque não foi um momento de mobilização, nem foi uma mensagem de esperança. Foi uma oportunidade perdida e, nos tempos que correm, não se podem perder oportunidades.
Valha-nos Deus, como diz o povo!
Entretanto, os cadernos eleitorais tinham 9 629 630 inscritos. Alguém acredita neste número?
Ou talvez não.
O discurso da vitória foi confrangedor e desagregador, deixando-nos perplexos e apreensivos, porque não foi um momento de mobilização, nem foi uma mensagem de esperança. Foi uma oportunidade perdida e, nos tempos que correm, não se podem perder oportunidades.
Valha-nos Deus, como diz o povo!
Entretanto, os cadernos eleitorais tinham 9 629 630 inscritos. Alguém acredita neste número?
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