quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O FCP na liderança do negócio do futebol

O futebol é cada vez mais um grande negócio que movimenta muitos milhões com a compra e venda de jogadores, com a publicidade nas camisolas e nos estádios e com as receitas das transmissões televisivas. Esse negócio já tem carácter mundial e, nos últimos anos, nele participam activamente alguns países que ainda estavam fora do universo futebolístico, como a China, os Estados Unidos ou a India.
A faceta mais evidente do negócio são as contratações das grandes estrelas do espectáculo do futebol e o facto é que há treinadores e jogadores portugueses um pouco por todo o mundo. Hoje, o diário desportivo Cancha que se publica na Cidade do México, apresenta com destaque de primeira página, uma desenvolvida reportagem intitulada “El club Midas”, um título inspirado no Rei Midas que, segundo a mitologia grega, transformava em ouro tudo aquilo em que tocava.
A reportagem refere que o FCP (Futebol Clube do Porto) “es el único club del mundo que puede presumir ganancias por venta de jugadores de 436,96 miliones de euros en las últimas 12 temporadas, en gran parte a su técnica de adquirir bueno e barato”, promover os jogadores, ganhar títulos e vender.
A capa do jornal é ilustrada com imagens de alguns dos seus mais famosos jogadores oriundos da América do Sul que, depois de terem sido campeões pelo FCP foram vendidos a peso de ouro, o que aconteceu com Hulk, Falcão, James Rodriguez, Lisandro Lopez e Jackson Martinez. Porém, o jornal mexicano salienta que o FCP decidiu apostar “por el talento mexicano con las compras de Héctor Herrera, Miguel Layún, Jesús Corona y Raúl Gudiño”. Será que o FCP e o seu Presidente continuarão a transformar em ouro estes jogadores para depois serem vendidos por muitos milhões? Certamente que não. Isso já foi chão que deu uvas...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O Orçamento e os jornalistas-papagaios

A Assembleia da República aprovou ontem o Orçamento do Estado para 2016. O Orçamento é um documento que fixa o limite das despesas autorizadas e faz uma previsão das receitas, que indica as fontes de financiamento, que orienta a actividade financeira do Estado e gere a dívida pública, que assegura a gestão eficiente e racional dos dinheiros públicos, que integra as medidas de política económica, que fixa a política fiscal e que, de uma forma geral, visa contribuir para a coesão da sociedade e para o bem-estar da população. É o documento mais importante para a gestão do Estado. Pela primeira vez na nossa história democrática, o Orçamento do Estado foi aprovado por alguns partidos políticos que até agora se tinham auto-excluido do processo orçamental e essa circunstância deve ser destacada como um exemplo de inclusão, que vem mostrar que não pode haver portugueses de primeira e portugueses de segunda. Além disso, o Orçamento agora aprovado foi viabilizado pela Comissão Europeia, está de acordo com a Constituição da República, cumpre as promessas eleitorais e respeita os acordos parlamentares que viabilizam a actual maioria parlamentar.
Porém, apesar destas garantias a que não estávamos habituados, nunca um Orçamento suscitou tanta polémica em Portugal. Os mesmos jornalistas e comentadores que tudo fizeram para assustar os eleitores antes do 5 de Outubro e que tanto combateram a formação de um governo que acabou com o arrogante conceito de “arco da governação”, têm estado activíssimos contra o Orçamento e contra a actual solução governativa democrática. As nossas televisões perderam completamente o pluralismo que deveriam ter e têm estado vergonhosamente ao serviço do combate ao Orçamento. É mesmo um caso de atropelo à lei e à ética jornalística. A TVI, por exemplo, atingiu o máximo ridículo ao juntar em horário nobre quatro jornalistas-papagaios que, sem qualquer contraditório, puderam repetir-se e vomitar sem qualquer pudor as suas críticas ideológicas ao Orçamento e ao governo. Isto assim não é democracia. Felizmente que a fotografia que ilustra a capa do Diário Económico mostra a confiança que anima os nossos governantes.

Elizabeth Line em honra de Isabel II

A Rainha Isabel II que foi o primeiro monarca reinante que utilizou o Metro de Londres quando em 1969 inaugurou a Victoria Line, visitou ontem os trabalhos que decorrem na estação de Bond Street, uma das principais estações da Crossrail Line, tendo sido informada que essa linha será rebaptizada como Elizabeth Line, quando for inaugurada em Dezembro de 2018.
A nova Elizabeth Line constitui o maior projecto de construção e/ou modernização de qualquer rede de metropolitano europeu, prevendo-se que seja utilizada diariamente por meio milhão de passageiros e que melhore a qualidade de vida de muita gente. O projecto arrancou em Maio de 2012, tem um custo estimado de 14,8 mil milhões de libras e concluiu agora a “maratona” dos trabalhos de perfuração e alargamento de túneis, realizados por uma máquina perfuradora com o nome de Victoria. A nova linha atravessará a cidade de Londres no sentido Este-Oeste, terá cerca de 136 quilómetros de comprimento, cerca de 40 estações, novas ou modernizadas, permitindo a circulação rápida de composições de carruagens com 200 metros de comprimento.
A edição de hoje do diário londrino The Times destaca esta notícia, embora também dê importância “à nação dividida” e ao referendo que se vai realizar no próximo dia 23 de Junho, no qual os britânicos vão dizer se querem ou não pertencer à União Europeia. Curiosamente, foi Boris Johnson, o mayor de Londres, quem convidou a Rainha para visitar a obra em Bond Street e lhe anunciou que a nova linha se chamará Elizabeth Line. Só que Boris Johnson é a principal figura do “não” à permanência do Reino Unido na União Europeia. Será que Isabel II também defende que o Reino Unido abandone a União Europeia?

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Aviões canadianos já regressaram a casa

Na sua edição de hoje, que inclui uma sugestiva capa, o jornal National Post de Toronto faz um balanço da intervenção da aviação canadiana na guerra contra o ISIL (Islamic State of Iraq and the Levant), também conhecido por ISIS (Islamic State of Iraq and Syria) ou, ainda, como ultimamente se vem generalizando chamar-se, o Daesh.
A capa do jornal destaca que os aviões McDonnell Douglas CF-18 Hornet da Força Aérea do Canadá estiveram envolvidos nos teatros operacionais do Iraque e da Síria desde Novembro de 2014, tendo realizado 1378 saídas operacionais, 251 ataques a 267 posições e lançado 606 bombas, sobretudo na área da cidade iraquiana de Mosul. No território sírio os CF-18 canadianos fizeram apenas cinco acções e lançaram 27 bombas. Entretanto, os seis aviões canadianos regressaram a casa e reivindicam que nos seus 251 ataques não causaram quaisquer baixas civis. O fim da participação canadiana na coligação liderada pelos Estados Unidos gerou controvérsia e muito debate na esfera política, mas também na opinião pública canadiana, pois houve quem entendesse este regresso como uma quebra na solidariedade aliada.
Porém, o que é mais interessante nesta notícia é o debate público sobre a participação canadiana nas operações aéreas contra o ISIS, com apreciação crítica dos meios envolvidos e dos resultados obtidos. Por isso, o jornal pergunta o que significaram 606 bombas canadianas no contexto de mais de 32.000 bombas lançadas pela coligação internacional e se essas 606 bombas fizeram alguma diferença na guerra contra o ISIS. Em síntese, a guerra já não é o que era e os contribuintes já não aceitam pagar facturas tão avultadas como esta.

O cemitério português de Richebourg

O jornal La Voix du Nord que se publica em Lille, destaca hoje em primeira página que vão ser propostos para apreciação e classificação pela UNESCO um conjunto de 19 sítios – cemitérios e memoriais – localizados na região administrativa francesa de Nord-Pas-de-Calais, junto da fronteira belga. A proposta será apresentada pela associação “Paysages et sites de mémoire de la Grande Guerre” e inscreve-se na evocação do 1º centenário da Grande Guerra, tendo como objectivo fazer com que os inúmeros cemitérios militares da região integrem a lista de bens culturais da UNESCO. Esses sítios simbólicos já são uma atracção turística, mas as autoridades pensam que a sua classificação poderá potenciar mais visitas à região e, dessa forma, valorizar a sua economia. Numa primeira recolha o comité científico da associação apreciou 138 sítios e bens, sobretudo necrópoles e cemitérios militares, entre os quais alguns cemitérios de tropas expedicionárias portuguesas, indianas e canadianas, além de cemitérios de tropas alemãs, francesas e inglesas, tendo seleccionado cinco no Nord e catorze no Pas-de-Calais.
Entre os sítios selecionados está o cemitério militar português de Richebourg, situado na comuna de Richebourg, onde foram recolhidas as sepulturas de 1831 soldados portugueses mortos durante a 1ª Guerra Mundial, que se encontravam dispersas por diversos cemitérios franceses e belgas. Este cemitério foi inaugurado em 1928 e, poucos anos depois, foi construido um muro de protecção e uma porta monumental com materiais importados de Portugal. Em 1976 o sítio foi valorizado com a construção de uma capela da invocação de Nossa Senhora de Fátima.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

R.I.P. Umberto Eco

Aos 84 anos de idade faleceu ontem em Milão o sociólogo Umberto Eco, uma das mais importantes figuras da cultura italiana dos últimos 50 anos, sobretudo como romancista e como académico. Os seus livros tornaram-no conhecido em todo o mundo e, de entre eles, destacou-se O Nome da Rosa, que se transformou num best-seller internacional traduzido em todo o mundo e que vendeu milhões de exemplares, tendo sido adaptado ao cinema. Para além desse romance, também O Pêndulo de Foucault e A Ilha do Dia Anterior constituiram grandes êxitos editoriais.
Porém, o nome de Umberto Eco também se tornou uma referência para a comunidade académica e, em especial, para os muitos milhares de licenciandos, mestrandos e doutorandos portugueses que encontraram no seu livro Como se faz uma Tese em Ciências Humanas, o apoio científico necessário para redigirem as suas dissertações académicas. Através desse livro tornei-me um grande admirador de Umberto Eco que, actualmente, era presidente da Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha.
Por todo o mundo surgiram louvores aos méritos intelectuais de Umberto Eco e o  jornal Público homenageou muito justamente na sua edição de hoje o académico e o romancista, com uma fotografia na sua primeira página.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

World Press Photo of the Year 2016

O mais importante concurso de fotografia do mundo revelou ontem os trabalhos premiados e o World Press Photo of the Year 2016 foi atribuido ao fotojornalista australiano Warren Richardson, com uma fotografia a que deu o título “Esperança por uma vida nova”. A fotografia mostra um homem a passar uma criança através de uma vedação de arame farpado e foi captada no dia 28 de Agosto de 2015 em Röszke, na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. Naturalmente, a fotografia está a ser hoje divulgada mundialmente através de jornais digitais, jornais impressos e televisões, chamando a atenção para o problema dos refugiados.
Os prémios atribuidos dividem-se por oito categorias, respectivamente “Temas Contemporâneos”, “Vida Quotidiana”, “Notícias Gerais”, “Projetos de Longo Prazo”, “Natureza”, “Pessoas”, “Desporto” e “Notícias Locais”, sendo que cada uma destas categorias é dividida em “singles” (fotografias individuais) e em “stories” (conjunto de fotografias).
Entre os premiados também está o fotojornalista português Mário Cruz que conquistou o primeiro prémio na categoria “Temas Contemporâneos” com uma fotografia captada no Senegal com o título “Talibes, modern-day slaves”.
Tal como tem sucedido em anos anteriores, está prevista a apresentação das fotografias premiadas numa exposição a realizar em Lisboa.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

CR7: o fenómeno que antes de ser já o era

No mundo do futebol é um lugar comum verificar como alguma imprensa cultiva o endeusamento dos jogadores, embora isso se aplique apenas a um grupo muito restrito de atletas que adquiriram o estatuto de estrelas. A entrada nesse grupo de eleitos exige um “passaporte” que se adquire através de muitas jogadas, que nem sempre são de bola. Depois de entrarem nesse grupo restrito, essas estrelas recebem as atenções e os elogios de toda a imprensa nacional e internacional. É o marketing a trabalhar. Tudo lhes é permitido, incluindo os contratos milionários para jogar, acrescentados de fabulosos contratos publicitários. Conhecemos o Pélé, o Maradona e o Platini. o David Beckham e o Luís Figo. Agora, entre os Messis, os Neymares e os Iniestas, há o Cristiano Ronaldo que o marketing consagrou como o CR7.
Ontem CR7 esteve em Roma com a sua equipa do Real Madrid para defrontar a equipa local, jogou bem e meteu um golo muito vistoso. Hoje o Corriere dello Sport, que é o principal jornal desportivo da capital italiana, tratou de esquecer a derrota da equipa romana e escolheu uma fotografia do eufórico jogador português e um título a seis colunas com a expressão fenómeno Ronaldo.
A minha veia lusitana sorriu de satisfação, mas o facto é que vi o jogo pela televisão e não vi nenhum fenómeno em campo. Parece-me um caso de endeusamento injustificado, embora não seja desagradável de ler aquele título num jornal italiano, o tal país dos tiffosi e da loucura pelo futebol. É, por isso, um caso como a pescada, que antes de ser já o era.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Um gigante dos mares em doca seca

O diário Le Télégramme que se publica em Lorient destaca na capa da sua edição de hoje uma fotografia do Emma Maersk, um navio porta-contentores dinamarquês que com os seus 398 metros de comprimento e 56 metros de boca, é um dos maiores navios do mundo.
O navio foi construido em 2006 nos estaleiros da Odense Steel Shhipyard, na Dinamarca, desloca 170 mil toneladas, tem 16 metros de calado e pode transportar 15 mil contentores de 20 pés. O seu proprietário é o grupo A. P. Moller-Maersk e o navio está empenhado nas viagens entre o norte da Europa e os portos do sueste asiático e da costa da China, sobretudo Singapura, Hong Kong e Shangai. Dispõe das mais modernas tecnologias para navegação e manuseamento de cargas e, embora disponha de alojamento para 30 pessoas, tem uma tripulação de 13 pessoas apenas!
A pintura do casco do Emma Maersk é uma curiosidade, pois utiliza um produto à base de silicone que reduz a resistência da água e permite uma poupança de cerca de 1,2 milhões de litros de combustível por ano e, pela necessidade de renovar essa pintura, o navio entrou esta semana na doca seca nº 3 dos estaleiros Damen de Brest para uma breve operação de limpeza e pintura do casco. A imprensa local rejubilou porque os estaleiros Damen provaram ser capazes de tratar os maiores navios do mundo. É caso para perguntarmos o que aconteceu por cá com a Lisnave, a Setenave, os ENVC e, naturalmente, com as nossas enormes potencialidades no domínio da construção e da reparação naval.

A paz mundial está muito ameaçada

Embora haja notícias a revelar que há muita gente que procura a paz na martirizada Síria, o facto é que a guerra prossegue no terreno. Diz-se que as forças de Bashar al-Assad recuperam posições e que a oposição síria e o ISIS ou Daesh perdem terreno, enquanto Allepo e muitas outras cidades sírias estão destruidas, havendo milhões de refugiados que procuram a Europa. Nos espaços aéreos da região cruzam-se aviões de muitas origens, que não apenas russos, americanos, franceses, ingleses, canadianos, turcos, sauditas e outros, todos a reclamar acções contra o Daesh. Agora são os holandeses a entrar neste teatro que mais parece um treino de guerra aérea preparatório de qualquer coisa que possa vir a acontecer no futuro, do que uma acção coordenada para fazer frente a uma ameaça comum.
Os turcos são muito suspeitos como suporte logístico do Daesh e têm aproveitado a ocasião para se lançarem sobre os curdos e para atacar as suas pretensões independentistas. Agora desafiam os sauditas para lançarem uma ofensiva comum contra as forças de Bashar al-Assad e para uma invasão do território sírio, ao mesmo tempo que os russos e os iranianos já anunciaram que reagirão com firmeza a essa iniciativa. Nunca se falou tanto numa terceira guerra mundial e, na edição de hoje do Le Figaro, o jornal destaca os bombardeamentos da Turquia aos curdos e da Rússia à oposição síria, o que mostra que cada qual ataca indirectamente o seu adversário principal e que a Rússia e a Turquia estão cada vez mais em rota de colisão.
Estamos realmente perante um problema muito sério que perturba e ameaça a paz mundial e, porque tudo isto acontece desde há cinco anos, não é difícil encontrar os grandes responsáveis por esta enorme calamidade, pois muitos deles continuam instalados no poder em vários países.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Um navio que evoca a glória ibérica

Durante o próximo fim-de-semana, a nau Victoria que é a réplica da nau que concluiu a primeira volta ao mundo da História (1519-1522), estará atracada no porto andaluz de Almeria e poderá ser visitada pelo público. Esta visita está enquadrada numa viagem pelas costa mediterrânica espanhola e, antes de Almeria, o navio esteve em visita aos portos de Sanlúcar, Algeciras e Fuengirola, onde recebeu milhares de visitantes, sobretudo estudantes, que puderam conhecer a história do navio e da sua memorável viagem que, como se sabe, foi inicialmente comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães e na qual participaram muitos marinheiros portugueses.
A nau Victoria foi construida entre 2004 e 2006 e já realizou uma volta ao mundo com escala em 17 países, numa viagem de representação nacional e de promoção da cultura e da História de Espanha.
É muito interessante esta iniciativa espanhola de divulgar a sua história marítima através da apresentação da nau Victoria por diferentes portos e, por essa via, estimular o interesse da juventude pelo mar e contribuir para o reforço da coesão nacional, numa acção a que se associa a imprensa da cidade de Almeria. Porém, teremos sempre que lembrar que a glória desta viagem é ibérica, porque na sua preparação e execução houve uma grande participação portuguesa que, por vezes, é esquecida pelos nossos vizinhos.
Aqui entre nós, este tipo de acções de representação não é inédita, embora não tenhamos, nem sei se devíamos ter, uma réplica da nau São Gabriel na qual Vasco da Gama chegou à Índia em 1498. Contentemo-nos com o navio-escola Sagres!

Portugal e a tensão financeira mundial

Vivemos um “tempo de incerteza” como disse, muito sabiamente, o nosso ainda Presidente da República na sua mensagem de Ano Novo, decerto por ter lido que o mundo enfrentava riscos crescentes de entrar em recessão, devido às crises nos países emergentes e em especial na China. A incerteza resulta de muitos factores que intranquilizam o mundo, desde a desaceleração da economia chinesa à guerra na Síria, passando pela crise política brasileira, pelas eleições americanas, pelo problema dos refugiados na Europa e até pelas recentes dúvidas sobre a solidez do Deutsche Bank que, entre os dias 5 e 11 de Fevereiro, viu as suas cotações cairem 9,3%.
O jornal inglês City A.M. (Business with Personality!) é um dos muitos periódicos europeus que hoje analisa a última semana e que destaca a queda das cotações dos principais bancos europeus. O jornal francês Les Echos fala na débâcle boursière, nos banques attaquées e diz que a Société Génerale plonge. Na Espanha, segundo o El Economista, na semana de 8 a 11 de Fevereiro a queda bolsista atingiu 8,86% e é noticiado que, juntos, o Santander, o BBVA e a Telefonica perderam cem mil milhões de euros, isto é, mais de metade do PIB português.
As bolsas estão em vias de entrar em crash e a finança internacional está assustada. Esses é que são os sinais da incerteza mas, num artigo intitulado “Les raisons d’un krach”, o jornal Les Echos destaca hoje a derrocada das bolsas mas, lamentavelmente, vem dizer escrever a frase “le Portugal au centre des inquiétudes”. Como é possível dizer-se uma coisa destas? Como é possível que com tanta incerteza no mundo e tanta falta de rumo na Europa, sejam algumas centenas de milhões de euros do Orçamento português  e dois ou três décimos de défice a perturbar Jean-Claude Juncker, Pierre Moscovici, Wolfgang Schäuble e Jeroen Dijsselbloem?
Estamos realmente perante uma violenta tempestade que ameaça a Europa com a guerra, com milhares de refugiados, com o brexit, o desemprego maciço, o envelhecimento demográfico, os nacionalismos e os autoritarismos, mas estes dirigentes-burocratas vivem obcecados com os países do sul que erguem a sua voz e escolhem um caminho de dignidade. É que eles não estão preocupados com Portugal mas, depois da Grécia, vivem agora assustados com o que pode acontecer com a Espanha e com a Itália.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Mourinho será o “world’s best-paid boss”

Goste-se ou não de futebol, o facto é que o treinador José Mourinho é um dos mais famosos portugueses de todos os tempos, não só pelos resultados desportivos que tem conseguido, mas sobretudo pela forma como tem sabido gerir a sua carreira profissional. Apesar de ter sido despedido dos seus dois últimos clubes, o que sucedeu com o Real Madrid em Maio de 2013 e com o Chelsea em Dezembro de 2015, o facto é que se anuncia que Mourinho já tem novo emprego. E que emprego!
A notícia que é hoje divulgada pela imprensa desportiva inglesa anuncia que Mourinho vai ser o futuro treinador do Manchester United, com um contrato de três anos que lhe irá render 59,7 milhões de euros, o que significa cerca de 385,5 mil euros por semana!
Parece que ainda se trata de um rumor que a imprensa transformou em notícia, mas o facto é que, como dizem os livros de jornalismo, uma notícia é o relato de um acontecimento, verdadeiro ou não. Assim, este facto pode ser verdadeiro ou não verdadeiro, mas é uma notícia e como tal tem naturalmente um enorme impacto mundial.
Acontece que o maior rival do Manchester United é o Manchester City que acaba de anunciar a contratação do catalão Pepe Guardiola para seu treinador. Para alimentar a enorme rivalidade futebolística da cidade de Manchester, o United não olhou a meios e parece ter procurado o melhor treinador do mundo, isto é, alguém que possa afrontar e vencer Guardiola. Parece terem descoberto esse homem e disponibilizam-se para lhe pagar muitas, muitas libras. É por isso que o Daily Express anuncia hoje o pacote remuneratório previsto para José Mourinho e que titula: “United to make Mourinho world’s best-paid boss”.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Os temporais nas costas asturianas

A orla atlântica da Europa tem estado a ser afectada por temporais e por forte agitação marítima, que a imprensa noticia e que, muitas vezes, ilustra com expressivas imagens. Nessa temática destacam-se os jornais britânicos que não resistem à publicação de uma boa fotografia do stormy sea, facto que aqui referimos há bem pouco tempo, mas também os jornais espanhóis, sobretudo os que são publicados no norte de Espanha, cuja orla marítima é banhada pelo golfo da Biscaia (Astúrias, Cantábria e País Basco).
Assim acontece hoje com vários jornais dessas regiões, como por exemplo com o diário La Nueva España que se publica em Oviedo. Este periódico, informa na sua edição de hoje que os temporais atingiram as costas asturianas com o vento a soprar a uma velocidade de 148 quilómetros por hora e com as ondas a atingir os 11 metros de altura. Para ilustrar a notícia, o jornal apresenta uma fotografia do mar a rebentar a toda a altura dos edifícios da zona de El Fuerte, entre o porto e a praia de Sablón, no município de Llanes.
Estamos sensivelmente a meio do Inverno, o que significa que dentro de cerca de um mês e meio teremos a Primavera de volta, o que pode ou não significar uma meteorologia marítima mais favorável.

O bar de excepção numa ilha excepcional

O site de arquitectura ArchDaily promoveu este ano, pelo sétimo ano consecutivo, a atribuição do prémio internacional para o melhor edifício de 2016, isto é, o Archdaily Building of the Year 2016.
Foram pré-seleccionadas mais de três mil propostas assinadas por cerca de 18 mil arquitectos de todo o mundo, que concorreram às 14 categorias em concurso. Nesse conjunto de obras pré-seleccionadas encontravam-se 174 obras da autoria de arquitectos portugueses, concorrendo às categorias Casas (62), Reabilitação (23), Arquitectura Cultural (18), Escritórios (11), Arquitectura Pública (10), Educação (9), Interiores (9), Hospitality (8), Housing (6), Arquitectura Desportiva (5), Healthcare (4), Comercial (4), Industrial (3) e Arquitectura Religiosa (2). 
Desta pré-selecção global foram apuradas 70 obras, isto é, cinco obras por cada uma das 14 categorias, verificando-se a presença na final de sete projectos portugueses: o Cella Bar na vila da Madalena da Ilha do Pico, a sede da Uralchem Headquarters na Rússia, o Centro Equestre de Leça da Palmeira, a Casa em Guimarães, o Mercado Municipal de Abrantes, o Al Shaheed Park no Kuwait e a Cozinha Comunitária das Terras da Costa da Caparica.
A votação decorreu entre os dias 2 e 9 de Fevereiro e veio a declarar o Cella Bar, a Casa de Guimarães e a Cozinha Comunitária das Terras da Costa da Caparica como Edifícios do Ano 2016 de acordo com a votação da ArchDaily.
O Diário de Notícias destaca hoje a notícia da atribuição dos Archdaily Building of the Year 2016 a três obras com marca portuguesa e ilustram-na com a fotografia do espectacular Cella Bar da ilha do Pico, enquadrado por uma paisagem de mar azul, pedras negras e encostas verdes.