quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A guerra na Síria está a endurecer

A guerra contra o Estado Islâmico parece estar a entrar numa nova fase, com a intensificação dos ataques americanos na Líbia e dos bombardeamentos russos na Síria, parecendo haver uma mais forte reacção ao perigo que constitui o extremismo jihadista. Não tem sido difundida muita informação sobre o que se passa no terreno ou nas mesas de negociações, mas há notícias que referem a aproximação da Rússia à Turquia e, também, ao Irão. Neste caso, a utilização das bases iranianas pela aviação russa veio dar um poder acrescentado à sua intervenção e veio evidenciar que os principais aliados de Bashar al-Assad se decidiram a cooperar entre si.
Neste conflito que se desenvolve desde 2011 parece que estão “todos contra todos”, isto é, há guerra entre o governo sírio, os rebeldes que se opõem a Bashar al-Assad, os radicais islâmicos da Al-Qaeda e do ISIS e, ainda, as diversas potências estrangeiras que se envolveram na guerra. As centenas de grupos que combatem o governo sírio de forma não coordenada, com destaque para as forças extremistas do ISIS, parece estarem a perder terreno e daí a sua iniciativa de atacar a Europa com acções terroristas, havendo notícias de que se aperta o cerco às suas principais conquistas, nomeadamente Raqqa na Síria e Mossul no Iraque.
A utilização de bases iranianas por parte da aviação russa que alguns jornais noticiam hoje, caso do The Wall Street Journal, pode dar uma diferente dimensão à guerra e, quem sabe, abrir o caminho para a paz. As fotografias dos bombardeiros russos a largar a sua carga sobre os territórios sírios ocupados pelo ISIS, lembram os bombardeiros americanos que há cinquenta anos largavam as suas bombas sobre o Vietnam. Significa que as coisas estão a endurecer no terreno e o facto é que já morreram mais de duzentas mil pessoas e há mais de quatro milhões de refugiados sírios, mas a guerra não para.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Rio 2016 e o adeus a Michael Phelps

Além de imagens deslumbrantes, os Jogos Olímpicos oferecem-nos surpresas desportivas todos os dias, proporcionadas por atletas de países tão diferentes como a Argentina e a Colômbia, a Espanha e a Grécia, ou Singapura e o Vietnam. A respectiva imprensa vai glorificando os atletas vencedores através da publicação das suas fotografias com as medalhas conquistadas. Alguns desses atletas, porém, ultrapassam a esfera nacional e são reconhecidos universalmente, como sucede com a ginasta Simone Biles, com o velocista Usain Bolt ou com o nadador Michael Phelps, entre alguns outros. No entanto, há uma absoluta unanimidade em relação ao nadador americano, que tem sido justamente considerado como o atleta que mais se destacou no Rio de Janeiro ao ganhar cinco medalhas de ouro. Com este resultado, Michael Phelps totalizou 23 medalhas de ouro nas últimas quatro Olimpíadas, o que constitui uma marca de longevidade ímpar no topo da natação mundial. A imprensa mundial tem destacado o feito desportivo de Michael Phelps e publicado repetidamente a fotografia do nadador americano, mas a homenagem que hoje lhe é feita pelo diário Gulf News, o mais conhecido jornal do Dubai, um dos sete emirados dos Emirados Árabes Unidos (UAE), é muito interessante. O jornal recolheu as fotografias das 23 vitórias de Phelps em Atenas (2004), Beijing (2008), Londres (2012) e agora Rio de Janeiro, assinalando que bateu o record estabelecido por Leónidas de Rodes no ano 152 AC.
Leónidas foi um dos mais famosos atletas olímpicos da Antiguidade e competiu em quatro Olimpíadas, tendo conquistado doze coroas de louros. Segundo refere o jornal, Michael Phelps superou esse feito 2168 anos depois, ao conquistar 23 medalhas de ouro, das quais treze a título individual. nunca acontecera nada disto, nem com Mark Spitz nem com qualquer ginasta.
Agora, com 31 anos de idade, o nadador que nasceu em Baltimore e que bateu records mundiais por 37 vezes, vai retirar-se. Como diz o Gulf News: Goodbye!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Os fogos florestais são uma calamidade

A imprensa espanhola noticia hoje com grande destaque as medalhas de ouro olímpicas que ontem foram conquistadas pela catalã Mireia Belmonte nos 200 metros mariposa e pela basca Maialen Chourraut na prova de canoagem em águas bravas. Porém, o destaque dos jornais galegos não são as medalhas olímpicas daquelas atletas, mas os incêndios florestais que assolam a Galiza, assim acontecendo com o Faro de Vigo que anuncia mais de 2.500 desalojados e cerca de 6.000 hectares consumidos pelo fogo em quatro dias. Um bosquejo pela imprensa francesa, italiana e grega mostra que também estes países estão a passar por grandes dificuldades com os fogos florestais.
Porém, a situação em Portugal ultrapassa tudo o que é imaginável, pois dos 190 mil hectares de área ardida no espaço europeu, mais de 93 mil hectares são em Portugal. É uma área equivalente a 93 mil campos de futebol! Nos últimos anos, a média de área ardida nesta época do ano rondava os 25 mil hectares, mas na última semana os números dispararam quando a “regra dos 30” se impôs: vento com velocidade superior a 30 km por hora, humidade relativa de 30% ou menos e temperatura do ar superior a 30 graus.
Os fogos florestais estão a ser uma calamidade nacional e, perante a gravidade da situação, vários países ofereceram a sua ajuda a Portugal, com destaque para a Espanha, a Itália, Marrocos e Rússia.  Essas ajudas solidárias são, naturalmente, benvindas.
No entanto, o problema não se resolve com as ajudas internacionais, mas tem que ser resolvido internamente e de forma definitiva. Todos os anos o assunto é discutido, mas cada ano se agrava a situação. Porque será? Incapacidade dos políticos? Interesses obscuros? De tudo um pouco, como convém nestes negócios de muitos milhões.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O terrível fogo que afectou a Madeira

O fogo tem destruido muitos milhares de hectares no território nacional, sobretudo na ilha da Madeira e, em especial, no concelho do Funchal. A tragédia que tem assolado aquela ilha tem sido devidamente acompanhada pela comunicação social que, através das imagens e dos relatos divulgados, tem mantido os portugueses informados sobre a situação dramática por que tem passado a cidade do Funchal nos últimos dias.
Há pelo menos três mortos, há centenas de deslocados e um enorme prejuizo ambiental e patrimonial, em que se destaca a perda de muitas habitações e a catástrofe que se abateu sobre o famoso hotel Choupana Hills, que foi devorado pelas chamas. Impulsionado pelo vento ou por outros factores que estão a ser investigados, o fogo apareceu em vários locais da periferia da cidade e cercou o Funchal, chegando até às proximidades da baía, enquanto um espesso fumo se abateu sobre a cidade.
A população tem passado por muitos sustos e naturais preocupações. A solidariedade nacional não se fez esperar, pelo que do Continente seguiram reforços especializados para ajudar a ultrapassar a situação que ainda não está completamente controlada. Numa atitude merecedora de grande aplauso, o Presidente da República não hesitou e voou para a Madeira para levar um abraço de grande solidariedade e estímulo dos portugueses do Continente aos portugueses da Madeira.
Não há memória de um incêndio com esta dimensão na ilha da Madeira, mas a forma empenhada e atenta como o Presidente do Governo Regional tem acompanhado a situação é um indício de que o Funchal recuperará rapidamente a sua harmonia patrimonial e paisagística. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Rio 2016: as imagens do voleibol de praia

As grandes competições desportivas são sempre um campo muito fértil para o trabalho dos fotojornalistas e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro não são excepção a essa regra. Todos os dias são publicadas em diferentes suportes, as mais espectaculares fotografias que retratam a euforia dos vencedores ou as lágrimas dos derrotados, bem como a forma como decorreram as suas provas. Algumas dessas fotografias, sobretudo quando são divulgadas pelas agências noticiosas, correm mundo e são publicadas em muitos jornais internacionais.
Assim aconteceu com as fotografias do jogo de voleibol de praia em que a Alemanha e o Egipto se defrontaram na praia de Copacabana no dia 7 de Agosto que, entre outros jornais internacionais, foram publicadas pelo jornal belga De Morgen. Era a primeira vez que uma dupla egipcia participava no torneio olímpico de voleibol de praia e, só por isso, o encontro despertava curiosidade. Aconteceu, porém, que a dupla egipcia, constituida por Doaa Elghobashy de 19 anos de idade e Nada Meawad de 18 anos de idade, se apresentou de calças, camisola de manga comprida e, uma delas, com o véu sobre a cabeça - o hijab, enquanto a dupla alemã usou o tradicional biquini. Os equipamentos revelaram duas equipas com culturas e religiões diferentes, embora dominadas pelo mesmo objetivo de vencer.
O resultado acabou por ser um 2-0 (21-12 e 21-15) favorável às alemãs, mas o nome de Doaa Elgobashy e de Nada Meawad já entrou para a história das Olimpíadas.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Rio 2016: uma medalha para Portugal

Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro o dia de ontem foi de festa para o desporto português, pois Telma Monteiro conquistou uma medalha de bronze na sua prova de judo feminino para menos de 57 kilos.
Se tivermos presente que Portugal participou desde 1912 em todas as 24 edições dos Jogos Olímpicos e que até agora ganhara apenas 23 medalhas (quatro de ouro, oito de prata e onze de bronze), facilmente concluiremos que a conquista de uma medalha olímpica constituiu um grande acontecimento desportivo para Portugal.
Até ao momento nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro estão atribuidas medalhas a atletas de 41 países, dos quais 23 ganharam medalhas de ouro.
A consulta da imprensa internacional mostra que a conquista de medalhas olímpicas foi destacada na generalidade dos países com grandes destaques de primeira página, como aconteceu por exemplo na Bélgica em relação ao ciclista Van Avermaet, na Colômbia com o halterofilista Óscar Figueiroa ou no Brasil com a judoca Rafaela Silva, que ganharam medalhas de ouro.
No caso da imprensa espanhola, a medalha de bronze da nadadora Mireia Belmonte deu direito a que a sua fotografia ilustrasse as capas dos principais jornais do país. Porém, em Portugal, com a honrosa excepção do jornal Público, os jornais de informação geral que costumam “encostar-se ao futebol para vender papel” não deram qualquer especial destaque ao resultado conseguido pela judoca Telma Monteiro. O judo “não vende papel”. São estes os jornais e o jornalismo que temos.

domingo, 7 de agosto de 2016

Rio 2016 com inauguração deslumbrante

Ontem realizou-se a cerimónia oficial da abertura dos Jogos Olímpicos e, depois de tantos meses em que se amontoaram dúvidas quanto à capacidade brasileira para organizar um acontecimento de tamanha complexidade, o espectáculo apresentado no Maracanã foi uma resposta esclarecedora e deslumbrante. A imprensa internacional não se poupou a elogios à imaginação e à criatividade que “invadiram” o maior estádio do Rio de Janeiro, às cores, às luzes, à tecnologia e aos conteúdos musicais exibidos. Através de sucessivas representações servidas por luz, cor e muita música, foi feita a história do Brasil e da cidade fundada no século XVI pelos portugueses, foram apresentadas as áreas verdes e urbanas da cidade e foi representada a diversidade cultural brasileira.
A cerimónia iniciou-se com uma sugestiva interpretação do hino brasileiro por Paulinho da Viola num palco a evocar Óscar Niemeyer e prosseguiu com a “presença” de muitas celebridades brasileiras, desde Santos Dumont e dos seus voos pioneiros, até à famosa modelo Gisele Bündchen e dos seus desfiles pelas passerelles do mundo.
Foi realmente um grande espectáculo. O público participou activamente e até Michel Temer, o presidente brasileiro, foi apupado no estádio, enquanto no exterior surgiu alguma contestação aos custos dos Jogos Olímpicos, num país onde estão por satisfazer muitas necessidades básicas e em que prevalece uma situação económica desfavorável, com muito desemprego e muita insegurança.
Na sua edição de hoje o jornal O Estado de S. Paulo diz que “o Brasil fez bonito”. É verdade, o Brasil fez bonito e passou ao mundo e a três mil milhões de pessoas que assistiram à cerimónia pela televisão, uma mensagem paz, de criatividade e de imaginação que supera quaisquer desgostos que tenham no futebol. Mas foi um desregramento de dinheiro que era necessário para outras coisas, dizem alguns. É verdade. Tal como foi verdade que a festa impressionou o mundo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Rio 2016 e a paixão brasileira pelo futebol

Antes da cerimónia oficial de abertura dos Jogos Olímpicos que se realiza amanhã, já se realizaram os primeiros jogos da competição olímpica de futebol: ontem disputaram-se 6 jogos de futebol feminino e hoje realizam-se 8 jogos de futebol masculino, um dos quais é o Portugal-Argentina.
A equipa feminina brasileira derrotou a selecção chinesa por 3-0 e a imprensa brasileira deu hoje um grande destaque a essa vitória da sua equipa e assinala esta estreia com muito entusiasmo e esperança. Depois de muitos meses de expectativa e até de dúvida, os brasileiros rejubilaram com este arranque positivo da sua caminhada olímpica e a imprensa apenas fez eco dessa realidade.
Porém, essa mesma imprensa parece ignorar a natureza multi-disciplinar dos Jogos Olímpicos e centra-se exclusivamente no futebol e na sede brasileira pelo “ouro olímpico”, como se não houvesse outras modalidades tanto ou mais nobres do que o futebol. Por isso, dedica hoje largos espaços e fotografias a Neymar da Silva, o mesmo futebolista que tem salário milionário no Barcelona FC e a quem chamam o “menino de ouro”. Nós já estamos habituados a ver a maneira servil como a generalidade da imprensa e dos jornalistas tratam as estrelas do futebol, mas no caso dos Jogos Olímpicos era natural que tivessem maior contenção em relação a um futebolista, dedicando mais espaço a outros atletas que não sejam futebolistas e que o público conhece menos bem. A realidade é que muitos jornalistas brasileiros parecem só conhecer o desporto-futebol, mas em boa verdade também muitos jornalistas portugueses fazem quase a mesma coisa. Significa que nens uns nem outros merecem relatar os Jogos Olímpicos. O facto é que mesmo com Neymar, esta tarde o Brasil empatou com a África do Sul e os brasileiros ficaram nervosos.

Rio 2016 e as esperanças lusitanas

Os Jogos Olímpicos de 2016, oficialmente designados como Jogos da XXXI Olimpíada, iniciam-se amanhã no Rio de Janeiro com a habitual cerimónia oficial de abertura que se realizará no Estádio do Maracanã. A imprensa internacional, como aconteceu com a TIME, tem dado o devido destaque ao maior acontecimento desportivo do planeta. É a primeira vez que os Jogos Olímpicos se realizam na América do Sul e é, também, a primeira vez que se realizam num país de língua portuguesa, o que tem um especial significado, como já salientou o Presidente da República Portuguesa que se encontra no Rio de Janeiro em visita oficial. 
O grande acontecimento desportivo que é o Rio 2016 decorrerá de 5 a 21 de Agosto, terá provas em 28 modalidades desportivas e espera-se que tenha a participação de cerca de 12.500 atletas de 206 países. As mais numerosas representações virão dos Estados Unidos (555), Brasil (462), Alemanha (412), Austrália (409), França (402), China (379), Grã-Bretanha (364), Rússia (332), Japão (326), Canadá (313) e Espanha (305). O Comité Olímpico Português será representado por 91 atletas, enquanto as representações dos países de língua oficial portuguesa serão de Angola (23), Moçambique (4), Cabo Verde (4), Guiné-Bissau (3), São Tomé e Príncipe (1) e Timor-Leste (1).
O espírito olímpico fundamenta-se nos princípios do barão Pierre du Couvertin que fez renascer os Jogos Olímpicos e centra-se no ideal da participação que é mais importante do que a vitória. Porém, o facto é que o ideal olímpico se tem alterado e adulterado nos anos mais recentes, traduzindo-se cada vez mais numa acesa competição entre os países pela conquista do maior número possível de medalhas. São vários os aspectos dessa luta, mas a crescente participação de atletas profissionais, sobretudo no futebol e no ténis, parece contrariar o espírito olímpico.
Independentemente das circunstâncias indicadas, espera-se da representação portuguesa uma presença e uma participação verdadeiramente olímpicas, embora se desejem bons resultados desportivos e, se possível, algumas medalhas.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A Justiça a ceder a interesses pessoais?

Num Estado organizado estão constituídos os poderes legislativo e executivo que emanam do voto popular e o poder judicial que deriva de uma estrutura não escolhida pelos eleitores, que exerce os seus poderes através dos tribunais, que julgam de acordo com as normas constitucionais e com as leis criadas pelo poder legislativo. Enquanto símbolos do Estado de Direito e da observância da Lei, os juizes têm direitos e deveres muito singulares mas, como são humanos, erram demasiadas vezes.
Errare humanum est!
Assim acontece com o juiz Tiago do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra como hoje divulgou o Jornal de Notícias, pois já decidiu duas providências cautelares a favor dos colégios privados na polémica que os opõe ao Estado, no caso dos contratos de associação e, além disso, ele próprio avançou em 2012 com um processo contra o Estado em que contestava a redução do número de turmas com contratos de associação na escola onde estudava uma filha. Não é preciso ser jurista para verificar que há um evidente conflito de interesses, porque nos casos apreciados entra sempre uma filha do juiz Tiago. O Ministério da Educação pediu o seu afastamento destes casos por não ter sido imparcial na sua apreciação, enquanto o Sindicato dos Professores da Região Centro defendeu que recaem sobre o juiz fortes suspeitas de parcialidade quanto às decisões agora conhecidas e lembrou que Tiago tem uma filha que é aluna do colégio de Ançã, que é um dos colégios queixosos, e que o mesmo Tiago “já agiu contra o Estado quando pretendeu que a sua filha fosse subsidiada, apesar de se encontrar, na altura, fora das turmas com contrato de associação do colégio em que se matriculou”. Portanto, para o juiz Tiago vale tudo para proteger a sua filha, não lhe interessando as filhas dos outros cidadãos. De resto, ele próprio foi aluno no colégio jesuíta de Cernache e ninguém é indiferente a quem o encaminhou na vida. Tiago gosta de colégios e não deve gostar de os pagar. Estamos, portanto, perante um lamentável caso em que um interesse particular (de um juiz ou de um colégio) se sobrepõe ao interesse geral que é assumido pelo Estado.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A discutível decisão tomada na Madeira

A notícia já surgiu há alguns dias, mas só agora teve destaque de primeira página no suplemento Vidas do correio da manha: o Governo Regional da Madeira decidiu homenagear o seu futebolista mais famoso e, depois de já ter dado o nome de Cristiano Ronaldo ou CR7 a uma praça da cidade do Funchal e de lhe ter erguido uma estátua, vai agora atribuir o seu nome ao Aeroporto do Funchal, também conhecido por Aeroporto de Santa Catarina.
Confesso a minha ignorância quanto aos critérios que devem nortear a atribuição de nomes a aeroportos, mas parece-me de elementar bom senso que não sejam escolhidos nomes de pessoas vivas, mesmo que muito famosas, porque a vida dá muitas voltas e, por vezes, o herói passa a vilão ou aparece um herói ainda mais famoso que o anterior. São tantos os casos que acontecem, tanto no Desporto como na Política, que não vale a pena antecipar o julgamento da História. Há que dar tempo ao tempo.
Evidentemente que Cristiano Ronaldo é uma figura de excepção, não só a jogar futebol e a suscitar uma popularidade universal, mas também na forma fraterna como se liga à sua terra e às suas raizes, como demonstra o Museu CR7 que instituiu no Funchal e a recente inauguração do Pestana CR7 Funchal, a que se seguirão novos hotéis com a marca CR7 em Lisboa, Madrid e Nova Iorque, nos quais se associou ao Grupo Pestana, cujo universo hoteleiro agrupa 87 hotéis em 15 países.
A decisão do Governo Regional da Madeira é legítima e, provavelmente, tem uma justificação fundamentada no contributo de Cristiano Ronaldo para a notoriedade e para a boa imagem da ilha da Madeira, mas também no facto de se tratar de um profissional de futebol muito respeitado e de já ter sido eleito por três vezes como o melhor futebolista do mundo. É legítima, mas é discutível e polémica. Se a moda pega, não faltarão ruas, praças, avenidas, pontes, infantários, institutos, asilos, escolas, quartéis, tribunais e até aeroportos, à espera que cada autarquia lhe atribua o nome de um filho da terra tornado famoso por ter ganho uma qualquer prova desportiva. No caso da Madeira acabarão por lhe mudar o nome e passaremos a ter a ilha Ronaldo onde habitarão os ronaldenses.

sábado, 30 de julho de 2016

Cádiz em festa com os grandes veleiros

A grande festa náutica internacional que é a The Tall Ships Race 2016 tem estado em Cádiz, de onde sai amanhã à tarde em direcção ao porto galego da Corunha. A imprensa andaluza e gaditana têm dedicado grandes espaços informativos a este grande evento, numa cidade fundada pelos Fenícios e que reivindica ser “la gran cita de los veleros”.
A cidade tem aderido ao evento com entusiasmo, proporcionando um vasto programa cultural de acolhimento, onde se incluem visitas guiadas para os participantes, mas também concertos e provas desportivas. A população e os turistas que se encontram na cidade não têm perdido a oportunidade para ver os navios e a imprensa tem publicado muitas fotografias das multidões que os visitam. Na sua edição de hoje La voz de Cádiz destaca o evento e publica uma fotografia a seis colunas na sua primeira página dos veleiros atracados em Cádiz, o que lamentavelmente não fez qualquer jornal português quando recentemente a The Tall Ships Race 2016 passou por Lisboa.
Encontram-se em Cádiz cerca de quatro dezenas de veleiros e, entre eles, estão quatro veleiros portugueses, respectivamente o Creoula, o Zarco, o Polar e o Santa Maria Manuela, o que se traduz numa interessante participação nacional. Curiosamente, a imprensa tem destacado e lamentado a ausência do navio-escola espanhol Juan Sebastián de Elcano, não só porque é o símbolo da tradição vélica espanhola, mas também porque a sua base é exactamente na baía de Cadiz. Só que não se pode estar em dois lados ao mesmo tempo e o Elcano está a ser objecto de reparações.

Trump e Clinton: a campanha começou

No próximo dia 8 de Novembro vão realizar-se as eleições que escolherão o próximo Presidente dos Estados Unidos da América. Depois de vários meses em que se realizaram eleições primárias por todo o país e em que os diversos candidatos foram “ganhando delegados” ou desistindo, nas duas últimas semanas a situação ficou esclarecida. No dia 20 de Julho a convenção do Partido Republicano reunida em Cleveland escolheu Donald Trump, que aceitou a nomeação como candidato presidencial. Alguns dias depois, no dia 29 de Julho, a convenção do Partido Democrata reunida em Filadélfia escolheu Hillary Clinton, que aceitou a nomeação como candidata presidencial. Quer num caso, quer no outro, as nomeações constituiram um espectáculo mediático empolgante para quem neles participou e a imprensa americana tratou essas nomeações com grande destaque.
Agora a campanha vai começar. Apoiantes e adversários já começaram a movimentar-se com as suas máquinas de propaganda. Os dados estão lançados e a luta pelo voto popular vai ser intensa.
A eleição do Presidente dos Estadis Unidos é muito importante para o mundo e, em especial, para a Europa. Por isso, as nomeações de Trump e Clinton tiveram repercussões diferenciadas. Quanto a Donald Trump, temos assistido à sua ridicularização por se apresentar como um fanfarrão a roçar a ignorância, mas também pelas suas ideias que apontam para o regresso dos falcões e para o confronto do poder americano contra todos os que o desafiem. Já Hillary Clinton, que tem a seu favor o facto de ser a primeira mulher a disputar a presidência americana, usa a sua inteligência e a sua larga experiência política e diplomática para apresentar um discurso do agrado da classe média americana, mas também de uma Europa que receia a inexperiência de um milionário aventureiro a dirigir a nação mais poderosa do mundo.
O influente semanário francês Le Nouvel Observateur, tal como a generalidade dos europeus, não hesita na afirmação da sua simpatia por Hillary Clinton.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Resistir e não ceder à ameaça do terror!

As repetidas acções de terror e crueldade levadas a efeito em vários países por radicais terroristas ao serviço do estado islâmico, têm repugnado a consciência da Humanidade. Alguns países e regiões têm sido duramente atingidos por atentados que causaram muitas vítimas inocentes e a França tem estado no centro desse ataque extremista que está a abalar o modo de vida, a gerar a insegurança e a instalar o medo nas pessoas e nas comunidades. As formas de intervenção dos agentes do extremismo deixaram de ser apenas os tradicionais atentados bombistas e têm assumido outras formas igualmente repugnantes e de grande terror, como revelaram as recentes situações ocorridas em Nice e em Saint-Étienne-du-Rouvray.
O mundo está confrontado com uma nova ameaça, que já não é a guerra nuclear, uma qualquer  calamidade natural ou um desastre ecológico. É uma ameaça do terror, muito cruel e traiçoeira, para a qual não pode haver cedências nem contemplações, quer das autoridades, quer dos cidadãos. Resistir tem que ser a palavra de ordem. Não se pode ceder ao medo. As autoridades nacionais e supranacionais têm um enorme desafio pela frente para garantir a segurança das comunidades sem abalar o seu modo de vida democrático. Os cidadãos também são cada vez mais convocados a dar atenção às ameaças e a serem mais vigilantes, mas isso abala a vida comunitária e também envolve o risco de transformar cada cidadão num denunciante.
Estamos perante um desafio que ultrapassa as diferenças políticas, religiosas, económicas, desportivas, culturais e outras, que tradicionalmente separam os cidadãos e atravessam as comunidades. A sociedade da convivência e do culto democrático pode estar em perigo. Teremos que estar unidos nesta luta, para resistir ao terror e não ceder ao medo, mesmo quando a ameaça é muito séria. Essa é a mensagem do Libération a que nos associamos.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O navio-escola “Sagres” está no Brasil

O navio-escola Sagres que foi construido na Alemanha em 1937 e que desde 1962 pertence à Marinha portuguesa, está a realizar a sua anual viagem de instrução de cadetes da Escola Naval, levando também alguns cadetes angolanos, espanhóis, ingleses e marroquinos. O navio saiu de Lisboa no dia 21 de Junho e, depois de ter visitado a cidade da Praia em Cabo Verde e o porto brasileiro do Recife, encontra-se hoje no porto de Salvador da Baía. Não deixa de ser curioso notar que Praia, Recife e Baía são três nomes de três cidades fundadas pelos portugueses, o que reflecte a importância da expansão marítima portuguesa.
Hoje, o jornal A Tarde que se publica em Salvador destaca na primeira página da sua edição a visita do navio português com uma fotografia a quatro colunas e informa que o navio amanhã “estará aberto a visitação” entre as 13 e as 16 horas, pois às 18 horas larga para o Rio de Janeiro. 
No Rio de Janeiro e na sequência de um protocolo assinado com o Comité Olímpico Português, o navio-escola Sagres será um “embaixador de Portugal” e um símbolo da nossa cultura marítima, mas também servirá de “Casa de Portugal” para apoio dos atletas, dirigentes e outras autoridades portuguesas e para a realização de conferências de imprensa durante os Jogos Olímpicos que se realizam entre os dias 5 e 21 de Agosto.
Espera-se que, como sempre, a Sagres dê o melhor contributo para a boa imagem de Portugal.