domingo, 5 de agosto de 2018

O negócio da barbatana de tubarão

A  expansão da economia chinesa e a elevação da qualidade de vida na China criaram uma nova classe de consumidores e novos hábitos de consumo, assim acontecendo em relação à procura da barbatana de tubarão, que é uma iguaria muito apreciada pelos chineses e que é servida em restaurantes caros ou em requintados banquetes e que, em períodos de escassez, é vendida a um preço superior ao da heroína.
Segundo uma reportagem hoje publicada na edição do Miami Herald, calcula-se que dezenas de milhões de tubarões são pescados anualmente de forma ilegal em todos os oceanos do planeta e alguns cientistas estimam que esse número possa ser superior a 100 milhões. A área marítima mais procurada para a pesca furtiva ao tubarão é o Pacífico Oriental e, em especial, as águas que vão desde El Salvador ao Equador, pois é uma região oceânica muito favorável à cadeia alimentar do tubarão. Alguns países, como a Costa Rica, o Panamá, a Colômbia e o Equador já tomaram medidas para limitar essa pesca e para combater a pesca furtiva que está a fazer perigar a espécie, mas parece que nesta “guerra” são os cartéis que estão a ganhar.
O jornal conta a história do navio Fu Yuan Yu Leng 999 que no ano passado foi apreendido nas ilhas Galápagos pela Marinha do Equador, quando encontrou uma carga de 150 toneladas de tubarão, correspondentes a cerca de 6 mil peixes, apenas para realizar o seu maior valor comercial: as barbatanas. Para os naturalistas foi uma grande vitória mas não passou de uma “batalha” ganha, porque a "guerra" decorre a favor do negócio da barbatana de tubarão, no qual entra muita gente e que está cada vez mais florescente.

A Festa do Senhor Bom Jesus Milagroso

Está a decorrer em São Mateus, na ilha do Pico, a Festa do Senhor Bom Jesus Milagroso, a segunda maior festa religiosa dos Açores, só superada pelas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que se realiza em Maio na cidade de Ponta Delgada.
As festas religiosas que acontecem nos Açores são um ponto alto da vida comunitária, em que as povoações são festivamente decoradas e em que a população participa activamente na sua preparação, sem estar à espera das autarquias ou de outras entidades. As festas atraem sempre muitas centenas ou milhares de pessoas, umas residentes e outras vindas do outro lado do Atlântico que não dispensam a festa da sua terra, sendo sempre manifestações de devoção e de fé intensa, que são visíveis sobretudo nas missas, nas vistosas procissões e no pagamento de promessas.
Porém, a par do seu programa religioso, as festas incluem múltiplas actividades culturais de natureza musical e desportiva, incluindo o desfile e a actuação de filarmónicas e, por vezes, as feiras do livro, as regatas de baleeiros e os concertos, em que actuam grupos e cantores que são contratados no Continente. Além disso, são realizadas muitas outras actividades como as tradicionais arrematações em que as ofertas dos paroquianos são leiloadas em público.
Nos tempos modernos, o recinto das festas é cercado por dezenas de barracas que vendem toda a espécie de comes e bebes, de bugigangas e de uma espécie de artesanato, que dão uma dimensão popular ao acontecimento.
Como acontece sempre, as festas são largamente publicitadas através de coloridos cartazes, como sucede com o cartaz da Festa do Senhor Bom Jesus Milagroso que aqui reproduzimos.

sábado, 4 de agosto de 2018

A guerra contra as alterações climáticas

A Europa Ocidental, tal como outras regiões do planeta, estão a sofrer os efeitos de uma onda de calor de excepcional amplitude e, em muitas regiões de Portugal, Espanha e França, mas não só, as temperaturas durante o dia estão a situar-se acima dos 40ºC e os incêndios florestais reapareceram com grande intensidade. A revista The Economist aborda esse assunto na sua última edição em que salienta que o mundo está a perder a guerra contra as alterações climáticas que estão a causar frequentes ondas de calor, incêndios florestais quase incontroláveis, inundações, secas e tempestades, enquanto a temperatura média do planeta sobe cada ano para novos patamares, o gelo ártico derrete e o nível do mar sobe.
Em Dezembro de 2015 o mundo pensou que se estava no bom caminho em relação a este combate contra as alterações climáticas, quando 195 países do mundo assinaram o Acordo de Paris durante a Conferência das Nações Unidas sobre o clima. Porém, em Junho de 2017 o sucessor de Barack Obama na Casa Branca anunciou a saída dos americanos deste acordo, o que provocou críticas generalizadas por todo o mundo.
O presidente Emmanuel Macron parece ter erguido então a bandeira nesta guerra contra as alterações climáticas, que já tem sido considerada a 3ª Guerra Mundial. Assim, em Dezembro de 2017 organizou uma cimeira em Paris para a qual convidou cinco dezenas de países, sem que o Donald tivesse sido convidado. O slogan da cimeira foi, simplesmente “Make Our Planet Great Again”, numa clara crítica ao Donald. Foi nessa cimeira que Emmanuel Macron afirmou que o mundo estava a perder a batalha contra as alterações climáticas, uma ideia e um título que The Economist recuperou neste seu artigo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Será o fim da Portuguesa de Desportos?

Existe na cidade brasileira de São Paulo um clube de futebol denominado Associação Portuguesa de Desportos, que é vulgarmente conhecida como a Portuguesa ou como a Lusa. O clube nasceu em 1920 como resultado da fusão de cinco sociedades de raiz portuguesa que então existiam na cidade: Luzíadas Futebol Club, Associação 5 de Outubro, Esporte Club Lusitano, Associação Atlética Marquês de Pombal e Portugal Marinhense.
A Portuguesa tornou-se num dos maiores clubes do Estado de São Paulo e nas suas equipas jogaram alguns dos maiores futebolistas brasileiros, tendo vencido o Campeonato Paulista em 1935, 1936 e 1973, chegando a ser vice-campeão nacional em 1996. No futebol feminino, a Portuguesa também marcou posição de destaque, pois triunfou no Campeonato Brasileiro em 1999 e no Campeonato Paulista em 1998, 2000 e 2002.
Porém, nos últimos anos a equipa do Estádio do Canindé foi caindo desportivamente e os adeptos afastaram-se à medida que viam a sua equipa perder competitividade e descer continuamente de divisão. Acabaram as receitas pelas transmissões televisivas, os patrocinadores também se afastaram e as receitas diminuíram drasticamente, pelo que o clube acumulou uma dívida de 350 milhões de reais. Todas as suas receitas estão agora hipotecadas judicialmente e nos últimos cinco anos, seis presidentes tentaram encontrar soluções para a grave crise do clube. Como titula a revista Veja São Paulo, a Portuguesa está em ruínas.
As instalações do Canindé estão a degradar-se rapidamente por falta de manutenção. As quatro piscinas já foram aterradas para dar lugar a um investimento imobiliário e muitas áreas desportivas e sociais do Canindé estão a ser demolidas. Parece ser o fim da Portuguesa e custa assistir ao fim de uma instituição quase centenária com este nome que inspirou milhares de luso-brasileiros e ajudou a matar a saudade à emigração portuguesa da primeira metade do século XX.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Mais um título europeu para Portugal

Ontem veio para Portugal mais um título europeu de futebol, pois a selecção nacional de sub-19 triunfou sobre a Itália por 4-3, no jogo da final do Campeonato da Europa de Sub-19 da UEFA disputada em Seinajoki, na Finlândia, que teve prolongamento e um desfecho muito incerto até ao fim.
O título europeu neste escalão etário aconteceu pela quarta vez, depois dos triunfos obtidos em 1961, 1994 e 1999, o que mostra que os portugueses são mesmo muito bons em futebol juvenil. "São de ouro", titulou hoje o jornal A Bola, referindo-se aos novos campeões europeus.
É certo que o este futebol já não é o que era e que, cada vez mais, tende a ficar subvertido pela negociata, pela batota desportiva e pela corrupção. Chamaram-lhe o desporto-rei, mas na actualidade já nem sequer é um desporto. Do futebol do antigamente em que pontificava a sã rivalidade e o amor à camisola, apenas parece ter sobrevivido o espectáculo de excelência que entusiasma as multidões. Essas multidões, excitadas pelas televisões e por alguns educadores do povo, são empurradas para a clubite e para a futebolite que alimentam a máquina do futebol e os seus negócios de compra e venda de jogadores, de contratos publicitários e de manipulação de claques e de outras coisas suportadas e alimentadas pela chamada imprensa desportiva e pelos seus agentes.
Apesar disso, há que prestar tributo aos novos campeões europeus de sub-19, pela enorme alegria que deram aos portugueses. Aqui lhes deixo o meu aplauso. 

Os britânicos dominam o Tour de France

Terminou a 105ª edição do Tour de France e o vencedor foi o ciclista britânico Geraint Thomas que, após o seu triunfo, exibiu com entusiasmo a bandeira do País de Gales. No longo historial desta prova não havia registo de vencedores britânicos, mas nos últimos sete anos, eles conseguiram seis vitórias. Primeiro foi Bradley Wiggins em 2012, seguiu-se Christopher Froome em 2013, 2015, 2016 e 2017 e, agora, Geraint Thomas, o que nos permite pensar que os britânicos estão a interessar-se e a dominar a Volta à França, enquanto os franceses não a vencem desde 1985. Um jejum de mais de trinta anos, que muito deve ferir o seu orgulho nacional…
Nos últimos anos a televisão transformou a corrida num espectáculo desportivo de excelência, mas também num singular documentário turístico-cultural que mostra a paisagem, os monumentos e o entusiasmo dos franceses pelo seu Tour de France.
Desde o dia 7 ao dia 29 de Julho e ao longo de 3351 quilómetros, um numeroso pelotão de 176 ciclistas distribuidos por 22 equipas, percorreu as planicies e as montanhas francesas mas, embora não houvesse quaisquer ciclistas portugueses nesse pelotão, puderam ver-se muitas bandeiras portuguesas ao longo das estradas francesas.
No fim, foi a festa em Paris, sobretudo para os britânicos que, além da vitória de Thomas ainda tiveram o veterano Froome na terceira posição, enquantos os franceses apenas conseguiram um 6º lugar.
Para o ano há mais…

domingo, 29 de julho de 2018

Cais de Agosto e a animação do costume

Termina hoje o Cais de Agosto, o festival que anualmente anima a vila de S. Roque do Pico e, de certa forma, toda a ilha do Pico.
Numa ilha com cerca de 15 mil habitantes e bastante envelhecida, o êxito deste festival mede-se pela presença de inúmeros grupos de jovens das ilhas vizinhas que, juntamente com os turistas que nestes meses de Verão visitam o Pico, fazem certamente duplicar a sua população e baixar a sua média etária.
O ambiente na ilha altera-se com os milhares de jovens que se movimentam por toda a parte, com o comércio da restauração que se anima e com o trânsito rodoviário que aumenta. Acentuam-se as subidas aos 2351 metros de altitude do Pico, a presença nas piscinas naturais e a caminhadas nos trilhos rurais, mas o principal é que todos querem assistir ao festival que apresenta alguns supostos grandes artistas nacionais. 
Porém, o festival também apresenta outros atractivos como o festival das bandas filarmónicas da ilha, a feira gastronómica, as regatas de remo e vela em baleeira, as bancas de comes e bebes e as costumadas barracas que vendem um pouco de tudo.
Para a economia local o Cais de Agosto é uma grande festa popular e um grande acontecimento pelo rendimento que gera em todas as actividades locais, mas é também é uma grande animação para a população residente devido à presença de tanta gente.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

O “milagre” de Carlos Tavares na Opel

A última edição do jornal económico francês La Tribune publica na sua primeira página a fotografia do gestor português Carlos Tavares e destaca em título “la méthode Tavares que a sauvé Opel”.
Nas páginas interiores, o jornal inclui um artigo intitulado “Opel: autópsia de um espectacular salvamento industrial”, no qual salienta que ninguém esperava uma tão rápida recuperação da Opel, uma marca que desde 2000 até ao Verão de 2017, quando foi vendida pela General Motors à PSA, tinha perdido cerca de 15 mil milhões de euros. Em entrevista ao jornal, Carlos Tavares explicou que o plano que aplicou à Opel foi exactamente o mesmo plano que tinha aplicado na PSA, quando em 2014 assumiu a sua presidência, isto é, reduzir custos fixos, reduzir custos variáveis e melhorar os preços de venda para aumentar as receitas. Ora isto é o que está nos mais elementares livros de Economia e não se percebe como não é aplicado em todas as empresas em dificuldades, nomeadamente em Portugal.
Porém, Carlos Tavares esclarece que não tem sido fácil a sua tarefa, pois tem obrigado a aposentações antecipadas, despedimentos por acordo mútuo e duras negociações com os sindicatos. Paralelamente, os novos modelos foram adaptados às necessidades do mercado e as economias de escala entre as diferentes marcas do grupo têm aumentado, enquanto em menos de um ano, a margem operacional passou de -2,5% para 5%.
O “milagre” de Carlos Tavares não passou ao lado do mercado financeiro e na terça-feira, dia 24 de Julho, os títulos da PSA subiram quase 10%.
Que pena não termos muitos Tavares destes em Portugal…

terça-feira, 24 de julho de 2018

Os incêndios florestais enlutam a Grécia

Todos os jornais gregos destacam nas suas edições de hoje a calamidade que está a afectar os arredores de Atenas, onde um incêndio florestal gigantesco ou a conjugação de vários incêndios florestais, já provocaram 74 mortos e 187 feridos.
As descrições do que está a acontecer desde ontem são impressionantes e têm a marca de uma tragédia, apontando-se como causas principais as altas temperaturas, os ventos desencontrados e o deficiente ordenamento florestal da região. Uma vila já terá sido totalmente devorada pelas chamas, que destruiram casas, queimaram viaturas e obrigaram a muitas evacuações de pessoas, sobretudo para as praias do litoral. As autoridades gregas pediram ajuda à União Europeia e Chipre, Espanha, Alemanha, Itália, Polónia, França e Portugal já acederam aos pedidos de ajuda da Grécia.
Tal como ainda está a acontecer na Suécia, onde as temperaturas não baixam e há vários incêndios a lavrar sem controlo, a solidariedade internacional é essencial para ultrapassar estas situações imprevistas que se transformam em tragédias.
Portugal deu uma resposta pronta no auxílio solidário a estes países, até porque conhece bem a dimensão humana destas tragédias. O que aqui se lamenta, uma vez mais, foi o degradante espectáculo que alguns agentes políticos portugueses exibiram em 2017, procurando retirar efeitos políticos da tragédia. Foi uma vergonha. Naturalmente que, nem na Suécia nem na Grécia, haverá gente com comportamentos tão censuráveis como os que recordamos do ano passado em Portugal.

domingo, 22 de julho de 2018

A Suécia também com incêndios florestais

As alterações climáticas continuam a afectar o nosso planeta e os incêndios florestais são uma das consequências mais nefastas dessa realidade. Nos últimos dias foram anunciadas temperaturas de 40 graus na Sibéria e de mais de 30 graus na Suécia, onde está a acontecer uma vaga de incêndios florestais que habitualmente só aconteciam no sul da Europa. A situação era improvável e foi classificada como rara, pelo que o governo sueco não estava preparado para enfrentar os efeitos de uma tão intensa onda de calor e para uma tão acentuada secura do clima.
Por isso, o governo sueco pediu ajuda à União Europeia através do Mecanismo Europeu de Protecção Civil e, de imediato, a França, a Itália, a Alemanha, a Polónia, a Dinamarca e a Lituânia enviaram aviões de combate a incêndios, camiões e vários bombeiros para ajudar a apagar os fogos que há vários dias afectam o país e para os quais não se vislumbra quando possam ser completamente extintos. O governo português também se disponibilizou para ajudar a Suécia a combater os incêndios florestais, tendo disponibilizado dois aviões médios anfíbios e um módulo de combate a incêndios.
O matutino Dagens Nyheter que se publica em Estocolmo também destacou na primeira página da sua edição de ontem uma fotografia improvável, isto é, uma imagem de um dos muitos incêndios florestais que lavram no país.
Esta situação mostra como as alterações climáticas e a sua imprevisibilidade estão a interferir na nossa vida e mostram que o que aconteceu no ano passado em Portugal foi um caso de excepção, mas também que uma boa parte das lágrimas choradas foram "lágrimas de crocodilo", sobretudo por aqueles que atiraram todas as responsabilidades para a Constança e pretenderam tirar dividendos políticos da catástrofe.

A força da natureza no estreito de Sunda

Desde há dois dias que o vulcão Cracatoa, ou Anak Krakatau como se diz em bahasa indonésio, situado numa pequena ilha do estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra, entrou em erupção e o jornal The Jakarta Post publicou uma eloquente fotografia da lava incandescente a escorregar para o mar.
Os vulcões fazem parte da paisagem daquela região indonésia, muito em especial o famoso Cracatoa. Uma catastrófica erupção registada em 1883 tinha feito desaparecer a ilha de Cracatoa, provocando cerca de 40 mil mortos em consequência do tsunami que se seguiu à explosão vulcânica. Em 1927 uma nova ilha emergiu da caldeira formada em 1883, constituindo a actual ilha Anak Krakatau que, segundo os especialistas, tem um vulcão muito activo e que pode ser ainda mais poderoso que o antigo Cracatoa, que figura como um dos símbolos das calamidades vulcanológicas mundiais.
A sua última erupção tinha acontecido em Fevereiro de 2017, mas no passado dia 19 de Julho entrou em erupção lançando pedras a várias centenas de metros de altura, libertando gases e muita lava. Dizem os especialistas que ainda é cedo para saber se esta é apenas uma das regulares erupções do Anak Krakatau ou se é a actividade preliminar de uma crise vulcânica de maior dimensão.
Do que não restam dúvidas é que a erupção proporciona belíssimas fotografias.

sábado, 21 de julho de 2018

No centenário de Nelson Mandela

Se fosse vivo, Nelson Mandela (1918-2013) teria completado 100 anos na passada quarta-feira. O mundo não o esqueceu e, um pouco por toda a parte, foram-lhe rendidas justas homenagens e foi enaltecido o seu contributo para a pacificação étnica e política na África do Sul e para a paz no mundo. O seu contributo para a defesa dos direitos humanos e de uma forma geral para a paz entre os homens é comparado aos contributos de outras figuras como o Mahatma Ghandi, Martin Luther King ou João Paulo II.
A sua vida orientou-se sempre pela defesa da igualdade racial. Foi condenado a prisão perpétua em 1964 mas veio a ser libertado em 1990 devido à pressão internacional. Nelson Mandela passou 27 anos na prisão, nomeadamente na prisão de alta segurança de Robben Island onde tinha o número 46664, tendo-se tornado o mais famoso prisioneiro do mundo e, após a sua libertação, tornou-se no político mais aplaudido e mais galardoado do mundo, responsável pelo fim do apartheid e pela refundação da África do Sul como uma sociedade democrática e multiétnica. Em 1993 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz e, entre 1994 e 1999, foi presidente da República da África do Sul.
Em Portugal também houve quem evocasse o legado de Nelson Mandela e o Jornal de Letras dedicou-lhe a primeira página da sua última edição. Aqui também fica expressa a nossa admiração por esse homem e pela forma como conseguiu evitar uma guerra de grandes proporções no sul da África.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Trumputin: será mesmo o que parece?

O recente encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin que se realizou na Finlândia está a gerar uma grande controvérsia nos Estados Unidos.
Depois das declarações inamistosas e das acusações que o Donald fez nas suas visitas a Bruxelas e Londres, em que não poupou nem Merkel nem May e classificou a União Europeia como um inimigo, o presidente dos Estados Unidos alargou-se em elogios ao presidente da Rússia, prometendo o reforço da cooperação bilateral, embora a questão da interferência russa nas eleições americanas não tivesse ficado  bem esclarecida. 
Os estrategas europeus ficaram muito baralhados com o que o Donald disse, mas os americanos não gostaram nada do seu comportamento quase subserviente perante o rival russo. Nos Estados Unidos crescem as vozes dos que querem saber o que se passou no encontro a sós entre os dois presidentes, enquanto o Donald vai dando o dito por não dito e se atira à imprensa e às suas fake news.
Na edição que hoje foi posta a circular, a revista TIME escolheu para tema de capa esse encontro entre Trump e Putin ou entre Vladimir e Donald, com uma curiosa composição fotográfica que vai deixar os americanos muito impressionados, mesmo os mais conservadores e os que elegeram o Donald. A imagem que passa é que o Donald e Vladimir serão apenas dois corpos e duas identidades, mas que representam uma mesma ideia de poder. É o Trumputin ou são dois homens muito ricos e o dinheiro estimula convergências.
Agora, depois de tantos anos em que a América construiu e vendeu a ideia do perigo russo, quem é que vai convencer os americanos de que afinal o amigo está na Rússia e que o inimigo está na Europa? Ou será que o Donald se tem esquecido que é o Presidente dos Estados Unidos e que parece actuar como Presidente da Trump Organization, confundindo a Casa Branca com a Trump Tower em Midtown Manhattan?

terça-feira, 17 de julho de 2018

Nova Zelândia procura novos símbolos

A Nova Zelândia é um país insular do Pacífico Sul formado por duas massas de terra principais, conhecidas por Ilha do Norte e Ilha do Sul, separadas pelo estreito de Cook. Os primeiros europeus que visitaram estas ilhas em 1642 foram os marinheiros do explorador holandês Abel Tasman, mas os europeus não voltaram àquelas ilhas até 1769, quando o navegador britânico James Cook visitou as ilhas e fez as suas primeiras representações cartográficas. Depois de ter sido um domínio britânico, a Nova Zelândia tornou-se independente em 1907, embora mantenha um regime de monarquia constitucional parlamentar em que a rainha de Inglaterra é o Chefe de Estado, mas em que o poder político reside no parlamento e no primeiro-ministro.
O país tem cerca de 268 mil km2 de superfície, cerca de 5 milhões de habitantes e tem a sua capital na cidade de Wellington, mas a sua capital económica e financeira é a cidade de Auckland, fundada em 1840 e onde hoje se concentra cerca de 30% da população neo-zelandesa. Ambas as cidades se encontram na Ilha do Norte.
A construção mais simbólica de Auckland é a Sky Tower, que com 328 metros é o edifício mais alto do hemisfério sul, apenas 8 centímetros menos do que a Torre Eiffel. Porém, segundo o The New Zeland Herald, o Auckland Council decidiu fazer uma mega-construção que possa rivalizar com a Estátua da Liberdade de Nova Iorque e com o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, tendo aberto um concurso de ideias para uma estátua de Papatūānuku, a Mãe da Terra na tradição māori, que será colocada no Bastion Point e passará a ser um símbolo da cidade à entrada do porto de Auckland. Supostamente, a nova estátua procurará reforçar a unidade nacional de um país com uma população dominada por cerca de 65% de europeus e apenas 10% da população mãori originária das ilhas.

O Donald e o Vladimir são bons amigos

A Cimeira de Helsinquia entre Donald Trump e Vladimir Putin que ontem se realizou, deu origem a uma invulgar troca de elogios e de promessas de cooperação para resolver alguns problemas mundiais, que só pode constituir motivo de satisfação para todos os que desejam a paz no mundo.
O jornal espanhol ABC publica hoje uma fotografia dos dois líderes e escolheu para título da sua primeira página a frase “tan amigos”. De facto, tudo parece ter corrido bem neste encontro que gerou muito optimismo e até fez subir as bolsas mundiais. Putin negou qualquer interferência russa nas eleições presidenciais americanas de 2016 e Trump disse que a relação entre os dois países “nunca esteve pior”, referindo que a atitude americana face à Rússia tem sido de “loucura e estupidez norte-americana, a maldita caça às bruxas”.
Dois dias antes, o Donald tinha intensificado o seu ataque à União Europeia que classificou como inimiga e essa declaração encheu os jornais de todo o mundo. Estamos, portanto, perante um Donald que num dia pede mais dinheiro para investir na NATO e na defesa da Europa, que no outro declara a União Europeia como um inimigo e que, no outro, elogia o líder russo e promete reforçar as relações bilaterais. É uma verdadeira confusão o que o Donald diz.
No passado dia 12 de Julho, a propósito da Cimeira da NATO em Bruxelas, escrevemos aquí que era necessário definir quem é o inimigo da NATO e este encontro entre Trump e Putin, mostra exactamente isso. Porém, os inúmeros comentadores que enchem as televisões continuam sem perceber que o quadro estratégico da Guerra Fria já está ultrapassado e continuam a falar como verdadeiros papagaios de uma realidade que já não existe.