terça-feira, 10 de abril de 2012

O nosso frequent flyer

O governo tem em mãos um enorme e exigente desafio nos planos técnico, político e social. Esse desafio implica unidade e coesão nas respostas, mas também a criação de uma imagem de competência e de equidade, que seja compreendida e assumida pela população. Porém, os sinais transmitidos para o exterior alimentam a dúvida e a inquietação, porque geram desconfiança, desmotivação e desânimo. Acumulam-se sinais negativos observáveis nos indicadores económico-sociais, mas também no excesso de viagens feitas pelos dos nossos governantes.
O jornal i investigou essas viagens e publicou os resultados da sua pesquisa na edição de 16 de Março. São surpreendentes. Não se compreende como nos 231 dias decorridos de Junho a Dezembro de 2011, os membros do governo tenham efectuado 246 viagens e tivessem gasto um milhão de euros em deslocações ao estrangeiro.
O MNE é o campeão das viagens. Antes andava de feira em feira. Agora é mais sofisticado e anda de aeroporto em aeroporto. De sala VIP em sala VIP. É o nosso frequent flyer que acumula pontos sem se saber para quê. Nem Mrs. Clinton viaja tanto. É um caso enigmático. Sendo o mais experiente e talvez o mais talentoso membro do governo, nunca cá está para dar a cara e co-responsabilizar-se pela acção governativa. Em 231 dias gastou 291.400 euros em 58 viagens! E tem continuado. Não sei se é no interesse do governo ou do país, mas certamente que é no seu interesse pessoal. Não sei que objectivo ou que lugar persegue, mas seguramente que procura qualquer coisa. Vai a todas. Não pára. Nós pagamos. Por este caminho vai entrar no livro do Guiness World Records.

domingo, 8 de abril de 2012

España: todo lo que nos une

A Espanha vive um momento de extraordinária dificuldade e a edição de hoje do diário madrileno ABC propõe uma reflexão acerca “desta grande aventura que é a Espanha”, em que a realidade já supera o cenário de crise que a comunicação social transmite e que é percepcionado pelos espanhóis. A situação económica e financeira espanhola é gravíssima, tal como o desemprego. O clima de recessão alastra à economia e à sociedade. A esta situação somam-se os nacionalismos periféricos do País Basco e da Catalunha ou a preocupante situação da Andaluzia, a capital europeia do desemprego. As hipóteses de intervenção financeira externa, da saída do euro ou do incumprimento dos compromissos com os credores são reais. Neste quadro de desânimo colectivo, muitos analistas são reconduzidos à memória da crise de 1898, a grande depressão nacional em que a Espanha mergulhou depois de ter perdido a guerra com os Estados Unidos e ter perdido Cuba, Porto Rico e as Filipinas.
Dizem que a História se repete ciclicamente na Espanha e que na actual situação é necessário um alargado compromisso político e social para uma regeneração profunda da sociedade espanhola. É exactamente o que Portugal também precisa.
No contexto difícil que a Espanha atravessa, o diário ABC faz um veemente apelo à unidade na diversidade espanhola que é um factor de riqueza, de estabilidade e de equilíbrio.
A geografia une Portugal e a Espanha e, por isso, todos os problemas dos espanhóis também são os nossos problemas.

sábado, 7 de abril de 2012

É na terra, não é na lua

A ilha do Corvo é na Terra, não é na Lua. Esta frase proferida por Óscar Nunes, o antigo Cabo do Mar da ilha, numa entrevista dada em 1970 a um jornal, deu o título a um filme-documentário sobre a mais pequena ilha do arquipélago dos Açores.
A ilha é um enorme rochedo com cerca de 6 quilómetros de comprimento por 4 quilómetros de largura em pleno oceano Atlântico, com uma cratera de vulcão e uma única povoação com cerca de 450 pessoas. Até há cerca de trinta anos esteve frequentemente isolada e esquecida, mas com a construção da pista de aviação e, mais tarde, com a sua classificação como região ultra-periférica da União Europeia, a vida dos corvinos alterou-se substancialmente. Até começou a receber alguns turistas-aventureiros, como sucedeu em 2007 quando um operador de câmara e um técnico de som visitaram a ilha e se entusiasmaram com o que viram. Depois, durante quatro anos eles fizeram quatro viagens à ilha. Acompanharam a vida quotidiana dos corvinos. Recolheram imagens e sons dos mais diversos aspectos da ilha – a geografia, a fauna, a flora, a vila, a arquitectura e registaram muitos aspectos da sua paisagem social, das suas diversas actividades e falaram com as pessoas, com destaque para o emblemático corvino que é, desde há muitos anos, o meu amigo Óscar José Nunes.
Fizeram um filme que já foi premiado por júris qualificados.
Porém, o filme dura três longas e desnecessárias horas, com diversas sequências que nada acrescentam à narrativa, enquanto outros aspectos interessantes da vida da ilha são ignorados. Apesar disso, o filme é imperdível pela beleza das imagens e, para quem alguma vez visitou o Corvo, é um documento que permite revisitar a ilha e rever muitos dos seus encantos.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O saque e a festança continuam na RTP

O escândalo remuneratório que desde há muito tempo beneficia as chamadas estrelas da RTP e os seus gestores, prossegue. Ninguém, nem na Administração nem na tutela, parece interessado em acabar com aquele desproporcionado saque, numa altura em que se pedem sacrifícios a todos os portugueses.
O principal responsável por este assalto aos dinheiros públicos é o Presidente da RTP, que está lá desde 2008 e não quis ou não foi capaz de moralizar aquela casa, apesar da Comissão de Trabalhadores da RTP ter defendido que o salário do Presidente da República deve servir de tecto máximo para os salários da empresa.
De vez em quando o Correio da Manhã recorda-nos a afronta salarial que é a RTP.
A RTP tem 2250 funcionários, dos quais 31 têm um salário igual ou superior ao que está fixado para o Presidente da República (6523 euros mensais que não recebe por ter optado pelos dez mil euros das reformas do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações). O salário mais alto na RTP é superior a 30 mil euros e há oito funcionários que ganham mais do dobro do Presidente da República.
Este ano, a RTP vai receber do Governo uma transferência recorde: 591 milhões de euros. É um milhão e 619 mil euros por dia! É o nosso dinheiro que vai directamente para os salários daquela gente, para os seus carros de serviço, para as suas viagens, para as suas dívidas. É mesmo uma pouca vergonha. Porque é que os valentões do governo são fortes com os fracos e nada fazem na RTP?

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Um ano depois da troika

A edição de hoje do Diário Económico informa que “um ano depois de Portugal ter feito o pedido de ajuda financeira à troika, a economia portuguesa está bem pior. Todos os principais indicadores da economia nacional registaram agravamentos, com excepção das exportações – e mesmo estas estão em abrandamento”.
O jornal ilustra a sua primeira página com as fotografias do actual e do anterior Primeiro-Ministro e, dessa forma, induz os seus leitores a fazer comparações. E não podemos deixar de ficar seriamente preocupados.
Em Março de 2011 a dívida directa do Estado era de 152,48 mil milhões de euros, mas em Fevereiro de 2012 era de 180,71 – aumentou 18%! A taxa de desemprego passou de 12,7% para 14,5% - temos mais cem mil desempregados. Os juros da dívida subiram de 8,5 % para 12,0 %. O PIB contraiu-se 2,8 % nos últimos três meses de 2011. O consumo privado caiu 6,5% nos últimos três trimestres do ano passado. Em Março as vendas de automóveis caíram 49,2 % em relação ao mesmo mês do ano anterior. O principal índice da bolsa portuguesa (PSI20), que há um ano estava nos 7.816,7 pontos, está agora nos 5.544.9 pontos, perdendo 41% em menos de um ano. O crédito malparado atinge um recorde de mais de dois mil milhões de euros. As famílias devolvem 20 casas por dia aos bancos. Os jovens emigram. O pequeno comércio fecha as portas. A saúde e os transportes encareceram brutalmente. Os impostos aumentaram. Os subsídios de Natal e férias de 2012 e 2013 foram cortados para quase todos e, depois, estão em risco de extinção. Um ano depois da troika, o país está sem ânimo, sem confiança e sem fé.

Submarinos estimulam o orgulho indiano

A imprensa indiana dá hoje grande destaque à chegada à base naval de Visakhapatnam do INS Chakra, o primeiro submarino atómico de ataque indiano, referindo com indisfarçável orgulho que a República da Índia se juntou ao restrito grupo de seis países de elite que possuem submarinos nucleares. Em primeira página, a edição de hoje do jornal The Hindu titula: “For a strong Navy”.
A Marinha indiana apenas começou a operar submarinos convencionais em 1967 e, entre 1988 e 1991, operou um submarino nuclear russo por aluguer “para ver como era”. Experimentou, gostou e encomendou.
O novo submarino foi construído nos estaleiros russos de Vostok, desloca 12 mil toneladas e aloja uma tripulação de 80 homens. A sua chegada a Visakhapatnam foi um acontecimento nacional a que assistiu o Ministro da Defesa da República da Índia.
Mr. A. K. Antony destacou a cooperação naval russo-indiana e disse que até ao fim do ano serão recebidos o porta-aviões INS Vikramaditya e quinze novas lanchas de ataque rápido, anunciando ainda que, nos próximos 5 anos, a Marinha indiana receberá 5 navios por ano. O ministro terminou o seu discurso de boas vindas, afirmando:
“The nation is really proud of this latest addition to the Indian Navy. All of us look forward to operate this powerful platform. I am confident that whenever called upon, INS Chakra, would bring credit and glory to our country and the Indian Navy”.
Portugal tem uma tradição submarina desde 1913 e possui dois submarinos convencionais adquiridos recentemente. Ignorando que o BPN nos custou 8 submarinos, os nossos governantes têm escarnecido a sua aquisição e ignoram a sua utilidade. Os submarinos estimulam o orgulho indiano, mas aqui parece que envergonham e até temos um cadilhe que os quer vender. Uma tristeza nacional!

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Ocean Revival no Algarve

O Projecto Ocean Revival que vai ser desenvolvido na costa algarvia em frente de Portimão, em zona de águas limpas e pouco profundas, já está em andamento.
O projecto visa a criação de um núcleo de recifes artificiais a partir de navios afundados para o efeito, que se constituirão como um espaço museológico subaquático, vocacionado para o turismo de mergulho. O projecto está a ser coordenado pela MUSUBMAR - Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Turismo Subaquático, uma organização não lucrativa criada para transformar esta ideia em realidade, tendo o apoio da Marinha Portuguesa, da Câmara Municipal de Portimão, do Instituto do Turismo de Portugal, do PADI – Professional Association of Diving Instructors e de outras entidades.
A Marinha disponibilizou quatro dos seus navios já abatidos ao efectivo há alguns anos para, em vez de serem desmantelados numa qualquer sucata, continuarem a prestar outros serviços ao país, agora como atracções subaquáticas: fragata Hermenegildo Capelo (F 481), corveta Oliveira e Carmo (F 489), navio-patrulha Zambeze (P 1147) e navio-hidrográfico Almeida Carvalho (A 527).
Dois desses navios já se encontram em Portimão onde irão ser submetidos aos necessários trabalhos de descontaminação, antes do seu afundamento. Estima-se que o projecto importe em três milhões de euros, mas no seu financiamento não estão previstos quaisquer fundos públicos.
O Ocean Revival será um parque inovador e será uma atracção turística para os visitantes e, em especial, para os mergulhadores do mundo inteiro.

Malvinas/Falklands

Há trinta anos, entre os dias 2 de Abril e 14 de Junho de 1982, a Argentina e o Reino Unido envolveram-se numa imprevista, improvável e dura guerra de 74 dias pela disputa da soberania de umas ilhas do Atlântico Sul, respectivamente as Malvinas (a que os ingleses chamam Falklands), a Geórgia do Sul e a Sandwich do Sul.
Estas ilhas foram ocupadas militarmente pelo Reino Unido em 1833, poucos anos depois da independência argentina, mas sempre foram reclamadas pela Argentina como parte integrante do seu território e consideradas ilegalmente ocupadas por uma potência invasora. Assim aconteceu durante muitos anos.
Há trinta anos atrás, numa precipitada atitude nacionalista, a Junta Militar que governava a Argentina decidiu invadir as Malvinas, mas o governo de Margaret Thatcher reagiu e promoveu uma operação militar que derrotou as tropas argentinas e recuperou as ilhas. Ontem, essa guerra foi evocada nos dois países que homenagearam os seus mortos – 655 argentinos, 255 ingleses e 3 habitantes locais. Porém, essa evocação serviu também para ressuscitar as reivindicações e estimular o orgulho nacional dos argentinos que há trinta anos foram humilhados pelos britânicos.
Todos os jornais argentinos destacam o assunto e a presidente Cristina Kirchner assumiu pela primeira vez a reivindicação argentina e a defesa de soluções pacíficas para o conflito, solicitando a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas sob a égide das Nações Unidas.
Embora o actual governo britânico afirme que não há nada para se discutir, se não houver o prévio consentimento dos três mil kelpers ou moradores das ilhas, o facto é que o problema das Malvinas está de novo na agenda internacional.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A Semana Gastronómica do Borrego

Nesta semana da Páscoa em que as escolas estão fechadas e a meteorologia nos estimula a sair da cidade, um passeio pelo Alentejo é uma escolha muito recomendável para quem o possa fazer. Para além do seu riquíssimo património histórico e monumental, o Alentejo exibe agora as suas verdes paisagens muito floridas e, como sempre, a sua apreciada gastronomia de sabores.
É neste atraente quadro que decorre a Semana Gastronómica do Borrego, uma iniciativa promovida pelo Turismo do Alentejo.
Assim, entre os dias 2 e 9 de Abril, em mais de cem restaurantes espalhados por todo o território alentejano, o borrego vai ser o rei dos mais tradicionais ensopados e caldeiradas, mas também dos folhados e das empadas mais sofisticadas, para além dos apreciados assados e do sarapatel.
Esta é a melhor época do ano para percorrer o Alentejo, utilizando as estradas secundárias e visitando as pequenas vilas e aldeias, pelo que as ofertas gastronómicas adicionais que a Semana Gastronómica do Borrego nos oferece, tornam ainda mais recomendável esta oportunidade para visitar o Alentejo. Com a situação difícil que o país atravessa, fazer férias cá dentro ainda tem mais sentido.

domingo, 1 de abril de 2012

Sinais preocupantes

Todos sabemos como é difícil e complexa a equação económico-financeira com que nos defrontamos, pelo que os nossos governantes não se podem distrair. Infelizmente há muitos que ainda andam deslumbrados com o poder e com o pin na lapela, mas também demasiado ocupados com os seus interesses pessoais, as suas viagens, os seus amigos e as suas mordomias.
Há cerca de um ano, essa gente afirmou que o nosso problema não tinha relação com a crise internacional e que resultava dos erros do anterior governo e da teimosia do seu chefe, das gorduras do Estado e do excesso de institutos públicos. Ganharam eleições. Ocuparam a EDP e a CGD. Empregaram boys e mini-boys. Porém, hoje vê-se que aquele era um discurso de propaganda e, antes que seja desmascarado pelas evidências, foi montada uma cortina de fumo de protecção e foi retomado o ataque ao anterior governo, o que vem fragilizar a base social de apoio que tem apoiado o actual governo e complicar ainda mais o nosso futuro.
Entretanto, a falta de dinheiro está a levar muitas famílias a não pagar os empréstimos que contraíu e a devolver milhares de imóveis aos bancos. Só no ano passado foram devolvidas quase sete mil casas e o mercado imobiliário está inundado. Agora, chega a notícia de que em Janeiro, mais de 100 mil trabalhadores tinham o seu salário penhorado, dos quais cerca de metade são funcionários públicos, havendo mais de nove mil pessoas que já declararam insolvência. A situação já é dramática para muitas famílias que serão devoradas pela banca, pelo fisco, pela fome, pela pobreza. Os nossos governantes não se podem distrair com estes preocupantes sinais que podem prenunciar o caminho da desagregação social.

sábado, 31 de março de 2012

Um caminho doloroso

Embora tivéssemos vivido em abundância, tivéssemos perdido a cabeça e tivéssemos chegado a uma grave situação financeira por culpa própria, mas também dos políticos e banqueiros que nos empurraram para o limiar do consumo, as soluções que nos foram impostas há cerca de 12 meses pela troika estão a revelar-se cada dia mais chocantes.
O garrote financeiro que nos foi imposto está a atrofiar a economia e a sociedade, a gerar desemprego e pobreza, a criar instabilidade e insegurança. Estamos reféns da troika e dos mercados. Os nossos principais partidos estão manietados pelos compromissos que assumiram. Na sua ânsia de cumprir escrupulosamente a agenda liberalizante que nos foi imposta, o Estado deixou de pensar nos cidadãos e olha para as pessoas como meros contribuintes e, sempre, sob suspeita. A desorientação começa a bater à porta das famílias, que não vêem rumo para o país, nem futuro para os jovens. Bem nos podem dizer que “estamos a chegar a meio da ponte”, que o défice se está a reduzir, que a dívida está controlada e que não há outro caminho, mas talvez não seja assim. Há cada vez mais vozes a dizer que as coisas não estão a correr bem.
Assim há que encontrar outro caminho e há que encontrar imaginação para ultrapassar a nossa crise, que está entregue a contabilistas e a muitos yes men, convencidos e acomodados em lugares bem remunerados.
Porém, neste quadro de desorientação, é particularmente doloroso ver alguns dos símbolos da nossa economia a serem vendidos um pouco ao desbarato, como sucede com a EDP e a Petrogal Brasil a serem tomadas pelos chineses, o BPN a ser comprado em saldo pelos angolanos e, agora, a Cimpor a ser atacada pelos brasileiros.
É realmente um caminho doloroso!

A sabedoria de Kofi Annan

O problema sírio abandonou a primeira páginas dos jornais ocidentais e a notícia do Gulf News é uma excepção: Bashar Al-Assad e o seu governo aceitaram esta semana o plano de seis pontos de Kofi Annan, o antigo secretário-geral da ONU e actual emissário da ONU e da Liga Árabe, para pôr fim à violência no país. Esse plano procura que, sob a supervisão da ONU, cessem os confrontos entre as forças governamentais e os seus opositores, sejam libertados os oposicionistas detidos nos protestos contra o governo e seja autorizada a entrada no país de ajuda humanitária.
A chamada Primavera Árabe teve início na Tunísia e chegou à Síria, onde há um ano a oposição ao regime de Bashar Al-Assad saiu à rua para protestar. Aos protestos sucederam-se os confrontos e depois os combates entre as forças governamentais e as forças da oposição. A cidade de Homs tornou-se o símbolo da revolta. A situação humanitária tornou-se crítica. Terão morrido mais de dez mil pessoas e há denúncias de atrocidades praticadas por ambas as partes. Até agora, o governo sírio tinha tido o apoio da Rússia e da China para recusar qualquer plano de paz, pelo que esta decisão pode ser uma etapa importante para acabar com a violência no país.
Contrariamente ao que se passou no Iraque e na Líbia onde se verificaram intervenções militares externas de alguns falcões e dos seus amigos, agora procura-se uma solução mais equilibrada. Será porque a Síria tem pouco petróleo? Será porque a Síria tem os apoios internacionais que tem? Assim, muito acertadamente, são a ONU e a Liga Árabe que, com a ajuda da sabedoria de Kofi Annan, estão a dar passos para encontrar a paz.
Na realidade, a solução Annan parece ser bem melhor que as receitas de George W. Bush e de Nicolas Sarkozy.

quinta-feira, 29 de março de 2012

As Segundas de Aguiar

Todas as segundas-feiras, sem falta, depois de almoçar no Books, o ministro da Defesa entra no nº 110 da rua Falcão, no Porto, no escritório da sociedade de advogados José Pedro Aguiar-Branco & Associados. Demora-se algumas horas e, ao fim da tarde, um Mercedes com motorista vai buscá-lo de regresso a Lisboa.
Isto escreveu Miguel Ganhão, Subchefe de Redacção do jornal Correio da Manhã na edição de 28 de Janeiro de 2012, com o título “Segundas de Aguiar”.
A ética democrática e republicana foi ignorada. Que promiscuidade. Que tristeza. Vale tudo.
Porém, um mês depois, Aguiar quebrou esta rotina, pois na segunda-feira dia 27 de Fevereiro, não compareceu na JPAB – Sociedade de Advogados para tratar da sua vida. Nesse dia, Aguiar esteve em Washington em conversações com o seu homólogo Leon Panneta, para tratar da “parceria estratégica entre Portugal e os Estados Unidos no âmbito da defesa”, segundo também informou o "Correio da Manhã".
Para o empresário foi um prejuízo pessoal, mas para o ministro foi um dia de glória!
Se a moda pega, qualquer dia teremos a Ministra Cristas a passar o dia na Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, a Ministra da Cruz na F. Castelo Branco & Associados e o Ministro Macedo na Miguel Macedo e Albertina Gonçalves, Sociedade de Advogados, RL, todos eles com os respectivos motoristas à espera.
São estes os exemplos que nos dá esta geração de políticos!

terça-feira, 27 de março de 2012

As colecções do CAMB

O Centro de Arte Manuel de Brito (CAMB) que está instalado no Palácio Anjos, em Algés, tem actualmente duas exposições patentes ao público, que apresentam parte da sua colecção de mais de duas mil obras.
A exposição temporária mostra até ao dia 3 de Junho a exposição “Artistas brasileiros na Colecção Manuel de Brito”, na qual o CAMB mostra os artistas brasileiros da sua colecção. Essa circunstância está naturalmente relacionada com o facto do galerista Manuel de Brito (1928-2005) ter nascido no Rio de Janeiro e sempre ter mantido fortes ligações a artistas e instituições brasileiras. Entre outras, a colecção integra obras de Thomaz Ianelli, Sérgio de Camargo, Arthur Luiz Piza, Alex Flemming, Leda Catunda e Márcia Xavier.
Porém, o que mais atrai no Palácio Anjos é a sua exposição permanente pois apresenta um conjunto pouco comum dos mais cotados artistas portugueses e testemunha a importância da colecção do CAMB no contexto das colecções de arte portuguesa contemporânea. Assim, lá estão representados Amadeo de Souza-Cardoso, Vieira da Silva, Carlos Botelho, Júlio Resende, Eduardo Viana, Menez, Paula Rego, José de Guimarães, Júlio Pomar, Marcelino Vespeira, Mário Eloy, Nikias Skapinakis, Eduardo Luiz, António Dacosta, Luís Noronha da Costa, António Costa Pinheiro e alguns outros.
Só para apreciar esta diversidade da pintura portuguesa contemporânea vale a pena visitar o CAMB.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Economia Portuguesa e Lusofonia

No recente Congresso Mundial de Empresários das Comunidades e Lusofonia, organizado pelo jornal Mundo Português a propósito do seu 42º aniversário, a Espírito Santo Research apresentou um estudo intitulado “Economia Portuguesa e Lusofonia”, de que o jornal divulgou um resumo.
De acordo com os dados de 2010, a expressão económica mundial da Língua Portuguesa (países em que o português é a língua oficial e comunidades portuguesas residentes noutros países) traduz-se num PIB de 1.979 mil milhões de euros (4,6 % do PIB mundial) e 442 mil milhões de euros movimentados no comércio internacional (2 % do comércio mundial), que são gerados por cerca de 254 milhões de pessoas (3,6 % da população mundial).
Estes números mostram que, embora cerca de 80 % das exportações portuguesas se destinem aos países da União Europeia e apenas cerca de 8% se destinem ao espaço económico da Lusofonia, o potencial de exportação para este grupo de países tem um significado interessante.
Numa altura em que o crescimento do Produto Nacional terá que assentar sobretudo nas exportações, o estudo revela que, entre 2006 e 2011, as nossas exportações cresceram a uma taxa de 3,5 % para o mundo e de 14,8 % para o mundo lusófono, verificando-se um significativo crescimento médio das nossas exportações para Angola (14,1 %), Brasil (18,1 %), Cabo Verde (6,1 %), Moçambique (24,2 %), Guiné-Bissau (18,9 %), S. Tomé e Príncipe (10,6 %), Macau (2,3 %) e Timor-Leste (14,9 %).
Afinal a ideia de aumentar as exportações para o espaço lusófono não foi inventada agora e já vem sendo concretizada desde há vários anos.

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