sábado, 15 de junho de 2013

As reconfortantes declarações do rei Pelé

A propósito da Taça das Confederações que é organizada pela FIFA e se vai disputar no Brasil, o rei Pelé foi entrevistado pelo diário desportivo espanhol as que, na sua edição de hoje, destacou algumas das suas afirmações e, em especial, aquela em que o entrevistado diz que “Cristiano se mereció ganar el Balón de Oro”.
A Bola de Ouro surgiu em 1956 por iniciativa da revista francesa France Football e, de entre os seus vencedores destacam-se os futebolistas portugueses Eusébio (1965), Luís Figo (2000) e Cristiano Ronaldo (2008). Em 2010 o prémio do jornal francês foi fundido com o prémio Jogador do Ano da FIFA e passou a ser designado por Bola de Ouro da FIFA, distinguindo o futebolista com melhor desempenho mundial no ano anterior. Desde 2009 e, portanto, nas suas últimas quatro edições, o prémio do melhor futebolista do mundo foi atribuido ao argentino Lionel Messi, enquanto Cristiano Ronaldo já acumulou quatro segundos lugares (2007, 2009, 2011 e 2012).
Para os simpatizantes portugueses do futebol, estes consecutivos segundos lugares de Cristiano Ronaldo têm sido muito frustantes e, quiça, injustos. Por isso, a declaração daquele que a FIFA considerou “o melhor futebolista do século” é bastante reconfortante para quem aprecia o talento de Ronaldo e não ignora que há um lobby que tem promovido o igualmente talentoso Lionel Messi.

 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A lusitana paixão pela austeridade

Segundo os últimos indicadores do Eurostat o desemprego em Espanha é de 26,7% e em Portugal é de 17,5% e este indicador é, seguramente, um dos mais decisivos no que respeita à situação económica e social dos países ibéricos. Cada um deles, à sua maneira, reage a esse grave problema económico e social, porque ele representa um factor de empobrecimento nacional, significa a recessão e a quebra da produção nacional e, sobretudo, provoca a corrosão do tecido e da coesão social.
Porém, a Espanha não aceitou a tutela da troika e hoje, uma vez mais, reage às políticas de austeridade impostas pelos credores e pelos seus patronos, como destaca o El País ao anunciar que “Rajoy y Rubalcaba unen su voz para pedir a Europa menos austeridad”.
Aqui em Portugal é diferente e, com indiferença, incompetência e seguidismo cego, prossegue a atitude de submissão com que os nossos dirigentes obedecem à troika e nos humilham.
O Diário de Notícias destaca hoje que o nosso primeiro prometeu ao FMI que vai cortar o dobro da despesa já em 2013, o que significa o agravamento da austeridade e a obediência a uma instituição que, ainda recentemente, assumiu erros nas políticas que impôs à Grécia. Será que não há imaginação para fazer diferente? E como se articula o discurso anti-FMI do homem do leme com esta submissão do nosso primeiro? E como é que, com estes cortes na despesa e a consequente quebra de rendimento das famílias, se estimula a procura interna e se cria emprego? Ao fim de dois anos de governo, a paixão pela austeridade prossegue e as suas trágicas consequências estão à vista.

 

 

 

O novo A350 apesar da crise europeia

Hoje, nos céus de Toulouse vai realizar-se o primeiro voo do A350 e esse facto representa um sucesso tecnológico para o consórcio Airbus que, sendo essencialmente francês, alemão, inglês e espanhol, pode em certa medida ser considerado um projecto europeu. A edição de hoje do jornal La Dépêche du Midi, que se publica em Toulouse, destaca esse acontecimento com justificado regozijo.
O Airbus A350 XWB (eXtra Wide Body) é um avião comercial de longo alcance e é o mais recente símbolo da competição entre a Europa e a América pelo domínio do mercado mundial da aviação, protagonizada pela Airbus e pela Boeing. Depois do enorme sucesso que foi o A330, a Boeing respondeu com o projecto B787 Dreamliner, mas o novo A350, que hoje voará pela primeira vez, parece ser a resposta do consórcio europeu para competir com o B787 e o B777, apresentando-se como um avião mais eficiente em termos de consumo de combustível e de mais baixo custo operacional.
As companhias aéreas acolheram com grande entusiasmo o novo avião e, nesta data, já estão consolidadas 548 encomendas, sendo essa lista encabeçada pela Emirates (100), Qatar Airways (80) e Cathay Pacific (36). Nessa lista de encomendas também se encontram a TAM – Linhas Aéreas de Moçambique (27) e a TAP Portugal (12). Espera-se que o novo avião entre ao serviço durante o primeiro semestre de 2014.

 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A reabilitação urbana é uma urgência



Nas nossas cidades está a verificar-se uma rápida degradação do património devido a um natural processo de envelhecimento, à sobrecarga de usos ou à inadaptação a novos modos de vida, num processo que se tem agravado com a grave crise financeira com que nos confrontamos desde há quatro ou cinco anos. Esta situação afecta a harmonia arquitectónica da cidade e perturba a vida económica e social dos cidadãos, sendo também um desperdício de activos que poderiam estar a gerar rendimento à comunidade. Por isso, a reabilitação é uma necessidade evidente.
A reabilitação urbana é uma actividade muito importante devido ao seu enorme efeito multiplicador na economia e no emprego, mas também ajuda a combater o pessimismo, a desconfiança e a incerteza da comunidade, que aumentam com o convívio quotidiano com a degradação das estruturas urbanas, dos edifícios e do espaço público. Ao atrair actividades e recursos, a reabilitação urbana tem efeitos mobilizadores não só para as indústrias da construção e dos materiais de construção, mas também para o mercado do arrendamento, para o turismo e, de uma forma geral, para o investimento. Assim, nas actuais circunstâncias e como contributo para a saída da crise que atravessamos, a reabilitação urbana terá que ser uma prioridade para o governo, para os municípios, para as empresas e para os cidadãos.
A imagem do que se passa por exemplo em Lisboa, na avenida Fontes Pereira de Melo, em que alguns edifícios em elevado grau de degradação estão ao lado do famoso Hotel Sheraton, ilustra esta realidade e pode adjectivar-se como uma situação esteticamente chocante. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Festival dos Mastros de São Teotónio

A tradição alentejana de ornamentar o espaço público com flores de papel é um acontecimento notável da arte popular portuguesa e um acto de culto pelas tradições culturais, que está habitualmente associado às vilas de Campo Maior e do Redondo, mas que também tem raízes noutras localidades. Uma delas é a vila de São Teotónio, no concelho de Odemira, localizada bem próximo da Zambujeira do Mar, onde de dois em dois anos se realiza o Festival dos Mastros.
 Desde o passado dia 8 e até ao fim do mês de Junho decorre a 16ª edição do Festival dos Mastros, durante o qual as ruas e os mastros da vila estarão enfeitados com milhares de flores de papel preparadas pela população ao longo de muitos meses.
As ruas floridas são sempre um acontecimento de grande beleza estética, mas também mostram a enorme capacidade popular de cooperar, de perseguir objectivos e de concretizar ideias. As pessoas fazem e não ficam à espera que lhes venham fazer. Por isso, ver ou rever as ruas floridas do Alentejo é sempre uma agradável itinerância e, neste caso, uma boa oportunidade para visitar São Teotónio o que, naturalmente, é muito recomendável.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Os efeitos da crise no comércio local



O Jornal de Notícias destaca hoje em primeira página que todos os dias fecham 6 lojas na cidade do Porto e essa notícia é realmente alarmante, sobretudo porque se refere a uma situação com que nos deparamos quotidianamente nas cidades e nas vilas, nas ruas, nos centros comerciais e um pouco por toda a parte. Em subtítulo o jornal acrescenta que “os comerciantes não aguentam o aumento de impostos, a subida do preço das rendas e a falta de clientes”.
O comércio local é um dos vectores da vida da comunidade e o seu declínio arrasta o declínio da comunidade e dos seus modos de vida. Todos conhecemos essa deprimente realidade recessiva que é mais um sinal do empobrecimento, da desertificação e do desconsolo nacionais, mas também da cegueira de muitos dos nossos dirigentes que parecem indiferentes perante os dramas humanos que estão por trás de cada uma das lojas que fecham. Julgo que não são conhecidas estatísticas actualizadas relativas ao encerramento de pequenas empresas e das chamadas lojas do comércio local, mas é hoje evidente que esse número está a aumentar descontroladamente e que esse facto representa a destruição de uma estrutura económica tradicional e a ruptura com um modelo de actividade comercial que dava emprego a muita gente e, consequentemente, contribuía para a estabilidade e para a coesão social. E se isto está a acontecer de forma tão acelerada é preciso travar este declínio e escolher outro caminho que não este.

Publicidade objectiva e sem sofisticação

Por vezes, nas nossas deambulações pela província, encontramos pontos de venda ou pequenas lojas que resistem à hegemonia das grandes superfícies, à pressão das suas campanhas publicitárias e à diversidade da sua oferta comercial. Esses pequenos espaços são geridos familiarmente, não devem ter contabilidade organizada, raramente se modernizam e vão resistindo às diversas formas de fiscalização económica. Vendem aquilo que produzem, sobrevivem com base na fidelidade da sua clientela e na oferta de produtos genuínos que inspiram confiança. Representam uma tradição cultural do encontro entre a oferta e a procura e, em certo sentido, são uma herança dos tempos da troca directa e da economia não monetária e, em muitos casos, até constituem um quase serviço público.
No entanto, até nesses lugares se vão tomando medidas para manter a clientela ou para intensificar a procura, surgindo uma atitude de informação ao público ou, dito de outra maneira, utiliza-se a publicidade. Trata-se de uma actividade semelhante ao que se passa com a promoção dos dentífricos, dos champôs ou dos detergentes, mas também com os destinos turísticos, as marcas de automóveis ou os serviços de comunicações móveis, embora não tenha semelhante grau de sofisticação. Quando um ponto de venda de batatas, hortaliças, morcelas e farinheiras, informa que “os melhores enchidos caseiros do planeta estão desta porta para dentro”, está a fazer publicidade à sua maneira e de uma forma eventualmente mais objectiva e mais séria do que a sofisticada publicidade dos detergentes que lavam mais branco.
 

 

domingo, 9 de junho de 2013

Afinal, eles também erram…


O Fundo Monetário Internacional (FMI) produziu um relatório sobre o programa de ajuda à Grécia que levantou muita polémica e que, no essencial, assume que a situação económica grega foi mal estudada e que foi subestimado o impacto da austeridade, além de criticar os seus parceiros da troika. Segundo o FMI, o programa de apoio à Grécia foi mal concebido e essa crítica tem-se repetido porque os dois planos de ajustamento negociados produziram uma recessão maior do que era esperado, não reduziram a dívida grega que já atingiu 175% do PIB e levaram o desemprego para um valor de quase 30%.
Os erros cometidos na Grécia pela troika, também parece estarem a verificar-se em Portugal, pois estão a conduzir ao agravamento da recessão, da dívida, do desemprego e da coesão social. Tudo ou quase tudo tem piorado. Assim, é cada vez mais evidente que é necessária uma renegociação do memorando e do programa de ajustamento, pois até muitos dos apoiantes do governo já viram que a estratégia do passos-gasparismo está errada e as críticas à troika e aos seus erros aumentaram, mesmo no círculo mais próximo do Ministro das Finanças. E, pasme-se, também ele veio reconhecer que tem errado e que “seria demasiado demorado apontar os erros que já cometeu”, tendo dado como exemplo o facto de ter pensado fazer a consolidação das contas públicas sem primeiro fazer a reforma do Estado. No mesmo dia e com o seu habitual ar de arrogância intelectual, o mesmo ministro cometeu um grave erro científico ao atribuir às condições meteorológicas a quebra na construção civil e a queda do investimento.
São demasiados erros e prejuízos. São demasiados sofrimentos e angústias. Porque não se demite?




sábado, 8 de junho de 2013

O tempo dos jacarandás em Lisboa


O tempo dos jacarandás chegou a Lisboa!
É o tempo em que essas exóticas árvores de origem sul-americana florescem, embelezam as suas copas e libertam as suas flores lilazes sobre as ruas, as praças e os jardins de Lisboa. É um espectáculo de grande beleza que dura apenas duas ou três semanas, entre os últimos dias de Maio e os meados de Junho, durante o qual a cidade adquire uma beleza singular com as copas das árvores coloridas de lilaz e com a formação de tapetes floridos da mesma cor que se espalham pelo chão. 
Os jacarandás são uma espécie originária da América do Sul (jacaranda mimosifolia) e foram introduzidos com sucesso em Portugal no início do século XIX. Segundo foi noticiado há algum tempo, haverá mais de duas mil árvores na cidade e já são poucas as áreas da malha urbana de Lisboa, onde não existam. 
Não é fácil estabelecer um roteiro dos locais da cidade que nos podem oferecer o cenário mais sugestivo para apreciar e mais atractivo para fotografar os jacarandás, embora a avenida D. Carlos I, a avenida da Torre de Belém, a rua Castilho, o Campo Pequeno, o Parque Eduardo VII e o Largo do Carmo, sejam habitualmente considerados como os melhores locais para desfrutar esse espectáculo cromático. É realmente um dos melhores espectáculos que Lisboa tem para oferecer aos seus residentes e visitantes.

España ganadora



Amanhã, em Paris, disputa-se a final do Torneio de Roland-Garros que é um dos mais importantes torneios de ténis do mundo e que, juntamente com o Open da Austrália, o Torneio de Wimbledon e o Open dos Estados Unidos, integra o chamado Grand Slam do ténis. O torneio nasceu em 1891 e ao longo do tempo teve diferentes formatos e diferentes designações, tendo adoptado o seu actual nome em 1928, quando passou a ser disputado no estádio de Roland-Garros. 
O mais destacado campeão do Torneio de Roland-Garros é o espanhol Rafael Nadal que já venceu sete edições do torneio. Este ano, depois de na sexta-feira ter batido o sérvio Novak Djokovic, actual número um do ranking mundial, Rafael Nadal volta a estar na final em busca do seu 8º título e, pela frente, terá David Ferrer que também é espanhol. Não é a primeira vez que na final do torneio francês se encontram dois tenistas espanhóis, mas desde 2002 que isso não acontecia, pelo que se trata de um acontecimento desportivo muito singular, que hoje é destacado nas primeiras páginas da imprensa espanhola. O diário madrileno La Razón é um desses jornais e, apesar das dificuldades por que passa o país, aproveita a oportunidade para estimular a auto-estima espanhola e titula: España ganadora
E, desportivamente falando, é uma grande verdade!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Privatizar os Correios? Não, obrigado!



No Memorando de Entendimento assinado no dia 17 de Maio de 2011 entre o governo português e a troika, estava incluída a privatização dos Correios de Portugal, vulgarmente conhecidos pela sua histórica sigla: CTT. Sempre me pareceu um exagero, até porque a receita proveniente da sua venda não tem qualquer significado na amortização da nossa dívida pública. Passou-se o mesmo com a EDP e com a ANA. Mas há dois anos, vivíamos em situação de aperto financeiro, os especuladores cercavam-nos e até poderia ter sido um compromisso aceitável. 
Porém, os tempos mudaram e o governo até já anunciou que “chegou o momento do investimento”. Sendo assim, o processo de privatização dos CTT não faz sentido nenhum, porque a sua venda é, objectivamente, um desinvestimento, como já evidenciou o recente encerramento de 124 das suas estações. Apesar da tendência europeia para a privatização dos correios e para a liberalização total do sector postal, os CTT não são uma empresa qualquer, pois são um instrumento de coesão social e territorial que atenua a desertificação do interior e serve populações carenciadas, para além de terem um historial centenário e serem reconhecidos como um dos melhores operadores mundiais. Acontece, ainda, que nos últimos anos os CTT têm rendido ao Estado dividendos superiores a 50 milhões de euros anuais, ou seja, a empresa não é deficitária e contribui de forma significativa para a receita pública. Então, porquê vendê-la? Por este andar e com esta teimosia privatizadora, ainda acabam a vender as Berlengas, a Torre de Belém ou a ilha do Corvo.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Humor inteligente, oportuno e divertido


Esta manhã em Lisboa, quando a partir do Saldanha eu descia a avenida em direcção às Picoas, fui surpreendido ao verificar que a Avenida Fontes Pereira de Melo tinha sido “rebaptizada” e que passara a ser a Avenida Álvaro Santos Pereira, “grande obreiro da reindustrialização de Portugal”. A “nova placa sinalética” impressa sobre papel foi colocada em vários locais de boa visibilidade e, naturalmente, percebi que se tratava de uma iniciativa satírica dedicada ao ministro que pediu para ser apenas Álvaro. 
Depois, mais abaixo, verifiquei que a Avenida da Liberdade passou a ser Avenida Miguel Relvas, "herói da liberdade de expressão” e vim a saber depois que, durante a noite, um grupo de cidadãos anónimos “tinha alterado” a toponímia de algumas avenidas, ruas e praças da cidade, para celebrar o segundo aniversário do governo, conforme uma mensagem que esse mesmo grupo fez chegar ao semanário “Expresso”.
Soube, também, que para além daqueles dois gurus do governo, houve outros governantes que foram escolhidos pelo humor daquele grupo de cidadãos anónimos: a Praça dos Restauradores e o Rossio tornaram-se a Praça Pedro Passos Coelho, o "restaurador da independência financeira de Portugal" e a Rua Augusta foi baptizada como Rua Vítor Gaspar, o "grande inspirador do Portugal Novo". Os autores da iniciativa não resistiram e também elegeram os "enviados especiais" do Goldman Sachs, respectivamente António Borges, o "grande ideólogo da competitividade de Portugal" e Carlos Moedas, o “zeloso guardião do ajustamento de Portugal”.
Eu aplaudo esta inteligente, oportuna e divertida sátira a mostrar que, mesmo na eminência de um naufrágio, ainda há espaço para o humor.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Neymar e o orgulho brasileiro

Chama-se Neymar da Silva Santos Júnior e é um futebolista brasileiro que acaba de ser transferido do Santos FC para o FC Barcelona. Chegou na passada segunda-feira a Barcelona e houve 56.500 pessoas que se deslocaram ao Camp Nou para o ver e para o aplaudir em delírio. Por umas horas, o argentino que ganhou as últimas quatro edições da Bola de Ouro da FIFA, o prémio que distingue o melhor jogador do mundo, foi esquecido.
Neymar, tal como Messi, Ronaldo, Iniesta e tantos outros, é um futebolista talentoso mas é, sobretudo, um produto de marketing. Por isso, foram criadas expectativas muito elevadas quanto ao seu desempenho futebolístico ao lado de Messi, não só em Barcelona, mas também no Brasil.
O Brasil tem liderado o futebol mundial e conquistou 5 títulos em 19 campeonatos mundiais já disputados. Nenhum outro país do mundo tem este palmarés e os nomes de Péle, Garrincha, Zico, Tostão, Ronaldo, Rivelino e Romário, são um quase património nacional. Em 2002 o Brasil ainda ganhou o Mundial, mas desde então perdeu protagonismo e, actualmente, o ranking da FIFA coloca-o numa quase humilhante 19ª posição.
Neymar vem ressuscitar o orgulho brasileiro nos seus futebolistas, em vésperas do Mundial 2014 que já mexe. O Correio Braziliense, tal como a generalidade dos jornais brasileiros, esqueceu por um dia os temas políticios e económicos e concentrou-se em Neymar, tendo-lhe dedicado uma primeira página muito criativa que também destaca os seus compatriotas que o antecederam em Barcelona: Romário, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Uma grande exposição no MNAA



A galeria de exposições temporárias do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) em Lisboa está a apresentar mais uma exposição de excelência – A Encomenda Prodigiosa. Da Patriarcal à Capela Real de São João Baptista. A exposição inclui cerca de duas centenas de peças oriundas de várias instituições nacionais e estrangeiras de colecções públicas e privadas, pretendendo evocar as encomendas artísticas de D. João V - “a encomenda prodigiosa” - feitas na primeira metade do século XVIII, quando a Corte portuguesa era muito rica e contratou os mais famosos artistas europeus. 
A exposição recupera a Capela Real construída junto ao Paço da Ribeira (Terreiro do Paço), que foi elevada a Basílica Patriarcal em 1716 e que foi destruída de forma dramática com o terramoto de 1755. A Basílica Patriarcal de Lisboa era celebrada por toda a Europa como uma extensão da corte pontifícia, mas era também entendida como elemento de prestígio da própria Corte portuguesa que ainda procurava algum reconhecimento depois da restauração da sua independência em 1640. A Basílica Patriarcal possuía uma extensão, felizmente poupada pelo terramoto: a Capela de São João Baptista, edificada na Igreja de São Roque, que também foi encomendada por D. João V. A exposição estará patente até ao dia 29 de Setembro de 2013 e vai ficar dividida entre aquele museu e a Igreja e Museu de São Roque da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

domingo, 2 de junho de 2013

O discurso mentiroso e os 'boys'



Há cerca de dois anos e porque queria ganhar as eleições, o nosso primeiro tratou de fazer afirmações que agora se vê terem sido manipuladoras ou falsas, para além de ter feito muitas promessas que não tem cumprido. É o costume das campanhas eleitorais, mas desta vez, na ânsia de acusar os vícios e os desmandos do anterior governo, foi um exagero.
Disse ele: “[Quero] deixar claro que os membros do Governo não podem recrutar ilimitadamente uma espécie de administração paralela nos seus gabinetes”. E disse mais: “Um membro do Governo tem direito a escolher um chefe de gabinete, uma ou duas secretárias de confiança, um ou dois adjuntos. Acabou”.
Passaram-se dois anos e o Diário de Notícias estudou o assunto, revelando que o actual Governo já nomeou 4463 pessoas: 1027 para gabinetes ministeriais, 1617 para cargos dirigentes e 1819 para grupos de trabalho e outros. O próprio primeiro-ministro nomeou para o seu gabinete 62 pessoas, muitas delas com elevadas remunerações. Para quem tanto criticou, aqui temos um caso de manipulação e de mentira, de favorecimento de boys e de despesismo, em tempo de austeridade, de recessão e de desemprego para os outros. Um mau exemplo. Em quase dois anos são 73 nomeações por gabinete, enquanto o anterior governo se ficara pelas 54 nomeações por gabinete.
Vale a pena ler a reportagem do Diário de Notícias para termos mais uma dimensão desta triste comédia política que tomou conta de nós.