sábado, 11 de julho de 2015

Tomar e a sua grande festa popular

A Festa dos Tabuleiros ou do Divino Espírito Santo que se realiza de quatro em quatro anos na cidade de Tomar é uma das mais exuberantes romarias portuguesas e é uma interessante expressão de criatividade popular que é conhecida pelo menos desde o século XV.
Apesar da festa incluir inúmeras realizações e atracções musicais, desportivas, tauromáquicas, gastronómicas e outras ao gosto popular, o seu ponto mais simbólico é o imponente Cortejo dos Tabuleiros em que sobressaem os tabuleiros artisticamente decorados e a brancura das vestes das raparigas que os transportam à cabeça ao longo das ruas da cidade, engalanadas com colchas pendentes nas janelas e sob uma chuva de pétalas lançadas sobre o cortejo, a que depois se segue a benção do pão e das coroas do Espírito Santo. Os tabuleiros que se incorporam no cortejo ou desfile representam as 16 freguesias do concelho de Tomar e o seu número é variável, embora habitualmente ultrapasse as cinco centenas.
O Cortejo dos Tabuleiros realiza-se amanhã, a partir das 16:00 horas e é o ponto mais alto da Festa dos Tabuleiros e, só por si, atrai centenas de milhar de visitantes. Não é fácil chegar lá mas, seguramente, é uma grande tradição que se preserva e fortalece e é, também, um grande espectáculo da cultura popular portuguesa.

O exercício assegura a eficiência militar

O matutino Northern Territory News (NT News) que se publica na cidade australiana de Darwin, a capital do Território do Norte, destaca na sua edição de hoje a realização do Exercise Talisman Saber 2015, com uma desenvolvida reportagem. Trata-se de um exercício militar combinado que se realizou pela primeira vez em 2005 com a participação das Australian Defense Forces e das Forças Armadas dos Estados Unidos e que, desde então, se tem realizado de dois em dois anos, sendo o maior exercício militar realizado pelos australianos. O exercício decorrerá nas regiões norte e centro do território australiano, no mar territorial e na sua zona económica exclusiva que se desenvolve no mar de Timor, mas com maior incidência nas regiões a oeste de Darwin, em que as amplitudes de maré atingem 9 metros e abundam “man-eating crocodiles and even nesting turtles”.
Este ano o exercício tem a sua sexta edição e desenvolve-se a partir de meados de Julho durante vinte dias, envolvendo mais de 30 mil tropas americanas e australianas, além de muitos e diversificados meios navais e aéreos. Pela primeira vez participarão no exercício forças neo-zelandesas (500 efectivos) e forças japonesas (40 efectivos). Os exercícios destinam-se a assegurar o treino que garante a eficiência militar e a fortalecer as capacidades de resposta a situações de crise e de contingência, sobretudo em relação à guerra ao terrorismo, envolvendo todo o tipo de acções terrestres e marítimas. É assim em todo o lado e em todas as actividades. Até no futebol. Porém, a dimensão deste exercício não deixa de ser uma manifestação de poder face ao maior país islâmico do mundo que se situa nas vizinhanças, mas também um sinal para a própria China e para a sua vontade de se tornar a potência dominante na região.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O “comício eleitoral” do estado da Nação

Ontem  decorreu o debate parlamentar sobre o estado da Nação e, como é natural, a troca de argumentos foi viva, mas não convenceu ninguém. O debate com aqueles protagonistas não esclareceu e pouco serviu para avaliar o estado da Nação. Foi um verdadeiro comício parlamentar ou mesmo um comício eleitoral. Como o jornal Público escreveu, foi um debate entre “o país pobre e o país que cresce”, isto é, por um lado aqueles que criticam a excessiva austeridade que nos afectou e a nossa subserviência perante a troika, com graves consequências na pobreza, no desemprego e numa dívida pública que é a terceira mais alta da União Europeia e, por outro, aqueles que afirmam ter feito o melhor para o país, que seguiram a estratégia acertada, que não falharam e que vão levar agora o país para um ciclo de crescimento e prosperidade.
Independentemente da opinião de cada um, a situação portuguesa é muito complexa. O governo vive de um auto-elogio ridículo e com a mentira a tornar-se um factor de acção política e um instrumento de propaganda, mas a esquecer-se que as novas tecnologias são hoje um verdadeiro detector de mentiras. A nação vive um estado de enorme degradação da vida económica e social que as estatísticas não mostram claramente, com a pobreza a aumentar, sem investimento produtivo, sem criação de emprego e, sobretudo, sem esperança no futuro. As estruturas do Estado estão depauperadas e foram desprestigiadas pelo poder político que não foi capaz de fazer a sua necessária reforma. É sabido que as coisas não vão bem na Educação, na Justiça, nas Forças Armadas, nas Polícias, na Economia, na Diplomacia e, ao contrário do que nos foi dito, os nossos cofres não estão cheios e a nossa dívida continua a subir, com encargos absolutamente insuportáveis e insustentáveis.
A Grécia esteve presente no debate e a maioria insiste no discurso da intolerância e da inflexibilidade, indiferente à tragédia que se abateu sobre a sociedade grega devido à ganância da especulação financeira, sem cuidar de nos prevenir de um eventual efeito boomerang que, amanhã, se pode virar contra nós.
Em síntese, o governo faz o seu auto-elogio, distorce estatísticas, utiliza mentiras, diz meias verdades e faz propaganda, mas desconhece o verdadeiro estado da Nação.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

R.I.P. Maria Barroso

Com 90 anos de idade faleceu Maria de Jesus Barroso, a mulher que durante 66 anos foi casada com o antigo Presidente Mário Soares. Era uma mulher notável que os portugueses bem conheciam pela sua longa presença na nossa esfera pública e que conseguiu gerar uma unânime onda de simpatia e de respeito à sua volta, pelo seu excepcional percurso de vida nos planos familiar, artístico, profissional, político e cívico.
Diplomou-se em Arte Dramática na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, foi actriz na companhia de teatro Rey Colaço-Robles Monteiro, sediada no Teatro Nacional D. Maria II e participou em filmes de Paulo Rocha e Manoel de Oliveira. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi professora e directora do Colégio Moderno. Em 1969 foi candidata a deputada pela Oposição Democrática e em 1973 participou no Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, tendo sido a única mulher a intervir na sessão de abertura e, no mesmo ano, esteve em Bad Munstereifel na reunião fundadora do Partido Socialista.
Depois do 25 de Abril foi eleita deputada à Assembleia da República em várias legislaturas e, entre 1986 e 1996, foi a primeira-dama de Portugal. Depois presidiu à Cruz Vermelha Portuguesa e não desistiu de intervir na defesa activa de grandes causas sociais e humanitárias. Hoje, todos, desde as personalidades políticas de todos os quadrantes até aos mais simples moradores da vizinhança da Família Soares, repetiram elogios ao talento, à energia, ao carácter, à cultura e à simplicidade de Maria Barroso. No seu discurso de despedida, António Costa disse que “em todos os socialistas fica hoje um vazio”.
Uma só vez estive com Maria Barroso, quando há 20 anos ouvi falar português no hall de um hotel a dez mil quilómetros de Lisboa e lhe dirigi a palavra. Nunca mais esqueci aqueles 15 minutos de tão inesperada e agradável conversa.

As grandes “sanfermines” de Pamplona

Começaram anteontem em Pamplona as Festas de San Fermin, o santo natural da cidade que é o padroeiro da diocese de Navarra. As sanfermines, nome por que são localmente conhecidas as festas, acontecem todos os anos entre os dias 6 e 14 de Julho. Segundo rezam as informações oficiais, as programações religiosa e profana convivem muito bem, mas “San Fermin es la fiesta en la calle y el encierro”, um quase carnaval colectivo que é animado por muita música, “por la generosa absorción de bebidas con muchos grados” e, naturalmente, por muitos excessos. Milhares de pessoas usam a pamplonica, isto é, vestem camisas e calças ou saias brancas, com um lenço e uma faixa vermelha na cintura.
Porém são os encierros ou largadas de touros que tornaram as festas internacionalmente conhecidas. o escritor americano Ernest Hemingway dedicou-lhe um romance que foi traduzido em Portugal com o título "O Sol nasce sempre (Fiesta)". Em cada encierro, que se inicia às 8 horas da manhã, são largados seis touros bravos e seis cabrestos numa distância de 875 metros pelas ruas da cidade velha até à Praça de Touros de Pamplona. Isto acontece todos os dias desde o dia 7 ao dia 14 de Julho, isto é, as festas incluem oito encierros. O site oficial das festas – www.sanfermin.com – apresenta vasta informação sobre o evento e, para cada encierro, informa a origem dos touros e regista a performance diária comparando-a com os encierros dos anos anteriores, quanto à sua duração, número de corneados, traumatismos registados, temperatura, etc. Como é sabido, tem havido algumas mortes nos encierros das Festas de San Fermin, pelo que são divulgadas instruções para prevenir os que decidem enfrentar os touros nas ruas de Pamplona. As televisões transmitem sempre imagens das colhidas, mais ou menos graves, mais ou menos espectaculares. É o que também faz hoje El Diario Vasco na sua primeira página.
Se eu penso ir às festas a Pamplona? Não, obrigado. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O referendo na Grécia: a luta continua

Η Εφημερίδα των Συντακτών - edição de 6 de Julho de 2015
O resultado do referendo que ontem se realizou na Grécia foi expressivo e deu uma legitimidade reforçada ao governo grego, mas não parece ter alterado as relações de força nas negociações em curso. O confronto entre os dois radicalismos mantém-se. Nenhuma das partes quer ceder. Uns porque não querem perder o dinheiro com que alimentaram as negociatas na Grécia, outros porque não querem a mesma austeridade que lhes trouxe desemprego, recessão, pobreza, cortes de salários e de pensões e a noção de que vai ser assim por longos anos.
A figura do acordo de credores que é tão usada no domínio empresarial para enfrentar e resolver situações financeiras complexas, parece não ser do conhecimento dos burocratas das chamadas instituições. Querem tudo. Diz-se que “quem tudo quer, tudo perde” e, ao tudo quererem, as Lagardes e os Dijsselbloems arriscam-se a tudo perder e a inundar a Europa de instabilidade.
Porém, o referendo grego já teve resultados. Os gregos recuperaram, ao menos por uma noite, a sua alegria e a sua dignidade. Cantaram e dançaram numa onda de orgulho nacional. E já souberam tirar algumas conclusões para levar à mesa das negociações. A demissão de Varoufakis só pode ser entendida como uma atitude de bom senso, mas do outro lado da mesa ninguém se demitiu e, certamente, vão insistir nas mesmas receitas humilhantes e ineficazes.
Os grandes jornais europeus reflectem hoje a incerteza, a imprevisibilidade e a preocupação sobre o que se vai passar nos próximos dias. Consoante o seu alinhamento, os seus títulos são, por exemplo, “Maintenant, respectez le non du peuple grec” (L’Humanité), “Greek voters defy Europe” (The Guardian), "Hora de la verdad en Europa tras el rotundo ‘no’ de Grecia” (El Pais) ou “Il ‘no’ greco spaventa l’Europa” (Corriere de la Sera).
Hoje é cada vez mais evidente que nada vai ser como dantes na Grécia e na Europa. Há razões para estarmos preocupados nesta “ocidental praia lusitana”. Os nossos cofres não estão cheios, a nossa dívida aumentou mais de 30% nos últimos quatro anos, muitos dos nossos compatriotas emigraram, estamos quase todos mais pobres e muito, muito desmoralizados. Contrariamente ao que por aí dizem alguns economistas de segundo plano, a eventual queda da Grécia poderá arrastar outras grécias. A aritmética dos [19 – 1 = 18] está errada e é perigosa.

domingo, 5 de julho de 2015

Copa América: a grande vitória do Chile

Pela primeira vez no seu historial a selecção de futebol do Chile ganhou a Copa América, que é a mais antiga competição que se realiza no mundo entre selecções de futebol, pois foi disputada pela primeira vez em 1910. Nesta sua 44ª edição, o torneio organizado pela Confederação Sul-Americana de Futebol realizou-se no Chile, mas os favoritos não eram os anfitriões mas as selecções do costume que, à sua conta, já tinham vencido em 37 vezes as 43 edições da prova antes realizadas. Além do Uruguai (15 vitórias), Argentina (14) e Brasil (8), só o Paraguai e o Peru (2 vezes cada um) e a Colômbia e a Bolívia (uma vez cada um) tinham vencido a desejada Copa América.
O Chile disputava a sua quinta final e não era favorito, pois defrontava a temível equipa argentina de Leonel Messi e de outros famosos jogadores. Porém, entusiasmados pelo seu público no Estádio Nacional de Santiago, os jogadores chilenos superaram-se e não deixaram que os argentinos ganhassem. Foram, então, para a decisão por grandes penalidades e os chilenos foram felizes, competentes e ganharam a Copa América pela primeira vez. Foi o delírio!
Os 18 milhões de chilenos vibraram com a vitória e, de entre todos, destacou-se a presidente Michelle Bachelet, que assistiu aos jogos da selecção chilena devidamente equipada e que, após a vitória, se apressou a felicitar pessoalmente os jogadores, além de os ir receber brevemente no Palácio de La Moneda, a sua residência oficial. Toda a imprensa chilena dedicou a sua primeira página a esta vitória e ao novo “campéon de América”, a evidenciar a importância que o futebol adquiriu nos últimos tempos em todo o mundo como instrumento de unidade, coesão e mobilização nacional.

sábado, 4 de julho de 2015

Cabo Verde: 40 anos de independência

Amanhã a República de Cabo Verde completa 40 anos como país soberano. Foi no dia 5 de Julho de 1975 que foi lida a histórica proclamação da independência na cidade da Praia, na ilha de Santiago. A festa vai ser grande, nas ilhas e na diáspora. Em Portugal estão anunciadas muitas iniciativas para celebrar a data.
As aspirações independentistas do arquipélago de Cabo Verde nunca tinham passado pela luta armada no seu território, embora o fundador e muitos quadros do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) fossem cabo-verdianos e tivessem participado activamente na guerra de libertação nacional que ocorreu na Guiné entre 1962 e 1974. Esse facto, associado a uma evidente proximidade cultural entre os portugueses e os cabo-verdianos e até circunstâncias de relacionamento pessoal entre muitos dirigentes das duas partes, facilitou e tornou “exemplar” o processo de transferência de soberania portuguesa para o novo Estado. Por isso, as delegações do governo português e do PAIGC assinaram no dia 19 de Dezembro de 1974, em Lisboa, um documento que abriu caminho para a independência do arquipélago.
Nesse documento de oito páginas foi aprovada a transferência de poderes e foi criado um governo de transição composto por três ministros portugueses e três cabo-verdianos, liderado por um Alto-Comissário português, cargo que foi desempenhado pelo almirante Vicente Almeida d'Eça, como representante da soberania portuguesa. O governo de transição teve por principal missão "conduzir as operações conducentes à eleição por sufrágio directo e universal, em 30 de Junho de 1975, de uma assembleia representativa do Povo de Cabo Verde". Nesse dia foram eleitos os primeiros 56 deputados cabo-verdianos, que se reuniram no dia 4 de Julho de 1975 nas instalações da Câmara Municipal da Praia, para constituírem a primeira Assembleia Nacional Popular. Nessa sessão foi aprovada a solene proclamação que foi lida no dia seguinte por Abílio Duarte, o primeiro presidente do parlamento cabo-verdiano, no estádio da Várzea:
“Povo de Cabo Verde, hoje, 5 de Julho de 1975, em teu nome, a Assembleia Nacional de Cabo Verde proclama solenemente a República de Cabo Verde como Nação Independente e Soberana”.
Passados 40 anos, a República de Cabo Verde é um respeitado membro da comunidade internacional, um dos símbolos da paz e da democracia em África e uma terra de gente fascinante, desde Amílcar Cabral e Pedro Pires, até Cesária Évora e Germano Almeida.  É um país de músicos e de futebolistas, de gente de trabalho e de sofrimento, mas é também o país da morabeza e da cachupa, da morna, da coladera e da kolá san jon. Uma grande comunidade e um grande país!

Arrancou o 7º Festival ao Largo

Devagar, devagarinho, o Festival ao Largo vai-se impondo no panorama cultural da cidade de Lisboa, com uma programação que inclui música coral e sinfónica, ópera e. dança, que são apresentados no largo fronteiro ao Teatro Nacional de São Carlos. Este ano o festival cumpre a sua 7ª edição e iniciou-se ontem com um repertório muito atractivo, em que actuaram a Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a solista Sofia Escobar, sob a direcção da maestrina Joana Carneiro, tendo interpretado um programa intitulado “Broadway e Novo Mundo”. Com espectáculos a apresentar quase todos os dias, o festival decorre até ao dia 25 de Julho. Espera-se que, tal como sempre tem acontecido nos anos anteriores, que o festival atraia muito público àvido de espectáculos de boa qualidade, em cenários de grande apelo estético e, além disso, gratuitos. As noites quentes de Julho ajudam a completar o agradável ambiente, embora a escassez do espaço do Largo de São Carlos e as dificuldades de acesso ao local em transporte público ou privado, sejam uma contrariedade.
Este ano e pela primeira vez, o programa do primeiro dia foi transmitido em directo pela RTP2 para o largo Visconde Serra do Pilar, em Santarém, e para a praça do Sertório, em Évora. Uma ideia que se aplaude. Da mesma forma, merece aplauso o patrocínio do Banco Millenium que percebe que "as artes performativas são um dilema económico" e precisam de patrocinadores, como concluiu o economista William Baumol nos seus apreciados estudos sobre este tema.

A festa do Tour de France começa hoje

Inicia-se hoje em Utrecht, na Holanda, a 102ª edição do Tour de France 2015, uma das mais importantes provas desportivas mundiais. A França e os franceses vão entrar em festa com um espectáculo ímpar, que lhes permitirá ver as imagens dos monumentos, povoações e paisagens por onde passarão os ciclistas e a sua monumental caravana de apoio. Milhares de pessoas deslocar-se-ão para as montanhas, nos Alpes e nos Pirinéus, para participar na festa, vibrar com o espectáculo e incitar os seus ídolos. "Ce sera grandiose", titula hoje o jornal L'Équipe.
Até ao dia 26 de Julho e ao longo de 3344 quilómetros distribuidos por 21 etapas, os melhores ciclistas mundiais vão procurar inscrever o seu nome na galeria dos mais notáveis e, desde já, os favoritos são Vicenzo Nibali (Itália), Chris Froome (Inglaterra), Alberto Contador (Espanha) e Nairo Quintana (Colômbia). Como sempre acontece, a montanha vai ter um papel decisivo na definição do vencedor, havendo a salientar-se este ano o regresso da famosa subida do Alpe D’Huez, que será feita na 20ª e penúltima etapa da prova, na véspera da chegada aos Campos Elíseos. Uma grande prova desportiva em perspectiva!
A RTP2 vai proporcionar o acompanhamento desta prova aos portugueses, ao transmitir diariamente e em directo, todas as etapas da competição, devendo salientar-se a elevada qualidade das transmissões televisivas que, desde há alguns anos, têm sido proporcionadas pela organização da prova. Como eles costumam dizer, é um espectáculo televisivo a não perder.
Haverá três portugueses no pelotão: Rui Costa e Nelson Oliveira (Lampre-Mérida), Tiago Machado (Team Katusha) e José Mendes (Bora-Argon 18). Naturalmente que Rui Costa, que foi campeão do Mundo em 2013, vai estar ao lado dos favoritos, esperando-se que possa dar algumas alegrias aos portugueses.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O nosso melhor embaixador é um navio

Os americanos têm um enorme envolvimento emocional e cultural com o 4th July, o seu Dia da Independência, que evoca o dia do ano de 1776 em que as treze colónias rebeldes subscreveram a Declaração de Independência e declararam a separação formal do Império Britânico.
Por razões históricas esse envolvimento acontece sobretudo na costa leste dos Estados Unidos e, em especial, nas cidades costeiras dos estados de Nova Iorque, Maryland, Virginia, Pensilvânia, Massachusetts e Connecticut. Nas cidades de vocação marítima realizam-se grandes festivais náuticos para celebrar a independência americana e, neste ano de 2015, a costa leste está a receber a visita dos veleiros que participam na Tall Ships Challenge Atlantic Coast 2015, que durante os meses de Junho e Julho escalam uma dezena de portos, designadamente Yorktown, Baltimore, Filadélfia, Nova Iorque, Newport e Boston. Esta ano, talvez por razões orçamentais, a participação europeia limita-se às réplicas da fragata francesa L’Hermione e do galeão espanhol Andalucia, mas também da barca portuguesa Sagres. O nosso navio-escola já visitou Filadélfia, onde a sua presença foi muito destacada nas redes sociais da comunidade portuguesa, navegou depois para Nova Iorque onde estará no dia 4 de Julho, seguindo-se New Bedford e Boston.
A edição de hoje do semanário Suffolk Times que se publica em Mattituck – New York, dedica a sua primeira página ao 2015 Greenport Tall Ships Challenge Festival e, entre outros veleiros, apresenta a imagem da Sagres.
A presença da Sagres nestes portos vai ser, como sempre acontece, uma grande festa e um motivo de grande orgulho para a comunidade portuguesa e, por isso, esta viagem merece o nosso aplauso. Ou não fosse o navio-escola Sagres o nosso melhor embaixador.

O caso BES ainda vai mexer no meu bolso

Foram anunciados os nomes dos candidatos à compra do Novo Banco e, de acordo com o que foi noticiado, as ofertas vinculativas dos três candidatos - Anbang, Fosun e Apollo - dificilmente atingirão os 2,5 milhões de euros, o que significa que apenas será recuperado metade do montante de 4,9 milhões de euros que foi injectado pelo Fundo de Resolução, uma entidade recentemente criada e que por falta de fundos foi financiada pelo Estado. O tema faz hoje manchete no Jornal de Notícias e, naturalmente, é muito preocupante porque revela que o caso BES tem sido tratado com muita incompetência, alguma desfaçatez e muita mentira. É grave que os nossos dirigentes tratem os cidadãos dessa maneira.
Nos primeiros dias de Agosto do ano passado, depois do BES ter apresentado prejuízos históricos de 3,6 milhões de euros, o Banco de Portugal anunciou uma injecção de capital de 4,9 milhões de euros e a criação de um "banco mau" e de um "banco bom", que passou a chamar-se Novo Banco. A solução de financiamento encontrada foi um empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, a ser reembolsado pela venda do novo banco e pelo sistema bancário, onde se inclui a CGD. Muitas vozes se levantaram então contra o facto de, previsivelmente, os contribuintes portugueses virem a suportar uma boa parte dos custos do financiamento do BES, tal como já acontecera no caso do BPN. Lembremo-nos que duas semanas antes, de passeio pela Coreia, o Presidente da República tinha dito que “os portugueses podem confiar no BES”. Afinal não era verdade e aconteceu a intervenção. A Ministra das Finanças garantiu então que "os contribuintes não terão de suportar os custos relacionados com a decisão tomada hoje”, enquanto o Presidente da República veio considerar “totalmente errado” o que tem sido dito nos últimos dias sobre o BES e rejeitou que eventuais prejuízos na CGD, por causa do seu envolvimento no resgate, viessem a resultar num custo para os contribuintes. Agora, quando se sabe que apenas vai ser recuperado metade do dinheiro aplicado no BES, temos que perguntar ao Presidente da República e à Ministra das Finanças quem vai pagar o resto, isto é, ou não perceberam nada do que estava a acontecer ou quiseram enganar-nos. É que eles foram peremptórios a afirmar que os contribuintes não suportariam esses custos.

O nosso futebol morre ao chegar à praia

Na passada terça-feira à noite jogou-se em Praga a final do UEFA Under-21 Championship organizado pela UEFA, em que se defrontaram as selecções de Portugal e da Suécia. A partida terminou empatada mesmo depois do prolongamento, pelo que se recorreu à marcação de grandes penalidades para apurar a equipa campeã europeia de futebol para jovens com menos de 21 anos de idade. Ganhou a equipa sueca, pois marcou quatro vezes, enquanto os portugueses só marcaram três vezes. Como tantas vezes nos acontece no desporto, “morremos ao chegar à praia”. A selecção portuguesa tinha brilhado e era a única que não tinha perdido nenhum jogo, era a equipa que mais golos tinha marcado e a que menos golos sofrera. Deixara pelo caminho a Inglaterra, a Itália e a Alemanha. Praticava um futebol artístico, maduro e consequente que entusiasmava. As expectativas eram muito altas e a fome de êxitos futebolísticos era grande em Portugal. Parecia ser a grande oportunidade, mas não correu bem. O adversário não foi melhor, mas foi mais feliz. Tudo correu bem, menos os pontapés de grande penalidade.
Há duas semanas tinha acontecido o mesmo no FIFA U-20 World Cup New Zealand 2015, quando as grandes penalidades brasileiras nos afastaram das meias finais. Habituado a este tipo de situações também no hóquei em patins e no futebol de praia, o nosso público aceitou estes resultados com resignação. Com base na prestação dos futebolistas no UEFA Under-21 Championship, uma equipa de observadores técnicos da UEFA escolheu a formação ideal do campeonato: um alemão, um inglês, um dinamarquês, três suecos e cinco portugueses e, além disso, escolheu um português como o melhor jogador do torneio. Uma pequena consolação. A Suécia delirou e os jogadores foram recebidos numa apoteose nunca vista naquelas terras. Todos os principais jornais suecos destacaram a vitória da sua equipa como a grande notícia do dia, ilustrando-a com fotografias a seis colunas nas suas primeiras páginas. Um deles foi o Kvällsposten, que se publica em Malmö. Imaginemos que o resultado tinha sido diferente e imaginemos o que fariam os nossos jornais.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Publicidade institucional de gama alta

O Grupo José de Mello Saúde tem uma intervenção muito importante no sector da saúde em Portugal, ao gerir dois hospitais públicos em regime de PPP e 14 unidades de saúde privadas, incluindo 5 hospitais e, segundo anuncia, dispõe de um total de 1430 camas, realiza mais de 1,8 milhões de consultas por ano e mais de 500 mil urgências. O Grupo iniciou a sua actividade em 1945 com vocação para a prestação de cuidados de saúde aos 80 mil empregados do Grupo CUF e seus familiares, o que significa que completou agora 70 anos de idade. O tempo correu e as circunstâncias alteraram-se, mas o Grupo conserva uma estrutura familiar herdada do seu fundador e, por isso, os seus principais dirigentes decidiram celebrar essa data e, entre outras iniciativas, encomendaram uma campanha de publicidade institucional à agência BAR.
Essa campanha publicitária que tem aparecido na imprensa, mas também em mupis e cartazes espalhados pela cidade de Lisboa, é muito criativa e parece cumprir o objectivo de dar notoriedade, valorizar a imagem e reforçar a confiança na marca. Não anuncia bens nem serviços. Partindo da mensagem “a prática faz a perfeição”, a campanha utiliza como protagonistas alguns dos próprios médicos do Grupo CUF. Assim, escolheu seis médicos especialistas que representam a experiência acumulada do corpo clínico das unidades CUF, cujas imagens mostram diferentes momentos da sua vida profissional. Entre esses dois momentos do passado e da actualidade, que são atestados por fotografias, a mensagem quantifica as milhares de intervenções cirúrgicas de todos os tipos ou partos assistidos que justificam “a experiência acumulada” e a confiança dos utentes e da sociedade em geral. 
É uma grande campanha de publicidade institucional, isto é, não apela ao consumo como faria a publicidade comercial, mas reforça a reputação e a credibilidade da instituição e, consequentemente, a confiança dos seus utentes.

O escândalo dos tachos para os amigos

A última edição do semanário Expresso destaca como principal notícia a reabertura de embaixadas para colocar alguns amigos instalados nos gabinetes ministeriais e indica nomes, destinos e padrinhos dos beneficiados. A notícia revela o escandaloso comportamento de alguns governantes que tinham imposto uma severa austeridade aos portugueses, com cortes de salários e de pensões, com muito desemprego e com muita pobreza e que, entre outras medidas de aperto, até tinha encerrado embaixadas e missões diplomáticas para poupar na despesa pública. Agora, sem olhar ao despesismo desnecessário, o governo decidiu reabri-las para nelas colocar os amigos. Cada um deles com remunerações directas e indirectas que vão para além dos cinco dígitos! Isso é que são tachos! É lamentável que o Primeiro-Ministro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros utilizem o dinheiro dos meus impostos para beneficiar os seus amigos e fiéis servidores, com lugares em Madrid e Paris, em Bruxelas e Nova Iorque, sem que tais postos se justifiquem. Obviamente que Passos e Machete, que deviam ser um exemplo de contenção e parcimónia, abusam dos seus cargos. É um verdadeiro escândalo o que aqueles governantes estão a fazer, ao assegurar tachos aos amigos. É um velho hábito lusitano e, apesar de estar bem diagnosticado desde há muitos anos, parece que ninguém resiste a esse pecado original de arranjar tachos para pagar fidelidades.