domingo, 11 de setembro de 2016

O novo interesse de Macau pelo português

O governo de Macau, ou com mais rigor, o governo da Região Administrativa Especial de Macau, dirigido desde 2009 por Fernando Chui Sai On, anunciou que a partir do ano lectivo que agora se inicia, a língua portuguesa passa a ser um “projecto com prioridade de apoio”, nos termos enunciados no Plano Quinquenal que agora foi divulgado. Assim, deverá ser definido um número mínimo de horas para a aprendizagem, quer nas escolas particulares, quer no ensino regular, de forma a assegurar rapidamente uma “maior generalização da língua portuguesa”. Nesse sentido, as autoridades de Macau pretendem alargar a cooperação com Portugal e criar condições para que os estudantes macaenses possam prosseguir estudos superiores em Portugal, o que também significa a necessidade de aumentar o número de bolsas especiais do Fundo de Acção Social Escolar para apoiar os estudantes dos cursos de português e de tradução de chinês e português. A notícia é do jornal Tribuna de Macau e, naturalmente, agrada aos defensores da língua portuguesa.
Porém, o apoio à aprendizagem de línguas não se restringe ao português, pois o Plano Quinquenal aponta para que os estudantes macaenses falem quatro línguas e escrevam três – português, inglês e mandarim.
Decorridos quase cinco séculos de contactos e de presença na península de Macau, a língua portuguesa nunca se impôs como língua franca e, como se costuma dizer, “ninguém fala português em Macau”. Pode ser que esta política do governo de Macau melhore uma situação que as autoridades portuguesas que administraram o território até 1999, nunca quiseram ou puderam resolver. 

sábado, 10 de setembro de 2016

Síria. Boas notícias. Tenhamos confiança.

O mundo acordou esta manhã com uma notícia surpreendente e que poucos matutinos tiveram a oportunidade de anunciar. O diário espanhol El País foi um dos jornais que anunciou um acordo de cessar-fogo na Síria a partir de segunda-feira, o que foi confirmado ao longo do dia pelas televisões que divulgaram imagens de John Kerry e de Sergei Lavrov, a assegurar em Genebra o seu empenhamento junto dos respectivos aliados para que o cessar-fogo seja cumprido e para que parem todos os combates, assim como os voos dos aviões do regime de Bashar al-Assad sobre as posições da oposição. Se a trégua agora anunciada entre o regime sírio, apoiado pela Rússia, e as forças rebeldes, apoiadas pelos EUA, for efectiva, ao fim de uma semana os governos americano e russo comprometem-se a colaborar no terreno, planeando ataques aéreos conjuntos contra as forças do autoproclamado Estado Islâmico e da frente al-Nusra.
Após os falhanços dos encontros entre Kerry e Lavrov no passado mês de Agosto e de Barack Obama e Vladimir Putin no seu encontro durante a cimeira do G20 na China, parecia existir um clima de desconfiança que, no entanto, acabou por ser ultrapassado em Genebra. Porém, Sergei Lavrov acrescentou que foram assinados cinco documentos, que devem manter-se secretos para não pôr em causa o frágil consenso alcançado entre os dois países, que desde há vários meses tentam chegar a um entendimento e que, inclusive, até anunciaram em Fevereiro um acordo de cessar-fogo que não foi cumprido. Estamos, pois, perante uma boa notícia e há que ter confiança.

A nova relação entre Cuba e a América

Na sequência da aproximação que se vem verificando entre os Estados Unidos e o governo cubano, aconteceu na passada 4ª feira um voo comercial entre Miami e Cienfuegos, que encerrou cerca de 55 anos de isolamento entre os dois países. Tratou-se do voo AA 903 da American Airlines que, utilizando um Airbus 319, saiu do Aeroporto Internacional de Miami para Cienfuegos na costa sul da ilha de Cuba. Pouco depois, um segundo voo descolou do mesmo aeroporto para a cidade cubana de Holguin.
Conforme relatou el Nuevo Herald que se publica em Miami, foi uma festa não só para os passageiros deste primeiro voo inaugural que muito aplaudiram, mas também para as autoridades aeroportuárias cubanas que receberam este primeiro voo regular com grandes manifestações de entusiasmo por entre canhões de água, enquanto os pilotos desfraldavam as bandeiras de Cuba e dos Estados Unidos quando o avião deslizou na pista. E havia razões para tanta festa. Foram 55 anos de isolamento e de teimosia política de ambas as partes, com claros prejuízos económicos e culturais, mas também emocionais, sobretudo para os cubano-americanos residentes nos Estados Unidos e para a generalidade da população cubana.
O desbloqueamento das relações e da tensão entre os Estados Unidos e o regime cubano que estes voos ajudam a concretizar é, para muitos observadores, o resultado da persistência do Papa Francisco, mas também é um sinal do pragmatismo político de Raúl Castro e de Barack Obama. Deverá ser este pragmatismo ou esta real politik que deverão sempre nortear as relações internacionais, na base da cooperação e do respeito mútuo. Só dessa forma se ultrapassam conflitos como este que durou 55 anos.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

A guerra da Síria está sem solução à vista

A recente reunião do G20 na cidade chinesa de Hangzhou, proporcionou um encontro entre Barack Obama e Vladimir Putin que durou mais tempo do que o previsto. Entre os assuntos abordados durante mais de uma hora estiveram a situação na Ucrânia e, sobretudo, a guerra na Síria que, desde 2011, provocou mais 290 mil mortes e obrigou milhões de pessoas a fugir do país. Alguns jornais, caso do Financial Times, destacaram este encontro publicando a fotografia dos dois líderes face to face em Hangzhou.
Este tipo de encontros entre políticos que já se conhecem há muito tempo poderia abrir o caminho para bons resultados, mas segundo foi divulgado pelas agências noticiosas, o encontro mostrou que ainda não é possível obter um cessar-fogo, pois o principal ponto de discórdia continua a ser o futuro de Bashar al-Assad, um aliado histórico da Rússia que o vê como parte da solução para o conflito, enquanto os Estados Unidos o consideram uma parte do problema por se tratar de um líder autoritário, na linha do que foram Sadam Hussein e Muammar Kadafi. Porém, esse é apenas o ponto de partida da discórdia, porque há muitos mais. Os Estados Unidos já se meteram demasiado no conflito e a opinião pública americana não está a gostar disso, o que tem levado Donald Trump a acusar Obama e Clinton de serem os pais do Estado Islâmico. Devagar, devagarinho, a Rússia e o seu aliado Irão, estão a marcar pontos nesta disputa, em que os interesses dos aliados e dos adversários regionais de Bashar al-Assad são importantes. A Europa mostra-se incapaz de receber refugiados e parece assustada com a Turquia. A luta comum contra o Estado Islâmico e a Frente Nusra que a todos devia unir, parece ser uma questão secundária. Finalmente, o dramático sofrimento do povo sírio e da nação curda parecem não comover esta gente.
Obama e Putin encalharam. Desapontaram-nos. As negociações são difíceis, mas esperemos que sejam John Kerry e Sergei Lavrov a desencalhar uma solução apesar da enorme complexidade do problema. Repetimos o aqui escrevemos no dia 27 de Agosto: entendam-se!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

"Lisboa na Rua", para animar a cidade

Este ano e pela oitava vez, a EGEAC que é a empresa municipal que faz a gestão dos equipamentos e promove a animação cultural da cidade de Lisboa, está a promover a realização do Lisboa na Rua.
Trata-se de um festival que até ao dia 1 de Outubro permite assistir de forma livre e gratuita a uma grande diversidade de espectáculos populares e eruditos, muitos dos quais não costumam ser apresentados na rua.
Lisboa está, portanto, em festa. O festival decorre ao longo de cinco fins de semana em dezenas de espaços públicos da cidade e acolhe bandas de jazz de várias proveniências, o fado pelas vozes de Gisela João, Camané e Carlos do Carmo, além de grandes orquestras como a Orquestra Gulbenkian e a Orquestra Metropolitana de Lisboa e outros intervenientes.
O programa do festival Lisboa na Rua contempla iniciativas em zonas periféricas da cidade e não apenas no seu centro histórico, sendo uma oportunidade singular para animar a cidade e torná-la mais atraente para os residentes e para os visitantes. De facto, não é vulgar que numa qualquer cidade se tenha acesso gratuito a concertos de jazz, fado, música clássica e arte sonora, telas de cinema em locais improváveis, teatro, exposições, performances e passeios literários, animando as ruas, as praças e os jardins. O  meu aplauso.

sábado, 3 de setembro de 2016

A Índia celebra Madre Teresa de Calcutá

Amanhã o Vaticano vai canonizar a beata Madre Teresa de Calcutá e a grande Índia, que é um país maioritariamente hindu e onde a religião católica não terá sequer 2% de seguidores na sua população, não só teve sempre uma grande admiração por esta religiosa católica, como se mostra emocionada e orgulhosa com a sua santificação, o que é reflectido por toda a imprensa indiana. A capa da revista Outlook de Nova Delhi é apenas um exemplo da homenagem que a Índia está a prestar a Madre Teresa, que se naturalizou indiana e que a Índia tomou como um dos seus símbolos. O caso justifica a nossa admiração, até porque a Índia tem mostrado alguma intolerância religiosa relativamente a muçulmanos e católicos.
Nascida em 1910 numa família albanesa em Skopje na actual República da Macedónia, a jovem Agnes Gonxha Bojaxhiu entrou aos 18 anos na irlandesa Ordem das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto em Dublin, onde tomou o nome de Teresa. Em 1929 foi enviada depois para Calcutá e aí ensinou durante alguns anos numa escola para raparigas de famílias abastadas, antes de se entregar ao serviço dos mais pobres. No início de 1948, instalou-se num bairro de lata de Calcutá com essa determinação de ajuda, mas algumas das suas antigas alunas juntaram-se à sua antiga professora, tornando-se com ela nas primeiras Missionárias da Caridade.
De aspecto muito frágil e envolta num sari branco com três riscas azuis, Madre Teresa tornou-se num símbolo da ajuda aos “mais pobres dos pobres”, aos quais dedicou a vida, o que veio a ser reconhecido em 1979 com a atribuição do prémio Nobel da Paz.
Madre Teresa morreu em 1997 com 87 anos de idade, mas as suas Missionárias da Caridade tornaram-se um símbolo do apoio aos que sofrem com a miséria, a fome e a doença, sobretudo os leprosos e os moribundos. Hoje são cerca de cinco mil a intervir um pouco por todo o mundo. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A apreensão pela mudança no Brasil

A destituição de Dilma Roussef, a presidente eleita do Brasil, que no passado dia 31 de Agosto foi decretada por votação do Senado pode ter aberto uma caixa de pandora de imprevisíveis consequências para o país, até porque ocorre num período de grande recessão económica. O Brasil ficou mais dividido e, mais do que isso, ficou sob ameaça de ingovernabilidade e de confrontações nas ruas. Porque tudo o que se passa no Brasil nos interessa, voltamos ao assunto.
O Brasil é um país muito extenso, muito plural e de uma grande diversidade cultural, mas onde coexistem dois mundos distintos e com enormes diferenças observáveis nos graus de desenvolvimento dos diferentes estados, assim como nos desiguais rendimentos da população e na sua qualidade de vida, o que se torna evidente na brutal diferença entre a vida do “asfalto” das cidades e a pobreza e a violência das favelas.
De um lado têm estado o governo, o PT e Dilma Roussef e, do outro lado, uma parte importante do sistema judicial e a generalidade dos mass media. De um lado estão as classes de rendimentos mais altos das grandes cidades do sudeste e do sul do país e, do outro lado, estão os pobres e os remediados do nordeste e do norte. Esta simplificada apreciação parece poder confirmar-se através da divisão da própria imprensa brasileira que alinhou com as partes em confronto. Enquanto o Diário de S. Paulo destacou em primeira página o título “Viva a Democracia” e em sub-título “Congresso Nacional enterra governo Dilma, PT e Lula”, o jornal Correio do Brasil do Rio de Janeiro escolheu como título “Chega ao fim a democracia brasileira”. Deste lado do atlântico, ficamos sem saber se funcionou a Democracia ou se, pelo contrário, a Democracia foi asfixiada. Sabemos, contudo, que o voto de 61 senadores destituiu uma presidente eleita por mais de 54 milhões de brasileiros e que a esperança de milhões de cidadãos para saírem do seu ciclo de probreza sucumbiu perante esta acção democrática ou golpe parlamentar das oligarquias brasileiras.
O mundo ainda não compreendeu o que se passou em Brasília.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A enorme incerteza da política brasileira

Depois de cerca de nove meses durante os quais a presidente brasileira Dilma Roussef teve o seu mandato suspenso, o Senado votou ontem a favor da sua destituição com 61 votos a favor e 20 votos contrários. Dilma Roussef foi condenada e perdeu o seu mandato porque assinou três decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso e utilizou dinheiros da banca pública para financiar programas do governo. Tratou-se de manobras contabilísticas que nas democracias ocidentais ocorrem com frequência e que, embora estejam nas margens da ilegalidade, ninguém considera de índole criminosa.
Seguiu-se uma segunda votação destinada a decidir se Dilma Roussef perderia os seus direitos políticos e ficaria impedida de exercer cargos públicos, mas esta votação foi-lhe favorável. Houve 42 votos favoráveis à cassação desses direitos mas Dilma teve 36 votos a sua favor, tendo havido 3 abstenções.
Poucas horas depois, nos termos constitucionais, foi empossado Michel Temer, antigo vice-presidente de Dilma Roussef, apesar de estar impedido de ser eleito para cargos públicos durante oito anos por ter violado as leis eleitorais brasileiras e ter o seu nome envolvido em graves processos judiciais. Provavelmente, o mundo tremeu de espanto com a destituição da presidente eleita pelo voto popular, até porque entre os senadores que ontem empossaram Michel Temer em Brasília, há uma imensa maioria que enfrenta processos judiciais, sobretudo por corrupção, incluindo o próprio Temer que está envolvido no caso Lava Jato e no escândalo da Petrobras, assim como Eduardo Cunha que era o presidente da Câmara dos Deputados e que é considerado o mentor da destituição ou impeachment de Dilma Roussef que, curiosamente, é uma das poucas figuras políticas eleitas no Brasil sem ligações a qualquer caso de corrupção. Hoje o Correio Braziliense pergunta, acertadamente, o que virá após o impeachment. Depois do enorme sucesso dos Jogos Olímpicos, os senadores brasileiros deram um valente tiro no pé e puseram a incerteza na política brasileira e o nome do país nas páginas humorísticas da imprensa mundial. É pena, é mesmo muito triste ver o Brasil assim.

domingo, 28 de agosto de 2016

O meu aplauso à publicidade criativa

O Café Império fica localizado no número 205 da Avenida Almirante Reis e foi projectado por Cassiano Branco em 1947, embora só tivesse sido inaugurado em 1955. A partir de então, aquele moderno e amplo espaço amplo passou a “dar abrigo” às tertúlias de jovens estudantes lisboetas que ocupavam as suas pequenas mesas redondas a troco de uma bica consumida durante uma tarde inteira, embora nele se  adivinhasse a presença canalha dos informadores da Pide. O café fechava às duas e meia da madrugada e pela noite dentro servia os famosos bifes à Império que lhe trouxeram fama e que rivalizavam com os bifes da Portugália, cada qual com o seu apreciado molho e os seus adeptos.
Um dia o edifício foi adquirido pela IURD e o Café Império foi encerrado, havendo a intenção de o transformar num espaço de culto. Porém, houve contestação e a obra foi embargada pela Câmara Municipal. Nessas circunstâncias a IURD trespassou aquele espaço e daí surgiu a oportunidade de ressuscitar e remodelar o Café Império, que voltou a ser o atraente restaurante que tinha sido e a servir, entre outros pratos, os seus apreciados bifes.
Curiosamente os bifes à Império são objecto de uma publicidade muito criativa e que recorre às imagens da política portuguesa. Assim, há cerca de dois anos foi utilizado o slogan “Farto de coelho?”, numa alusão ao rapaz de Massamá que chefiava o governo, enquanto actualmente a promoção assenta no slogan “A coligação que agrada a todos”, isto é, o bife, o molho e o ovo.
O mínimo que se pode dizer é que a qualidade da mensagem publicitária está em sintonia com a qualidade da cozinha daquela casa de tão boas memórias!

O fim da guerra civil na Colômbia

A guerra civil da Colômbia terminou, segundo anunciou El Heraldo. Era, provavelmente, uma das mais antigas guerras do nosso planeta, que alguns consideravam ter sido iniciada em 1948 e outros em 1964. Durou muito tempo. Foi meio século de guerra fratricida em que morreram cerca de 220 mil pessoas e que fez mais de seis milhões de refugiados dentro das fronteiras colombianas. O acordo de paz foi assinado em Havana entre o governo colombiano de Juan Manuel Santos e as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, depois de quatro longos anos de negociações.
Este acordo é um marco importante na vida da Colômbia, mas ainda não resolve o problema. É apenas um primeiro passo, embora muito importante. Calcula-se que as FARC tenham um contingente armado de cerca de dez mil guerrilheiros que agora vão ser reintegrados, mas há muitas dúvidas quanto à possibilidade dessa reintegração, pois muitos deles são homens e mulheres que não conheceram outro cenário de vida para além da selva e da guerrilha, havendo também muitos que foram raptados e forçados a ser guerrilheiros. Porém, para além das FARC ainda há outros grupos armados a actuar na Colômbia, uns de esquerda e outros de direita, eventualmente ligados ao negócio da droga, o que pode vir a complicar o processo de paz.
Há que ter confiança. Depois de cessarem os combates e os raptos, há que sarar as  feridas. Os colombianos desejam o fim do sofrimento, da dor e da tragédia da guerra e, certamente, vão perdoar-se dos seus excessos. No próximo dia 2 de Outubro o povo da Colômbia vai votar num referendo para aceitar ou rejeitar o acordo de paz assinado entre o governo e as FARC. Só pode ser mais um reforço do processo de paz.

sábado, 27 de agosto de 2016

O estilo telenovela na política portuguesa

A jovem que desde Março dirige o CDS tem feito tudo para dar nas vistas e não se cansa de aparecer por toda a parte para falar, para opinar e para criticar. Fala por tudo e por nada. Precisa de notoriedade. Procura-a incansavelmente. É uma necessidade básica de quem não sabe quanto vale em termos eleitorais, mas que não deve andar longe dos 5%. É difícil sair desta irrelevante fasquia que só serve para ser muleta dos outros, até porque o povo tem memória e não esquece que Assunção Cristas também foi responsável pela brutal austeridade e pelo empobrecimento que foi imposto aos portugueses. Além disso, ela também quis ir além da troika e esteve sempre ao lado do irrevogável Portas a dar o dito por não dito. Sabendo que nem o seu passado partidário, nem o seu projecto político têm o apoio do eleitorado, a moça adoptou uma estratégia populista para dar nas vistas. Vai daí, vestiu um vestido curto estampado com kiwis e posou numa fotografia artístico-sexy, digna da capa de uma qualquer revista cor-de-rosa. Para quem aspira ao poder, era difícil fazer pior.
Um antigo deputado do seu partido de nome Raúl Almeida deve ter visto a fotografia e não se calou, tendo dito que “há um certo culto da personalidade e da frivolidade de uma presidente que está nas revistas cor-de-rosa quando o país está a arder“, acrescentando que o futuro do seu partido depende da forma como aquela jovem se comportar enquanto presidente do CDS e “não como uma atriz de telenovelas” e que “é muito importante que não confunda a rentrée com a silly season”.
O assunto só pode interessar aos tais 5% mas, de facto, é muito divertido verificar como o estilo telenovela entra na política portuguesa.

Em busca de um entendimento na Síria

A edição do diário libanês al-akhbar que se publica em Beirute, destaca na primeira página da sua edição de hoje uma fotografia em que John Kerry e Serguei Lavrov se cumprimentam. Aquela fotografia tem a virtude de, por si só,  nos dar esperança para que acabe a guerra na Síria, não sendo necessário ler árabe para ter mais explicações. Hoje ninguém tem dúvidas que a continuação ou o fim da guerra dependem da vontade e das armas dos Estados Unidos e da Rússia.
De facto, a reunião ontem realizada em Genebra entre o Secretário de Estado dos Estados Unidos e o Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa durou 12 horas e teve a crise síria como principal ponto da agenda. No final, em ambiente de grande cordialidade, os dois dirigentes anunciaram importantes progressos nas conversações, embora tivessem acentuado que ainda não houve acordo quanto ao fim das hostilidades, mas que vão ser procurados consensos nos próximos dias.
Numa declaração final, Kerry declarou estar satisfeito com os resultados do encontro e agradeceu a Serguei Lavrov pelo trabalho conjunto. Por sua vez, Lavrov informou que ambos concordaram em actuar junto das partes envolvidas no conflito, isto é, a Rússia junto do governo sírio e os Estados Unidos junto da oposição a Bashar al-Assad, no sentido de encontrar solução para o principal ponto de discórdia que continua a ser o futuro do presidente sírio: Moscovo – que apoia Damasco – defende que o país mergulharia no caos sem Bashar al-Assad, enquanto Washington é favorável ao afastamento do chefe de Estado, exigido pela oposição.
É caso para dizer “entendam-se”, mas depressa. Se necessário, vejam as catastróficas imagens da destruição de Aleppo e de tantas outras cidades sírias.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ronaldo é o nosso maior papa-prémios

A UEFA distingiu ontem o futebolista Cristiano Ronaldo com o prémio de Melhor Jogador da UEFA, isto é, como o melhor jogador da Europa em 2015/2016, superando o galês Gareth Bale, seu companheiro na equipa do Real Madrid, e o luso-descendente Antoine Griezmann que joga no Atlético de Madrid e na selecção francesa. Significa que, para a UEFA, os três melhores futebolistas europeus jogam em Madrid e, talvez por isso, o diário Marca enfatizou a entrega desse prémio e destacou Cristiano Ronaldo com uma fotografia de página inteira e o título: “és o Rei”.
Ronaldo tinha renovado em Janeiro o título de melhor jogador do Mundo por escolha da FIFA, mas na época de 2015/2016 conquistou a Liga dos Campeões e o Campeonato da Europa, isto é, os dois principais títulos europeus de clubes e de seleções, pelo que o prémio da UEFA era esperado. De resto, desde 2007 que Ronaldo acumula prémios internacionais, incluindo os de melhor jogador do mundo atribuido pela FIFA e de melhor jogador da Europa atribuido pela UEFA, mas também a Bota de Ouro que distingue o melhor marcador de golos na Europa. O seu museu no Funchal exibe esses troféus, mas parece que tem espaço para mais alguns.
Ronaldo é realmente um fenómeno papa-prémios e continua a ser o português que mais espaço ocupa na imprensa internacional.  

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A tragédia das catástrofes naturais

Enquanto os tanques turcos entram em território sírio e ficamos sem saber quais são os seus verdadeiros objectivos e qual a duração prevista dessa intervenção, aparentemente apoiada por americanos e russos, mais perto de nós a tragédia abateu-se sobre o centro da Itália, onde ocorreu um violento sismo com a magnitude de 6.2 na escala de Richter. Eram 03:36 horas e a população dormia, quando a terra tremeu durante 142 segundos e destruiu grande parte de Amatrice e Norcia, na região da Umbria. Sucederam-se dezenas de réplicas e muitas pessoas ficaram soterradas nos escombros, enquanto as equipas de resgate tiveram enormes dificuldades de acesso às zonas sinistradas.
O último balanço aponta para 247 mortos.
A imprensa internacional destacou esta tragédia com fotografias mostrando o desespero das pessoas e a enorme destruição que quase fez desaparecer algumas localidades. O título escolhido pelo diário la Repubblica é elucidativo da destruição causada pelo sismo: “como uma guerra”.  
Por se encontrar sobre uma zona sísmica, a Itália tem sido palco de muitas destas calamidades e este grave acontecimento vem mostrar que as catástrofes naturais podem acontecer em toda a parte, mesmo nos países mais desenvolvidos, onde supostamente existe toda a previsibilidade e protecção para estes casos. Por isso, não é preciso arranjar guerras de qualquer tipo, porque a Natureza se encarrega de espalhar a tragédia de vez em quando.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Nunca houve tantos turistas em Portugal

 
O turismo representa actualmente um dos sectores mais dinâmicos da economia portuguesa, tendo vindo a gerar receitas e a criar emprego desde há muitos anos. Este ano, todos os recordes estão a ser batidos e, desde Março que o país tem ultrapassado consecutivamente a fasquia dos mil milhões de euros de receitas todos os meses, o que nem no tempo do Euro 2004 tinha sido conseguido, nem tão pouco no tempo de Paulo Portas, quando esse impostor reivindicava em cartazes eleitorais que o boom turístico português era obra do seu governo. Lembram-se?
As circunstâncias internacionais, a meteorologia e o ambiente cultural desde há muito tempo que têm desviado os fluxos turísticos internacionais para o sul e para o ocidente da Europa, até pelo seu competitivo custo de vida. Porém, nos últimos anos, sobretudo depois das perturbações provocadas pela Primavera árabe e pelo terrorismo que tem ameaçado a Europa, esse movimento acentuou-se.
Hoje o jornal catalão elPeriódico anuncia em primeira página que o terrorismo mudou o mapa mundial do turismo e, de facto, essa é uma realidade que nem precisa de ser justificada com estatísticas. Muitos turistas temem ser vítimas do terrorismo e, só no primeiro semestre do corrente ano, a cidade de Paris perdeu um milhão de visitantes, o que tem representado uma importante perda para os sectores mais ligados ao turismo. Nesse quadro, o turismo favorece a Península Ibérica e, no caso português, podemos dizer que é uma festa. São mais de dez milhões de turistas que nos visitam anualmente. Há turistas por toda a parte: nas cidades e nos campos, nas estradas e nas praias, nos museus e nos restaurantes. É mesmo uma festa! A economia portuguesa agradece.