quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A nova ponte sobre o rio das Pérolas

Foi anunciado pelo jornal hoje macau que, nove anos depois do início da sua construção, a nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vai ser oficialmente inaugurada na próxima terça-feira, dia 23 de Outubro. Apesar da distância a que nos encontramos, esta obra desperta a nossa curiosidade devido à forte ligação histórica de Portugal com esta região do sul da China, onde em 1557 foi criado o estabelecimento de Macau e onde aconteceu uma intensa actividade dos mercadores portugueses e, em especial, as peregrinações e as aventuras de Fernão Mendes Pinto neste delta do Rio das Pérolas, que uma enorme ponte agora atravessa.
A inauguração vai ser, certamente, uma grande festa à maneira chinesa. Trata-se de uma notável obra de engenharia cujo custo atingiu 16 mil milhões de euros para servir esta região do sul da China com cerca de 60 milhões de habitantes e que se espera venha a impulsionar a sua economia que já é responsável por 9,1% do PIB e por 26% das exportações chinesas.
A ponte tem 55 km de comprimento e é a maior travessia sobre do mar do mundo, unindo as duas margens do delta do Rio das Pérolas, sendo constituída por três pontes suspensas, um túnel submarino e duas ilhas artificiais. Vai ligar Hong Kong, Zhuhai e Macau, numa região em que também se localizam as cidades de Guangzhou e Shenzen, permitindo ligar aquelas três cidades em 45 minutos, algo que até agora demorava entre 60 a 70 minutos de ferry boat e entre três a quatro horas de automóvel.
Enquanto obra de grande dimensão e tal como sempre acontece, a nova ponte ou travessia teve atrasos na construção, sobrecustos, suscitou dúvidas quanto aos seus efeitos ambientais, teve a denúncia de casos de corrupção e foi afectada por alguns graves acidentes.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Os dias da Lusofonia decorrem em Macau

Tiveram início em Macau no passado fim-de-semana as iniciativas que integram o programa da 10ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Fórum Macau em coordenação com o Instituto Cultural e o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.
Nesse programa, que se desenvolverá até ao dia 4 de Novembro, estão incluídas exposições de pintura, peças de teatro, espectáculos musicais, uma feira artesanato, stands de apresentação dos produtos dos vários países lusófonos e, naturalmente, as habituais iniciativas gastronómicas.
Na sua última edição o jornal Tribuna de Macau dedicou um alargado espaço a esta Semana Cultural e apresentou muitos dos artistas e grupos que vão participar neste evento, onde aparecem representantes de pequenos países como São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste e até um grupo musical da antiga Índia Portuguesa.
Segundo informa aquele jornal, o interesse pela semana lusófona em Macau tem vindo a aumentar, assim como o número de visitantes, não apenas locais mas também turistas, o que constitui um bom incentivo para a organização e contribui para a promoção da cultura de raiz lusófona.
É, portanto, uma iniciativa que devia ter um forte apoio das autoridades portuguesas, não só em Macau, mas também noutras cidades onde há portugueses ou onde há quem goste de Portugal e da sua cultura.

sábado, 13 de outubro de 2018

Aproxima-se uma recessão económica?

O desenvolvimento das actividades económicas acontece por ciclos, isto é, verifica-se uma sucessão de períodos de rápido crescimento económico que alternam com períodos de relativa estagnação ou declínio. Esse facto foi reconhecido e estudado por muitos economistas, nomeadamente Nikolai Kondratiev, Joseph Schumpeter e Paul Samuelson, através da análise estatística dos desempenhos das economias e todos eles concluiram que os ciclos económicos oscilam entre a expansão e a recessão ou entre o chamado boom económico e a depressão económica.
Cada ciclo económico é caracterizado por um grande número de variáveis, a principal das quais é o crescimento do produto interno bruto, mas também considera outras variáveis como a evolução do desemprego e da inflação.
Segundo um estudo recentemente publicado nos Estados Unidos, em relação aos últimos 161 anos, está a verificar-se o segundo maior ciclo de expansão económica que já vai em 109 meses e que se aproxima do mais longo ciclo de expansão que se conhece que foi de 120 meses. Olhando friamente para  estes números verificamos que a recessão está à porta e que não depende deste ou daquele governo, mas principalmente da euforia dos consumidores que tudo querem (casas, carros, férias) e da ganância e da cegueira da banca que os alimenta. Porém, a economia não é uma ciência exacta e, por isso, estes números não nos fornecem qualquer evidência concreta da aproximação de uma recessão, mas sugerem que o ciclo económico se aproxima de uma contração ou de uma depressão económica, que alguns especialistas afirmam poder ser mais grave do que o habitual. Aliás, aqui mesmo, tratamos este assunto há dois dias a propósito do excessivo e preocupante recurso ao crédito para o consumo em Portugal e, na sua edição de hoje, foi o The Economist que, com um sugestivo grafismo, veio avisar da situação, até parecendo que se inspirou na Rua dos Navegantes.
Quem quiser que acredite. Eu acredito.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Os portugueses, o consumo e a poupança

Desde há alguns meses que o crédito ao consumo não pára de crescer em Portugal e esse facto está a começar a preocupar muita gente, sobretudo aqueles que sabem que não se pode consumir acima daquilo que se produz, através do recurso ao crédito. A fórmula “consuma agora e pague depois” regressou aos balcões da banca, parecendo que a banca e as autoridades financeiras se esquecem que, ainda recentemente, tiveram que ser os contribuintes, através dos impostos, que ir em socorro de uma banca gananciosa, incompetente  e impune quanto aos males que trouxe ao nosso país. Na primeira metade do ano, os bancos e as sociedades financeiras disponibilizarn perto de 3,7 mil milhões de euros em créditos ao consumo, o que constitui um novo máximo nacional segundo o Banco de Portugal, significando que, em média, os portugueses pediram mais de 20 milhões de euros por dia  em empréstimos desta natureza. Só no mês de Maio foram concedidos 667 milhões de euros em créditos ao consumo, um valor que representa um crescimento de 16% face ao mesmo período do ano passado.
Esse crescimento foi impulsionado pelo crédito para compra de automóvel que cresceu 15% e atingiu 288,8 milhões de euros. Nunca num mês tinha sido concedido tanto crédito para a compra de automóvel e aí está a razão porque as nossas estradas estão cheias de carros caros e novos.
Hoje o Jornal de Negócios destaca na sua primeira página que o “crédito ao consumo volta a criar alarme”, salientando que o crédito às famílias continua a aumentar e está em máximos de oito anos, parecendo estarem-se a repetir alguns excessos do passado. Mesmo sem ter acesso a estatísticas para conhecer exactamente a situação, também me parece que não se aprenderam as lições do passado.
Podia estimular-se a poupança e canalizá-la para o investimento produtivo, mas a banca está mais interessada no chamado crédito pessoal para compra de habitação, automóvel, férias, artigos para o lar e outros bens e serviços. Será que se aproxima uma bolha de crédito?

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Argentina é campeã mundial da inflação

O diário argentino Hoy é um tablóide de distribuição gratuita que se publica na cidade de La Plata, a capital da província de Buenos Aires, que se localiza a cerca de 56 km para sueste de Buenos Aires, a cidade autónoma que é a capital federal da Argentina.
É um jornal muito popular e estima-se que tenha cerca de 400 mil leitores. Na sua última edição o jornal trouxe para a sua primeira página a notícia de que, no ano de 2018 e segundo as previsões do FMI, a Argentina teria uma inflação de 40,5%, só superada no mundo pela inflação da Venezuela, Sudão do Sul, Sudão e Irão, isto é, a Argentina é o quinto país do mundo com mais inflação.
A inflação consiste no aumento incessante dos preços quando a procura supera a oferta e é um problema económico e social sério, porque corrói todo o ciclo económico e afecta sobretudo as pessoas de menores rendimentos. No caso argentino, a inflação em 2017 já atingira 24,8%, o que significa que o país está perante uma situação económica muito difícil.
A notícia foi objecto de uma ilustração original e muito criativa em que Mauricio Macri, o actual presidente da República Argentina, sobe ao pódio com a camisola amarela que simboliza o 1º lugar nesta competição da inflação e parece gritar: Somos campeones!
É caso para dizermos que, aqui neste canto ocidental da Europa que se chama Portugal, a inflação é coisa de que já não se fala há muito tempo e esse facto bem tem ajudado a que se vá vivendo na euforia consumista a que assistimos.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Montserrat Caballé e a união pela cultura

O último adeus a Montserrat Caballé deu origem a uma homenagem nacional e tornou-se num acontecimento político relevante, a mostrar que a democracia funciona até na Catalunha, apesar da existência de alguns dirigentes radicais catalães.
A morte da soprano espanhola de 85 anos de idade acontecida no passado sábado num hospital de Barcelona, a sua terra natal, consternou toda a Espanha porque ela era um dos símbolos da cultura espanhola contemporânea, com um currículo artístico singular em que fez mais de quatro mil apresentações em todo o mundo, entre óperas e recitais.
Num tempo em que as tensões têm subido de tom na Catalunha e pouco tempo depois do presidente da Generalitat ter incitado o povo a assaltar o Parlamento e de ter feito um ultimato ao governo espanhol, as cerimónias fúnebres juntaram alguns dos principais protagonistas do processo, a começar pela Casa Real representada pela Rainha Emérita Sofia de Espanha, mas também o primeiro ministro espanhol Pedro Sanchez, o presidente da Generalitat da Catalunha Quim Torra, o ministro da Cultura espanhol, o líder do Partido Popular e a presidente do Município de Barcelona. Gobierno e Govern unidos por Montserrat Caballé. A união pela cultura.
Todos os jornais publicaram a fotografia da cerimónia fúnebre. Embora todos tivessem reparado que Sanchez e Torra se limitaram a um mero cumprimento protocolar e que não trocaram palavra, a sua simples presença nesta cerimónia ao lado de apoiantes e de adversários da causa catalã, mostra que o diálogo é possível e que só esse caminho pode resolver o problema. Certamente que Quim Torra, tal como Carles Puigdemont, aprenderão que as suas legítimas aspirações independentistas não podem ser satisfeitas através de outra via que não seja a do diálogo.

Brasil escolherá Presidente na 2ª volta

O Brasil está em brasa com os resultados das eleições presidenciais, mas sobretudo está dividido e preocupado, porque os resultados da 1ª volta determinaram que Jair Bolsonaro com 46% dos votos e Fernando Haddad com 29% disputem a 2ª volta. Significa que as previsões apontadas pelas sondagens foram acertadas e, portanto, não houve grandes surpresas, pois confirmou-se a polarização da sociedade brasileira, entre a direita e a esquerda políticas ou entre a segurança a que uns aspiram e a justiça social que outros desejam. Nem Bolsonaro nem Haddad parecem ter o carisma que lhes permita mobilizar emocionalmente as multidões e, portanto, o voto dos brasileiros tenderá a seguir a razão e não a emoção. Não é fácil perceber à distância as razões que irão pesar nas escolhas dos eleitores brasileiros na 2ª volta que se realizará no dia 28 de Outubro. As sondagens indicam que Bolsonaro poderá vencer, mas as sondagens enganam-se muitas vezes. Agora que a campanha eleitoral se concentra nos dois candidatos mais votados, vai acontecer uma reflexão mais apurada dos eleitores e uma natural arrumação dos votos dos candidatos derrotados na 1ª volta e daqueles que nem sequer votaram. Os dois candidatos que se situam nas franjas eleitorais extremas da direita e da esquerda vão agora moderar o seu discurso para atrair os 25% de votos obtidos pelos candidatos moderados e vão procurar que os que não votaram não deixem de ir às urnas no dia 28. São mais de 20 milhões de votos que podem alterar todas as previsões.
Uma eleição destas não é um exercício matemático simples e, pelo contrário, é uma operação de sociologia política e de manipulação mediática muito complexa. Por isso, nem Bolsonaro tem a vitória garantida, nem Haddad já está condenado. Só que nem um, nem o outro candidato, afastam as preocupações dos brasileiros quanto ao seu futuro.

sábado, 6 de outubro de 2018

Brasil: eleições e muitas preocupações

A primeira volta das eleições presidenciais brasileiras realiza-se amanhã e os 147,3 milhões de brasileiros recenseados vão escolher o futuro Presidente da República Federativa do Brasil, mas se nenhum dos 13 candidatos obtiver mais de 50 por cento dos votos válidos, haverá uma segunda volta no dia 28 de Outubro em que participarão apenas os dois candidatos mais votados na primeira volta.
O Brasil é o maior país da América Latina, é o quinto maior país do mundo em território e é o sexto em termos demográficos. Mesmo que alguns amigos brasileiros não gostem de ouvir as verdades, o grande Brasil que tem mais de 15 mil quilómetros de fronteira terrestre, é obra de bandeirantes, diplomatas, missionários e militares portugueses, que souberam expandir as suas terras até à cordilheira dos Andes e mantê-las unidas e à margem dos interesses espanhóis.
Amanhã os brasileiros vão votar e, segundo as sondagens, o candidato Jair Bolsonaro terá 39% dos votos válidos enquanto o candidato Fernando Haddad ficará com 25%. A ser assim, esses mesmos candidatos disputarão a 2ª volta no dia 28 de Outubro. A escolha é difícil para o eleitorado brasileiro porque de um lado está o discurso da extrema-direita e de um certo apelo à ditadura, do racismo e da misoginia, com a promessa de mais segurança, enquanto do outro lado está a continuidade das políticas do PT, a corrupção e a insegurança nas ruas, com a promessa de mais justiça social. Poucos parecem apostar na democracia e muitos temem que ela seja suspensa. A leitura da imprensa europeia, como se vê por exemplo no Libération, mostra a grande preocupação por uma eventual vitória de Bolsonaro que, segundo se diz por cá, é uma cópia de Donald Trump, embora muito pior, mas o facto é que  está a seduzir o Brasil com o seu discurso radical e a garantia de segurança que vem oferecendo. Amanhã saberemos o que escolheram os brasileiros.

Há corvos e abutres a cercar o Vaticano

Para além dos aspectos religiosos que são um problema do foro íntimo de cada ser humano e que, portanto, não são aqui tratados, a Igreja Católica Apostólica Romana é também uma organização milenar e planetária cuja autoridade suprema é o Papa, Bispo de Roma e sucessor do apóstolo Pedro. A comunidade católica conta com mais de mil milhões de crentes em todo o mundo, que representam cerca de um sexto da população mundial e daí a sua importância.
Ao longo do processo histórico a Igreja Católica tem dado um enorme contributo para o progresso da Humanidade através das suas missões, das suas escolas e dos seus padres e missionários, mas sem nunca ter estado isenta de crises e de cismas. Porém, nos tempos modernos, a Igreja tem procurado adaptar-se aos novos tempos, para uns de forma muito tímida e para outros de forma muito avançada. Aí começam os problemas em que  se confrontam as correntes progressistas e as correntes ultra-conservadoras da Igreja, em que as questões do património, da gestão financeira ou do comportamento do clero se transformam em grandes polémicas.
A Igreja Católica, tal como a cidade-estado do Vaticano, são governadas desde o dia 13 de Março de 2013, por Jorge Mario Bergoglio, o bispo argentino que, após a renúncia do Papa Bento XVI, foi escolhido pelos cardeais reunidos em conclave para o substituir e que adoptou o nome de Papa Francisco. Tem sido sobre esse homem, que procura gerir com equilíbrio as diferentes sensibilidades e até as tradições culturais, teológicas e litúrgicas da Igreja Católica, que pesa o desafio de procurar restituir a confiança nos católicos feridos pelos escândalos do clero e de levar à aceitação de uma Igreja missionária, mais próxima dos pobres e dos mais necessitados.
O Courrier International trata hoje deste assunto e a sua capa é bem sugestiva e fala por si.

O novo mundo dos smartphones

Uma das grandes transformações sociais dos últimos tempos está a ser a generalização dos smartphones, que está a dar origem ao aparecimento de um novo tipo de criatura que não vê, não escuta e não lê, mas que se limita a usar aquela pequena maquineta. Huawei, Samsung, Apple, Wiko e Nokia dominam o mercado e cada um destes nomes tem os seus seguidores pois que, tal como acontece com o automóvel e com os produtos de luxo, a marca e o modelo do smartphone também conferem status entre os jovens e os adolescentes
O smartphone entrou no quotidiano de quem o tem e de quem não o tem. Entramos no transporte público e toda a gente o devora, indiferente ao que o rodeia, uns para verem as notícias, outros para ouvirem música ou para fazerem jogos e, outros, ainda, para falarem pelo Skype ou pelo WhatsApp. O smartphone selecciona percursos, escolhe as estradas, gere as contas bancárias, escolhe restaurantes, leva-nos às lojas e reserva-nos os bilhetes. Faz quase tudo. Estamos perante uma smartmania que já se transformou num verdadeiro choque civilizacional, em que se está a perder a conversação em família que era a base da educação e, entre os amigos, que era o fundamento da sociabilidade e da solidariedade. Estamos, portanto, a entrar num novo mundo habitado por criaturas que, embora derivem do homo sapiens já não são aquilo que tinham sido os seus avós.
A revista alemã Der Spiegel foi estudar este assunto e com o título “O meu filho, o celular dele eu”, procurou encontrar caminhos para lidar com a geração-smartphone. O smartphone tornou-se uma espécie de segundo cérebro para muitos adolescentes e eles não conseguem imaginar a sua vida sem eles e sem a necessária cobertura de rede da internet. O estudo começou por verificar que os jovens levam em média o smartphone na mão 98 vezes por dia e que o chegam a utilizar 90 vezes. É realmente um mundo novo este dos smartphones.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Theresa May e o marketing político

Theresa May, a líder do Partido Conservador e primeira-ministra da Grã-Bretanha, falou ontem aos seus correlegionários em Birmingham, durante o congresso do seu partido, poucos minutos depois do deputado James Duddridge lhe ter apresentado a demissão do governo e de ter afirmado que ela não é pessoa certa para liderar o partido e o país.
Muitos observadores consideram que a atitude de Duddridge está em linha com as posições de Boris Johnson, que se demitiu do cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros e se prepara para se apresentar como alternativa à liderança dos conservadores.
Neste quadro de críticas e numa altura em que o ambiente é pesado e incerto no Partido Conservador e na Grã-Bretanha pela falta de acordo com Bruxelas relativamente ao Brexit, os congressistas estavam muito ansiosos para ouvir Theresa May num momento particularmente difícil. Porém, por vezes o marketing político pode fazer milagres e foi isso que aconteceu:
Theresa May subiu ao palco ao som de “Dancing Queen”, dos Abba, não deixando de exibir boa disposição e de ensaiar alguns passos de dança. Mesmo antes de falar, já tinha conquistado a plateia que a aplaudiu com entusiasmo. Os congressistas gostaram e os passos de dança de Theresa May encheram as redes sociais, enquanto toda a imprensa britânica os reproduziu em primeira página.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

O conflito catalão renasceu e está vivo

Os partidos e as organizações independentistas catalãs organizaram ontem em Barcelona uma manifestação para comemorar o primeiro aniversário do referendo de 1 de Outubro de 2017 (1-O). Esse referendo de 2017 tinha sido convocado pelo Governo Regional da Catalunha (Generalitat de Catalunya), mas tinha sido proibido pelo Tribunal Constitucional e pelo Governo de Espanha então chefiado por Mariano Rajoy, mas os independentistas compareceram nas urnas. Dos mais de 5 milhões de eleitores recenceados votaram 43% e, destes, houve 92% que responderam “sim” à pergunta "Quer que a Catalunha seja um estado independente em forma de república?”. Significa que, de acordo com os dados anunciados mas não verificados, houve 38% do eleitorado catalão que votou pela independência, mas nunca ninguém certificou estes resultados em que cada um votou as vezes que quis e nos locais que quis. Foi uma farsa em que ninguém acreditou. Porém, no dia 10 de Outubro, o então presidente da Generalitat Carles Puigdemont, declarou a independência catalã de forma unilateral, mas pediu que o efeito dessa declaração fosse suspenso durante algumas semanas para que se abrisse um diálogo. Entretanto, Puigdemont retitou-se para Bruxelas, a Catalunha serenou e recuperou a sua autonomia que lhe havia sido retirada por acção do artigo 155 da Constituição Espanhola.
Ontem os CDR (Comités de Defesa da Revolução), que foram criados em 2017 para defender os resultados de um referendo sem qualquer valor jurídico e sem reconhecimento internacional, com o apoio expresso de Quim Torra, o actual presidente da Generalitat, tentaram assaltar o Parlamento Catalão, como se estivessem em 1917 em frente do Palácio de Inverno em Moscovo, ou em 1989 em frente do Palácio de Ceausescu em Bucareste. A polícia catalã, os Mossos de Esquadra, impediram essa tentativa de invasão, mas os acontecimentos de ontem em Barcelona, que a imprensa relata e a televisão mostra, revelam que o conflito catalão vai continuar e que Quim Torra pode juntar-se brevemente a Carles Puigdemont ou a Oriol Junqueras, pelo seu expresso incitamento à desordem pública e à violência.

domingo, 30 de setembro de 2018

R.I.P. Alves Barbosa

Faleceu ontem no Hospital Distrital da Figueira da Foz, com 86 anos de idade, o antigo ciclista Alves Barbosa (1931-2018), que foi o primeiro atleta a vencer a Volta a Portugal por três vezes, em 1951, 1956 e 1958.
Tinha 19 anos quando venceu pela primeira vez essa prova em que vestiu a camisola amarela na primeira etapa e a manteve até ao fim. Tornou-se um ídolo do desporto português e gozou de uma invulgar popularidade, quando ainda não havia a televisão em Portugal.
No ano de 1956 o ciclista que correu sempre com a camisola do modesto Sangalhos Desportos Clube, participou e obteve o 10º lugar na Volta à França. Num tempo em que o desporto português não tinha qualquer projecção internacional, com excepção de uma modalidade periférica que era, e ainda é, o hóquei em patins, ou de alguns bons resultados no hipismo e na vela olímpica, a classificação conseguida por Alves Barbosa foi um acontecimento nacional.
Alves Barbosa, de quem fui grande admirador na minha infância, ficou sempre ligado ao ciclismo como atleta, treinador e dirigente, tendo sido uma uma das maiores figuras da história do ciclismo português.

sábado, 29 de setembro de 2018

Angela Merkel quase a pendurar o casaco

A chanceler Angela Merkel vai no seu quarto mandato e, como o primeiro se iniciou em 2005, significa que está há 13 anos à frente do governo alemão. Como nunca teve uma maioria absoluta, a chanceler Merkel tem governado sempre com o apoio de coligações e tem tido a habilidade de as formar e manter, daí resultando uma grande estabilidade política para a Alemanha. Porém, o tema dos refugiados tem-lhe provocado muitas críticas e alguma impopularidade, não só no interior da sua coligação como revelam as sondagens, mas também a nível europeu, sobretudo em países como a Itália, a Áustria, a Hungria, a República Checa, a Polónia e a Eslováquia.
Apesar do apoio de Emmanuel Macron, que também está a passar por uma baixa de popularidade, ou de Pedro Sanchez, que ainda não se consolidou como primeiro-ministro de Espanha, o facto é que Angela Merkel perdeu o fulgor político de outros tempos e tem poucas aparições públicas. Algumas vezes, ela e o seu ministro Wolfgang Schäuble, pareceram liderar e dominar a União Europeia, mas esses tempos já são do passado. Hoje, muitos alemães mostram insatisfação e já consideram que ela esteve demasiado tempo no poder. Na sua edição de hoje, a revista Der Spiegel mostra na capa um dos celebérrimos casacos de Angela Merkel pendurado, numa clara insinuação de que deve abandonar o poder ou, como se diz em gíria, arrumar as botas.
Quando isso acontecer, a Europa vai certamente passar por mais um valente sobressalto.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Descobertas da arqueologia subaquática

O semanário Expresso revelou na sua última edição que tinham sido encontrados na barra do Tejo e próximo da Torre do Bugio, os restos de uma nau da Carreira da Índia, provavelmente de finais do século XVI ou do início do século XVII. A importância arqueológica do achado justificou que a notícia tivesse sido manchete do semanário.
O achado foi feito no passado dia 3 de Setembro por uma equipa de arqueólogos subaquáticos da Câmara Municipal de Cascais, no âmbito dos trabalhos do Projeto Municipal da Carta Arqueológica Subaquática do Litoral de Cascais (ProCASC) e, este caso, demonstra como as autoridades locais podem ser importantes para a detecção, identificação e preservação do nosso património histórico e cultural, sem estarem à espera da acção do Estado central e da sua pesada movimentação.
Do que já se apurou, os restos do navio estão espalhados por uma área de cem metros de comprimento por cinquenta de largura em doze metros de profundidade e constam de nove canhões em bronze com o escudo nacional ou com a esfera armilar, fragmentos de pratos de porcelana chinesa da época Wanli, grãos de pimenta e partes do casco.
O anúncio público deste importante achado também serviu para elucidar a opinião pública quanto à forma de tratar estes achados.
Refira-se que se admite a ocorrência de cerca de 10 mil naufrágios na costa portuguesa desde o século XVI e que a Câmara Municipal de Cascais já localizou 133 sítios arqueológicos que remontam à época romana, bem como despojos de navios dos períodos moderno e contemporâneo, num trabalho que já foi reconhecido pela Unesco.