segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Balde de água fria ou o adeus ao Qatar?

Faltava apenas um empate para que a selecção portuguesa assegurasse a sua presença na fase final do Campeonato do Mundo de Futebol, que será realizado no Qatar no próximo ano. Faltava apenas defrontar a Sérvia e era em Lisboa, com o estádio da Luz a abarrotar de adeptos e de bandeiras. Faltava apenas ultrapassar os noventa minutos de jogo e a confiança era geral. O apuramento estava quase garantido. Eram favas contadas e até um golo no minuto inicial parecia abrir o caminho para a vitória. Os jogadores deixaram-se embalar, deixaram de correr, deixaram de lutar. Ao nonagésimo minuto surgiu um golo sérvio e toda a arrogância palavrosa do nosso treinador, que nos tinha garantido que estaríamos no Qatar, se desfez.
Uma derrota destas não é tragédia nenhuma, embora seja difícil de engolir porque a equipa jogou mal, muito mal, sem esforço, sem luta, sem alegria. Eles queriam ganhar, mas ninguém lhes disse que tinham de correr e de lutar. Não basta que a equipa seja constituída por artistas talentosos e muito endeusados pelos media, pois é preciso incutir-lhes um espírito ganhador, o que implica humildade, disponibilidade, coesão e muita disciplina da parte dos artistas, o que não foi o que se viu ontem. Foi o “eclipse total” como bem salientou o jornal O Jogo, embora se refira que os outros jornais que vivem do futebol e que dão pelos nomes de A Bola e Record, tenham escolhido títulos excessivos como as palavras “Miserável” e “Vergonha mundial”, esquecendo que com a sua laudatória habitual têm muita responsabilidade no “eclipse” que aconteceu. Passam cada edição a tratar os jogadores como bestiais, mas bastaram-lhes noventa minutos para que os tratassem como bestas
Em Março disputam-se os play-off e pode ser que a selecção portuguesa ainda se qualifique para o Qatar…

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Americanos evocaram o Veterans Day

A primeira Guerra Mundial terminou no dia 11 de Novembro de 1918, quando num vagão-restaurante na floresta francesa de Compiègne, foi assinado o Armistício. Nunca o mundo tivera um conflito tão doloroso em que houve dez milhões de mortos e vinte milhões de feridos entre os militares que combateram nessa guerra. 
No ano seguinte, os Estados Unidos comemoraram o Dia do Armistício que, alguns anos depois, foi transformado em feriado nacional e se tornou o Dia dos Veteranos, no qual se homenageiam todos os veteranos americanos – vivos ou mortos – com especial agradecimento aos veteranos vivos que serviram o país durante a guerra ou em tempo de paz. Assim, no dia 11 de Novembro de cada ano, os Estados Unidos assinalam o Dia dos Veteranos, recordando “as onze horas, do dia onze do mês onze” e, da mesma forma, também a Grã-Bretanha, a França, a Austrália e o Canadá comemoram este dia, embora com as suas próprias designações. O centro das cerimónias americanas decorre sempre no Cemitério Nacional de Arlington, em Washington, onde estão sepultados mais de 400.000 pessoas, a maioria das quais serviram nas Forças Armadas, pelo que toda a imprensa americana de hoje destaca esse acontecimento, nomeadamente a edição do Chicago Tribune
Hoje os Estados Unidos têm cerca de 19 milhões de Veteranos, dos quais 11% são mulheres, sendo que 5,9 milhões serviram durante a guerra do Vietnam, 7,8 milhões na guerra do Golfo e cerca de um milhão na 2ª Guerra Mundial e na guerra da Coreia. As cerimónias de 2021 assinalaram que era a primeira vez, nas duas últimas décadas, em que os Estados Unidos não estão envolvidos em qualquer guerra. 
O que se salienta é a forma como alguns países prestam homenagem aos seus Veteranos, que é uma coisa ignorada pelas nossas autoridades e pela nossa sociedade civil, mesmo quando lhes atribuem um tal cartão de combatente com alguns pequenos direitos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Macron quer a sua 2ª dose de presidência

A edição do jornal La Marseillaise destacou ontem um discurso do presidente francês Emmanuel Macron, em que durante 27 minutos tratou da epidemia do covid-19 e da terceira vacinação da população, das perspectivas quanto ao emprego, da reforma do plano nacional de aposentações, da independência energética e da presidência francesa da União Europeia. Segundo a generalidade da imprensa francesa tratou-se de um discurso de campanha eleitoral e de ocupar a pole position na corrida eleitoral, tendo o jornal de Marselha escrito que Macron “quer a sua 2ª dose de Eliseu”, isto é, quer renovar o seu mandato como presidente da França.
As eleições presidenciais francesas vão realizar-se no dia 10 de Abril e se nenhum dos candidatos obtiver a maioria absoluta dos votos válidos na primeira volta, será realizada uma segunda volta no dia 24 de Abril de 2022 entre os dois candidatos mais votados na primeira volta.
Actualmente já estão anunciadas catorze candidaturas mas, curiosamente, os candidatos mais preferidos nas sondagens, são o actual presidente Emmanuel Macron com 24% e o jornalista e escritor Éric Zemmour com 15%, mas nenhum deles anunciou a sua candidatura. A cerca de seis meses das eleições presidenciais francesas, a extrema-direita destaca-se com Zemmour (15%) e Marine Le Pen (16%), enquanto o representante da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon e o ecologista Yannick Jadot, recolhem 9% das intenções de voto. Surpreendentemente, a socialista Anne Hidalgo, que é a presidente da Câmara Municipal de Paris, só recolhe 5,5% das intenções de voto.
Não havia grandes dúvidas sobre a recandidatura de Emmanuel Macron, mas com o seu último discurso sobre a vacinação dos franceses, ele também mostrou claramente que “quer a sua 2ª dose de Eliseu”.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Uma grande festa desportiva mexicana

A Formula 1 é uma actividade desportiva ligada à indústria automóvel, que beneficia de avultados investimentos financeiros e publicitários, de uma grande cobertura mediática e de uma enorme popularidade. É um mundo sui generis, que anima as escuderias e as marcas, que desperta o fascínio e a adrenalina dos muitos entusiastas que acompanham os Gran Prix e o chamado circo da Fórmula 1, nas suas deambulações pelas duas dezenas de locais onde se realizam as provas do Campeonato Mundial organizado pela FIA.
A Formula 1 nasceu em 1950 e criou grandes ídolos e muitas narrativas lendárias em torno de figuras como Juan Manuel Fangio, Stirling Moss, Jim Clark, Jackie Stewart, Niki Lauda, Alain Prost, Ayrton Senna ou Michael Schumacher, mas actualmente também tem campeões tão famosos como Lewis Hamilton, talvez a maior figura de sempre da Formula 1, que já foi campeão do mundo sete vezes e tem cem vitórias em Gran Prix e 177 pódios. Porém, no corrente ano, quando faltam quatro provas para terminar o campeonato, o favoritismo do campeonato vai para o holandês Max Verstappen da equipa Red Bull Racing Honda, que ontem mesmo triunfou no Grande Prémio do México.
Nessa prova, o mexicano Sérgio Perez que corre pela mesma equipa, obteve o terceiro lugar e, porque “corria em casa” foi o delírio. Apesar de já ter vencido dois Gran Prix – no Barém (Bahrain) em 2020 e no Azerbaijão em 2021, estando actualmente no 4º lugar da classificação do campeonato – a imprensa mexicana aplaudiu unanimemente o terceiro lugar de Perez, como se o homem tivesse vencido a corrida ou até tivesse chegado à Lua. Toda a imprensa mexicana, inclusive a imprensa generalista em que se inclui o centenário diário Excelsior que se publica na Cidade do México, destacou o resultado de Perez, em alguns casos com fotografias ocupando todo o espaço da primeira página. Parece um exagero mas, provavelmente, se um terceiro lugar daqueles acontecesse em Portugal com um piloto português, a festa não seria diferente.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Após a crise, aí está a retoma da Airbus

A aviação comercial foi uma das actividades mais afectadas pela crise pandémica e pelo consequente abrandamento da economia e do turismo, mas os resultados anunciados pelo fabricante europeu Airbus, relativos aos primeiros nove meses do ano, causaram uma onda de entusiasmo. A empresa que tem sede em Toulouse anunciou um montante de 2,6 mil milhões de euros de lucro nos primeiros nove meses do corrente ano e este resultado financeiro resulta do incremento das suas principais variáveis de gestão: as entregas e as encomendas de novas aeronaves. São números que anunciam a boa convalescença da empresa, como escreveu o jornal La Dépêche du Midi que se publica em Toulouse.
Em 2020 a empresa entregara 566 aviões, quando no ano anterior entregara 863, o que representou uma quebra de 34%. Nos primeiros nove meses do corrente ano já foram entregues 424 aviões, quando no mesmo período do ano passado tinham sido entregues 341, o que significa uma melhoria de 24%, esperando-se que até ao fim do ano sejam entregues seiscentas unidades. Neste quadro, as previsões da empresa já apontam para que a normalidade aconteça até 2024, mas para isso será necessário acelerar a produção, até porque há 5600 aviões A320 com a entrega atrasada.
A estratégia seguida por Guillaume Faury, que desde 2019 é o CEO do Grupo Airbus, pretende voltar a tornar a Airbus o maior fabricante aeronáutico mundial, aproveitando os problemas que perseguem a Boeing, designadamente a segurança do 737 Max e as dificuldades técnicas do 787 Dreamliner.
Portanto, após a crise, aí está a descolagem da Airbus, como titula hoje o La Dépêche du Midi.

Só as eleições podem desempatar este jogo

A Assembleia da República rejeitou por 117 votos contra e 113 votos a favor, a proposta de Orçamento do Estado para 2022, cuja votação aconteceu no passado dia 27 de Outubro.
O chumbo do Orçamento do Estado aconteceu pela primeira vez na vida democrática portuguesa e congelou um aumento de cerca de seis mil milhões de euros em relação ao Orçamento anterior, onde se incluíam medidas de benefício para as famílias e para os pensionistas. Não havia razões de peso para que o Orçamento fosse recusado, porque dessa forma atrasa-se o recebimento dos fundos europeus previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e, como sempre, “o tempo é dinheiro”. Além disso, depois da crise pandémica cria-se uma crise política que vai afectar a economia que começava a recuperar a bom ritmo com o desemprego mais baixo das últimas décadas e que vai congelar as intenções de investimento dos agentes económicos. Estava previsto o maior aumento do salário mínimo da história da nossa democracia, aumentos extraordinários das pensões mais baixas e a gratuitidade progressiva das creches, o que representava um acréscimo de rendimentos para as famílias.
Porém, em nome dos seus interesses particulares, os partidos chumbaram a proposta, o que os cidadãos comuns acham que foi uma loucura e um acto irresponsável, que prejudicou todos os portugueses e afectou a nossa imagem e prestígio internacionais.
Nestas circunstâncias, o Presidente da República decidiu devolver a palavra aos eleitores e marcou eleições legislativas para o dia 30 de Janeiro. Não havia outra alternativa sensata e, aqueles que mais esticaram a corda, não poderão esperar a compreensão dos portugueses quando eles forem votar daqui a noventa dias.
De facto, é muito difícil de aceitar a irredutibilidade do comportamento dos discípulos do ideólogo Louçã, que foram longe demais e não cuidaram de proteger os verdadeiros interesses dos portugueses, incluindo daqueles que lhe deram o voto que lhes tem garantido assento parlamentar.
Com o quadro actual, também o tempo das selfies marcelistas e de outras rapaziadas parece ter chegado ao fim...

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Um cavalo de muito sucesso na Venezuela

Na nossa habitual consulta da imprensa internacional fomos surpreendidos com a capa da edição de hoje do jornal venezuelano Meridiano e com o seu título: Lusitano manda
Efectuada a leitura da notícia verificamos tratar-se de um cavalo de nome Lusitano, que ontem ganhou a 75ª edição do Clássico Internacional Simón Bolivar que se realizou no hipódromo La Rinconada, em Caracas. O cavalo montado por Jean Carlos Rodríguez não pertencia ao grupo dos favoritos, mas surpreendeu todos os seus adversários e, segundo o referido jornal, "Jean Carlos Rodríguez condujo de manera magistral al ejemplar Lusitano, que ensayó una poderosa atropellada en la recta final del óvalo capitalino para adjudicarse el magno evento de calendario hípico”.
Este tipo de provas desperta grande entusiasmo na Venezuela e esta edição do Clássico Simón Bolivar, a mais importante competição hipíca do país, teve catorze concorrentes, repartiu mais de 78 mil dólares em prémios e registou a presença de Nicolás Maduro, o presidente da República da Venezuela.
Apenas o título do jornal e o nome do cavalo vencedor justificam que esta notícia seja aqui destacada, como simples curiosidade. Porém, regista-se que um outro cavalo puro-sangue inglês, igualmente famoso, se chamou Filho da Puta (1812-1835) e venceu nove das doze grandes corridas em que participou na Inglaterra. Foi pintado em 1815 por John Frederick Herring num quadro a óleo sobre tela e está exposto no Doncaster Museum, South Yorkshire, havendo inúmeras reproduções que decoram muitos bares ingleses.
Portanto há pelo menos dois cavalos de sucesso com nome português: o Filho da Puta na Inglaterra e o Lusitano na Venezuela.

domingo, 31 de outubro de 2021

O Papa na rota de São Francisco Xavier

A realização da Cimeira do G20 em Roma proporcionou um encontro do Papa Francisco com Narendra Modi, o primeiro-ministro da Índia, que constituiu um facto de grande relevância internacional.
Desde que o Papa João Paulo II visitara a Índia em 1999, que as relações entre o Vaticano e a Índia se tornaram frias, como demonstram as fracassadas negociações havidas em 2017 para que o Papa visitasse a Índia, por ocasião da visita papal ao Bangladesh e a Mianmar. O encontro de Roma estava programado para durar 20 minutos, mas prolongou-se por mais de uma hora, o que foi interpretado como uma reviravolta nas relações entre o Vaticano e a Índia, até pela elucidativa declaração final de Narendra Modi: “Tive um encontro muito caloroso com o Papa Francisco. Tive a oportunidade de discutir uma ampla gama de questões com ele e também o convidei para visitar a Índia".
As fotografias do encontro são esclarecedoras da empatia entre os dois líderes e foram reproduzidas com grande destaque pela imprensa indiana, nomeadamente pelo diário The Hindu, o que é significativo num país onde mais de 80% da população professa o hinduísmo e onde os 20 milhões de católicos apenas representam 1,5% da população. O fanatismo religioso, incentivado pela actual liderança de Narendra Modi e do BJP, o seu partido, têm feito aumentar a discriminação e a violência sobre as minorias religiosas, incluindo os cristãos, um pouco por todo o país.
O Papa Francisco aceitou o convite de Narendra Modi e a sua visita vai contribuir para uma maior tolerância religiosa e para levar a sua solidariedade aos cristãos da Índia. Certamente, o Estado de Goa vai poder receber um Papa que foi jesuíta e que não vai perder a oportunidade de visitar a terra que recebeu Francisco Xavier, o primeiro jesuíta que missionou na Ásia, bem como o seu túmulo na Basílica do Bom Jesus em Velha Goa. O culto por São Francisco Xavier tem em Goa a sua máxima expressão e a comunidade goesa venera-o como o Goencho Saib, o santo de Goa.
Jorge Mario Bergoglio, o arcebispo de Buenos Aires que foi elevado ao cardinalato em 2001 e que foi eleito Papa em 2013, ao escolher o nome de Francisco, inspirou-se na vida de São Francisco Xavier. Agora Francisco irá cumprir uma missão pontifical, mas também um desejo: conhecer o ponto de partida da rota asiática de São Francisco Xavier.

sábado, 30 de outubro de 2021

Em Glasgow para salvar o nosso planeta

Amanhã inicia-se em Glasgow a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que tem sido designada como COP26, cujos trabalhos decorrerão até ao dia 12 de Novembro.  
Na Conferência de Paris de 2015 os países comprometeram-se a reduzir e limitar as suas emissões de gases de efeito de estufa e o consequente aquecimento global, mas a realidade veio mostrar que muito poucos cumpriram com as obrigações assumidas. Cinco anos depois, deveria ser feita uma avaliação dos resultados na 26ª Conferência mas, devido à pandemia, essa reunião magna foi adiada para 2021 e vai realizar-se a partir de amanhã, esperando-se que perante o agravamento das alterações climáticas que se tem verificado, os países mostrem um maior empenho no combate que é cada vez mais necessário para o futuro do planeta. Espera-se a participação de vinte e cinco mil delegados de duas centenas de países e está confirmada a presença de Joe Biden, Justin Trudeau, Narendra Modi, Recep Tayyip Erdogan e muitos líderes europeus, embora também esteja confirmada a ausência de Xi Jinping, Vladimir Putin e Jair Bolsonaro, entre outros.
Hoje o jornal francês La Tribune destaca a realização desta COP26 com uma fotografia do nosso planeta e dirige-se aos dirigentes de todo o mundo para que se unam para o salvar enquanto é tempo.
Durante doze dias muito se vai discutir mas, provavelmente, continuarão a prevalecer os interesses nacionais, mas há sempre a esperança de poder ser o início de uma nova caminhada para salvar o nosso planeta.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Manobras navais na afirmação da Espanha

Os jornais da cidade de Cádis, ou Cádiz em língua castelhana, destacam nas suas edições de hoje os exercícios navais da Marinha espanhola que foram designados por Flotex-21. 
São as maiores manobras militares realizadas em Espanha depois da crise pandémica e os exercícios decorrem em águas gaditanas e na serra de Retin, nele participando 3.632 militares, 14 navios, 12 aerovaves, oito navios de desembarque, 97 veículos e 760 fuzileiros, além de forças do Exército e da Força Aérea, bem como unidades internacionais integradas no Euromarfor, como sucede com a fragata Rizzo. Os meios envolvidos mostram como a Espanha prestigia as suas Forças Armadas, enquanto instrumentos de defesa e de afirmação externa do país.
O jornal La Voz de Cádiz faz uma extensa reportagem do Flotex-21.

Acaba de amanecer en la Bahía y la actividad es vertiginosa. Mientras un helicóptero SH3 Seaking de la Flotilla de Aeronaves de la Armada sobrevuela el buque anfibio multipropósito (LHD) Juan Carlos I, cuatro aviones caza Harrier se preparan para despegar desde la cubierta de vuelo del mayor buque de guerra construido en España. El Juan Carlos I navega por aguas de Cádiz, junto a él, a estribor, las fragatas Numancia, Reina Sofía y Santa María; a babor, el buque de asalto anfibio Galicia, las fragatas Blas de Lezo y Álvaro de Bazán y el cazaminas Tambre. Y, al fondo, Barbate y el campo de adiestramiento de la Sierra del Retín.

O exercício Flotex-21 iniciou-se no dia 25 de Outubro e vai decorrer até ao dia 5 de Novembro, tendo por objectivo a preparação das unidades navais espanholas, enquanto “herramientas del Gobierno de España para garantizar la seguridad y la defensa”. Cerca de três dezenas de jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara de uma vintena de meios de comunicação de todo o mundo acompanham o exercício. Significa que a Espanha olha pela eficiência das suas Forças Armadas e que a sua imprensa acompanha as suas actividades, mas quando pensamos no que se passa por cá só nos fica espaço para uma enorme tristeza pela forma como são tratadas as nossas Forças Armadas e os seus soldados e marinheiros.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Jair Bolsonaro indiciado por nove crimes

Recentemente, numa reportagem da revista brasileira IstoÉfoi feita a denúncia da gestão do presidente Jair Bolsonaro a quem chamou "mercador da morte", porque durante a pandemia do covid-19 patrocinou experiências desumanas inspiradas no horror nazi. Essa reportagem baseou-se nos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado (CPI) à covid-19, que foi constituída por senadores que trabalharam durante cerca de seis meses e que ontem aprovaram o respectivo relatório final por sete votos contra quatro. A última versão do documento tem 1.289 páginas e indicia 78 pessoas, entre as quais o próprio presidente Bolsonaro, os seus três filhos, vários ministros e ex-ministros e alguns empresários.
Na versão final do relatório da CPI foram atribuídos nove crimes ao presidente, entre os quais os de prevaricação, charlatanismo, epidemia com resultado morte, incitação ao crime, emprego irregular de verba pública, falsificação de documentos particulares e crimes contra a humanidade. De acordo com o relatório final, Bolsonaro “incentivou de forma reiterada a população a violar o distanciamento social, opôs-se ao uso de máscaras, promoveu aglomerações e procurou desqualificar as vacinas”. Naturalmente, toda a oposição já pediu “impeachment e cadeia para Bolsonaro”.
Com mais de 606 246 mortes e 21,7 milhões de infectados pelo covid-19, o Brasil é um dos países mais afectados pela pandemia no mundo, juntamente com os Estados Unidos e a Índia e, segundo um senador, “não foi a omissão que nos levou a 605 884 mortos. Foi a acção dolosa de quem dirigia o Brasil nesse período que levou a essa marca terrível, que fica registada na história como um dos momentos mais macabros da vida deste jovem país chamado Brasil”.
Na sua edição de hoje o jornal Estado de Minas de Belo Horizonte enuncia as acusações contra Bolsonaro na sua primeira página de forma muito criativa. Agora é esperar para ver o que aí vem.

Eleições antecipadas para a clarificação?

A discussão do Orçamento do Estado para 2022 decorreu ontem na Assembleia da República e revelou que a votação que hoje se vai realizar será desfavorável ao governo.
Quando existem inúmeros problemas económicos e sociais para serem resolvidos e é necessária a recuperação da actividade económica que tanto foi afectada pela crise pandémica, o país vai envolver-se em campanhas eleitorais e em eleições antecipadas, que muito dinheiro vão custar, que muitas energias vão consumir e que talvez nada resolvam. Num tempo em que as alternativas políticas ainda estão por constituir, o chamado interesse nacional cede a interesses partidários, corporativos ou até demagógicos, enquanto às ideias de unidade nacional e de bem comum se sobrepõem as visões egoístas de algumas minorias. Na sua edição de hoje o diário espanhol El País destaca a situação política em Portugal e publica uma fotografia do primeiro-ministro António Costa e diz que “el Gobierno de izquierdas se tambalea en Portugal”. Esta notícia mostra como existe alguma apreensão por aquilo que se passa em Portugal.
Depois da intervenção da troika que, para nossa humilhação, esteve em Portugal entre 2011 e 2014, o país conseguiu recuperar o crédito e o prestígio internacionais, com estabilidade política e social, contas certas e com a retoma da convergência europeia e, por vezes, o país chegou mesmo a ser considerado como um modelo à escala europeia.
Porém, a crise pandémica perturbou este ciclo e agora, quando haveria que unir forças para voltar ao caminho, estão a ser aproveitados os percalços que tem havido nesta caminhada e todos teremos que esperar até que as prováveis eleições antecipadas resolvam a situação. O governo terá o apoio de 108 deputados do Partido Socialista e alguns mais, mas não chegarão aos necessários 116 que constituem a maioria dos 230 deputados do Parlamento. Portanto…

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Há quem queira a crise. Pois vamos a ela!

A Assembleia da República começa hoje a discutir o Orçamento do Estado para 2022 e os deputados vão ser chamados a um dos seus actos mais nobres, embora se espere que não votem pela sua cabeça e se limitem a obedecer às nomenklaturas e aos aparelhos partidários.
O Orçamento do Estado (OE) é um documento e um instrumento de gestão preparado pelo governo, que enumera as receitas previstas e as despesas autorizadas do Estado para o próximo ano, incluindo os fundos e serviços autónomos e a segurança social. Em certo sentido pode dizer-se que a vida de todos os cidadãos depende do OE, mas num quadro de necessidades ilimitadas e de recursos escassos, a sua preparação é um exercício muito complexo porque não é possível satisfazer as aspirações de todos, com menos impostos, mais rendimentos, mais saúde, mais educação, mais justiça, mais segurança, melhores estradas, melhores transportes e por aí adiante. Por isso há que fazer escolhas segundo determinados critérios e, em função dessas escolhas, os cidadãos apoiam ou não apoiam os governantes que prepararam o OE. No entanto, nesta discussão do OE, não têm estado em causa os portugueses nem os seus problemas, mas tão só os interesses e as estratégias partidárias que se movem como se o país fosse um tabuleiro de poker e os interesses partidários ou pré-eleitorais a tudo se sobrepusessem. 
O governo que preparou o OE 2022 é minoritário e procura as alianças necessárias para conseguir uma maioria que o vote favoravelmente. Negoceia e cede, o que é normal. Aperfeiçoa o documento, o que é desejável. Porém, não pode ir de cedência em cedência, desvirtuando a sua proposta e tornando-a a proposta de outros. Nessas circunstâncias não há acordo e só há uma solução: antecipar eleições para que o povo diga de sua justiça. O custo desta decisão é elevado e talvez fique tudo na mesma, mas ver-se-á depois quem ganhou e quem perdeu com a arrogante teimosia de alguns interesses minoritários que querem ganhar na secretaria o que não ganharam nas urnas.

domingo, 24 de outubro de 2021

Angola e Portugal com relações em alta

O processo da independência angolana foi longo, complexo e doloroso, tanto para os angolanos como para os portugueses, tendo ficado concluído no dia 11 de Novembro de 1975. As relações históricas e culturais entre os dois países anteviam um futuro de amizade e de cooperação, mas nem sempre assim aconteceu, porque as autoridades de Portugal e Angola entraram em rota de colisão demasiadas vezes, não percebendo que é muito mais importante o que aproxima os dois países, do que aquilo que os separa. 
Nos últimos tempos e com a presidência de João Lourenço, as relações entre Angola e Portugal parecem ter entrado numa nova fase e o Jornal de Angola, considerado o porta-voz do governo angolano, reflecte exactamente essa realidade.
Na sua última edição, o jornal destaca um debate virtual entre os presidentes de Angola e Portugal, no âmbito do Fórum Euro-África, publicando em primeira página as fotografias de João Lourenço e Marcelo Rebelo de Sousa, o que é um acontecimento de enorme significado político.
Disse João Lourenço que "tive a felicidade de durante este meu primeiro mandato termos sabido manter a um nível bastante alto as relações de amizade e cooperação entre os nossos dois países, entre Angola e Portugal, a todos os níveis, incluindo a nível pessoal”, sublinhando que os relacionamentos pessoais ajudam a que isso aconteça e acrescentando que “nós soubemos construir ao longo dos anos essa mesma relação com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e com o primeiro-ministro António Costa”.
Aqui está, portanto, uma forma adequada de fazer política em nome dos povos irmãos de Angola e Portugal, como se deseja.

sábado, 23 de outubro de 2021

Até no Vietnam se vibra com o Ballon d’Or

A Bola de Ouro ou Ballon d’Or é um prémio que foi instituído em 1956 pelo jornal francês France Footbal para distinguir o melhor futebolista do ano.
Todos os anos os jornalistas do France Footbal fazem uma lista de trinta candidatos que depois são votados por um jornalista internacional de cada país e pelos treinadores e capitães da selecção nacional. O processo não me parece muito linear, como também não me parece linear que, em termos absolutos, se possa dizer que um futebolista seja o melhor, pois tudo passa por um complexo processo de promoção dos candidatos. Mas a escolha está em curso e a cerimónia de consagração do Bola de Ouro de 2021 decorrerá no Theatre du Chatelet em Paris, no dia 29 de Novembro. Os trinta candidatos estão escolhidos e, entre eles, há três portugueses: Cristiano Ronaldo, Ruben Dias e Bruno Fernandes. A imprensa desportiva internacional vem dedicando algum espaço a este assunto e, como se diz na gíria, cada país puxa a brasa à sua sardinha, embora nos grandes favoritos estão as estrelas do costume que são Lionel Messi com seis triunfos e Cristiano Ronaldo com cinco.
O curioso desta disputa é que ela não se fica pela imprensa da Europa ocidental e da América do Sul e chega, por exemplo, ao Vietnam. Quem diria! O jornal Th thao & Văn hóa, que em língua vietnamita parece que significa Sports & Culture, também se envolveu na escolha do melhor futebolista de 2021 e parece apostar em Cristiano Ronaldo, Mohamed Salah e Karim Benzema, esquecendo Lionel Messi, Robert Lewandowski e Kylian Mbappé. Como se vê, o assunto é muito controverso, mas sem dúvida que este envolvimento da imprensa vietnamita é uma boa curiosidade a mostrar como o futebol se globalizou.