segunda-feira, 27 de julho de 2015

Estamos quase aliviados dele!

Ontem à noite, quando navegava pela internet para melhor me informar sobre o estado da nação, deparei-me com um blogue muito interessante onde, sob o título “Estamos quase aliviados dele”, nos era apresentado um contador automático que indicava o número de dias, horas, minutos e segundos que faltavam para ficarmos “livres de Cavaco”. Achei essa informação muito interessante e oportuna. Aníbal Cavaco Silva, um economista natural de Boliqueime, venceu as eleições presidenciais que se realizaram no dia 23 de Janeiro de 2011. Estavam inscritos 9 milhões e meio de eleitores, mas houve 53,56% que se abstiveram. O candidato vencedor obteve 53,1% dos votos expressos, embora os 2 209 227 votos que recebeu tenham correspondido apenas a 23% dos eleitores inscritos. Para uma reeleição, foi uma vitória pouco expressiva. Pouco tempo depois realizaram-se eleições legislativas e, pela primeira vez na nossa história democrática, concretizou-se o sonho de Sá Carneiro: uma Maioria, um Governo, um Presidente. O resultado foi o unanimismo e isso foi muito mau.
Era um tempo difícil, com o país humilhado perante a troika e sujeito a um duro programa de assistência económica e financeira, com um governo a ir mais longe do que a própria troika. Os portugueses pagaram um preço bem elevado. Aumentaram-lhes os impostos. Cortaram-lhes os salários e as pensões. Mudaram-lhes as leis laborais para facilitar os despedimentos. Dificultaram-lhes o acesso à saúde, à educação e à justiça. A mentira e a manipulação estatística tornaram-se prática corrente de uma governação baseada na propaganda e na mentira. Desemprego. Emigração. Falências. Despejos. Pobreza. O desespero tomou conta de muitos portugueses.
Nesse quadro, era necessário que em Belém estivesse um provedor dos cidadãos ou um árbitro das disputas político-partidárias, mas isso não aconteceu. Aquele que um dia se intitulou “o homem do leme”, acomodou-se às suas vaidades e mordomias, tornando-se um delegado subalterno do governo. Viajou pelo mundo com alargadas comitivas como se o país fosse rico e rodeou-se de pelotões de assessores. Seguiu à risca a fórmula “uma Maioria, um Governo, um Presidente“, não teve vontade própria e adaptou-se a uma agenda ideológica imposta pelas circunstâncias. Esqueceu-se que devia ser “o presidente de todos os portugueses” e não ser apenas o presidente de uma maioria política e não sociológica. O seu compromisso para defender a soberania e a independência nacional foi ultrapassado por um seguidismo por vezes bajulador e contabilístico. Nunca a popularidade presidencial foi tão baixa.
Eu nunca esqueci aquela pobreza cultural de não saber quantos cantos têm Os Lusíadas, nem o vazio cultural dos seus improvisos perante as câmaras da televisão. As suas declarações públicas são muitas vezes despropositadas e algumas vezes são mesmo lamentáveis, como nos casos do BES, da crise grega ou da privatização da TAP. Este homem foi o nosso “azar dos Távoras”, como disse Carlos do Carmo. Alguém sugeriu recentemente que “ajudemos Cavaco a acabar o seu mandato com dignidade”. Não sei se ainda é possível. O seu mandato termina no dia 23 de Janeiro de 2016. Faltam pouco menos de 180 dias. Então, ficaremos aliviados desta pesadelo. Já não regressará a Boliqueime. Os seus amigos esperam-no na Aldeia da Coelha.

domingo, 26 de julho de 2015

Nora Tyson, uma almirante bem poderosa

Na passada sexta-feira em San Diego, a bordo do USS Ronald Reagan, a Vice-Almirante Nora Tyson assumiu o cargo de comandante da 3ª Esquadra Americana, que agrega as forças navais americanas do Pacífico Ocidental desde a costa oeste dos Estados Unidos até à linha internacional de mudança de data. O jornal The San Diego Union-Tribune salientou esta “historic change for Navy” e referiu que se trata da primeira mulher a comandar uma Naval Fleet.
Nora Tyson é natural de Memphis, Tennessee, alistou-se na Marinha em 1979 e foi recentemente promovida aa posto de Vice-Almirante. No seu currículo naval constam muitas comissões de carácter operacional, com destaque para o comando do USS Bataan (LDH-5), um Landing Helicopter Dock ou navio de assalto anfíbio da classe Wasp, mas também a participação em operações no golfo Pérsico e o comando de forças navais.
A Marinha dos Estados Unidos tem ao seu serviço cerca de 45 mil mulheres que representam cerca de 16% do seu efectivo total, das quais cerca de 8 mil são oficiais. Nessas circunstâncias é normal que uma mulher atinja tão elevado cargo na estrutura operacional da Marinha Americana. A US Third Fleet que a Vice-Admiral Nora Tyson agora comanda é responsável por uma área de grande importância estratégica para os Estados Unidos, cobrindo a área do norte e do ocidente do oceano Pacífico, incluindo o Alaska, o estreito de Bering, as Aleútas e o sector do Ártico. É uma das seis esquadras permanentes americanas e o seu dispositivo dispõe de 4 porta-aviões (USS Nimitz, USS Carl Vinson, USS Ronald Reagan e USS John C. Stennis), mas também alguns cruzadores, muitas fragatas, submarinos, aviões, helicópteros e muitos soldados. É caso para perguntar: quem é a mulher mais poderosa do planeta?

Tour de France 2015: espectáculo único

A 102ª edição da Volta à França em bicicleta termina hoje em Paris depois de terem sido percorridos 3.360 quilómetros por estradas holandesas, belgas e francesas. Durante 22 dias, um pelotão de 198 ciclistas repartidos por 22 equipas proporcionou um espectáculo desportivo de alto nível e de grande adesão popular. Através da televisão tivemos a possibilidade de acompanhar a prova com transmissões de alta qualidade técnica devidamente comentadas, que nos permitiram “estar” realmente dentro do pelotão, acompanhando os ciclistas, as suas lutas e as suas fraquezas. Essas reportagens também permitiram acompanhar o inigualável entusiasmo de milhões de franceses pelo Tour de France que, nas bermas das estradas ou no alto das montanhas dos Pirinéus e dos Alpes, aplaudiram os seus ídolos, mas essas imagens também permitiram apreciar as paisagens deslumbrantes e um notável património histórico e cultural disseminado por todo o território francês. Provavelmente, nenhum outro evento desportivo como o Tour de France contribui tanto para a promoção de um país, através da beleza das imagens que transmite para todo o mundo durante muitas dezenas de horas. Esta 102ª edição, que hoje termina, caracterizou-se pelo seu percurso de grande dificuldade, com muitas etapas de alta montanha e muitas quedas. Não foi apenas uma prova desportiva, pois foi um espectáculo único. O ciclista português Rui Costa foi, para nosso desapontamento, uma das vítimas dessas quedas, enquanto os verdadeiros campeões se impuseram na subida das altas montanhas. Para a história vão ficar sobretudo os nomes dos espanhóis Contador e Valverde, do italiano Nibali e do colombiano Quintana mas, principalmente, o inglês Christopher Froome que repetirá hoje em Paris a sua vitória de 2013. E hoje em Paris, haverá três portugueses entre os 160 ciclistas que vão terminar o Tour.

sábado, 25 de julho de 2015

A intervenção turca no conflito sírio

Na complexa situação que se vive na Síria, resultante de uma desastrada intervenção ocidental que decidiu apoiar todas as forças que lutam contra o presidente Bashar el Assad, aconteceram nos últimos dias alguns acontecimentos relevantes. A Turquia que até agora mantivera uma atitude de hostilidade para com o regime sírio e de tolerância ou mesmo apoio ao Estado Islâmico (ISIS ou Daesh), parece ter alterado a sua posição.
No início da semana um homem-bomba fez-se explodir no meio de uma manifestação de estudantes curdos em Suruç, próximo da fronteira turca, matando 32 pessoas. As autoridades turcas de imediato acusaram o Daesh. Dias depois, um grupo de elementos do Daesh atacou um posto fronteiriço turco, provocando a morte de um oficial e alguns feridos. O governo turco reagiu a estas provocações jihadistas e decidiu impor a sua autoridade na fronteira, onde vinha “fechando os olhos” às actividades do grupo extremista no seu território. O seu envolvimento no conflito, depois de cinco anos de não intervenção directa, é a resposta aos receios de que o jihadismo do Daesh entre pelos seus 900 quilómetros de fronteira. Assim, o governo turco tomou a decisão de autorizar a coligação liderada pelos Estados Unidos a utilizar a base aérea de Incirlik no sul do país e, ao mesmo tempo, as forças armadas turcas atacaram o Daesh. Três aviões de combate F–16 turcos atacaram as suas posições em Kilis, junto à fronteira com a Síria, tendo sido anunciada a morte de 35 militantes jihadistas. Foi a primeira operação do género lançada pelo governo de Ancara e a imprensa turca, caso do diário Milliyet, deu-lhe grande destaque a mostrar que a Turquia começa a estar preocupada com o que se passa junto das suas fronteiras e passou a ter um papel mais activo nesta guerra.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A unidade da Espanha e a ambição catalã

No próximo dia 27 de Setembro vão realizar-se eleições regionais antecipadas na Catalunha e a grande novidade é a apresentação de uma lista unitária independentista, conforme revela El Periódico de Barcelona. Esta lista agrega os dois principais partidos nacionalistas catalães, isto é, a Convergência e União (CiU) que está no poder e que é presidida por Artur Mas e a Esquerda Republicana Catalã (ERC) dirigida por Oriol Junqueras, mas integra também outros pequenos partidos.
Estas forças apresentar-se-ão ao eleitorado catalão sob o lema “Junts pel Si” e, de facto, pretendem transformar as eleições regionais num plebiscito independentista. O acordo celebrado junta pela primeira vez as forças políticas independentistas catalãs e visa proclamar a independência da Catalunha, já incluindo um pacote de medidas calendarizadas que se destinam a preparar a independência catalã num período de entre seis a oito meses depois das eleições. Este anúncio deixou a Espanha inquieta.
Dois dias depois, a recém-eleita presidente do Município de Barcelona Ada Colau, militante do Podemos mas que não é assumidamente independentista, decidiu retirar o busto do Rei João Carlos da sala de plenários municipais, porque a lei apenas obriga à presença de um busto ou fotografia do rei actual e não do rei anterior, o que foi considerado um acto inamistoso para com a Casa Real e originou uma "guerra" municipal. No dia seguinte, o rei Filipe VI visitou Barcelona para presidir à entrega de diplomas a 35 novos juízes e, perante as autoridades catalãs, afirmou que o respeito pela lei não pode ser uma formalidade nem uma alternativa, o que foi entendido como um aviso aos que actuam contra a unidade da Espanha. Estes acontecimentos mostram que há uma grande preocupação em Espanha pelo que possa acontecer na Catalunha nos próximos tempos.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Uma nova era para 11 milhões de cubanos

Depois de 54 anos de total ausência de relações, de muita tensão e de algumas provocações, as diplomacias americana e cubana conseguiram chegar a uma base de entendimento que teve ontem o seu momento mais simbólico em Washington, quando foi hasteada a bandeira cubana na nova Embaixada de Cuba nos Estados Unidos. Esse acto foi protagonizado perante mais de cinco centenas de convidados pelo ministro Bruno Parrilla, o primeiro governante cubano a entrar nos Estados Unidos em mais de 50 anos.
A história de Cuba é demasiado rica de grandes acontecimentos, neles se incluindo a sua luta pela independência contra o poder colonial espanhol que culminou em 1898, o movimento guerrilheiro de Fidel de Castro e dos seus companheiros que a partir da Sierra Maestra tomaram o poder em 1959 e a controvérsia que a revolução cubana e os seus ícones sempre despertaram. Cuba desafiou e afrontou os Estados Unidos e o imperialismo económico-militar dos tempos modernos, aliou-se ao sovietismo e alimentou conflitos um pouco por todo o mundo. Isolou-se do mundo e, como contrapartida, os onze milhões de cubanos ficaram mais afastados da comunidade internacional.
Agora, os dois milhões de cubanos que vivem nos Estados Unidos, sobretudo na Florida, estão a passar por um tempo de confiança e de orgulho nacional, conforme revela o Miami Herald. Porém, o processo de normalização das relações entre os dois países vai ser longo e lento, pois há muitas forças, quer em Cuba quer nos Estados Unidos, que não esquecem as tensões do passado e não aceitam os passos que estão a ser dados por Barack Obama e por Raul Castro. Uns prometem não terminar com o embargo económico que vigora desde 1962, enquanto outros reclamam o fim do regime fidelista. Por isso, durante a cerimónia em Washington alguns manifestantes gritaram “Cuba si, Fidel no”, enquanto outros preferiram gritar “Cuba si, embargo no”, mas seguramente que está aberta uma nova era para os 11 milhões de cubanos que vivem na ilha.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Como eles nos afundam e nos mentem

Um jornal de Lisboa bem conhecido pelos seus títulos sensacionalistas e por algumas campanhas que alimenta, escolheu hoje a dívida pública portuguesa como tema da sua primeira página. A notícia não é nova, mas porque é apresentada a toda a largura da primeira página tem um impacto maior e serve para alertar os mais distraídos.
É sabido que, em plena crise financeira que atravessou o Atlântico e se instalou na Europa, a dívida pública portuguesa passou de 71,0% do PIB (em 2008), para 83,7% (em 2009) e 94,0% (em 2010). Segundo a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP, em 31 de Maio de 2011 a dívida atingia 164.348 mil milhões de euros, correspondentes a cerca de 100% do PIB.
Passados 4 anos, com a intervenção da troika e com um governo submisso que “quis ir mais longe do que a troika”, a dívida pública portuguesa atingiu 224.155 milhões de euros no dia 31 de Maio de 2015, correspondendo a cerca de 130% do PIB. Aumentou 59,8 mil milhões de euros em quatro anos!
Significa que com a troika, o governo nos endividou em cerca de 60 mil milhões de euros, isto é, aumentou a dívida em cerca de 36%, para além de ter aumentado o desemprego, a pobreza e a emigração dos mais jovens e de ter criado graves problemas na educação, na justiça, na saúde e na defesa nacional. A economia e a sociedade estão doentes, mas não faltam lugares para os amigos. No plano europeu tornámo-nos seguidistas sem dignidade e é lamentável termos abdicado da solidariedade para com os nossos parceiros e ouvir o presidente do Conselho Europeu desmentir o primeiro-ministro português. Uma tristeza!
Para quem anda sempre a acusar os outros, a fazer propaganda, a auto-elogiar-se e a afirmar que os cofres estão cheios, esta verdade é demolidora e cobre de ridículo aqueles que têm dito que "é preciso proteger" o que foi feito e "não voltar a cometer os mesmos erros". É que esta gente não só é mentirosa, como também é ousada e atrevida na forma como mente. 

O que nos vale é o futebol… de praia

O ano de 2015 não tem corrido muito bem ao desporto português no plano internacional, porque apesar de ter averbado alguns sucessos muito meritórios, por exemplo no ténis de mesa, na canoagem, no judo e no atletismo, também teve algumas derrotas que muito desapontaram os nossos desportistas.
No Mundial de hóquei em patins disputado em La Roche Sur Yon, a equipa portuguesa perdeu com a Argentina nas meias-finais. No Mundial de Futebol de Sub-20 disputado na Nova Zelândia (FIFA U-20 World Cup) os portugueses perderam nos quartos-de-final com o Brasil na marcação de grandes penalidades. No Europeu de Futebol de Sub-21 disputado na República Checa (UEFA European Under-21 Championship) a selecção perdeu a final com a Suécia também na marcação de grandes penalidades. Na Liga Mundial de voleibol (FIVB Volleyball World League 2015) a equipa nacional foi despromovida ao Grupo 3 depois de ter perdido com a Bélgica, a Holanda e a Finlândia. Até na Volta à França tivemos a desistência de Rui Costa, o ex-campeão do Mundo em que tantas esperanças eram depositadas. Já andamos na alta roda desportiva, mas têm sido demasiados baldes de água fria.
Porém, ontem em Espinho, depois de ter ultrapassado as selecções do Japão, Argentina, Senegal, Suiça e Rússia, a equipa portuguesa derrotou a equipa do Tahiti e tornou-se campeã mundial de futebol de praia (FIFA Beach Soccer World Cup Portugal 2015). Há que felicitar aqueles verdadeiros artistas do futebol de praia, mas também há que salientar que a vitória foi um prémio merecido para os muitos entusiastas portugueses que encheram o estádio, que incitaram os jogadores e que vibraram com a vitória. Foi uma alegria e, no meio das muitas incertezas que nos rodeiam, precisamos destas alegrias. Até o jornal A Bola esqueceu por um dia o Jesus, o Benfica, o Casillas e as transferências de futebolistas para homenagear os campeões do mundo!

domingo, 19 de julho de 2015

Duas boas exposições em Torres Vedras

Na incaracterística cidade de Torres Vedras, a par de um notável património militar e religioso e de muitas memórias históricas, existe o Museu Municipal Leonel Trindade instalado no antigo convento da Graça, em cuja exposição permanente se evocam as Linhas de Torres que, entre Outubro de 1810 e Março de 1811, travaram o avanço das tropas francesas do marechal André Masséna na sua caminhada para Lisboa e acabaram por provocar a sua retirada de Portugal.
Nesse museu estão actualmente em exibição duas interessantes exposições temporárias de elevado cunho didáctico, que foram inauguradas no dia 15 de Maio e que, por diferentes vias, evocam a expansão ultramarina portuguesa. Uma dessas exzposições intitula-se “Torres Vedras no caminho de Ceuta. 600 anos – Do Conselho Régio de Torres Vedras… à conquista de Ceuta (1414-1415)” e evoca o Conselho Régio que reuniu em Torres Vedras em 1414 e  que decidiu pela tomada de Ceuta e pelos preparativos para a mesma. A outra exposição intitula-se “Sarmento Rodrigues – Viagem ao Oriente Português” e recorda a viagem que o Ministro do Ultramar Almirante Sarmento Rodrigues realizou em 1952 aos territórios ultramarinos da Índia Portuguesa, Timor e Macau, com passagens por Malaca e Singapura, como contributo para a ideia então dominante de unidade de uma nação pluricontinental. Essa longa viagem, em que pela primeira vez aqueles territórios foram visitados por um membro do governo português, constituiu um acontecimento político relevante para a época e entusiasmou as elites locais que ofereceram ao ministro português várias peças ilustrativas da riqueza cultural dos territórios visitados. Essas peças de elevado valor artístico e simbólico que o Almirante Sarmento Rodrigues doou ao Museu Nacional de Etnologia integram a exposição e, só por si, justificam uma visita. A exposições manter-se-ão em exibição até ao dia 10 de Outubro.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Uma belíssima exposição fotográfica!

Sebastião Salgado é um brasileiro com 70 anos de idade, natural de Minas Gerais e é, também, um dos mais famosos fotógrafos ou fotojornalistas do mundo, com trabalhos reconhecidos internacionalmente. Tem acumulado prémios e distinções e a UNESCO distingiu-o com Embaixador da Boa Vontade, pelo seu contributo para a preservação do nosso planeta. Desde o dia 10 de Abril que Sebastião Salgado apresenta em Lisboa a sua exposição “Génesis”, constituída por cerca de 250 imagens a preto e branco de grande formato, dedicadas aos povos isolados,  aos animais, à natureza e às suas paisagens grandiosas, que foram recolhidas sobretudo em lugares ainda não explorados ou não flagelado pelo homem. Trata-se de um trabalho desenvolvido durante quase uma década pelas regiões mais inóspitas do planeta, desde a Antártida à Nova Guiné e à Amazónia, que serviu de base à magnífica e muito didáctica exposição itinerante que é “uma jornada de busca do planeta como ele existiu desde a sua formação e na sua evolução”.
Iniciada no Brasil, a exposição já passou por Londres e vai ficar em Lisboa, no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional,  até ao próximo dia 2 de Agosto. Descuidei-me e só quase no fim da mostra, a visitei. Havia muita gente interessada e muitas crianças em visita escolar. O que eu ia perdendo! Para os que, como eu se distrairam, ainda há duas semanas para poderem ver esta belíssima exposição.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Uma grande vitória da diplomacia

Após mais de uma dezena de anos de tensão à volta do programa nuclear iraniano, as negociações entre o Irão e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e Alemanha) foram concluidas com sucesso. O acordo foi alcançado em Viena após 21 meses de difíceis negociações e no 18º dia da última etapa de conversações. Segundo foi divulgado, o acordo limita num longo prazo a capacidade iraniana para produzir armas nucleares e não se baseia na confiança entre as partes, mas sobretudo no facto do Irão aceitar inspecções periódicas às suas instalações militares. O acordo implica o levantamento imediato de muitas sanções impostas pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Os presidentes Barack Obama e Hassan Rouhani manifestaram a sua satisfação pelo acordo e a sua esperança numa relação renovada entre os dois países. A imprensa internacional destacou esta notícia com euforia, embora o acordo tenha provocado fartos protestos, por diferentes razões, nos dois maiores adversários regionais do Irão, respectivamente Israel e a Arábia Saudita. Durante anos a suspeita e a desconfiança dominaram a relação do Irão com algumas grandes potências e destas com o Irão, tendo sido traçados cenários para um ataque contra as instalações militares do Irão. Chegou-se mesmo a imaginar a aviação israelita a actuar como testa de ferro do poder americano ou uma grande batalha naval no golfo Pérsico mas, por agora, a diplomacia acabou por vencer. Seria excelente que esta diplomacia tão dinâmica e tão eficaz se estendesse na região e levasse rapidamente a paz à Síria, ao Iraque e ao Iémen.

terça-feira, 14 de julho de 2015

O triste fim da solidariedade europeia

Depois de muitas semanas de encontros e desencontros, surgiu uma hipótese de acordo quanto ao futuro da Grécia depois de uma maratona de muitas horas de negociações, mas poucos podem acreditar na sua viabilidade. O jornal espanhol ABC retrata hoje a Grécia representada por um frágil barquinho de papel que se afundará com a mais ligeira brisa. A Grécia foi derrotada pelos abutres, humilhada pelos falcões e vai continuar sujeita à mesma austeridade que a tem destruído social e economicamente.
A solidariedade europeia acabou e, lentamente, a Grécia vai apagar-se, mas vai levar consigo o projecto europeu. O fanatismo e a ignorância dos negociadores foi longe demais. Usaram a Contabilidade em vez da História e da Geopolítica. Não ouviram Joseph Stiglitz nem Paul Krugman, ambos distinguidos com o prémio Nobel da Economia. Tiveram uma visão contabilística em vez de uma visão política e cultural. Uma pré-tragédia.
Sabemos que a situação era muito complexa e que o passado despesista do país e as irrealistas promessas eleitorais dos governantes gregos não ajudavam a boas soluções, mas faltou coragem política para encontrar uma outra resposta. O acordo a que se chegou (graças ao valioso contributo lusitano saído do cérebro do nosso Passos!!!), nada resolve e é muito perigoso. Os gregos vão reagir e a instabilidade vai instalar-se naquela área geoestratégica, onde convergem interesses dos mais diversos. Tal como no futebol, tudo pode acontecer a partir da confusão que se vai instalar devido ao desespero de milhões de gregos. Ali bem perto estão acantonados os fundamentalismos e, do outro lado do mar, há muitos milhares de refugiados àvidos de fazer a travessia. É caso para perguntar como foi possível que se chegasse a esta situação e saber quem são os responsáveis por ela. Talvez o ex-comissário Barroso nos possa explicar... Agora, perante o cenário catastrófico que se avizinha, em vez de serem ressarcidos dos créditos concedidos à Grécia para beneficiar cadeias de intermediários corruptos, é bem possível que os credores venham a suportar ventos tempestuosos vindos do Mediterrâneo Oriental mas, então, nem Wolfgang Schäuble, nem Dijsselbloem, nem Lagarde, estarão nos lugares de onde dirigiram esta sinistra operação. E no meio disto tudo, temos o Peter Kazimír, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças da Eslováquia, a  afirmar que “a Grécia teve de ser punida devido à primavera grega”. Palavras para quê?
 

sábado, 11 de julho de 2015

Tomar e a sua grande festa popular

A Festa dos Tabuleiros ou do Divino Espírito Santo que se realiza de quatro em quatro anos na cidade de Tomar é uma das mais exuberantes romarias portuguesas e é uma interessante expressão de criatividade popular que é conhecida pelo menos desde o século XV.
Apesar da festa incluir inúmeras realizações e atracções musicais, desportivas, tauromáquicas, gastronómicas e outras ao gosto popular, o seu ponto mais simbólico é o imponente Cortejo dos Tabuleiros em que sobressaem os tabuleiros artisticamente decorados e a brancura das vestes das raparigas que os transportam à cabeça ao longo das ruas da cidade, engalanadas com colchas pendentes nas janelas e sob uma chuva de pétalas lançadas sobre o cortejo, a que depois se segue a benção do pão e das coroas do Espírito Santo. Os tabuleiros que se incorporam no cortejo ou desfile representam as 16 freguesias do concelho de Tomar e o seu número é variável, embora habitualmente ultrapasse as cinco centenas.
O Cortejo dos Tabuleiros realiza-se amanhã, a partir das 16:00 horas e é o ponto mais alto da Festa dos Tabuleiros e, só por si, atrai centenas de milhar de visitantes. Não é fácil chegar lá mas, seguramente, é uma grande tradição que se preserva e fortalece e é, também, um grande espectáculo da cultura popular portuguesa.

O exercício assegura a eficiência militar

O matutino Northern Territory News (NT News) que se publica na cidade australiana de Darwin, a capital do Território do Norte, destaca na sua edição de hoje a realização do Exercise Talisman Saber 2015, com uma desenvolvida reportagem. Trata-se de um exercício militar combinado que se realizou pela primeira vez em 2005 com a participação das Australian Defense Forces e das Forças Armadas dos Estados Unidos e que, desde então, se tem realizado de dois em dois anos, sendo o maior exercício militar realizado pelos australianos. O exercício decorrerá nas regiões norte e centro do território australiano, no mar territorial e na sua zona económica exclusiva que se desenvolve no mar de Timor, mas com maior incidência nas regiões a oeste de Darwin, em que as amplitudes de maré atingem 9 metros e abundam “man-eating crocodiles and even nesting turtles”.
Este ano o exercício tem a sua sexta edição e desenvolve-se a partir de meados de Julho durante vinte dias, envolvendo mais de 30 mil tropas americanas e australianas, além de muitos e diversificados meios navais e aéreos. Pela primeira vez participarão no exercício forças neo-zelandesas (500 efectivos) e forças japonesas (40 efectivos). Os exercícios destinam-se a assegurar o treino que garante a eficiência militar e a fortalecer as capacidades de resposta a situações de crise e de contingência, sobretudo em relação à guerra ao terrorismo, envolvendo todo o tipo de acções terrestres e marítimas. É assim em todo o lado e em todas as actividades. Até no futebol. Porém, a dimensão deste exercício não deixa de ser uma manifestação de poder face ao maior país islâmico do mundo que se situa nas vizinhanças, mas também um sinal para a própria China e para a sua vontade de se tornar a potência dominante na região.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O “comício eleitoral” do estado da Nação

Ontem  decorreu o debate parlamentar sobre o estado da Nação e, como é natural, a troca de argumentos foi viva, mas não convenceu ninguém. O debate com aqueles protagonistas não esclareceu e pouco serviu para avaliar o estado da Nação. Foi um verdadeiro comício parlamentar ou mesmo um comício eleitoral. Como o jornal Público escreveu, foi um debate entre “o país pobre e o país que cresce”, isto é, por um lado aqueles que criticam a excessiva austeridade que nos afectou e a nossa subserviência perante a troika, com graves consequências na pobreza, no desemprego e numa dívida pública que é a terceira mais alta da União Europeia e, por outro, aqueles que afirmam ter feito o melhor para o país, que seguiram a estratégia acertada, que não falharam e que vão levar agora o país para um ciclo de crescimento e prosperidade.
Independentemente da opinião de cada um, a situação portuguesa é muito complexa. O governo vive de um auto-elogio ridículo e com a mentira a tornar-se um factor de acção política e um instrumento de propaganda, mas a esquecer-se que as novas tecnologias são hoje um verdadeiro detector de mentiras. A nação vive um estado de enorme degradação da vida económica e social que as estatísticas não mostram claramente, com a pobreza a aumentar, sem investimento produtivo, sem criação de emprego e, sobretudo, sem esperança no futuro. As estruturas do Estado estão depauperadas e foram desprestigiadas pelo poder político que não foi capaz de fazer a sua necessária reforma. É sabido que as coisas não vão bem na Educação, na Justiça, nas Forças Armadas, nas Polícias, na Economia, na Diplomacia e, ao contrário do que nos foi dito, os nossos cofres não estão cheios e a nossa dívida continua a subir, com encargos absolutamente insuportáveis e insustentáveis.
A Grécia esteve presente no debate e a maioria insiste no discurso da intolerância e da inflexibilidade, indiferente à tragédia que se abateu sobre a sociedade grega devido à ganância da especulação financeira, sem cuidar de nos prevenir de um eventual efeito boomerang que, amanhã, se pode virar contra nós.
Em síntese, o governo faz o seu auto-elogio, distorce estatísticas, utiliza mentiras, diz meias verdades e faz propaganda, mas desconhece o verdadeiro estado da Nação.