domingo, 30 de junho de 2013

Catalunha: a luta continua!


A reivindicação independentista catalã tem estado aparentemente adormecida, mas ontem parece ter acordado quando cerca de 90 mil pessoas encheram o Camp Nou – o estádio do FC Barcelona – para assistir a um grandioso concerto.
Foi o Concert per la Libertat, no qual a cultura musical e a reivindicação política da Catalunha, assim como as cores nacionais catalãs, estiveram lado a lado e pretenderam dar um novo impulso no movimento para a independência. Os momentos musicais foram intercalados com a leitura de textos de escritores e poetas catalães, assim como vídeos com depoimentos de personalidades do mundo da cultura e da televisão, a apoiar o processo soberanista. A assistência dispôs de cartolinas vermelhas e amarelas com que decorou as bancadas do estádio e “construiu” um mosaico com a frase Freedom for Catalonia 2014, com o objectivo de pressionar a opinião pública internacional e ter apoios para a sua ambição independentista. À volta do estádio, segundo referiu a imprensa catalã, a venda de “produtos nacionalistas”, como bandeiras e camisolas, foi intensa, transformando o concerto numa grande festa. Muitos elementos dos órgãos do governo autónomo da Catalunha aderiram à iniciativa, embora tivesse havido declarações de grande prudência. A organização salientou que o concerto foi apenas mais um passo no processo libertador da Catalunha que aspira à realização de um referendo, mas que deseja uma transição pacífica e feliz, bem como a manutenção de laços de fraternidade com os povos vizinhos. Os tempos não estão fáceis para ninguém e os catalães também percebem isso.

O futebol é mesmo uma festa!

No mítico Estádio do Maracanã da cidade do Rio de Janeiro, disputa-se hoje a final da Taça das Confederações, em que se defrontam as selecções do Brasil e da Espanha. Até há poucos anos a hegemonia mundial do futebol era brasileira, mas nos últimos anos essa hegemonia deslocou-se para Espanha, cuja selecção é a actual campeã europeia e mundial.
Estamos a um ano da realização do próximo Campeonato do Mundo e o jogo de hoje, entre a selecção do país organizador e a selecção campeã mundial, apresenta-se como uma antevisão do que acontecerá em 2014. Era a final esperada e ambas as equipas lá chegaram sem terem sido derrotadas. O jogo começará às 23.00 horas de Lisboa e lá estarão Neymar e Iniesta, Xavi e Hulk, entre tantas outras estrelas do futebol mundial, num espectáculo que promete pela ambiência, pela incerteza e pela qualidade. A dirigir a equipa brasileira estará o nosso bem conhecido Luís Filipe Scolari, um homem que à sua maneira deu um importante contributo ao futebol português.
Todo o mundo está atento a este jogo e até na Índia, onde o futebol ainda não entusiasma multidões, o jornal Ananda Bazar Patrika ou আনন্দবাজার পত্রিকা (se o escrevermos em bengali) que se publica em Calcutta, chama à sua primeira página o jogo que hoje se disputa no Maracanã e as fotos de Neymar e de Iniesta.
O futebol é mesmo uma festa!
 

sábado, 29 de junho de 2013

A ridícula solidariedade europeia

A Comissão Europeia anunciou recentemente um programa de apoio ao desemprego jovem cujo montante poderá atingir os 8 mil milhões de euros, o que significa que os cerca de 5,7 milhões de jovens desempregados com menos de 25 anos que vivem na União Europeia, poderão vir a beneficiar de um apoio de cerca de 1400 euros cada um. O problema que a Comissão tão tardiamente reconhece é sério, pois a Europa corre o risco de ter uma geração perdida de jovens desempregados e há muitas vozes que entendem que estas medidas não são suficientes para inverter a situação.
O jornal i analisa hoje esta questão e recorda que em Agosto de 2012, num artigo publicado em jornais de toda a Europa, Durão Barroso calculara que o total de ajudas da Comissão Europeia à banca atingira 4,5 biliões de euros, isto é, cerca de 28 vezes o PIB português. Disse Barroso nesse artigo que “temos de acabar com o círculo vicioso no qual o dinheiro dos contribuintes - mais de 4,5 biliões de euros até agora - é utilizado para resgatar bancos”. Em síntese, o combate ao drama de quase 6 milhões de jovens sem emprego na Europa vai ser feito com uma verba que equivale a 0,177% do total de ajudas concedidas à banca até Agosto de 2012. Por cá, onde já foram injectados 6 mil milhões na banca, talvez possamos receber 150 milhões de euros para apoiar os jovens desempregados. Toda esta “solidariedade europeia” parece ridícula.

Tour de France: la 100ème édition

Começa hoje na Córsega a 100ª edição da Volta à França, a prova desportiva que mais entusiasma os franceses e que é, também, a prova de ciclismo mais importante de todas quantas se realizam no mundo. Este ano a prova terá 21 etapas e, para além dos dois contra-relógios individuais, contará com muitas etapas de montanha, quer nos Pirinéus, quer nos Alpes. Terminará em Paris no dia 21 de Julho e, pela primeira vez, a etapa final terminará ao pôr do sol, com a cidade de Paris já iluminada, para assinalar e dar brilho à 100ª edição deste grande acontecimento desportivo.
A corrida será disputada por 198 ciclistas de 22 equipas e conta com dois portugueses no pelotão: Rui Costa (dorsal 124) que ainda recentemente venceu a Volta à Suiça, e Sérgio Paulinho (dorsal 96) que em 2004 conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas.
Diariamente e a partir das 13.30 horas, a RTP2 acompanhará a corrida em directo, devendo notar-se que para além da sua vertente desportiva, a reportagem é sempre um cartaz turístico de excelência pela beleza e espectacularidade das imagens que divulga. A não perder, como se diz lá pelas estações televisivas.
 

Festival ao Largo 2013

No espaço fronteiro ao Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, vai realizar-se pelo quinto ano consecutivo, 0 Festival ao Largo 2013 dedicado à música sinfónica, ao teatro e ao bailado, no qual músicos, bailarinos, maestros e coreógrafos de renome nacional e internacional, proporcionarão ao público vários espectáculos ao ar livre e sempre de entrada gratuita. Este ano, certamente por dificuldades orçamentais, o Festival incluirá apenas onze espectáculos, que serão apresentados apenas às sextas-feiras e aos sábados, mas sempre às 22.00 horas.
O Festival ao Largo 2013 começou exactamente ontem e vai estender-se até ao dia 28 de Julho.  O programa que está a ser divulgado apresenta uma oferta suficientemente variada, que inclui apresentações da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Coro do TNSC, para além da Companhia Nacional de Bailado.
O local é particularmente adequado para a realização de um festival deste tipo pelo seu enquadramento arquitectónico e constitui uma boa oportunidade para atrair público àquela zona da cidade. Tem sido assim todos os anos, embora as condições oferecidas aos espectadores não sejam muito confortáveis. Por isso, ou se vai cedo e se encontra um dos poucos lugares sentados ou, em alternativa, se assiste de longe, de pé e com pouca visibilidade.  Contudo, nas noites quentes de Julho que se avizinham, o Festival ao Largo é uma excelente proposta cultural. Se ainda não assistiu, experimente!

 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uns são filhos e outros são enteados

A tenista portuguesa Michelle Brito derrotou a campeoníssima russa Maria Sharapova na primeira ronda do quadro principal do Torneio de Wimbledon. Antes desse encontro, era impensável este desfecho: a tenista portuguesa figurava no 131.º lugar do ranking mundial e iria ter uma luta desigual com a tenista que ocupa o 3º lugar do ranking mundial e que é uma das raras tenistas que já ganharam os quatro torneios do Grand Slam. Por isso, foi realmente um êxito desportivo invulgar e prestigiante, pelo que Michele Brito fez história no ténis português. Michele nasceu em Lisboa e tem 20 anos de idade, mas desde os nove anos que vive nos Estados Unidos com a família, exactamente para frequentar a Nick Bollettieri Tennis Academy, na Florida. 

Uns dias antes, o remador Pedro Fraga, natural e residente em Paranhos, conquistou a prova de skiff da Taça do Mundo de remo disputada em Elton Dorney, também na Inglaterra. Foi o primeiro título mundial para o remo português. Fraga é um atleta amador, mas já tem um palmarés desportivo notável. Antes remou em double scull em parceria com Nuno Mendes e obtivera um 5º lugar nos Jogos Olímpicos de 2012, uma medalha de prata nos Europeus de 2012 e 2010 e uma medalha de bronze em 2011. Este ano passou para o skiff e já ganhara a medalha de prata nos Europeus de Sevilha. 

Os jornais portugueses, generalistas ou desportivos, destacaram e quase todos "puxaram" a fotografia da tenista para a sua primeira página e até A Bola, por uma vez se esqueceu do futebol. Porém, nenhum deles se interessou pelo nosso campeão mundial de remo. Para os nossos jornalistas, há desportistas que são filhos e outros que são enteados ou, então, dão as notícias em função dos seus interesses pessoais. Como é diferente viver na Florida ou viver em Paranhos.

terça-feira, 25 de junho de 2013

A nossa governação é uma triste sina

A crise que nos afectava em 2011 e que levou ao memorando de entendimento com a troika por vontade de quem chumbou o PEC 4, aprofundou-se nos dois últimos anos. Os portugueses empobreceram, perderam o emprego ou emigraram, enquanto o Estado aumentou a sua dívida e o seu défice. A economia regrediu, aumentaram as falências, a procura interna reduziu-se e não há investimento... apesar de não ter chovido. As cidades e as ruas estão a tornar-se desertas e os espaços vazios para vender e para alugar multiplicam-se. A insegurança é cada dia maior e existe uma ameaça de ruptura social. O desespero e até a fome entraram na vida de muita gente.
Porém, estes resultados têm responsáveis.
Durante dois anos fomos enganados e o poder produziu um discurso mentiroso, arrogante e de grande insensilidade social. Não estudaram. Não se prepararam. Tinham uma ambição desmedida. Diziam que não haveria cortes nos subsídios nem nas pensões e mentiram. Diziam que não subiriam impostos e mentiram. Diziam que nunca se desculpariam com o passado e mentiram. Diziam que não pediriam mais tempo nem mais dinheiro e mentiram. Ouvi-los, ou vê-los rodeados de guarda-costas, é um exercício confrangedor.
É verdade que os tempos são difíceis, mas foram eles que semearam ventos e se deixaram humilhar pela troika. A Espanha não foi nisso. Agora, vivem isolados numa espécie de condomínio de luxo, onde não faltam os carros topo de gama, os assessores, as viagens e os guarda-costas, como se viu naquele triste passeio a Alcobaça, em jeito de piquenique. Agora descobrem-se as verdades e cada vez é mais evidente que o caminho tão servilmente percorrido tem sido errado e tem servido para alimentar os especuladores que têm enriquecido com as nossas desgraças. Já ninguém acredita neste caminho errado, nem em quem nos conduz. Não acredita a oposição, nem acreditam os senadores do partido, nem os amigos da coligação, nem os patrões, nem os sindicatos. Agora nem o FMI acredita. É uma triste sina a nossa.

domingo, 23 de junho de 2013

A Espanha, a política e a corrupção

O jornal espanhol La Razon destaca na sua edição de hoje o fenómeno da corrupção em Espanha e, embora reconheça que há milhares de cidadãos que dão os seus esforços de maneira voluntária e altruísta ao serviço da comunidade, reconhece que a corrupção é um mal que afecta a generalidade dos países. Assim, perante o aumento da corrupção espanhola, o jornal patrocinou o lançamento público de um manifesto que visa a reabilitação da política e o combate à corrupção, o qual foi imediatamente subscrito por quarenta personalidades.
O manifesto afirma que “a vida pública espanhola está a ser assolada por casos de corrupção, por uma crise institucional e de valores, assim como uma crise económica que põe em causa as instituições. Longe de cairmos em desespero ou indiferença, o nosso dever é defender o papel da política e da sociedade civil para superar a situação. Gerou-se a ideia de que o sistema não funciona e de que tudo é corrupção, mas só com o reconhecimento de que há uma grande maioria de políticos honestos que trabalham para o bem comum é que poderemos recuperar o prestígio e a confiança no nosso país”. O manifesto inclui depois cinco pontos e termina com o elogio da política: “é a política que nos permitirá acabar com os casos de corrupção, porque a corrupção consiste no aproveitamento ilícito do poder”.
Na Corruption Perceptions Index de 2012, que é o último que está publicado pela International Transparency, a Espanha figura em 30º lugar, enquanto Portugal ocupa a 33ª posição. Parece, portanto, que temos problemas semelhantes no campo da corrupção, mas por cá não há manifestos, nem o tema ocupa as primeiras páginas dos jornais. Em vésperas de sufrágio eleitoral, bom seria que os eleitores portugueses pensassem nestas coisas.

University of Coimbra – Alta and Sofia


Foi com esta designação - University of Coimbra – Alta and Sofia – que a 37ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO reunida em Phom Penh, no Cambodja, declarou a inscrição de mais um bem cultural português na Lista do Património Mundial da UNESCO.
A Universidade de Coimbra foi criada em 1290 e a sua candidatura a património da Humanidade nasceu há cerca de 15 anos, tendo evoluído com o tempo: do Paço das Escolas passou a incluir toda a Alta universitária e a Rua da Sofia, num conjunto de mais de 30 edifícios e acrescentou a vertente do património imaterial, com a produção cultural e científica, as tradições académicas e, ainda, o papel desempenhado ao serviço da língua portuguesa. Significa que, para além dos critérios no qual a candidatura vinha fundamentada e que diziam respeito ao valor patrimonial do conjunto de edifícios que integram a área da candidatura, foi acrescentado um terceiro critério que reconhece a Universidade de Coimbra como símbolo de uma “cultura que teve impacto na Humanidade”. Por isso, o que foi distinguido não foi apenas um conjunto de edifícios antigos, mas também um dos mais importantes símbolos da cultura e da língua portuguesa. Estão de parabéns os meus familiares e os meus amigos que frequentaram aquela universidade, em especial o meu irmão MC e o meu amigo ANF.
Segundo os relatos divulgados pela imprensa, a inscrição imediata da Universidade de Coimbra foi apoiada pelos 21 delegados de todo o mundo, por vezes com intervenções muito elogiosas para a importância que ela teve na divulgação da ciência e da língua portuguesa no mundo. O representante indiano referiu a importância da língua portuguesa como veículo de cultura e a sua influência expressiva na Índia, enquanto o delegado tailandês agradeceu a Portugal por ter levado a malagueta para a Tailândia.
A partir de agora, Portugal conta com 15 bens inscritos na World Heritage List da UNESCO.
 

O Brasil mexeu e já mudou

Apesar do seu tom conciliador e do reconhecimento da legitimidade das reivindicações populares por melhor qualidade de vida, melhor saúde e mais educação, o discurso da presidente Dilma Rousseff não travou o enorme protesto popular e o Brasil continua a sair à rua para se manifestar. A juventude está na primeira linha da indignação nacional porque não se sente representada nos partidos políticos, enquanto a classe média já percebeu que o seu poder de compra estagnou ou regrediu. É um fenómeno que não é só brasileiro e que também acontece aqui pela Europa, sobretudo nos países do sul.
O enorme potencial económico brasileiro tem estado a ser canalizado para benefício de uma minoria e poucos acreditam na classe dirigente brasileira para inverter a situação. Agora o povo exige uma mudança. Todos denunciam a escandalosa corrupção, que torna os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Todos criticam o desregramento dos gastos públicos, agora evidenciado com os custos e os extra-custos dos estádios de futebol. Todos exigem mais investimento na saúde, na educação e no estado social, isto é, menos bola e mais escola. A amplitude dos protestos surpreendeu e ninguém imaginou que a luta contra o aumento dos bilhetes do transporte público pudesse gerar uma tão generalizada contestação, até porque foi uma situação aparentemente de menor importância que serviu de detonador. É sempre assim. Porém, a insatisfação da juventude e da classe média brasileiras exprimiu-se genuinamente, tem o apoio de mais de 75% da população e isso significa que o Brasil não vai voltar a ser o que era. O país mexeu e, com determinação, já mudou. Os brasileiros não vão perder esta oportunidade para conquistarem direitos sociais. Tudo vai correr bem!  

 

sábado, 22 de junho de 2013

A UNESCO valoriza o nosso património

Reunida na cidade coreana de Gwangju, a UNESCO inscreveu mais um documento português na lista do património Memória do Mundo - o Diário da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia (1497-1499), cuja autoria é atribuida a Álvaro Velho. Este importante documento da História da Expansão Portuguesa pertence ao acervo da Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP) e faz parte de um conjunto de 299 documentos classificados pela UNESCO na sua Memory of World que, a partir de agora, inclui seis documentos portugueses – a Carta de Pero Vaz de Caminha (2005), o Tratado de Tordesilhas (2007), o Corpo Cronológico (2007), o Relatório da 1ª Travessia Aérea do Atlântico Sul (2011), os Arquivos dos Dembos (2011) e o Diário da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia (2013). Sobre o documento agora classificado, a UNESCO salientou tratar-se de “um testemunho verdadeiro da forma como Vasco da Gama, à frente da sua frota, descobriu a rota marítima para a Índia”, acrescentando que esta foi uma aventura “sem precedentes” e “um momento determinante que mudou o curso da História”, para além de constituir uma das maiores explorações marítimas realizadas pelos europeus naquela época.
Entretanto, o Comité do Património Mundial da UNESCO actualmente reunido no Camboja, está a apreciar um outro pedido português: a classificação da Universidade de Coimbra. Neste caso, a eventual classificação da velha Universidade, juntar-se-ia aos 14 sítios (culturais ou naturais) portugueses que estão incluidos na World Heritage List da UNESCO.


 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Um rei dos mares que visita Lisboa

O porta-aviões americano USS Dwight D. Eisenhower chegou ontem ao porto de Lisboa para uma visita de três dias, tendo ficado fundeado próximo da Trafaria, provavelmente devido às restrições de navegação a que está sujeito em Lisboa por ter propulsão nuclear. Embora o porto de Lisboa receba frequentemente a visita dos grandes navios de cruzeiro, não é habitual receber os grandes porta-aviões cuja imponência não deixa indiferentes os lisboetas, ao mesmo tempo que os tripulantes do navio têm o privilégio de admirar um cenário espectacular que é a entrada no porto de Lisboa, a serra de Sintra e o casario da cidade.
O USS Dwight D. Eisenhower é um dos mais poderosos navios de guerra do mundo com 4800 pessoas embarcadas, das quais cerca de 30% são mulheres. É uma verdadeira cidade flutuante e transporta 120 pilotos e 62 aéreos, designadamente caças F18 e helicópteros Hawkeye, Seahawk e Browler.
A visita de um navio desta dimensão e com uma tão numerosa tripulação é um acontecimento mediático e tem um significativo impacto em algumas actividades económicas da cidade em vésperas do regresso do navio aos Estados Unidos. Conforme revela hoje o Diário de Notícias, entre os tripulantes do porta-aviões encontra-se Roy Logan, um luso-descendente de 27 anos de idade que vem a Portugal pela primeira vez e que era esperado no cais pelo avô Domingos da Costa Duarte, residente em Aveiro.
 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A indignação e o protesto são globais!

A insatisfação e o protesto globalizaram-se e depois dos distúrbios acontecidos em Londres e Paris, da chamada Primavera Árabe, das manifestações na margem mediterrânica da Europa e dos protestos na Turquia, a insatisfação chegou ao Brasil numa extensão inesperada. Porém, todos parecem estar de acordo em relação ao protesto e o famoso Caetano Veloso escreveu que “os protestos são uma demonstração genuína da insatisfação da população”.
A insatisfação nem sempre tem uma origem ou um detonador precisos, mas acaba por unir os cidadãos que recusam aceitar passivamente as políticas que não os protegem, que lutam contra a corrupção, que condenam o enriquecimento ilícito e que reagem contra a violência do poder e dos poderosos.  O protesto é cada vez mais dirigido ao establishment e aos poderes que podem alternar-se, mas que se perpetuam na mesma lógica. No caso brasileiro o detonador foi o aumento dos transportes, mas existem outras razões como a corrupção generalizada, a violência policial e o comportamento dos políticos. O início da Taça das Confederações, a que seguirão o Mundial de Futebol e os Jogos Olímpicos acordaram o subconsciente dos brasileiros para os astronómicos gastos com os estádios e com a organização desses eventos mais ou menos sumptuários num país a reclamar por mais saúde, mais educação e menos pobreza.  Não se trata de um protesto de um partido ou facção contra outro partido ou facção, mas de uma reacção maioritária da população, dos jovens e das pessoas mais qualificadas, mobilizadas a partir das redes sociais. Como titula o Correio Braziliense “as manifestações desnorteiam a velha política” que está posta em causa. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e muitas outras cidades estão a mostrar a sua indignação. Como compreendemos os nossos irmãos brasileiros daqui deste lado do Atlântico!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A troika é uma criadora de desemprego



O jornal catalão La Vanguardia colocou hoje na sua primeira página um título que alude directamente ao nosso país - Portugal descubre el paro masivo bajo la tutela de la troika. Na realidade, o actual nível de desemprego é um problema recente e muito preocupante em Portugal, coincidindo com a adopção das políticas de austeridade impostas pela troika.
Quando em 1983 o país passou por uma grave crise económica, o governo tomou medidas excepcionais de contenção salarial e pediu ajuda ao FMI no sentido de corrigir o desequilíbrio das suas contas externas, daí resultando uma intensa contestação social. Como resultado desta situação verificou-se um aumento do desemprego, que em 1985 alcançou um valor histórico de 8.7%. Depois, a economia portuguesa estabilizou, o país entrou na CEE, foi adoptada a moeda única e o desemprego nunca mais atingiu o valor de 1985.
Até que em 2008 surgiu a actual crise económica e em 2009 o desemprego subiu dois pontos percentuais na União Europeia e, também, em Portugal, onde atingiu 10.6%. Depois, o desemprego iniciou uma escalada em Portugal e em 2010 subiu para 12.0%, em 2011 para 12.9%, em 2012 para 15.9% e, nesta altura, aproxima-se dos 18%. Como diz o La Vanguardia, foi com a tutela da troika e dos seus aliados internos que Portugal descobriu o desemprego massivo e caiu na espiral recessiva em que vivemos. Era suposto que a troika nos ajudasse, mas afinal…  


Azulejos de Brasília expostos em Lisboa

Não é uma exposição grande em extensão, mas é uma grande exposição e uma bela iniciativa da Fundação Athos Bulcão que se integra nas comemorações do Ano do Brasil em Portugal 2013. Intitula-se Azulejos em Lisboa – Azulejos em Brasília e está patente no Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, muito bem enquadrada no espaço e na exposição permanente do museu.
A exposição faz um interessante paralelo entre as azulejarias brasileira e portuguesa e homenageia Athos Bulcão, o principal representante da moderna azulejaria brasileira e um dos autores mais representados em Brasília, embora tenha obra dispersa por outras cidades brasileiras e tenha assinado algumas obras no estrangeiro. O seu estilo inspira-se na azulejaria barroca portuguesa, sobretudo nas temáticas compositivas, nas paletas de cores e na lógica do processo de montagem. Diz-se que ele é “o artista da capital” e que o seu trabalho “conferiu alma a Brasília, com sua capacidade de intervenção na arquitectura, utilizando o azulejo e as inovações do seu uso”, o que muitas vezes enriqueceu as concepções arquitectónicas e o trabalho do seu amigo Oscar Niemeyer.
A interessante exposição pode ser vista até ao dia 28 de Julho e é sempre uma oportunidade para revisitar um dos mais belos museus de Lisboa.