domingo, 1 de dezembro de 2013

O cinema timorense distinguido na Índia

Aos poucos, a República de Timor-Leste afirma-se internacionalmente em novos domínios, como se viu com o filme A Guerra da Beatriz, que acaba de vencer o Golden Peacock ou Pavão de Ouro na categoria de melhor filme da 44ª edição do International Film Festival of India, que ontem se concluiu em Goa. O filme é a primeira longa metragem timorense, tendo sido concebido, produzido, realizado e interpretado por timorenses. É falado em tétum e é legendado em inglês, tendo sido estreado na cidade de Dili no dia 17 de Setembro e apresentado em Outubro no Adelaide Film Festival 2013.
O filme conta a história de Timor-Leste durante o período da ocupação indonésia entre 1975 e 1999, através do amor de uma mulher pelo marido que era membro da Resistência, tendo sido filmado sobretudo na aldeia de Kraras, perto de Viqueque, o local onde há 30 anos ocorreu um massacre perpetrado por soldados indonésios. O filme foi realizado pela timorense Betty Reis e pelo italiano Luigi Acquisto, um dos poucos estrangeiros que esteve envolvido no filme que foi apoiado pela Dili Film Works e pela FairTrade Films Australia. A Guerra da Beatriz, foi escrito pela timorense Irim Tolentino, que também faz o papel de Beatriz, enquanto o elenco é composto por vários actores timorenses, incluindo José da Costa o mais conhecido actor timorense. Depois do sucesso que o filme teve no International Film Festival of India, é com muita expectativa que aguardamos a apresentação em Portugal d’A Guerra da Beatriz.

sábado, 30 de novembro de 2013

Como são famosos os burros de Paradela

Um dos objectivos da União Europeia é a melhoria das condições de vida e de trabalho dos seus cidadãos e a redução das desigualdades sociais e económicas entre as regiões, daí resultando uma especial atenção ao desenvolvimento da agricultura e à protecção e preservação do mundo rural. A Política Agrícola Comum (PAC) é o principal pilar para a concretização desses objectivos, actuando através de um sistema de subsídios à agricultura destinados a assegurar o abastecimento regular de bens alimentares e a garantia aos agricultores de um rendimento em conformidade com os seus desempenhos. A PAC é responsável por cerca de 43% de um orçamento comunitário de muitos milhões de euros e durante muitos anos esses subsídios têm corrido generosamente, sobretudo para os bolsos dos agricultores franceses (22%), espanhóis (15%) e alemães (14%), cabendo aos agricultores portugueses uma pequena fatia de cerca de 2%. Porém, com a chegada da crise e da austeridade acordou-se recentemente que até 2020 as despesas da PAC têm que passar de 43% para 38% do orçamento global.
Acontece que, no quadro da PAC e da preservação do mundo rural, desde 2003 que o burro mirandês está classificado como raça em extinção, o que passou a dar direito a um subsídio de 230 dólares anuais por cada animal. Por isso, o New York Times publicou ontem na sua primeira página uma fotografia de um burro mirandês e escreveu que “em Portugal as bestas de carga vivem de subsídios”. Foi esse o pormenor que interessou o jornal, pois desta vez não tratou do clima, da gastronomia ou do futebol lusitanos, mas foi até às freguesias de Paradela e Ifanes, no concelho de Miranda do Douro, para perceber como são tratadas as zonas rurais, não só no nordeste transmontano, mas também no sul da Europa. Aí o jornalista Raphael Minder verificou que a desertificação demográfica por que passa aquela região é um processo semelhante ao da extinção do burro mirandês, outrora um indispensável instrumento de trabalho,  mas que actualmente corre sérios riscos, mesmo com o subsídio comunitário. Como é curioso o facto do burro mirandês ser tão famoso e ter tido tanto destaque (com fotografia) num dos maiores jornais do mundo.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Evangelii Gaudium: o apelo do Papa

No passado dia 26 de Novembro o Papa Francisco fez publicar a sua primeira exortação apostólica a que deu o título de Evangelii Gaudium ou A alegria do Evangelho, que é dirigida “aos fiéis cristãos”, mas que apela “ao diálogo com os crentes das religiões não-cristãs”, apesar dos vários obstáculos e dificuldades, de modo particular os fundamentalismos de ambos os lados. O documento foi divulgado pela internet e tornou-se tema de primeira página em alguma imprensa internacional, inclusive na América, embora a imprensa portuguesa o tenha ignorado, provavelmente porque anda um pouco anestesiada (ou é controlada) pelos poderes dominantes. A exortação papal tem 224 páginas e um texto exposto em 288 pontos, que expressa a necessidade das estruturas da Igreja se reformarem, se descentralizarem e se tornarem mais missionárias, mas que também critica a “nova tirania” do “capitalismo selvagem”, a “idolatria do dinheiro” e a “sacralização do mercado”, defendendo a inclusão social dos pobres, a paz e o diálogo social. É, por isso, um documento muito oportuno para ser lido pelos nossos dirigentes políticos para que aprendam e percam o seu fanatismo e a sua cegueira neo-liberal, que estão a levar o nosso país à desagregação económica e social.
A exortação apostólica dedica uma parte do seu conteúdo aos desafios do mundo actual, em que o Papa denuncia o actual sistema económico e afirma que “devemos dizer não a uma economia de exclusão e de desigualdade social”, porque “esta economia mata” (53). Fala na “globalização da indiferença” (54), na “negação da primazia do ser humano”, na “ditadura de uma economia sem rosto” (55), numa “evasão fiscal egoísta” e numa “corrupção ramificada” (56), salientando que a “ambição do poder e do ter não tem limites” (56), que “o dinheiro deve servir e não governar” (58) e declara um “não à desigualdade social que gera a violência” (59).
Como destaca a síntese do Newsday, é preciso repartir a riqueza e é urgente combater a pobreza e a desigualdade, mas é também urgente que os nossos governantes aprendam alguma coisa com este lúcido apelo que é a mensagem papal.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Ensaio sobre a violência

Nos últimos tempos tem-se falado muito de violência doméstica, de violência urbana, de violência psicológica, de violência sexual, de violência física e de outros tipos de violência, mas numa conferência recentemente realizada em Lisboa, o tema da violência reentrou na ordem do dia quando Mário Soares declarou que “a violência está à porta” e que aquela iniciativa tinha sido promovida exactamente “para evitar a violência". O irrevogável ministro Portas e algumas das suas marionetas partidárias, aproveitaram a oportunidade para criticar Mário Soares e aquilo a que chamaram “um apelo implícito à violência”. Porém, não houve nenhum apelo desse tipo e, pelo contrário, tem sido o irrevogável Portas e os seus colegas de governo que repetidamente têm usado a violência sobre a minha pessoa e sobre muitos outros portugueses, dos quais muitos milhares já emigraram, quase um milhão estão desempregados e muitos mais empobreceram.
A violência corresponde sempre a um comportamento intencional e excessivo que causa dano moral ou físico a outra pessoa ou ser vivo, nele se incluindo a violação dos direitos humanos. Aquilo que o governo tem feito torna-me uma vítima da violência governamental, pois mentiu-me descaradamente em campanha eleitoral e depois reduziu-me a qualidade de vida, sem que alguma vez eu tivesse vivido acima das minhas possibilidades. O governo exige-me continuados sacrifícios, mas não vejo que os seus membros e os seus assessores os façam na mesma proporção. É uma violência. É também uma violência a redução da minha pensão para a qual descontei cerca de cinquenta anos, o aumento de todos os meus impostos directos e indirectos, a redução dos meus direitos à saúde, o aumento da minha factura da electricidade e assim sucessivamente. O que nos estão a fazer é uma violência e, em muitos casos, é uma desumanidade e uma ofensa à nossa dignidade. Assim, é a governação de Passos e de Portas ou de Maduro e de Branco, que constitui um verdadeiro caso de violência sobre os portugueses.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A insaciável banca quer tudo e tudo

A lacónica notícia que só o jornal i puxou para a sua primeira página, impressiona: a banca que opera em Portugal registou nos primeiros nove meses do corrente ano um prejuízo de 1,55 mil milhões de euros, cabendo as maiores fatias desses prejuízos ao BCP (597 milhões de euros), BES (381 milhões de euros), CGD (278 milhões de euros) e BANIF (243 milhões de euros). Este facto e a forma como a imprensa não o destacou, suscita as maiores interrogações, mas é um sério aviso para os contribuintes portugueses que têm estado a pagar o BPN e o BPP, mas também a ajudar a CGD, o BANIF e outros institutos financeiros, à semelhança do que acontece com os contribuintes irlandeses, gregos, cipriotas e espanhóis, que também estão a pagar os desmandos dos seus bancos.
Antigamente, a banca tinha uma actividade respeitável pois captava as poupanças dos depositantes, remunerava-as, emprestava-as a terceiros e remunerava-se por isso. Porém, nos últimos anos muita coisa mudou e a banca portuguesa passou a especular, a financiar o Estado e a impor as suas regras, perante a passividade do regulador e do governo que, como diria um conhecido político, "é tudo farinha do mesmo saco". De facto, essa gente move-se num rodopio de promiscuidade de interesses entre a banca comercial, o Banco de Portugal e o governo.
Embora haja uma redução da actividade bancária e um aumento do crédito mal parado resultante de estratégias irresponsáveis e de gananciosas políticas de crédito adoptadas pela banca, nos resultados agora conhecidos há uma evidente cosmética contabilística que visa apoiar a fuga aos impostos e que, dada a promiscuidade ideológica entre reguladores e regulados, ninguém contesta. Não hove nenhum tsunami e, por isso, não se compreende que os bancos que se financiam a 1% no BCE e que aplicam esse capital em títulos de dívida portuguesa por vezes a 10% ou mais, tendo ganho 15 mil milhões de euros com dívida pública em 2012, segundo anunciaram os jornais, venham agora apresentar estes prejuízos. A banca quer tudo e é insaciável.

domingo, 24 de novembro de 2013

O Vasco ganhou e houve festa no Rio

O Brasileirão 2013 aproxima-se do fim e o Cruzeiro Esporte Clube de Belo Horizonte, vulgarmente conhecido por Cruzeiro, já assegurou o título de campeão brasileiro de futebol. Ontem no Rio de Janeiro e já com o título no bolso, a equipa defrontou o Clube de Regatas Vasco da Gama, que se encontrava na 18ª posição da tabela classificativa e, portanto, em vias de ser despromovido ou rebaixado, como dizem os brasileiros.
Porém, o Vasco venceu por 2-1 e essa vitória foi um balão de oxigénio na sua luta pela permanência no escalão máximo do futebol brasileiro. Os adeptos do clube e de uma forma geral a cidade do Rio de Janeiro festejaram, porque o Vasco é um dos símbolos da cidade. Na sua edição de ontem, o jornal desportivo Lance tinha feito um apelo explícito para que “todos juntos” apoiassem o Vasco, o que é realmente uma curiosidade.
No entanto, vista do lado de cá do Atlântico, a curiosidade também está no facto do Clube de Regatas Vasco da Gama ter sido fundado em 1898 por um grupo de remadores que se inspiraram nas celebrações do quarto centenário da viagem de Vasco da Gama para a Índia, que acontecera em 1498. O clube é actualmente um dos mais populares de todo o Brasil, é muito conotado com a comunidade portuguesa e o seu símbolo inspira-se na cruz da Ordem Militar de Cristo, enquanto as cores das suas camisolas são o preto e o branco, significando uma comunhão de etnias e uma atitude contra o preconceito racial. O Vasco ganhou e houve festa no Rio.

sábado, 23 de novembro de 2013

O Lacerda é o coveiro de serviço nos CTT

Recebi uma carta que me foi enviada por pessoa que não conheço e que assina como Francisco de Lacerda, presidente do Conselho de Administração dos CTT. Percebi que era o "coveiro de serviço" nos CTT, mas como não sabia quem era a personagem fui procurar e verifiquei que é um licenciado com 53 anos de idade que sempre esteve bem encaixado, nomeadamente no Millenium e na Cimpor. Talvez tivesse dado um contributo para o buraco que é hoje o Millenium e outro para a extinção da Cimpor, como uma das nossas jóias da coroa e, por isso, com este currículo ou com este cadastro, o licenciado Lacerda foi escolhido para fazer mais estragos, agora no património público através dos CTT.
Pois na carta que me enviou, o Lacerda faz-me um convite “para que continue a escrever connosco esta história de sucesso” que são os CTT. Então se é uma história de sucesso, eu pergunto para quê privatizá-los? E porque aceita ele ser o coveiro do nosso sucesso? Francamente, oh! Lacerda!
Os CTT são uma das poucas empresas estatais que são lucrativas e importa perceber claramente o que se pretende com a sua privatização, pois estamos fartos de assistir à privatização dos lucros e à nacionalização das perdas. Os CTT são uma garantia de coesão territorial porque são a única rede pública verdadeiramente disseminada por todo o país, que só uma gestão pública poderá assegurar. Não é por acaso que os serviços dos correios são públicos na maioria dos países da Europa ou até nos Estados Unidos. Diz-se que o Estado pode encaixar cerca de 600 milhões de euros com a venda em bolsa dos CTT, que servirão para amortizar a nossa dívida, mas isso nem dá para pagar seis meses de juros à troika. Que fanatismo o teu e o dos teus patrões, oh! Lacerda! Qualquer dia lembram-se de privatizar a Torre de Belém ou a ilha do Corvo.

Empobrecemos para engordar a troika

A maioria dos portugueses já viu que as políticas de austeridade impostas pela troika têm sido um desastre e que ao fim de 30 meses não se vê luz ao fundo túnel. Os meses passam e, de facto, estamos cada vez pior. A nossa vida vai-se degradando com mais impostos e menos rendimentos, mais insegurança e menos alegria. Só o fanatismo, a ignorância ou a má fé dos governantes e dos seus amigos não vê este continuado descalabro nacional e esta humilhação a que se (e nos) sujeitam. Esse grupo de jovens alucinados e impreparados que ocupou o poder tem conduzido o nosso país sem fazer a defesa dos portugueses como é o seu dever, mas apenas para agradar à troika e para alimentar os apetites dos seus burocratas apátridas. Durante este período já longo de muitos meses, o nosso país tem empobrecido e muitos milhares de pessoas emigraram, a dívida e o desemprego aumentaram, o ânimo e a confiança no futuro perderam-se. Vive-se numa situação de tipo revolucionário em que tudo o que funciona e se enquadra no Estado social é objecto de destruição, o que cria uma enorme instabilidade e um generalizado clima de desânimo e de decadência.
É neste ambiente de ansiedade que somos informados que, só neste ano, Portugal já pagou à troika em juros do empréstimo internacional mais de 1446 milhões de euros e que em 2012 já tínhamos pago 1171 milhões de euros. Hoje, o jornal i soma as duas parcelas e revela que só em juros a troika já nos levou 2,5 mil milhões de euros. Afinal a maior parte dos nossos sacrifícios são para engordar a troika. É isto o que nos fazem os nossos alucinados governantes – o empobrecimento, o sacrifício, a humilhação, a desesperança. Esta é, também, a solidariedade europeia!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cristiano Ronaldo é uma estrela global

A propósito do jogo de futebol disputado na passada terça-feira em Estocolmo entre as selecções de Portugal e da Suécia, foi verdadeiramentre surpreendente o destaque que a imprensa mundial deu ao acontecimento e, em especial, à exibição e aos golos de Cristiano Ronaldo. Tal e qual fez a generalidade dos jornais portugueses, algumas dezenas de jornais internacionais publicaram a fotografia do futebolista português como destaque de primeira página, sobretudo em Espanha e Itália, mas também em mais de uma dezena de países latino-americanos. O assunto dominou muitos espaços noticiosos na imprensa e na televisão internacionais, tendo desencadeado uma onda de comentários e opiniões sobre quem é o melhor futebolista do mundo, sendo de notar que nesse coro em favor de Cristiano Ronaldo também participou o primeiro ministro espanhol Mariano Rajoy. Ele é realmente uma estrela global e um motivo de orgulho para os portugueses. Porém, uma das coisas que mais me surpreendeu foi o facto de um jornal da Índia, o país do cricket e onde o futebol não tem qualquer expressão de notoriedade, também dedicar a sua primeira página a Cristiano Ronaldo. De facto, assim fez o diário Anandabazar Patrika (আনন্দবাজার পত্রিকা) que se publica na cidade de Calcutta em bengali, uma língua que é falada por 270 milhões de pessoas.
Goste-se ou não de futebol, não há dúvida que Cristiano Ronaldo se tornou o primeiro português a ser conhecido à escala global.

Constituição, Estado social e Democracia

Hoje realiza-se na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa a conferência promovida por Mário Soares intitulada "Em defesa da Constituição, do Estado social e da Democracia", na qual vão estar presentes muitas personalidades da nossa vida pública e muitos democratas anónimos.
É um acontecimento muito oportuno e necessário numa altura em que a alucinação tomou conta dos nossos governantes que nas instâncias internacionais se comportam com uma absoluta submissão e que, internamente, exibem cada vez mais uma desenfreada arrogância, fanatismo e desprezo pelas pessoas, pela lei, pelas instituições e pelas regras democráticas.  A situação social e económica que atravessamos começa a ser dramática – ao contrário do que nos vão fazendo crer – e é o resultado de cegueira política, absurdas políticas de austeridade, de muitas mentiras e de uma absoluta incompetência. A sua alucinada campanha para destruir o Estado social chegou a limites insuportáveis pelos cidadãos e, por isso, o protesto está na rua.
Porém, esta conferência também tem o objectivo de criticar e de alertar o Presidente da República que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, pela passividade ou cumplicidade com que assiste à repetida violação das normas constitucionais pelo governo, às suas pressões sobre o Tribunal Constitucional, à indignidade do seu comportamento nas instâncias internacionais e aos resultados medíocres das suas políticas.
Mário Soares tem razão e com a sua coragem dá um exemplo ao país. É preciso despertar as consciências e reagir. É necessário que, através de uma intervenção cívica activa, os democratas façam ouvir a sua voz e que esse coro de protesto e de indignação chegue a Belém. Rapidamente!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O futebol, o Ronaldo e a alegria do povo

Ontem em Estocolmo, a selecção portuguesa de futebol bateu de forma concludente a sua homónima sueca e assegurou a sua presença no próximo Campeonato do Mundo de Futebol que, no Verão de 2014, será disputado no Brasil. O jogo foi emocionante e, durante muito tempo, prevaleceu a incerteza quanto ao resultado final e, também, quanto à selecção que asseguraria o lugar em disputa para passar ao Mundial do Brasil. Porém, na segunda parte surgiu o imparável Cristiano Ronaldo, a estrela que com o seu talento marcou os três golos que garantiram a vitória portuguesa. Todos os jornais destacaram "o herói da noite" e a selecção nacional de futebol vai estar no Brasil. Bem precisavamos de uma coisa destas para nos animar!
O futebol é hoje, provavelmente, o fenómeno cultural mais mobilizador em todo o mundo e é um privilégio para a selecção portuguesa de futebol poder contar com um atleta de elevada competência futebolística como é Cristiano Ronaldo que, com os seus remates e os seus golos, tanto entusiasma os portugueses e que, além disso, é o mais famoso de todos os nossos compatriotas. É um caso único de popularidade no mundo do futebol internacional e é um verdadeiro ídolo do povo português a quem tem dado tantas alegrias.
Entretanto, a presença da equipa portuguesa no Brasil vai animar os portugueses e, como foi dito no Brasil, seria decepcionante se a equipa portuguesa não marcasse presença nesse grande evento desportivo internacional que será disputado em terras brasileiras. Numa época em que muitos portugueses sofrem os efeitos da austeridade, da recessão, do desemprego e da pobreza, o jogo de futebol que ontem se realizou em Estocolmo foi uma grande e bem merecida alegria para todos os portugueses e, em especial, um prémio para aqueles que estão a passar por  mais dificuldades.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Voltar a Goa em peregrinação cultural

Os portugueses sempre tiveram uma acentuada vocação para sair do país em busca de locais mais ou menos exóticos para viver ou para trabalhar e, por isso, a diáspora lusitana encontra-se espalhada um pouco por todo o planeta. É uma característica marcante da identidade portuguesa e que terá começado no século XVI com a partida de marinheiros, soldados, mercadores e missionários que atravessaram os mares desconhecidos em direcção ao Oriente e ao Brasil, em busca de fortuna e de aventura. Essa marca cultural manteve-se ao longo do tempo, chegou aos nossos dias e, como ainda recentemente foi revelado numa série de programas da RTP, hoje há portugueses por todo o mundo, desde a Argentina ao Japão ou de Moçambique à Islândia. Partem por razões muito diversas e geralmente desenvolvem actividades muito diversificadas. São gestores, quadros superiores, técnicos especialistas, professores, trabalhadores indiferenciados ou, simplesmente, aventureiros. Integram-se muito bem nas sociedades locais e conquistam reputação social. Muitos fixam-se definitivamente nas terras de acolhimento, mas outros regressam, muitas vezes mais carregados de saudade do que de fortuna.
Porém, muitos dos que regressam continuam ligados às terras por onde passaram e viveram e, sempre que podem, regressam em “romagem de saudade” para rever amigos, revisitar locais, reviver paisagens e recuperar memórias. Neste sentido, para quem teve o privilégio de trabalhar em Goa, um regresso é uma prova emocional e uma peregrinação cultural muito estimulante. É isso que o JML vai agora fazer durante várias semanas. Que tudo lhe corra bem e que desfrute das estimulantes singularidades culturais de Goa, das peculiaridades da sua vida social e das suas vistas sobre o mar Arábico.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

José Barroso ou o regresso do cherne

A última edição do semanário Sol informa que Durão Barroso, o cidadão português que desde 2004 preside à Comissão Europeia, prepara o seu regresso a casa e que “optará entre uma candidatura a Belém e uma nova saída para outro cargo internacional”. Em tempos ainda se pensava que se poderia recandidatar para mais um mandato, mas essa ideia foi ultrapassada pelo próprio, ao reconhecer a forma pouco brilhante como exerceu um cargo em que sempre se deixou entalar pelo eixo franco-alemão. O homem teve alguma lucidez e, recentemente, até afirmou: “Dez anos já chega. Dez anos é muito tempo”. Tem toda a razão.
José Barroso vai, portanto, regressar à nossa terra, onde será sempre lembrado por ter lambido as botas a George Bush na cimeira das Lajes de 16 de Março de 2003, associando o nome de Portugal à mentira das armas de destruição maciça e à invasão do Iraque, que se iniciou quatro dias depois. O futuro ex-comissário Barroso será lembrado, também, por ter estado em Bruxelas a servir os interesses dos grandes grupos e dos grandes especuladores financeiros, por ter pactuado com as políticas de austeridade, por ter aprofundado uma crise económica e social que tem afundado a Europa e por ter apoiado as políticas que tanto têm humilhado a Europa do Sul. Ele é um dos homens poderosos da troika de má memória, que tanto nos tem tramado.
Vai voltar e vem rico. Ainda bem para ele. Eu sugiro que se reforme, que descanse e que abdique de receber pensões em Portugal. Se desejar estar activo e quiser um cargo internacional não vai ter problemas, porque os seus amigos rapidamente lhe arranjarão um. Dos bons. O cherne está de volta, mas ao contrário do que escreveu Alexandre O’Neill, não sigamos o cherne!

sábado, 16 de novembro de 2013

A Espanha e a coragem de dizer NÃO!

Na sua edição de hoje o diário El País destaca em primeira página que Bruxelas exige que a Espanha proceda a cortes adicionais de 35 mil milhões de euros nos seus próximos orçamentos, mas o governo responde que não são necessários. Assim, para 2014 o corte recomendado ou sugerido pela Comissão Europeia oscila entre mil e cinco mil milhões de euros, enquanto para 2015 e 2016 os cortes recomendados rondam os 35 mil milhões de euros. Estes cortes visam prevenir o risco de incumprimento do défice público espanhol que, segundo o vice-presidente Olli Rehn, foi de 10,6% em 2012, será este ano de 6,8% e baixará para 5,9% em 2014. Esta preocupação de Bruxelas com o défice público dos países está relacionada com o desejável equilíbrio entre as autonomias orçamentais de cada um deles e a estabilidade da moeda única, um problema que está afectar a Espanha, mas também a Itália, a Finlândia e Malta.
Estas recomendações (ou ameaças) acontecem porque a Comissão Europeia criou um mecanismo de controlo prévio dos orçamentos nacionais para analisar as propostas orçamentais dos vários países antes da sua aprovação pelos parlamentos nacionais o que, para muitos observadores, é uma revolução e uma intromissão na vida soberana dos Estados-membros. Porém, o governo espanhol reagiu a essa ameaça e sustenta que não é necessário nenhuma alteração ao que está planeado, reafirmando que está comprometido com o objectivo do défice público, pelo que rejeita as recomendações da Comissão. É a coragem de dizer "não" aos burocratas de Bruxelas, o que aqui nunca fazemos, como algumas vezes temos visto em directo pela televisão.

O controlo de gestão previne o abuso

O Jornal de Notícias revelou hoje um caso insólito relativamente a um funcionário da Segurança Social de Lisboa que provocou um prejuízo de mais de 500 mil euros ao Estado. De acordo com a notícia, durante cerca de um ano o referido funcionário efectuou milhares de telefonemas para linhas de valor acrescentado através do telefone fixo do serviço em que trabalhava e lhe estava atribuído. A maioria das chamadas terá sido feita para linhas que dão acesso a sorteio de prémios em dinheiro e outros bens.
Este caso, que não é invulgar, só acontece quando a gestão é incompetente. De facto, estes casos de utilização de bens públicos para fins privados, podem acontecer devido a comportamentos abusivos e são potenciadas em situações em que existem muitas linhas telefónicas e muitos utilizadores, mas também em relação a muitos outros bens, desde o uso de viaturas até ao uso de fotocopiadoras. Para prevenir essas situações, existe o controlo de gestão, isto é, os responsáveis pela gestão têm que analisar regularmente a estrutura de custos da sua organização, ou os respectivos balancetes mensais, para detectar as rubricas que revelem ou possam vir a revelar situações anómalas ou desvios orçamentais. Não é um caso de perseguição pidesca de funcionários, mas um simples caso de prevenção e defesa do erário público. Por isso, no caso reportado pelo Jornal de Notícias não podemos deixar de também apontar o dedo aos responsáveis pela gestão que, por incompetência ou omissão, não viram e deixaram que durante um ano acontecesse o que aconteceu.