quinta-feira, 28 de julho de 2016

Os vampiros e o naufrágio da banca

A falência do Lehman Brothers em Setembro de 2008, quando era o quarto maior banco norte-americano, foi a maior da história dos Estados Unidos e provocou a mais grave crise financeira mundial desde a Grande Depressão de 1929. As perturbações financeiras depressa atravessaram o Atlântico e o mundo entrou num período de grande instabilidade de que tem tido dificuldade em sair. A banca, a poderosa e arrogante banca, entrou em dificuldades e revelou que não passava de um império de pés de barro, em que o dinheiro era uma criação virtual sem substância económica e o crédito não era mais do que a forma de ajudar os amigos, de proporcionar negócios duvidosos e de favorecer gestores ambiciosos.
O Finantial Times divulgou um estudo recente, que o jornal i revelou em Portugal, que ajuda a esclarecer a situação, caracterizada por incompetência e corrupção: em 2015, os quinze presidentes executivos mais bem pagos dos Estados Unidos receberam um total de 236,6 milhões de dólares em salários e bónus, quando em 2009 tinham recebido 103,9 milhões de dólares, isto é, desde a crise de 2009 os banqueiros ganharam mais 128%. Absolutamente imoral e vergonhoso, foi como Barack Obama se referiu à situação e, em particular, ao facto de muitos bancos terem recebido ajudas estatais, ao mesmo tempo que mantinham o pagamento de avultados bónus aos seus gestores e trabalhadores.
Não sabemos o que se tem passado em Portugal em relação a esta problemática, mas são conhecidos os trambolhões de alguns bancos portugueses e os enormes buracos que criaram, para os quais os contribuintes são agora convocados a pagar.
Porém, os mesmos banqueiros de sempre circulam pelo interior do sistema sob a forma de administradores e de directores, sem que sejam apuradas as suas responsabilidades quanto à ligeireza, má fé ou incompetência com que destruiram a banca portuguesa. São, certamente os vampiros de que falava José Afonso em 1963, quando dizia que "batendo as asas pela noite calada" eles "vêm em bandos com pés de veludo, chupar o sangue fresco da manada".

terça-feira, 26 de julho de 2016

O incerto rumo em que navega a Turquia

A capa da revista alemã Der Spiegel é elucidativa da situação de repressão que se está a viver na Turquia e, na sua última edição, assume que a democracia foi suspensa e titula que “era uma vez uma democracia”. A numerosa comunidade turca que vive na Alemanha justifica o interesse da imprensa alemã pelo que se passa na Turquia, onde o Presidente Erdogan insiste na necessidade da reintrodução da pena capital com o argumento de que se trata da vontade do povo. Depois de militares, juízes, polícias e professores, a perseguição política tem sido dirigida contra os jornalistas, ao mesmo tempo que se verificam despedimentos em massa em muitas empresas. Independentemente da natureza do golpe de estado, que aconteceu de facto ou que foi forjado pelas hostes de Erdogan, a imprensa mundial vem denunciando a repressão e o aniquilamento da oposição, o que significa o fim do regime democrático. A União Europeia já fez saber que uma eventual entrada da Turquia na União Europeia está congelada.
Entretanto nada é comentado sobre algumas importantes questões, como é o problema religioso, porque o secularismo turco pode estar a ser ameaçado pelas forças islâmicas de Erdogan. Da mesma forma, pouco tem sido comentado sobre a orientação estratégica da Turquia em relação aos curdos, ao Estado Islâmico e à Síria, nem em relação à NATO e à Rússia. Nem as autoridades turcas, nem a imprensa internacional têm abordado essas questões, o que é muito preocupante. A realidade é apenas que a Turquia de Erdogan está cada vez mais a afastar-se da democracia e a seguir um rumo que ninguém sabe em que direcção vai.

Certamente, a mais dura prova do mundo

Terminou a 103ª edição do Tour de France que é uma das mais importantes provas desportivas mundiais. Foram percorridos 3.535 quilómetros em 21 etapas e no final o vencedor foi o britânico Christopher Froome, que viu a sua fotografia na capa dos principais jornais ingleses e franceses, como por exemplo no The Guardian.
Qualquer actividade desportiva é exigente para com os seus praticantes que pretendam ter níveis de desempenho com reconhecimento internacional, obrigando-os a muitos anos de preparação, de treino e de privação de uma vida normal, para depois se confrontarem num tempo muito escasso de minutos ou de poucas horas, com uma prova, um jogo, um salto, um combate ou uma regata, que tanto os pode elevar à vitória e à condição de estrela, como pode derrotá-los e tornar inglório o esforço e a dedicação de muitos anos de preparação.
No caso do ciclismo e em especial no Tour de France, não se exige um esforço de uma ou duas horas, mas um esforço contínuo de muitas horas durante vários dias. Para vencer pela terceira vez o Tour de France em 2016, o ciclista Chris Froome pedalou durante mais de 89 horas, subiu muitas montanhas, suportou muita chuva, sofreu quedas e defrontou adversários igualmente bem preparados. Nenhum praticante de futebol, remo, ténis ou esgrima, suporta um esforço físico e mental tão acumulado e contínuo. Só os super-atletas como Christopher Froome.
Este ano o Tour de France teve dois participantes portugueses, ambos com classificações finais bem modestas, apesar de ambos terem feito alguns brilharetes em etapas: Rui Costa concluiu a corrida na 49ª posição, enquanto Nélson Oliveira terminou a prova no 80º lugar da classificação final. Podia ter sido melhor, mas o facto de terem terminado o Tour já merece uma justa referência e o nosso elogio.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A falta de escrúpulos de José Barroso

A contratação de José Barroso para presidente não-executivo do Goldman Sachs já se transformou num escândalo internacional. Há um coro de protestos contra esta situação que desafia a moral e o bom senso, enquanto um grupo de cinco dezenas de eurodeputados decidiram requerer uma investigação às ligações de Barroso com a Goldman Sachs, durante o tempo em que ele presidiu à Comissão Europeia. Mesmo em Portugal, exceptuando um rapazola de Massamá e alguns dos seus raros seguidores, ninguém compreende que depois de ter presidido à Comissão Europeia durante dez anos, a sua ilimitada ambição o tivesse levado tão longe. Não lhe basta a reforma vitalícia de 132 mil euros anuais que a União Europeia lhe paga, nem as inúmeras avenças que recebe por isto e por aquilo. O homem ambiciona ser rico e quer milhões!
Porém, ao enveredar por um caminho tão sujo, aquele que foi o mordomo da Cimeira dos Açores que marcou o início da guerra do Iraque, revelou toda a sua vulgaridade e ausência de escrúpulos. Ele envergonha Portugal e abala seriamente a credibilidade do país e do seu povo.
José Barroso é em si mesmo uma história triste. Foi maoista e em 1975 acabou expulso do MRPP, na sequência de um roubo de mobiliário feito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Depois a sua vida política tem sido uma sucessão de habilidades e de jogos rasteiros e um deles, bem recente, foi ter conseguido um emprego no Banco de Portugal para o filho, sem qualquer concurso. A investigação requerida pelos eurodeputados deve ir para a frente, assim como o esclarecimento interno sobre o seu papel no apoio à guerra do Iraque
Hoje a revista Visão ajuda a compreender quem é Barroso e a natureza da carruagem em que embarcou para vergonha de todos nós.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Turquia era a solução, agora é o problema

No dia 15 de Julho sucederam-se graves acontecimentos em várias cidades turcas, sobretudo em Ancara, a capital da Turquia. Foi noticiado um golpe de estado que parece ter sido quase triunfante, mas que acabou por ser dominado pelas forças leais ao Presidente Recep Erdogan. O que se passou continua sem ser percebido. Há quem defenda que tudo não passou de uma orquestração do poder turco no sentido de reforçar os poderes de Erdogan e de afastar os seus adversários. Em apoio desta tese está o facto surpreendente de continuarem sem ser conhecidas as reais intenções dos golpistas, pois no meio de tantos problemas que o país atravessa, não se sabe se pretendiam reforçar a democracia, se queriam travar a crescente islamização do país, se pretendiam resolver o problema curdo ou se desejavam intervir activamente contra o Estado Islâmico, o que de facto não tem acontecido. A intenção de tomar o poder poderia ser uma quase imitação do golpe militar que tomou o poder no Egipto em 2013, com o objectivo de travar o radicalismo que está a começar a dominar a Turquia. Não sabendo a língua turca, não nos é possível perceber as manchetes e as notícias do Hürriyet, um dos maiores diários turcos.
Sabemos, contudo, que em poucos dias foram demitidos, presos ou suspensos quase 35 mil membros do Exército, da Justiça, da Segurança Interna e da Educação, havendo a intenção de ser reposta a pena de morte. Militares, policias, juízes, funcionários públicos da administração e professores estão a ser os principais alvos da repressão do regime de Erdogan, aumentando a tensão social e política na Turquia.
Com 80 milhões de habitantes, a Turquia é membro da NATO e faz fronteira com a Síria, Iraque, Irão, Arménia, Geórgia, Bulgária e Grécia, mantendo desde data recente uma relação muito próxima com a Rússia. Se até agora a Turquia podia constituir uma solução para os problemas que afectam aquela região, parece que agora se está a tornar no problema. E que problema!
 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Campeões também no hóquei em patins

A selecção nacional de hóquei em patins sagrou-se campeã da Europa no passado sábado, o que já não acontecia há 18 anos. Na sua caminhada bateu os espanhóis por 6-1 na fase de grupos e, depois, derrotou os italianos na final por 6-2. Foi uma coisa que já não acontecia há muitos anos.
Embora o hóquei em patins não seja uma modalidade desportiva com implantação mundial, nem por isso deixa de ser relevante que Portugal seja uma das potências mundiais nessa modalidade e de, seis dias depois do futebol, também se ter tornado campeã europeia, parecendo recuperar a sua antiga hegemonia mundial. Como titulava o diário desportivo O Jogo, virou moda Portugal ganhar. O título é feliz e traduz alguma euforia desportiva que tanto nos anima, face a tantas outras coisas menos agradáveis que por aí se passam.
Depois de muitos anos a posicionar-se atrás da Espanha e da Argentina, parece que Portugal reentrou nas vitórias no hóquei em patins. No registo dos campeonatos europeus de hóquei em patins verifica-se que Portugal segue à frente com 21 vitórias enquanto a rival Espanha tem 16 vitórias, mas nos campeonatos do mundo a situação é inversa, com 16 vitórias espanholas e 15 vitórias portuguesas.
O Presidente da República tratou de condecorar os campeões e fez bem. O problema é que, com tantos êxitos desportivos, qualquer dia não há medalhas para tanta gente.

domingo, 17 de julho de 2016

Já não há mau tempo no canal

Mais uma vez percorro as belas paisagens das ilhas do grupo central açoriano, sem nunca me cansar de olhar o horizonte, a ilha em frente, o aspecto do mar, as encostas verdejantes, as pedras negras, os recortes da costa e, sobretudo, a imponente montanha do Pico que é a maior referência física destas ilhas.
Releio sempre As Ilhas Desconhecidas, um dos mais importantes livros de viagem portugueses, escrito por Raul Brandão quando em 1924 efectuou uma visita aos Açores, no qual descreve a ilha do Pico como “a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção”. Raul Brandão tinha razão ou estava muito próximo dela, porque apesar do progresso que tem percorrido a ilha, os seus traços culturais estão preservados em muitas práticas quotidianas, nas memórias dos mais velhos ou foram musealizados.
Agora que as invernias atlânticas retiraram para outras regiões e o sol inunda os dias durante muitas horas, o Pico revela uma paisagem invulgarmente variada e colorida. É o tempo das grandes festas religiosas e profanas, das exibições das filarmónicas e dos grupos de chamarritas e da visita dos familiares que vivem nos Estados Unidos e no Canadá. O Pico começa a tornar-se um destino turístico cosmopolita e há cada vez mais turistas que vêm conhecer as ilhas mais ocidentais da Europa, muitos deles para cumprir a aventura de uma subida até aos 2.351 metros de altitude da montanha. Alguns deles, sobretudo franceses e alemães, compraram casas antigas, restauraram-nas e decidiram fixar-se em permanência na ilha, para viver uma vida mais tranquila e mais sadia. Em boa verdade, com o progresso e com a vulgarização das viagens aéreas, já não há mau tempo no canal.

O insólito aconteceu no Tour de France

No passado dia 14 de Julho disputava-se a 12ª etapa do Tour de France 2016 que tendo saído de Montpellier, terminava com a subida do famoso monte Ventoux. Era uma das mais difíceis etapas da prova e era, também, a vitória mais cobiçada, sobretudo pelos ciclistas franceses.
Nos últimos quilómetros da etapa o britânico Christopher Froome, que envergava a camisola amarela, conseguiu libertar-se dos seus rivais mais próximos durante a subida do monte Ventoux, aproximando-se da meta com dois outros ciclistas. Faltavam três quilómetros para a meta. Como sempre acontece, o público coloca-se na beira da estrada e não consegue controlar o seu entusiasmo. Com os seus aplausos e incitamentos aproxima-se dos ciclistas, ocupa a estrada, perturba a corrida e tende a provocar acidentes. Todos os anos, na maior parte das grandes subidas do Tour, é tão indescritível o entusiasmo do público, como são elevados os riscos a que expõem os ciclistas. Para quem assiste regularmente a estes espectáculos televisivos, espanta que os ciclistas consigam passar por entre estreitíssimas filas de público e que a organização não tome medidas apropriadas que para proteger os ciclistas, o público, a verdade desportiva e o próprio espectáculo.
Porém, este ano, o acidente anunciado e nada improvável aconteceu mesmo. A moto que “abria caminho” teve que travar bruscamente para evitar o atropelamento de um espectador. O ciclista que ia à frente chocou com a moto. Depois, o ciclista seguinte que era Chris Froome, foi abalroado por uma segunda moto. Com a bicicleta partida e com o seu carro de apoio muito longe, o desespero tomou conta de Froome e levou-o a correr estrada acima à procura não se sabe de quê. Nunca se vira um ciclista com a camisola amarela a correr sem bicicleta e logo na subida do Ventoux. Diversos jornais internacionais destacaram este acontecimento na sua primeira página, incluindo o americano Finantial Times, na edição em que, também em primeira página, noticia a declaração do presidente François Hollande de que é “moralmente inaceitável” o novo emprego de Barroso na Goldmann Sachs. E é.

sábado, 16 de julho de 2016

A Europa continua sob ameaça

O terrorismo conduzido por grupos radicais está a martirizar a Europa e, em especial, a França. Desta vez aconteceu em Nice, durante as celebrações do Dia Nacional da França, quando uma viatura pesada percorreu a avenida marginal da cidade a alta velocidade e, de forma deliberada, atropelou mortalmente algumas dezenas de pessoas.
Antes, a mesma crueldade tinha acontecido em carruagens do metropolitano, em casas de espectáculos ou em aeroportos, com o objectivo específico de espalhar o terror e o medo no seio da sociedade. A ameaça terrorista persiste e a insegurança está cada vez mais instalada nas nossas vidas. O problema do combate ao terrorismo não é francês nem belga, nem espanhol ou alemão. É um problema europeu, porque foi a Europa que criou as condições para o aparecimento desta triste realidade com as suas políticas económicas e sociais persistentemente erradas que se têm revelado incapazes de promover o crescimento económico e o emprego, ao mesmo tempo que se tornou refém dos mercados financeiros e dos especuladores. Os refugiados que fogem à guerra e à pobreza, fatalidades de que a Europa não pode excluir responsabilidades, vieram juntar-se aos milhões de europeus desempregados e sem futuro, muitos deles oriundos dos países do sul e, em especial, das regiões magrebinas.
Durante décadas a Europa utilizou essa mão-de-obra barata para crescer economicamente, mas nem sempre terá sido suficientemente justa com as suas políticas sociais de integração. Agora, sofre as consequências e vive um tempo de estagnação que, por vezes, até mostra sinais de declínio. Neste desesperante quadro que se agrava quotidianamente, como mostram os trágicos acontecimentos de Nice, há meia dúzia de burocratas europeus que insistem nas sanções a Portugal, porque em 2015 o défice orçamental ficou em 3,2% e excedeu em 0,2% o limite imposto pelo tratado orçamental. Nem o famoso Ministro da Informação de Saddam Hussein a anunciar vitórias iraquianas quando as tropas americanas entravam em Bagdadd, mostrou tanta cegueira!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A festa do nosso futebol correu mundo

A vitória portuguesa no Euro 2016 foi noticiada na imprensa de todo o mundo, mas também foi festejada um pouco por todo o mundo. Há diversas razões para justificar a enorme alegria popular por esta vitória e uma delas é o facto da selecção nacional de futebol ser um espelho da diáspora portuguesa, da portugalidade ou da cultura lusófona, pois a maioria dos seus jogadores nasceu em Portugal, mas houve alguns que nasceram em França, na Alemanha, no Brasil, em Angola e na Guiné-Bissau, o que confirma a tese de Fernando Pessoa de que a nossa Pátria é a língua portuguesa e não o lugar onde nascemos. Nessas circunstâncias, o mundo lusófono sentiu-se representado nesta selecção e vibrou com esta vitória.
A imprensa, a televisão e as redes sociais mostraram a enorme euforia dos portugueses, dos luso-descendentes e dos seus amigos em muitas regiões do mundo, incluindo países e locais improváveis como o Canadá, mas também em locais tão longínquos como Macau, Dili, Malaca e Goa.
No caso de Goa, onde alguns grupos sociais ou políticos mantém um certo sentimento de desconfiança em relação a Portugal, herdado da forma desastrada como aconteceu o fim da presença portuguesa, ainda se verificam algumas situações de contestação a tudo o que é português, desencadeadas por alguns auto-denominados freedom fighters. Porém, parece que o futebol fez mudar alguma coisa, pois o jornal oHeraldo destacou que a vitória no Euro une Goa e Portugal, tendo publicado uma fotografia da festa portuguesa com a legenda “Viva Portugal”. É um acontecimento jornalístico bem curioso e, provavelmente, é a primeira vez que desde 1961, o nome de Portugal enche a primeira página de um jornal de Goa. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

Argentina não desiste das ilhas Malvinas

O país de Ernesto Che Guevara, Jorge Luís Borges, Leonel Messi e do Papa Francisco comemorou o bicentenário da sua independência e as celebrações promovidas pelo governo argentino tiveram larga expressão nacional.
A independência argentina foi declarada no dia 9 de Julho de 1816 quando os representantes das Províncias Unidas do Rio da Prata, reunidos em San Miguel de Tucumán, assinaram uma declaração de renúncia à tutela da monarquia espanhola então personalizada por Fernando VII. 
De acordo com a imprensa argentina as celebrações tiveram um grande impacto popular com programas de actividades comemorativas em todas as províncias e, segundo os números oficiais, só nos festejos realizados em Buenos Aires participaram cerca de seiscentas mil pessoas e actuaram bandas militares de onze países.
No grande desfile militar realizado na capital participaram muitos protagonistas na chamada “Guerra perdida”, a forma como é referida a guerra das Malvinas/Falklands que ocorreu em 1982 entre a Argentina e o Reino Unido, designadamente muitos antigos combatentes e familiares das vítimas, que foram ovacionados espontaneamente pela população em reconhecimento dos serviços que prestaram ao país. Esta manifestação de apoio aos combatentes que participaram na guerra das Malvinas significa que a reivindicação argentina pelas ilhas se mantém viva e tem apoio popular, embora ninguém pense noutra via que não seja o caminho da Diplomacia.
O diário Clarín de Buenos Aires é um dos jornais que destaca o “fervor” argentino pelas Malvinas, mas que, na mesma edição, salienta a vitória portuguesa no Euro 2016 e titula: “Portugal, rey de Europa”.

O histórico dia 10 de Julho de 2016

A vitória de ontem no Euro 2016 foi um acontecimento único e memorável para os portugueses, não só pelo resultado desportivo conseguido em Paris contra a selecção anfitriã, mas também por outras razões igualmente muito importantes. De facto, para além das atitudes provocatórias francesas dentro e fora do campo, houve a exibição excepcional de Patrício, a segurança defensiva de todos, a entrada intimidatória que lesionou Ronaldo e a decisiva bomba de Éder, mas também houve outras coisas que vão ficar para a história.
A primeira foi a enorme alegria que foi dada aos portugueses, em especial àqueles que vivendo e trabalhando fora do país, são muitas vezes marginalizados nos países de acolhimento e até segregados pela arrogância da sociedade local. Esta vitória futebolística devolveu-lhes o orgulho nacional, mas também a todos os portugueses, provocando uma manifestação de entusiasmo e alegria como nunca se registara na nossa vida colectiva e que a televisão registou. Se a união em torno desta vitória prevalecer no tempo, teremos muitas outras vitórias no nosso progresso económico e social.
A outra importante razão que vai ficar na história foi a repercussão internacional desta vitória, noticiada nas primeiras páginas de centenas de jornais de todo o mundo, a constituir a maior campanha promocional alguma vez feita a favor do nosso país. Muita dessa imprensa, provavelmente a reagir à insolência e à fanfarronice francesas, são altamente laudatórias quanto ao mérito da selecção portuguesa e da justiça da sua vitória, que deixou os franceses absolutamente atordoados, porque na sua cegueira pensavam que a final eram favas contadas. De entre todas as capas alusivas à vitória portuguesa escolhemos o italiano Corriere dello Sport e o seu sugestivo título: portogallissimo. Foi isso mesmo, portugalíssimo!
O dia 10 de Julho de 2016 vai ficar mesmo na nossa história, não só pelo resultado desportivo, mas sobretudo pelas duas razões aqui apontadas. Porém, a glória desportiva desse dia, ainda foi acrescentada com o 7º lugar nos Europeus de atletismo e com três medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze, para além do 2º lugar do ciclista Rui Costa na etapa-rainha dos Pirinéus do Tour 2016. Ainda haverá burocratas provocadores a falar de sanções aos portugueses, a este nobre povo e a esta nação valente?

domingo, 10 de julho de 2016

Euro 2016: dia de final, dia de festa

Muitos jornais portugueses e franceses, mas também de alguns outros países, destacam nas suas primeiras páginas o jogo da final do Euro 2016 que se realiza hoje entre as equipas de Portugal e da França, ilustrando as suas edições com as fotografias de Cristiano Ronaldo e de Antoine Griezmann, que são os símbolos maiores de cada uma daquelas selecções. São dois jogadores famosos que jogam no Real Madrid e no Atlético de Madrid e que se conhecem bem. Curiosamente, até se descobriu agora que Griezmann é filho de mãe portuguesa de Paços de Ferreira, que passava férias naquela zona e que até tem dupla nacionalidade. 
Quer em Portugal, quer em França, os jornais incitam as suas equipas nacionais, elogiam os jogadores e exigem-lhes a vitória, mas é interessante ver o que faz o jornal espanhol Marca ao escrever que, num jogo entre vizinhos, que ganhe o melhor. De entre todos os jornais, destaca-se o Ouest France, que se publica em Rennes e que ignora as “estrelas” e prefere escolher como título “dia de final, dia de festa”, ilustrando a sua primeira página com uma fotografia de uma jovem com as bandeiras de Portugal e da França. O futebol é portador de alegria para a população e ambos os países “precisam” desta vitória pois têm passado por situações bem difíceis, incluindo a austeridade e o terrorismo. Os portugueses nunca ganharam uma grande competição internacional de futebol e têm agora uma boa oportunidade, até porque estão tranquilos, confiantes, serenos e jogam bem. Podem ganhar.
Para os portugueses que vivem em França esta final já é uma vitória pois devolveu-lhes o orgulho nacional e a alegria, conforme vemos diariamente nas televisões, mas para os 11 milhões de portugueses residentes no território nacional esta final significa um jogo para a História. Podem ganhar. Espero bem que sim. Vai ser uma festa.

sábado, 9 de julho de 2016

A ganância do cherne que virou banqueiro

A notícia circulou rapidamente e deixou a sociedade portuguesa perplexa, com um grande coro de críticas pela falta de ética e de vergonha do cherne. De facto, a continuada utilização da vida política e do serviço à causa pública, está cada vez mais a transformar-se num trampolim para os negócios e para os bons empregos. Muitos casos envergonham o país, pela forma como certas pessoas se comportam. Vale tudo. É a completa falta de pudor e nos últimos tempos os casos acumulam-se, com o Gaspar, a Albuquerque e o Portas a não olharem a meios para encher os bolsos, como muitos outros já tinham feito. Qualquer coisa serve, desde que seja bem paga. Os conflitos de interesses não existem. É uma imoralidade utilizar a carreira política para enriquecer, mas esta gente não tem vergonha nenhuma.
Agora, houve alguém que foi mais longe na sua falta de pudor e na ganância. O cherne, aquele jovem militante radical e maoista, que em 2003 apoiou a invasão do Iraque, que fugiu do país em 2004 e que depois chegou à presidência da Comissão Europeia onde esteve dez anos a fazer uma triste figura de pau-mandado, a aprofundar as contradições europeias e sem perceber a crise que se aproximava, decidiu entregar-se à Goldman Sachs, onde parece que vai ganhar cinco milhões por ano. É mais um caso de grave promiscuidade entre política e negócios, mas este é ainda mais grave pois envergonha o país. Nunca um presidente da Comissão Europeia aceitara um papel tão servil a troco de dinheiro. Aquele que foi o número um da Europa, passa-se para "o inimigo", por dinheiro. É um mercenário sem causas. A mediocridade e a incompetência foram premiadas.
O Goldman Sachs é um símbolo do capitalismo financeiro global, sem escrúpulos nem respeito pelos países ou pelos povos onde actua como abutre e, no caso de Portugal, está em litígio com o Banco de Portugal e contra o Novo Banco, estando em causa centenas de milhões de euros, por causa da resolução do BES. O cherne vai, naturalmente, estar do lado de lá, ao lado dos radicais americanos, tal como fez em 2003. A França criticou e ficou indignada. Nós também nos indignamos. Barroso é a vergonha dos portugueses e a vergonha da Europa. Ponto final.

Aí está a festa que enlouquece Pamplona

Já começaram as Sanfermines, as fiestas de San Fermin da cidade basca de Pamplona. Até ao dia 14 de Julho, todos os dias pelas oito horas da manhã, realizam-se os famosos encierros, isto é, uma largada de touros ao longo de um percurso de 849 metros por três ruas do centro histórico de Pamplona que termina na praça de touros da cidade. Os encierros duram três a quatro minutos e deixam sempre alguns feridos atrás de si. Ontem foram sete, mas todos os anos há muitos feridos e, na história das Sanfermines, já estão registadas mais de uma dezena de mortes.
As festas têm uma origem muito antiga mas só se tornaram mundialmente conhecidas quando o escritor Ernest Hemingway, que ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1954, lhe dedicou em 1926 o seu livro The Sun Also Rises, que em Portugal foi traduzido como Fiesta e cuja narrativa decorre em grande parte em Pamplona durante as Sanfermines. Mais tarde, com o aparecimento da televisão e a globalização informativa, as festas tornaram-se mundialmente conhecidas e as imagens dos encierros popularizaram-se, embora muitas vezes revelem situações de grande violência.
As imagens que as televisões diariamente nos mostram das largadas de touros mostram o enorme entusiasmo que suscitam, mas também a sua elevada perigosidade, sobretudo para os muitos milhares de turistas que visitam a cidade, exactamente para enfrentar o desafio dos encierros.
Hoje, o Diário de Navarra dedica a sua primeira página às Sanfermines 2016 com uma expressiva fotografia.