quarta-feira, 8 de abril de 2020

Usar ou não usar máscara de protecção

No meio das inúmeras polémicas que têm aparecido na esfera pública resultantes da ansiedade das pessoas e do desconhecimento sobre a natureza do vírus que por aí anda, a questão do uso ou não uso das máscaras de protecção está na ordem do dia.
Os asiáticos usam-nas por rotina desde há muito tempo, mas na Europa Ocidental tem havido alguma hesitação quanto ao seu uso.
Tanto quanto se sabe, o contágio por covid-19 é feito através de gotículas e secreções que saem da boca quando uma pessoa espirra ou tosse e, por isso, a máscara serve sobretudo para proteger as pessoas que se encontram ao redor de quem usa a máscara e, de forma indirecta, também servem para proteger quem a usa. No entanto, porque não há certezas absolutas nem provas científicas irrefutáveis quanto à evolução ou tratamento do covid-19, há espaço para todo o tipo de opiniões. Assim, uns acham que se deve usar máscara de protecção e outros acham que não. Enquanto alguns países já obrigam ou recomendam o uso da máscara, as autoridades sanitárias portuguesas continuam a considerar que “de acordo com a situação actual em Portugal, não está indicado o uso de máscara para protecção individual, excepto para os suspeitos de infeção por covid-19 e para as pessoas que prestem cuidados a suspeitos de infecção por covid-19”. Assim, até agora, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) não recomenda o uso da máscara de protecção às pessoas que não apresentem sintomas, até porque a máscara contribui para uma falsa sensação de segurança e a sua eficácia obriga a que seja trocada com regularidade, o que provavelmente não é feito pela generalidade dos que a usam. Por isso, até novas recomendações da DGS, continuarei a cumprir as regras básicas da higiene e do distanciamento social, mas sem usar máscara de protecção.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Há alguns sinais positivos no horizonte


Os sinais que nos últimos dias nos chegam da Itália, de França e da Espanha, mas também de Portugal, são animadores, isto é, parece que o covid-19 está a ser contido e que as medidas de confinamento adoptadas estão a produzir resultados. 
Esses sinais estão inscritos na imprensa desses países e embora ainda estejamos no plano da catástrofe humanitária, da depressão económica profunda e de uma crise social como a nossa geração não conhecera, o jornal francês La Dépêche diz que há “enfim, um pouco de esperança”, enquanto o jornal catalão el Periódico diz que “el virus desacelera” e que “Italia también frena el contagio”. No entanto, há ainda alguns outros jornais que sustentam a mesma opinião.
Ainda será cedo para perceber a evolução da pandemia e, nesta altura em que tanto se fala da curva, ninguém sabe como ela vai evoluir e se tem um ou mais picos, mas os sinais que são hoje transmitidos pela imprensa são muito encorajadores. Além disso, temos visto como aqueles que estão na primeira linha de luta contra o vírus se comportam com extrema dedicação e nos transmitem confiança, apesar das faltas de material de protecção sanitária que, como se observa nas declarações televisivas, são uma constante em todos os países. Por isso aqui fica o lamento pelo triste papel a que se têm prestado os bastonários dos médicos e dos enfermeiros, ao assumirem um corporativismo primário na denúncia das faltas de máscaras, de luvas, de fatos, de ventiladores e não sei de que mais, como se fosse possível que algum país tivesse tudo isso na emergência que nos afecta. O que nos vale são os profissionais que estão na primeira linha e estes sinais positivos que se vislumbram no horizonte.

A ganância dos homens em tempo de crise

No meio das preocupações e incertezas com que o mundo está confrontado, há muita gente que se aproveita da situação para fazer negócios e para mostrar uma grande irresponsabilidade social. Um caso que aconteceu com um empresário de Santiago de Compostela mereceu hoje destaque de primeira página no jornal El País e em outros jornais espanhóis, ilustrando a forma como actuam os gananciosos.
Esse indivíduo acedeu a um armazém de uma empresa de distribuição de produtos sanitários e roubou material avaliado em cinco milhões de euros, incluindo milhões de máscaras de máxima protecção, daquelas que têm faltado aos profissionais da saúde que estão na primeira fila do combate à pandemia. Além das máscaras, foram também roubadas luvas cirúrgicas, calças e uniformes sanitários, kits de medicamentos e álcool. O objectivo deste roubo seria a venda deste material em Portugal e, segundo pensa a investigação, terá tido êxito.
O caso terá acontecido em Fevereiro quando o coronavírus já ameaçava a Espanha e já havia um alerta sanitário, pelo que as autoridades galegas detiveram o referido empresário que “estava plenamente consciente” de que aquele material iria ser necessário.
Tendo investigado o local da ocorrência, a polícia apenas encontrou uma enorme quantidade de caixas vazias e algum material de menor valor, tendo sido a fotografia desse armazém que ilustrou as capas de vários jornais. A notícia informa que as autoridades galegas, em colaboração com as autoridades portuguesas, estão a investigar a rede envolvida nesta prática ilícita e criminosa.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Europa Ocidental está no olho do furacão

O jornal espanhol ABC destaca em primeira página na sua edição de hoje as fotografias dos primeiros-ministros de seis países da Europa Ocidental, com a indicação das percentagens de apoio popular que as suas medidas de combate à pandemia do covid-19 têm suscitado. Apesar de ser um assunto interessante, é de lamentar que o jornal tenha evidentes e inoportunos objectivos políticos contra Pedro Sánchez, porque ao mostrar que ele tem o mais baixo apoio de entre todos os líderes da Europa Ocidental, acaba por se colocar num patamar crítico e de fora de uma união nacional que nesta altura é essencial para ultrapassar a grave situação por que passa a Espanha. Não é a altura de atacar primeiros-ministros. Inversamente, António Costa surge nesta apresentação como o líder com mais apoio popular da Europa Ocidental, com a particularidade de ter os apoios do principal partido da oposição e de uma muito larga maioria parlamentar.
O facto é que a pandemia assentou arraiais nesta faixa do continente europeu e que a Europa Ocidental está no olho deste furacão. Nos seis países considerados, verifica-se que, segundo os números mais recentes, já houve 43.419 óbitos em consequência do covid-19, repartidos por Itália (15.887), Espanha (12.641), França (8.078), Reino Unido (4.934), Alemanha (1.584) e Portugal (295). Como até agora estão contabilizados 65.509 óbitos em todo o mundo devidos ao covid-19, significa que nestes seis países da Europa Ocidental aconteceram 66% dessas fatalidades. Os países que desde o século XVI dominaram o mundo e que, provavelmente, têm os mais elevados índices civilizacionais da humanidade, são aqueles que mais estão a sofrer com a pandemia do covid-19
Já apareceram algumas teorias explicativas, mas nenhuma delas parece convincente. Será uma consequência de estilos de vida? De hábitos de consumo? De práticas de higiene? Ora aí está mais um tema a merecer a atenção da investigação científica, até porque pode ajudar a resolver ou a atenuar o problema.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Crise e desemprego ameaçam a América


A imprensa norte-americana destaca hoje que, em apenas duas semanas, o país criou dez milhões de desempregados, como consequência da crise do covid-19, numa altura em que os Estados Unidos já são o país do mundo com mais infectados e em que ainda se desconhece o que ainda está para vir. 
O jornal New York Post ilustrou a sua primeira página com um apelo de alguém que empunha um cartaz com a frase “out of work” e em que o chapéu do tio Sam, que tantas vezes tem simbolizado o poder americano, está abandonado sobre uma mesa, significando que se aproximam dias muito difíceis para os Estados Unidos e para os seus desempregados. 
O país parece caminhar a passos largos para uma situação de calamidade económica e social, como só aconteceu na grande depressão de 1929. É certo que, em maior ou menor escala, o cenário americano não difere dos cenários que se desenham em alguns países europeus, mas na depressão americana que se avizinha, a arrogância e a ignorância do presidente Trump tiveram um papel determinante ao desvalorizar a aproximação da pandemia e ao imaginar que os seus efeitos sanitários e económicos não chegariam à América. Daí resultou um atraso na resposta à pandemia e aos alarmantes números a que já se chegou – 274.987 infectados e 7.065 mortes – que estão a conduzir o presidente dos Estados Unidos para um descrédito interno e de irresponsabilidade de que dificilmente sairá. 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Wimbledon também fica para mais tarde


Alguns dos grandes acontecimentos desportivos previstos para o corrente ano já foram adiados devido à actual pandemia de covid-19, assim acontecendo com os Jogos da XXXII Olimpíada – Tóquio 2020, que é o maior evento desportivo do ano.
Porém, a decisão agora tomada pela direcção do All England Club e pela comissão de gestão do The Championships, ao anunciarem o cancelamento do histórico Torneio de Wimbledon de 2020, teve também um enorme impacto mediático devido ao simbolismo daquele torneio, conforme evidencia hoje a capa do jornal desportivo francês L’Équipe.
O Torneio de Wimbledon realiza-se desde 1877 e é uma das provas desportivas mais antigas do mundo, estando previsto que se realizasse entre os dias 29 de Junho e 12 de Julho, mas as preocupações com a saúde pública devidas à actual pandemia levaram a organização a adiar a 134ª edição do torneio para 2021. É a terceira vez que isso acontece, pois entre 1915 e 1918 (1ª Guerra Mundial) e entre 1940 e 1945 (2ª Guerra Mundial), o torneio também não se realizou.
As novas datas estão definidas e o torneio decorrerá entre os dias 23 de Julho e 8 de Agosto de 2021. No torneio agora adiado, ainda estava prevista a participação de Roger Federer que é o recordista do torneio com oito vitórias e de Serena Williams que tem sete vitórias, rembora a recordista seja Martina Navratilova com nove vitórias. Porém, no próximo ano ambos terão 39 anos de idade e os anos não perdoam...
Curiosamente, o Open dos Estados Unidos que se prevê realizar entre 31 de Agosto e 13 de Setembro de 2020 em Flushing Meadows, na cidade de Nova Iorque, ainda não foi adiado, o que mostra como os americanos ainda não assumiram a gravidade da pandemia que também já entrou no país e, sobretudo, no estado de Nova Iorque.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O novo mundo da tecnologia já chegou


Meio mundo está em quarentena e, nesse quadro, as comunicações electrónicas adquiriram uma importância que, embora seja inesperada, tem surpreendido. Muitas actividades quotidianas deixaram de exigir a presença física das pessoas e a quantidade de funções que passaram a depender da internet e da world wide web são incontáveis. Na na situação de emergência por que passamos, generalizou-se a adopção de computadores e dos seus derivados. Mesmo os mais irredutíveis cidadãos começam a render-se ao novo mundo porque, através do computador, escrevemos e guardamos textos, podemos ter música e cinema, mas também o teletrabalho, a teleconferência, a telescola, o home banking e inúmeras App, o que significa um novo mundo de eficiência, mas também de maior desumanização. Os novos reis da comunicação são o WhatsApp, o Skype, o Facebook, o Instagram, o Twitter, o Google+ e o Youtube. Num pequeno equipamento de 14 por 7 centímetros, ou mesmo mais pequeno, que pode custar menos de cem euros, podemos ligar-nos ao mundo e telefonar, escrever, ver filmes, mandar mensagens, fotografar, filmar, pagar despesas, ter consultas médicas, comprar livros, encomendar provisões ou refeições e muitas mais coisas que muitas vezes até desconhecemos.
Com os dias de quarentena e de confinamento, as nossas casas estão a tornar-se verdadeiros home offices, de onde cada um de nós telefona, recebe e envia mensagens, conferencia, consulta o banco, paga facturas, marca consultas médicas, recebe as compras dos supermercados, visita bibliotecas e museus, compra livros e discos e faz muitas mais coisas. As habituais idas ao multibanco e ao supermercado tendem a ser desnecessárias. Esta quarentena está mesmo a acelerar a chegada de um novo mundo da tecnologia. Estamos realmente a entrar na era do home office como hoje referia uma revista brasileira.

terça-feira, 31 de março de 2020

Recursos escassos necessidades ilimitadas

No panorama actual da pandemia do covid-19 que tanto nos preocupa, os Estados Unidos são o país do mundo com mais pessoas infectadas, registando actualmente 164.406 casos, embora as 3.172 mortes que já se verificaram no país estejam aquém das que já se registaram na Itália, na Espanha ou na China. 
Porém, Donald Trump e as autoridades federais acordaram muito tarde. Esse facto, associado à não existência de um serviço nacional de saúde universal semelhante aos que têm os países europeus, têm levado alguns especialistas a referir que o centro da pandemia já se deslocou para os Estados Unidos. No entanto, os abundantes recursos americanos acabam sempre por ajudar a ultrapassar algumas dificuldades, como as que estão a atravessar a Itália e a Espanha, onde os recursos hospitalares são escassos para acudir a quem deles precisa.
Ontem, com grande cobertura da imprensa americana e até de alguma imprensa europeia, atracou no Pier 90 do porto de Nova Iorque o USNS Comfort, the giant hospital ship da Marinha americana. Trata-se de um antigo petroleiro com 272 metros de comprimento e uma altura correspondente a um edifício de dez andares, que foi reconvertido num grande hospital e dispõe de 1000 camas, 12 salas de operações e todas as valências hospitalares, sendo servido por 1200 tripulantes, sobretudo médicos e pessoal paramédico.
A missão do USNS Comfort em Nova Iorque não é receber ou tratar doentes infectados com o covid-19, mas recolher pacientes com outras patologias e, por essa via, aliviar o sistema hospitalar daquele estado. Entretanto, um outro navio semelhante já se encontrava em Los Angeles para apoio ao sistema hospitalar do sul da Califórnia, que é o terceiro estado com mais infecções no país, depois de Nova Iorque e Nova Jersey.
Naturalmente que estes recursos causam inveja aos pequenos países onde “os recursos são escassos e as necessidades ilimitadas”, um axioma que certos interesses corporativos portugueses parecem não conhecer.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Depois disto, nada vai ser como dantes


Quando há mais de duas semanas começamos a tomar medidas de distanciamento social ou de voluntária quarentena, todos imaginamos que a situação de confinamento poderia durar até meados do mês de Abril, depois começou a falar-se em Maio e um jornal de Lisboa anuncia hoje que a quarentena pode durar até finais de Junho. Todos os dias somos informados com novas previsões baseadas em estudos matemáticos que vão atirando o fim desta pandemia para mais tarde, mas o facto é que esses modelos matemáticos pretendem prever a evolução de um fenómeno novo e até há pouco tempo desconhecido. Portanto, nesta preocupante situação por que estamos a passar, parece que vivemos mais no campo do palpite do que no campo da verdade científica.
Independentemente de se saber o andamento da curva epidemiológica e de se saber se vai ter um pico ou se achata, ou se tem um pico agora e outro pico mais tarde, já ninguém tem dúvidas que o nosso modo de vida vai mudar e que muitos dos exageros civilizacionais a que a sociedade chegou, não sobreviverão a esta crise.
Daí que, na sua última edição, o Courrier International tenha aberto um debate à volta do tema repensar o mundo. Porém, a mudança de paradigma que necessariamente nos vai alterar o modo de vida, não vai depender dos poderes dos estados, das orientações dos líderes ou dos sistemas económicos, mas vai ser obra de cada ser humano e da sua adaptação a novos tipos de relacionamento social e familiar, a novos modelos de consumo e a uma nova atitude perante o ambiente e a paisagem. Depois desta pandemia do covid-19 vão ser diferentes a sociedade, a economia, as relações internacionais, o desporto, o turismo, o nosso modo de vida. Nada vai ser como dantes.

domingo, 29 de março de 2020

A pandemia, a ignorância e a insensatez

O respeitável jornal Açoriano Oriental, que se publica desde 1835 e que é o mais antigo jornal em circulação em Portugal e um dos dez mais antigos jornais de todo o mundo em publicação contínua, regular e com o mesmo nome, destaca na sua edição de hoje uma notícia surpreendente: há açorianos a exigir voos para irem de férias!
Uma das primeiras medidas tomadas pelo Governo Regional dos Açores para diminuir os riscos de contágio da pandemia de covid-19 foi a limitação das ligações aéreas e marítimas entre as ilhas ao que fosse considerado essencial e necessário. Numa primeira fase as pessoas contiveram-se, mas com o passar dos dias começaram a acumular-se os pedidos para fazer deslocações, que cada um entendia serem de “força maior”. Na sequência de algumas deslocações que foram autorizadas a título excepcional, aconteceu o insólito, quando começaram a surgir exigências para que houvesse voos para fazer férias. Naturalmente, a Autoridade de Saúde Regional reagiu com firmeza e denunciou o desplante destas exigências.
Porém, este caso não é único, como revelou recentemente o Diário de Notícias ao noticiar que, na habitual conferência de imprensa do Ministério da Saúde e da Direcção Geral da Saúde, um jornalista quis saber por que razão "alguns hospitais e maternidades estão a impedir as grávidas de levar consigo acompanhantes para a sala de parto". Lamentavelmente, alguns casos como estes, que revelam ignorância, insensatez e irresponsabilidade, têm a cobertura de alguns orgãos da nossa pobre Comunicação Social que, quotidianamente, muito faz para nos deprimir em vez de nos transmitir confiança.

sábado, 28 de março de 2020

Os aviões em terra, são sinal de crise

Na situação de crise económica que se avizinha por todo o mundo, têm aparecido alguns estudos prospectivos que traçam cenários sobre o que nos espera nos tempos mais ou menos próximos. Um desses estudos foi feito pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), com sede em Montreal, que representa as companhias aéreas de todo o mundo.
Segundo esta associação, a actual pandemia já arrasou o transporte aéreo mundial e, se durar três meses, estima-se que irá traduzir-se numa perda global de receitas da ordem dos 240 mil milhões de euros – um pouco mais do que o PIB português – colocando em risco cerca de 2,7 milhões de empregos directos e cerca de 65 milhões de empregos indirectos. É, provavelmente, um dos sectores em que mais se evidenciam as consequências da actual crise e que mais nos preocupam, pelos efeitos que tem sobre a economia e, em especial, sobre o turismo e sobre o modelo de civilização em que temos vivido. Daí que a IATA afirme que as companhias aéreas estão a precisar “desesperadamente de dinheiro”, porque a crise provocada pela pandemia de covid-19 está a afectar 98% do transporte aéreo mundial, que corre o risco de falência se não houver ajudas financeiras em massa que compensem as suas brutais quebras de tesouraria.
A edição desta semana da revista Et cetera destaca os ”aviões em terra” e mostra dois planisférios onde se pode observar a intensidade da circulação aérea mundial, antes e depois da pandemia que nos cerca. Muitas das frotas das companhias aéreas estão em terra devido às restrições de circulação impostas e às quebras na procura, enquanto em Portugal, tanto a TAP como a SATA, estarão certamente a atravessar a situação revelada pela IATA. São nuvens muito negras no horizonte.

quinta-feira, 26 de março de 2020

O Jair ignora a gravidade da pandemia

No contexto da crise sanitária que percorre o mundo e que já atingiu cerca de duas centenas de países, estão registadas cerca de 21 mil mortes e calcula-se que um terço da população mundial está de quarentena. Na dramática lista ontem actualizada das vítimas provocadas pelo covid-19 está à frente a Itália (7.503), seguindo-se a Espanha (3.647), a China (3.281), o Irão (2.077), a França (1.331) e os Estados Unidos (1.054). Aparecem depois o Reino Unido (465), os Países Baixos (367), a Alemanha (208) e a Bélgica (178). O mundo foi apanhado de surpresa por uma crise de contornos desconhecidos, mas as medidas tomadas pelos diferentes países têm sido semelhantes, situando-se entre o combate à crise sanitária, a manutenção dos serviços essenciais e manutenção das actividades económicas possíveis.
Porém, alguns países estão “em contramão do mundo”, como hoje titula um jornal brasileiro. Um desses países é o Brasil de Jair Bolsonaro, que tem ignorado a orientação da OMS assim como as medidas tomadas noutros países e que tem criticado a quarentena e o fecho de escolas que foi decretada em alguns estados brasileiros. Mostrando grande arrogância e uma enorme ignorância tratou de contrariar a opinião dos especialistas e desvalorizou a pandemia que está a chegar ao Brasil, chamando-lhe “um resfriadinho”, ao mesmo tempo que pediu o regresso da normalidade e o fim das quarentenas decretadas em várias cidades, como por exemplo em São Paulo. 
O Conselho Nacional de Saúde do Brasil considerou que as declarações do Jair “colocam em risco a vida de milhares de pessoas” e são ”uma afronta à saúde e à vida da população”, enquanto a revista IstoÉ não o poupou e, simplesmente, lhe chamou "o incapaz".

quarta-feira, 25 de março de 2020

A nossa enorme gratidão aos combatentes

Embora se venha falando na grave crise económica e social que se aproxima, as maiores preocupações do mundo continuam a centrar-se na crise sanitária, até porque na Europa ocidental, especialmente na Itália e na Espanha, as más notícias continuam a encher os noticiários. Ciente desta ameaça, a imprensa internacional procura apoiar e estimular aqueles que se encontram na primeira fila do combate, como hoje acontece com o diário Le Parisien que agradece aos cuidadores franceses e publica uma expressiva fotografia.
Também em Portugal todos temos que expressar gratidão aos nossos “combatentes”, embora haja quem ande distraído. Apesar dos portugueses, segundo dizem as sondagens, estarem a confiar na acção de António Costa e das suas “tropas”, com os responsáveis pelos Serviços de Doenças Infecciosas dos Hospitais Curry Cabral (Fernando Maltês) e de São João (António Sarmento) a afirmarem que nada lhes falta, a generalidade dos jornalistas e dos supostos jornalistas procura com insistência por falhas na acção das autoridades responsáveis pela gestão da pandemia. Nesta emergência, as principais forças políticas estão unidas porque o “inimigo” só pode ser vencido com coesão nacional, mas os supostos jornalistas, em vez de passarem a mensagem de que o covid-19 é um vírus novo que provoca uma doença nova que a Ciência ainda não conhece, ou de transmitirem mensagens de esperança à população, ou de apoio e solidariedade às autoridades e aos “combatentes” que estão na primeira linha, procuram descobrir que há falta de máscaras, de luvas, de ventiladores, de desinfectantes e de não sei que mais. Procuram o pequeno escandalozinho. Procuram descobrir que não há capacidade para fazer testes e que os profissionais da saúde estão cansados e desprotegidos. Dividem a opinião pública em vez de a unirem para vencer esta “guerra”. Procuram deixar no espírito das pessoas que as coisas não funcionam. Alimentam os medos em vez de estimularem a esperança. Que mau serviço que esta impreparada gente presta à nossa população!

terça-feira, 24 de março de 2020

A memória da batalha de Cuito Canavale


O dia 23 de Março foi assinalado ontem em Angola com o feriado do Dia da Libertação da África Austral, que celebra a vitória angolana na batalha do Cuito Canavale, na província do Cuando-Cubango. Nessa batalha que se iniciou no dia 15 de Novembro de 1987 e terminou no dia 23 de Março de 1988, combateram de um lado as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), apoiadas pelos internacionalistas cubanos das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Cuba, e do outro lado o braço armado da UNITA com o apoio da South African Defence Force (SADF) da República da África do Sul.
Hoje o Jornal de Angola evoca essa efeméride e o dia em que as forças sul-africanas retiraram derrotadas do território angolano, pois foi a partir de então que se avançou para negociações que vieram a dar origem ao acordo de Nova Iorque, assinado no dia 22 de Dezembro de 1988 entre os governos de Angola, Cuba e África do Sul. Desse acordo resultou a retirada de todas as forças estrangeiras de Angola, mas também o cumprimento das Resoluções das Nações Unidas e o consequente fim do regime do apartheid na África do Sul, o reconhecimento da South West Africa People’s Organization (SWAPO) e a independência da Namíbia. A batalha do Cuito Canavale teve, portanto, um grande significado para a libertação da África Austral e para o  reforço do MPLA no contexto da guerra civil angolana.

A RTP e o mau serviço público de alguns

O programa prós e contras da RTP1 é um programa de debate que vai para o ar desde 2002, sempre com a mesma apresentadora. 
São demasiados anos e a apresentadora não só perdeu qualidades ao longo de todo este tempo, como adquiriu muitos defeitos que vão desde um serôdio autoritarismo a uma arrogante falta de educação, que se revela na forma abusiva como corta a palavra aos seus convidados. Talvez precise de reforma e que os netos precisem dela. Se alguma vez prestou, agora já não presta. Qualquer cidadão perde a paciência com as suas atitudes grosseiras e arrogantes, pelo que desde há muito tempo que eu fujo da RTP para não assistir às medíocres exibições desta figura.
Ontem, porém, o programa intitulava-se Para onde  vamos? e juntou o ministro dos Negócios Estrangeiros, o Comandante Geral da GNR, o Director Nacional da PSP e um médico especializado em Pneumologia, pelo que me interessou ouvir as suas opiniões sobre a situação que atravessamos. Imaginava que o programa procuraria esclarecer os telespectadores e dar uma palavra de confiança e de esperança aos portugueses, que nos ajudaria a perceber o que podemos esperar ou sobre o que está a ser feito para nos ajudar. Fiquei estarrecido porque, durante cerca de duas horas, a apresentadora interrompeu todos e a todos inquiriu na busca de qualquer coisa que não estivesse a correr bem, procurando apenas o sensacionalismo e o protagonismo pessoal. Um jornalismo de vão de escada. Uma ridícula noção de serviço público. Uma enorme irresponsabilidade. Uma completa ignorância sobre a grave situação em que nos encontramos. Por fim, um dos participantes disse-lhe exactamente isso, mas a obcecada apresentadora nem sequer percebeu. Estamos em emergência e era bom que a RTP pusesse esta figura em casa e de quarentena para não nos incomodar com o seu lamentável comportamento disfarçado de reportagem jornalística..