segunda-feira, 25 de maio de 2020
Israel, a Palestina e o velho covid-1948
domingo, 24 de maio de 2020
Dias sombrios aproximam-se do Brasil
O mundo ficou
estarrecido e incrédulo quando viu e ouviu uma recente intervenção do
presidente da República Federativa do Brasil que atravessou as fronteiras e foi
mostrada pelos canais televisivos internacionais. Alguns jornais brasileiros, reproduziram a alocução insultuosa e obscena do Jair. Raramente alguém com responsabilidades institucionais foi tão longe. Com
o Jair na presidência, o Brasil tem o seu prestígio internacional ameaçado e
isso perturba muita gente, dentro e fora do Brasil.
Embora o Jair já
mostrasse, por vezes, alguns sinais de desequilíbrio mental e de um
elevadíssimo défice cultural, nunca como agora tinha utilizado um tom tão autoritário, insultuoso e grosseiro, como aquele que todos pudemos ver na famosa reunião do
dia 22 de Abril com os seus ministros. O Jair mostrou uma absoluta boçalidade, muita impreparação e
uma total falta de respeito democrático pelo povo brasileiro e por aqueles que
o representam, ao recorrer à obscenidade e ao insulto, designadamente em
relação aos governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como aos juizes
do Supremo Tribunal Federal. Numa explosão de
fúria inaceitável em quem preside a um grande país, o Jair afirmou querer que o
povo se arme e que era fácil impor uma ditadura no Brasil. Além de autoritário e impreparado, também irresponsável.
Entretanto, no
quadro da incidência do covid-19, o Brasil
está no epicentro da pandemia e já chegou à segunda posição desse ranking mundial, logo a seguir aos
Estados Unidos. As imagens que nos chegam dos cemitérios são chocantes e, com a
generalizada crise económica mundial que já aí está, são sombrios os dias que
se aproximam para os brasileiros. Era necessário que o Brasil tivesse um
presidente à altura das circunstâncias em vez deste Jair Messias Bolsonaro, ignorante, grosseiro e que insulta meio
mundo, além de continuar sem se retratar por ter classificado como gripezinha ou resfriadinho uma pandemia que já causou mais de vinte mil mortes no
Brasil.
sexta-feira, 22 de maio de 2020
O regresso da pandemia que é o futebol
O futebol está de
volta por todo o lado. É um momento muito entusiasmante para quem gosta
daqueles noventa minutos de emoção, de fantasia e de arte, de golos e de
penaltis, de passes e de fintas, de bolas na trave e de foras de jogo, mas
também das trivelas do Quaresma e das cabeçadas do Ronaldo. Porém, com esse
desejado regresso, também está a chegar a matilha que vive dos aspectos
marginais do futebol e que acha que tudo aquilo é a coisa mais importante do
mundo.
Assustados com o covid-19, ainda há um mês endeusavam a
linha da frente da saúde pública, mas essa atitude passou-lhes depressa. Nas
televisões e nas rádios estão a reaparecer os espaços noticiosos e de
comentário com as notícias sem interesse nenhum sobre a face mais ridícula do
futebol, bem como as discussões estéreis dos comentadores encartados. É
chocante verificar o assalto que, por dentro e por fora, essa gente está a fazer
à comunicação social, onde todos os dias recupera o espaço e o tempo perdidos. É uma
tristeza cultural a forma como, mais uma vez, os canais televisivos e as
estações radiofónicas estão a infectar o espaço público com a marginalidade do
futebol e dos seus negócios. Se não fosse tão triste até dava vontade de rir
tudo o que é dito sobre os treinos dos jogadores, o "trabalho" de ginásio ou de campo, as descrições das entorses
ou das lesões musculares, a incompetência dos árbitros, os off-sides mal assinalados, os defeitos do vídeo-árbitro, os reforços do Famalicão, o novo treinador do
Tondela ou a rivalidade que é necessário alimentar entre Benfica e Porto.
Ainda não saímos
da pandemia do covid-19 e já estamos
a ser invadidos pela pandemia da futebolite.
É assim em Portugal,
o país em que há mais jornais diários ditos desportivos do que jornais de
informação geral. É um caso único no mundo. Isso explica muita coisa, inclusive
as razões porque há tanta gente que vive à custa da indústria do futebol e das
suas negociatas, bem como da promiscuidade entre a política, os negócios e o futebol.
terça-feira, 19 de maio de 2020
O plano MM para vencer a crise na Europa
A União Europeia
vive desde há vários anos numa situação de grande fragilidade política, devido
à ausência de um verdadeiro projecto comum que mantenha os princípios
de solidariedade que presidiram à sua constituição, a que se juntam a falta de
lideranças de reconhecido prestígio à escala internacional e o surgimento de
nacionalismos regionais que, em cada dia que passa, se tornam incompatíveis com
o ideal europeu. As políticas comuns tendem a tornar-se uma ficção que cede
aos egoísmos nacionais e daí resulta uma progressiva perda de competitividade
científica e industrial relativamente aos gigantes americano e chinês. Bruxelas
é cada vez mais uma “arca de Noé”, ou uma nau sem rumo, onde cada um procura satisfazer os seus interesses.
A recente crise
pandémica veio mostrar como a União Europeia e o projecto europeu podem entrar
em desagregação. Não é necessário ter grandes conhecimentos de Economia, nem
consultar estatísticas, nem ouvir o Portas ou o Marques Mendes, para perceber a
dimensão da crise que nos entrou em casa. Basta olhar para os aeroportos
vazios, para os navios de cruzeiro nos seus terminais, para os restaurantes vazios ou para o
número de desempregados a aumentar.
Nesse sentido,
ontem estivemos perante um acontecimento de grande importância para o futuro da
Europa, que foi o anúncio do lançamento de um fundo de recuperação da ordem dos
500 mil milhões de euros, anunciado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e
pela chanceler alemã, Angela Merkel, que se destina à ajuda aos países da União
Europeia, no combate à recessão económica e à crise social que se aproxima.
Trata-se de um plano que assenta em financiamentos não-reembolsáveis, ou
subvenções a fundo perdido, provenientes do orçamento comunitário. É um novo
plano Marshall, muito semelhante àquele que os Estados Unidos criaram em 1947
para auxiliar a reconstrução da Europa após a 2ª Guerra Mundial. A
concretizar-se este plano, que já pode ser designado por Plano MM (Merkel-Macron), será um sinal de unidade política e um forte
apoio para que a Europa saia desta crise mais forte, mais unida e mais
solidária. É esse tom de unidade que o Finantial Times utiliza hoje ao
anunciar esta iniciativa franco-alemã.
domingo, 17 de maio de 2020
O Brasil de Jair Bolsonaro chegou ao topo
O Brasil já
contabiliza 233.142 infectados por covid-19
e, no quadro da incidência da pandemia por país, já figura em quarto lugar,
tendo ultrapassado a Itália e a Espanha. Na sua mais recente edição, a revista Veja
trata esta situação como uma “amarga realidade” e, para sensibilizar os seus
leitores, escolheu como ilustração de capa um mapa do Brasil transformado num
enorme cemitério, apoiando-se na máxima de que uma imagem vale mais do que mil
palavras.
Apesar de ainda
não serem bem conhecidas as condições de propagação nem as terapias adequadas
para dominar a pandemia, esta tem sido controlada em muitos países através de
medidas de emergência sanitária, ponderadas entre muitas variáveis, com
prudência e com a humildade própria de quem sabe como é grave a situação.
Inversamente, verifica-se que os países em que os seus líderes autocráticos
desvalorizaram a perigosidade da covid-19,
como aconteceu com Trump, Putin e Boris Johnson, ocupam os primeiros lugares
dessa lista em que o Brasil de Jair Bolsonaro aparece a seguir. São já 15.633
óbitos registados no Brasil por essa “gripezinha” ou “resfriadinho” e, em menos
de um mês, o presidente desautorizou e empurrou para fora do governo dois
ministros da Saúde.
Em qualquer das
demissões de Luiz Mandetta ou de Nelson Teich, houve divergências profundas
entre os ministros e o presidente sobre a gravidade da covid-19, sobre o maior ou menor isolamento social e sobre o uso da
cloroquina. Bolsonaro ouviu o seu amigo Donald falar sobre a cloroquina e
tratou de importar essa ideia com entusiasmo, sem que haja qualquer evidência
científica da redução da mortalidade pela covid-19
e, pelo contrário, sejam conhecidos graves efeitos colaterais. Apesar disso,
por uma única vez, o Jair não seguiu o amigo americano quando este sugeriu a
injecção de desinfectante e o uso de raios ultravioletas para combater o covid-19…
Porém, o que o
Brasil não vai esquecer é a imagem do Jair a divertir-se em passeata de jet
ski, no mesmo fim-de-semana em que o Brasil atingia as dez mil mortes por covid-19. Simplesmente chocante.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
O que o covid-19 ainda nos pode trazer
O jornal holandês
deVolkskrant que se publica em Amesterdão e que há bem pouco tempo completou cem anos de
existência, incluiu na sua edição de ontem um detalhado estudo sobre a epidemia
de covid-19 que, até agora, contagiou
cerca de 42 mil holandeses e causou 5.310 óbitos nos Países Baixos,
colocando-os no top ten mundial das vítimas
desta epidemia. O estudo assenta em elucidativos gráficos, o que permite a sua
interpretação pelas pessoas que, como nós, nada entendem de holandês.
Logo na primeira
página e com o título “Onda ou ondas”, estão apresentados os três cenários mais
prováveis para a evolução futura da pandemia: o cenário 1 em que já estaremos a sair do pico, o cenário 2 em que se espera um novo pico
mais agressivo no Outono e um cenário 3
em que voltarão a repetir-se regularmente os picos como aquele que tem estado
entre nós, até que surja uma vacina.
O estudo
apresenta a evolução da incidência do covid-19
através de expressivos gráficos, com base nos dados divulgados diariamente
pelas autoridades sanitárias nacionais, mas como os problemas são diferentes em
cada país e a crise está em diferentes fases em cada um deles, o estudo avisa
que nem todas as comparações são aceitáveis. No entanto, seguramente que a credibilidade deste
estudo pode servir para que cada país se inspire nas experiências mais semelhantes que se conhecem e que adopte medidas mais adequadas.
Quem sabe se os
autores deste estudo publicado pelo deVolkskrant não estiveram em
Portugal a ouvir os nossos mais reputados técnicos-especialistas de covid-19, que dão pelo nome de Portas, Júdice
e Mendes, cuja vaidade exibicionista é tão grande que já nem cabe no pequeno écran
dos televisores.
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Brasil: uma exemplar iniciativa editorial
A pandemia do covid-19 parece estar agora centrada no
continente americano e em especial naqueles países cujos governantes
subestimaram a sua importância, com demasiada arrogância e muita ignorância. Os
presidentes Trump e Bolsonaro irão ficar associados a esta pandemia pela
sucessão de chocantes declarações que fizeram, quando a catástrofe humanitária,
social e económica já desabava sobre os seus países. No mapa da
incidência da pandemia de covid-19
por país, os Estados Unidos estão na vanguarda com quase um milhão e meio de
infectados e mais de 80 mil óbitos, mas o Brasil que leva mais de dez mil
óbitos e mais de 160 mil infectados, já aparece no sétimo lugar dessa lista.
A frieza dos
boletins diários que anunciam os números dos novos contagiados e dos óbitos que
aconteceram, esvazia a dimensão humana desta tragédia que já é a maior
catástrofe sanitária desde há cem anos, quando se verificou a pandemia da
chamada gripe espanhola. No caso do Brasil, os números da gripe espanhola são
imprecisos, mas estima-se que, em Outubro e Novembro de 1918, tenham morrido
cerca de 12 mil pessoas só na cidade do Rio de Janeiro.
Na sua edição de
hoje, o jornal O Globo presta homenagem aos mais de 10 mil brasileiros mortos pelo
covid-19 e dedica-lhe um memorial
virtual, ao mesmo tempo que dá a conhecer muitas das histórias relatadas por
amigos e familiares das vítimas, num projecto editorial inédito e que envolveu
uma rede de jornalistas voluntários que recuperaram a singularidade e o
dramatismo de muitas dessas histórias. Perante a maior catástrofe sanitária em
um século, o jornal O Globo foi para além dos números e teve uma exemplar
iniciativa editorial, ao repor uma dimensão humana na calamidade que está a ser
esta pandemia no Brasil e no mundo. O meu aplauso.
domingo, 10 de maio de 2020
Os desempenhos da Saúde e da Economia
A situação
sanitária que desde Março nos ameaça e nos tem preocupado está a passar por uma
fase de acalmia que nos dá esperança de que o futuro seja menos sombrio do que
se chegou a temer, embora a incerteza seja a palavra mais adequada para
classificar o que o futuro nos reserva. Nestes dois meses houve demasiadas
vozes que se ouviram a falar de um tema sobre o qual pouco sabem, mas também
algumas vozes a criticar as políticas que têm sido adoptadas pelo governo, destacando-se
nos últimos dias o jurista Júdice, o sindicalista Roque da Cunha e mais alguns
daqueles que estão sempre contra tudo. O facto é que, apesar de tudo, Portugal tem
passado ao lado das calamidades que desabaram sobre a Espanha, a Itália, a
França e o Reino Unido, que o Serviço Nacional de Saúde não colapsou, que os
profissionais de saúde estiveram à altura, que tem havido máscaras, luvas e gel
para toda a gente e que, mais importante, enquanto representantes da população,
os partidos políticos têm compreendido a gravidade da situação e têm
manifestado confiança nas autoridades sanitárias.
O Diário
de Notícias teve a iniciativa de perguntar a vinte e cinco personalidades para que avaliassem, numa escala de zero a
vinte, os desempenhos do governo nas respostas ao problema sanitário e ao
problema económico. As vinte respostas que o jornal recebeu são uma amostra insuficiente
para terem rigor estatístico, mas são um interessante indicador.
Na resposta ao problema sanitário o governo conseguiu 14,9 valores, ao
mesmo tempo que algumas sondagens confirmam a subida da confiança e do apoio ao
1º Ministro, enquanto na resposta ao problema económico há algumas críticas à
morosidade e à burocracia dos apoios sociais e económicos, embora o que temos
pela frente seja complexo e mexa com o dinheiro dos contribuintes, pelo que não
pode ficar à mercê dos espertalhões do costume. São muitos os problemas, como o
aumento do desemprego, o encerramento de empresas, os milhares de trabalhadores
em lay off, o turismo paralizado, as
viagens aéreas canceladas e, ainda, a pressão de todo o mundo a pedir ajudas
estatais, muitas delas por mero oportunismo, onde se incluem os grandes clubes
de futebol que pagam salários milionários. Menos morosidade e menos burocracia
podem significar um acesso mais facilitado ao pote, que é alimentado pelos meus
impostos.
Portanto, o Estado Social está a responder bem e tanto o Ministério da
Saúde como o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social estão a
merecer a nossa confiança. Merecem o meu aplauso.
sexta-feira, 8 de maio de 2020
Celebrando o fim da 2ª Guerra Mundial
Hoje comemora-se
o V-E Day ou o Dia da Vitória na
Europa, para assinalar o dia em que há 75 anos, depois de mais de cinco anos de
guerra, os nazis alemães aceitaram a sua rendição incondicional às forças
aliadas que tinham ocupado Berlim. Os jornais britânicos celebram essa efeméride nas suas edições de
hoje, com destaque para o jornal escocês The Herald, que se publica em
Glasgow desde 1783 e que, portanto, vai no seu 238º ano de publicação.
A 2ª Guerra
Mundial iniciou-se no dia 1 de Setembro de 1939 quando a Alemanha invadiu a
Polónia e, nos campos, mares e cidades europeias, durou até ao dia 8 de Maio de
1945, tendo envolvido todas as grandes potências que se mobilizaram em torno de duas
alianças militares adversárias: os Aliados e o Eixo. A história da guerra é muito
longa e tem sido descrita com todos os detalhes mas, provavelmente, os seus
dias mais significativos foram o dia 22 de Junho de 1941 quando a Alemanha
iniciou a operação Barbarossa e
invadiu a União Soviética, o dia 7 de Dezembro de 1941 quando o Japão atacou a
esquadra e as bases americanas em Pearl Harbor e o dia 6 de Junho de 1944
quando as forças aliadas desembarcaram na Normandia durante a operação Overlord. O balanço da guerra
na Europa traduziu-se em cerca de 36 milhões de mortos militares e civis,
resultantes dos combates, das doenças, da fome, dos bombardeamentos e dos
massacres e genocídeos deliberados.
A brutalidade da
guerra obrigou a um enorme esforço económico, industrial e científico dos
países que nela participaram e abriu as portas a um novo ciclo de paz e de
progresso económico e social que, no essencial, dura há 75 anos.
Actualmente, o mundo continua
amarrado às consequências da 2ª guerra mundial e os países vencedores – Estados
Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China - continuam a ter um papel
determinante na condução do mundo, como membros permanentes do Conselho de
Segurança das Nações Unidas, enquanto em vários capítulos da evolução do mundo
se considera que a 2ª guerra mundial foi a fronteira que separou o mundo antigo
de um novo mundo que, embora cheio de contradições, beneficia de mais paz, mais
progresso, mais democracia e mais respeito pelos direitos humanos.
terça-feira, 5 de maio de 2020
O reconhecimento da língua portuguesa
Hoje, dia 5 de
Maio, celebrou-se pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa, uma
data que foi oficializada no ano passado pela Organização das Nações Unidas
para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e que, por iniciativa da Comunidade
de Países de Língua Portuguesa (CPLP), já antes se comemorava como o Dia da
Língua e da Cultura Portuguesa.
As celebrações
foram discretas porque os tempos não estão nada de feição para celebrações ou
para festas. No entanto, várias personalidades da Literatura, da Música, do
Cinema e da Ciência dos nove países que têm a língua portuguesa como língua
oficial – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial,
Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste - subscreveram
mensagens de regozijo pelo reconhecimento internacional da língua portuguesa
que, de acordo com os rankings mais
credíveis, será a quinta língua mais falada no mundo. O próprio
secretário-geral das Nações Unidas, na sua dupla qualidade de dirigente do
principal organismo internacional e de cidadão português, difundiu uma mensagem
a assinalar o acontecimento, tal como fizeram outros luso-falantes,
nomeadamente alguns presidentes da República e até um Prémio Nobel.
Os falantes de
português serão cerca de 290 milhões que residem nos nove países da CPLP, a que
se devem juntar as diásporas de cada um dos países que se encontram fora dos
seus países de origem e que vivem em vários países da Europa, nos Estados
Unidos e no Canadá, mas também na Austrália, na África do Sul, na Venezuela e,
naturalmente em Macau e Goa.
O reconhecimento
internacional da língua portuguesa é, seguramente, um factor que prestigia e
credibiliza todos os países que se exprimem em português e todos os cidadãos
luso-falantes.
Brasil: o povo nem sempre tem razão
Portugal é um
país que tem vários países-irmãos e amigos, mas o seu irmão mais velho chama-se
Brasil. Não é preciso invocar o passado histórico nem a língua comum para
justificar a relação íntima que existe entre os dois países e, por isso, tudo o
que acontece no Brasil interessa aos portugueses, sobretudo nos aspectos
culturais, em especial com a música e o futebol, mas também nos aspectos
políticos.
Acontece que depois
de um conturbado processo político, no dia 28 de Outubro de 2018 os brasileiros
elegeram Jair Bolsonaro para presidente da República Federativa do Brasil com
55% dos votos, mas como nos ensina a História, por vezes o povo engana-se nas
escolhas que faz. Parece ser esse o caso, pois é lamentável o que se está a
passar no Brasil, sobretudo depois de se ter revelado a calamidade que está a
ser a pandemia de covid-19. O Jair
revela-se uma personalidade menor e as elites culturais e económicas brasileiras
devem estar a chorar pelo apoio directo ou indirecto que lhe deram, quando recusaram Fernando Haddad e a gente do PT.
A pandemia que
ele sempre desvalorizou já é uma calamidade nacional com mais de 100.000
infectados e mais de 7.000 mortos mas, apesar dessas trágicas estatísticas, o
Jair continua a desrespeitar todas as normas sanitárias e a participar em
protestos que apelam à dissolução do Congresso e do Supremo Tribunal Federal,
ao mesmo tempo que sugere, incita ou ameaça com uma intervenção militar. É a
escalada da insensataz, escreve hoje o Correio Braziliense. É um impensável
nível de irresponsabilidade. Os seus aliados desertam todos os dias, como
aconteceu com Sérgio Moro, um seu fiel seguidor que vai fazendo os seus trabalhinhos
mais ou menos sujos para subir na política brasileira. O Jair já não tem
futuro. O povo enganou-se.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Há um novo mundo a surgir no horizonte
A última edição
do Courrier
internacional é temática e centra-se numa questão que, na actual
turbulência que atravessamos e de que ainda não se sabem as verdadeiras
consequências, nos obriga a repensar o mundo. As dúvidas que se levantavam aos
efeitos nocivos da globalização sobre o comportamento dos seres humanos, sobre
a crise climática e o aquecimento global que rapidamente estão a alterar o
planeta ou sobre a crise generalizada da natalidade, juntaram-se à pandemia do covid-19 e aos seus medos e incertezas, parecendo
que estamos perante uma tempestade
perfeita.
Há que repensar o
mundo, como salienta na sua primeira página o Courrier internacional.
Ninguém pode ficar indiferente às imagens que temos visto das ruas e praças das
cidades desertas, das angústias ou mesmo da impotência de quem trabalha nos
hospitais, das filas intermináveis de gente que procura abastecer-se nos
supermercados, dos rostos que em vez de sorrisos mostram máscaras, das placas
de estacionamento dos aeroportos pejadas de aviões imobilizados ou dos grandes
navios de cruzeiro abandonados nos cais. Essas imagens sugerem que repensemos o
mundo porque nunca mais vai ser como era e que nos preparemos para um modo de
vida diferente que, quem sabe, até pode ser melhor. A pandemia do covid-19
está a desencadear uma verdadeira revolução, talvez uma das maiores revoluções que a
Humanidade alguma vez enfrentou. Há que pensar nela e nas adaptações a fazer no
modo de vida da sociedade. Porém, neste quadro que nos obriga a pensar no
futuro com coragem, com inteligência, com imaginação e com esperança, ainda há gente muito responsável
– dispenso-me de aqui deixar nomes – que continua com o seu discurso político
ou sindical da reivindicação, da exigência e da confrontação, como se o mundo não
tivesse mudado radicalmente nos últimos três meses.
domingo, 3 de maio de 2020
España: la alegría vuelve a la calle
A pandemia que
nos ataca desde há quase dois meses, em particular nos países da Europa
ocidental, obrigou ao encerramento de escolas, à suspensão de grande parte da
actividade produtiva e ao confinamento domiciliário das pessoas, entre outras
medidas destinadas a evitar os contágios e a propagação do vírus.
De acordo com os imensos “especialistas” que diariamente nos dão lições sobre o assunto, estaremos agora na fase descendente da primeira vaga da pandemia, mas espera-se uma segunda vaga ainda mais dura nos próximos tempos, o que nos obriga a todos os cuidados. Por isso, nesta aparente acalmia pandémica, as autoridades sanitárias estão a procurar conciliar todas as variáveis que entram nesta equação – a defesa da saúde pública, o fim do confinamento obrigatório, a reactivação do comércio e da indústria, a reabertura das escolas e das repartições públicas e, até mesmo, essa coisa que pouca falta nos tem feito que é o futebol e as longas noites televisivas a discutir foras de jogo e penaltis.
De acordo com os imensos “especialistas” que diariamente nos dão lições sobre o assunto, estaremos agora na fase descendente da primeira vaga da pandemia, mas espera-se uma segunda vaga ainda mais dura nos próximos tempos, o que nos obriga a todos os cuidados. Por isso, nesta aparente acalmia pandémica, as autoridades sanitárias estão a procurar conciliar todas as variáveis que entram nesta equação – a defesa da saúde pública, o fim do confinamento obrigatório, a reactivação do comércio e da indústria, a reabertura das escolas e das repartições públicas e, até mesmo, essa coisa que pouca falta nos tem feito que é o futebol e as longas noites televisivas a discutir foras de jogo e penaltis.
O confinamento
obrigatório vai terminar em Portugal, enquanto em Espanha já terminou. Ontem as
cidades espanholas encheram-se de pessoas que vieram para a rua para “esticar
as pernas” e apanhar sol, para fazer caminhadas e pedalar. A imprensa espanhola
encheu as suas primeiras páginas com imagens que mostram as cidades cheias de
gente e de vida. O jornal Canarias7 de Las Palmas de Gran
Canaria seguiu a mesma linha e encheu a sua primeira página com os surfistas
canários.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
A maior calamidade está em Nova Iorque
Nos Estados
Unidos contabilizaram-se hoje 1.122.866 pessoas já infectadas com covid-19 e 65.397 óbitos devidos ao
mesmo vírus, enquanto no estado de Nova Iorque estão registadas 313.855 pessoas
infectadas (28% do total do país) e o número de óbitos atinge 24.069 (37% do
total do país). Estes números mostram como os Estados Unidos e o estado de Nova
Iorque estão no centro desta tempestade a que nenhum país tem escapado. Se comparamos
os 24.069 óbitos que já aconteceram no estado de Nova Iorque, que tem cerca de
20 milhões de habitantes, com os números do que se passa em todo o mundo,
verificamos que a calamidade nova-iorquina é muito mais grave do que aquela que
atinge os maiores países europeus que são muito mais populosos, como a Itália
(27.967 óbitos), o Reino Unido (26.771 óbitos), a Espanha (24.543 óbitos) e a
França (24.376 óbitos).
Hoje, o Daily
News e outros jornais do estado de Nova Iorque anunciaram que, pela
primeira vez na história de 115 anos do New
York City Subway, vai ser interrompida durante a noite a circulação nas
suas 36 linhas e 472 estações, para que se proceda a uma limpeza geral de desinfecção
anti-vírus, pois pensa-se que o transporte diário de mais de 5 milhões de
passageiros torna o metropolitano nova-iorquino um dos principais focos de
propagação da epidemia de covid-19.
Porém, é de lamentar que as autoridades estaduais tenham demorado tanto tempo
para perceber que o metropolitano era o mais provável agente de contágio e para se decidirem por esta iniciativa sanitária, o que mostra como na nação mais poderosa do mundo
há demasiadas fraquezas.
A crise aeronáutica e a retoma da Airbus
O jornal regional
La
Dépêche du Midi que se publica em Toulouse, a cidade do sul da França
que é o mais importante centro de produção aeronáutico da Airbus, dedicou a sua
última edição à crise por que passa o sector, numa época em que não há novas
encomendas, em que muitos milhares de aviões estão parados e em que as
companhias de aviação têm as suas finanças arruinadas por não terem receitas.
Ainda não se
avista a luz ao fundo do túnel no que respeita à normalização da actividade
aeronáutica mundial e, naturalmente, há uma absoluta incerteza quanto à retoma
da produção industrial de aeronaves, porque não há nem vai haver procura nos
tempos mais próximos. A Airbus passa por tempos difíceis e a cidade que “vive” da
Airbus está verdadeiramente assustada, porque o desemprego é o cenário mais provável
em todas as áreas industriais que participam na produção aeronáutica, bem como
nas áreas que indirectamente lhe estão ligadas. O que se aproxima da cidade de
Toulouse pode ser uma calamidade social e o principal jornal da cidade pergunta
mesmo se a Airbus tem condições para descolar, pois não se antevê procura que
possa dinamizar a capacidade de produção instalada e ocupar a força de trabalho
que está ligada ao grupo.
É um desafio
enorme que só começará a ser resolvido quando as companhias aéreas recuperarem
os seus negócios ou quando os passageiros voltarem a encher os aviões, mas
quando isso acontecer pode já ser tarde. Por isso, a cidade de Toulouse vive
angustiada.
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