terça-feira, 8 de setembro de 2020

Messi nunca mais vai ser o que era


O futebolista argentino Lionel Messi tem 33 anos de idade e pertence à equipa do Barcelona há 18 anos, onde é um artista famoso, um ídolo das multidões e um ícone da Catalunha. Na passada semana decidiu rescindir o contrato que o ligava ao clube catalão com base numa cláusula que lhe permitia terminar o seu vínculo laboral ao clube no final da época. Porém, o covid-19 alterou os calendários futebolísticos espanhóis e, enquanto Messi entendeu que a época futebolística tinha terminado a 10 de Junho, o clube teve outro entendimento e considerou que a época só terminou em 30 de Junho. Portanto, Messi e os seus advogados precipitaram-se. O Barcelona e os seus adeptos não gostaram. Foi um terramoto emocional para o clube e para a Catalunha. Muitos jornais da América Latina, onde o Barcelona e Messi são muito populares, publicitaram a decisão de Messi. No entanto, o clube decidiu não aceitar a rescisão invocada por Messi porque foi apresentada fora do prazo legal e assumiu que o jogador tem um contrato em vigor até ao dia 30 de Junho de 2021 ou que, em alternativa, deveria ser paga a cláusula de rescisão de 700 milhões de euros. Messi recuou e ninguém veio em seu auxílio. Ainda se falou no interesse do Manchester City, mas era muito dinheiro e Messi sofreu a humilhação de voltar com a palavra atrás e jurar amor eterno ao Barcelona.
Las Últimas Noticias que é um dos mais populares jornais chilenos, fez uma fotomontagem que publicou em primeira página, em que o ídolo Messi é ridicularizado como se fosse um menino sem vontade própria. Pela idade e por este triste episódio. Lionel Messi nunca mais vai ser o que era.

domingo, 6 de setembro de 2020

O incrível rumo eleitoral americano


As eleições presidenciais americanas realizam-se no dia 3 de Novembro o que significa que estamos a menos de dois meses do dia da votação. A campanha eleitoral vai começar a acelerar, mas o facto é que Donald Trump tem vindo a recuperar nas intenções de voto relativamente ao democrata Joe Biden, pois enquanto há um mês as sondagens o situavam 9% abaixo de Biden, as mesmas sondagens indicam que Trump está agora a 6.9% do seu adversário. Porém, nos chamados estados decisivos – California, Texas, Florida e Nova Iorque – as intenções de voto estão muito equilibradas e será nesses estados que tudo se decidirá.

Ontem a reputada revista The Economist destacou as eleições americanas como tema principal e referiu-se-lhe como uma ugly election, que traduzido para português significa uma eleição feia, perigosa, repelente. De facto, depois de Donald Trump ter incentivado os seus eleitores a tentarem votar duas vezes, primeiro por correspondência e depois presencialmente, há todas as razões para que se olhe com desconfiança para as eleições americanas e que se duvide que possam ser livres e justas. E não foi um lapsus linguæ pois Trump repetiu aquele incentivo e só muito depois emendou a mão ao acrescentar, que só se deveria votar presencialmente na secção eleitoral se o voto por correspondência não tivesse chegado. Entretanto, Donald Trump continua a ameaçar e a insultar os seus adversários, embora não consiga calar muitas das pessoas que lhe são próximas, como a sua irmã Maryanne Trump Barry, uma antiga juíza de 83 anos de idade que numa entrevista para o jornal The Washington Post descreveu o seu irmão-presidente como cruel, mentiroso e sem quaisquer princípios.

A estratégia de Trump tem alimentado a agitação social e étnica para aparecer aos olhos dos americanos como o homem que pode acabar com a agitação (que ele próprio alimenta), mas há muita gente que receia que, pela primeira vez na história dos Estados Unidos, um candidato derrotado não aceite o resultado eleitoral. Esse candidato pode ser Trump e disso já deu demasiados sinais. Por isso, é inacreditável o rumo eleitoral americano e daí que The Economist tivesse classificado as eleições de 3 de Novembro como uma ugly election.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

As eleições e o futuro na Venezuela


A Venezuela tem eleições parlamentares marcadas para o dia 6 de Dezembro e esse facto é animador pois pode conduzir a uma saída para a grave crise que atravessa o país, onde vivem cerca de 400 mil portugueses ou luso-descendentes.
As sanções económicas impostas pelos Estados Unidos ao regime de Nicolas Maduro deram origem a uma grave crise económica e a uma grande instabilidade social, que foi aproveitada por alguma oposição estimulada por Donald Trump, para tentar mudar o regime chavista que governa a Venezuela. Como não tiveram o apoio das Forças Armadas para tomar o poder, foi montada uma operação que se disfarçou de ajuda humanitária e até foi arranjado um tal Juan Guaidó para suceder a Maduro. A operação desenvolveu-se em Fevereiro de 2019 e foi apoiada pelos mass media internacionais, mas Maduro negou que houvesse crise humanitária no país e continuou a ter o apoio dos militares e do aparelho judicial.
Passados muitos meses e agora sob o efeito da pandemia, o presidente Maduro decidiu convocar eleições para o dia 6 de Dezembro e convidou as Nações Unidas e a União Europeia para participarem nas eleições como observadores. Ao mesmo tempo, Nicolás Maduro concedeu mais de uma centena de indultos a políticos da oposição que se encontravam detidos, o que significa que já escuta as reivindicações da oposição, que entretanto se dividiu.
De um lado está Henrique Capriles, o antigo governador do estado de Miranda e candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2012, que apoia a realização de eleições, admite negociações com Maduro e se afastou de Guaidó, cuja estratégia “se agotó”.
Do outro lado ainda está Juan Guaidó, agora com menos apoio de Trump e de Bolsonaro, que acusa Capriles de negociar com “la dictadura de Maduro”. Assim, a Venezuela tem a sua oposição dividida, enquanto o regime de Maduro parece estar mais moderado. Quanto a Juan Guaidó, muito dependente de Trump e de algumas agências americanas, parece que realmente se esgotou. Vamos a ver.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Já vamos com seis meses de covid-1


Vários jornais portugueses lembraram hoje que passaram seis meses desde que, no dia 2 de Março, foram detectados os dois primeiros casos de covid-19 em Portugal. 
Desde então foram identificados 58.663 casos positivos de infecção por covid-19, dos quais cerca de 72% já recuperaram, mas a pandemia já provocou 1827 óbitos. A situação sanitária tem sido prolongada e catastrófica, tendo alterado o modo de vida dos grupos e das pessoas por todo o mundo, onde o número de óbitos se aproxima de um milhão, sobretudo nos Estados Unidos, no Brasil, na Índia e no México.
Em Portugal, os efeitos do covid-19 têm sido demolidores no aspecto sanitário, mas também na vida económica e cultural. Tudo mudou. O quotidiano e o trabalho. As viagens e as férias. Os restaurantes e as escolas. Vieram os confinamentos, as máscaras, o distanciamento social. A actividade económica e, especialmente o turismo, tiveram quebras brutais e, no segundo trimestre do corrente ano, o produto nacional teve uma contração de 14,1% relativamente ao trimestre anterior e de 16,5% em relação ao segundo trimestre de 2019. Nunca acontecera. Foi uma verdadeira catástrofe. As consequências sobre o emprego foi a destruição de cerca de 180 mil empregos em apenas quatro meses, o que significa que haverá actualmente mais de 350 mil pessoas desempregadas em Portugal.
O Governo tem procurado tomar medidas para atenuar os efeitos desta crise económica provocada pela pandemia e, de uma forma geral, tem tido o apoio ou a neutralidade dos partidos políticos. Porém, o desafio é muito difícil, até porque está a ser perturbado por uma campanha presidencial prematura e, além disso, como quase sempre acontece na nossa terra, as corporações de interesses e os seus agentes aproveitam a oportunidade para apresentar exigências ao Governo que, mesmo que sejam justas, são inoportunas e incomportáveis. As necessidades são muitas, mas os nossos recursos são escassos. O que as corporações de interesses querem, implica sempre mais impostos ou mais dívida, o que nas actuais circunstâncias seria tão catastrófico como a própria pandemia.  

O Tour de France é a festa dos franceses


Começou o Tour de France que é, seguramente e em todos os sentidos, a maior festa dos franceses. Trata-se de um acontecimento desportivo que se realiza desde 1903 e que, este ano, entre Nice e Paris, constará de 21 etapas que serão percorridas por 176 ciclistas de 22 equipas, terminando no dia 20 de Setembro. Actualmente, a grande corrida pode ser acompanhada pela televisão com grande detalhe informativo e, além disso, proporciona imagens de grande qualidade estética das regiões por onde a prova passa, em que são sempre destacadas a paisagem e o património construído, a par do entusiasmo popular à beira das estradas. Assim, na actual pobreza da televisão portuguesa, o Tour de France acaba por se tornar num programa com um conteúdo cultural muito apelativo e que quase nos permite viajar sem sair de casa, embora os comentários sejam por vezes muito brejeiros.
Este ano apenas um português se encontra no pelotão. Chama-se Nelson Oliveira, é natural de Anadia e corre com o dorsal 95 pela equipa espanhola Movistar. Embora o seu nível internacional não o coloque no topo do ciclismo mundial, há que torcer por este compatriota para que se sinta apoiado e possa ganhar uma etapa, o que seria uma enorme alegria para a comunidade portuguesa que vive em França e também para muitos de nós aqui no rectângulo continental português.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Navegando no estreito de Magalhães


O centenário jornal chileno El Mercúrio que se publica na cidade de Santiago ilustrou a sua edição de hoje com uma expressiva fotografia da parte média do estreito de Magalhães, em que se destaca o cabo Froward, o ponto mais meridional do continente sul-americano, por onde passou em Novembro de 1520 a frota de Fernão de Magalhães, durante a sua viagem para as ilhas Molucas, que veio a transformar-se na primeira viagem de circum-navegação.
A justificação do jornal para publicar esta fotografia foi a passagem pelo estreito de Magalhães do moderno porta-helicópteros americano USS Tripoli (LHA-7), que é um Landing Helicopter Assault ou navio de assalto anfíbio. 
O navio entrou ao serviço da Marinha americana no passado dia 15 de Julho, tem 240 metros de comprimento, desloca 45 mil toneladas e tem uma guarnição base de 65 oficiais e 994 sargentos e praças, podendo alojar 1687 fuzileiros. Nesta sua primeira viagem o navio atravessou o estreito de Leste para Oeste e dirigiu-se para a sua base na Califórnia, tendo realizado alguns exercícios com o navio-patrulha chileno Marinero Fuentealba de 81 metros de comprimento e 1772 toneladas de deslocamento. O novo navio americano tem todas as modernas ajudas à navegação, mas certamente que a companhia do Marinero Fuentealba lhe foi muito útil, até porque a parte ocidental do estreito é mesmo estreita e registou tantos naufrágios que até está institucionalizada uma rota turística conhecida por Rota dos Naufrágios, que mostra aos turistas os restos dos navios que por ali se perderam. O que não há dúvidas é que a paisagem marítima do local é imponente e nos evoca um facto relevante da história da Humanidade.

domingo, 30 de agosto de 2020

A língua portuguesa é viva e renova-se


A língua portuguesa é uma das línguas mais faladas no mundo e não é muito importante saber qual a sua posição no ranking of the most spoken languages of the world. Este ranking é divulgado anualmente pelo Ethnologue, um centro científico de estudos linguísticos integrado na organização não-governamental SIL Internacional, fundada em 1934 e com sede em Dallas.
Sempre confiei no Ethnologue. Porém, entre as edições de 2019 e 2020, o Ethnologue parece ter sido infectado e, para mim, a sua credibilidade está sob suspeita. Então não é que, segundo o Ethnologue, em apenas um ano, o espanhol passou da segunda para a quarta posição e o português passou da sexta para a nona posição, enquanto o inglês passou da terceira para a primeira posição e o francês deu um monumental salto da décima-quinta para a quinta posição do ranking. Mesmo que tenha havido mudanças de critério no apuramento do número de falantes de cada língua, as enormes e tão rápidas alterações no ranking of the most spoken languages of the world descridibilizam o Ethnologue.
Tudo isto vem a propósito da edição de ontem do jornal angolano folha 8, cuja manchete de carácter político recorreu com grande criatividade a uma expressiva palavra que, embora existindo no vocabulário português, não é usada habitualmente. Diz-se que está a ficar mais pequeno, que está a encolher, que se está a reduzir, que está a diminuir ou que está a ficar menor, mas não é costume dizer-se que qualquer coisa esteja a apequenar-se.
Este é, portanto, um bom exemplo da riqueza de uma língua que se valoriza continuamente, quer pela criatividade popular ou de autores como Mia Couto ou José Eduardo Agualusa, mas também pela renovada utilização de palavras em vias de extinção, como parecia ser o apequenar-se.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

“Quiero irme del Barça” e a cidade tremeu


A imprensa espanhola e em especial a imprensa desportiva destacam hoje que Lionel Messi, após cerca de dezoito anos ao serviço do FC Barcelona, escreveu ontem um simples telefax dirigido à direcção do seu clube, solicitando unilateralmente o fim do seu contrato. A cidade de Barcelona tremeu como se fosse um sismo. Talvez que o grande artista da bola ainda esteja amuado com o que lhe aconteceu no Estádio da Luz onde o FC Bayern de Munique lhe aplicou oito golos ou, então, concluiu que é a altura de ir tratar da gestão das muitas toneladas de dinheiro que acumulou enquanto jogava à bola.
O jogador pouco mais disse do que “quiero irme del Barça” e o mundo ficou sem saber o que é que realmente lhe vai na alma, enquanto os dirigentes do seu clube ficaram em estado de choque por estarem em vias de perder a sua estrela, mas também os milhões que a sua transferência poderia render. Não se sabe se Messi foi assediado por dinheiro árabe ou chinês ou até se tem propostas de trabalho do Paços de Ferreira ou do Moreirense, mas o facto é que os jornais espanhóis e latino-americanos deram um enorme destaque à decisão de Lionel Messi, porque ele tem sido um excepcional artista da bola e um ícone da cidade de Barcelona e até da Catalunha, que se encontra no mesmo patamar de notoriedade e fama que atingiram Pelé, Maradona e Ronaldo.
No mundo comunicacional em que vivemos, este telefax de Lionel Messi foi pensado pelos seus advogados. Não foi um impulso e, por isso, esconde qualquer coisa e só pode ser uma artimanha ou uma peça de uma estratégia de trampolim para outros passos que, naturalmente, já estão negociados. Vamos a ver o que vai acontecer para esclarecer este mistério ou mais esta negociata do mundo do futebol. Alguém está a querer comprar o nome do jogador, apenas o nome, porque a marca Messi potencia muitos outros negócios. 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

À volta do mundo, apesar do covid-19


O navio-escola Juan Sebastián de Elcano largou ontem de La Carraca, a base e estaleiro da Marinha Espanhola que se localiza em San Fernando, nos arredores de Cádiz, para iniciar o seu 93º cruzeiro de instrução de cadetes, que servirá também para comemorar o 5º Centenário da primeira volta ao mundo iniciada por Magalhães e concluída por Elcano.
Será uma viagem de cerca de onze meses, em que “a embaixada flutuante” dos espanhóis navegará por todos os oceanos e procurará reconstituir a viagem realizada entre 1519 e 1522 e em que se espera que visite, entre outros lugares, o porto de Montevideu, a baía de San Julián (Argentina), a cidade de Punta Arenas (Chile), o estreito de Magalhães, as ilhas Guam, as ilhas Filipinas, as ilhas Molucas e a Indonésia.
A bordo seguem 172 tripulantes e a largada do navio foi motivo de reportagem para os jornais gaditanos que publicaram fotografias da partida, embora considerassem que se tratava de “el viaje más incierto” ou “su viaje más atípico”, uma vez que há uma grande incerteza relativamente à evolução da pandemia do covid-19, não só a bordo do navio, mas também nos portos que espera escalar para se reabastecer ou para participar em actos comemorativos se, entretanto, os movimentos anti-coloniais não enveredarem por manifestações anti-espanholas nos pontos de passagem. Além disso, é natural que os tripulantes do Elcano não possam sair do navio e que não sejam permitidas visitas a bordo, o que parece tornar esta viagem um caso de extrema teimosia para celebrar aquilo que alguns sectores espanhóis não se cansam de reclamar, isto é, “a plena y exclusiva hispañolidad” da primeira volta ao mundo.
Bem avisadas estiveram as autoridades portuguesas e as chefias da Marinha quando em Março deste ano cancelaram a viagem de volta ao mundo que o navio-escola Sagres tinha iniciado, porque a situação pandémica a isso obrigou.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Donald Trump poderá vir a ser reeleito?


Depois da Convenção Democrata que escolheu Joe Biden como o seu candidato às eleições presidenciais americanas de 3 de Novembro, é agora a vez da Convenção Republicana escolher o seu candidato que será Donald Trump.
A generalidade da imprensa americana não é neutra nas campanhas eleitorais e está alinhada com um ou outro candidato, embora esse alinhamento seja quase sempre discreto e subtil. Hoje, o jornal nova-iorquino Daily News caricaturou Donald Trump apresentando-o como um showman, um entertainer, um demagogo ou mesmo um palhaço de circo, ao mesmo tempo que revela alguns dos seus apoiantes que são figuras desconhecidas ou de segundo plano na sociedade americana. O Donald não apresenta um programa eleitoral e os extractos dos seus discursos que nos vão chegando são centradas em ataques pessoais ao seu adversário, na agitação de fantasmas e em ameaças quanto ao futuro dos americanos para o caso de não ser eleito. Durante quatro anos usou a mentira, a arrogância e o narcisismo, mas uma parte da América gostou disso.
Hoje, também o diário USA Today, que é o jornal de maior circulação nos Estados Unidos, apresentou os resultados de uma sondagem que revela que a maioria dos americanos não acredita que Donald Trump aceite uma derrota eleitoral, isto é, há 25% de americanos que acham que ele aceitará a derrota, mas há 52% que consideram que ele não aceitará a derrota e 24% que não estão seguros de que ele aceite a derrota.
A suspeita de que este golpe trumpiano pudesse acontecer já tinha sido avançada, mas agora ela confirma-se através desta sondagem hoje publicada.

Nasceu um novo campeão português


O Grande Prémio de Estíria em motociclismo, realizou-se ontem em Spielberg, na Áustria e teve um vencedor inesperado chamado Miguel Oliveira.
Foi a primeira vitória deste piloto português que até agora apenas tinha conseguido um 6º lugar em Brno, na República Checa, como o seu melhor resultado na MotoGP World Championship, mas também foi a primeira vitória da Tech 3, a sua equipa que em mais de trinta anos de corridas nunca tinha ganho uma prova num campeonato dominado pelas Hondas e Yamahas e por pilotos italianos, ingleses, americanos e espanhóis. Ontem, na última curva da corrida e quando seguia em terceiro lugar, Miguel Oliveira conseguiu ultrapassar os concorrentes australiano e espanhol que seguiam na sua frente e vencer, numa prestação de grande competência, em que foram reconhecidas a perícia e a inteligência com que conduziu a sua prova.
A euforia de Miguel Oliveira por esta inédita vitória portuguesa “na Fórmula 1 do motociclismo” foi natural e a bandeira portuguesa que segurou com emoção foi vista nos telejornais do mundo inteiro, ao mesmo tempo em que agradecia aos amigos e aos que o apoiaram e afirmava que os portugueses eram os melhores, o que só se aceita numa situação daquelas.
Embora eu não seja entendido nos desportos motorizados, associo-me às saudações que estão a ser dirigidas a Miguel Oliveira que, segundo está a ser anunciado, já entra em provas de motociclismo desde os nove anos de idade. É mesmo um campeão e até o jornal A Bola se esqueceu das suas manchetes sobre as negociatas das transferências dos jogadores de futebol para homenagear este piloto português.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

É a hora: Joe Biden for President 2020


No contexto das eleições presidenciais americanas chegou ao fim a Convenção Democrática que escolheu o senador Joe Biden como o seu candidato para enfrentar Donald Trump no próximo dia 3 de Novembro. A convenção decorreu num ambiente de grande unidade e as intervenções das principais figuras do Partido Democrata, incluindo os anteriores presidentes Bill Clinton e Barack Obama, bem como das suas mulheres, foram devastadoras para o actual presidente que de imediato reagiu, a mostrar que está inquieto e nervoso com a força, a determinação e a serenidade que a candidatura de Joe Biden e Kamala Harris está a mostrar.
As eleições americanas são importantes para os Estados Unidos, mas também são muito importantes para o mundo, pois trata-se da escolha da pessoa que vai dirigir o maior complexo militar-industrial e a maior economia do nosso planeta, num tempo em que se acentuam os desafios da instabilidade regional, da conflitualidade étnico-religiosa, das alterações climáticas, da desigualdade e da pobreza e, até, da sobrevivência humana.
As novas plataformas de comunicação que Donald Trump tem utilizado em larga escala durante o seu mandato para se promover e justificar os enormes erros que tem cometido, quer na ordem interna quer na ordem internacional, vão certamente continuar a ser usadas para difundir fake news e para criar uma imagem presidencial que, de facto, distorce um retrato de ignorância, de insensibilidade e de autoritarismo do homem que se instalou na Casa Branca e de onde não quer sair.
A pandemia do covid-19, a recessão económica, o desemprego e a crise social que lhe estão associados, devem ter gorado todas as hipóteses do Donald continuar na Casa Branca… mas como dizia um famoso jogador de futebol, “prognósticos só no fim do jogo”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Aproximam-se as eleições americanas


As eleições presidenciais americanas que se vão realizar no dia 3 de Novembro entraram na sua recta final com a realização da Convenção Democrata que confirmou a nomeação do ex-vice-presidente Joe Biden como o seu candidato contra Donald Trump e aprovou para a vice-presidência a senadora Kamala Devi Harris, a antiga procuradora-geral da Califórnia. A escolha da senadora Harris gerou uma onda de entusiasmo nas hostes democratas pelo efeito que esperam venha a ter no voto das mulheres e das comunidades de origem latino-americana, africana e asiática, tendo tido grande impacto nos media americanos como se pode observar na edição de hoje do The Washington Post.
De acordo com as mais recentes sondagens o candidato Joe Biden tem cerca de 50% das intenções de voto, enquanto Trump está com 42%, mas estes indicadores não são suficientes para prever o resultado final. Nas eleições de 2016 a senadora Hillary Clinton liderou as sondagens e teve cerca de três milhões de votos a mais do que Trump, mas perdeu porque o sistema americano é indirecto, isto é, cada estado elege os delegados em função da sua dimensão populacional e são esses delegados que vão constituir o colégio eleitoral de 538 membros que se reunirá no dia 14 de Dezembro para eleger oficialmente o presidente e o vice-presidente. O vencedor precisa, portanto, de 270 delegados para vencer.
O candidato mais votado em cada estado fica com todos os delegados e apenas nos pequenos estados do Maine e do Nebraska os delegados são escolhidos proporcionalmente aos votos recolhidos pelos candidatos. Nestas condições, são determinantes os votos nos estados decisivos, conhecidos por battleground states, casos da California (55 delegados), Texas (38 delegados), Florida e Nova Iorque (29 delegados cada), enquanto os três delegados escolhidos em Montana, Delaware, Wyoming e Vermont são muito menos importantes para o resultado final.
Faltam 74 dias para que os americanos votem.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A era do plástico e os males dos oceanos


A proliferação de plásticos e de outros detritos nos oceanos começa a preocupar seriamente a Humanidade e, na sua edição de hoje, o jornal Público publica uma fotografia de uma praia do Haiti coberta de plásticos e de outros lixos, salientando que “pode haver dez vezes mais plástico no Atlântico do que se pensava”. O problema vem sendo tratado desde há alguns anos, depois de terem sido identificadas algumas “ilhas” gigantescas de lixo em todos os oceanos e, em especial, no mar Mediterrâneo, mas também no facto de muitas áreas costeiras registarem grandes acumulações de lixo, constituído sobretudo por materiais plásticos, sobretudo garrafas, cordas e sacos de nylon, bóias, cadeiras e embalagens.
Esses materiais concentram-se por efeito das correntes marítimas, mas calcula-se que esse lixo represente apenas 1% daquilo que já foi depositado nos oceanos ao longo dos anos e que, a outra parte, está ignorada ou até degradada, possivelmente no fundo dos mares. O processo de degradação do lixo plástico é muito lento, mas com o tempo e a acção da movimentação das águas, os plásticos vão-se transformando em pedaços cada vez mais pequenos, até atingirem dimensões minúsculas e quase indetectáveis, sob a forma de microplásticos que, actualmente, são objecto de estudo para conhecer os seus efeitos sobre a vida marinha e, indirectamente, sobre a vida humana.
Estas situações constituem verdadeiras catástrofes ambientais e estão a afectar seriamente a vida no nosso planeta, o que está a despertar o interesse da comunidade científica e das autoridades dos países marítimos, embora haja quem pergunte se ainda vamos a tempo de evitar males maiores na degradação dos oceanos e da vida marinha.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Grande naufrágio e catástrofe ambiental


A ilha Maurícia, a ilha Rodrigues e outras ilhas menores como Agalega, situam-se no oceano Índico a cerca de 2000 quilómetros da costa de Moçambique e constituem um país insular com o nome de República das Maurícias. A toponímia local revela a passagem dos portugueses por aquelas ilhas, maas foram os holandeses, os franceses e os ingleses que as exploraram, até que em 1968 alcançaram a independência.
Hoje a República das Maurícias é um país próspero com cerca de 1,3 milhões de habitantes multiétnicos, com influências culturais indianas, europeias e africanas, tendo o turismo como a principal alavanca da sua economia.
No passado dia 25 de Julho o superpetroleiro japonês MV Wakashio encalhou nos recifes que orlam a ilha Maurícia, num parque marinho protegido que tem recifes de coral e espécies em vias de extinção, tendo esse facto sido considerado uma catástrofe. As autoridades declararam o estado de emergência e foi pedida ajuda internacional para atenuar as graves consequências para o país e para o seu turismo. Depois de duas semanas de luta para evitar um desastre ambiental em que participaram milhares de estudantes, activistas ambientais e muita população, no passado sábado o navio partiu-se em duas partes e foram libertadas toneladas de petróleo no oceano Índico. A bela ilha Maurícia corre sérios riscos de perder o seu estatuto de paraíso natural e de destino turístico de excelência.
O MV Wakashio foi construído em 2007, desloca 203.000 toneladas, tem 300 metros de comprimento e navegava da China para o Brasil, tendo encalhado a cerca de uma milha de terra, quando se esperava que estivesse a uma distância entre 10 e 20 milhas de terra. Nesta altura decorre uma investigação para perceber como foi possível, num tempo de tantas tecnologias de apoio à segurança da navegação, que este desastre tivesse acontecido. O jornal Finantial Times e outros publicaram nas suas edições de hoje a fotografia do MV Wakashio e do reef disaster.