sábado, 5 de agosto de 2023

O Papa Francisco põe Lisboa em Festa!

O Papa Francisco está em Portugal a propósito das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) e, como mostram as televisões portuguesas, o país está em festa e mobilizou-se para receber o Sumo Pontífice nesta sua viagem apostólica. Aparentemente, tudo está a correr de forma exemplar e a merecer elogios, mostrando como a organização foi eficiente e competente no planeamento e na preparação de todos os actos da visita papal, que decorre entre os dias 2 e 6 de Agosto.
A presença do Papa Francisco em Portugal já é um grande acontecimento social, político e cultural. É uma lição para muita gente e que cada um veja "as carapuças que pode enfiar". O Patriarcado de Lisboa, o Governo da República e a Câmara Municipal de Lisboa estão de parabéns pois a visita papal está a ser um êxito e um momento de quase unanimidade nacional, como noutras ocasiões foram o entusiasmo popular com o 25 de Abril ou o apoio a Timor Leste.
Jovens de quase todos os países do mundo “invadiram” Lisboa que, nestes dias é, de facto, a capital do mundo e a capital da esperança num mundo melhor, com mais concórdia, mais diálogo e mais paz, enquanto o Papa insistiu que a Igreja é inclusiva e que é de todos. Segundo o jornal Diário de Notícias, o Papa criticou os políticos, a Europa e até a própria Igreja.
Neste grande acontecimento que nos inspira e nos estimula a pensar num mundo melhor, tem-se destacado o Presidente da República - que não é parte relevante neste acontecimento - mas que aparece e fala demasiadas vezes, a maior parte delas a despropósito, como se fosse mais que um peregrino na JMJ e fosse o comentador oficial daquilo que o Papa diz. Pois que haja quem avise o Supremo Magistrado da Nação de que não é este o seu papel na JMJ. Que se poupe e que nos poupe.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Trump foi acusado, a Democracia vencerá

Os acontecimentos de 6 de Janeiro de 2021 em Washington, foram tão importantes para os Estados Unidos e para o mundo, como o 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, o 30 de Abril de 1975 em Saigão ou o 6 de Agosto de 1945 em Hiroshima. Embora por razões diversas e nem todas da mesma importância, o que aconteceu nestas datas ficou gravado na história contemporânea dos Estados Unidos.
Relativamente ao dia 6 de Janeiro de 2021, o que aconteceu foi uma tentativa de alterar as normas da vida democrática americana após a derrota do presidente Donald Trump nas eleições presidenciais de 2020. Ao não ser reeleito, o presidente estimulou ou dirigiu uma multidão de apoiantes que assaltou o edifício do Capitólio em Washington, para impedir que o presidente eleito Joe Biden fosse declarado vencedor. Semelhante situação aconteceu no Brasil quando no dia 8 de Janeiro de 2023, o presidente Jair Bolsonaro apoiou actos de insurreição e vandalismo de grupos de manifestantes que invadiram os Palácios do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, para promover um golpe de estado contra o governo eleito de Lula da Silva.
Hoje o jornal USA Today informa que Donald Trump foi formalmente acusado de tentativa de corromper os resultados eleitorais das presidenciais de 2020 e, segundo a Justiça federal, é suspeito de “conspirar para defraudar os Estados Unidos”, “pressionar testemunhas”, “conspirar contra os direitos dos americanos” e “obstruir um acto oficial”. O procurador especial foi claro: o que aconteceu no Capitólio no dia 6 de Janeiro de 2021 não foi um acto espontâneo ou um evento isolado, mas antes “uma batalha de uma guerra mais ampla sobre a verdade e sobre o futuro da democracia americana”. 
A Justiça americana funciona e isso é bom para os Estados Unidos e para o mundo. Porém, Donald Trump é o favorito para a nomeação dos Republicanos para as eleições presidenciais de 2024 pois tem cerca de 54% das intenções de voto...

Escândalo e vergonha nos juros da banca

No passado sábado escrevemos aqui que os lucros da banca são uma obscenidade e, de facto, três dias depois, o jornal Público escreve na primeira página com grande destaque que “com subida das Euribor, 75% da prestação da casa são juros pagos ao banco”.
No artigo que serve de base a este título, a jornalista Rosa Soares escreveu que o “capital amortizado ‘encolhe’ de forma significativa com a subida das Euribor” e que, para muitas famílias se trata de “mais um aumento considerável na prestação da casa”. Tem toda a razão. O aumento das prestações é duplamente penalizador para as famílias, pois o valor pago em juros representa mais de três quartos da prestação, com apenas um quarto a corresponder ao pagamento do capital emprestado. Para explicar esta vergonha da exploração bancária, a jornalista apresenta uma simulação de empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, associado à Euribor, a que corresponde actualmente uma prestação mensal de 818,95 euros.
Pergunta-se: quem tem salários em Portugal que possam pagar esta prestação? Se atentarmos que deste valor apenas 175,32 euros (21,3%) são para amortização do capital emprestado, concluímos que 643,64 euros (78,7%) correspondem a juros extorquidos pela gananciosa banca, que se serve da irresponsabilidade e da cegueira do Banco Central Europeu para apresentar os lucros obscenos a que antes nos referimos. Há um ano, a prestação mensal do empréstimo era de 553 euros, dos quais 304 euros (55%) representavam a amortização de capital e os restantes 249 euros (45%) ao pagamento de juros. Comparem-se os números: num ano, a prestação subiu 265,95 euros, mas o lucro extorquido pela banca subiu 294,64 euros. 
Se isto não é um escândalo, então a Terra não é redonda!

sábado, 29 de julho de 2023

Os lucros da banca são uma obscenidade

A imprensa portuguesa dá hoje grande destaque à banca e aos seus resultados do 1º semestre de 2023, com o Diário de Notícias a anunciar que os cinco maiores bancos a operar em Portugal - CGD, Millennium BCP, Novo Banco, Santander e BPI – tiveram um resultado líquido consolidado de 1,9 mil milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, o que significa que desde Janeiro e até Junho, lucraram cerca de 11 milhões de euros por dia, o que, comparando com o igual período de 2022, reflecte uma melhoria de quase 60%. A banca costuma exibir-se com indicadores incompreensíveis para as pessoas comuns. Sempre foi assim, como nos lembramos dos tempos negros de Ricardo Salgado, Oliveira e Costa, Jardim Gonçalves ou João Rendeiro, parecendo agora que os tempos da euforia regressaram, como se vê por esta obscena apresentação de um lucro de cerca de 11 milhões de euros por dia.
Estes números nem sequer demonstram capacidade de gestão ou um papel relevante no apoio à economia produtiva, mas apenas uma enorme falta de escrúpulos da banca, pois resultam do agravamento das prestações pagas aos bancos pelos seus clientes, sobretudo através da armadilha do crédito à habitação, conjugada com a ridícula remuneração que a banca paga às poupanças dos depositantes. Daí que os seus lucros obscenos resultem, essencialmente, da diferença obtida entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos, mas também da habilidade recente de cobrar mensalmente uma verba pela manutenção das contas dos depositantes, que tem todas as características de um serviço não prestado e não ser mais do que um assalto ao bolso dos depositantes. Recordo aqui o Poemarma de Manuel Alegre, escrito em 1964:

    Que o poema assalte esta desordem ordenada
    que chegue ao banco e grite: abaixo a pança!

Há dias, o Presidente da República pediu à banca “um esforçozinho” para pagar melhor os depósitos, mas a correcção desta imoral situação não se faz dessa maneira.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

ONU: era of global boiling has arrived

António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, discursou ontem em Nova Iorque na sede da organização e, baseando-se nos dados mais recentes divulgados pela União Europeia e pela Organização Meteorológica Mundial, segundo os quais o corrente mês de Julho se observam as mais elevadas temperaturas de que há registo, afirmou que a “era of global boiling has arrived”.
O discurso de Guterres teve pouco destaque na imprensa internacional, talvez porque ela esteja muito comprometida com os poderes poluidores. Uma das excepções foi o jornal canadiano Toronto Star que destacou essa frase na sua edição de hoje, embora António Guterres tenha dito que “a era do aquecimento global acabou; a era da ebulição global chegou”.
Disse ainda Guterres que “para vastas partes da América do Norte, Ásia, África e Europa, o Verão está a ser cruel”, acrescentando que, “para todo o planeta, é um desastre”. As vagas de calor que estão a afectar diversos países por todo o mundo são causadas pelas alterações climáticas e, embora o fenómeno tenha sido previsto desde há muito tempo, “o ritmo da mudança é devastador”. As altas temperaturas e o calor escaldante estão a tornar-se o novo normal, provocando inundações, secas, tempestades e incêndios florestais. As evidências desta desordem climática são observáveis em toda a parte e a opinião é unânime, ao responsabilizar o homem e a sua ganância por esta destruição, mas segundo salientou Guterres, “isso não pode gerar o desespero, mas antes deve inspirar acção”.
Foi mais um duro aviso das Nações Unidas, pela voz respeitada de António Guterres.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

O Redondo e o regresso das Ruas Floridas

As ruas e o povo da vila alentejana do Redondo vão festejar mais uma vez as Ruas Floridas, isto é, a ornamentação de 24 ruas da vila com flores, figuras e outros motivos em papel colorido, que constituem um belíssimo espectáculo da cultura popular alentejana. Milhares de visitantes correrão para o Redondo desde o dia 29 de Julho (sábado) até ao dia 6 de Agosto (domingo) para assistir a uma festa, repartida por oito dias, que é considerada uma das mais importantes manifestações culturais do Alentejo. Em paralelo com o deslumbramento das ruas floridas, está sempre a qualidade e a autenticidade da gastronomia alentejana, que é apresentada por mais de duas dezenas de restaurantes.
As ruas são ornamentadas e os temas apresentados por cada rua são escolhidos pelos seus moradores, que são verdadeiros artistas populares e que, na maioria dos casos, participam num trabalho voluntário de criatividade e imaginação desde o início do ano, na produção das flores e dos outros elementos decorativos que abrangem os mais variados temas, mas que são mantidos em segredo até ao dia da apresentação do programa da festa. Muitas centenas de moradores participam na preparação desta grande festa popular em que são utilizadas algumas toneladas de papel, de cartão e de madeira para que as Ruas Floridas sejam uma verdadeira atracção.
Os registos escritos mais antigos indicam que a ornamentação das ruas do Redondo remontam a 1838, mas a sua periodicidade bienal só acontece desde 1998. Porém, devido à pandemia do covid-19, as festas de 2021 não se realizaram, regressando agora com redobrado entusiasmo.
A entrada é livre e, permitimo-nos deixar aqui uma recomendação: se nunca viu as Ruas Floridas, não perca esta oportunidade.

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Um trágico inferno na Grécia e na Itália

A orla europeia do mar Mediterrâneo tem estado debaixo de uma intensa vaga de calor, sobretudo na Grácia e na Itália. Trata-se, sem dúvida, de mais um efeito das alterações climáticas por que está a passar o nosso planeta.
Na Grécia mais vinte mil pessoas foram retiradas da ilha de Rodes, devido a um gigantesco incêndio que lavra há mais de uma semana, mas há outros incêndios que lavram por todo o território grego. No caso da Itália sucedem, em simultâneo, duas ocorrências meteorológicas de características opostas, pois enquanto no Norte há inundações, tornados e granizo gigante, no Sul o calor é abrasador e os incêndios têm sido devastadores. Ambos já causaram vítimas e o jornal La Stampa, que se publica em Turim, destaca na sua edição de hoje o título Inferno Italia. O governo italiano anunciou que vai declarar o estado de emergência em várias regiões que têm sido mais afectadas por tempestades e incêndios, tendo pedido à Comissão Europeia o reforço da frota de aviões que já tinham sido enviados por Bruxelas para combater os incêndios.
Tudo isto acontece como se fosse uma situação imprevista, o que é lamentável. É caso para ficarmos muito preocupados com o que andam a fazer os líderes europeus que tantas vezes se reúnem e que não têm soluções para este grave problema ambiental, hoje na Grécia e na Itália, mas amanhã em Portugal.

França no negócio mundial do armamento

“Histórico e inédito”, são as duas palavras com que a revista francesa La Tribune classifica a notícia destacada na sua edição de hoje, na qual informa que a França exportou 27 mil milhões de euros em 2022, o montante máximo de sempre das suas exportações de armamento. Segundo a notícia, foram as vendas de aviões Rafale, sobretudo para os Emirados Árabes Unidos (EAU), que impulsionaram as exportações francesas em 2022, mas a Grécia, a Indonésia, a Polónia e Singapura estão entre os seus principais clientes. Era sabido que a Dassault Aviation conseguira ganhar a batalha comercial do Golfo ao vender o seu Rafale à Arábia Saudita e ao Qatar. Agora com a encomenda dos EAU, o Rafale bate comercialmente os americanos F-15 e os britânicos Tornado.
De acordo com o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), os maiores exportadores de armas do mundo são os Estados Unidos (38,6%), a Rússia (18,6%) e a França (10,7%), enquanto os maiores fabricantes mundiais são os grupos americanos Lockheed Martin, Boeing, Northrop Grumman, Raytheon e a General Dynamics. Os produtos que dominam o mercado mundial do armamento são os aviões de combate da última geração, os helicópteros, os mísseis e os sistemas antimísseis, mas também outros sistemas de armas. Estes negócios alimentam as economias dos países exportadores, mas a concorrência parece não ter regras, como se viu na reviravolta australiana relativamente aos submarinos franceses, ou nos recentes e festivos acolhimentos feitos a Narendra Modi, o primeiro-ministro da Índia, em Washington e Paris.
Naturalmente, as guerras que abalam o mundo não poderão deixar de ser vistas, também, à luz destes negócios.

terça-feira, 25 de julho de 2023

As lições a aprender da política espanhola

Por razões de proximidade geográfica e cultural, quase tudo o que acontece em Espanha interessa aos portugueses e, portanto, as eleições gerais do passado domingo foram seguidas com muita atenção.
Havia 37,4 milhões de espanhóis para ir às urnas e as previsões apontavam para uma folgada vitória do PP de Alberto Feijóo e a derrota do PSOE de Pedro Sánchez, mas os resultados foram bem diferentes dos números apontados pelas sondagens, pois o PP teve 33,1% dos votos, enquanto o PSOE conseguiu 31,7%. Pouca diferença. Assim, o PP venceu e conseguiu 136 deputados, seguido pelo PSOE com 122, pelo Vox de Santiago Abascal com 33 e pelo Sumar de Yolanda Diaz com 31. Com estes resultados, a formação do novo governo espanhol torna-se muito difícil, pois nem o bloco da direita, nem o bloco da esquerda conseguiram a maioria de 176 dos 350 deputados. A solução poderá estar nos restantes 28 deputados eleitos pelos movimentos independentistas ou pelos interesses locais, como a ERC, Junts, EH Bildu, PNV, BNG e CCA.
Tanto Feijóo como Sánchez vão procurar negociar as alianças e os compromissos que permitam obter os 176 votos necessários à sua investidura pelo Congresso dos Deputados, como hoje anunciam o elPeriódico de Aragón e outros jornais espanhóis. Em política tudo é possível, mas parece muito provável que os espanhóis terão que ir novamente às urnas para resolver este imbróglio, ou esta hipótese de ingovernabilidade.
Entretanto, é bom que por na faixa mais ocidental da península Ibérica se aprenda alguma coisa com o que se passa com nuestros hermanos.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Vingegaard festejou a vitória no Tour

Terminou a 110ª edição do Tour de France, uma das mais populares e mais duras provas do desporto internacional, com a televisão a mostrar como alguns milhões de pessoas aplaudiram os ciclistas nas estradas francesas com um entusiasmo indescritível.
Enquanto somatório de muitas etapas de alta montanha, a prova é também um somatório de desafios e de maratonas que, durante três semanas, muito exigem das capacidades físicas e emocionais dos atletas que, nesta edição, percorreram 4.405 quilómetros. A prova deste ano não decepcionou os adeptos do ciclismo e todos assistimos a grandes lutas protagonizadas por dois dos mais famosos ciclistas da actualidade, com o dinamarquês Jonas Vingegaard a superiorizar-se ao esloveno Tajed Pogacar, um resultado que hoje é destacado na edição do jornal espanhol Marca.
Partiram 176 ciclistas de Bilbau, mas apenas 150 chegaram a Paris, entre os quais dois portugueses: Nélson Oliveira da espanhola Movistar classificou-se no 53º lugar da classificação final e Rui Costa da belga ICW, que já foi campeão mundial, ficou-se pela 67ª posição. Merecem o nosso aplauso pois chegaram ao fim e ambos na primeira metade da classificação geral. 
Para o ano há mais, mas Jonas Vingegaard já veio declarar que espera ganhar cinco Tours, o que significa que ainda quer ganhar mais três vezes. O problema vai ser Tajed Pogacar e, quem sabe, se também o nosso João Almeida, que este ano se classificou em 3º lugar no Giro d'Italia.

sábado, 22 de julho de 2023

Quando o regresso de um navio é notícia

O navio-escola espanhol Juan Sebastián de Elcano regressou à sua base de Cádiz depois de ter completado o seu XCV Crucero de Instrucción, em que esteve ausente durante 189 dias e em que visitou onze portos de sete países (Brasil, Argentina, Chile, Perú, Colombia, Costa Rica e Estados Unidos).
O quase centenário navio que já efectuou onze viagens de circumnavegação, foi construído exactamente em Cádiz e nesta viagem cruzou pela primeira vez o mítico cabo Horn, no extremo meridional da América do Sul. No seu historial consta que é “o terceiro maior veleiro do mundo”, que navegou mais de um milhão e oitocentas e cinquenta mil milhas por todos os mares do globo, tendo visitado 205 portos de 73 diferentes países. Naturalmente, os portos mais visitados pelo navio foram Cádiz, onde tem a sua base, o porto galego de Marín que é a sede da Escuela Naval Militar de Espanha, os portos das ilhas Canárias por serem o ponto de partida para as travessias atlânticas e, nas duas margens do oceano, os portos de Lisboa e de Nova Iorque.
O Juan Sebastián de Elcano é um verdadeiro ex-libris do município de Cádiz e o seu regresso é notícia. Por isso, o jornal La Voz de Cádiz destaca na sua edição de hoje o regresso do navio-escola espanhol a Cádiz, com uma fotografia do navio a entrar na grande baía gaditana que ocupa toda a primeira página e com a frase “El embajador de España y de Cádiz regresa a su casa”. Este destaque mostra bem como os jornais espanhóis tratam o seu navio-escola e estimulam a autoestima nacional, o que é bem diferente do que fazem os jornais portugueses que, segundo creio, nunca fizeram notícia nem manchete do regresso a Lisboa do nosso belíssimo navio-escola Sagres.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Ondas de calor que sufocam meio mundo

Uma onda de calor tem perturbado meio mundo e, em especial, o sul da Europa, onde têm sido anunciados recordes históricos de temperatura que afectaram a vida das populações e obrigaram a medidas de emergência. Nos últimos dias, a Espanha, a Itália e a Grécia têm estado a suportar temperaturas muito elevadas com máximos acima dos 40 graus, que já estão a ser consideradas como normais e não como excepção. Na Espanha, conforme anuncia hoje o jornal Málaga Hoy, o dia de ontem foi um dia negro em termos de calor com os termómetros a registarem 44,1 graus. Na ilha Sardenha foram atingidos 48 graus e a cidade grega de Atenas “está cercada” por incêndios, que têm obrigado a evacuações de populações e a restrições às movimentações turísticas.
Os recordes de temperatura também foram atingidos nos Estados Unidos, onde no californiano Vale da Morte, um dos lugares mais quentes do planeta, foram registadas temperaturas superiores a 52 graus no passado domingo. Da mesma forma, também na China e no Japão têm sido registadas temperaturas acima dos 40 graus e a Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas já anunciou que os actuais fenómenos de calor intenso “vão continuar a intensificar-se e o mundo deve preparar-se para ondas de calor mais intensas”. Hoje ninguém tem dúvidas de que o aumento das temperaturas que está a afectar grande parte do planeta é o resultado directo do aquecimento global e das alterações climáticas, mas os dirigentes mais poderosos do mundo continuam a parecer indiferentes a este problema, sobre o qual muito fala António Guterres e poucos mais.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Com Favaios não há desmaios

A Publicidade é uma técnica de comunicação que codifica ideias e as transmite para o espaço público, para influenciar o comportamento das pessoas, levando-as a adquirir um bem ou um serviço, a adoptar uma determinada opinião ou a escolher o candidato a quem deve dar o seu voto. 
Tal como o Jornalismo, a Publicidade também obedece a regras de conduta ética e deve inspirar-se na verdade, embora estas actividades nem sempre cumpram essas regras, sobretudo em ambientes mediáticos do tipo “vale tudo”.
No complexo mundo da comunicação, a codificação de mensagens publicitárias é uma arte em que a imaginação é essencial para que os receptores distingam, reconheçam e adoptem certas mensagens e rejeitem outras mensagens de concorrentes ou de adversários. No quadro de intoxicação publicitária em que vivem as sociedades contemporâneas, a Publicidade por vezes distingue-se como uma expressão de inteligência e de oportunidade. Assim aconteceu um dia destes.
O Supremo Magistrado da Nação estava na Costa da Caparica, sentiu-se mal disposto e desmaiou, tendo sido transportado de urgência numa ambulância dos Bombeiros da Trafaria para o Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide. Era um problema simples, recuperou rapidamente e, no seu habitual estilo de não estar calado, tratou de informar os jornalistas que desmaiou porque… “tomei o moscatel quente”.  
Nestas circunstâncias, a Adega de Favaios que produz o Moscatel do Douro, semelhante ao Moscatel que incomodou o Supremo Magistrado da Nação, veio dizer que “com Favaios não há desmaios”.
Isto é que é Publicidade inteligente e, provavelmente, eficaz.

O brilho de Carlos Alcaraz em Wimbledon

O tenista espanhol Carlos Alcaraz venceu ontem o Torneio de Wimbledon e, aos 20 anos de idade, chegou ao topo da fama e do proveito no circuito mundial do ténis, ao arrecadar nada menos do que 2,3 milhões de libras, o que equivale a cerca de 2,7 milhões de euros. Hoje a sua fotografia ilustra a primeira página de inúmeros jornais internacionais, não só pelo prestígio daquele torneio, mas também porque derrotou ao fim de quatro horas e meia o campeão Novak Djokovic, o homem que obteve mais vitórias até hoje nos torneios do Grande Slam e que há dez anos não perdia em Wimbledon.
Apesar de Espanha estar em campanha eleitoral, a imprensa espanhola esqueceu tudo o mais para se deslumbrar com a proeza de “El Rey Carlitos” e para anunciar o início da “era Alcaraz”. Talvez se justifique este deslumbramento espanhol, porque uma parte do prestígio internacional de Espanha também resulta das proezas dos seus tenistas e havia alguma preocupação pela “queda” do fenomenal Rafael Nadal que, durante mais de uma dezena de anos, deu muitas alegrias aos desportistas espanhóis.
É caso para dizer: rei morto, rei posto.
Para os espanhóis, Rafael Nadal já é um passado glorioso, enquanto Alcaraz passou a ser a garantia de um futuro de alegrias desportivas para nuestros hermanos.

sábado, 15 de julho de 2023

Tragédias marítimas e sinais dos tempos

Quase todos os dias, a imprensa publica notícias relatando grandes tragédias marítimas com perda de muitas vidas, que ocorrem sobretudo nas travessias do Mediterrâneo e na rota canária, em que milhares de pessoas originárias da África, do Médio Oriente e da Ásia fogem da pobreza, da fome e da guerra, procurando trabalho e uma vida melhor na União Europeia. Embarcam em frágeis e inseguras  embarcações, superlotadas e dirigidas por poderosos traficantes. 
No passado mês de Junho, uma embarcação que saíra da Líbia com cerca de 750 migrantes naufragou nas costas gregas, tendo sido apenas encontrados 104 sobreviventes e recuperados 81 corpos, o que foi classificado por uma comissária europeia como “a pior tragédia de sempre no Mediterrâneo”. As instituições comunitárias têm procurado fazer alguma coisa, mas não tem havido consensos e o Pacto de Migração e Asilo da União Europeia tem sido muito criticado, parecendo que os milhares de pessoas que já morreram no Mediterrâneo e nas Canárias são “um preço aceitável” no quadro da política europeia de importação da mão de obra de que necessita o velho Continente. “Esta é uma mancha que irá ficar durante muito tempo na história e na memória da Europa”, disse um deputado português.
Ontem o jornal Diario de Avisos, que se publica em Tenerife, deu notícia de uma canoa que, tendo partido do Sernegal com rumo às ilhas Canárias, esteve à deriva durante 18 dias e na nela ocorreram “al menos 20 muertos”, mas o jornal também refere que se desconhece o paradeiro de três canoas com cerca de 300 pessoas a bordo que “llevan más de 15 dias a la deriva intentando llegar a Canarias”.
São sinais dos tempos, a mostrar o declínio da Europa e a mediocridade dos seus líderes, pois a União Europeia não tem sido capaz de encontrar uma solução humanitariamente digna para as migrações do sul e, demasiadas vezes, parece muito desnorteada com o seu posicionamento geopolítico, não atendendo a este problema, nem às mudanças que se estão a verificar no seu tecido social, como mostraram os recentes distúrbios em França.
“Deixas criar às portas o inimigo, por ires buscar outro de tão longe”, foi o aviso que, pela palavra do velho do Restelo, Luís Camões deixou ao rei de Portugal. Se fosse hoje, o que diria o poeta aos líderes europeus, sobretudo à Ursula, ao Olaf, ao Emmanuel e até ao António?