quarta-feira, 2 de maio de 2012

Futebolistas goeses são campeões na Índia

Termina esta semana a I-League da All India Football Federation (AIFF) em que participaram 14 equipas, quatro das quais são originárias de Goa. O actual campeão – Dempo Sports Club – já assegurou a revalidação do título nacional que, desde 2007, isto é, nas últimas cinco épocas, tem sido conquistado por equipas goesas – o Churchill Brothers SC (de Margão) e o Salgaocar SC (de Vasco da Gama), uma vez cada um, e o Dempo SC (de Pangim) três vezes, incluindo o campeonato que agora termina. Num país onde o cricket é o desporto nacional, é relevante verificar-se que em Goa o desporto-rei é o futebol, o que representa uma das mais curiosas heranças culturais portuguesas, mas também uma das boas memórias lusitanas. O plantel do Dempo SC tem 29 jogadores, onde se incluem dois nigerianos, um japonês e um iraniano. Os outros 25 jogadores têm nacionalidade indiana e são os seguintes: L. Barreto, S. Chowdhury, L. Kattimani, C. Antao, J. Dias, S. Fernandes, M. Gawli, Covan Lawrence, S. Naik, D. Noronha, M. Peixoto, S. Pires, V. Rebello, R. Rodrigues, D. Roy, J. Abranches, P. Carvalho, M. Fernandes, G. Franco, Climax Lawrence, C. Miranda, A. Pereira, J. Rodrigues, J. Ferrao e C. Gonsalves. Desde o ano de 2000 que o treinador da equipa é Armando Colaso. (Note-se que os teclados indianos não usam o til nem o c cedilhado) A herança cultural portuguesa exprime-se em Goa através de diversas formas, desde a língua ao património construído, mas o futebol e a paixão intensa que desperta, sobretudo no sul de Goa, são indiscutivelmente uma das mais fortes marcas da cultura imaterial deixada pelos portugueses. E é bem curioso verificar a quantidade de jogadores com apelidos de origem portuguesa, que parece ser bem superior há que encontramos na maioria das nossas próprias equipas.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Portugal na História da Europa e do Mundo

A edição portuguesa de Portugal na História da Europa e do Mundo, da autoria do historiador britânico Malyn Newitt, é mais uma obra que aparece nas livrarias sobre a história de Portugal. A crítica especializada considera-o um estudo sério, mas não lhe foi muito favorável apesar do seu autor ser um reputado professor de História no Departamento de Estudos Portugueses do King’s College, em Londres, argumentando que os seus diferentes capítulos são desequilibrados e que a análise é superficial. Ora o livro pretende dar uma visão genérica da história portuguesa integrada numa dinâmica europeia, em que muitas vezes e, especialmente em momentos determinantes, serviu de instrumento da política das potências europeias e, de forma mais especial, da Grã-Bretanha. O livro mostra claramente a importância que Portugal teve na Europa ao longo do tempo e lê-se com muito interesse. Escrito por um estrangeiro e publicado originalmente no estrangeiro, o livro de Malyn Newitt presta um grande serviço à difusão da história de Portugal, que é pouco conhecida no mundo e que, lamentavelmente, também não é conhecida pelas nossas elites políticas. O livro termina de uma forma muito elogiosa relativamente às transformações que surgiram em Portugal “após a euforia da Revolução de Abril de 1974 e da retirada de África”, em que o autor enaltece “a gama impressionante de publicações sobre História e trabalhos de investigação” que foram produzidas no âmbito da Comissão dos Descobrimentos.

domingo, 29 de abril de 2012

O escândalo da fraude no BPN

A edição de hoje do Diário de Notícias é absolutamente essencial para nos ajudar a perceber o escândalo que foi a fraude do BPN e a conhecer alguns dos beneficiários desse roubo gigantesco, que nos pode vir a custar 8,3 mil milhões de euros. A dimensão e os contornos desse buraco precisam de ser esclarecidos, assim como a obscura rede em que o BPN se envolveu, beneficiando os seus amigos e em especial aqueles que faziam parte do mundo laranja. É preciso saber quem tirou proveito dos negócios ruinosos e quem teve crédito sem garantias. É preciso saber que ilícitos foram praticados sistematicamente e quem os praticou. É preciso esclarecer porque foi tão prolongado o silêncio do Banco de Portugal. Em 2008 o BPN foi nacionalizado para evitar o efeito dominó no sistema bancário. Apesar da situação de falência, muitos dos maus hábitos e os milionários salários dos novos gestores continuaram. Muitas cabeças do BPN acantonaram-se na Quinta da Coelha. Muitos deles financiaram campanhas eleitorais. O VCE não está isento de críticas nem de suspeitas. Se o buraco é de 8,3 mil milhões de euros é preciso saber onde está esse dinheiro. Quem o roubou ou quem o recebeu por empréstimo e o deve. Há que apurar responsabilidades já. Saber sem demora quem roubou e quem deve. O Estado não pode assumir a dívida daquela gente. A Política não pode pôr-se à margem deste processo e a Justiça não pode ser cega para com os poderosos. Se a Política e a Justiça falham neste caso, então nada vale a pena, porque a alma é mesmo pequena.

sábado, 28 de abril de 2012

Uma ilha com muitos Bispos

Lajes do Pico. Na rua Capitão-mor Garcia Gonçalves Madruga, a principal artéria da vila das Lajes do Pico, encontra-se uma placa de azulejos que assinala que nessa casa nasceu D. João Paulino de Azevedo e Castro que, entre 1902 e 1918, foi o bispo da diocese de Macau, que então abrangia a ilha de Timor. Essa placa foi descerrada em 2003 por D. Carlos Ximenes Belo, o primeiro bispo natural de Timor, sendo essa visita de um Prémio Nobel à ilha do Pico ainda muito recordada e um motivo local de grande orgulho. No século passado houve cinco bispos naturais da ilha do Pico que governaram dioceses no Oriente, tendo três deles exercido autoridade eclesiástica sobre Timor. Para além de D. João Paulino de Azevedo e Castro, foi D. José da Costa Nunes que lhe sucedeu como bispo de Macau (1920-1940) e que depois foi Arcebispo de Goa e Damão e Patriarca das Índias Orientais (1940-1953), atingindo o cardinalato em 1962. Outro bispo picoense foi D. José Vieira Alvernaz que foi bispo de Cochim (1941-1953) e depois Arcebispo de Goa e Damão e Patriarca das Índias Orientais (1953-1962). D. Jaime Garcia Goulart foi o primeiro bispo da diocese de Díli (1940-1967) e D. Arquimínio Rodrigues da Costa foi o último bispo de Macau de origem portuguesa (1976-1988). A ilha do Pico tem sido uma ilha com muitos Bispos, sempre vocacionados para servir no Oriente!

O Museu do Scrimshaw na ilha do Faial

O Museu de Scrimshaw foi fundado em 1986 na cidade da Horta por José Azevedo, o proprietário do famoso Café Sport, albergando uma colecção de mais mil dentes de baleia e cachalote, esculpidos e gravados com os mais diversos motivos. A colecção é considerada uma das maiores e mais belas do Mundo, podendo ser vista no piso superior do Café Sport. A importância deste pequeno museu é por todos reconhecida, na medida em que lá se preserva, através das peças em exposição, o testemunho e a memória dessa grande aventura que foi a caça à baleia e a navegação à vela, principalmente nas ilhas do Pico e do Faial. O termo scrimshaw remonta ao tempo em que os marinheiros, durante as longas viagens e esperas, se dedicavam a desenhar os aspectos relevantes da sua vida - o seu navio, a sua família, o seu porto, a sua ilha, o combate com o cetáceo ou as ninfas do oceano. Porém, nos Açores a caça à baleia era feita junto à costa e os botes baleeiros só eram arreados depois de ter sido lançado o aviso de “avistada baleia”, pelo que nestas ilhas, o scrimshaw não nasceu a bordo mas em terra e pelas mãos de artistas que poderiam ser ou não baleeiros. No entanto, os muitos açorianos que tripularam navios baleeiros americanos trouxeram consigo muitas peças e, sobretudo, aprenderam as técnicas de fabrico que foram transmitindo de geração em geração. Para quem se desloca à bela cidade da Horta, uma visita ao discreto Museu do Scrimshaw é um certo regresso a um passado que marcou culturalmente as ilhas do grupo central açoriano e é realmente imperdível.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Uma verdadeira obscenidade!

O Correio da Manhã divulgou hoje que Jorge Jardim Gonçalves tem uma reforma de 167 mil euros por mês, paga através do fundo de pensões do BCP e de um contrato de seguros de capitalização assinado com a Ocidental Seguros. Esta reforma resulta de vinte anos de serviços prestados ao banco, desde Junho de 1985 quando ingressou nos seus quadros como director, até Março de 2005 quando cessou o seu mandato como presidente do banco. Além desta pensão, o senhor JJG acumula diversas regalias pouco habituais, como por exemplo quatro seguranças, dois motoristas, cinco viaturas e todas as deslocações em avião que lhe apetecer. Tudo isto, segundo o BCP, já custou mais de 34 milhões de euros ao banco. Só entre Maio e Setembro de 2010, o senhor JJG entregou facturas num valor total de 765 mil euros, que incluem o pagamento de despesas com seguranças e de transporte, nomeadamente deslocações em avião particular, automóveis e motoristas. Parece impossível. Este caso envergonha-nos. Estamos perante uma verdadeira obscenidade a que é necessário pôr fim em nome da moral. Não se trata de uma reforma, de uma pensão ou de um direito adquirido. É um caso de sofisticada corrupção, em que o presidente do banco estabeleceu as regras da sua própria reforma. De facto, Joe Berardo tinha razão. O todo poderoso JJG comandou tudo, tomou conta de si e deixou o seu banco no estado em que sabemos. Ora isso tem contornos criminosos e é uma vergonha para a Democracia. Haja coragem para acabar com esta obscenidade!

terça-feira, 24 de abril de 2012

25 de Abril de 1974

Completam-se 38 anos sobre o histórico e libertador dia 25 de Abril de 1974, quando foi derrubado o regime ditatorial que governava Portugal há 48 anos e foi instituído um regime democrático, que trouxe uma renovada esperança à sociedade portuguesa. Foi o início de uma mudança civilizacional que permitiu o fim de uma longa e dolorosa guerra, que reconheceu o direito dos povos à independência, que abriu as portas às autonomias regionais e que permitiu que o país fosse integrado no espaço económico europeu. As transformações então iniciadas deram origem a um país mais progressivo e mais solidário, em que se destacaram grandes avanços sociais, em particular na educação e na saúde, mas também um dinâmico progresso económico e cultural, de que resultou a melhoria da qualidade de vida dos portugueses e a recuperação do prestígio internacional do país. Porém, os ciclos políticos e económicos internos, assim como a evolução da conjuntura internacional, têm afectado a evolução do nosso país e potenciado o aparecimento de dificuldades e crises, daí resultando que se instale o desânimo, a descrença e a perda da confiança. Todos nós, governantes e governados, temos responsabilidades nesta situação, mas há alguns figurões que são muito mais responsáveis do que outros. No entanto, o 25 de Abril continua a ser um marco ímpar nas memórias de uma geração, um símbolo da liberdade e uma ideia inspiradora de uma verdadeira justiça social, um denominador comum de fraternidade e solidariedade, um capital de esperança num futuro melhor e uma verdadeira festa popular. Viva o 25 de Abril!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Uma nova esperança para a Europa

Decorreram ontem as eleições para a Presidência da República Francesa e de acordo com os resultados divulgados, o candidato socialista François Hollande obteve 28,6% dos votos, enquanto o candidato conservador Nicolas Sarkozy obteve 27,3%. No dia 6 de Maio, estes dois candidatos vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais e, naturalmente, serão os franceses a escolher o seu próximo Presidente. Porém, o tema ultrapassa as fronteiras francesas. A imprensa internacional e os comentadores estão muito atentos e estão divididos quanto ao previsível resultado final, mas todos estão de acordo em relação à importância que esse resultado vai ter, não só para os 60 milhões de franceses, mas sobretudo para os 500 milhões de europeus. Uma vitória de Sarkozy representará a continuidade das actuais políticas financeiras, o risco de fragmentação do projecto europeu, uma certa subalternização da França e o apoio à estratégia que a chanceler alemã tem imposto à Europa e que tanto tem humilhado os países do sul. Uma vitória de Hollande não significa apenas que a grandeza da França pode renascer mas, sobretudo, poderá representar uma nova oportunidade e uma nova esperança para a Europa, com mais crescimento económico e mais emprego, com mais solidariedade e menos arrogância. Vamos estar atentos pois pode ser que se acenda uma luz e se abra uma via de esperança para a Europa.

No bom caminho?

Victor Louçã Rabaça Gaspar é o Ministro das Finanças. O homem parece que gosta muito de viajar pois está a disputar com o MNE o título de maior frequent flyer deste governo. Há um mês esteve nos Estados Unidos e agora voltou em mais uma visita de submissão. Antes disse que estávamos a chegar a meio da ponte. Agora disse que estamos no bom caminho, embora o FMI nos trace um futuro negro. Será que ele acredita nisso? Será que este desânimo colectivo que nos consome e nos desgraça é um bom caminho? Se o Ministro viajasse menos pelo estrangeiro e passasse mais tempo a observar a nossa realidade, talvez não dissesse a mesma coisa. O homem pode ser um bom contabilista, mas deveria saber que não basta a leitura dos indicadores económicos, que muitas vezes não são credíveis ou até são enganadores, para verificar que é indispensável a observação directa no terreno para perceber a nossa realidade. E o que observamos nós? Um povo descrente e desanimado, uma multidão de jovens a abandonar o país, uma coesão social cada vez mais precária, uma desigualdade cada vez mais acentuada, um desemprego a aumentar e a ultrapassar os 15%, a falência ou a cessação de actividade de inúmeras empresas, o fisco a vender 95 casas penhoradas por dia e o crédito malparado a passar dos 5%. E cada vez mais impostos e cada vez menos esperança. E cada vez mais injustiça. Este é que é o bom caminho? As famílias continuam a empobrecer e há fortes indícios de fragmentação social, com o aumento da insegurança e da violência, enquanto uma pequena classe de privilegiados, quase sempre devido à sua militância partidária, continua a beneficiar de elevadíssimas remunerações, bónus, mordomias e de uma total isenção dos sacrifícios que são exigidos à generalidade da população. Eu gostava que estivéssemos no bom caminho, mas infelizmente não estamos. O contabilista Gaspar está muito enganado.

domingo, 22 de abril de 2012

A imoralidade das pensões douradas

O Correio da Manhã anuncia hoje que o número de reformados do Estado com pensões acima de quatro mil euros, as chamadas pensões douradas, não pára de aumentar. No final do ano passado, segundo o relatório da Caixa Geral de Aposentações existiam 5.235 pensionistas milionários, correspondendo a um aumento de 396 beneficiários face aos 4.839 indivíduos que recebiam reformas douradas em 2010, o que significa que houve um aumento de 8,2 por cento. Dá que pensar porque, segundo avaliou o jornal, a despesa anual com estas pensões ultrapassa os 250 milhões de euros. Essa situação é absolutamente condenável e não há nenhum critério – tempo de serviço, cargo desempenhado, qualificação profissional ou académica – que justifique este tipo de privilégio que é uma vergonha para a Democracia e uma ofensa para a generalidade da população trabalhadora. Está de acordo com a lei? Mude-se a lei. É um direito adquirido? Também os meus subsídios eram. Como é sabido, a pensão média portuguesa é da ordem dos 300 euros, o salário mínimo é de cerca de 485 euros e há quase um milhão de desempregados. Neste quadro, é chocante que se mantenham essas situações injustas e até mesmo imorais, como por exemplo os mais de quatrocentos ex-políticos a receber uma pensão vitalícia. Muitos deles, são hoje gestores de topo em empresas privadas, mas acumulam a pensão do Estado, apesar dos cortes previstos pelo Orçamento do Estado. Fala-se da reforma do sistema de pensões em Portugal que, de acordo com as promessas eleitorais, devia avançar ainda este ano. Mas esta gente só tem coragem para enfrentar os fracos, porque frente aos fortes apenas revela cobardia.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Gulbenkian defende o património

Sabemos que existe no mundo uma grande quantidade de património construído de origem portuguesa, sobretudo militar e religioso, mas nem sempre temos dele a informação mais correcta. A Fundação Calouste Gulbenkian juntou 76 especialistas e, em 2010 e 2011, publicou o “Património de Origem Portuguesa no Mundo – Arquitetura e Urbanismo”, um projecto que foi coordenado pelo historiador José Mattoso e que se materializa em três volumes que inventariam 1850 edifícios, obras ou cidades em 550 locais, datados de 1415 a 1999, ou seja, desde a data da conquista de Ceuta até ao ano em que a administração de Macau foi transferida para a China. Agora a Fundação Gulbenkian vai mais longe e inaugurou um portal - www.hpip.org – que dá continuidade ao projecto editorial. Todas as entradas dos três volumes dedicados à América do Sul (1), à Ásia e Oceânia (2) e a África, Mar Vermelho e Golfo Pérsico (3) estão disponíveis online, em versão portuguesa e inglesa. O HPIP (Heritage of Portuguese Influence/Património de Influência Portuguesa), reúne de forma integrada toda a informação sobre o património de influência portuguesa no mundo, tendo em vista a sua divulgação maciça, sem deixar de procurar as contribuições externas com novas entradas e informações. O projecto não tem fins lucrativos e funcionará com base na colaboração graciosa de todos as pessoas que enviarem textos novos ou propostas de correcção ou aditamento aos textos originais. A gestão do HPIP será rotativa entre quatro universidades: Universidade de Évora, Universidade Nova de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa e Universidade de Coimbra, sendo esta a primeira responsável. Uma boa ideia e mais uma grande iniciativa cultural da Fundação Gulbenkian!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Os insaciáveis glutões da RTP

Na sua edição de hoje o Diário Económico informa que a administração da RTP pediu ao Governo um regime de excepção à nova tabela remuneratória definida pelo novo estatuto do gestor público, o qual define que os administradores das empresas públicas - nomeadamente o presidente - não podem auferir uma remuneração acima do vencimento do primeiro-ministro, que é de 6.850 euros mensais. Segundo o mesmo jornal, o senhor Guilherme Costa, actual presidente da RTP, teve em 2010 uma remuneração bruta anual de 250 mil euros e, pelos vistos, não está nada contente com esta decisão, pelo que reagiu. Porém, em vez de se demitir, preferiu mendigar um regime de excepção ao governo. Que tristeza de gente! No momento que somos confrontados com desemprego e pobreza, cortes nos subsídios, aumentos brutais no IRS, aumentos da electricidade, dos transportes e da saúde, vem a RTP e o tal senhor Costa, fazer um pedido que envolve uma total ausência de bom senso e uma atrevida ousadia. Espera-se que os valentões das Finanças, isto é, os gasparinhos, tenham a resposta adequada e, ainda, que a tutela tenha a coragem de dar uma guia de marcha a esses indivíduos para deixarem de nos explorar e para irem pregar para outra freguesia. A sua experiência talvez possa interessar a algumas televisões locais…

quarta-feira, 18 de abril de 2012

FMI traça-nos um futuro negro

Os jornais portugueses referem hoje o relatório da Primavera do FMI – o World Economic Outlook – que contém preocupantes previsões sobre o futuro imediato da Europa, da Zona Euro e, naturalmente, dos portugueses. Na base das preocupações manifestadas no relatório do FMI está o sobreendividamento europeu, mas também o desemprego e o decréscimo da competitividade, sobretudo nos países do Sul – Grécia, Portugal, Espanha e Itália – todos eles vítimas da espiral da dívida e da crise internacional.
No entanto, em termos mais imediatos, o problema português parece derivar também do previsível abrandamento da conjuntura europeia. De facto, a Itália e a Espanha (terceira e quartas economias da Zona Euro) deverão retroceder cerca de 2%, enquanto a Alemanha e a França (primeira e segunda economias da Zona Euro), deverão estagnar. Acontece que mais de metade das exportações portuguesas se dirigem para esses quatro países e, por isso, as perspectivas de crescimento económico e de emprego pela via do aumento das exportações está comprometida. Assim, a crise portuguesa tenderá a aprofundar-se, a não ser que seja estimulado o consumo interno e a poupança, o que só é possível com menos austeridade. É uma pescadinha de rabo na boca, que não depende só de nós. Como é evidente e já era sabido. Porém, há um ano atrás diziam-nos – o Catroga, o Moedas e o Nogeira - que com o corte de gorduras do Estado e a extinção de institutos tudo se resolveria. Afinal, não é assim. Paradoxalmente, há um programa que foi feito pelo FMI e, pasme-se, é o mesmo FMI que nos está a traçar um futuro negro, como salienta o Jornal de Notícias. Bom seria que se enganassem…

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Divino Espírito Santo 2012

As famosas Festas do Espírito Santo que se realizam nos Açores a partir de Abril até Junho, apresentam características diferenciadas de ilha para ilha e de povoação para povoação, mas são bem características da vida religiosa e cultural dos açorianos. Diz-se que fazem parte da alma açoriana, pois ajudaram a desenvolver um sentido de comunidade que se manifesta intensamente nas ilhas e no exterior, levando muitos emigrantes a regressar às origens apenas para participar nas cerimónias e nos festejos do Espírito Santo.
As Festas do Espírito Santo foram trazidas do Continente com os primeiros povoadores e, na actualidade, conservam as suas características principais, incluindo uma grande devoção religiosa, um intenso colorido das cerimónias e uma acentuada feição popular. A festa é organizada pela Irmandade de mordomos e pelas suas famílias. As ruas são ornamentadas com luzes e bandeirinhas, as pessoas vestem os seus melhores fatos e as crianças divertem-se. Respira-se um ambiente de festa que envolve as pessoas da terra e das povoações vizinhas. O cortejo ou procissão deixa a casa do mordomo e dirige-se para a igreja, incorporando o mordomo, as rainhas, a banda de música, os foliões e o povo. A cerimónia religiosa é muito participada e inclui a coroação do imperador e das rainhas, repetindo-se depois o cortejo. De seguida, as oito centenas de participantes e convidados dirigem-se para o almoço - as sopas do Espírito Santo - para o qual foram abatidas quatro vacas!
Foi nas Terras, ali junto às Lajes do Pico e eu fui convidado pelo A.P. Agradeço-lhe esta oportunidade. Foram várias horas de grande espectáculo, em que se destacam as vertentes religiosa, musical, etnográfica e gastronómica!

domingo, 15 de abril de 2012

Anticiclone dos Açores

Mais uma vez estou de visita ao arquipélago dos Açores, ou antes, à ilha do Pico. O voo directo desde Lisboa foi muito calmo e a aterragem do Airbus da TAP no aeroporto da ilha do Pico foi serena.
Inesperadamente, a ilha não estava envolvida pelas neblinas que aparecem nesta época do ano, não havia os habituais chuviscos, o vento estava adormecido, o pico mais alto de Portugal estava descoberto e, na sua impressionante imponência, ainda exibia alguns restos de neve.
Um sol radioso iluminava a orla costeira, as verdejantes encostas e o casario branco das povoações. A meteorologia revelava-se benigna, parecendo deixar para trás o tempo das ventanias e dos dias de contínua pluviosidade, ao mesmo tempo que parecia antecipar os dias das festas e das romarias que tanto animam o quotidiano açoriano nos meses de Verão. O anticiclone dos Açores deve estar estacionário sobre as ilhas açorianas e a produzir este bom tempo, imprevisto mas muito agradável. Com este cenário, não há desânimo que chegue aqui!
Apesar de todas as contrariedades que afectam a nossa economia e a nossa sociedade, "uma boa meteorologia" ajuda a reconquistar o optimismo e a confiança de que o nosso país tanto precisa. Por isso, bom seria que o anticiclone se deslocasse mais para Este, para mais próximo do rectângulo...