segunda-feira, 27 de março de 2017

O Brexit pode ser uma boa oportunidade

Foi anunciado pela primeira-ministra britânica Theresa May que o processo de saída da Grã-Bretanha da União Europeia se iniciará na próxima 4ª feira, dia 29 de Março, com a activação do artigo 50º do Tratado de Lisboa, dando-se assim andamento aos resultados do referendo de 23 de Junho de 2016. Uma decisão desta importância, que é tomada com base numa escassa vitória por 51.9% de votos no referendo e contra a opinião do eleitorado da Escócia e da Irlanda do Norte é, sem dúvida, uma decisão de alto risco, até porque são imprevisíveis as suas conseqüências internas e externas. Internamente há sérios riscos de desintegração do Reino Unido, com a Escócia a reclamar a sua independência e a Irlanda do Norte a apostar na sua integração na República da Irlanda, mas também se temem graves conseqüências económicas como a fuga de empresas estrangeiras, a quebra de investimentos e a redução do seu comércio externo. Externamente, também há muitos fantasmas a pairar, porque o exemplo britânico pode ser a caixa de Pandora que acelere a desagregação da União Europeia que, sem o Reino Unido, se torna mais fraca e mais vulnerável. A incerteza está a dominar as opiniões públicas quanto ao futuro e quanto à crise que aí vem, havendo "estudos" que servem e justificam todas as opiniões sobre as boas ou más consequências do Brexit.
Porém, uma das opiniões menos conhecidas hoje veiculada pelo semanário francês La Vie, sugere que o Brexit é uma boa oportunidade para a Europa se reformar e retomar os princípios do Tratado de Roma que muitos têm procurado não cumprir, ao manterem-se amarrados aos seus nacionalismos e ignorando os princípios da coesão e da solidariedade. Parece ser o caso britânico, que nunca aceitou ser igual entre iguais e que, em boa verdade, nunca perdeu a sua arrogância imperial e vitoriana, nem a sua hostilidade aos ventos continentais, não só os de Napoleão e de Hitler, mas também os que agora sopram democraticamente de Bruxelas. 
Aproximam-se tempos de crise, mas é das crises que surgem sempre as oportunidades de transformação.

sábado, 25 de março de 2017

Os deputados servem-nos ou servem-se?

Há meia dúzia de anos atrás, um antigo vice-presidente da Câmara Municipal do Porto chamado Paulo Morais afirmou que "o centro de corrupção em Portugal tem sido a Assembleia da República, pela presença de deputados que são, simultaneamente, administradores de empresas" e, acrescentou, que a Assembleia da República "parece mais um verdadeiro escritório de representações, com membros da comissão de obras públicas que trabalham para construtores e da comissão de saúde que trabalham para laboratórios médicos". Dizia Paulo Morais, que "os deputados estão ao serviço de quem os financiou e não de quem os elegeu". Estas declarações não ficaram escondidas numa qualquer página interior de um jornal, pois Paulo Morais repetiu-as com frequência quando da sua recente candidatura presidencial.
Porém, passados todos estes anos, nada foi feito para acabar com esta situação de promiscuidade, como mostra o recente caso do a-núncio e das relações entre o poder político e os escritórios de advogados. Ao mesmo tempo revelam-se outras situações igualmente perversas, que desacreditam a vida parlamentar e cavam um enorme fosso entre eleitos e eleitores. Foi o que agora revelou em livro e repetiu numa entrevista publicada no jornal i, o antigo deputado Magalhães. Nessa entrevista ficamos a saber que os deputados, para além do seu generoso salário, têm abonos complementares para trabalho de círculo ou para trabalho nacional, cujo pagamento não é sujeito a qualquer comprovativo ou verificação. É à vontade do freguês! É, por isso, um segundo salário não sujeito a impostos, havendo quem chegue a receber 80 mil euros por ano em subsídios de deslocações, por causa dos contactos com as comunidades de emigrantes. Daí resulta que os 230 deputados com assento na Assembleia da República, muitos deles sem trabalho efectivo ao serviço de quem os elegeu, tenham 230 remunerações diferentes, que são pagas pelos contribuintes. 
Sim, é mesmo verdade: muitas daquelas figurinhas ali sentadas com ar de parlamentares não têm vergonha nenhuma.

sexta-feira, 24 de março de 2017

As aventuras do novo John Rambo

Uma das principais bandeiras de Donald Trump quando se candidatou à presidência dos Estados Unidos foi o combate à imigração e aos imigrantes ilegais. Com apenas dois meses de mandato cumprido, o Donald tem-se afirmado como um bom cumpridor das suas promessas eleitorais, mas também como um verdadeiro sucessor de John Rambo, o ex-boina verde americano que tudo arrasava, como sugere a capa da edição de hoje do Newsweek.
O Donald começou por assinar o simbólico decreto que determina a construção de um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes ilegais e, agora, iniciou o prometido combate contra as chamadas “cidades santuário”, que acolhem a maioria dos indocumentados, que passarão a estar sob pressão para serem identificados, para terem menos hipóteses de trabalho e para poderem ser deportados. Mexicanos e brasileiros, mas também nacionais de muitos outros países estão agora sob permanente suspeita e em total insegurança, enquanto se acentuam as limitações à entrada de novos imigrantes ou de refugiados, sobretudo de religião muçulmana. As directivas para a expulsão de cerca de 11 milhões de imigrantes indocumentados, sobretudo hispânicos, dos quais 1,4 milhões serão brasileiros, foram accionadas e os agentes dos serviços alfandegários e de imigração têm instruções para expulsar o mais rapidamente possível os indocumentados que encontrem, embora em diferentes graus de prioridade. Para reforçar estas acções, o governo federal que o Donald dirige com a ajuda do genro e da filha Ivanka, está a ponderar reforçar as autoridades estaduais com mais 100 mil agentes da Guarda Nacional para perseguir os imigrantes indocumentados, sobretudo os que vivem mais próximo da fronteira mexicana. O dessassossego e o medo espalharam-se com esta nova “caça às bruxas” promovida pelo Donald, que parece querer governar a América e dirigir o mundo como um verdadeiro sucessor de John Rambo.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Dijsselbloem ou a imbecilidade perfeita

Apesar do seu partido ter sofrido uma derrota muito pesada nas eleições holandesas, Jeroen Dijsselbloem é ainda o Ministro das Finanças da Holanda e o Presidente do Eurogrupo. Este indivíduo que devia manter uma compostura de coesão e de unidade entre todos os membros do Eurogrupo, resolveu dar uma entrevista a um jornal alemão e tratou de acusar os países do sul da Europa de gastarem dinheiro “em copos e mulheres” e depois “pedirem que os ajudem”. Estas declarações foram consideradas xenófobas, sexistas, racistas, insensatas, infelizes, inaceitáveis e vieram perturbar meia Europa numa altura em que não eram precisas mais preocupações para além daquelas que já existem.
Através do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, o governo português criticou severamente o pateta Dijsselbloem e considerou que o fulano “não tem nenhumas condições para permanecer à frente do Eurogrupo". Pouco depois foi o Primeiro-Ministro a criticar duramente o imbecil do Dijsselbloem, dizendo que “numa Europa a sério, a esta hora Dijsselbloem já estava demitido” e acrescentando que “a Europa não se faz com Dijsselbloem’s”. Seguiu-se o Presidente da República que reafirmou a posição do governo.
Alguns jornais portugueses e espanhóis trouxeram a fotografia desse aborto que é o Dijsselbloem para as suas primeiras páginas, caso do Público, enquanto a Assembleia da República se associou por unanimidade contra as declarações preconceituosas deste verdadeiro jumento de 50 anos de idade, cuja cara de parvo não engana ninguém, excepto o senhor Schäuble.
Para quem não se lembre, este Jeroen Dijsselbloem é o arrogante indivíduo que chegou a presidente do Eurogrupo com um currículo falso, pois referiu possuir um Mestrado em Economia Empresarial tirado na University of Cork, que nunca existiu naquela universidade. Dijsselbloem é, portanto, um trafulha e um imbecil. Vê-se na cara. Fora com o Dijsselbloem!

Lisboa, a cidade global que se apresenta

O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) está a exibir A Cidade Global, uma exposição sobre a  cidade de Lisboa no século XVI, quando a Rua Nova dos Mercadores era a maior praça financeira e o maior mercado de produtos exóticos da Europa. A exposição apresenta-se em torno de dois quadros descobertos em 2009 que representam essa famosa rua lisboeta. Nesses quadros, cuja autenticidade tem estado envolta em alguma polémica, está representada uma parte da vida da cidade, através de mercadores, saltimbancos, cavaleiros, jóias, sedas, especiarias, animais exóticos e outros objectos importados de África, do Brasil e da Ásia. É uma figuração quase única e que, como poucas, simboliza a vida da cidade na época dos descobrimentos.
O objetivo da exposição é exactamente a reconstituição do coração da cidade mais global da Europa do Renascimento e conta com 249 peças pertencentes a 77 emprestadores, muitas delas pouco conhecidas. A Cidade Global apresenta-se dividida por seis salas temáticas, nela se destacando aquela em que são apresentadas as novidades e o conhecimento científico do tempo, através da exposição de manuscritos, livros, mapas e outros objectos que simbolizam a grande aventura dos descobrimentos ou da expansão marítima portuguesa. Porém, as interacções culturais e a arte resultante do contacto com novas terras e novas gentes também estão devidamente representadas na exposição que é servida por um excelente catálogo.
Deve ser salientado que a cidade de Lisboa apresentou nas últimas semanas ou ainda apresenta duas outras grandes exposições sobre Amadeu de Sousa-Cardoso (MNAC) e sobre Almada Negreiros (FCG), o que parece significar um invulgar cosmopolitismo cultural contemporâneo, digno da herança da cidade global do século XVI.  
A exposição termina no dia 9 de Abril e, por isso, nenhum lisboeta deve deixar de agendar uma visita, pois é uma boa oportunidade para ver uma grande e invulgar exposição sobre um período tão rico da história portuguesa.

terça-feira, 21 de março de 2017

A Marinha como instrumento de prestígio

Na sua edição de hoje o diário ABC destaca a actividade da Marinha da Espanha e anuncia que há doze navios e cerca de dois mil efectivos a participar em missões internacionais, em cenários tão diferentes como o mar do Norte, a Austrália, a Somália e o golfo de Aden, o Mediterrâneo e até a Antártida, isto é, em cinco continentes. Nunca a Marinha espanhola teve um empenhamento operacional tão intenso desde que em 1975 a Espanha recuperou a democracia.
A edição do jornal ABC é ilustrada com uma fotografia do Juan Carlos I, um navio de projecção estratégica ou navio polivalente do tipo LHD (Landing Helicopter Dock), que é o maior navio da Marinha espanhola.
As missões relatadas na reportagem do ABC integram-se no âmbito das responsalidades espanholas junto da NATO e da EU, mas também têm um carácter nacional. Assim, são indicadas as missões e os meios envolvidos nas acções de combate à pirataria nas costas da Somália onde se encontra o LPD (Landing Plataform Dock) Galícia, no golfo da Guiné, nos exercícios da NATO no mar do Norte e nas costas da Líbia, assim como os exercícios em curso no mar Negro. É descrita a missão da fragata Cristóbal Colón, o mais moderno navio da Marinha espanhola, que está em curso nos portos australianos para promoção da construção naval espanhola que recentemente vendeu dois LHD (o Camberra e o Adelaide) à Marinha australiana. No porto de Usuhaia, na Terra do Fogo, encontra-se o navio oceanográfico Hespérides em apoio à base espanhola na Antártida e às suas campanhas científicas. Finalmente, o navio-escola Juan Sebastián de Elcano navega das Canárias para San Domingo e Nova Iorque em viagem de instrução de cadetes.
São doze navios empenhados e cerca de dois mil efectivos envolvidos. A Espanha zela pelo seu prestígio internacional, porque é disso que se trata, investindo numa presença naval efectiva. Aqui ao lado, Portugal é realmente demasiado pequeno e não tem doze navios nem cerca de dois mil militares para fazer como a Espanha, mas é pena termos tanta gente que ainda quer o país mais pequeno e mais irrelevante na cena internacional.

segunda-feira, 20 de março de 2017

União Europeia sob a ameaça da implosão

No próximo dia 25 de Março completam-se 60 anos sobre a data em que foi assinado o Tratado de Roma que criou a Comunidade Económica Europeia (CEE) e que culminou um longo processo de negociações nascido depois da catástrofe que foi a 2ª Guerra Mundial. Procurava-se um caminho de paz e de progresso que visava reconstruir uma Europa que a guerra devastara em termos económicos e políticos e que se encontrava emparedada entre as duas superpotências daquela época, mas também se pretendia criar um espaço e uma dinâmica de cooperação ou de integração que prevenisse a hipótese de virem a acontecer outras guerras no futuro.
O êxito do projecto europeu depressa atraiu outros países ao núcleo fundador – Alemanha, França, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo – tendo-se seguido sete alargamentos. Em 1973 entraram o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca; em 1981 entrou a Grécia; em 1986 entraram Portugal e a Espanha. Em 1995 foram admitidos a Áustria, a Suécia e a Finlândia, em 2004 mais dez países, em 2007 a Bulgária e a Roménia e em 2013 entrou a Croácia. Nunca se percebeu porque houve tanta pressa nestas alargamentos todos. Depois, a CEE passou a ser a União Europeia e, actualmente, são 28 os estados-membros desta mega-organização que parece já não funcionar, amarrada à burocracia de Bruxelas, aos nacionalismos egoístas e à mediocridade de dirigentes medíocres, mas que os interesses e as máquinas eleitorais nacionais fazem eleger. Pode dizer-se que a União Europeia são quase 28 culturas e quase 28 línguas, com estados de desenvolvimento, noções de integração e ideias de solidariedade muito diferentes. Os fundadores Jean Monnet, Robert Schuman, Konrad Adenauer, Paul-Henri Spaak e muitos outros, não têm continuadores à altura dos tempos que vivemos. A Europa está dividida e retalhada por interesses muito divergentes e em vias de implodir como sugere a edição de hoje do L’Espresso, a influente revista que se publica em Roma e que tem a mesma idade da União Europeia.

sábado, 18 de março de 2017

O estilo provocatório de Donald Trump

As coisas parece não estarem a correr bem a Donald Trump e a oposição americana começa a organizar-se para responder a uma linha de actuação presidencial que muitos consideram provocatória. Esta é, no essencial, a mensagem contida na última edição da revista francesa L’Express.
Embora o estilo do Donald já tivesse sido revelado durante a campanha eleitoral que o levou à presidência dos Estados Unidos, pensava-se que o simbolismo da Casa Branca e a própria experiência presidencial o iriam moderar nas suas atitudes e no seu discurso, mas parece que ele mantém o seu peculiar estilo.
Começou por exibir a sua forma arrogante e fanfarrona na relação com o México por causa da construção do muro a separar os dois países. Depois tratou de advertir o Irão por ter lançado um míssil experimental. Foi insolente para com a China a propósito da expansão chinesa no mar do Sul da China que, segundo muitos observadores, é um dos mais perigosos lugares de potencial conflito militar que temos hoje no mundo. Não tem cessado de hostilizar a União Europeia, ao mesmo tempo que elogia o Brexit e apoia o governo de Theresa May. Noutro plano, tratou de insultar os mass media, atacar os emigrantes de origem muçulmana e, agora, critica a China e ameaça a Coreia do Norte, porque considera que terminou a política de paciência estratégica”.   
Porém, parece que a oposição americana se está a  organizar e a contrariar o Donald em muitas instâncias do poder. Nos últimos dias, dois juízes bloquearam, primeiro no Havai e depois em Maryland, o decreto anti-imigração que visa impedir a entrada de pessoas de origem muçulmana provenientes de seis países de que o Donald não gosta, mas que serão dos que mais precisam de solidariedade. 
Em menos de dois meses, o Donald já desilude muitos dos que nele votaram e tem a popularidade em queda.

A paz está de regresso ao País Basco

A Euskadi Ta Askatasuma que é conhecida pela sigla ETA e que em língua basca significa “Pátria Basca e Liberdade”, anunciou ontem que vai entregar todas as suas armas e abandonar em definitivo a luta armada, o que significa que a paz está de regresso ao País Basco.
A ETA foi fundada em 1959 como uma organização cívica e cultural e integrou-se no movimento de libertação nacional basco, mas depressa evoluiu para uma organização paramilitar e separatista, lutando pela independência do País Basco, um território que se distribui por Espanha e França.
Depois de alguns anos de interrupção das suas actividades violentas e de discretas negociações, a ETA veio anunciar o seu desarmamento completo e o fim da luta armada, ao mesmo tempo que anunciou um plano para a entrega das armas e explosivos escondidos no País Basco francês, até ao próximo dia 8 Abril. A operação será difícil e complexa, porque envolve muita gente que apoiou a ETA e porque uma parte dessas armas está escondido em casas particulares, cujos donos ainda não estão seguros da não intervenção policial. Embora o governo espanhol exija que a ETA também anuncie a sua dissolução, o facto é que o seu anúncio gerou uma onda de optimismo por estar à vista o fim de mais de 50 anos de violência e terror, em que a ETA foi responsável pelo assassínio de 829 pessoas.
Mariano Rajoy e Iñigo Urkullu, o presidente do governo autónomo do País Basco espanhol, assim como as associações da sociedade civil do País Basco francês que têm conduzido o processo no terreno, têm sobre os seus ombros a importante tarefa de fazer com que a paz regresse ao País Basco, que é destacada hoje em toda a imprensa espanhola.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Ciclos económicos e ciclos políticos

A revista The Economist destaca na sua edição que hoje entrou no seu habitual circuito de distribuição, a notícia da surpreendente reanimação da economia mundial que parece estar, finalmente, a acontecer na América, na Europa, na Ásia e nos mercados emergentes. Depois de várias falsas partidas, diz a revista, a economia global goza de uma recuperação sincronizada.
Depois da crise financeira de 2008, que foi a maior que o mundo conheceu desde a Grande Depressão de 1929, pela primeira vez e depois de uma brevíssima recuperação em 2010, os indicadores económicos estão a disparar ao mesmo tempo por todo o lado. Os sinais são animadores na Índia e em Taiwan, na China e no Japão, na Rússia e no Brasil. Na União Europeia os índices de confiança estão no seu ponto mais alto desde 2011 e o desemprego está ao seu nível mais baixo desde 2009. Até no pequeno e periférico Portugal há sinais de melhoria económica que estão a deixar a oposição constipada e sem voz.
Num estudo recente feito por dois investigadores da Universidade de Harvard que averiguaram mais de uma centena de crises financeiras, foi concluído que, em média, a recuperação da actividade económica e dos rendimentos depois das crises, só voltam depois de oito anos. Assim, parece que está na hora da recuperação mundial.
Porém, a revista também destaca que os ciclos económicos e os ciclos políticos não costumam andar sincronizados e que, por isso, em paralelo com a recuperação económica há grandes problemas políticos na América, no Reino Unido, na França e em outros países. Parece, então, que a reanimação económica mundial de que The Economist faz eco, acontece por causa da “mão invisível” de Adam Smith.

quarta-feira, 15 de março de 2017

O dilema escocês: Reino Unido ou Europa

O Brexit e a falta de entendimento entre Nicola Sturgeon e Theresa May, que são chefes dos governos da Escócia e do Reino Unido, foi o pretexto para ressuscitar a ideia de um novo referendo sobre a independência da Escócia, que a primeira-ministra escocesa vai procurar realizar em 2018 ou 2019, com o argumento que Londres não considerou os interesses escoceses nas suas decisões sobre o Brexit.
No referendo realizado no dia 18 de Setembro de 2014 o Better Together ganhou com 55,3% dos votos, enquanto o Yes Scotland obteve 44,7%, mas acredita-se que o resultado hoje seria diferente porque os escoceses não querem ser arrastados para fora da União Europeia, a cuja economia estão fortemente ligados. Recorde-se, também, que na votação sobre a saída ou permanência do Reino Unido na União Europeia – o Brexit – realizada no dia 23 de Junho de 2016, houve 62% de escoceses que votaram pela permanência na União Europeia e que, na Irlanda do Norte, também 55,7% dos eleitores escolheram a permanência. Assim, o Sinn Féin defende a saída do Reino Unido e a unificação com a República da Irlanda, enquanto muitos escoceses defendem a independência, ambos como forma de permanecerem na Europa.
Nicola Sturgeon tem-se mostrado muito determinada na defesa dos interesses escoceses e tem afirmado que o Reino Unido deixou de ser o país no qual os escoceses escolheram permanecer em 2014.
A imprensa britânica destacou a fotografia e a ameaça de Sturgeon, enquanto o Corriere della Sera escolheu uma fotografia das duas primeiras-ministras para ilustrar a sua edição. O facto é que persiste o dilema escocês entre a Europa e o Reino Unido e que as mulheres que dirigem a Escócia e o Reino Unido têm grandes trabalhos pela frente.

domingo, 12 de março de 2017

Um eclipse nas relações euro-turcas

A Turquia vai realizar um referendo no próximo dia 16 de Abril, destinado a dar maiores poderes constitucionais ao seu presidente Recep Tayyip Erdogan. A campanha lançada pelo governo turco para assegurar a vitória nesse referendo estendeu-se à diáspora turca, mas está a causar perturbações na Alemanha e na Holanda, pela insistência com que pretende intervir junto das suas comunidades emigrantes nesses países. Desde há vários dias que têm decorrido manifestações, umas a favor e outras contra a presença de políticos turcos em actos de campanha nesses países, pelo que as respectivas autoridades têm dificultado a presença de dirigentes governamentais turcos para atenuar os riscos de alteração da ordem pública e de quebras na segurança.
Ontem, as autoridades holandesas recusaram a aterragem do avião do ministro dos Negócios Estrangeiros turco, que pretendia presidir a um comício de apoio ao presidente da Turquia. No mesmo dia, a caravana automóvel onde seguia uma ministra turca foi bloqueada pela polícia holandesa quando se dirigia para o consulado da Turquia em Roterdão, a fim de participar num comício sobre o referendo. O Presidente Erdogan tratou de acusar imediatamente os holandeses de serem fascistas e de dizer que estas atitudes eram vestígios do nazismo e teriam consequências.
O que está a acontecer na Holanda já acontecera na Alemanha, que acolhe a mais importante comunidade turca na Europa com cerca de 3,5 milhões de pessoas, onde diversas autoridades locais cancelaram intervenções de ministros turcos, no âmbito da campanha para o referendo constitucional. A revista Der Spiegel já dedicara a capa da sua última edição ao eclipse que está a ensombrar as relações da Turquia com a Alemanha e com a Holanda, o mesmo é dizer com a Europa. Nos tempos que correm isso não é nada animador para uma Europa onde há cada vez mais problemas e cada vez menos soluções.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O bom ano com Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa completou hoje o primeiro ano do seu mandato presidencial e os jornais e as televisões destacaram o acontecimento. Enquanto Presidente da República, Marcelo é um caso notável de popularidade e a sua permanente intervenção em convergência com o governo, tem contribuído para a mobilização dos agentes económicos e sociais, para a criação de um clima de confiança e, também, para acabar com a crispação cavaquista made in Boliqueime e com a severa austeridade passista made in Massamá.
É bem possível que os bons resultados económicos e sociais do ano de 2016 resultem exactamente de um ambiente de confiança e de alegria que se instalou em Portugal, que muitas vezes é associado à vitória no Europeu de futebol e à eleição de António Guterres para Secretário-Geral das Nações Unidas.
Quase tudo parece estar a correr bem em Portugal e Marcelo parece ser o rosto desta onda que em 2016 recuperou a alegria dos portugueses. De facto, Marcelo tem estado em toda a parte como sugere o jornal i na sua edição de hoje e tem sido um exemplo para uma classe política que estava sem referenciais de serviço público. No seu quotidiano ele está realmente em todo o lado. Visita os mais carentes e necessitados, estimula os empreendedores e os jovens. Aplaude desportistas e agentes culturais. Exibe um optimismo contagiante e a sua agenda é marcada pela boa disposição, pelo sorriso, pela inteligência e pela vontade de servir o nosso país e os portugueses. Com alegria, com entusiasmo e com afectos.
Recordemos que Marcelo Rebelo de Sousa fez uma campanha presidencial com total independência e sem apoios partidários e que, no dia 24 de Janeiro de 2016, teve 2.411.925 votos, correspondentes a 52% da totalidade dos votos expressos. O meu voto não foi para ele, mas fixo-me em Bento de Jesus Caraça e, como ele, digo que não receio o erro, porque estou sempre pronto a emendá-lo. Portanto, e face ao que tenho visto, já emendei o meu erro.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Afinal ainda há bons gestores portugueses

Foi anunciado que o grupo francês PSA cujas marcas são a Peugeot e a Citroën e que é liderado pelo gestor português Carlos Tavares, comprou à General Motors as suas marcas Opel e Vauxhall, tornando-se a seguir à Volkswagen, o segundo maior grupo automóvel europeu com uma quota de mercado de 17% e com cerca de 17.700 milhões de euros de vendas para as suas marcas.
Desde há muito tempo que nos habituamos a ver chineses e indianos na primeira linha destes negócios e por isso a notícia surpreendeu. A segunda surpresa desta notícia é o facto de ser um português a liderar esta operação que custou 2.200 milhões de euros e que, além da compra da actividade produtiva da Opel e da Vauxhall, inclui também as operações da sucursal financeira da General Motors na Europa.
As expectativas são altas porque Carlos Tavares é apontado como sendo o maior responsável pela recuperação do grupo PSA que, há bem pouco tempo, acumulava prejuízos e tinha o seu futuro muito incerto. Por isso, todos acreditam em Carlos Tavares e nas suas opções de gestão para recuperar a marca Opel que acumulou 15 anos consecutivos de prejuizos: redução de postos de trabalho, congelamento de salários, economias de escala, eliminação de modelos não rentáveis e entendimento com os sindicatos.
Não deixa de ser curioso que a poderosa General Motors, um dos símbolos do poder económico americano, "atire a toalha ao chão" depois de tantos anos de perdas.
O jornal La Tribune, assim como imprensa económica francesa e espanhola, aplaudiu esta operação de Carlos Tavares que, se correr bem, combinará crescimento e rentabilidade. Afinal, ainda há bons gestores portugueses. É pena que andem lá por fora, porque fazem muita falta por cá.

terça-feira, 7 de março de 2017

Almada ou uma maneira de ser moderno

Almada Negreiros, Retrato de Fernando Pessoa, 1964, FCG.
A Fundação Calouste Gulbenkian apresenta-nos desde há uma semana uma exposição de Almada Negreiros que tem por título José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno”, que é uma homenagem a um autor de talento que marcou o século XX em Portugal.
 obra de Almada Negreiros desdobrou-se por diferentes artes e formas, sempre com um sentido de inovação e de modernidade expressos na pintura, no desenho, na literatura ou no teatro. A exposição reflecte a sua diversidade artística e apresenta um vasto conjunto de obras que evidenciam a sua abordagem complexa, experimental e contraditória da modernidade, com evidentes sinais da sua ligação com os trabalhos que fez em parceria com arquitectos, escritores, editores, músicos, cenógrafos ou encenadores.
A exposição é completa, bem dimensionada e tem o apoio de um excelente catálogo, sendo apresentada num espaço amplo e apropriado, como a obra do artista merece e o público aprecia. Da sua obra móvel está lá tudo, desde os óleos pintados para a Alfaiataria Cunha, passando pelos seus auto-retratos e pelos seus numerosos estudos inspirados na geometria, até aos dois famosos retratos de Fernando Pessoa pintados em 1954 para o Restaurante Irmãos Unidos e em 1964 por encomenda da Fundação Gulbenkian.
Um mapa indica-nos a outra face da obra de Almada, dispersa por Lisboa e que, por exemplo, podemos ver nos frescos murais das Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha de Conde de Óbidos, nos vitrais da igreja de Nossa Senhora de Fátima, nas fachadas dos edifícios da Cidade Universitária ou, até ali ao lado, no mural em pedra gravada que decora o hall principal da sede da Fundação Gulbenkian.
A obra de Almada Negreiros merece ser conhecida e esta exposição é imperdível, podendo ser visitada até ao dia 5 de Junho.