sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O ideal republicano pertence ao povo

Decorreu hoje o 102º aniversário da implantação da República e as tradicionais celebrações populares, cujo ponto mais alto costumava ser a cerimónia do hastear da bandeira nos Paços do Concelho – exactamentre da mesma varanda de onde os revolucionários republicanos proclamaram o novo regime – foram oficialmente substituídas por uma cerimónia singela no Pátio da Galé, em espaço fechado, com uma assistência seleccionada e às escondidas do povo. Inacreditável. Alguém assim decidiu, certamente para não ouvir os protestos e os apupos que estão a perseguir os nossos dirigentes políticos. Por isso, os mais assustados não apareceram com medo do protesto popular e até houve quem tivesse arranjado o pretexto de uma reunião em Bratislava para faltar. Nunca um Primeiro-Ministro do nosso regime democrático faltara às Comemorações do 5 de Outubro.
Tal como a bandeira ou o hino nacionais, os factos e as datas históricas também têm um significado simbólico e a sua evocação deveria constituir um momento de unidade nacional e de mobilização em torno de novos objectivos e novos desígnios. Mas não foi. Salvou-se o discurso do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa a defender que há alternativa ao actual estado de desagregação - que há sempre alternativa - que o futuro não está no regresso à economia de baixo salário e que não podemos aceitar como coisa normal a fuga dos nossos jovens, nem ser apenas o bom aluno dos diktats europeus.
No estado de grande desorientação governativa e de grande perturbação popular em que vivemos, os dirigentes assustados passam, mas a República fica.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Este contabilista precisa de ser travado!

Ontem foi mais um dia negro para os portugueses e um dia de brutal violência para os trabalhadores e para os pensionistas! O contabilista gaspar apresentou mais um número de circo, ao anunciar um "aumento brutal de impostos", em que revelou novamente a sua insensibilidade social. Fê-lo com toda a naturalidade. Com frieza. Como se houvesse apenas a sua verdade. Sem imaginar o que vai ser o incumprimento fiscal que aí vem. Como diria o meu vizinho, este tipo é de uma estupidez brutal.
Contrariando as promessas eleitorais, que várias vezes foram reiteradas desde que este governo se instalou, os trabalhadores e os pensionistas vão viver pior, o desemprego vai aumentar e a confiança no futuro está fortemente abalada. Nem o défice nem a dívida públicas estão controlados. Lamentavelmente, para este fulano a especulação financeira e os chamados mercados estão em primeiro lugar. O nosso contabilista protege-os com o seu duplo emprego pois, simultaneamente, trabalha para nós e para eles. O povo português que sofra e que aguente. Que chatice haver povo! Que chatice haver povo que protesta!
Confrontado com os maus resultados das suas opções, o contabilista insiste desesperadamente numa estratégia que tem falhado. Não revelou criatividade, nem preparou medidas alternativas, nem foi fez qualquer negociação interna ou externa. Ao fim de um ano e meio de governo, não houve cortes significativos nas despesas do Estado, pois não tem havido coragem para enfrentar os interesses instalados. Continuam os lugares nas grandes empresas, os observatórios, os institutos, os estudos e pareceres, as empresas municipais, as passeatas a Bruxelas, as tournées do portas, os BMW, os Audi... Não há medidas de incentivo ao crescimento e ao emprego. O risco de ruptura social é enorme. Estamos cada vez mais pobres, mas há alguns que estão cada vez mais ricos. A paz política está ameaçada e a paz social está arruinada. A contestação está nas ruas e anda por toda a parte. Já ninguém acredita nesta gente, nem na sua impreparação. Temos um governo de chacota. De trapalhada. De irresponsáveis. Este contabilista e os seus amigos precisam de ser travados e postos na rua!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Viva o futebol lusitano!

A FIFA - Fédération Internationale de Football Association estabelece desde Dezembro de 1992, um ranking das selecções nacionais de futebol dos países seus associados com base nos resultados que obtém nos jogos que disputam. A selecção portuguesa aparece frequentemente nas primeiras posições e no ranking hoje divulgado, aparece em terceiro lugar, imediatamente a seguir às selecções da Espanha e da Alemanha.
É uma posição que, futebolisticamente falando, é muito honrosa para um país de 10 milhões de habitantes. Significa que somos bons e muito competitivos em futebol e isso recorda-nos que também somos bons em muitas outras coisas, sobretudo se formos devidamente dirigidos, o que com frequência não tem acontecido ao longo da nossa história de novecentos anos.
Para que conste, Portugal está colocado em terceiro lugar no ranking da FIFA relativo a Outubro de 2012, embora os países de língua oficial portuguesa estejam colocados em posições mais modestas: Brasil (14º), Cabo Verde (51º), Angola (83º), Moçambique (99º), S. Tomé e Príncipe (132º), Guiné-Bissau (173º), Macau (198º) e Timor-Leste (206º).
Em tempos de dificuldade e de constantes anúncios de tempos ainda mais difíceis, este ranking da FIFA contribui muito para elevar a auto-estima portuguesa. É caso para dizer: viva o futebol lusitano!


 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Lusas vaidades e carros de gama alta

No contexto da nossa crise, o que está a acontecer no mercado automóvel é surpreendente e até parece um paradoxo, conforme revelam as Estatísticas de Vendas de Veículos Ligeiros de Passageiros divulgadas pela ACAP.
Entre Janeiro e Setembro do corrente ano verificou-se uma quebra de vendas de 39.7% relativamente ao mesmo período do ano anterior, o que não surpreende pois está em linha com a quebra de rendimento das famílias portuguesas. Porém, enquanto as vendas de quase todas as marcas automóveis estão a sofrer quebras muito acentuadas, as marcas de gama alta estão a ser menos castigadas, acontecendo inclusive que, entre as 34 marcas que venderam automóveis em Portugal no mês de Setembro, há duas que conseguiram aumentar as suas vendas, casos da BMW e da Audi, o que já surpreende.
As marcas mais vendidas em Setembro foram a Volkswagen (607), a Renault (563), a Mercedes (560), a Peugeot (555), a BMW (506), a Audi (471) e a Opel (380), o que significa que entre as sete marcas mais vendidas em Portugal estão cinco marcas alemãs, incluindo os fabricantes de gama alta – Mercedes, BMW e Audi – que, conjuntamente, têm uma quota de mercado de 25%. Note-se, ainda, que em Setembro foi vendido um Ferrari e 27 unidades da Porsche. É realmente surpreendente este resultado das vendas de veículos ligeiros de passageiros em Portugal no que respeita às marcas de gama alta, porque revela que a crise não é para todos e que há por aí muita gente, com muito dinheiro e com muita vaidade.

Entre a injusta legalidade e a imoralidade

O jornal i destaca hoje em primeira página que 17 ex-administradores da Caixa Geral de Depósitos recebem dois milhões de euros em reformas, embora a maioria continue no activo e a servir grandes empresas privadas. Certamente que não beneficiam de qualquer ilegalidade, mas seguramente que beneficiam de muita imoralidade. Trata-se de indivíduos que ocuparam lugares na administração da CGD por fidelidade partidária e não por mérito, independentemente de o terem ou não. Alguns deles não tinham qualquer formação ou experiência bancária. Muitas vezes não se sabe como essa gente chegou a esses posições, nem se procuraram apurar as suas responsabilidades nos descalabros, nas negociatas e nos favorecimentos em que a CGD esteve envolvida.
Mas a imoralidade não está apenas na CGD. Está também na EDP, na PT, na GALP, na CIMPOR, na LUSOPONTE, na MOTA-ENGIL e algumas outras empresas. São ex-ministros e ex-gestores públicos que se movem por aí, sem serem responsabilizados pelo que fizeram ou não fizeram no exercício de funções públicas. São um exemplo do proteccionismo de que beneficiam muitas figuras e alguns figurões da nossa República que, como agora se vê, fazem parte do grupo dirigente que têm conduzido a gestão do Estado e de algumas empresas públicas à melindrosa situação em que hoje se encontram.
Numa altura em que estão a ser cortadas as pensões de milhares de portugueses e já se anunciam novas medidas de austeridade, esta gente não tem vergonha nenhuma e, sem qualquer moralidade, acumula. Com este tipo de exemplos não sairemos desta situação e só aumentará a contestação e a revolta.



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dia Mundial da Música

Hoje, dia 1 de Outubro, é o Dia Mundial da Música, uma data instituída em 1975 pelo International Music Council (IMC), uma organização não governamental criada pela UNESCO, que agrega a maior rede mundial de organizações, instituições e indivíduos que trabalham no campo da música, com o objectivo de promover a diversidade e o acesso à cultura musical para toda a gente.
O Dia Mundial da Música é cada vez mais celebrado em Portugal, como resposta ao interesse cada vez maior pela música e ao crescente número de escolas, conservatórios, academias musicais e bandas filarmónicas que, por todo o país, formam novos praticantes musicais. Muitas instituições, com particular destaque para as autarquias, promovem eventos musicais muito diversificados, não só sob a forma de concertos e recitais, mas também com outros tipos de apresentações, que traduzem um maior interesse pela música. Neste Dia a música toma conta de muitos palcos e ruas, quer na sua expressão erudita, quer popular. Não é apenas no Teatro Municipal de São Luiz, na Casa da Música, no Teatro Micaelense, no Museu do Oriente, no Centro Cultural Vila Flor de Guimarães, no Teatro Municipal Baltazar Dias no Funchal ou no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz. Muitos clarinetes, violas, violinos, trombones, violoncelos, trompetes, saxofones e flautas ouvem-se neste Dia e muitos jovens alunos das academias da música são apresentados ao público.
O Dia Mundial da Música vai ser celebrado em Almeirim, Peniche, Beja, Vila Nova de Gaia, Trofa, Póvoa de Varzim, Horta, Tavira, Viseu, Braga Cascais, Ribeira Grande, Alcobaça, Montijo, Alenquer, Santarém, Aveiro, Coimbra, Pombal, Angra do Heroísmo, Portalegre e muitas mais cidades e vilas portuguesas, a lembrar que há muitas coisas que correm bem em Portugal.

domingo, 30 de setembro de 2012

Está na hora de aprender português

A revista Monocle – A briefing on global affairs, business, culture & design, já distribuiu a sua edição 57 (Outubro de 2012) que é especialmente dedicada à Generation Lusophonia: why Portuguese is the new language of power and trade. São cerca de 250 páginas e, apesar de ainda não ter visto a revista, tive a oportunidade de consultar a respectiva website e ler os resumos de alguns dos seus artigos, mas também alguns comentários feitos por quem já a leu. Em vários desses artigos fala-se de Lisboa e Brasília, Maputo e Luanda, Macau e Rio de Janeiro. Mas também do Porto, do estuário do rio Sado e de Coruche, da família Amorim e da maior indústria corticeira do mundo, de Álvaro Siza Vieira e da arquitectura nacional, da Comporta e de um local que ainda está a salvo do cimento e, de forma especial, dos Açores. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é o pano de fundo desta iniciativa editorial, que contempla outros temas como a língua portuguesa, o acordo ortográfico, a nova onda migratória, os novos negócios e as novas oportunidades. Steve Bloomfield, o editor de assuntos estrangeiros da Monocle justificou a escolha do tema referindo que “sentimos que o mundo lusófono é muitas vezes ignorado pelos outros e era altura de alguém reparar em países que estão a crescer economicamente e onde estão a acontecer coisas fantásticas”, concluindo que “está na hora do resto do mundo começar a aprender um pouco de português”. Num tempo de crise e de enfraquecida confiança é seguramente animadora esta leitura. Espero encontrar rapidamente a revista e recomendo que também o faça.

 

A arrogante teimosia do assessor Borges

O assessor Borges é completamente desprovido de tacto social e é um especialista em frases muito infelizes, absolutamente indesculpáveis a quem se julga uma figura de Estado. Ninguém votou nele. Não tem que ouvir apupos, nem enfrentar manifestantes. Não tem que gerir orçamentos apertados, nem tem que arranjar lugares para os amigos. Não se percebe exactamente qual o seu papel no meio de tudo isto. Exerce funções públicas, mas acumula com funções e interesses privados, o que significa que gosta da promiscuidade. Assume uns ares de arrogância e de superioridade académica intoleráveis, que nos agridem. Parece tratar-se do "ministro sombra" das privatizações, mas há a suspeita de que só não foi para o governo por não conseguir viver com o salário de ministro. No entanto, tem cobertura do nosso primeiro e até há quem diga que ele é que manda.
Há tempos foi noticiado que o assessor Borges teve em 2011 um salário de 225 mil euros e beneficiou do estatuto de isenção de IRS, enquanto funcionário do FMI, mas defende que é urgente a diminuição de salários… dos outros. Foi ele que apresentou o modelo de privatização da RTP que foi veementemente contestado, mas não apareceu ninguém a desautorizá-lo. Agora veio dizer que os empresários que criticaram a taxa social única são ignorantes e, naturalmente, caiu o carmo e a trindade.
Pessoalmente estou farto do Borges e da sua arrogância. Ele poderá ter brilhado em Stanford, ter andado pelos corredores da Goldman Sachs e até saber algumas coisas de economia, mas aqui é um poço de ignorância social, que desconhece o que é o trabalho, a dificuldade e o esforço. Nós não precisamos de gente desta – estou também a pensar no outro da CGD que ameaçou pirar-se – que são uns sacadores e não percebem a nossa realidade social, nem a nosso tecido empresarial. Emigrem por favor!

sábado, 29 de setembro de 2012

A França está a atravessar tempos difíceis

As dificuldades financeiras por que passam a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, também afectam, em maior ou menor grau, os restantes países da zona Euro. Agora é a França que revela essas mesmas dificuldades e que anuncia “um esforço histórico de rigor orçamental”, como revela o Le Monde, numa tentativa para impedir que o país sofra ainda mais com a crise financeira europeia. O objectivo é diminuir o seu défice orçamental de 4,5% para 3%, inverter o ritmo de crescimento da sua dívida pública que já atingiu 91% do PIB, reduzir o desemprego que já ultrapassa os 3 milhões de pessoas e relançar a economia de forma a travar o actual ciclo de recessão. O plano prevê um ganho orçamental global de 36,9 mil milhões de euros por aumento de impostos e por reduções de despesa. Uma das medidas adoptadas é o aumento dos impostos para os mais ricos e para as grandes empresas, com o aumento para 75% da tributação sobre os rendimentos superiores a um milhão de euros e um novo imposto de 45% sobre os rendimentos superiores a 150 mil euros.
O presidente Hollande e o primeiro-ministro Ayrault querem inverter o ciclo recessivo, mas mostram-se atentos à realidade social francesa e não adoptam modelos experimentais. Colocam as pessoas em primeiro lugar e protegem as classes de menores rendimentos. Sabem que a perda de rendimentos e o próprio medo de perder os empregos, levam à redução do consumo e que, nessas condições, as empresas vendem menos, não fazem novos investimentos, são obrigadas a despedir pessoas e também não exportam mais, porque os habituais compradores também estão a passar por problemas muito parecidos.  
Como é diferente daquilo que se passa por aqui, em que se insiste em receitas que já provaram estar erradas e que fazem lembrar os tempos do "orgulhosamente sós".

Olivença é uma cidade que espera por nós

A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, foi eleita "O Melhor Recanto de Espanha 2012", num passatempo promovido na Internet pela petrolífera Repsol. Num país cujo património edificado é impressionante e que faz de cada povoação um verdadeiro “museu ao ar livre”, a escolha dos internautas não tem qualquer significado especial, apesar de, segundo informação divulgada pelo Turismo de Olivença, a igreja datar da primeira metade do século XVI e ser considerada uma jóia oliventina e do património manuelino português, pela sua riqueza em azulejos, talha dourada e motivos decorativos marítimos, que nos remetem para a época dos Descobrimentos portugueses. Foi mandada construir para servir como templo do local de residência dos bispos de Ceuta, tendo sido estreada por Frei Henrique de Coimbra, que foi confessor do rei D. Manuel e o primeiro padre que celebrou uma missa no Brasil.
Influenciado pela eleição da igreja da Madalena, o Jornal i anuncia em primeira página que em Olivença “as marcas de Portugal resistem ainda e sempre à ocupação” e insere um interessante artigo sobre Olivença/Olivenza, realçando as marcas portuguesas no património, na toponímia, na música e nas danças, na gastronomia e na cultura popular. Os oliventinos são o produto de uma mistura de duas culturas e, em maior ou menor grau, todos os oliventinos têm ascendência portuguesa - “um oliventino não é português nem espanhol, é oliventino”. O alcaide da cidade de 12 mil habitantes defende que “se um dia Portugal e Espanha se unirem, a capital será Olivença”. Com estas referências, certamente que muitos portugueses procurarão conhecer a cidade que foi anexada em 1801 e que Portugal não reconhece como espanhola.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Açores: as eleições e as promessas

A difícil situação que atravessamos tem evidenciado uma grave irresponsabilidade de gestão em muitos sectores do Estado que, muitas vezes, tem servido objectivamente para assegurar a manutenção do poder ou para satisfazer interesses particulares em desfavor do interesse público. Esta situação tem sido denunciada como ausência de ética de serviço público, corrupção, promiscuidade entre interesses públicos e privados, peculato, violação de normas de execução orçamental, vantagem patrimonial, etc. Essa anomalia acontece com elevada impunidade a nível nacional, regional e local, tendo conduzido a uma distorção entre aquilo que os políticos prometem e aquilo que fazem, depois de serem eleitos. Foi sempre assim, mas parece que nos últimos anos essa distorção se acentuou, apesar dos eleitores estarem cada vez mais esclarecidos e mais atentos. Daí tem resultado uma maior desconfiança do povo em relação aos políticos e às suas promessas e, por isso, são cada vez mais classificados como mentirosos. Nos últimos meses o discurso político deteriorou-se, agravou-se e tornou-se mais caricato, porque se desmente agora, aquilo que tinha sido prometido há poucas semanas.
Na Região Autónoma dos Açores vão ser realizadas, no próximo dia 14 de Outubro, as eleições para a Assembleia Legislativa. A pré-campanha eleitoral já começou e, na difícil situação que atravessamos, esperava-se mais esclarecimento e grande contenção nas promessas. Porém, de entre os cartazes já afixados, destaca-se a habitual promessa de mais empregos e esta novidade: viagens mais baratas.
Ainda haverá alguém que em 2012 dê crédito a este tipo de promessas?

A Catalunha e a "quimera soberanista"

O separatismo catalão tem raízes históricas seculares e, de vez em quando, acorda e manifesta-se, como acontece agora em clima de recessão económica, quando o governo catalão se viu na necessidade de pedir ajuda ao governo espanhol para pagar aos funcionários públicos, aos fornecedores e o serviço da sua dívida de 42 mil milhões de euros. Na sua ânsia autonomista a Catalunha deslumbrou-se, foi longe demais e criou um super-Estado que acumulou dívidas e elevados custos de gestão mas, apesar de limitado pelas restrições do défice e da dívida, o governo de Madrid afirmou estar pronto a prestar essa ajuda. Porém, o governo catalão afirmou não aceitar quaisquer condições políticas e exigiu um pacto fiscal que nacionalize as receitas fiscais catalãs, o que objectivamente corresponde à rejeição da solidariedade com as outras regiões espanholas. A manifestação de 11 de Setembro, inicialmente de luta contra a crise, transformou-se num ajuste de contas com o governo central e num veemente apelo à independência catalã. Perante os factos ocorridos, o Rei João Carlos emitiu uma mensagem pacificadora dirigida aos partidos políticos e aos separatistas, mas a escalada prossegue. O governo de Mariano Rajoy afirma que reagirá com firmeza às intenções catalãs e recusa negociar qualquer pacto fiscal, enquanto os separatistas catalães invocam que dão a Madrid mais do que recebem. Ontem Artur Mas, o presidente do governo autónomo da Catalunha, deu mais um passo em frente ao decidir a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições para o dia 25 de Novembro. O jornal ABC afirma que Mas “avança com eleições para alimentar a sua quimera soberanista” e cita o Rei que já afirmou que “seria cegueira não ver a gravidade desta etapa histórica”. Mais do que em Mariano Rajoy, as atenções vão estar centradas em Artur Mas e no Rei João Carlos. Os espanhóis receiam cada vez mais o fantasma da fragmentação do país e, aqui tão perto, não podemos estar desatentos ou não aprender com a evolução que está a acontecer.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Os doutores-ministros que nos governam

Tanto quanto sei, o actual governo de 11 ministros tem dois doutores. São doutores-ministros que vieram de fora – um de Bruxelas e outro de Vancouver. Seguramente são competentes em Estatística, Econometria, Microeconomia, Finanças Públicas, Planeamento Económico e outras matérias curriculares. O seu percurso académico ou profissional será modelar, sem vírus do tipo relvas. Vieram com a sua sabedoria, para ajudar o país a sair da situação desregulada que se criou e acentuou, é bom salientá-lo, desde a nossa entrada na Comunidade Económica Europeia e do deslumbramento novo-riquista que o cavaquismo nos trouxe.
Porém, ao fim de 15 meses de actividade, nem os nossos dois doutores-ministros, nem os seus dez Secretários de Estado, conseguiram controlar as contas públicas nem o seu principal problema que é o excesso de despesa, nem melhorar a competitividade da economia, nem travar o desemprego, nem mobilizar novos investimentos. Limitaram-se a atacar quem trabalha. Erraram no diagnóstico. Erraram nas previsões. Os seus “modelos económicos” não resultaram e o panorama está a agravar-se com a brutal queda do consumo que arruína a receita fiscal, com a subida do desemprego que delapida a Segurança Social e com a ameaça de ruptura social. Esses doutores-ministros falharam. Ainda não perceberam a diferença entre o que está nos livros e a realidade da nossa economia, do nosso Estado e da nossa sociedade. Não estudaram na mais antiga escola de economia que existe em Portugal - o Instituto Superior de Economia e Gestão. Se lá tivessem estudado conheceriam a frase de Bento de Jesus Caraça que está afixada à entrada: “Se não receio o erro, é porque estou sempre disposto a emendá-lo”. Seriam mais humildes e emendariam os seus erros ou, então, regressavam imediatamente aos seus lugares de origem com um valente "chumbo por teimosia e incompetência".

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

As rivalidades sino-japonesas

No mar da China Oriental situa-se um pequeno arquipélago formado por oito ilhas desabitadas com uma área total inferior a 7 Km2, a que os japoneses chamam Senkaku e os chineses Diaoyu, que fica situado a sul do Japão, a 200 km a nordeste das costas de Taiwan e a 400 km a oeste da ilha de Okinawa. Por razões históricas, o pequeno arquipélago é reivindicado pelo Japão, pela China e por Taiwan.
Recentemente, três das oito ilhas do arquipélago que ainda não pertenciam ao governo japonês foram compradas aos seus proprietários privados e esse facto deu origem a uma série de violentos protestos chineses contra os seus vizinhos que, em alguns casos, tiveram contornos de uma invulgar onda nacionalista e anti-japonesa. A histórica rivalidade sino-japonesa acordou e a tensão entre as duas principais potências asiáticas acentuou-se. Há sérios riscos de provocações entre os navios chineses e japoneses que se têm aproximado das ilhas que, para além do seu valor estratégico e simbólico, parece possuírem importantes reservas de hidrocarbonetos. The Economist abordou este delicado tema e nem sequer omitiu a palavra "guerra".
Muitos cenários estão traçados, havendo alguns bem pouco pacíficos. Na hipótese da China concretizar a ameaça de ocupar as ilhas, os Estados Unidos encararão esse passo como uma ameaça à sua própria segurança, nos termos do Tratado de Cooperação Mútua e Garantias de Segurança assinado com o Japão. Por isso, estão a ser desenvolvidos esforços para normalizar a situação, porque é consensual que se está perante uma séria ameaça para a paz e para a prosperidade daquela região.
Essa visão não pode ser desvalorizada, até porque a história nos mostra que é em períodos de instabilidade económica que as ameaças à paz se desenvolvem. Além disso, há por esse mundo muitas outras ilhotas e penhascos que são potencial fonte de conflito, inclusivé aqui bem perto.


domingo, 23 de setembro de 2012

A Semana da Cultura Indo-Portuguesa

Entre os dias 11 e 14 de Outubro vai decorrer pela primeira vez em Portugal a Semana da Cultura Indo-Portuguesa, que é promovida pela Embaixada da Índia em Portugal e pela Casa de Goa, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, Fundação Oriente, Fundação Champalimaud, Cinemateca Portuguesa e Comunidade Hindu de Portugal, entre outras entidades. Esta iniciativa incluirá diversas actividades culturais, designadamente música, dança, fotografia e gastronomia goesas, mas também algumas iniciativas empresariais, visando melhorar o conhecimento mútuo e assegurar o reforço da amizade entre as duas sociedades ligadas por quase cinco séculos de história comum, sobretudo entre as gerações mais jovens.
As Semanas da Cultura Indo-Portuguesa realizam-se em Goa desde 2008 com o patrocínio do Consulado-Geral de Portugal e de outras instituições portuguesas e têm dado um bom contributo para a preservação da herança cultural portuguesa e para a promoção da  cultura contemporânea portuguesa em Goa, pelo que a ideia de trazer essas iniciativas a Portugal é muito positiva. Decorreram mais de 50 anos desde a queda da Índia Portuguesa e embora a cultura e a língua portuguesas ainda estejam presentes em Goa, estão sob ameaça devido a um normal processo de desgaste e a um objectivo desinteresse dos governos portugueses. Alguns esforços têm sido feitos localmente, sobretudo nas áreas do ensino da língua portuguesa e da preservação do património arquitectónico, mas muito mais haveria a fazer. Por estas razões, a realização da Semana da Cultura Indo-Portuguesa é uma iniciativa para aplaudir e para acompanhar.