sexta-feira, 8 de julho de 2016

A guerra do Iraque e o triste papel ibérico

O relatório Chilcot sobre a invasão do Iraque em 2003 surgiu no Reino Unido como uma bomba e veio mostrar que a intervenção militar anglo-americana e dos seus aliados se baseou na mentira e na grosseira manipulação das opiniões públicas. A conclusão do relatório é muito severa para o governo de Tony Blair, alegando que o antigo primeiro-ministro britânico decidiu a invasão sem antes ter esgotado todas as outras opções disponíveis e exagerou, de forma deliberada, a ameaça que o regime de Saddam Hussein representava. Com este relatório é agora mais evidente que George W. Bush e Tony Blair foram responsáveis pela guerra do Iraque e pela destruição do país, pelo afastamento de Sadam Hussein, pela morte de 150 mil pessoas e pelo início de um processo de destabilização que se estendeu do Iraque por vários outros países. Ainda é cedo para que a História registe o que realmente se passou e conduziu a uma guerra que mudou o Médio Oriente e o mundo, que já destruiu países como o Iraque, a Líbia ou a Síria e que abriu as portas a novas ameaças que estão a entrar pela Europa.
Na Cimeira dos Açores realizada na tarde do dia 16 de Março de 2003 estiveram Bush, Blair, Aznar e Durão Barroso e quatro dias depois foram iniciados os bombardeamentos de Bagdad. A Espanha não ficou indiferente ao Relatório Chilcot. Ontem El Periódico publicou a fotografia “oficial” da Cimeira dos Açores (da qual excluiu Barroso, o mordomo), salientando a participação de José Maria Aznar. Hoje o 20 minutos retoma o assunto com uma imagem de Aznar na sua primeira página,  dizendo que ele é citado 11 vezes no relatório e que “estava muito a favor de ir com a guerra para diante”. Significa que, mesmo em Espanha, a questão do apoio à invasão do Iraque não é assunto arrumado. Bom seria que aqui se soubesse qual foi o papel de Durão Barroso, porque não terá sido apenas mordomo. Era bom que ele esclarecesse junto de uma comissão de inquérito qual foi o seu papel. Com o seu servilismo ele “conquistou” então o lugar de Presidente da Comissão Europeia, onde também deu um bom contributo para a desagregação a que estamos a assistir na Europa.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O Reino Unido não perdoa a Tony Blair

Toda a imprensa britânica de referência destaca hoje nas suas primeiras páginas a fotografia do Tony Blair, a propósito da divulgação do relatório de Sir John Chilcot sobre a invasão do Iraque em 2003, deixando graves acusações ao comportamento do antigo Primeiro-Ministro. O relatório é classificado como implacável e devastador, condenando Tony Blair, ou pelo menos é essa a mensagem que passa para a opinião pública, pois revela uma vez mais que não havendo provas suficientes para derrubar Sadam Hussein, estas foram adulteradas para justificar a intervenção britânica ao lado dos americanos. O relatório revela que a decisão precipitada de Blair fez com que as tropas britânicas fossem mal preparadas para a guerra, salientando que muitos dos que então alertaram para o erro que estava a ser cometido foram ignorados ou perseguidos.
Entretanto, algumas famílias dos 179 soldados e civis britânicos mortos no Iraque, continuam a responsabilizar Blair pela participação britânica na guerra e não estão convencidas de que ele não soubesse o que estava a fazer, pelo que consideram que, após este relatório demolidor, ele deveria ir para a Haia para ser julgado por crimes de guerra. Ao mesmo tempo, os activistas dos direitos humanos britânicos não isentam Tony Blair de responsabilidades na destruição do Iraque e na morte de cerca de 150 mil civis durante a guerra.
Curiosamente, alguns jornais espanhóis noticiaram a divulgação do Relatório Chilcot, mas escolheram a fotografia da Cimeira das Lajes com Bush, Blair e Aznar, ignorando o mordomo desse encontro que foi um tal Durão Barroso que, naturalmente, também tem culpas nesta trapalhada  conduzida por Bush e Blair, que trouxe tanta instabilidade àquela região e ao mundo.

O futebol ressuscita o orgulho nacional

Ontem foi um dia de grande festa para os portugueses espalhados pelo mundo ao verem a sua selecção nacional de futebol atingir a final do Euro 2016, com uma exibição de talento e qualidade. Tinha-se iniciado a segunda parte do jogo das meias-finais com a selecção do País de Gales e pouco passava das 21 horas, quando Cristiano Ronaldo se elevou a 2,88 metros de altura e marcou de cabeça o primeiro golo da partida. Esse momento de grande alegria, mas também de grande capacidade atlética e poder futebolístico do nosso mais famoso jogador, está retratado na capa do diário espanhol Marca, mas também em jornais de muitos outros países. As televisões mostraram repetidamente esse gesto de Cristiano Ronaldo que vai ficar a marcar a presença portuguesa no Euro 2016.
A vitória portuguesa foi reconhecidamente justa e gerou uma onda de euforia não só em Portugal, mas também na generalidade dos países onde vivem portugueses. Através da televisão todos pudemos ver inúmeras cenas de emocionante entusiasmo e de orgulho nacional, ocorridas em cidades tão diferentes como a vizinha Paris ou a distante Dili, onde se cantou A Portuguesa e se agitaram bandeiras verde-rubras. Esse é, porventura, um dos mais importantes resultados da epopeia futebolística que está a decorrer em França. E sendo o futebol um dos palcos onde modernamente se confrontam o poder das nações e as suas rivalidades, o nosso sucesso não só é uma festa para os portugueses, mas é também um soco no estômago daqueles que alguma vez humilharam os portugueses e, em especial, aqueles que a vida obrigou a emigrar. O jogo de ontem não foi apenas uma vitória por 2-0 sobre o País de Gales, nem o acesso à final do Euro 2016, porque também foi um enorme passo a ressuscitar o orgulho nacional de um povo e de uma cultura que a Europa tanto tem marginalizado e, por vezes, humilhado.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

4th July: Independence Day of America

Hoje é o 4th July, o Dia da Independência dos Estados Unidos. É um feriado e o dia nacional dos Estados Unidos que celebra a Declaração de Independência de 1776, quando as treze colónias inglesas da América do Norte declararam a separação formal do Império Britânico. Essa declaração foi redigida por Thomas Jefferson e deu origem a uma guerra que muitos consideram ter sido a primeira guerra mundial.
O 4 de Julho é sempre muito festejado pelos americanos e a imprensa é o espelho dessa onda de entusiasmo nacional. Muitos são os jornais que apresentam a bandeira americana na sua primeira página, mas muitos são também os que preferem a fotografia da estátua da Liberdade e outros há que escolhem a imagem de George Washington para ilustrar as suas edições. O jornal The Orange County Register que se publica na cidade californiana de Santa Ana, situada próximo da fronteira mexicana e que é a sede do Condado de Orange, também celebra hoje o Independence Day, mas utiliza uma abordagem diferente e muito original. Assim, em vez da bandeira americana ou da estátua da Liberdade, o jornal utiliza as fotografias dos dois mais que prováveis candidatos presidenciais a nomear pelo Partido Democrático e pelo Partido Republicano, para ilustrar a sua primeira página. Uniformizados com as fardas da guerra da independência, o jornal apresenta Hillary Clinton e Donald Trump e, certamente, a edição teve boa procura.

Os grandes veleiros visitam Lisboa

O porto de Lisboa vai receber entre os dias 22 e 25 de Julho os participantes da The Tall Ships Races 2016, que este atracarão no Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia. Segundo revela a Sail Training Association (STA), a regata deste ano celebra a passagem do 60º aniversário da realização da primeira regata de grandes veleiros que foi disputada entre Torbay e Lisboa no ano de 1956 e que, na época, constituiu um acontecimento de impacto internacional. Desde então, a STA tem promovido verdadeiros festivais náuticos que, mais do que uma competição desportiva, são verdadeiras jornadas de convívio entre os marinheiros de muitos países e um elemento dinamizador da vida cultural dos portos visitados. Dessa forma se mantém vivas as tradições da navegação à vela e se promove o treino de mar e a prática da vela junto dos jovens de muitos países.
Este ano a regata sai de Antuérpia para Lisboa, seguindo depois para Cadiz e para a Corunha. É a oitava vez que Lisboa recebe os grandes veleiros e, para além dos diferentes eventos previsto para o recinto do Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia, o desfile náutico que se realiza no dia 25 de Julho, a partir das 15 horas, será um dos mais interessantes acontecimentos desta festa e um desafio para os amantes da fotografia. Portanto, os lisboetas e os muitos turistas que nos visitam, terão uma boa oportunidade para apreciar a descida do Tejo de muitas velas.

O novo-riquismo e a mania das grandezas

O homem que foi ministro das Finanças, Primeiro-Ministro e Presidente da República Portuguesa e que assistiu ou participou na construção de um castelo económico e financeiro que está agora a desabar, podia já ter sido esquecido, mas continua a andar por aí. Ele podia estar sossegadamente a recordar a sua infância de luta pela vida em Boliqueime ou a deslumbrar-se com as delícias do novo-riquismo na Quinta da Coelha, mas apareceu-lhe um sucessor no palácio de Belém que não lhe dá tréguas e que, pé ante pé, está a irradicá-lo da nossa memória e a revelar algumas surpreendentes facetas do cavaquismo made in Boliqueime.
São tantas as diferenças que não vale a pena enunciá-las, mas basta citar as justas homenagens prestadas pelo actual Presidente da República a Ramalho Eanes e a Salgueiro Maia para verificar como era avassaladora a mediocridade cultural da anterior Presidência.  
Porém, nos últimos dias, a notícia de que algo corria à margem da lei no Museu da Presidência da República deixou-me perplexo. Então, ali ao lado, nem ele nem os seus inúmeros assessores perceberam que alguma coisa não corria bem? Além disso, ainda foi capaz de atirar com uma condecoração ao peito do seu Director, na linha da atribuição de tantas condecorações sem critério. Noutra dimensão que define o provincianismo, o mau gosto e o despesismo próprios de um novo-rico, tratou de comprar um exuberante Mercedes Benz S500 Longo por 129 mil euros que se destinava ao seu sucessor, utilizando o dinheiro dos meus impostos e sem me ter pedido autorização. O Tribunal de Contas autorizou? Essa compra tinha cabimento orçamental ou resultou de uma habilidade contabilística? O mercado foi consultado ou foi uma compra de ajuste directo? Era conveniente saberem-se todos os porquês, porque o venerando devia dar o exemplo de parcimónia e não deu. Entretanto, o carro esteve cinco meses a desvalorizar-se e soube-se agora que o Presidente da República não o quis e que o carro foi entregue ao Primeiro-Ministro, mas Costa não devia ter ficado com ele. Porque não devolveram o carro ao vendedor, mesmo com uma desvalorização e não foi enviada a factura desse prejuízo a Aníbal Cavaco Silva? Se houve prejuízo para o Estado, o responsável por esta mania das grandezas deve pagar!

domingo, 3 de julho de 2016

Há mais desporto para além do futebol

Nos Campeonatos Europeus de Canoagem realizados no passado fim de semana em Moscovo, o português Fernando Pimenta tornou-se campeão da Europa de K1 1000 metros e de K1 5000 metros. Foi um feito muito importante para o desporto português, mas a imprensa ignorou-o e tratou apenas de acompanhar os futebolistas que estão em França, repetindo todas as notícias, análises e comentários. No ranking dos países que estiveram em Moscovo, a canoagem portuguesa aparece colocada em 7º lugar, o que merece ser salientado.
Com estes resultados e a cerca de um mês do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o canoista Fernando Pimenta apresenta-se como um sério candidato às medalhas de ouro olímpicas que, como sabemos, são um produto muito raro no olimpismo português. Em 23 participações olímpicas apenas ganhamos 23 medalhas e, de entre elas, apenas quatro foram de ouro – Carlos Lopes em 1984 (Los Angeles), Rosa Mota em 1988 (Seul), Fernanda Ribeiro em 1996 (Atlanta) e Nelson Évora em 2008 (Pequim). Parece ser a altura de Portugal voltar a ter uma medalha de ouro olímpica e de, pela primeira vez, não ser no atletismo. De resto, Fernando Pimenta já ganhou uma medalha de prata em 2012 nos Jogos Olímpicos de Londres em K2 1000 metros, fazendo equipa com Emanuel Silva, pelo que para além do seu valor desportivo, também tem muita experiência competitiva. Confiemos, portanto. Está de parabéns Fernando Pimenta que trouxe de Moscovo duas medalhas de ouro e dois títulos europeus mas que, lamentavelmente, foi quase ignorado pelos obcecados jornalistas do futebol.

sábado, 2 de julho de 2016

Os dinheiros muito loucos do desporto

Aproveitando a maré de entusiasmo e a sede de informação gerada pelo EURO2016, o semanário francês L’Expansion dedicou a sua edição de Julho-Agosto aos dinheiros loucos do desporto e, na sua capa, apresenta Cristiano Ronaldo, como “o desportista melhor pago do mundo”. Como se trata de um português, o assunto suscita alguma curiosidade.
Acontece que há diversas listas com os nomes dos desportistas mais bem pagos do mundo, mas essas listas geralmente não são coincidentes porque são elaboradas com base em diferentes critérios, em que entram salários, contratos publicitários, direitos televisivos e outros rendimentos. Porém, a lista mais conceituada é a que é anualmente divulgada pela revista americana Forbes, que acaba de apresentar a sua versão actualizada para 2016, na qual pela primeira vez, desde há muitos anos, o atleta mais bem pago do mundo é um futebolista.
Esse atleta é Cristiano Ronaldo que, segundo a Forbes e a L’Expansion, facturou 88 milhões de dólares nos últimos doze meses, entre salários e contratos publicitários. É obra! É uma bênção, como diria a sua irmã, uma cantora de terceira categoria que insiste em fazer carreira. Em segundo lugar nessa lista aparece o futebolista argentino Leonel Messi, seguindo-se o basquetebolista americano LeBron James, o tenista suiço Roger Féderer, o basquetebolista americano Kevin Durand e o tenista sérvio Novak Djokovic. Contrariamente ao que é habitual, nos primeiros lugares deste ranking de atletas milionários não há gente do boxe, do golfe e da Fórmula 1.
Aqui temos, pois, uma ideia do que são os chamados dinheiros loucos do desporto.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Só há vitórias com bons guarda-redes

A equipa portuguesa de futebol cometeu ontem um feito notável ao apurar-se para as meias finais do Europeu de 2016, ou seja, é uma das quatro melhores equipas de futebol da Europa. Fartos de austeridades, de humilhações e de ameaças, os portugueses bem mereciam a alegria que a televisão ontem lhes ofereceu em directo. Na cidade de Paris e em outras cidades francesas, também os portugueses viveram um raro momento de orgulho ao verem a Torre Eiffel e muitas praças iluminadas de verde e vermelho. Ao mesmo tempo, muitos estrangeiros que costumam desvalorizar o nosso país, tiveram que engolir o sucesso lusitano.
O futebol tornou-se um fenómeno político e social de importância global e, muitas vezes, desperta mais interesse do que a política, a economia ou a cultura. É no futebol que se concentram as grandes emoções nacionais e internacionais, que se defrontam todas as rivalidades e que se molda a imagem dos povos. Por isso, o jogo entre Portugal e a Polónia foi noticiado pela generalidade da imprensa internacional, sendo ilustrada com as fotografias dos abraços felizes dos jogadores a festejar a vitória obtida no desempate por penalties, depois de um empate que durou 120 minutos. Naturalmente, a imprensa portuguesa também dedicou as suas manchetes ao futebol, mas enquanto a chamada imprensa desportiva se concentrou nos Ronaldos, nos Quaresmas, nos Pepes e nos Sanches, que não deixa de endeusar diariamente, a imprensa generalista atribuiu ao guarda-redes Rui Patrício o maior mérito pela vitória sobre os polacos, pois foi ele que, num memorável voo, adivinhou a direcção da bola e conseguiu defender o penalti marcado por um tal Kuba. A imprensa costuma ignorar o mérito dos guarda-redes mas o Jornal de Notícias, o Público e até o correio da manha, trouxeram Rui Patrício para as suas primeiras páginas.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Há um longo caminho à espera da Escócia

Confrontada com a votação britânica que decidiu pelo abandono da União Europeia, a primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon voou para Bruxelas para conversar com a Comissão Europeia, na linha da sua declaração de que “a Escócia vê o seu futuro como parte da União Europeia”. Esse encontro com a Comissão Europeia poderia ter sido reconfortante para a Escócia e para a União Europeia, ambas feridas no seu orgulho pelo resultado do referendo britânico, até porque os ânimos começam agora a serenar e as emoções estão mais contidas.
Porém, os espanhóis e os franceses trataram de se opor às pretensões escocesas para ser aceite na União Europeia, como hoje destaca a imprensa espanhola e, de forma especial, o jornal El Periódico de Barcelona. A União Europeia só aceitará a Escócia se antes houver um efectivo divórcio entre a Escócia e a Inglaterra, cujo casamento criou o Reino Unido em 1707. Significa que foram travados quaisquer precedentes que amanhã se pudessem colocar em relação à independência da Catalunha ou da Córsega ou de qualquer outra região desses países.
Assim, a saída para esta situação criada pela imbecilidade de David Cameron terá que ser encontrada dentro do Reino Unido, através dos mecanismos existentes, de entre os quais se destaca a eventual realização de um referendo semelhante ao que se realizou no dia 18 de Setembro de 2014, em que 44,7% dos escoceses votaram pela independência e 55,3% votaram pela permanência no Reino Unido. Os tempos e as circunstâncias mudaram, mas o facto é que a Escócia e Nicola Sturgeon têm um longo caminho pela frente.

terça-feira, 28 de junho de 2016

A Escócia reagiu e a luta já recomeçou

Pela voz de Nicola Sturgeon, a primeira-ministra da Escócia, foi afirmado que “o Reino Unido pelo qual os escoceses votaram para permanecer em 2014 já não existe”, o que parece ser uma declaração no sentido de se voltar a perguntar aos escoceses se querem ou não pertencer a este Reino Unido que decidiu abandonar a União Europeia.
O resultado do referendo de 23 de Junho deu 51,9% de votos a favor da separação e 48,1% de votos contra, mas na Escócia (62%) e na Irlanda do Norte (55,7%), a maioria votou a favor da permanência na União Europeia.
No dia seguinte ao referendo, Nicola Sturgeon afirmou que “a Escócia vê o seu futuro como parte da União Europeia” e declarou ao The National, o jornal independentista escocês que se publica em Glasgow: “Eu estou orgulhosa da Escócia e da forma como votou ontem. Nós provamos que somos um país moderno, voltado para o exterior e inclusivo. Dissemos claramente que não queremos sair da União Europeia. Eu estou determinada a fazer o que for necessário para concretizar estas aspirações”.
Nicola Sturgeon é membro do Partido Nacional Escocês e foi apoiante da independência da Escócia no referendo realizado em 18 de Setembro de 2014.e as suas declarações não deixam quaisquer dúvidas, ao afirmar que é "altamente provável" que se realize um novo referendo sobre a independência.
A união dos Reinos da Escócia e da Inglaterra existe desde 1707 mas agora corre sérios riscos de haver uma separação, provavelmente ainda mais complexa e traumática do que a separação da União Europeia. Entretanto, Nicola Sturgeon já pediu uma audiência a Jean-Claude Juncker...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Argentina perde e Leonel Messi retira-se

Terminou a Copa América Centenário 2016 e, no jogo da final, a equipa do Chile venceu a equipa da Argentina, depois de 120 minutos sem golos e com a discussão final a ser feita através de remates da marca de grande penalidade. Nessas condições, tudo pode acontecer e, nesta final, foi a Argentina que perdeu. O problema foi que essa derrota resultou de uma defesa do guarda-redes chileno e de um remate que nem acertou na baliza feito por Leonel Messi, o capitão da equipa e a grande estrela do futebol argentino e mundial.
A imprensa argentina, incluindo o diário Clarin que se publica em Buenos Aires, destaca hoje nas suas primeiras páginas a fotografia de Leonel Messi vergado pela derrota e pelo seu remate falhado, descrevendo a “maldição” que persegue a sua equipa de futebol que vive um jejum de 23 anos sem qualquer título internacional e que já acumula sete derrotas em sete finais mundiais ou americanas. O próprio Messi acaba por ser um símbolo desse jejum, pois tendo vencido cinco troféus da Bola de Ouro para o melhor jogador do mundo, já soma quatro finais e quatro derrotas na Copa América (2007 com o Brasil, 2015 e 2016 com o Chile) e no Campeonato do Mundo (2014 com a Alemanha).
Depois de 113 jogos pela selecção argentina e de ter marcado 55 golos com a camisola 10, Leonel Messi reagiu a mais esta derrota e declarou que “se terminó para mi la selección”, o que provocou uma onda de tristeza geral a juntar à frustación e à decepción da derrota. Por isso, vários jornais utilizaram a sua primeira página para suplicar a Leonel Messi: No te vayas. Certamente que Messi vai repensar a sua declaração e vai fazer o mesmo que  fez o agente internacional da Mota-Engil em Portugal, isto é, foi irrevogável durante meia dúzia de horas até lhe acenarem com uma cenoura qualquer.

O grande imbróglio espanhol

A Espanha é o único país com que temos fronteira terrestre e com ela partilhamos tanta coisa, desde a história à cultura, passando por muitas outras afinidades, por muitas interacções económicas e, naturalmente, por muitas rivalidades. A história fez da Espanha um dos maiores países da União Europeia, pelo seu peso económico e demográfico, mas também pela sua influência internacional e, por isso, tudo o que se passa em Espanha é muito importante para Portugal enquanto vizinho, mas também para a estabilidade europeia, sobretudo quando o recente resultado do referendo britânico trouxe demasiada incerteza ao futuro.
Havia por isso uma grande expectativa à volta das eleições que ontem se realizaram em Espanha, mas de facto elas não trouxeram nada de novo, isto é, o impasse que se verificara nas eleições de 20 de Dezembro de 2015, repetiu-se nas eleições de 26 de Junho de 2016. É certo que Mariano Rajoy e o Partido Popular saíram reforçados e que os partidos da esquerda perderam algum terreno como diz o El Pais, mas o facto é que é precisa muita imaginação para pensar que depois de muitos meses de negociações infrutíferas, os mesmos protagonistas façam agora alianças que permitam juntar os 175 deputados necessários para formar uma maioria de governo. É uma matemática muito complexa. Mariano Rajoy, Pedro Sanchez, Pablo Iglésias e Albert Rivera já devem estar fartos de si mesmos e dos outros, bem como das propostas e das acusações de cada um. O rei Filipe V também já deve estar cansado de tentar resolver este imbróglio e agora, que vê as férias estragadas, também deve estar num beco sem saída. Assim, será o galego Mariano Rajoy que continuará a governar, mas sem a força e a legitimidade que agora eram necessáriam para falar alto em Bruxelas.

domingo, 26 de junho de 2016

Que venha o futebol para animar o povo

O ambiente de euforia e de entusiasmo que tem sido criado de uma forma algo desproporcionada à volta do Europeu de Futebol que se está a realizar em França, teve ontem à noite um momento de grande espectáculo já depois das 22 horas. Jogava-se o jogo Portugal-Croácia dos oitavos de final. Era uma partida muito equilibrada, onde o receio pelo valor do adversário parecia ser a táctica de cada uma das equipas. Jogaram-se 90 minutos sem arte e sem golos. Houve necessidade de fazer um prolongamento de 30 minutos para tentar resolver a questão. Ao minuto 117º, quando já se esperava por uma decisão através dos pontapés de grande penalidade, numa jogada simples mas muito eficaz, a equipa portuguesa meteu um golo por intermédio de Ricardo Quaresma. Foi o delírio!
Em tempos de notícias desagradáveis como são a decisão britânica de abandonar a União Europeia ou a situação melindrosa da CGD, esta vitória futebolística serve para animar o povo que sofre e labuta e que, ainda por cima, vai pagar todas as poucas vergonhas feitas na CGD, tal como tem vindo a pagar tudo o que se evaporou no BPN, no BES e no Banif, enquanto os responsáveis continuam sem ser chamados a prestar contas pelas suas incompetências, leviandades e abusos. É natural, portanto, que toda a imprensa portuguesa celebre hoje a vitória sobre a Croácia e o golo de Quaresma. E, nestas coisas, também não há que iludir a minha própria realidade, isto é, uma coisa é a crítica aos excessos dos jornalistas e dos comentadores geralmente medíocres, outra coisa é a minha participação nesta alegria que o futebol ainda proporciona aos portugueses.
Entretanto, no mesmo dia, um português chamado Fernando Pimenta tornou-se campeão europeu de canoagem. Ninguém falou nisso...

sábado, 25 de junho de 2016

A paz chegou à Colômbia

No mesmo dia em que os britânicos votaram no referendo sobre a sua saída ou permanência na União Europeia, foi assinado em Havana um acordo de cessar-fogo bilateral e definitivo entre o governo da Colômbia e o comando das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a guerrilha que conduziu uma insurreição contra a autoridade do Estado colombiano durante mais de meio século. O acordo foi assinado pelo Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e por Timoleón Jiménez (ou Timochenko), o comandante das FARC, numa cerimónia a que estiveram presentes o secretário-geral das Nações Unidas, mas também quase todos os chefes de Estado da América Latina e representantes dos Estados Unidos e da União Europeia. Como anfitrião esteve Raúl de Castro, a simbolizar a nova imagem de Cuba e, para trás, ficaram 52 anos de guerra, mais de 260 mil mortos e desaparecidos e cerca de 6,6 milhões de refugiados dentro do seu próprio país.
O acordo resultou de quatro anos de negociações em Havana, sob a mediação de Cuba e da Noruega, havendo agora um período de 180 dias para implementar no terreno as cláusulas do acordo de paz. Segundo as notícias divulgadas, os colombianos festejaram este acordo em ambiente de enorme euforia e, na realidade, o caso não é para menos, tendo-se até esquecido que nesse mesmo dia a sua selecção nacional de futebol perdeu com o Chile por 2-0 e falhou o acesso à final da Copa América de 2016.
Porém, no meio da avalanche mundial de notícias dos últimos dias, esta grande notícia que foi o fim de 52 anos de guerra e o regresso da paz à Colômbia quase não teve divulgação fora do país.