segunda-feira, 5 de setembro de 2016

"Lisboa na Rua", para animar a cidade

Este ano e pela oitava vez, a EGEAC que é a empresa municipal que faz a gestão dos equipamentos e promove a animação cultural da cidade de Lisboa, está a promover a realização do Lisboa na Rua.
Trata-se de um festival que até ao dia 1 de Outubro permite assistir de forma livre e gratuita a uma grande diversidade de espectáculos populares e eruditos, muitos dos quais não costumam ser apresentados na rua.
Lisboa está, portanto, em festa. O festival decorre ao longo de cinco fins de semana em dezenas de espaços públicos da cidade e acolhe bandas de jazz de várias proveniências, o fado pelas vozes de Gisela João, Camané e Carlos do Carmo, além de grandes orquestras como a Orquestra Gulbenkian e a Orquestra Metropolitana de Lisboa e outros intervenientes.
O programa do festival Lisboa na Rua contempla iniciativas em zonas periféricas da cidade e não apenas no seu centro histórico, sendo uma oportunidade singular para animar a cidade e torná-la mais atraente para os residentes e para os visitantes. De facto, não é vulgar que numa qualquer cidade se tenha acesso gratuito a concertos de jazz, fado, música clássica e arte sonora, telas de cinema em locais improváveis, teatro, exposições, performances e passeios literários, animando as ruas, as praças e os jardins. O  meu aplauso.

sábado, 3 de setembro de 2016

A Índia celebra Madre Teresa de Calcutá

Amanhã o Vaticano vai canonizar a beata Madre Teresa de Calcutá e a grande Índia, que é um país maioritariamente hindu e onde a religião católica não terá sequer 2% de seguidores na sua população, não só teve sempre uma grande admiração por esta religiosa católica, como se mostra emocionada e orgulhosa com a sua santificação, o que é reflectido por toda a imprensa indiana. A capa da revista Outlook de Nova Delhi é apenas um exemplo da homenagem que a Índia está a prestar a Madre Teresa, que se naturalizou indiana e que a Índia tomou como um dos seus símbolos. O caso justifica a nossa admiração, até porque a Índia tem mostrado alguma intolerância religiosa relativamente a muçulmanos e católicos.
Nascida em 1910 numa família albanesa em Skopje na actual República da Macedónia, a jovem Agnes Gonxha Bojaxhiu entrou aos 18 anos na irlandesa Ordem das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto em Dublin, onde tomou o nome de Teresa. Em 1929 foi enviada depois para Calcutá e aí ensinou durante alguns anos numa escola para raparigas de famílias abastadas, antes de se entregar ao serviço dos mais pobres. No início de 1948, instalou-se num bairro de lata de Calcutá com essa determinação de ajuda, mas algumas das suas antigas alunas juntaram-se à sua antiga professora, tornando-se com ela nas primeiras Missionárias da Caridade.
De aspecto muito frágil e envolta num sari branco com três riscas azuis, Madre Teresa tornou-se num símbolo da ajuda aos “mais pobres dos pobres”, aos quais dedicou a vida, o que veio a ser reconhecido em 1979 com a atribuição do prémio Nobel da Paz.
Madre Teresa morreu em 1997 com 87 anos de idade, mas as suas Missionárias da Caridade tornaram-se um símbolo do apoio aos que sofrem com a miséria, a fome e a doença, sobretudo os leprosos e os moribundos. Hoje são cerca de cinco mil a intervir um pouco por todo o mundo. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A apreensão pela mudança no Brasil

A destituição de Dilma Roussef, a presidente eleita do Brasil, que no passado dia 31 de Agosto foi decretada por votação do Senado pode ter aberto uma caixa de pandora de imprevisíveis consequências para o país, até porque ocorre num período de grande recessão económica. O Brasil ficou mais dividido e, mais do que isso, ficou sob ameaça de ingovernabilidade e de confrontações nas ruas. Porque tudo o que se passa no Brasil nos interessa, voltamos ao assunto.
O Brasil é um país muito extenso, muito plural e de uma grande diversidade cultural, mas onde coexistem dois mundos distintos e com enormes diferenças observáveis nos graus de desenvolvimento dos diferentes estados, assim como nos desiguais rendimentos da população e na sua qualidade de vida, o que se torna evidente na brutal diferença entre a vida do “asfalto” das cidades e a pobreza e a violência das favelas.
De um lado têm estado o governo, o PT e Dilma Roussef e, do outro lado, uma parte importante do sistema judicial e a generalidade dos mass media. De um lado estão as classes de rendimentos mais altos das grandes cidades do sudeste e do sul do país e, do outro lado, estão os pobres e os remediados do nordeste e do norte. Esta simplificada apreciação parece poder confirmar-se através da divisão da própria imprensa brasileira que alinhou com as partes em confronto. Enquanto o Diário de S. Paulo destacou em primeira página o título “Viva a Democracia” e em sub-título “Congresso Nacional enterra governo Dilma, PT e Lula”, o jornal Correio do Brasil do Rio de Janeiro escolheu como título “Chega ao fim a democracia brasileira”. Deste lado do atlântico, ficamos sem saber se funcionou a Democracia ou se, pelo contrário, a Democracia foi asfixiada. Sabemos, contudo, que o voto de 61 senadores destituiu uma presidente eleita por mais de 54 milhões de brasileiros e que a esperança de milhões de cidadãos para saírem do seu ciclo de probreza sucumbiu perante esta acção democrática ou golpe parlamentar das oligarquias brasileiras.
O mundo ainda não compreendeu o que se passou em Brasília.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A enorme incerteza da política brasileira

Depois de cerca de nove meses durante os quais a presidente brasileira Dilma Roussef teve o seu mandato suspenso, o Senado votou ontem a favor da sua destituição com 61 votos a favor e 20 votos contrários. Dilma Roussef foi condenada e perdeu o seu mandato porque assinou três decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso e utilizou dinheiros da banca pública para financiar programas do governo. Tratou-se de manobras contabilísticas que nas democracias ocidentais ocorrem com frequência e que, embora estejam nas margens da ilegalidade, ninguém considera de índole criminosa.
Seguiu-se uma segunda votação destinada a decidir se Dilma Roussef perderia os seus direitos políticos e ficaria impedida de exercer cargos públicos, mas esta votação foi-lhe favorável. Houve 42 votos favoráveis à cassação desses direitos mas Dilma teve 36 votos a sua favor, tendo havido 3 abstenções.
Poucas horas depois, nos termos constitucionais, foi empossado Michel Temer, antigo vice-presidente de Dilma Roussef, apesar de estar impedido de ser eleito para cargos públicos durante oito anos por ter violado as leis eleitorais brasileiras e ter o seu nome envolvido em graves processos judiciais. Provavelmente, o mundo tremeu de espanto com a destituição da presidente eleita pelo voto popular, até porque entre os senadores que ontem empossaram Michel Temer em Brasília, há uma imensa maioria que enfrenta processos judiciais, sobretudo por corrupção, incluindo o próprio Temer que está envolvido no caso Lava Jato e no escândalo da Petrobras, assim como Eduardo Cunha que era o presidente da Câmara dos Deputados e que é considerado o mentor da destituição ou impeachment de Dilma Roussef que, curiosamente, é uma das poucas figuras políticas eleitas no Brasil sem ligações a qualquer caso de corrupção. Hoje o Correio Braziliense pergunta, acertadamente, o que virá após o impeachment. Depois do enorme sucesso dos Jogos Olímpicos, os senadores brasileiros deram um valente tiro no pé e puseram a incerteza na política brasileira e o nome do país nas páginas humorísticas da imprensa mundial. É pena, é mesmo muito triste ver o Brasil assim.

domingo, 28 de agosto de 2016

O meu aplauso à publicidade criativa

O Café Império fica localizado no número 205 da Avenida Almirante Reis e foi projectado por Cassiano Branco em 1947, embora só tivesse sido inaugurado em 1955. A partir de então, aquele moderno e amplo espaço amplo passou a “dar abrigo” às tertúlias de jovens estudantes lisboetas que ocupavam as suas pequenas mesas redondas a troco de uma bica consumida durante uma tarde inteira, embora nele se  adivinhasse a presença canalha dos informadores da Pide. O café fechava às duas e meia da madrugada e pela noite dentro servia os famosos bifes à Império que lhe trouxeram fama e que rivalizavam com os bifes da Portugália, cada qual com o seu apreciado molho e os seus adeptos.
Um dia o edifício foi adquirido pela IURD e o Café Império foi encerrado, havendo a intenção de o transformar num espaço de culto. Porém, houve contestação e a obra foi embargada pela Câmara Municipal. Nessas circunstâncias a IURD trespassou aquele espaço e daí surgiu a oportunidade de ressuscitar e remodelar o Café Império, que voltou a ser o atraente restaurante que tinha sido e a servir, entre outros pratos, os seus apreciados bifes.
Curiosamente os bifes à Império são objecto de uma publicidade muito criativa e que recorre às imagens da política portuguesa. Assim, há cerca de dois anos foi utilizado o slogan “Farto de coelho?”, numa alusão ao rapaz de Massamá que chefiava o governo, enquanto actualmente a promoção assenta no slogan “A coligação que agrada a todos”, isto é, o bife, o molho e o ovo.
O mínimo que se pode dizer é que a qualidade da mensagem publicitária está em sintonia com a qualidade da cozinha daquela casa de tão boas memórias!

O fim da guerra civil na Colômbia

A guerra civil da Colômbia terminou, segundo anunciou El Heraldo. Era, provavelmente, uma das mais antigas guerras do nosso planeta, que alguns consideravam ter sido iniciada em 1948 e outros em 1964. Durou muito tempo. Foi meio século de guerra fratricida em que morreram cerca de 220 mil pessoas e que fez mais de seis milhões de refugiados dentro das fronteiras colombianas. O acordo de paz foi assinado em Havana entre o governo colombiano de Juan Manuel Santos e as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, depois de quatro longos anos de negociações.
Este acordo é um marco importante na vida da Colômbia, mas ainda não resolve o problema. É apenas um primeiro passo, embora muito importante. Calcula-se que as FARC tenham um contingente armado de cerca de dez mil guerrilheiros que agora vão ser reintegrados, mas há muitas dúvidas quanto à possibilidade dessa reintegração, pois muitos deles são homens e mulheres que não conheceram outro cenário de vida para além da selva e da guerrilha, havendo também muitos que foram raptados e forçados a ser guerrilheiros. Porém, para além das FARC ainda há outros grupos armados a actuar na Colômbia, uns de esquerda e outros de direita, eventualmente ligados ao negócio da droga, o que pode vir a complicar o processo de paz.
Há que ter confiança. Depois de cessarem os combates e os raptos, há que sarar as  feridas. Os colombianos desejam o fim do sofrimento, da dor e da tragédia da guerra e, certamente, vão perdoar-se dos seus excessos. No próximo dia 2 de Outubro o povo da Colômbia vai votar num referendo para aceitar ou rejeitar o acordo de paz assinado entre o governo e as FARC. Só pode ser mais um reforço do processo de paz.

sábado, 27 de agosto de 2016

O estilo telenovela na política portuguesa

A jovem que desde Março dirige o CDS tem feito tudo para dar nas vistas e não se cansa de aparecer por toda a parte para falar, para opinar e para criticar. Fala por tudo e por nada. Precisa de notoriedade. Procura-a incansavelmente. É uma necessidade básica de quem não sabe quanto vale em termos eleitorais, mas que não deve andar longe dos 5%. É difícil sair desta irrelevante fasquia que só serve para ser muleta dos outros, até porque o povo tem memória e não esquece que Assunção Cristas também foi responsável pela brutal austeridade e pelo empobrecimento que foi imposto aos portugueses. Além disso, ela também quis ir além da troika e esteve sempre ao lado do irrevogável Portas a dar o dito por não dito. Sabendo que nem o seu passado partidário, nem o seu projecto político têm o apoio do eleitorado, a moça adoptou uma estratégia populista para dar nas vistas. Vai daí, vestiu um vestido curto estampado com kiwis e posou numa fotografia artístico-sexy, digna da capa de uma qualquer revista cor-de-rosa. Para quem aspira ao poder, era difícil fazer pior.
Um antigo deputado do seu partido de nome Raúl Almeida deve ter visto a fotografia e não se calou, tendo dito que “há um certo culto da personalidade e da frivolidade de uma presidente que está nas revistas cor-de-rosa quando o país está a arder“, acrescentando que o futuro do seu partido depende da forma como aquela jovem se comportar enquanto presidente do CDS e “não como uma atriz de telenovelas” e que “é muito importante que não confunda a rentrée com a silly season”.
O assunto só pode interessar aos tais 5% mas, de facto, é muito divertido verificar como o estilo telenovela entra na política portuguesa.

Em busca de um entendimento na Síria

A edição do diário libanês al-akhbar que se publica em Beirute, destaca na primeira página da sua edição de hoje uma fotografia em que John Kerry e Serguei Lavrov se cumprimentam. Aquela fotografia tem a virtude de, por si só,  nos dar esperança para que acabe a guerra na Síria, não sendo necessário ler árabe para ter mais explicações. Hoje ninguém tem dúvidas que a continuação ou o fim da guerra dependem da vontade e das armas dos Estados Unidos e da Rússia.
De facto, a reunião ontem realizada em Genebra entre o Secretário de Estado dos Estados Unidos e o Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa durou 12 horas e teve a crise síria como principal ponto da agenda. No final, em ambiente de grande cordialidade, os dois dirigentes anunciaram importantes progressos nas conversações, embora tivessem acentuado que ainda não houve acordo quanto ao fim das hostilidades, mas que vão ser procurados consensos nos próximos dias.
Numa declaração final, Kerry declarou estar satisfeito com os resultados do encontro e agradeceu a Serguei Lavrov pelo trabalho conjunto. Por sua vez, Lavrov informou que ambos concordaram em actuar junto das partes envolvidas no conflito, isto é, a Rússia junto do governo sírio e os Estados Unidos junto da oposição a Bashar al-Assad, no sentido de encontrar solução para o principal ponto de discórdia que continua a ser o futuro do presidente sírio: Moscovo – que apoia Damasco – defende que o país mergulharia no caos sem Bashar al-Assad, enquanto Washington é favorável ao afastamento do chefe de Estado, exigido pela oposição.
É caso para dizer “entendam-se”, mas depressa. Se necessário, vejam as catastróficas imagens da destruição de Aleppo e de tantas outras cidades sírias.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ronaldo é o nosso maior papa-prémios

A UEFA distingiu ontem o futebolista Cristiano Ronaldo com o prémio de Melhor Jogador da UEFA, isto é, como o melhor jogador da Europa em 2015/2016, superando o galês Gareth Bale, seu companheiro na equipa do Real Madrid, e o luso-descendente Antoine Griezmann que joga no Atlético de Madrid e na selecção francesa. Significa que, para a UEFA, os três melhores futebolistas europeus jogam em Madrid e, talvez por isso, o diário Marca enfatizou a entrega desse prémio e destacou Cristiano Ronaldo com uma fotografia de página inteira e o título: “és o Rei”.
Ronaldo tinha renovado em Janeiro o título de melhor jogador do Mundo por escolha da FIFA, mas na época de 2015/2016 conquistou a Liga dos Campeões e o Campeonato da Europa, isto é, os dois principais títulos europeus de clubes e de seleções, pelo que o prémio da UEFA era esperado. De resto, desde 2007 que Ronaldo acumula prémios internacionais, incluindo os de melhor jogador do mundo atribuido pela FIFA e de melhor jogador da Europa atribuido pela UEFA, mas também a Bota de Ouro que distingue o melhor marcador de golos na Europa. O seu museu no Funchal exibe esses troféus, mas parece que tem espaço para mais alguns.
Ronaldo é realmente um fenómeno papa-prémios e continua a ser o português que mais espaço ocupa na imprensa internacional.  

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A tragédia das catástrofes naturais

Enquanto os tanques turcos entram em território sírio e ficamos sem saber quais são os seus verdadeiros objectivos e qual a duração prevista dessa intervenção, aparentemente apoiada por americanos e russos, mais perto de nós a tragédia abateu-se sobre o centro da Itália, onde ocorreu um violento sismo com a magnitude de 6.2 na escala de Richter. Eram 03:36 horas e a população dormia, quando a terra tremeu durante 142 segundos e destruiu grande parte de Amatrice e Norcia, na região da Umbria. Sucederam-se dezenas de réplicas e muitas pessoas ficaram soterradas nos escombros, enquanto as equipas de resgate tiveram enormes dificuldades de acesso às zonas sinistradas.
O último balanço aponta para 247 mortos.
A imprensa internacional destacou esta tragédia com fotografias mostrando o desespero das pessoas e a enorme destruição que quase fez desaparecer algumas localidades. O título escolhido pelo diário la Repubblica é elucidativo da destruição causada pelo sismo: “como uma guerra”.  
Por se encontrar sobre uma zona sísmica, a Itália tem sido palco de muitas destas calamidades e este grave acontecimento vem mostrar que as catástrofes naturais podem acontecer em toda a parte, mesmo nos países mais desenvolvidos, onde supostamente existe toda a previsibilidade e protecção para estes casos. Por isso, não é preciso arranjar guerras de qualquer tipo, porque a Natureza se encarrega de espalhar a tragédia de vez em quando.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Nunca houve tantos turistas em Portugal

 
O turismo representa actualmente um dos sectores mais dinâmicos da economia portuguesa, tendo vindo a gerar receitas e a criar emprego desde há muitos anos. Este ano, todos os recordes estão a ser batidos e, desde Março que o país tem ultrapassado consecutivamente a fasquia dos mil milhões de euros de receitas todos os meses, o que nem no tempo do Euro 2004 tinha sido conseguido, nem tão pouco no tempo de Paulo Portas, quando esse impostor reivindicava em cartazes eleitorais que o boom turístico português era obra do seu governo. Lembram-se?
As circunstâncias internacionais, a meteorologia e o ambiente cultural desde há muito tempo que têm desviado os fluxos turísticos internacionais para o sul e para o ocidente da Europa, até pelo seu competitivo custo de vida. Porém, nos últimos anos, sobretudo depois das perturbações provocadas pela Primavera árabe e pelo terrorismo que tem ameaçado a Europa, esse movimento acentuou-se.
Hoje o jornal catalão elPeriódico anuncia em primeira página que o terrorismo mudou o mapa mundial do turismo e, de facto, essa é uma realidade que nem precisa de ser justificada com estatísticas. Muitos turistas temem ser vítimas do terrorismo e, só no primeiro semestre do corrente ano, a cidade de Paris perdeu um milhão de visitantes, o que tem representado uma importante perda para os sectores mais ligados ao turismo. Nesse quadro, o turismo favorece a Península Ibérica e, no caso português, podemos dizer que é uma festa. São mais de dez milhões de turistas que nos visitam anualmente. Há turistas por toda a parte: nas cidades e nos campos, nas estradas e nas praias, nos museus e nos restaurantes. É mesmo uma festa! A economia portuguesa agradece.

sábado, 20 de agosto de 2016

Rio 2016: um breve e antecipado balanço

Os Jogos Olímpicos terminam amanhã e o grande vencedor foi o Brasil porque apresentou uma organização que à distância pareceu impecável, calando todos os que, interna ou externamente, duvidavam das suas capacidades para os realizar. O cenário natural da cidade do Rio de Janeiro e da baía de Guanabara, o entusiasmo do público e a qualidade das transmissões televisivas passaram para o exterior uma imagem positiva que prestigia o Brasil e os brasileiros, acentuando o seu estatuto de potência emergente, apesar dos inúmeros problemas políticos e sociais com que se defronta e das facturas que vão aparecer para pagar todo o fabuloso espectáculo que têm sido os Jogos Olímpicos.
No plano desportivo o destaque foi para os Estados Unidos e, surpreendentemente, para a Grã-Bretanha que ganhou mais de seis dezenas de medalhas, mas também para os atletas de mais de oitenta países que conquistaram medalhas olímpicas, a demonstrar que o desporto e o discutível ideal olímpico do nosso tempo também entraram na era da globalização.
Portugal deixa o Rio de Janeiro apenas com uma medalha de bronze conquistada por Telma Monteiro, o que é muito pouco para as expectativas criadas e alimentadas por uma comunicação social irresponsável que, objectivamente, pressionou demasiado os atletas com a “exigência” de ganharem medalhas, o que lhes diminuiu a resistência psicológica necessária nestas circunstâncias. Desde 1912, em 24 participações olímpicas conseguimos apenas 24 medalhas e, por isso, os resultados no Rio de Janeiro até estão de acordo com a tradição portuguesa e com a média nacional de ganhar apenas uma medalha por Olimpíada. Porém, sabendo que os nossos atletas competiram com os melhores do mundo, temos que concluir que a sua prestação foi globalmente satisfatória, com várias classificações entre os dez melhores do mundo, designadamente na canoagem, no judo, no ciclismo, no futebol, no ténis de mesa, no hipismo, no atletismo, no triatlo e nas corridas de marcha. Podiam ter ganho medalhas e estiveram perto disso, mas ficaram-se pelos diplomas olímpicos. Soube a pouco, mas o facto é que os nossos atletas não nos envergonharam. Por isso, os 92 atletas que nos representaram no Rio de Janeiro em 16 modalidades merecem o nosso aplauso pelo seu esforço e dedicação, mas também o nosso incentivo para que continuem a lutar por melhores resultados no futuro.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A chocante crueldade da guerra na Síria

A fotografia de Omran Daqneesh, um menino de 5 anos de idade que reside na cidade síria de Aleppo, foi publicada nas primeiras páginas dos principais jornais mundiais e, por exemplo, o jornal escocês The National publicou-a a seis colunas. A fotografia mostra Omran atordoado e coberto de pó e de sangue, depois de ter sido ferido e recolhido numa ambulância, na sequência de um bombardeamento aéreo efectuado sobre a cidade de Aleppo e tornou-se um símbolo da crueldade da guerra que se trava desde 2011.
Tal como muitos milhares de crianças sírias, o menino Omran não sabe o que é a paz, pois nunca conheceu outra coisa que não fosse a guerra. Esse facto tem que ter o repúdio da Humanidade e justifica que sejam censurados com firmeza os países e os dirigentes que têm alimentado a guerra, sem ter encontrado soluções para acabar com ela.
No caso concreto da guerra na Síria a  destruição humana e material é catastrófica. Depois de mais de cinco anos de guerra deixou de haver protagonistas bons e protagonistas maus. São todos maus e as grandes potências serão certamente as principais responsáveis por terem incentivado a guerra e não terem conseguido pará-la. Na actual fase do conflito é cada vez mais difícil perceber quem combate quem e quem apoia quem. O que é evidente é que a crueldade da guerra é cada vez maior.
A figura de Omran Daqneesh vai ficar gravada na memória de quem a viu e bom seria que fosse vista pelos dirigentes de Damasco, Ancara, Moscovo, Nova Iorque, Pequim, Londres, Paris, Teerão e tantas mais capitais. Para que actuem rapidamente na procura da paz.

Política, negócios e gente sem vergonha

A presença de Paulo Portas no congresso do MPLA em Luanda como convidado especial de José Eduardo Santos é um caso de enorme gravidade na política portuguesa, pois revela a personalidade de um indivíduo que não olha a meios para atingir os seus fins. Embora tenha sido convidado a título pessoal, ninguém esquece que, até há pouco tempo, ele foi o presidente do CDS, um partido ideologicamente muito distante do MPLA, mas também foi vice-primeiro-ministro do governo português. Aliás, ele fala e comporta-se como se ainda ocupasse aqueles cargos, com uma arrogância que mete dó.
Esperava-se que a imprensa portuguesa reagisse e denunciasse esta grave situação em que um ex-político de topo usa o seu capital de experiência acumulado e a informação secreta e estratégica a que teve acesso para servir negociatas e interesses pessoais, mas lamentavelmente os jornais e os jornalistas ficaram calados, quem sabe se por deverem favores a Paulo Portas. A excepção foi o jornal i, que ontem informou sobre o caso e hoje entrevistou Manuel Monteiro, o antigo presidente do CDS.
Nessa entrevista Manuel Monteiro relacionou a aproximação do CDS ao MPLA como um “testemunho de um partido que se rendeu e vendeu aos interesses pessoais e de negócios de Paulo Portas” e acusou-o de ter “preparado o caminho” para se dedicar aos negócios com ligações a Angola. Segundo Manuel Monteiro, “Paulo Portas colocou o CDS ao serviço daquilo que lhe interessa, que é enriquecer”.
As figuras de Paulo Portas e do deputado Amaral, que a televisão mostrou e se prestaram a um triste papel de vulgares bajuladores no congresso do MPLA, envergonham a democracia portuguesa.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A intrigante cambalhota de Paulo Portas

O antigo director do semanário O Independente que ficou conhecido por quase todas as semanas acusar uma qualquer figura pública por corrupção ou por uso indevido de fundos públicos, fez da criação de escândalos políticos um modo de vida. Afirmou-se desde então como um indivíduo sem princípios e sem escrúpulos. Chama-se Paulo Portas e desde a adolescência que se meteu na Política e no Jornalismo, ao mesmo tempo que estudava Direito. No Jornalismo deu um bom contributo para a falência de todos os jornais em que colaborou e, na Política, como não lhe deram importância nenhuma no PSD, mudou-se para o CDS. Com muita demagogia e vários golpes políticos maquiavélicos chegou à liderança desse pequeno partido e acabou por ser ministro de Durão Barroso, de Santana Lopes e de Passos Coelho. Nesses cargos, parece que tratou mais de si próprio do que do interesse nacional.
Um dia demitiu-se e afirmou-se irrevogável na sua decisão, mas deu o dito por não dito quando lhe acenaram com mais mordomias. A sua vaidade cresceu então exponencialmente com o pomposo cargo de vice-primeiro ministro. Fartou-se de viajar à custa do erário público e não era preciso ser muito perspicaz para perceber que procurava emprego numa grande organização internacional. Pensou na NATO mas era demasiado pequeno. Em alternativa atirou-se ao dinheiro como gato a bofe, porque se habituou a viver à grande e à francesa e a mina da Universidade Moderna já lhe dera o que tinha a dar, incluindo o famoso Jaguar em que se passeava por Lisboa.
Portas é um indivíduo muito duvidoso e para ele vale tudo para atingir os seus fins. Tal como no tempo de O Independente, é um indivíduo sem princípios e sem escrúpulos. Assinou contrato com a TVI para seu comentador semanal e, logo a seguir, ingressou nos quadros da Mota-Engil como conselheiro estratégico. Depois, na continuação das suas viagens oficiais ao México e da comenda que nesse país recebeu, foi agora contratado como conselheiro da Pemex, a maior empresa mexicana. Porém, a nova e intrigante cambalhota de Portas tem contornos de escândalo como revela hoje o jornal i, pela sua duvidosa ligação ao MPLA, a denunciar uma promíscua relação entre a política e os negócios e, talvez, a evidenciar que Portas utilizou os seus cargos públicos para desenvolver uma teia de relações em seu benefício pessoal. Portas quer enriquecer e, para isso, vale tudo.