domingo, 1 de julho de 2018

Portugal nos XVIII Jogos do Mediterrâneo

Os Jogos do Mediterrâneo que, de quatro em quatro anos, se realizam desde 1951 e nos quais participam, através dos respectivos comités olímpicos, os países da orla do Mediterrâneo, terminam hoje em Tarragona. Era previsto que esta 18ª edição se realizasse em 2017, mas devido à instabilidade política e social que afectou a Catalunha no ano passado, os XVIII Jogos do Medioterrâneo foram adiados para o ano de 2018.
Participaram cerca de 4 mil atletas de 26 países mediterrânicos e, pela primeira vez, Portugal foi convidado para participar, tendo-se apresentado na cidade catalã com uma comitiva de 232 atletas para competir em 29 modalidades. Neste ano de estreia, a delegação portuguesa conquistou 24 medalhas, sendo três de ouro, oito de prata e treze de bronze, tendo as medalhas de ouro sido conquistadas no triatlo masculino e feminino e na hipismo por equipas.  As restantes medalhas de prata e de bronze foram conquistadas nas modalidades de tiro, natação, canoagem, ciclismo, atletismo, judo, taekwondo, ténis de mesa e basquetebol feminino. O número de medalhas conquistadas colocou Portugal no 13º lugar no ranking do medalheiro onde se encontram a Itália (155), a Espanha (120), a França (99),  a Turquia (95), o Egipto e a Grécia (45), a Eslovénia (36) e a Sérvia (31). Porém, ser o 13º numa lista de 26 países não é mau nem bom, antes pelo contrário...
Os meios de comunicação portugueses quase ignoraram este acontecimento desportivo, limitando-se a uns brevíssimos apontamentos com classificações, pois andavam demasiado ocupados com o futebol. Alguns atletas portugueses que competiram em Tarragona fizeram oportunas declarações a lamentar o desinteresse da comunicação social portuguesa por estes Jogos e pelas chamadas modalidades amadoras, mas também pelo seu enfeudamento à indústria do futebol. E têm toda a razão!
Os XIX Jogos do Mediterrâneo disputam-se em 2021 na cidade argelina de Oran e só há que esperar que os resultados possam ser ainda melhores do que aqueles que se verificaram em Tarragona.

Sim. Portugal perdeu mas a vida continua

A selecção nacional de futebol jogou ontem os oitavos de final do Campeonato do Mundo e perdeu por 2-1 com a equipa do Uruguai. Os jogadores bateram-se bem, mas o adversário meteu mais golos e ganhou. A imprensa portuguesa destaca hoje “o sonho desfeito”, enquanto as televisões que tanto contribuiram para um histerismo indescritível em torno da participação portuguesa, terão agora que arranjar outros temas para ocupar os seus tempos. Os incontáveis jornalistas e comentadores televisivos que tanto nos massacraram já poderão regressar destas férias na Rússia e descansar depois destas longas jornadas em que se repetiram muitas mil vezes e em que me cansaram.
Sobre a participação portuguesa, que em maior ou menor grau entusiasmou os portugueses, há que afirmar que foi digna e que só não foi mais além porque os adversários também sabem jogar futebol e terão pensado melhor na maneira de abordar o jogo. Ficamos pelos oitavos de final, mas a Holanda e a Itália nem sequer lá estiveram, enquanto a Alemanha nem aos oitavos de final chegou e a Argentina também abandonou ontem a competição depois de ter sido derrotada pela França. Portanto, não há motivos para desconsolos nem frustrações. Nem todos podem ganhar, nem sempre podem ganhar. Perdemos, mas a vida continua. Havemos de ganhar numa próxima vez. Por morrer uma andorinha não acaba a Primavera!
Muitos jornais internacionais parece que combinaram e destacam nas suas primeiras páginas as fotografias de Ronaldo e Messi, cujas equipas foram ontem eliminadas. Um desses jornais é o El País, mas as fotografias daqueles ídolos aparecem em muitos outros jornais: é o adiós a las estrellas ou a saída de cena dos melhores do mundo.

sábado, 30 de junho de 2018

Vitorino: mais um português em destaque

Os 169 Estados-membros da Organização Internacional das Migrações (OIM), criada em 1951 para encontrar soluções para o problema das migrações, elegeram ontem António Vitorino para o cargo de director-geral daquele organismo que integra a estrutura multilateral da ONU. A candidatura foi formalizada pelo governo português em Dezembro do ano passado e António Vitorino foi eleito depois de eliminar na quarta ronda de votação a candidata costa-riquenha Laura Thompson, a actual vice-directora geral da OIM. Vitorino veio a ser eleito na quinta ronda de votação, à qual compareceu sozinho, tendo sido em todas as rondas o candidato mais votado, enquando o polémico candidato americano Ken Isaacs que fora escolhido por Trump, ficou sempre em último lugar.
A eleição foi muito festejada em Portugal porque se trata de mais um português a ocupar um alto importante da cena internacional para o qual foi eleito por aclamação, tal como acontecera com António Guterres e com Mário Centeno. Estas eleições para altos cargos internacionais evocam-nos outros portugueses que, podendo ter sido candidatos a altos cargos internacionais, escolheram a porta pequena e trabalham como lobistas, por exemplo na Goldman Sachs, ou como funcionários de uma qualquer organização ou, ainda, como facilitadores de negócios.
Não conheço, nem tenho qualquer simpatia pessoal por António Vitorino, mas reconheço que a sua eleição resulta do reconhecimento dos seus méritos e da campanha institucional que foi conduzida a seu favor pelo governo. Porém, a imprensa portuguesa vai de mal a pior e apenas dois jornais referiram numa pequeníssima notícia de primeira página a eleição de Vitorino. Então a sua eleição não é uma grande notícia? Não merecia ao menos uma fotografia na primeira página? Que pobreza de imprensa!

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Joana Vasconcelos no Guggenheim Bilbao

Abre hoje ao público no Museu Guggenheim Bilbao e estará patente até ao dia 11 de Novembro, a exposição “I’m your mirror”, apresentada pela artista plástica Joana Vasconcelos. É a primeira vez que um artista português se apresenta individualmente no mais moderno museu da península Ibérica e esse facto tem um importante significado cultural, em termos de projecção da imagem de Portugal no mundo.
A exposição inclui uma selecção de trinta obras da mais internacional dos artistas portugueses da sua geração, realizadas entre 1997 e a actualidade, entre as quais 14 obras inéditas, como sucede com a instalação de grande dimensão “Egeria”, concebida especificamente para ficar suspensa no átrio do museu concebido pelo arquiteto norte-americano Frank Gehry.
A exposição é uma antologia do trabalho que tem sido desenvolvido por Joana Vasconcelos e que já conquistou o reconhecimento internacional da crítica, designadamente em Versalhes e Veneza, exibindo algumas das obras emblemáticas dos primeiros anos da sua carreira como “Cama Valium” (1998), “Burka” (2002) e “A Noiva” (2001-2005), bem como alguns trabalhos mais recentes como “Marilyn” (2009-2011), “Lilicoptère” (2012), “A Todo o Vapor” (2012) e “Call Center” (2014-2016).
Não é fácil uma deslocação a Bilbau para ver esta importante exposição, mas já está anunciado que a mesma será apresentada a partir de Janeiro no Museu de Serralves.
E aqui está como a projecção da imagem de Portugal no mundo se faz através de um mix em que aparecem Cristiano Ronaldo, António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa, mas onde também entram Joana Vasconcelos e outros portugueses reconhecidos internacionalmente pelos seus méritos na arte, na música, na ciência, na literatura ou no desporto.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

A visita oficial que MRS fez ao Donald

Ontem, dia 27 de Junho de 2018, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido na Casa Branca em Washington pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, tendo os dois presidentes mantido uma reunião a sós na Sala Oval durante cerca de 25 minutos, a que se seguiu uma reunião alargada às respectivas equipas de diplomatas e assessores.
Não havia quaisquer assuntos importantes na agenda entre os dois países e MRS nem sequer podia falar em nome da União Europeia. Por isso, foi um encontrosinho para a fotografia, em que  para além das declarações de circunstância, sempre amistosas e elogiosas, os dois presidentes falaram de banalidades diversas, embora o encontro também tenha servido para lembrar ao Donald que Portugal existe e que, como salientou MRS, foi "o primeiro país neutral a reconhecer a independência dos Estados Unidos da América, apesar de ter a Inglaterra como o mais antigo aliado". Como convém, nestes casos, houve uma declaração final em que MRS disse que"não houve nada, mas verdadeiramente nada de relevante naquilo que era convergente ou divergente que não tivesse sido tratado". E ficamos mais descansados.
Tanto quanto sabemos, nas múltiplas viagens presidenciais de MRS desapareceram as extensas comitivas de que os anteriores presidentes tanto gostavam. Anteriormente, eram empresários, banqueiros ou agentes culturais, quase sempre os mesmos, que enchiam os aviões e os hotéis nas viagens presidenciais, com a conta a ser paga pela Presidência da República. Nesse aspecto, MRS inovou e acabou com essa dispendiosa fantasia das comitivas presidenciais. Quanto ao resto, nada mas mesmo nada se pode esperar deste encontro entre MRS e o Donald para além de uma fotografia, que aliás a imprensa portuguesa não deixou de divulgar, embora o Diário de Notícias tenha lamentavelmente sobreposto à dita fotografia uma não-notícia especulativa. Em síntese, é muito útil e animador que possamos exibir pelo mundo um presidente moderno, culto e cosmopolita como é MRS, mesmo que seja só para ser fotografado.

O êxito de Salvador Sobral em Málaga

Salvador Sobral, o músico português que ganhou o Festival da Eurovisão em 2017, iniciou uma tournée por Espanha e actuou ontem no Teatro Cervantes de Málaga. O seu concerto foi um êxito que o jornal Málaga hoy destacou hoje com uma fotografia de primeira página a seis colunas.
Seis meses depois de um transplante cardíaco que se realizou em Lisboa no Hospital de Santa Cruz, o músico português retomou a sua vida normal, embora tenha passado de um quase anonimato artístico para um pedestal de fama. Comunicador, poliglota e com um discurso inteligente e bem humorado, Salvador Sobral foi solicitado para dar entrevistas em que, com humor, recordou uma sua apresentação em Málaga há três anos:
“Toquei em Málaga com mais músicos que público. Éramos um quarteto e havia três pessoas a ouvir-nos. Superdeprimente. Mas voltarei a tocar em bares quando tudo isto (a fama), que é efémera, acabar”.
Uma outra ideia que se destaca nas suas entrevistas é a sua referência à musica dos festivais da canção:
“Foi uma ingenuidade da minha parte pensar que podia mudar alguma coisa. Ganhei a Eurovisão porque era diferente e o que é diferente ganha sempre. Um ano ganhou uma mulher com barba, no outro ano ganhou uma fulana que emite sons de galinha e no outro ano ganhei eu com uma canção bonita”.
O triunfo no Festival da Eurovisão de 2017 projectou-o e permite-lhe ter inúmeros concertos agendados para os próximos tempos em Espanha, Suiça, Alemanha e, naturalmente, Portugal. Ainda bem. Ele mostra-se realista e parece não se deslumbrar com o que lhe está a acontecer. Ele é um homem muito inteligente, de muito valor e de muita coragem, que até sabe que a fama é coisa efémera. O seu êxito não pode deixar de nos emocionar. Parabéns, Salvador Sobral.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

A Europa face à sua própria implosão

O jornal belga Le Soir destaca na sua edição de hoje a situação de fragilidade em que vive a União Europeia, afirmando que está em crise e que, pela primeira vez na sua história, a sua principal ameaça não é externa. O jornal escolheu o sugestivo título “L’Europe contemple son implosion”, porque entende que existe um verdadeiro risco de implosão cada vez mais anunciado, porque é demasiado complexo manter a coesão de 28 estados-membros, com 28 culturas políticas e com 28 interesses conflituantes. Não se trata apenas do Brexit ou da “ditadura orçamental” de Bruxelas, da crise migratória ou das velhas questões da repartição de fundos estruturais. O novo problema da União Europeia são as chamadas democracias iliberais que governam a Hungria de Viktor Orbán e a Polónia de Jaroslaw Kaczynski e que se estão a confrontar com as democracias liberais.
O conceito de iliberismo ou democracia iliberal tem sido utilizado para classificar os regimes ou personalidades democraticamente eleitos ou até reeleitos, mas que ignoram os limites dos seus poderes e não aceitam as regras da democracia liberal de tipo ocidental, actuando segundo a sua própria vontade e privando os cidadãos dos direitos e liberdades fundamentais. Apontam-se os casos de Singapura, China, Índia, Turquia e Rússia que, por vezes, são considerados uma ante-câmara de ditaduras. São casos de algum sucesso económico, mas também são casos de grande nacionalismo e de algum extremismo que perturbam as relações internacionais. Por isso, a Hungria e a Polónia e, mais recentemente a Áustria, começam a ser uma perturbante ameaça para a União Europeia e para o seu projecto de progresso e de solidariedade.

terça-feira, 26 de junho de 2018

A popularidade do futebol é planetária

O Campeonato do Mundo de Futebol é o grande acontecimento do momento e os grandes jornais internacionais, inclusive nos países que estão ausentes dos estádios russos, dão ao tema grandes espaços que parecem ensombrar quaisquer outros assuntos. As primeiras páginas desses jornais são por vezes ilustradas com as fotografias mais expressivas da competição ou dos mais famosos artistas da bola, mesmo quando as suas prestações ficam aquém do esperado.
Depois do Wall Street Journal ter destacado Cristiano Ronaldo na sua primeira página, hoje foi a Folha de S. Paulo que dedicou uma espécie de tríptico fotográfico a Cristiano Ronaldo, apesar dele ter falhado um penalti contra o Irão e de ter sido admoestado com um cartão amarelo nesse mesmo jogo, facto que deixou um tal Queirós muito furioso porque, segundo ele, uma cotovelada daquelas tinha que levar um cartão vermelho. Mesmo quando cai e não marca golos, a popularidade de Cristiano Ronaldo é muito grande, mesmo no Brasil onde pontificam os ídolos Neymar da Silva e Phillipe Coutinho.
Porém, não se julgue que Cristiano Ronaldo é o único artista a ocupar algumas primeiras páginas de jornais internacionais, pois Moahamed Salah já apareceu na capa do The New York Times e Harry Kane apareceu na capa de muitos jornais ingleses. Já os grandes artistas argentinos e brasileiros, tal como as suas equipas, ainda não desiludiram mas têm estado próximo disso, pelo que até agora têm sido um pouco ignorados. Porém, o campeonato ainda está na sua fase preliminar e a imprensa mundial não vai deixar de aproveitar as fotografias dos melhores artistas para alimentar o entusiasmo dos seus leitores.

Viva o VAR (video assistant referre)...

O Campeonato do Mundo de Futebol teve ontem dois importantes jogos, um em que a equipa portuguesa defrontou o Irão e outro em que a selecção espanhola jogou com a equipa de Marrocos. Os jogos disputaram-se em simultâneo e a cada uma das equipas ibéricas bastava um empate para passarem à fase seguinte da competição. Porém, quando terminou o tempo regulamentar Portugal vencia o Irão e a Espanha perdia com Marrocos, o que significava que Portugal estava em vias de ganhar o seu grupo de apuramento. Até que surgiu o minuto 91, que o jornal as classificou como “digno de Hitchcock”. Foi então que os espanhóis meteram um golo duvidoso que o VAR decidiu validar e que fez com que a eminente derrota se transformasse num empate. Ao mesmo tempo, um lance duvidoso na área portuguesa suscitou dúvidas e o VAR decidiu que era penalti contra Portugal que, depois de transformado, fez com que a eminente vitória se transformasse num empate. Com esta reviravolta, os espanhóis ganharam o grupo e os portugueses ficaram em 2º lugar, mas ambos foram apurados para os oitavos de final em que vão defrontar a Rússia e o Uruguai. A imprensa espanhola desfez-se em elogios ao VAR... Foi realmente um minuto digno de Hitchcock.
A prestação portuguesa tem sido insatisfatória. Ontem, mais uma vez, os jogadores estiveram abaixo do que se desejava, embora tivessem sofrido com o calor e, sobretudo, com a agressividade dos seus adversários iranianos que, instruídos por um seleccionador português, tudo fizeram para os provocar. Queirós queria ganhar. Era legítimo, porque estava muito dinheiro a caminho dos seus bolsos, mas perdeu a compostura e o fair-play. Muito fez ele, ou mandou fazer, para que Ronaldo fosse expulso. E quase conseguiu...

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O triste destino de uma vulgar figura

Durante muitas semanas fomos sufocados com uma corrente desproporcionada de notícias a respeito de uma vulgar figura que, através de um respeitável e centenário clube de futebol, tem conseguido monopolizar a informação em Portugal.
Essa vulgar figura chama-se Bruno de Carvalho e chegou a presidente do Sporting Clube de Portugal sem ter um passado profissional que o certificasse para aquele cargo. Aproveitou-se da notoriedade da instituição e sonhou ser um presidente-adepto, tomando atitudes e fazendo declarações polémicas e, por vezes, muito insultuosas. Ameaçou. Manipulou. Os media aproveitaram esta janela de oportunidade de sensacionalismo e deram-lhe espaço e tempo. Promoveram-no e a vulgar figura deslumbrou-se. A sua auto-estima inchou. Imaginou-se no centro do mundo e passou a encenar o seu comportamento e as suas declarações. Muitos viraram-lhe as costas e não tiveram paciência para o aturar. Os jogadores já não o suportavam e foram-se embora. Não há memória em Portugal de um caso de demagogia e populismo como este.
No passado sábado, numa assembleia geral em que votaram 14.735 sócios e que foi uma das mais concorridas da história do clube, uma maioria de 71,36% dos votos decidiu destituir a vulgar figura que, amuado e triste, escreveu poucas horas depois que já não era sportinguista. Milhões de portugueses ficaram aliviados por imaginarem que esta vulgar figura desaparecia dos écrans televisivos e da capa dos jornais, o que de resto o jornal O Jogo bem descreveu com a frase “Chega de Bruno”.
Porém, poucas horas depois, a vulgar figura deu o dito por não dito e afirmou que se vai recandidatar. Será que teremos de o continuar a ouvir? Como alguém escreveu, este homem sofre de problemas psicológicos e precisa de urgente ajuda médica. Chega de Bruno!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

A Gare do Oriente e a nova arquitectura

A Gare do Oriente ou Estação Ferroviária de Lisboa – Oriente é uma importante infraestrutura projectada pelo famoso arquitecto espanhol Santiago Calatrava, que foi concluida em 1998 por ocasião da Expo98 e que se afirmou de imediato como um dos mais expressivos exemplos de arquitectura contemporânea da cidade de Lisboa.
Depois, o bom gosto e a nova arquitectura parece terem assentado arraiais e as ideias amadureceram, começando a surgir obras de grande qualidade estética, sobretudo na chamada frente ribeirinha de Lisboa, por vezes associadas a renovações e transformações do tecido urbano, como aconteceu na Ribeira das Naus, no Cais do Sodré e no Campo das Cebolas. Como exemplos dessa nova atitude surgiram o Centro Champalimaud (Charles Corrêa, 2011), o Museu Nacional dos Coches (Paulo Mendes da Rocha, 2015), a nova sede da EDP (Aires Mateus, 2015), o MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (Amanda Levete, 2016) e o Terminal de Cruzeiros de Lisboa (João Carrilho da Graça, 2017).
Embora se enquadrasse no espírito renovador associado à Expo98 e às várias obras então projectadas e construídas, a Gare do Oriente de Santiago Calatrava foi precursora de uma nova atitude quanto à modernização da cidade através da arquitectura. E tem resultado. E Lisboa está melhor. Por isso, aqui deixo uma singela fotografia de um detalhe do tecto da Gare do Oriente, que diariamente avisto da minha janela.

Uma nova ordem social na Arábia Saudita

A partir do próximo domingo, dia 24 de Junho, as mulheres sauditas já poderão conduzir os seus automóveis nas estradas da Arábia Saudita e esse será o aspecto mais visível de uma nova política social iniciada por Muhammad bin Salman, o poderoso príncipe herdeiro saudita de 32 anos de idade. N asua mais recente edição, a revista The Economist dedica uma extensa reportagem a esta “revolução social saudita”.
Os cinemas de Riyadh abriram as suas portas e os homens já podem sentar-se ao lado das mulheres, pode ouvir-se música nas ruas e as mulheres já frequentam os parques de diversão onde conduzem carros eléctricos. O Comité para a Prevenção do Vício e a Promoção da Virtude, perdeu o poder de impor a moralidade pública, embora muitos religiosos islâmicos prevejam o aumento da imoralidade e condenem esta medida liberalizadora com argumentos retrógrados como por exemplo o de que “as mulheres só têm meio cérebro” ou que “a condução afecta os seus ovários”.
Há uma nova geração rica e cosmopolita em torno do jovem príncipe herdeiro saudita que quer a liberalização social e a transformação da sociedade, acabando com os códigos islâmicos ultra-rigorosos, ao mesmo tempo que ambiciona a diversificação da sua economia que é demasiado dependente do petróleo.  
Os hábitos islâmicos moderados dos seus vizinhos do Abu Dhabi, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar são uma fonte inspiradora para os sauditas, porque não faz sentido poder ir livremente ao cinema no Dubai e não poder ver cinema na Arábia Saudita, por aí ser contra a vontade de um Deus que é exactamente o mesmo.
Nesta liberalização saudita há um pormenor muito curioso, porque a promoção do islamismo moderado está a aproximar a Arábia Saudita de Israel, o que está a fazê-los passar de inimigos a aliados, o que até parece um paradoxo mas que resulta do medo comum que naquela região todos têm do Irão.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O crescente isolacionismo do Donald

Os Estados Unidos anunciaram que vão abandonar o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDH) porque, segundo declarou Nikki Haley, a Representante Permanente dos Estados Unidos junto das Nações Unidas, consideram essa organização "hipócrita e egoísta". Esta decisão de Donald Trump, que a diplomata de origem indiana anunciou, também resulta do facto da actual administração americana não gostar de ver a China, Cuba e a Venezuela na CDH, porquanto considera esses países violadores dos Direitos Humanos, mas também porque não aceita a forma como é atacado o Estado de Israel e é tratada a questão dos "direitos do Homem na Palestina”.
Esta decisão do Donald segue-se a um número já considerável de decisões polémicas que tomou no plano internacional, que incluem a saída da Unesco, o fim do financiamento a vários órgãos das Nações Unidas, o acordo transpacífico de comérco livre, os acordos de Paris sobre as alterações climáticas ou o acordo nuclear sobre o Irão apoiado pelas Nações Unidas.
Acentua-se, portanto, a política unilateralista e isolacionista da administração Trump ou, o mesmo é dizer, do especial modo como o Donald faz política internacional. Hoje o jornal Le Monde destaca mais este passo no caminho do isolacionismo americano e da sua confrontação com meio mundo, apesar do sinal contraditório que foi a recente Cimeira de Singapura. A fotografia de Merkel e de Macron, que ilustra a primeira página do jornal, bem pode traduzir a crescente preocupação europeia por esta caminhada sem rumo do Donald.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Os melhores restaurantes do mundo?

Ontem no Euskalduna Jauregia Bilbao, o grande centro de congressos da cidade basca, a organização The World’s 50 Best Restaurants (W50BR) anunciou os nomes dos 50 melhores restaurantes do mundo de 2018 e o primeiro lugar foi atribuido à Osteria Francescana de Modena, seguindo-se o Celler de Can Roca (Girona, Espanha), o Mirazur (Menton, França), o Eleven Madison Park (Nova Iorque) e o Gaggan (Banguecoque). A lista dos dez melhores restaurantes do mundo é completada com dois restaurantes peruanos, um francês e dois espanhóis.
A lista dos 50 melhores restaurantes relativa a 2018 inclui 7 restaurantes espanhóis, 6 restaurantes americanos, 5 restaurantes franceses e 5 restaurantes ingleses, mas dela constam restaurantes de 22 países. Porém nenhum restaurante português está incluido nessa lista, embora o Restaurante Belcanto se encontre na 78ª posição na lista em vigor até ontem.
O jornal El Correo deu um grande destaque a este evento realizado em Bilbau, no qual são destacados e promovidos alguns artistas-cozinheiros ou cozinheiros-artistas, que se auto-definem como chefs. Pelo que leio e pelas fotografias que vejo, os cozinhados esta gente nada têm que ver com a gastronomia de antigamente, que era bem temperada, saborosa e com substância, pois muitas vezes esta nouvelle cuisine não passa de um amontoado de coisas banais apresentadas com grande sofisticação ou até com uma estética imaculada, mas que frequentemente não passam de um desafio ao bom senso e um atentado à boa gastronomia, inclusive no preço obsceno que praticam para satisfazer certas vaidades. Serão estes os melhores restaurantes do mundo? Duvido e, por isso, posso afirmar que estes restaurantes nunca farão parte da minha lista de preferências, mesmo que me saísse um valente prémio na Lotaria Nacional.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Unesco vai classificar o Farol de Cordouan

O jornal Sud Ouest é publicado diariamente em Bordéus e é um dos maiores jornais regionais franceses, com uma circulação da ordem dos 300 mil exemplares diários. Na sua edição de hoje o jornal noticia a realização de uma grande festa nas imediações do farol de Cordouan para apoio da sua candidatura a património mundial da Unesco e associa-se a essa campanha com a divulgação da história do farol, com muitas imagens e com informações sobre o processo em vias de decisão.
O farol de Cordouan fica situado sobre uma pequena ilha rochosa à entrada do estuário do rio Gironda, a cerca de 3 milhas da costa, tendo servido desde tempos muito recuados para assinalar a entrada da barra às embarcações que iam carregar vinho na região de Bordéus. Porém, só em 1611 foi construida uma estrutura com as características de um farol. Essa estrutura foi melhorada ao longo dos anos e o alumiamento do farol foi modernizado, mas só entre 1786 e 1790, quando a torre foi acrescentada de 20 metros, é que o farol tomou a sua forma actual com 68 metros de altura.
É uma estrutura monumental de grande harmonia arquitectónica, com vários pisos onde se situam alojamentos, capela e, no topo, o sistema de alumiamento que só em 1950 passou a ser eléctrico. O farol recebeu o estatuto de monumento histórico em 1862 e agora quer ser reconhecido pela Unesco e ter o estatuto de Património da Humanidade. É de facto um farol único no mundo, que os franceses gostam de designar como o “farol dos reis, rei dos faróis” ou o “Versailles do mar”. É uma das atracções turísticas do sudoeste francês e recebe cerca de 20 mil visitantes por ano que pagam 11 euros pela visita, mas que não inclui o transporte por mar até ao farol. Porém, dizem os que já lá foram, que valeu a pena.