segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Partiu a Vendée Globe – a grande regata

Partiu ontem do porto de Les Sables-d’Olonne, na costa atlântica francesa, mais uma edição da famosa regata Vendée Globe em que os participantes fazem a circum-navegação do planeta em monocascos com um comprimento máximo de 18,30 metros, em solitário, sem escala e sem assistência, passando obrigatoriamente pelos três cabos de referência do hemisfério sul – cabo da Boa Esperança, cabo Leeuwin e cabo Horn. 
A regata disputa-se de quatro em quatro anos desde 1989 e até agora foi completada por menos de cem navegadores, o que mostra a sua extrema dureza e faz dela a mais perigosa a regata do mundo. É um desafio único no panorama do desporto náutico. Ontem partiram de Les Sables-d’Olonne os 33 participantes, dos quais 18 estreantes e seis mulheres, sendo de nove diferentes nacionalidades, mas dos quais 23 são franceses! Espera-se que sejam percorridas 21.638 milhas e a chegada está prevista para Janeiro de 2021, havendo fortes espectativas de que o actual record de 74 dias, 3 horas, 35 minutos e 46 segundos, que foi conseguido na última edição da prova pelo navegador francês Armel Le Cléac’h, possa ser batido. 
O favorito para a corrida em curso chama-se Alex Thomson e é britânico, tendo sido o segundo classificado na última edição da prova, mas esta é a sua quinta participação na Vendée GlobeOs jornais da Bretanha e em especial Le Télégramme destacaram a largada dos 33 navegadores para a mais perigosa regata do mundo.

Joe Biden e o renascimento da América

Confirma-se a vitória de Joe Biden nas eleições americanas e o mundo parece estar a respirar de alívio, ao mesmo tempo que se sucedem as mensagens de felicitações de Angela Merkel, de Boris Johnson, de Emmanuel Macron, de Ursula von der Leyden, de Justin Trudeau, mas também de Bill Clinton, Barack Obama e até de George W. Bush. Enquanto Joe Biden e a sua vice-presidente Kamala Harris anunciam o propósito de unir a América e sarar as feridas divisionistas criadas pela administração que agora foi derrotada, verificamos que Donald Trump continua barricado na sua teimosia e a reclamar uma fraude eleitoral sem que dela haja evidências, procurando desacreditar um sistema de que ele próprio é o primeiro responsável, enquanto presidente e garante dos princípios constitucionais. Aparentemente o Donald está a ficar cada dia mais isolado, sem o apoio da sua própria família, mas também sem o apoio de uma boa parte do Partido Republicano e dos mass media, que se juntaram à mensagem pacificadora de Biden-Harris, a dupla que o mundo e a América já reconheceram como a nova liderança dos Estados Unidos. Os seus discursos de vitória pronunciados em Wilmington, no estado do Delaware, apelaram com firmeza à unidade e à pacificação nacionais, a uma maior igualdade racial, a uma nova decência na vida política e ao imediato ataque à pandemia que tem afectado o país, tendo sido escutados com entusiasmo e esperança pelos americanos. 
Muitas das mais controversas decisões de Donald Trump deverão ser revertidas e assim é de esperar o regresso americano ao Acordo de Paris, à UNESCO e à Organização Mundial de Saúde, bem como uma aproximação cooperante com a Europa. Os Estados Unidos tinham-se afastado do mundo e o seu presidente humilhava o país com o seu exemplo de ignorância, de fanatismo e de mentira. Trump envergonhou a América e ainda conseguiu enganar 70 milhões de eleitores americanos. O mundo inteiro espera que Joe Biden seja o rosto da renascida América.

sábado, 7 de novembro de 2020

Donald Trump ou o incendiário americano

No meio do reconhecimento internacional da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais americanas, a situação política e social que se desenha nos Estados Unidos é deveras preocupante, como alguma imprensa vem alertando. Hoje, alguns periódicos utilizaram o princípio de que uma imagem vale mais que mil palavras, para transmitir essa ideia aos seus leitores, através das ilustrações ou das fotomontagens que escolheram para as suas primeiras páginas. 
A revista alemã Der Spiegel utilizou uma ilustração para mostrar um Donald Trump barricado na Casa Branca e armado de caçadeira, para impedir que possa ser desalojado como se o seu lugar fosse eterno, enquanto o jornal polaco Gazeta Wyborcza utilizou uma fotomontagem com o título “incendiário”, para exibir um Donald que esconde um cocktail Molotov atrás das costas, que já tem o pavio a arder e que está pronto a ser lançado. Num caso evidencia-se a obstinação do Donald para se manter na Casa Branca e, no outro, a intenção de utilizar grupos paramilitares armados ou não, para lançar a desordem ou a guerrilha nas cidades americanas. 
Estes dois exemplos mostram como está a ser interpretada a teimosia de Donald Trump e dos seus apoiantes para aceitar os resultados eleitorais. A América deve estar a respirar por se ver livre de quatro anos de mentiras e de quatro anos em que a imagem externa dos Estados Unidos se degradou, embora se possa perguntar como foi possível que o Donald conseguisse 70 milhões de votos. 
Porém, o mais natural é que os ânimos se vão acalmando com o passar do tempo e que venha a prevalecer o bom senso dos republicanos, do Donald e dos seus apoiantes.

Donald Trump barricado na Casa Branca?

A generalidade da imprensa mundial anuncia hoje sem reservas que Joe Biden ganhou as eleições presidenciais americanas, mas há alguns jornais que preferem destacar a desesperada luta de Donald Trump para se manter na Casa Branca, ao não reconhecer a sua derrota e ao insistir na sua tese de que todo o processo eleitoral foi fraudulento. Ninguém acredita naquele mentiroso que está desacreditado no mundo. A Europa olha incrédula para o que se está a passar nos Estados Unidos. 
Muitos observadores tinham previsto esta situação e é sem surpresa que os resultados eleitorais vão passar por uma dura batalha jurídica, pelo que serão os tribunais que irão avaliar e decidir quem ganhou as eleições. Porém, o mundo e os americanos já não têm dúvidas sobre quem será o próximo presidente dos Estados Unidos. 
Hoje, a revista alemã Der Spiegel apresenta a sua capa com uma sugestiva ilustração em que o Donald está barricado e de caçadeira em punho a defender a “sua” Casa Branca, podendo ver-se vários impactos de bala na janela em que está Joe Biden, enquanto o título e o subtítulo escolhidos - que traduzimos com a ajuda de Mr. Google - é “o ocupante” e “a batalha suja de Trump pelo escritório oval”. Donald Trump foi derrotado pela sua arrogância, ignorância, autoritarismo e pela sua actuação antidemocrática, mas está demasiado agarrado ao poder e na sua obstinação parece que não hesitará em “incendiar” a América. Os riscos de instabilidade são enormes. No entanto, se as instituições americanas funcionarem, ele não só será posto na rua, como acabarão por lhe pedir responsabilidades pela forma como utilizou a presidência em proveito pessoal e da sua família. Esse é o enorme desafio com que estão confrontados os americanos. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O Donald vai ter de deixar a Casa Branca

Já passaram mais de dois dias desde que encerraram as urnas nos Estados Unidos e ainda não são conhecidos os resultados eleitorais definitivos, devido à demora no apuramento de cerca de cem milhões de votos que foram recebidos pelo correio. Desde há muitas horas que as televisões continuam a informar que Joe Biden tem 253 delegados eleitos e que Donald Trump tem 213, acrescentando que tudo ainda pode acontecer e que o resultado final depende do que se passar em quatro estados tornados decisivos, mas enquanto no Arizona e no Nevada a tendência era pró-Biden, na Georgia e na Pennsylvania a tendência era pró-Trump. Porém, nas últimas horas as contagens nestes quatro estados viraram a favor de Joe Biden e, por isso, parece que ele vai ser o vencedor das eleições e se encaminha para ser o 46º presidente dos Estados Unidos. 
Esta manhã, a generalidade da imprensa internacional já apontava Biden como o provável vencedor das eleições, mas o jornal brasileiro Tribuna da Bahia escolheu o mais sugestivo título de primeira página que encontrei: Biden com um pé na Casa Branca, mas Trump não quer deixar ele entrar. De facto, assim é. O Donald está mesmo agarrado ao poder e começou por se declarar vencedor quando a contagem dos votos ainda ia a meio, depois exigiu que fosse terminada a contagem dos votos enviados pelo correio e, ontem, veio declarar sem quaisquer provas ou evidências, que as eleições foram fraudulentas, como se os Estados Unidos e cada um dos seus estados fossem repúblicas das bananas. 
O Donald tem muito mau perder e os seus jagunços, que foram preparados durante a campanha eleitoral, começaram a aparecer para criar um ambiente de intimidação, de medo ou mesmo de violência, que favoreça as suas intenções de se manter no poder de forma não democrática. O comportamento do presidente dos Estados Unidos é indigno e é humilhante para o povo americano. Com os resultados que estão à vista, nenhuma instância judicial vai dar ouvidos às mentiras e às injúrias do Donald e ele vai mesmo ter que abandonar a Casa Branca. 
O mundo vai respirar melhor.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Eleições americanas: Donald Trumped?

Nas últimas horas temos estado em frente da televisão fazendo zapping com insistência para tentar perceber em que sentido se encaminhava o resultado das eleições americanas, mas a dúvida persiste e parece que vai continuar. Esta demora resulta da inesperada afluência de votos antecipados que foram enviados por via postal, mas não deixa de ser curioso que isso aconteça no país mais moderno do mundo. 
Apesar das coisas se encaminharem para uma vitória tangencial de Joe Biden, o facto é que o Donald tratou de anunciar vitória quando a contagem dos votos mal tinha começado, que acusou os democratas de fraude e que exige recontagem de votos em vários estados. Nada disso é inesperado e, portanto, vem aí uma demorada e complexa batalha jurídica e judicial. A América está suspensa dos resultados eleitorais, mas também há muita gente fora dos Estados Unidos que está impaciente, sobretudo os que gostariam de ver o Donald fora da Casa Branca pela forma arrogante e grosseira como desprestigiou o seu país que, goste-se ou não, é o farol que ilumina o mundo da ciência, da tecnologia e até da cultura em todo o nosso planeta. 
O Donald ainda não perdeu mas, sem surpresa, revela o seu mau perder e a sua completa falta de princípios democráticos. As eleições americanas interessam a todo o mundo e hoje são notícia de primeira página na imprensa mundial, anunciando que Joe Biden parece estar a um passo da vitória, mas outros jornais preferem afirmar que Donald Trump está a um passo da derrota. É o caso do londrino Daily Mail, cuja capa escolhemos para ilustrar este comentário.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

God bless America!

Depois de uma campanha eleitoral muito agressiva, Donald Trump de 74 anos e Joe Biden de 77 anos, vão hoje disputar o voto de cerca de 250 milhões de eleitores americanos, embora quase 100 milhões de eleitores já tenham votado por antecipação. 
Se analisarmos o que se passou em 2016 em que votaram 138 milhões de americanos, correspondentes a cerca de 55% do eleitorado, facilmente concluímos que as eleições de 2020 vão ser uma das mais concorridas da história dos Estados Unidos. Já tudo está escrito e já tudo foi dito sobre estas eleições, são bem conhecidos os argumentos de cada candidato e são conhecidas as sondagens, mas o resultado é imprevisível. 
Há sérias preocupações quanto ao que possa acontecer esta noite, sobretudo porque o candidato Donald Trump ameaçou repetidamente que não aceitará outro resultado que não seja a sua reeleição, o que representa um grande desafio para as instituições democráticas americanas, mas também para cada um dos estados federados que têm poderes constitucionais próprios e que, actualmente, têm 33 governadores republicanos e 17 governadores democratas, muitos dos quais não aceitarão os golpes do Donald. De acordo com o que tem sido relatado, Donald Trump prepara-se para antecipar uma declaração de vitória com o objectivo de desencadear uma agressiva onda de euforia nos seus apoiantes e abrir um espaço de contestação a qualquer resultado que não seja a sua vitória. Pelo que vamos vendo e ouvindo diariamente nas televisões, o fulano é capaz de tudo. O radical-trumpismo está realmente a perturbar a sociedade americana e, por isso, é caso para dizer: God bless America!

domingo, 1 de novembro de 2020

R.I.P. Sean Connery

Sir Sean Connery faleceu ontem com 90 anos de idade na sua casa em Nassau, nas Bahamas, tendo essa notícia sido dada por muitos jornais de vários países com destaque de primeira página, o que revela como era popular este actor escocês que participou em cerca de sete dezenas de filmes, alguns deles de grande sucesso. A sua vida foi muito diversificada e antes de se tornar famoso como actor serviu na Royal Navy, mas foram os seis filmes em que interpretou James Bond, o agente secreto 007 do do MI6 britânico, criado por Ian Fleming, que o tornou conhecido internacionalmente. 
From Russia with love, Goldfinger, Só se vive duas vezes ou Os diamantes são eternos são alguns dos filmes que tornaram a figura  de James Bond conhecida em todo o mundo, mas também o actor que o interpretou. Hoje o jornal The Herald que se publica em Glasgow, presta uma grande homenagem a Sean Connery, a quem chama superstar e a quem agradece por ter colocado a Escócia no mapa global. 
Era um bom escocês, tendo militado e financiado o Partido Nacionalista Escocês e sempre defendeu a independência da Escócia mas, apesar disso, no ano de 2000 foi agraciado pela Rainha Isabel II com o título de SirOs filmes mostrando a eficácia operacional e sentimental do agente 007 entusiasmaram a minha geração e continuarão a entusiasmar o público e, por isso, também a imagem do grande actor que foi Sean Connery ficará na memória de quem goste de cinema.

sábado, 31 de outubro de 2020

América: porque tem que ser Joe Biden

A edição de hoje da revista The Economist trata das eleições presidenciais americanas e exibe um título de primeira página que explica why it has to be Joe Biden, ou porque tem que ser Joe Biden, com base numa análise comparativa entre o King Donald e o President Joe
Começando por salientar que os Estados Unidos estão hoje mais divididos e mais infelizes do que em 2016 quando Trump foi eleito, sobretudo pelas 230 mil mortes causadas pelo covid-19 e pelas confusões, disputas e mentiras que ele introduziu na vida quotidiana dos americanos, mas o candidato Joe Biden representa uma esperança e uma hipótese de restaurar a estabilidade e a civilidade da Casa Branca, mas também para reconstruir e unir um país dividido. É por isso que o The Economist afirma que, se votasse, daria o seu voto a Biden. 
A revista faz depois uma análise dos dois candidatos. Sobre Donald Trump afirma que, nos últimos quatro anos, ele profanou repetidamente os valores, os princípios e as práticas que fizeram dos Estados Unidos um paraíso para os americanos e um farol para o mundo. A característica mais impressionante da sua presidência tem sido o seu desprezo pela verdade, a sua indiferença pela democracia que jurou defender e a forma como tem ridicularizado a ciência e as suas recomendações, sendo incapaz de ver para além da sua própria reeleição. Relativamente a Joe Biden, a revista começa por dizer que a fasquia para bater Trump não é muito alta e que ele é uma boa aposta para começar a reconciliar os americanos, muito divididos pela polarização racial e pela desigualdade económica que estão a minar a unidade nacional, mas é também um multilateralista que, ao contrário de Trump, procura consensos e evita os confrontos. 
A revista termina o seu texto dizendo que “Mr. Trump must be soundly rejected”. Vamos a ver.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

A pandemia e os comentadores da treta

Na sua segunda onda o vírus covid-19 está muito activo em Portugal, mas também na generalidade dos países europeus, verificando-se um agravamento progressivo da situação e repetindo-se as orientações, as recomendações ou as imposições destinadas à contenção da pandemia. Para além das medidas mais usuais que se recomendam – uso de máscara comunitária, lavagem frequente de mãos, distanciamento social – as autoridades têm tomado medidas específicas, como as restrições à circulação, o cancelamento de eventos desportivos e culturais ou a proibição de ajuntamentos mas, sobretudo, têm insistido na necessidade da responsabilização dos comportamentos individuais dos cidadãos. A situação é muito crítica e há países e regiões onde foi instituído o confinamento obrigatório, como hoje anuncia el Periódico de Barcelona, mas essa circunstância tem implicações económicas tão sérias que, naturalmente, têm que ser ponderadas pelas autoridades. Ninguém sabe o que nos reserva o futuro, nem sanitária nem economicamente e o facto é que esta situação só terminará quando for descoberta uma vacina eficaz para a protecção do vírus e um tratamento seguro para a população infectada. 
Nesta situação complexa que atravessamos em Portugal, a pandemia do covid-19 aparece ligada a uma outra pandemia que é o corropio de muitas dezenas de comentadores que passam pelas televisões, muitos deles ignorantes e alarmistas, que nada conhecem do assunto nem dos ambientes hospitalares, mas que tudo criticam como se fosse fácil a tarefa de quem decide. Objectivamente, essa gente nada esclarece e apenas contribui para criar insegurança e preocupação na população. Neste avião em que todos viajamos e que de repente se viu envolvido numa enorme tempestade, eu confio no piloto e não me passa pela cabeça entrar pelo cockpit para lhe dizer o que deve fazer. 
Há que confiar nas autoridades sanitárias que estão a pilotar esta situação e que, certamente, tudo fazem para nos ajudar nesta emergência.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Portugueses que brilham no Giro d’Italia

Terminou ontem o Giro d’Italia que, com o Tour de France e a Vuelta a España, constituem as três principais provas do ciclismo mundial e que, todos os anos, são acompanhadas por milhões de entusiastas nas estradas, nas montanhas e nas televisões que lhes dedicam alargados espaços, com as reportagens televisivas a recorrer a motos, helicópteros e a drones, tornando-as muito apreciadas pelas audiências. 
O ciclismo português não tem expressão internacional e, apesar da lenda que foram os desempenhos de Joaquim Agostinho, da medalha olímpica conquistada em 2004 por Sérgio Paulinho ou do título de campeão do mundo de estrada ganho por Rui Costa em 2013, pouco mais de relevante se tem passado no ciclismo português. Porém, este ano alguma coisa aconteceu e o Giro d’Italia 2020 consagrou dois ciclistas portugueses nessa prova de três semanas, o que constitui um facto absolutamente insólito. 
As televisões mostraram um jovem chamado João Almeida nascido nas Caldas da Rainha e com 22 anos de idade que, para além de se ter mantido durante quinze dias no primeiro lugar com a camisola rosa, terminou a corrida em 4º lugar. Nunca nenhum português conseguira isso. Outro jovem chamado Rúben Guerreiro, natural do Montijo e com 26 anos de idade, ganhou uma etapa do Giro d’Italia e, no final da prova, subiu ao pódio com a camisola azul, símbolo do vencedor do Prémio da Montanha, o que significa que foi o primeiro português “a ganhar uma camisola numa grande volta”. Também, nunca nenhum português conseguira isso.  
O jornal O Jogo referiu-se a estes dois desempenhos como “fecho de ouro” e, de facto, são tão raros os êxitos desportivos dos nossos atletas no contexto internacional que é justo que a imprensa lhe tivesse dado destaque, embora quase no mesmo plano de um tal de Ivanilson, um futebolista brasileiro que… meteu um golo. Que jornalismo da treta. É caso para dizer que a pandemia do futebol não nos larga, nem quando o Almeida e o Guerreiro brilham.

As acções das forças especiais no mar

A imprensa inglesa dá hoje grande destaque aos acontecimentos ocorridos a bordo do navio-tanque Nave Andromeda na noite de sábado, próximo da ilha de Wight. O navio de bandeira liberiana saíra do porto de Lagos, na Nigéria, com destino ao porto inglês de Southampton, mas quando se aproximava do porto de destino foram detectados alguns passageiros clandestinos a bordo que procuravam asilo no Reino Unido e que se tornaram violentos. 
Nessas circunstâncias, os 22 elementos da tripulação do Nave Andromeda resguardaram-se na chamada “cidadela” do navio onde se trancaram, tendo pedido auxílio às autoridades britânicas. Foram activados os serviços do Special Boat Service (SBS) e foi iniciada uma operação com aquela força especial, que envolveu quarenta militares e teve o apoio de quatro helicópteros da Royal Navy, dos quais cerca de dezasseis elementos do SBS desceram por uma corda rápida sobre o navio, apanhando de surpresa os passageiros clandestinos. A operação foi realizada a coberto da escuridão da noite e terá durado apenas nove minutos, tendo os sete passageiros clandestinos sido detidos e entregues à polícia de Hampshire. 
O jornal The Times foi um dos jornais que publicou na sua primeira página a fotografia do Nave Andromeda mas, mais do que o relato do que aconteceu, destacou a prontidão e eficiência do SBS, uma unidade treinada para missões de contraterrorismo e resgate de reféns em condições de grande dificuldade e risco.

Os Açores e o seu novo quadro político

As eleições regionais açorianas deram a vitória ao Partido Socialista e ao seu líder Vasco Cordeiro, embora sem a maioria absoluta que lhe permitiria governar sustentado num apoio parlamentar estável e coerente, pelo que a partir de agora terá que governar com uma geometria variável de alianças e de apoios que, à semelhança do que se passa no Continente, torna o exercício da governação muito mais complexo. Se agora adicionarmos as novas dificuldades devidas às consequências sociais e económicas da pandemia, o quadro de dificuldade política vai necessariamente aumentar e os açorianos podem vir a passar por um quadro de instabilidade que não conheceram até agora. 
Se analisarmos a evolução da política açoriana num contexto de ciclo de longa duração, verificamos que a alternância democrática - que é uma característica fundamental da Democracia – tem existido nos Açores. Assim, desde que foi consagrada a autonomia dos Açores e que como Região Autónoma passou a ter um Governo Regional, já houve doze governos regionais, sendo seis do PSD e seis do PS. Entre 1976 e 1996 foram vinte anos de governação social-democrata e, entre 1996 e 2000, foram vinte e quatro anos de governos socialistas. Não sei se, para além do estilo, há muita diferença entre uns e outros porque, enquanto zona ultraperiférica, a governação dos Açores depende demasiado de Lisboa e de Bruxelas. Nas eleições ontem realizadas o PS elegeu 25 deputados e o PSD 21, mas a novidade foi que os outros 11 deputados se distribuíram por seis partidos – CDS (3), Chega (2), Bloco de Esquerda (2), PPM (2), PAN (1) e Iniciativa Liberal (1) – enquanto a coligação CDU perdeu o seu deputado. 
São nove ilhas e esta dispersão político-partidária parece reflectir a diversidade cultural do arquipélago, onde só a beleza natural e a qualidade da população são comuns em todas as ilhas.

domingo, 25 de outubro de 2020

Açores votam para a Assembleia Regional

Estão a decorrer hoje as eleições para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e, por via indirecta, para o Governo Regional dos Açores. 
Não são conhecidas sondagens que indiquem como serão repartidos os votos nem qual o partido que vai ganhar, nem se o vencedor terá ou não maioria absoluta e, por isso, até ao encerramento das urnas haverá incerteza. No entanto, se olharmos para o que se passou na campanha eleitoral, facilmente concluímos que se verificou um assinalável respeito mútuo entre as diferentes forças políticas e que os candidatos se apresentaram ao eleitorado com serenidade e com propostas, fazendo uma campanha mínima de cartazes e sem o habitual exagero de distribuição de T-shirts, bonés, esferográficas, isqueiros e outros produtos de merchandising. Este tipo de campanha eleitoral dignifica a democracia e, por isso, independentemente dos resultados, os Açores e os açorianos estão de parabéns e é pena o seu exemplo não seja aqui seguida no rectângulo continental.
Há 227.999 eleitores inscritos que irão escolher 57 deputados regionais, que representarão as nove ilhas açorianas e os seus 19 concelhos.

sábado, 24 de outubro de 2020

O apelo ao voto nas eleições americanas

A importância das próximas eleições americanas é cada vez mais evidente porque estão em confronto dois candidatos com personalidades, comportamentos, percursos e projectos bem diferentes. Poucas vezes na história dos Estados Unidos aconteceu esta situação tão antagónica que está a deixar o mundo suspenso sobre quem vai ser o próximo presidente dos americanos.
Neste contexto, sucedem-se os apelos ao voto e até a revista TIME, cuja capa faz parte da história do jornalismo americano, decidiu mudar o seu centenário logotipo na edição que vai ser posta a circular, o que acontece pela primeira vez nos quase cem anos que a revista já leva de vida. O logotipo da revista foi alterado para VOTE, com o objectivo de apelar à participação dos seus vinte milhões de leitores nas eleições do próximo dia 3 de Novembro, o que é um exemplo de inovação na arte da comunicação política. Acredita-se que poucos acontecimentos possam vir a influenciar mais o mundo nos próximos tempos do que a eleição presidencial americana e, por isso, a revista pretende mostrar aos seus leitores que a decisão de cada um ir às urnas e votar no próximo dia 3 de Novembro é a mais importante que alguma vez tomaram em relação a eleições. “É um momento raro, um momento que vai dividir a história em antes e depois durante várias gerações”. 
Os rostos desta luta eleitoral são Joe Biden e Donald Trump que até há poucos dias tinham respectivamente 51,1% e 42,2% das intenções de voto a nível nacional. Porém, como tem sido repetido, inclusive neste blogue, o voto popular apenas escolhe os delegados do colégio eleitoral em que dominam os estados decisivos e, por isso, as sondagens conhecidas não permitem fazer prognósticos quanto ao resultado final.