quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Michael Phelps: "the greatest Olympian"

O nadador americano Michael Phelps cometeu ontem um feito desportivo extraordinário ao conquistar a sua 19ª medalha olímpica (quinze de ouro, duas de prata e duas de bronze) e ao ultrapassar a performance olímpica da ex-ginasta soviética Larisa Latynina que, em 1956, 1960 e 1964 tinha conquistado 18 medalhas (nove de ouro, cinco de prata e quatro de bronze). Com este único e invejável registo, Michael Phelps pode ser considerado “o maior atleta da história do desporto olímpico” e coloca-se num pedestal acima daquele em que se têm situado alguns dos nomes mais lendários do olimpismo moderno, como Jesse Owens, Emil Zatopek, Bob Beamon, Mark Spitz, Nadia Comaneci, Carl Lewis ou Sergei Bubka.
Agora a estrela olímpica passou a ser Michael Phelps: em 2004 conquistou 6 medalhas de ouro e 2 medalhas de bronze em Atenas e, em 2008, ganhou 8 medalhas de ouro em Pequim. Em Londres conquistou a sua 17ª medalha na estafeta de 4x100 metros livres (medalha de prata), depois a 18.ª medalha foi ganha nos 200 metros mariposa (medalha de prata) e a ambicionada 19ª medalha foi conquistada na estafeta de 4x200 metros livres (medalha de ouro). Michael Phelps é considerado um desportista predestinado e, em boa verdade, ele é um atleta do outro mundo a quem o jornal britânico The Guardian chamou "the greatest Olympian". Além de tudo isto, acontece que Phelps ainda vai voltar a competir...

terça-feira, 31 de julho de 2012

A overdose do Gaspar

Desde o ano de 1987, quando Portugal foi admitido na Comunidade Económica Europeia, que o deslumbramento e as facilidades tomaram conta dos portugueses e dos seus dirigentes. De repente, o país passou a aspirar à prosperidade europeia e Bruxelas tornou-se o destino prioritário dos nossos governantes, autarcas, assessores, técnicos e dirigentes muito diversos. Todos - o Estado, as Empresas e as Famílias - passaram a gastar demasiado em coisas não essenciais ou desnecessárias, com fundos próprios e com fundos comunitários, mas quase sempre com um excessivo endividamento. O Estado deixou-se engordar para satisfazer clientelas partidárias e cometeu exageros que são visíveis pelo país em infra-estruturas por vezes sumptuosas. Directa ou indirectamente, o subsídio passou a fazer parte da vida de muita gente. Os bancos perderam a cabeça e emprestaram o que tinham e o que não tinham. O apelo ao consumo e o crédito barato entusiasmaram os mais desatentos. Foram mais de vinte anos de euforia e de cegueira, até que os ventos da crise chegaram a Portugal, mostrando que os cofres estavam vazios, os credores à porta e que o país estava doente.
Quando alguém está doente, deve-lhe ser administrada a medicamentação adequada e proporcionada, nos exactos termos prescritos pelo médico. Nem mais, nem menos. Ao fim de um ano temos verificado como o monocórdico Gaspar – aquele valentão que ataca os fracos e se agacha com os fortes - com o pretexto de querer corrigir o défice público e reformar o Estado, mas sobretudo em obediência à troika, tem aplicado uma receita ao país que é uma verdadeira overdose. Ora, a realidade é que as overdoses enfraquecem os doentes e o resultado da overdose do Gaspar aí está: a emigração a aumentar, o desemprego a atingir os 15.4%, a pobreza a agravar-se, o pequeno comércio a fechar as portas, o interior a desertificar-se, a esperança a perder-se e a coesão social a fragmentar-se. Até o FMI e a OCDE acham que se tem ido longe demais.

Não esqueçamos os burlões do BPN

O Jornal de Negócios noticiou ontem que a maior burla de sempre na banca do Irão foi julgada por um tribunal que ditou a condenação à morte de quatro pessoas, a prisão perpétua para mais duas e várias condenações com penas de prisão até 25 anos, por envolvimento numa fraude de 2,6 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros). A fraude foi conhecida em Setembro do ano passado, a justiça funcionou e em poucos meses ditou a sua sentença. Nos Estados Unidos também se têm verificado condenações por infracções bancárias e a mais simbólica foi a de Bernard Madoff, o autor de uma fraude de 65 mil milhões de dólares (cerca de 45 mil milhões de euros), que já está a cumprir uma pena de 150 anos de prisão.
A ganância financeira e as práticas fraudulentas que lhe estão associadas, também existem na Europa, um pouco por toda a parte, estando ultimamente em destaque o que se passa nas bancas espanhola e inglesa. As notícias de falências, fraudes, burlas, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito de gestores são frequentes, embora as notícias relativas à criminalização dos seus responsáveis sejam mais raras.
Portugal não está à margem dessa realidade. Porém, havendo quem avalie a fraude do BPN - a fraude do século - em quase 10 mil milhões de euros, parece que a punição dos responsáveis tende a ser esquecida. Já são passados muitos meses e eles continuam a passear-se e, despudoradamente, a exibir os frutos da sua vigarice e das suas burlas. Tornaram-se ricos e poderosos, mas não passam de uns burlões encartados. Todos sabem quem são e por onde andam. Alguns continuam encostados à política e até estão bem colocados no Estado e fora dele, como se nada se tivesse passado.
A justiça não acelera o seu trabalho e a imprensa parece ter-se esquecido do “maior escândalo financeiro da história de Portugal” mas, em nome da nossa dignidade, não podemos esquecer os burlões do BPN.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Nunca se deitam foguetes antes da festa

Esta manhã o jornal i ilustrava a sua primeira página com a fotografia da judoca Telma Monteiro, que foi a porta-bandeira da delegação portuguesa no desfile inaugural dos Jogos Olímpicos, anunciando:
Hoje é dia da primeira medalha portuguesa.
Esse título não significava um desejo, mas apenas aquilo a que vulgarmente se chama “deitar foguetes antes da festa”. Outros jornais limitaram-se a salientar que hoje era o dia de Telma Monteiro e de João Pina, insinuando que os seus currículos desportivos justificavam as melhores expectativas para as provas que os dois judocas disputavam hoje.
Porém, ainda não era meio-dia e, para nossa desolação, já ambos tinham sido eliminados, logo no seu primeiro combate. Para quem, durante anos a fio, se dedicou intensamente ao treino, se privou de uma vida normal e alimentou tão intensos sonhos desportivos, este resultado também foi desolador. No entanto, a incerteza quanto ao resultado final é uma das características da competição desportiva e nem sempre ganham os melhores. Os adeptos do desporto têm que estar preparados para essa dolorosa realidade. Que os outros também são bons. Que nós talvez não sejamos tão bons como nos fazem crer. E, sobretudo, que nunca se devem deitar foguetes antes da festa. Os jornais não podem ser vendedores de ilusões. Nem podem exercer esta irresponsável pressão sobre os atletas. Telma Monteiro e João Pina perderam. Paciência. Ganhar ou perder, é a essência do desporto. Melhores dias virão.

sábado, 28 de julho de 2012

Gente famosa: ousadias & atrevimentos


Segundo ela própria anuncia, a revista GQ foi eleita a melhor revista masculina do ano. Nem a Playboy, nem a Penthouse, nem a Maxim. A audiência masculina prefere a GQ!
Embora eu não seja leitor dessa revista, suponho que uma das razões da apetência masculina por esta revista são as suas capas ousadas, com esbeltas jovens despidas e em poses sugestivas, que procuram notoriedade e popularidade a troco de um qualquer cachet. Aparecer na capa de uma revista, seja cor de rosa ou de outra natureza, é certamente um dos melhores caminhos para se ter acesso à profissão de modelo, para uma eventual entrada no mundo do cinema ou, de uma forma mais geral, para se tornar naquilo a que a prensa amarilla convencionou chamar famoso.
Porém, na edição de Julho/Agosto não foi uma jovem à procura de fama que aceitou aliviar-se da roupa para, como se diz na gíria, fazer capa da revista. Bárbara Guimarães é uma popular profissional do entertainment televisivo, mas terá aceite este ousado papel, ou porque ainda ambiciona mais fama do que a que já tem ou porque precisava do dinheiro do cachet, porque os tempos estão nublados e a vida está realmente muito difícil. Porém, a motivação parece ter sido outra, como revelou numa entrevista alusiva aos seus vinte anos de carreira e à sua natureza sedutora. Foi apenas ousadia e atrevimento. A mulher do ex-ministro Carrilho disse: “Sou atrevida por natureza. O meu marido adora, não acha mal nenhum”. Ficamos todos descansados por saber que não é uma questão de fama, nem de dinheiro. É apenas um atrevimento dela, que ele adora. Assim, sim. Não é barbaridade nenhuma!



Londres foi o centro do mundo

Ontem à noite Londres foi o centro do mundo, durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos mas, provavelmente, durante duas semanas, a cidade vai continuar a estar no centro das atenções mundiais devido às esperadas proezas atléticas.
O espectáculo ontem oferecido a muitos milhões de telespectadores foi grandioso e deslumbrante de imaginação, de tecnologia, de luz e de simbolismo, conseguindo mostrar algumas das facetas mais marcantes da história da Grã-Bretanha, desde os primórdios da sua vida rural até à criação do seu famoso Serviço Nacional de Saúde (NHS), passando naturalmente pela revolução industrial. A imprensa mundial e os jornais britânicos não se pouparam em elogios à noite gloriosa e de maravilha.
A cerimónia foi marcada por diversos momentos de grande espectacularidade, como a breve viagem que levou a rainha Isabel II e o agente secreto James Bond a percorrerem Londres de helicóptero e, depois, a saltarem de paraquedas sobre o estádio, que é uma ideia verdadeiramente genial e que ultrapassa muitas convenções que pudéssemos imaginar. Só a ficção do cinema permite esses efeitos. Porém, alguns dos mais conhecidos ícones britânicos contemporâneos que todo mundo conhece e admira, passaram pelo estádio. Houve o humor de Mr. Bean. A fantasia de Mary Poppins e de Harry Potter. A evocação dos Beatles e a música de Paul McCartney. Como se a Grã-Bretanha quisesse mostrar que Londres ainda é o centro ou um dos centros do mundo.
Depois houve o desfile das delegações olímpicas, os discursos apropriados e o acender da chama olímpica, que também foi um espectáculo dentro do espectáculo. Agora, os amantes do desporto vão ter duas semanas de grande interesse televisivo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A crise espanhola e a lusa hipocrisia

A edição de hoje do jornal madrileno La Gaceta traduz a inquietação que atravessa a Espanha, um país “pasto de las llamas”, mas também um país acossado pelos especuladores financeiros que pressionam os juros da dívida e reclamam um resgate, enquanto  a banca e várias comunidades autónomas se vergam ao peso dos credores. A situação é de tal forma complexa que o referido jornal, em vésperas dos Jogos Olímpicos, se refere ao desporto como “a única esperança de Espanha”. Neste inquietante quadro, a entrevista de Felipe González ao jornal El Pais, publicada na edição de 23 de Julho, é um discurso realista ao reconhecer que “a Espanha está a pagar por dez anos de erros baseados numa enorme bolha imobiliária” e ao considerar que Mariano Rajoy tem a obrigação de mobilizar um grande acordo nacional ou de regime para sair da crise. Segundo salientou, os erros resultaram de decisões políticas adoptadas depois de 1998 por José María Aznar, Rodrigo Rato e Mariano Rajoy, que não foram corrigidos pelo governo de Zapatero, que se limitou a “atirar mais gasolina para a fogueira”.
Aqui no rectângulo a evolução não foi muito diferente, mas a nossa hipocrisia cala-se perante os erros do passado, cometidos por sucessivos governos, a começar naturalmente por aquele que foi presidido pelo actual Presidente da República. Passamos pelo pântano e ficamos de tanga. Esquecemos tudo isso. Ávidos de poder e de tacho, os catrogas, os relvas, os borges, os moedas e os nogeiras atiraram-se ao pinto de sousa e imaginaram que o problema estava nas gorduras do Estado e no excesso de institutos públicos. Enganaram-se. Por ignorância ou por má-fé. Não foram competentes, nem responsáveis. Os sinais de ruina do nosso país e uma boa parte do nosso empobrecimento pertencem-lhes.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tour de France: o triunfo de Wiggins


Terminou ontem em Paris o Tour de France que nesta sua 99ª edição foi ganho, pela primeira vez na sua história iniciada em 1903, por um ciclista inglês – Bradley Wiggins. A imprensa inglesa embandeirou, até porque o êxito aconteceu do outro lado do Canal e a histórica rivalidade com os franceses é tão intensa hoje, como foi nos tempos de Nelson e de Napoleão.
O Tour é uma das mais prestigiadas competições desportivas do mundo e é uma grande festa para os franceses, sendo disputada sempre no mês de Julho, ao longo de cerca de três milhares de quilómetros de estradas que atravessam o território francês e, por vezes, alguns dos países limítrofes. As passagens pelas montanhosas regiões dos Alpes e dos Pirinéus representam as maiores dificuldades para as quase duas centenas de ciclistas que habitualmente tomam parte na corrida.
Este ano, o inglês Bradley Wiggins fez história ao vencer de uma forma indiscutível, embora tivesse o apoio da mais competitiva equipa presente na prova, na qual participaram dois ciclistas portugueses: Rui Costa (18º) e Sérgio Paulinho (50º). Assim, a melhor prestação portuguesa no Tour continua a pertencer a Joaquim Agostinho que, nas corridas de 1978 e 1979, se classificou no 3º lugar.
Pudemos acompanhar o Tour de France, através das transmissões da RTP Informação. Para além das espectaculares imagens que nos chegaram a casa e que nos permitiram saber o andamento da prova passo a passo, também a qualidade do comentário do antigo ciclista Marco Chagas foi de alta qualidade e a lembrar quão incompetentes são a maioria dos comentadores desportivos das nossas televisões.

domingo, 22 de julho de 2012

Austeridade e crise como oportunidades…

A política de austeridade que tem sido seguida em Portugal está a afectar seriamente as nossas estruturas sociais e a transformar a vida das pessoas, criando-lhe dificuldades inesperadas. As medidas fiscais que têm sido adoptadas, o desemprego, a perda de rendimentos do trabalho, a generalizada subida dos preços de bens essenciais e a recessão económica, têm dado origem a um preocupante empobrecimento das famílias. À crise orçamental, juntaram-se a crise financeira, a crise económica e, agora, a crise social. A situação já pode ser classificada como grave. Ao percorrermos as ruas das nossas cidades e vilas, somos confrontados com o desolador retrato de uma crise profunda para a qual não vemos saída no curto prazo, com inúmeras casas comerciais encerradas e abandonadas, enquanto outras procuram resistir ao estertor que as ameaça, através de saldos, promoções e outras formas de atracção da clientela. Se as grandes superfícies já tinham provocado a inviabilização do pequeno comércio, a actual crise parece acelerar o seu fim e aprofundar irremediavelmente esse modelo de negócio.
Porém, no meio desta preocupante situação de austeridade e crise social, há quem não fique de braços caídos e recorra a todos os dotes de imaginação e de iniciativa para obter rendimentos. Seguem, provavelmente, a famosa declaração do nosso primeiro, quando afirmou que a crise deve ser encarada como uma oportunidade para mudar de vida. Será que os “preços do arco-da-velha” e os croquetes a 13 cêntimos, certamente com 23% de IVA incluído, que se anunciam nas proximidades de Santarém, são a concretização de uma oportunidade para mudar de vida?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tempos de muita incerteza na Síria

Um atentado suicida ocorrido ontem em Damasco atingiu o comando operacional do regime sírio, causando a morte de alguns dos seus principais dirigentes na área da segurança. No atentado terão morrido o ministro da Defesa, o seu vice-ministro que era cunhado de Bashar al-Assad e o chefe do grupo de gestão da crise e ex-ministro da Defesa. Os confrontos dos últimos dias na capital síria e este atentado representam uma escalada da violência que é muito preocupante e parecem mostrar que as tentativas desenvolvidas por Kofi Annan para encontrar uma solução negociada para o conflito têm sido infrutíferas. 
O Conselho de Segurança das Nações Unidas tem procurado a aprovação de algumas resoluções visando uma solução para o conflito, mas a Rússia e a China têm vetado essas propostas, até porque terão aprendido com a crise líbia e desconfiam da retórica humanitária ocidental que, segundo dizem, não passa de "camuflagem para a troca de regimes" e para o reforço da sua influência nesses países. A Rússia é uma velha aliada do regime sírio e, na actual conjuntura em que está ressurgir como potência mundial, não quer perder o seu aliado sírio para a esfera de influência dos Estados Unidos. Nessas condições, o apoio ao regime de Bashar al-Assad tem sido vital na estratégia russa para o Médio Oriente e, por isso, até parece que voltamos ao tempo da Guerra Fria e do confronto indirecto. Contudo, no problema sírio também entram outras variáveis que nos dificultam a compreensão da preocupante situação: a dureza da ditadura de Bashar al-Assad, as complexas rivalidades entre sunitas e xiitas, as sensíveis fronteiras com o Líbano, Israel e o Iraque, além da aliança com o Irão. São tempos de muita incerteza. 


quarta-feira, 18 de julho de 2012

A banca inglesa é corrupta. E por cá?

Durante anos a fio, habituamo-nos a considerar a banca e o sistema financeiro ingleses como verdadeiros referenciais de seriedade e credibilidade, que todo o mundo respeitava. Os homens e as instituições da City eram um farol orientador do sistema bancário e da finança à escala global. Porém, nos últimos anos as coisas evoluíram e, para além de ter sido contagiada pela gananciosa banca americana, a banca inglesa entrou numa crise endógena, muitas vezes associada a práticas fraudulentas. O resultado foi desastroso e o Estado decidiu capitalizar alguns bancos para suster a crise, mas sucedem-se os escândalos e as trafulhices com contornos criminais.
A propósito do escândalo do Barclays Bank e da manipulação das taxas de juro dos empréstimos interbancários, o jornal The Independent de 3 de Julho titulava: “Will we see City bankers behind bars?”. Alguns dias depois foi a revista The Economist que, a propósito do mesmo assunto, utilizou na sua primeira página a palavra “Banksters”. Hoje é o Daily Mail que, lembrando que o HSBC é o maior banco britânico e mundial, noticia em primeira página: “HSBC let drug gangs launder billions”. A revista Time também hoje titula que “Barclays is just the beginning”. As coisas coincidem num ponto: a fraude e a desonestidade tomaram a banca inglesa de assalto e são altamente responsáveis pela crise financeira mundial. No entanto, tanto quanto parece, as autoridades inglesas decidiram actuar. Aqui, no rectângulo, temos tido problemas bancários de diversa natureza, que terão sido muito graves, sobretudo no BPN. A inacção do BdP e da sua governação ajudou ao escandaloso descalabro que já nos custou alguns milhares de milhões de euros. E o que aconteceu? Nada! Ninguém foi responsabilizado e, pelo contrário, muita dessa gente foi premiada, com reformas milionárias ou com lugares no BCE, na CGD, no Estado e sabemos lá onde mais. Uma vergonha!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Estamos num navio à deriva e sem rumo

O nosso país assemelha-se cada vez mais a um navio à deriva, ao sabor das ondas e dos ventos, desgovernado e sem rumo. A população anda inquieta e muito desorientada, devido ao desemprego, à carga fiscal, à debilidade da economia, à ineficiência da justiça, à insegurança, à descredibilização do Estado e, sobretudo, à perda de confiança na generalidade dos governantes e dos políticos.
Nesta emergência eram necessárias vozes e atitudes de comando, bons exemplos, experiência, seriedade e realismo. Porém, basta ouvir os discursos redondos e vazios dos poderes, para se perceber que também andam desorientados, que não estão a perceber o que se passa, que não têm rumo e que não têm nada para nos dizer, nem ideias para nos tirarem deste sarilho. O povo já os assobia e ridiculariza e, muitos deles, não passam de vaidosas e arrogantes caricaturas, sempre encostadas aos desígnios da troika.
O caso não é novo. Ao longo dos anos o Estado foi infiltrado por uma geração de boys que se instalaram e que depois passaram a circular pelas empresas, pela banca e pelos escritórios de advogados. Que se especializaram no lobby, na chantagem, no tráfico de influências, na cunha e no favorzinho. Que acumulam cargos. Que não têm preparação adequada. Que se protegem mutuamente. Que constroem currículos virtuais. Que não conhecem o mundo do trabalho. Que aspiram ao poder e ao dinheiro. Que enriquecem. Muitos chegam a secretários de Estado e a ministros e, antes e depois, são administradores ou assessores de empresas. São quase sempre os mesmos. Muitos vieram das chamadas jotas, das concelhias e das distritais do partido e muitos chegaram ao topo da pirâmide sem se saber bem porquê. Fazem parte de uma geração de boys que tem uma rede de lugares para oferecer ou trocar com os amigos e os militantes do partido. Que negoceia favores e estabelece relações promíscuas entre interesses públicos e privados. Que tem lugares assegurados na EDP e na CGD, na REN e na LUSOPONTE, mas também na JM, no BES, na IBERDROLA, na GALP, na CIMPOR e assim sucessivamente. As empresas municipais estão cheias deles. E são estes boys, altamente responsáveis pela descredibilização do Estado que continuam a querer dirigir-nos e a deixar que o navio ande à deriva.

O grande espectáculo olímpico está aí!


Faltam apenas dez dias para podermos assistir à cerimónia de abertura dos Jogos da XXX Olimpíada, que serão realizados em Londres a partir do próximo dia 27 de Julho e se disputarão até ao dia 12 de Agosto de 2012, com a prevista participação de 204 Comités Olímpicos Nacionais. Através do seu Comité Olímpico, Portugal participou pela primeira vez nos Jogos Olímpicos realizados na cidade de Estocolmo em 1912 e, desde então, tem participado em todas as edições, sendo a décima oitava nação com mais assiduidade olímpica. Geralmente, os resultados desportivos e o interesse do público português pelos Jogos não foram interessantes, mas nos últimos decénios a televisão deu um forte contributo para popularizar e massificar as competições olímpicas. Surgiram atletas de categoria mundial e, até 2008, os atletas portugueses conquistaram 22 medalhas olímpicas (quatro de ouro, sete de prata e onze de bronze).
A representação portuguesa que estará em Londres para participar na XXX Olimpíada é constituída por 42 atletas masculinos e 33 atletas femininos, que irão competir em 13 modalidades desportivas, com destaque para o atletismo, a vela e a canoagem, respectivamente com 22, 13 e 11 atletas. Segundo tem sido declarado pelos especialistas e comentadores desportivos, não é provável que os atletas portugueses venham a conquistar quaisquer medalhas. O tempo de Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro parece que já lá vai. Serão sinais destes tempos de crise? Mas aguardemos. Acompanhemos esse grande espectáculo televisivo através dos canais da RTP e do Eurosport.

domingo, 15 de julho de 2012

Viva a chamarrita açoreana!

Foi ontem foi apresentado em ante-estreia em Lisboa, o documentário Não Me Importava Morrer Se Houvesse Guitarras No Céu“, realizado por Tiago Pereira e financiado pelo Governo Regional dos Açores.
O documentário é um notável registo da chamarrita, uma prática musical coreográfica que é tocada, cantada e dançada nos Açores e, especialmente, nas ilhas do Pico e do Faial, mas é também um alerta para a necessidade de estudar e preservar essa prática cultural, como uma manifestação do património cultural açoreano. A chamarrita é um dos mais antigos bailes tradicionais dos Açores e as suas origens não são bem conhecidas, embora seja um elemento enraizado na cultura e na identidade açoreanas. Trata-se de um baile de roda mandado, que é acompanhado quase sempre por cantadores e, sempre, por tocadores com viola da terra, violão, bandolim e, eventualmente, um ou outro instrumento, tendo diferentes coreografias que variam de ilha para ilha e até de freguesia para freguesia. A chamarrita resistiu às modernas práticas culturais e convive com elas, atraindo espontaneamente a população nas festas populares, mas também acompanhou a emigração açoreana e está presente nas comunidades do outro lado do Atlântico, sobretudo no Rio Grande do Sul e na Califórnia, entre outras.
O documentário de Tiago Pereira é, por isso, um documento de grande qualidade etnográfica e valia cultural e é, também, um estímulo para que o fenómeno da chamarrita possa ser devidamente estudado no contexto do património imaterial açoreano.

sábado, 14 de julho de 2012

Espanha com austeridade e sacrifício

Sob a pressão da sua realidade económica e das imposições da União Europeia, o governo de Espanha decidiu avançar com medidas de austeridade que possibilitem o equilíbrio das suas contas públicas e, entre elas, a subida da taxa máxima do IVA para 21%, o corte de salários aos funcionários públicos, a supressão da dedução fiscal na compra de casa e o corte nos subsídios de desemprego. Trata-se de uma dura receita, semelhante à que tem sido adoptada nos países em dificuldade, como por exemplo em Portugal.
A imprensa espanhola deu-lhe o devido destaque: Sacrifício titulava o La Razon, El gran ajuste anunciava o La Vanguardia ou A Europa ya manda, dizia o La Gaceta, enquanto o El País anunciava La EU pone bajo tutela a España.
A vice-presidente e porta-voz do governo espanhol foi clara ao dizer que “a Espanha vive actualmente um dos momentos mais difíceis e dramáticos da nossa História recente” e que as medidas de austeridade adoptadas não são fáceis nem populares, ao referir-se ao programa de ajustamento de 65 mil milhões de euros.
Porém, o problema espanhol é muito mais vasto, devido ao elevado índice de desemprego, à debilidade da banca, às dívidas das comunidades autónomas e às desigualdades regionais, pelo que a população, os sindicatos e outras forças reagiram de imediato e manifestaram-se nas ruas.
São tudo más notícias para Portugal, não só pela instabilidade social que se adivinha do outro lado da fronteira e que pode ter efeitos de contágio, mas também porque haverá menos importações de produtos portugueses e menos turistas espanhóis a visitar-nos.