terça-feira, 11 de novembro de 2025

Angola celebrou 50 anos de independência

A República de Angola e os angolanos festejaram hoje com grande alegria o 50º aniversário da independência nacional e, por razões históricas e culturais, esse acontecimento também foi evocado com alegria em Portugal, como se observou na imprensa portuguesa que evocou a independência angolana, mas também em vários espaços das cadeias televisivas que mostraram os desfiles cívico e militar com que Luanda festejou o acontecimento. De resto, calcula-se que haverá cerca de 100 mil portugueses em Angola, sobretudo empresários, enquanto estão recenseados mais de 92 mil angolanos em Portugal, o que mostra claramente uma íntima relação entre os dois países que vai para além do interesse económico.
Angola é um grande país de 32 milhões de habitantes, sendo o sétimo maior de África e o vigésimo segundo do mundo, estando a assumir cada vez mais o estatuto de potência regional no sul do continente africano e no Atlântico Sul. Porém, ninguém esquece que o país viveu 27 dos seus 50 anos de independência em guerra civil, com muitas mortes e muita destruição, mas os tempos de paz e de reconciliação que os angolanos vivem desde 2002 têm trazido progressos assinaláveis. O presidente João Lourenço falou aos angolanos e disse, num exercício de retórica adequado à efeméride que se celebrava, que “em 50 anos fizemos mais que o regime colonial português em 500 anos”, mas também salientou que estão a ser dados “passos firmes para romper o ciclo de subdesenvolvimento” do país.
É isso exactamente o que se deseja para os angolanos, a partir do estimulante sinal de confiança no futuro que representou a festa dos 50 anos da independência de Angola.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Brasil, alterações climáticas e a COP30

As alterações climáticas são uma realidade e os seus efeitos são sentidos sob diversas formas, devido ao fenómeno do aquecimento global que, nos últimos dez anos, fez com que a temperatura anual do planeta tivesse subido cerca de 0,46 graus Celsius. Para lutar contra este problema e encontrar soluções realizam-se desde 1995 as conferências sobre as mudanças climáticas.
Hoje, na cidade de Belém, a capital do estado brasileiro do Pará e porta de entrada para o Baixo Amazonas, começa a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, ou 30th Conference Of the Parties, ou ainda e abreviadamente, COP30.A escolha de Belém para receber a COP30 tem entusiasmado a cidade, o Brasil e o presidente Lula da Silva e, para além de um grande investimento que foi feito para adaptar e modernizar as suas infraestruturas, até a capital federal brasileira será transferida provisoriamente de Brasília para Belém até ao dia 21 de novembro, para melhorar a ligação das autoridades brasileiras com as delegações estrangeiras e, sobretudo, para afirmar o protagonismo brasileiro nas negociações climáticas.
A edição de hoje do jornal Folha de Pernambuco que se publica na cidade do Recife, destaca o início do debate climático global, no qual os Estados Unidos não participarão porque Donald Trump considera que as alterações climáticas são uma farsa e até já tinha retirado o seu país dos acordos climáticos de Paris de 2015. Na COP30 o destaque vai incidir sobre os povos indígenas, a protecção das florestas e a procura de maneiras de ajustar o Acordo de Paris aos novos tempos, porque “os riscos são maiores do que nunca”, devido ao aquecimento da temperatura da Terra estar a aumentar mais rapidamente do que se pensara e de não estarem a ser substituídos o carvão, o petróleo e o gás ao ritmo necessário.
Ninguém sabe o que vai sair da COP30...

sábado, 8 de novembro de 2025

A China aprontou um novo porta-aviões

A República Popular da China anunciou que o novo porta-aviões Fujian entrou ao serviço e a notícia apareceu na edição de hoje do jornal South China Morning Post, um jornal em língua inglesa de Hong Kong. 
Esse facto ocorreu esta semana no porto de Sanya, no sul da China, numa cerimónia a que assistiu Xi Jinping e, segundo tem sido salientado pelos especialistas, a entrada ao serviço do Fujian é um passo decisivo na modernização militar chinesa.
A China já dispunha dos porta-aviões Liaoning e Shandong, mas com o novo Fujian, que é dotado de propulsão convencional mas que se anuncia ter catapultas electromagnéticas, é um avanço tecnológico importante e “um marco sem precedentes na história da tecnologia de catapultas de porta-aviões”.
A incorporação do Fujian na Marinha do Exército de Libertação Popular simboliza o amadurecimento industrial e militar da China. Com este novo porta-aviões, a China consolida a sua posição entre as maiores potências navais do mundo, ao lado dos Estados Unidos, que também possuem uma dezena de porta-aviões com catapultas eletromagnéticas. 
Porém, mais do que um avanço tecnológico, o Fujian reflecte a ambição chinesa de projetar poder marítimo e proteger os seus interesses estratégicos globais, embora o faça sempre com um discurso de “defesa nacional e de manutenção da estabilidade regional”, conforme repetem as autoridades do país. 
Naturalmente, a questão de Taiwan e o seu regresso à mãe-pátria continua a ser uma questão de soberania nacional para a República Popular da China e, sobretudo,  esse problema foi decisivo para que se equipasse com porta-aviões.

Uma réplica resgata a cultura marítima

Toda a imprensa basca de hoje, incluindo o diário El Correo, deu grande destaque ao lançamento à água da nau San Juan, uma réplica de um navio-baleeiro do século XVI com o mesmo nome, que foi construída pelo Albaola Itsas Kultur Faktoria, um museu-estaleiro localizado em Pasaia, na província de Gipuzkoa do País Basco, próximo da fronteira franco-espanhola.
Esse navio-baleeiro naufragara em 1565 nas costas atlânticas do Canadá e em 1985 foi tema de uma reportagem no National Geographic Magazine. A partir daí, com o entusiasmo de um carpinteiro naval basco, nasceu o projecto de recuperação da história marítima basca e dos seus navios-baleeiros.
Os destroços do San Juan foram localizados em Red Bay, na costa sueste da península do Labrador, graças às pesquisas realizadas pela historiadora Selma Huxley e pelos Serviços Arqueológicos Subaquáticos do Canadá, que catalogaram os milhares de peças que permitiram definir com precisão o casco e as técnicas de construção do século XVI, tornando este achado numa referência internacional da arqueologia subaquática.
Com as informações recebidas do Canadá, o Albaola Itsas Kultur Faktoria e o seu animador Xabier Agote iniciaram a construção da réplica científica do San Juan, que teve o apoio da UNESCO e demorou cerca de 12 anos. Nos próximos meses, o San Juan passará a ser um navio-museu visitável. 
Como foi afirmado na cerimónia da botadura “no es solo la reconstrucción de um barco histórico, sino la espresión del esfuerzo colectivo de una comunidad. Mediante esta iniciativa, Pasaia demuestra una vez más que un pueblo pequeño, desde sus raíces y la fuerza de su gente, puede proyectarse al mundo”.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Zohran Mamdani é aposta contra Trump

As eleições locais norte-americanas que aconteceram esta terça-feira em 55 localidades dos Estados Unidos e colocaram em destaque dois nomes: o democrata Zohran Mamdani, que venceu as eleições para prefeito da cidade de Nova Iorque e o cabo-verdiano Moisés Rodrigues, que foi eleito como novo presidente da Câmara de Brockton, no estado de Massachusetts. 
A vitória de Zohran Mamdani nas eleições para a Câmara de Nova Iorque entusiasmou os adversários de Donald Trump e levou a que este afirmasse que os nova-iorquinos escolheram um “comunista” para representar a cidade. Este resultado de um muçulmano de 34 anos de idade que apoia a causa palestiniana, é um alívio para o Partido Democrata que, com este sucesso, procura o fôlego perdido após a derrota nas eleições presidenciais de 2024, quando as próximas eleições intercalares estão a um ano de distância.
Num processo muito semelhante, as eleições para a presidência da Câmara de Brockton, no estado de Massachusetts, deram a vitória ao emigrante cabo-verdiano Moisés Rodrigues, que foi felicitado pelo presidente de Cabo Verde e vai governar “a cidade mais cabo-verdiana fora das ilhas”.
Os trumpistas e os apoiantes do MAGA ficaram muito irritados com estes resultados e com a contestação que começou a organizar-se por todo o país, o que aumenta a instabilidade num país cada vez mais desigual, mais insatisfeito e, por vezes, considerado em crise civilizacional. 
Zohran Mamdani parece ser um farol a iluminar uma nova América que contesta Donald Trump e, como mostrava ontem a edição internacional do The New York Times, falou e fez-se fotografar junto da Unisfera, a esfera terrestre em aço que se encontra em Flushing Meadows-Corona Park, no bairro de Queens em Nova Iorque, que foi construída em 1964 para se tornar o símbolo da Feira Mundial de 1964. 
Foi aí, nesse ano de 1964, que muitos dos meus amigos se fizeram fotografar.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

O Brasil de Marias, Josés, Silvas e Santos

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou os resultados de um estudo feito a partir dos resultados do XIII Recenseamento Geral do Brasil, mais conhecido como Censo 2022, que retrata a população brasileira no dia 1 de agosto de 2022. Uma parte desses resultados foi divulgada pelo jornal O Dia, que se publica no Rio de Janeiro e é muito curiosa, pois mostra aquilo que muitos brasileiros não gostam de saber, isto é, que as raízes do Brasil são portuguesas, como escreveu Sérgio Buarque de Holanda, mas que a marca portuguesa continua bem forte no Brasil contemporâneo, não só através da língua mas também através dos nomes. “Um país formado por milhões de Silvas”, como escreveu O Dia, ou o país das Marias e dos Silvas, dos Josés e dos Santos. 
De cada cem brasileiros, seis são Marias, isto é, o Brasil tem 12,3 milhões de Marias, mas nas cidades cearenses de Morrinhos e Bela Cruz, as Marias somam 22% da população. Já os Silva são 34 milhões de brasileiros ou 16% da população e, em seis cidades de Pernambuco e Alagoas, os Silva são mais de 60% da população. 
Os nomes mais frequentes nas mulheres são Maria (mais de 12 milhões), Ana, Francisca, Júlia e Antónia, enquanto nos homens os nomes mais habituais são José (mais de 5 milhões), João, António, Francisco e Pedro. Relativamente aos apelidos, os mais frequentes são Silva (mais de 34 milhões), Santos (21,3 milhões), Oliveira (11,7 milhões), Sousa (9,1 milhões), Pereira (6,8 milhões), Ferreira (6,2 milhões), Lima (6,0 milhões), Alves (5,7 milhões), Rodrigues (5,4 milhões) e Costa (4,8 milhões). 
É difícil encontrar sinais tão marcantes de portugalidade na identidade brasileira para além da própria língua, mas esta revelação feita pelo estudo do IBGE é realmente surpreendente pela forma como os brasileiros usam nomes de origem portuguesa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

A primeira derrota de Donald Trump

O sistema eleitoral americano é muito complexo e daí que haja diferentes ciclos eleitorais a nível federal, estadual e local, muito diferentes dos que acontecem na Europa.
Assim, na passada terça-feira, realizaram-se as primeiras grandes eleições do segundo mandato de Donald Trump e houve chamada às urnas em cerca de metade dos estados americanos. Donald Trump recebeu um grande cartão vermelho, porque os eleitores de toda a costa leste dos Estados Unidos deram aos Democratas uma vitória, ao elegerem os governadores da Virgínia e de Nova Jersey e, sobretudo, o mayor de Nova Iorque, sempre contra adversários apoiados por Trump, o que não o terá deixado nada satisfeito.
No estado da Virgínia, a moderada e ex-membro da Câmara dos Representante Abigail Spanberger de 46 anos de idade venceu, será a primeira mulher a governar o estado e teve o melhor desempenho democrata na história recente daquele estado.
No estado de Nova Jersey, a vitória também coube a outra moderada, a deputada Mikie Sherrill, de 53 anos de idade e ex-piloto da Marinha, que foi congressista durante quatro mandatos.
Em Nova Iorque foi eleito para mayor da cidade o jovem Zohran Mamdani, de 34 anos de idade, que é o primeiro muçulmano e o primeiro presidente de ascendência sul-asiática a governar a Big Apple, a maior cidade dos Estados Unidos.
A notícia destas eleições foi manchete nas edições de hoje de toda a imprensa americana, mas pela sua postura radical destacou-se o jornal nova-iorquino New York Post, que sempre apoiou Donald Trump. Hoje, esse jornal não hesitou em classificar o candidato democrata Zohran Mamdani como marxista, em apresentá-lo a erguer o símbolo do comunismo e a chamar à cidade de Nova Iorque a Red Apple, comportando-se como um vulgar e panfletário pasquim. 
Em Israel quem não apoia Netanyahu é terrorista e aliado do Hamas.
Nos Estados Unidos quem não apoia Trump é marxista ou comunista.
É assim que as ditaduras, mas também este tipo de democracias, tratam os seus adversários…

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Os drones: da vigilância a arma de guerra

A guerra na Ucrânia teve início no dia 24 de fevereiro de 2022, quando Vladimir Putin ordenou uma “operação militar especial”, concretizada através de invasão que apenas veio intensificar a tensão e o estado de guerra que se vivia no território ucraniano oriental desde 2014, sobretudo nas regiões separatistas de Lugansk e Donetsk.
Desde há cerca de 45 meses que, todos os dias, somos massacrados com notícias, umas verdadeiras outras falsas, para além de ouvirmos um sem número de comentadores especializados, mas o facto é que não sabemos o que realmente se passa no terreno, embora se perceba que as partes estão cansadas, que desejam o fim do morticínio e da destruição e que não estão disponíveis para aceitar a vitória do outro.
No campo especificamente do confronto militar, porque os recursos humanos e materiais são escassos, os dois adversários transformaram a utilização de drones — veículos aéreos não tripulados, tanto civis como militares — numa ferramenta estratégica e simbólica que passou a marcar o ritmo, a eficácia e até a moral das tropas. Pelo seu baixo custo, precisão e autonomia os drones tornaram-se elementos cruciais naquele conflito, onde o controlo do espaço aéreo é essencial e é disputado pela tecnologia, pela inteligência artificial e pela logística.
À medida que o conflito se prolonga, os drones evoluíram de ferramentas de vigilância para armas ofensivas e plataformas de guerra psicológica, substituindo-se aos disparos da artilharia, aos bombardeamentos aéreos e aos mísseis. O uso intensivo de drones, tanto por russos como por ucranianos, responde à necessidade de reduzir perdas humanas e de compensar as deficiências da logística, mostrando que o futuro das guerras já não depende apenas do factor humano mas, cada vez mais, da capacidade de possuir e programar drones.
A última edição do jornal catalão ara que se publica em Barcelona, dedica uma desenvolvida reportagem à la guerra dels drons.

A inauguração do Grande Museu Egípcio

O Grande Museu Egípcio (GEM na sua sigla em inglês) foi inaugurado no passado sábado na cidade do Cairo, numa cerimónia faraónica que a edição de domingo do jornal Kuwait Times classificou como “luxuosa”. Parece que o caso não era para menos, pois nela estiveram presentes dezenas de chefes de Estado e de Governo, bem como membros de casas reais de vários países.
O GEM ocupa uma área de 47 hectares e tem cerca de 100 mil artefactos, reunindo as mais emblemáticas peças da história egípcia como a colossal estátua de Ramsés II, com 83 toneladas, que dá as boas-vindas aos visitantes no átrio principalo lendário Barco Solar do Rei Khufu, a colecção completa do Rei Tutankhamon, composta por 5.398 objetos, os tesouros da Rainha Hetepheres, entre muitas outras raridades que fazem do GEM o maior museu arqueológico do mundo.
A sua construção iniciou-se no ano de 2005, durante a presidência de Hosni Mubarak mas, por circunstâncias imprevistas como a turbulência política durante e após a Primavera Árabe de 2011, a pandemia de covid-19 e as guerras na Ucrânia e em Gaza, o projecto sofreu atrasos e a sua construção demorou vinte anos. 
Trata-se de um investimento de 1.000 milhões de dólares, que é dedicado à antiga civilização egípcia e tem como objectivo impulsionar a indústria do turismo e a economia da República Árabe do Egipto, que espera que o museu atraia sete milhões de turistas por ano e se torne um dos mais visitados museus do mundo.
Entre os convidados do presidente egípcio Abdul Fatah Khalil Al-Sisi encontrava-se o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, mas não é conhecida a composição da sua comitiva, nem como se deslocou.

sábado, 1 de novembro de 2025

jtm: 43 anos em prol da Língua Portuguesa

A mais recente edição do jtm – Jornal Tribuna de Macau anuncia, com grande destaque na primeira página, a passagem do seu 43º aniversário, isto é, de “43 anos em prol de Macau e da Língua Portuguesa”. Esse desígnio distingue-o da generalidade dos jornais que no estrangeiro se publicam em português, pois nenhum outro jornal da diáspora portuguesa, ou dos países de língua oficial portuguesa, se apresenta como defensor da língua portuguesa.
O Jornal Tribuna de Macau é um dos três diários em língua portuguesa da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, tendo aparecido nas bancas pela primeira vez no dia 28 de Outubro de 1982 com o título Jornal de Macau, ainda no tempo em que o território estava sob soberania portuguesa.
Entretanto, já passaram cerca de 26 anos desde “o regresso de Macau à China” e o jornal continua a ser um farol da língua portuguesa no território.
O jornal é considerado um diário, embora não se publique aos sábados, domingos e feriados, imprimindo habitualmente 16 páginas. A sua última edição tem o número 7275, o que bem atesta o serviço que o jornal tem prestado à língua e à cultura portuguesa nos seus 43 anos de vida.
Está de parabéns Sérgio Terra, o seu director e principal sócio.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Se Donald e Xi falam, a confiança aumenta

A imprensa internacional de referência, incluindo a edição internacional do The New York Times, destaca hoje como notícia de primeira página o encontro havido na cidade sul-coreana de Busan entre Donald Trump e Xi Jinping.
Os dois presidentes não se encontravam desde há seis anos e este encontro de 90 minutos, que aconteceu após alguns meses de muita tensão entre os dois países devido às tarifas comerciais impostas por Donald Trump, foi muito positivo, até porque houve um trabalho preparatório feito por responsáveis americanos e chineses, que criou uma base de entendimento sobre as relações entre americanos e chineses e sobre temas estratégicos que interessam ao mundo.
Os dois líderes usaram um tom conciliatório e o encontro foi classificado como um sucesso, abrindo o caminho para terminar com a actual beligerância comercial e para a discussão de outros assuntos de interesse comum, como as exportações chinesas de terras raras e semicondutores, as exportações americanas de soja, as taxas portuárias em ambos os países, ou o controlo directo que os americanos desejam ter no seu território da actividade do TikTok, uma plataforma de vídeos curtos que é muito popular na Ásia e nos Estados Unidos. Porém, o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping não se terá esgotado nos temas económicos e terá abordado a questão de Taiwan e, provavelmente, o problema da Ucrânia. Mais importante que tudo o que foi discutido, é o reforço da confiança e a manutenção do diálogo entre o Xi e o Donald!
O encontro foi tão bem sucedido que o Donald deverá visitar oficialmente a China em 2026, devendo Xi retribuir a visita. Assim é que é. 
Entendam-se e deixem-se de guerras.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Melissa, uma “tempestade monstruosa”

A passagem devastadora do furacão Melissa pela Jamaica causou graves prejuízos, atravessou a ilha de Cuba com muita destruição e está a movimentar-se em direção às Bahamas.
É uma “tempestade monstruosa”, como se lhe refere a edição de hoje do diário nova-iorquino Daily News, pois atingiu a categoria 5, isto é, gerou ventos superiores a 252 quilómetros por hora na Jamaica, tendo sido a tempestade tropical mais forte e mais devastadora que atingiu a ilha na história moderna. A destruição provocada e o número de mortes ainda estão por apurar, tanto na Jamaica como na vizinha ilha da Hispaniola que é repartida por dois países: o Haiti e a República Dominicana.
Na passagem por Cuba, que aconteceu esta manhã, o furacão Melissa diminuiu a sua intensidade e passou à categoria 3, isto é, com ventos entre 178 e 208 quilómetros por hora, mas também provocou “danos significativos” e isolou cerca de 140 mil pessoas devido à subida do caudal de alguns rios.
Estes ciclones são gerados em águas tropicais quentes. No caso das Caraíbas chamam-se hurricanes ou furacões, sendo caracterizados por ventos muito fortes, chuvas intensas e elevação temporária do nível do mar, o que provoca muita destruição e inundações incontroláveis, deslizamento de terras nas encostas, telhados arrancados de prédios e palmeiras arrancadas.
As alterações climáticas que tornam os oceanos e a atmosfera mais quentes, fazem com que os furacões se tornem mais intensos e daí que os ventos provocados pelo furacão Melissa tenham atingido velocidades superiores às do furacão Katrina que, no ano de 2005, foi uma das piores tempestades da história dos Estados Unidos, devastando Nova Orleans e matando 1.392 pessoas. Porém, o número de mortos que vem sendo anunciado devido ao furacão Melissa é bem menor do que aquele que foi apurado há 20 anos com o furacão Katrina.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

EUA e Brasil, rumo ao desejado diálogo

Depois de alguma tensão que nos últimos meses se tem verificado entre os presidentes dos EUA e do Brasil, de que resultou a aplicação de elevadas taxas alfandegárias sobre os produtos brasileiros importados pelos EUA, o encontro entre Donald Trump e Lula da Silva, ontem realizado em Kuala Lumpur, deve ser saudado porque “abre novos rumos à relação Brasil-EUA”, como hoje noticia o jornal Correio Brasiliense.
O mundo tornou-se muito interdependente e, cada vez mais, é uma aldeia global. Por isso, é bem natural que Donald Trump tivesse começado a perceber que as medidas tarifárias que tomou em relação a muitos países também penalizam os EUA e daí que venha “metendo a viola no saco”.
Segundo foi relatado pela imprensa, foi a primeira vez que os presidentes Trump e Lula da Silva se encontraram oficialmente para conversar sobre as tarifas impostas pelos EUA às exportações brasileiras. A reunião durou 50 minutos e ambos declararam que tinha sido um encontro muito positivo, para além de terem trocado alguns elogios recíprocos e confirmado que vai ser iniciado um processo negocial.
Embora o principal tema do encontro tivesse sido a negociação das tarifas impostas às exportações brasileiras, soube-se que a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro não foi discutida na reunião e que Lula da Silva se dispôs a ser um interlocutor no desejável diálogo entre os EUA e a Venezuela, de forma a encontrar soluções mutuamente aceitáveis para os dois países.
Naturalmente, este apaziguamento e este diálogo entre os EUA e o Brasil é relevante para os dois países, mas também é importante para a paz e a harmonia no mundo.

ASEAN acolhe Timor-Leste como membro

No dia 20 de Maio de 2002 foi declarada a independência da República Democrática de Timor-Leste, numa cerimónia realizada em Tasi Tolu, nos arredores de Dili, na qual estiveram presentes Kofi Annan, Secretário-Geral da Nações Unidas, Xanana Gusmão, o primeiro Presidente da nova República Democrática de Timor-Leste, Megawati Sukarnoputri, Presidente da Indonésia, Jorge Sampaio, Presidente da República Portuguesa e Bill Clinton, Presidente dos Estados Unidos, para além de delegações de mais de nove dezenas de países. O novo país foi de imediato acolhido na CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) e foi reconhecido como observador na ASEAN (Association of Southeast Asian Nations), uma organização intergovernamental regional do sueste asiático, que promove a cooperação entre os seus membros, mas também a integração económica, política, militar, educativa e cultural entre os seus membros e outros países asiáticos.
No dia 4 de Março de 2011 o governo timorense apresentou oficialmente o seu pedido de adesão à ASEAN, mas a aceitação plena da sua integração só aconteceu ontem em Kuala Lumpur, durante a 47ª Cimeira da ASEAN. Para o mais jovem país do Sueste Asiático, a sua condição de 11º estado-membro da ASEAN é a concretização de uma vontade de afirmação no panorama internacional, pois passa a ter como parceiros o Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia e Vietname que, juntos, representam 680 milhões de habitantes.
Na “fotografia de família” que é publicada com destaque na edição de hoje do centenário diário filipino Manila Bulletin estão presentes 17 personalidades políticas, entre as quais Xanana Gusmão (primeiro-ministro de Timor-Leste), José Ramos-Horta (presidente de Timor-Leste), António Costa (presidente do Conselho Europeu) e António Guterres (secretário-geral das Nações Unidas).
Quem podia imaginar que na Cimeira da ASEAN estivessem quatro individualidades cuja língua-mãe é o português!

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

R.I.P. Francisco Pinto Balsemão

Com 88 anos de idade faleceu Francisco Pinto Balsemão, uma das mais importantes figuras da democracia portuguesa, pois foi um dos fundadores do PPD/PSD e exerceu as funções de primeiro-ministro de Portugal entre Janeiro de 1981 e Junho de 1983, quando sucedeu a Sá Carneiro após o desastre de Camarate. Porém, para além de ter sido um político de grande destaque, Francisco Pinto Balsemão também foi jornalista e empresário da comunicação social. Começou por trabalhar no Diário Popular e, em 1973, foi o criador do semanário Expresso, que desde logo se afirmou como uma referência na imprensa portuguesa e um inspirador de uma nova sociedade que se vinha desenhando desde as eleições legislativas de 1969.
Nessas eleições, acontecidas já nos últimos anos do Estado Novo, o marcelismo tinha mostrado alguma abertura ao rígido e monolítico regime herdado de Salazar e aceitara a constituição de uma Ala Liberal na Assembleia Nacional, de que fizeram parte como deputados os jovens Pinto Balsemão, Sá Carneiro, Miller Guerra, Pinto Leite, Magalhães Mota e Mota Amaral, entre outros, que se afirmaram numa linha política que já reclamava a democracia. Por isso, o dia 25 de Abril de 1974 foi vivamente saudado pelos homens da Ala Liberal, num tempo em que as outras referências da democracia portuguesa ainda estavam ausentes do país, pelo que uma das suas primeiras iniciativas foi exactamente a criação do PPD/PSD.
Em 1987, já afastado da política activa apesar de continuar a ser uma referência do seu partido, Francisco Pinto Balsemão criou a SIC, um projecto televisivo de grande sucesso e, nesse mesmo ano, teve a iniciativa da criação do Prémio Pessoa, um prémio atribuído anualmente a pessoas de nacionalidade portuguesa que durante esse período, e na sequência de atividade anterior, se tenham distinguido como protagonistas na vida científica, artística ou literária.
Eu nunca conheci Francisco Pinto Balsemão, mas é unânime o elogio à sua personalidade, aos seus ideais democráticos e à sua obra inovadora.
Em 2011 foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.