quarta-feira, 5 de abril de 2017

O Brexit e a velha questão de Gibraltar

No passado dia 29 de Março, a primeira-ministra britânica Theresa May fez chegar ao polaco Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, uma carta a formalizar a sua decisão de abandonar a União Europeia. As análises que já antes eram feitas sobre os prós e os contras desta decisão voltaram a ser discutidas, um pouco por toda a parte. Nesse contexto, surgiu uma novidade: o que iria fazer Gibraltar e os 30 mil gibraltinos? Estarão eles dispostos a deixar a União Europeia e a enfrentar uma mudança na sua relação com a Espanha, com o fim da livre circulação de pessoas e bens, com a reabertura da burocracia fronteiriça ou até o isolamento?
Theresa May cometeu o erro de ignorar Gibraltar na sua carta e a Espanha aproveitou a oportunidade para insinuar que era chegada a hora de Gibraltar ficar sujeita a um regime de soberania partilhada entre a Espanha e o Reino Unido, como primeiro passo para o seu futuro regresso à Espanha. Fabian Picardo, o jovem ministro-chefe de Gibraltar veio de imediato opor-se a qualquer alteração à actual ligação de Gibraltar com o Reino Unido, enquanto em Londres alguém se lembrou de dizer que Gibraltar seria tão defendido quanto o foram as Falklands/Malvinas em 1982. Entretanto, começaram as habituais quezílias fronteiriças nas águas gibraltinas. A antiga corveta Infanta Cristina que em 2004 foi reclasssificada como navio-patrulha (P-77), terá feito “uma incursão ilegal” nas águas de Gibraltar ao passar a cerca de 1500 metros da costa, o que obrigou o navio-patrulha HMS Scimitar (P-284) a abordar o navio espanhol para o escoltar para fora da águas territoriais de Gibraltar. O navio espanhol tem 89 metros de comprimento e 1440 toneladas de deslocamento, enquanto o patrulha britânico tem 16 metros de comprimento e 24 toneladas de deslocamento. Esta diferença e a fotografia dos dois navios foram aproveitadas pelo Daily Mail para dar uma ajuda ao orgulho britânico e à persistência ou à teimosia de Gibraltar.

domingo, 2 de abril de 2017

Que viva o Guernica e que viva Picasso

Uma grande exposição organizada em Madrid pelo Museu Reina Sofia vai celebrar o pintor Pablo Picasso, desde o próximo dia 4 de Abril até ao dia 4 de Setembro, a propósito do 80.º aniversário da criação de Guernica, o símbolo universal da crueldade da guerra e o mais famoso quadro do pintor. Hoje, o diário ABC dedica uma extensa e muito interessante reportagem ao famoso quadro.
Em 1937, em plena Guerra Civil, o governo republicano espanhol encomendou um mural a Picasso para figurar no pavilhão espanhol da Exposição Internacional de Paris de 1937. O tempo correu sem que Picasso executasse a encomenda, até que no dia 26 de Abril de 1937 os aviões da Legião Condor hitleriana bombardearam com grande violência a cidade basca de Guernica. Esse trágico acontecimento inspirou Picasso que em 33 dias realizou o trabalho com 3,51 por 7,82 metros e que foi montado no pavilhão espanhol no dia 4 de Junho. O êxito foi enorme e todos queriam ver a obra de Picasso. Quando a exposição de Paris terminou, o mural começou a circular: Noruega, Suécia, Dinamarca e Londres. Depois Estados Unidos e uma longa itinerância por Nova Iorque, Los Angeles, S. Francisco e Chicago. O Guernica regressou à Europa e foi exposto em Milão, depois foi até São Paulo e voltou de novo à Europa para ser visto na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Dinamarca. Em finais dos anos 50 regressou aos Estados Unidos e Picasso declara então que o mural deveria ser devolvido ao povo espanhol quando as liberdades públicas fossem restauradas em Espanha.
Depois de muitas negociações o Guernica viajou para Espanha pela primeira vez em 1981 e em 1992 foi depositado no Museu Reina Sofia, onde agora se celebra também o 25º aniversário da sua chegada.
O símbolo universal dos horrores da guerra viajou muito, atravessou várias vezes o Atlântico e percorreu muitos milhares de quilómetros. De grandes dimensões e enrolado, sofreu muito com transportes e foi afectado por temperaturas e luminosidades. Guernica precisa de restauro e, apesar da complexidade dessa operação, parece que isso vai ser feito agora com o apoio técnico dos maiores especialistas mundiais..

É preciso muito mais ética na advocacia

A revista advocatus inclui na sua última edição uma entrevista com Guilherme Figueiredo, o novo Bastonário da Ordem dos Advogados, destacando uma afirmação na primeira página em que diz que “a advocacia tem de ser uma profissão exclusiva”. É óbvio que toda a gente que gosta de viver numa sociedade equilibrada e democrática concorda com esta afirmação: a advocacia é uma actividade que deve ser exercida em exclusividade. Não é a única, porque há outras actividades assim no nosso país.
Há que esperar, portanto, que o Bastonário seja coerente e seja consequente com o princípio que ele próprio enunciou, para bem de todos nós. Assim, espera-se que o Bastonário denuncie a promiscuidade e o conflito de interesses que se vive na Assembleia da República e proponha medidas legislativas para acabar com aquilo que Paulo Morais disse ser um antro de corrupção, talvez o maior do país, onde se fazem muitos negócios.
Depois é preciso acabar com a cena quotidiana de ver sócios de poderosos escritórios de advogados que defendem sempre os interesses dos seus clientes, mas que intervêm como supostos comentadores televisivos independentes e levam o público a comer gato por lebre. Apenas alguns nomes e respectivos registos: José Miguel Júdice (PLMJ/RTP), António Lobo Xavier (MLGTS/SIC), Luís Marques Mendes (Abreu Advogados/SIC), Nuno Morais Sarmento (PLMJ/TVI), António Vitorino (Cuatrecasas/SIC), Luís Nobre Guedes (NGMS/RTP), José Eduardo Martins (Abreu Advogados/RTP) e outros famosos advogados que aparecem mais ou menos regularmente.
Este tipo de personagens com o carimbo dos grandes escritórios de advogados, também são useiros e vezeiros em ter lugares nos governos, sucedendo-se notícias - verdadeiras ou falsas - de que fazem contratos por ajuste directo para favorecer amigos políticos e contratam assessorias jurídicas pagas principescamente, já para não falar de isenções ou perdões fiscais. Ora, é preciso muito mais ética na profissão de advogado, porque não vale tudo.
 

quinta-feira, 30 de março de 2017

O aeroporto Cristiano na ilha do Ronaldo

Eu devo estar a ficar ultrapassado pelo tempo e, por isso, não consigo compreender como é possível dar o nome de um futebolista a um aeroporto internacional, apesar de se tratar de um grande atleta que mete muitos golos, de ser um homem que parece apoiar boas causas, de ter um grande sucesso internacional e ser o português mais conhecido no mundo. Tudo isso é verdade e eu reconheço essa realidade. Porém, dar o nome de Cristiano Ronaldo ao aeroporto da Madeira ultrapassa a minha compreensão, apesar de verificar que o Presidente da República e o Primeiro-Ministro não faltaram à festa, certamente porque na luta pela popularidade parece valer tudo.
Cristiano Ronaldo tem feito muito pelo nosso país e nunca esquece a terra onde nasceu. Devemos ser-lhe grato por isso, mas também pelos golos que marca pela selecção nacional e que tanta alegria dão ao povo. No entanto, Cristiano Ronaldo é muito jovem, ainda está activo na sua carreira futebolística e o seu futuro, como o de todos nós, é sempre incerto. E há coisas que, por uma questão de bom senso, não se fazem. E se o homem decide ir viver para a América e naturalizar-se americano? E se o homem perde a cabeça e arranja um qualquer esquema de vida complicado? 
Se a moda pega, não demorará que Setúbal também queira um aeroporto e o baptize com o nome de José Mourinho ou, mais modestamente, que Manuel Luís Goucha exija uma estátua nas Avenidas Novas ou João Baião um pelourinho na Buraca.
Até o jornal desportivo espanhol as levou este acontecimento a sério e tratou de lhe dedicar toda a sua primeira página, como nenhum jornal português fez. Mas, se calhar estou isolado nesta minha opinião...

quarta-feira, 29 de março de 2017

Lisboa: cidade e turismo de mãos dadas

Por circunstâncias muito diversas mas que acabam por ser convergentes, a cidade de Lisboa está a tornar-se num pólo turístico à escala europeia ou mesmo mundial, ao receber muitos milhares de turistas. Há turistas por todo o lado.
O turismo tem transformado a cidade que está mais moderna, mais acolhedora e mais cosmopolita. Os turistas deambulam por toda a cidade e pelos arredores de Cascais e Sintra, enchem as esplanadas do Terreiro do Paço e fazem longas filas para comprar os pastéis de Belém; sentam-se na Ribeira das Naus a ver o Tejo com o movimento dos cacilheiros e o voo das gaivotas; acotovelam-se para entrar nos Jerónimos ou na Torre de Belém; assaltam as colinas do Castelo e as ruas estreitas da Alfama; sentam-se nas esplanadas da Brasileira ou da Bénard e fazem-se fotografar ao lado da estátua de Fernando Pessoa; visitam museus e igrejas, sobem até aos miradouros do Monte e da Graça para observar a cidade das sete colinas. À noite divertem-se. A hotelaria e o comércio lisboeta animam-se e o produto nacional, o emprego e a balança de pagamentos agradecem esta circunstância que se espera seja sustentável.
A prestigiada revista francesa Geo, que é especialista em turismo e lazer, dedica a sua edição nº 458 de Abril de 2017, que hoje foi posta a circular, à cidade de Lisboa. Chama-lhe magnétique, o que significa que atrai. Na sua primeira página destaca uma fotografia da Torre de Belém e do azul do mar, tendo escolhido para título a frase Comment cette belle ville du Sud devient une grande capitale d’Europe e, na sua reportagem, diz que Lisboa est la plus irrésistible des capitales européennes. Embora sejam frases agradáveis que os portugueses gostarão de ler, há um acentuado exagero nesta laudatória reportagem que, embora assente numa realidade quotidiana que todos vemos, até parece ter sido feita por encomenda. E lá teremos mais turistas e mais pastéis de nata para vender...

terça-feira, 28 de março de 2017

O paraíso dos reformados é em Portugal

Hoje, os escaparates franceses exibem um jornal em que se destaca a palavra Portugal, por muito boas razões. Trata-se do jornal Sud-Ouest que é um diário publicado em Bordéus e que é o terceiro maior jornal regional francês com uma circulação da ordem das 300 mil cópias.
Na sua edição de hoje, o jornal elege Portugal como notícia da sua primeira página e considera-o como o paraíso ou o eldorado dos reformados franceses. O jornal veio a Portugal para saber as razões porque são cada vez em maior número os reformados franceses que escolhem este país meridional e periférico para se instalarem, sobretudo no Algarve, mas também noutras regiões como o Oeste, a costa alentejana ou os Açores. Nos últimos anos esse número aumentou consideravelmente e a principal razão desta escolha parece ser um custo de vida mais barato e a possibilidade de poderem usufruir de regimes fiscais benevolentes. Porém, há outras razões de peso para a escolha dos reformados franceses, que vão desde a segurança e da amenidade do clima, até à riqueza do seu património monumental e da sua gastronomia, para além da simpatia, da cordialidade e da cultura dos portugueses.
Afinal e, ao contrário do que dizem alguns burocratas europeus que acusam os portugueses de “viver acima das suas possibilidades” ou de gastar tudo em “copos e mulheres e depois pedir dinheiro emprestado”, as opções dos reformados franceses mostram que Portugal é um país pacífico e acolhedor que merece mais respeito por parte dos Dijsselbloems e dos Schaübles, bem como da sua arrogância e sectarismo.

segunda-feira, 27 de março de 2017

O Brexit pode ser uma boa oportunidade

Foi anunciado pela primeira-ministra britânica Theresa May que o processo de saída da Grã-Bretanha da União Europeia se iniciará na próxima 4ª feira, dia 29 de Março, com a activação do artigo 50º do Tratado de Lisboa, dando-se assim andamento aos resultados do referendo de 23 de Junho de 2016. Uma decisão desta importância, que é tomada com base numa escassa vitória por 51.9% de votos no referendo e contra a opinião do eleitorado da Escócia e da Irlanda do Norte é, sem dúvida, uma decisão de alto risco, até porque são imprevisíveis as suas conseqüências internas e externas. Internamente há sérios riscos de desintegração do Reino Unido, com a Escócia a reclamar a sua independência e a Irlanda do Norte a apostar na sua integração na República da Irlanda, mas também se temem graves conseqüências económicas como a fuga de empresas estrangeiras, a quebra de investimentos e a redução do seu comércio externo. Externamente, também há muitos fantasmas a pairar, porque o exemplo britânico pode ser a caixa de Pandora que acelere a desagregação da União Europeia que, sem o Reino Unido, se torna mais fraca e mais vulnerável. A incerteza está a dominar as opiniões públicas quanto ao futuro e quanto à crise que aí vem, havendo "estudos" que servem e justificam todas as opiniões sobre as boas ou más consequências do Brexit.
Porém, uma das opiniões menos conhecidas hoje veiculada pelo semanário francês La Vie, sugere que o Brexit é uma boa oportunidade para a Europa se reformar e retomar os princípios do Tratado de Roma que muitos têm procurado não cumprir, ao manterem-se amarrados aos seus nacionalismos e ignorando os princípios da coesão e da solidariedade. Parece ser o caso britânico, que nunca aceitou ser igual entre iguais e que, em boa verdade, nunca perdeu a sua arrogância imperial e vitoriana, nem a sua hostilidade aos ventos continentais, não só os de Napoleão e de Hitler, mas também os que agora sopram democraticamente de Bruxelas. 
Aproximam-se tempos de crise, mas é das crises que surgem sempre as oportunidades de transformação.

sábado, 25 de março de 2017

Os deputados servem-nos ou servem-se?

Há meia dúzia de anos atrás, um antigo vice-presidente da Câmara Municipal do Porto chamado Paulo Morais afirmou que "o centro de corrupção em Portugal tem sido a Assembleia da República, pela presença de deputados que são, simultaneamente, administradores de empresas" e, acrescentou, que a Assembleia da República "parece mais um verdadeiro escritório de representações, com membros da comissão de obras públicas que trabalham para construtores e da comissão de saúde que trabalham para laboratórios médicos". Dizia Paulo Morais, que "os deputados estão ao serviço de quem os financiou e não de quem os elegeu". Estas declarações não ficaram escondidas numa qualquer página interior de um jornal, pois Paulo Morais repetiu-as com frequência quando da sua recente candidatura presidencial.
Porém, passados todos estes anos, nada foi feito para acabar com esta situação de promiscuidade, como mostra o recente caso do a-núncio e das relações entre o poder político e os escritórios de advogados. Ao mesmo tempo revelam-se outras situações igualmente perversas, que desacreditam a vida parlamentar e cavam um enorme fosso entre eleitos e eleitores. Foi o que agora revelou em livro e repetiu numa entrevista publicada no jornal i, o antigo deputado Magalhães. Nessa entrevista ficamos a saber que os deputados, para além do seu generoso salário, têm abonos complementares para trabalho de círculo ou para trabalho nacional, cujo pagamento não é sujeito a qualquer comprovativo ou verificação. É à vontade do freguês! É, por isso, um segundo salário não sujeito a impostos, havendo quem chegue a receber 80 mil euros por ano em subsídios de deslocações, por causa dos contactos com as comunidades de emigrantes. Daí resulta que os 230 deputados com assento na Assembleia da República, muitos deles sem trabalho efectivo ao serviço de quem os elegeu, tenham 230 remunerações diferentes, que são pagas pelos contribuintes. 
Sim, é mesmo verdade: muitas daquelas figurinhas ali sentadas com ar de parlamentares não têm vergonha nenhuma.

sexta-feira, 24 de março de 2017

As aventuras do novo John Rambo

Uma das principais bandeiras de Donald Trump quando se candidatou à presidência dos Estados Unidos foi o combate à imigração e aos imigrantes ilegais. Com apenas dois meses de mandato cumprido, o Donald tem-se afirmado como um bom cumpridor das suas promessas eleitorais, mas também como um verdadeiro sucessor de John Rambo, o ex-boina verde americano que tudo arrasava, como sugere a capa da edição de hoje do Newsweek.
O Donald começou por assinar o simbólico decreto que determina a construção de um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes ilegais e, agora, iniciou o prometido combate contra as chamadas “cidades santuário”, que acolhem a maioria dos indocumentados, que passarão a estar sob pressão para serem identificados, para terem menos hipóteses de trabalho e para poderem ser deportados. Mexicanos e brasileiros, mas também nacionais de muitos outros países estão agora sob permanente suspeita e em total insegurança, enquanto se acentuam as limitações à entrada de novos imigrantes ou de refugiados, sobretudo de religião muçulmana. As directivas para a expulsão de cerca de 11 milhões de imigrantes indocumentados, sobretudo hispânicos, dos quais 1,4 milhões serão brasileiros, foram accionadas e os agentes dos serviços alfandegários e de imigração têm instruções para expulsar o mais rapidamente possível os indocumentados que encontrem, embora em diferentes graus de prioridade. Para reforçar estas acções, o governo federal que o Donald dirige com a ajuda do genro e da filha Ivanka, está a ponderar reforçar as autoridades estaduais com mais 100 mil agentes da Guarda Nacional para perseguir os imigrantes indocumentados, sobretudo os que vivem mais próximo da fronteira mexicana. O dessassossego e o medo espalharam-se com esta nova “caça às bruxas” promovida pelo Donald, que parece querer governar a América e dirigir o mundo como um verdadeiro sucessor de John Rambo.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Dijsselbloem ou a imbecilidade perfeita

Apesar do seu partido ter sofrido uma derrota muito pesada nas eleições holandesas, Jeroen Dijsselbloem é ainda o Ministro das Finanças da Holanda e o Presidente do Eurogrupo. Este indivíduo que devia manter uma compostura de coesão e de unidade entre todos os membros do Eurogrupo, resolveu dar uma entrevista a um jornal alemão e tratou de acusar os países do sul da Europa de gastarem dinheiro “em copos e mulheres” e depois “pedirem que os ajudem”. Estas declarações foram consideradas xenófobas, sexistas, racistas, insensatas, infelizes, inaceitáveis e vieram perturbar meia Europa numa altura em que não eram precisas mais preocupações para além daquelas que já existem.
Através do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, o governo português criticou severamente o pateta Dijsselbloem e considerou que o fulano “não tem nenhumas condições para permanecer à frente do Eurogrupo". Pouco depois foi o Primeiro-Ministro a criticar duramente o imbecil do Dijsselbloem, dizendo que “numa Europa a sério, a esta hora Dijsselbloem já estava demitido” e acrescentando que “a Europa não se faz com Dijsselbloem’s”. Seguiu-se o Presidente da República que reafirmou a posição do governo.
Alguns jornais portugueses e espanhóis trouxeram a fotografia desse aborto que é o Dijsselbloem para as suas primeiras páginas, caso do Público, enquanto a Assembleia da República se associou por unanimidade contra as declarações preconceituosas deste verdadeiro jumento de 50 anos de idade, cuja cara de parvo não engana ninguém, excepto o senhor Schäuble.
Para quem não se lembre, este Jeroen Dijsselbloem é o arrogante indivíduo que chegou a presidente do Eurogrupo com um currículo falso, pois referiu possuir um Mestrado em Economia Empresarial tirado na University of Cork, que nunca existiu naquela universidade. Dijsselbloem é, portanto, um trafulha e um imbecil. Vê-se na cara. Fora com o Dijsselbloem!

Lisboa, a cidade global que se apresenta

O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) está a exibir A Cidade Global, uma exposição sobre a  cidade de Lisboa no século XVI, quando a Rua Nova dos Mercadores era a maior praça financeira e o maior mercado de produtos exóticos da Europa. A exposição apresenta-se em torno de dois quadros descobertos em 2009 que representam essa famosa rua lisboeta. Nesses quadros, cuja autenticidade tem estado envolta em alguma polémica, está representada uma parte da vida da cidade, através de mercadores, saltimbancos, cavaleiros, jóias, sedas, especiarias, animais exóticos e outros objectos importados de África, do Brasil e da Ásia. É uma figuração quase única e que, como poucas, simboliza a vida da cidade na época dos descobrimentos.
O objetivo da exposição é exactamente a reconstituição do coração da cidade mais global da Europa do Renascimento e conta com 249 peças pertencentes a 77 emprestadores, muitas delas pouco conhecidas. A Cidade Global apresenta-se dividida por seis salas temáticas, nela se destacando aquela em que são apresentadas as novidades e o conhecimento científico do tempo, através da exposição de manuscritos, livros, mapas e outros objectos que simbolizam a grande aventura dos descobrimentos ou da expansão marítima portuguesa. Porém, as interacções culturais e a arte resultante do contacto com novas terras e novas gentes também estão devidamente representadas na exposição que é servida por um excelente catálogo.
Deve ser salientado que a cidade de Lisboa apresentou nas últimas semanas ou ainda apresenta duas outras grandes exposições sobre Amadeu de Sousa-Cardoso (MNAC) e sobre Almada Negreiros (FCG), o que parece significar um invulgar cosmopolitismo cultural contemporâneo, digno da herança da cidade global do século XVI.  
A exposição termina no dia 9 de Abril e, por isso, nenhum lisboeta deve deixar de agendar uma visita, pois é uma boa oportunidade para ver uma grande e invulgar exposição sobre um período tão rico da história portuguesa.

terça-feira, 21 de março de 2017

A Marinha como instrumento de prestígio

Na sua edição de hoje o diário ABC destaca a actividade da Marinha da Espanha e anuncia que há doze navios e cerca de dois mil efectivos a participar em missões internacionais, em cenários tão diferentes como o mar do Norte, a Austrália, a Somália e o golfo de Aden, o Mediterrâneo e até a Antártida, isto é, em cinco continentes. Nunca a Marinha espanhola teve um empenhamento operacional tão intenso desde que em 1975 a Espanha recuperou a democracia.
A edição do jornal ABC é ilustrada com uma fotografia do Juan Carlos I, um navio de projecção estratégica ou navio polivalente do tipo LHD (Landing Helicopter Dock), que é o maior navio da Marinha espanhola.
As missões relatadas na reportagem do ABC integram-se no âmbito das responsalidades espanholas junto da NATO e da EU, mas também têm um carácter nacional. Assim, são indicadas as missões e os meios envolvidos nas acções de combate à pirataria nas costas da Somália onde se encontra o LPD (Landing Plataform Dock) Galícia, no golfo da Guiné, nos exercícios da NATO no mar do Norte e nas costas da Líbia, assim como os exercícios em curso no mar Negro. É descrita a missão da fragata Cristóbal Colón, o mais moderno navio da Marinha espanhola, que está em curso nos portos australianos para promoção da construção naval espanhola que recentemente vendeu dois LHD (o Camberra e o Adelaide) à Marinha australiana. No porto de Usuhaia, na Terra do Fogo, encontra-se o navio oceanográfico Hespérides em apoio à base espanhola na Antártida e às suas campanhas científicas. Finalmente, o navio-escola Juan Sebastián de Elcano navega das Canárias para San Domingo e Nova Iorque em viagem de instrução de cadetes.
São doze navios empenhados e cerca de dois mil efectivos envolvidos. A Espanha zela pelo seu prestígio internacional, porque é disso que se trata, investindo numa presença naval efectiva. Aqui ao lado, Portugal é realmente demasiado pequeno e não tem doze navios nem cerca de dois mil militares para fazer como a Espanha, mas é pena termos tanta gente que ainda quer o país mais pequeno e mais irrelevante na cena internacional.

segunda-feira, 20 de março de 2017

União Europeia sob a ameaça da implosão

No próximo dia 25 de Março completam-se 60 anos sobre a data em que foi assinado o Tratado de Roma que criou a Comunidade Económica Europeia (CEE) e que culminou um longo processo de negociações nascido depois da catástrofe que foi a 2ª Guerra Mundial. Procurava-se um caminho de paz e de progresso que visava reconstruir uma Europa que a guerra devastara em termos económicos e políticos e que se encontrava emparedada entre as duas superpotências daquela época, mas também se pretendia criar um espaço e uma dinâmica de cooperação ou de integração que prevenisse a hipótese de virem a acontecer outras guerras no futuro.
O êxito do projecto europeu depressa atraiu outros países ao núcleo fundador – Alemanha, França, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo – tendo-se seguido sete alargamentos. Em 1973 entraram o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca; em 1981 entrou a Grécia; em 1986 entraram Portugal e a Espanha. Em 1995 foram admitidos a Áustria, a Suécia e a Finlândia, em 2004 mais dez países, em 2007 a Bulgária e a Roménia e em 2013 entrou a Croácia. Nunca se percebeu porque houve tanta pressa nestas alargamentos todos. Depois, a CEE passou a ser a União Europeia e, actualmente, são 28 os estados-membros desta mega-organização que parece já não funcionar, amarrada à burocracia de Bruxelas, aos nacionalismos egoístas e à mediocridade de dirigentes medíocres, mas que os interesses e as máquinas eleitorais nacionais fazem eleger. Pode dizer-se que a União Europeia são quase 28 culturas e quase 28 línguas, com estados de desenvolvimento, noções de integração e ideias de solidariedade muito diferentes. Os fundadores Jean Monnet, Robert Schuman, Konrad Adenauer, Paul-Henri Spaak e muitos outros, não têm continuadores à altura dos tempos que vivemos. A Europa está dividida e retalhada por interesses muito divergentes e em vias de implodir como sugere a edição de hoje do L’Espresso, a influente revista que se publica em Roma e que tem a mesma idade da União Europeia.

sábado, 18 de março de 2017

O estilo provocatório de Donald Trump

As coisas parece não estarem a correr bem a Donald Trump e a oposição americana começa a organizar-se para responder a uma linha de actuação presidencial que muitos consideram provocatória. Esta é, no essencial, a mensagem contida na última edição da revista francesa L’Express.
Embora o estilo do Donald já tivesse sido revelado durante a campanha eleitoral que o levou à presidência dos Estados Unidos, pensava-se que o simbolismo da Casa Branca e a própria experiência presidencial o iriam moderar nas suas atitudes e no seu discurso, mas parece que ele mantém o seu peculiar estilo.
Começou por exibir a sua forma arrogante e fanfarrona na relação com o México por causa da construção do muro a separar os dois países. Depois tratou de advertir o Irão por ter lançado um míssil experimental. Foi insolente para com a China a propósito da expansão chinesa no mar do Sul da China que, segundo muitos observadores, é um dos mais perigosos lugares de potencial conflito militar que temos hoje no mundo. Não tem cessado de hostilizar a União Europeia, ao mesmo tempo que elogia o Brexit e apoia o governo de Theresa May. Noutro plano, tratou de insultar os mass media, atacar os emigrantes de origem muçulmana e, agora, critica a China e ameaça a Coreia do Norte, porque considera que terminou a política de paciência estratégica”.   
Porém, parece que a oposição americana se está a  organizar e a contrariar o Donald em muitas instâncias do poder. Nos últimos dias, dois juízes bloquearam, primeiro no Havai e depois em Maryland, o decreto anti-imigração que visa impedir a entrada de pessoas de origem muçulmana provenientes de seis países de que o Donald não gosta, mas que serão dos que mais precisam de solidariedade. 
Em menos de dois meses, o Donald já desilude muitos dos que nele votaram e tem a popularidade em queda.

A paz está de regresso ao País Basco

A Euskadi Ta Askatasuma que é conhecida pela sigla ETA e que em língua basca significa “Pátria Basca e Liberdade”, anunciou ontem que vai entregar todas as suas armas e abandonar em definitivo a luta armada, o que significa que a paz está de regresso ao País Basco.
A ETA foi fundada em 1959 como uma organização cívica e cultural e integrou-se no movimento de libertação nacional basco, mas depressa evoluiu para uma organização paramilitar e separatista, lutando pela independência do País Basco, um território que se distribui por Espanha e França.
Depois de alguns anos de interrupção das suas actividades violentas e de discretas negociações, a ETA veio anunciar o seu desarmamento completo e o fim da luta armada, ao mesmo tempo que anunciou um plano para a entrega das armas e explosivos escondidos no País Basco francês, até ao próximo dia 8 Abril. A operação será difícil e complexa, porque envolve muita gente que apoiou a ETA e porque uma parte dessas armas está escondido em casas particulares, cujos donos ainda não estão seguros da não intervenção policial. Embora o governo espanhol exija que a ETA também anuncie a sua dissolução, o facto é que o seu anúncio gerou uma onda de optimismo por estar à vista o fim de mais de 50 anos de violência e terror, em que a ETA foi responsável pelo assassínio de 829 pessoas.
Mariano Rajoy e Iñigo Urkullu, o presidente do governo autónomo do País Basco espanhol, assim como as associações da sociedade civil do País Basco francês que têm conduzido o processo no terreno, têm sobre os seus ombros a importante tarefa de fazer com que a paz regresse ao País Basco, que é destacada hoje em toda a imprensa espanhola.