sexta-feira, 29 de julho de 2022

O regresso de Napoleão à cidade de Rouen

Num tempo de férias e de poucas notícias para além dos calores e dos incêndios florestais, em que pouco sabemos sobre o conflito na Ucrânia, as eleições brasileiras ou a sucessão de Boris Johnson, desperta alguma curiosidade a notícia de que Napoleão regressa do exílio, que hoje foi veiculada na edição de Rouen do quotidiano Paris-Normandie.
Afinal trata-se simplesmente do retorno da estátua de Napoleão à praça do Hôtel de Ville de Rouen, ou se quisermos, à praça do Município ou da Prefeitura da cidade. A estátua equestre faz parte do património histórico da cidade e está colocada naquele local desde 1865, tendo sido fundida com o bronze dos canhões usados na batalha de Austerlitz que foi travada em 1805 e na qual o exército de Napoleão derrotou os exércitos austro-russos nos campos da Morávia.
Passados tantos anos, a autarquia decidiu proceder ao restauro da estátua que pesa sete toneladas, entregando o trabalho à Fonderie de Coubertin de Saint-Rémy-les-Chevreuse por 300 mil euros. Esse trabalho durou dois anos e ficou agora concluído. Ontem, numa operação inversa da desmontagem, a estátua chegou de madrugada e em duas partes: uma viatura pesada transportou o cavalo e o cavaleiro, enquanto a cabeça foi acondicionada e transportada numa viatura ligeira. Uma multidão de espectadores assistiu à chegada da estátua do imperador e, segundo refere o jornal, houve bandeiras, aplausos e palavras de ordem como “Viva o Imperador”, a saudar o regresso da estátua de Napoleão ao seu lugar.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Birmingham, XXII Commonwealth Games

A XXII edição dos Jogos da Commonwealth começam hoje na cidade inglesa de Birmingham e vão decorrer até ao dia 8 de Agosto.
Esta competição desportiva iniciou-se em 1930 como os Jogos do Império Britânico, mas a sua designação evoluiu ao longo dos tempos em função das circunstâncias internacionais, passando a ser designados como os Jogos do Império Britânico e da Commonwealth, depois como os Jogos da Comunidade Britânica e, actualmente, são designados como os Jogos da Commonwealth
São um importante acontecimento desportivo, embora nunca tenham adquirido o prestígio dos Jogos Olímpicos ou de outras competições mundiais. Este ano está anunciada a competição em 25 modalidades e a participação de 71 países ou regiões, nomeadamente da África (19), da Ásia (8), das Caraíbas e Américas (20), da Europa (10) e do Pacífico (14). Uma das curiosidades destes Jogos é o facto dos quatro países que constituem o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) se apresentarem com equipas separadas, ao contrário do que acontece nos Jogos Olímpicos em que competem sob a bandeira da Grã-Bretanha.
Se estes Jogos são uma forma que os britânicos têm para afirmar a sua pretensa superioridade, também são uma forma de muitos antigos territórios coloniais mostrarem a sua igualdade, pelo que despertam muito interesse no antigo império britânico.
Hoje o famoso jornal The Times of India publica um anúncio de um quarto de página assinado pela Adani Sportsline a desejar os melhores resultados ao Team India e a celebrar “os nossos campeões”, não só pelas suas medalhas, mas pela sua dedicação de horas, dias, meses e anos “para trazer glória à Índia”.

terça-feira, 26 de julho de 2022

A visita do Papa Francisco ao Canadá

O Papa Francisco, também designado como Santo Padre, é o Bispo de Roma e é o líder mundial da Igreja Católica Apostólica Romana que, segundo as estatísticas divulgadas pelo Vaticano, conta com 1,34 mil milhões de fiéis em todo o mundo, o que representa cerca de 17,74% da população mundial.
O catolicismo é a religião com mais seguidores no mundo, seguida do islamismo, do hinduísmo e do budismo. No seu milenar historial, a Igreja Católica procurou expandir-se e levar a sua palavra a todos os seres humanos, acontecendo que os portugueses tiveram um importante papel na sua difusão, nomeadamente no Brasil e em várias regiões de África e da Ásia do Sul e Oriental. Nessa sua missão apostólica, a Igreja Católica desempenhou um importante papel civilizacional e, através das missões e dos missionários, fomentou o progresso educacional e económico em muitas regiões, embora por vezes tivesse levado longe demais a sua intolerância perante as outras religiões, ou perante os comportamentos desviantes dos chamados hereges, através da brutalidade das práticas inquisitoriais. Daí que, em nome de toda a Igreja Católica e dos cristãos, o Papa João Paulo II tenha pedido desculpa pelos actos menos dignos praticados pela Igreja e pelos seus membros. Depois, nas suas visitas papais, os Papas passaram a pedir perdão dos excessos dos seus membros.
O Papa Francisco está no Canadá desde o passado domingo e tratou de pedir desculpa aos povos indígenas em nome da Igreja Católica, reconhecendo "o abuso espiritual, cultural, emocional, físico e sexual" que foi praticado sobre cerca de 150 mil crianças nas escolas e internatos canadianos geridos pela Igreja, desde cerca de 1870 até ao fim do século XX. Chamou-lhe uma "visita penitencial" e, aparentemente, amenizou um trauma canadiano que o mundo não conhecia. Um novo tempo começa, foi o título escolhido pelo Toronto Star.

domingo, 24 de julho de 2022

O rio Tejo e as alterações climáticas

Na sua mais recente edição, o semanário Nascer do Sol dedica uma grande reportagem ao rio Tejo que está a ser vítima da seca severa que afecta toda a península Ibérica e que, naturalmente, é uma consequência das alterações climáticas que estão a modificar o modo de vida no nosso planeta. O jornal escolheu para título de primeira página que o “Tejo já se atravessa a pé em Santarém”, acrescentando que há “pescadores sem peixe, agricultores sem água, barqueiros que são obrigados a alterar trajectos e atletas de canoagem que precisam de fugir às pedras”. Aparentemente o caudal do rio nunca foi tão baixo e há zonas em que parece ser possível atravessá-lo a pé. Porém, um velho habitante da margem do rio disse ao citado jornal que “o rio sempre esteve assim”, acrescentando que “há anos que isto acontece, não é novidade nenhuma”. Ao ler-se este título e esta notícia fica-se na dúvida sobre a real situação do rio Tejo e sobre o rigor desta informação, pois parece ser demasiado sensacionalista. 
O facto é que as ondas de calor dos últimos meses têm provocado graves danos económicos e ambientais por todo o território nacional, em que se destacam a vaga de incêndios florestais, a falta de água nos rios, os problemas no regadio e a diminuição da produção de energia hidroeléctrica.
Das suas cinco barragens, o rio Tejo tem duas em Portugal (Fratel e Belver), mas suspeita-se que o caudal na parte portuguesa do rio esteja a ser cortado algures em Espanha, o que é um problema sério que carece da atenção das autoridades ibéricas.
Com uma extensão de cerca de mil quilómetros, o rio Tejo é o maior rio da península e a sua bacia hidrográfica tem cerca de 80 mil quilómetros quadrados, o que significa que é quase do tamanho de Portugal. Para além dos seus aspectos económicos e ambientais, o rio Tejo é também uma memória histórica e cultural para os portugueses e para os seus poetas. 
A pensar na gesta da expansão marítima portuguesa, Fernando Pessoa escreveu que “pelo Tejo vai-se para o mundo”, enquanto Luís de Camões pediu inspiração às tágides, ou ninfas do rio Tejo, para compor a sua obra Os Lusíadas.
Portanto, cuidemos do rio Tejo!

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Tour de France: desportivismo exemplar

A Volta à França em bicicleta, ou simplesmente Tour de France, realiza-se desde 1903 e é um dos maiores espectáculos desportivos do mundo, pois desperta o entusiástico interesse dos franceses, como se pode observar nas transmissões televisivas diárias de grande qualidade.
No corrente ano disputa-se a 109ª edição da prova e à partida, entre os favoritos encontravam-se à partida o esloveno Tajed Pogacar (UAE-Emirates), de 23 anos de idade e que venceu as duas últimas edições da prova, juntamente com o dinamarquês Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma), de 25 anos de idade e que na última edição ficou em segundo lugar.
Nas primeiras 17 etapas do Tour eles justificaram o favoritismo que lhes era atribuído e estavam destacados nos dois primeiros lugares da classificação geral. Ontem, nos Altos Pirinéus, disputou-se a 18ª etapa entre Lourdes e a estância de esqui de Hautacam, com passagem pelo Col d’Aubisque e pelo Col de Spandellese. Era o confronto mais esperado entre os dois rivais. A cerca de 20 quilómetros da meta Pogacar e Vingegaard seguiam juntos na descida que antecede a última montanha, quando o esloveno caiu. O dinamarquês podia ter atacado, mas desacelerou até que o rival recuperasse e o alcançasse. Quando Pogacar chegou junto do seu adversário agradeceu-lhe com um aperto de mão. Foi um bonito gesto de fair-play a mostrar que mesmo numa competição de enormes interesses comerciais e financeiros, há espaço para o desportivismo e que “não vale tudo”, como acontece na maioria dos desportos-negócios. Pouco depois os dois ciclistas iniciaram a temível subida para Hautacam e a três quilómetros da meta, Jonas Vingegaard arrancou e foi mais forte, ganhando a etapa. No domingo será certamente o dinamarquês a triunfar na Volta à França e, provavelmente, o esloveno será o segundo classificado, mas estes dois jovens ganharam ambos em desportivismo e deram uma lição a muita gente. 
Assim é que é o desporto! Muitos jornais franceses publicaram hoje a fotografia de Jonas Vingegaard a cortar a meta no alto de Hautacam e chamaram-lhe o novo rei do Tour.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

O encontro entre Rússia, Turquia e Irão

O presidente iraniano Ebrahim Raisi recebeu em Teerão o presidente russo Vladimir Putin e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan e este encontro, que não suscitou o interesse da imprensa internacional, foi de grande importância política, pois juntou os líderes de três poderosos actores da cena internacional. Cada um destes países tem interesses próprios na Ásia Ocidental e no Médio Oriente e, cada um a seu modo, procura maior protagonismo internacional e mostra desconfiar e resistir às influências ocidentais.
A Rússia está envolvida na sua “operação militar especial” na Ucrânia, o Irão mantém um apertado braço de ferro com a Arábia Saudita a propósito do Iémen e a Turquia, que é membro da NATO, parece estar a planear a sua própria “operação militar especial” no Curdistão sírio.
Na agenda deste encontro parece ter estado a proposta apoiada pela ONU para a retoma das exportações de cereais ucranianos através do Mar Negro, para aliviar a crise alimentar mundial, mas terá sido o conflito na Síria, onde os três países se envolveram para combater o terrorismo do Estado Islâmico e de outros grupos radicais, que dominou a reunião.
Poucos dias antes, também o presidente Joe Biden esteve em Israel e na Arábia Saudita, que são aliados dos Estados Unidos e os principais rivais do Irão, para reforçar os laços de cooperação americanos com esses países e, certamente, para vender equipamento militar.
Assim vai este mundo, onde parece que se andam a “contar espingardas”, esquecendo-se os urgentes problemas das alterações climáticas, da pobreza e da fome, entre muitos outros. Como referiu o secretário-geral das Nações Unidas António Guterres, temos uma escolha: acção colectiva ou suicídio colectivo.
Este encontro de Teerão não se inscreve na lógica de António Guterres, mas quebrou algum isolamento internacional da Rússia e fez com que Vladimir Putin recebesse o apoio firme do líder supremo iraniano Ali Khamenei. A fotografia publicada pelo jornal espanhol El País mostra como foi politicamente importante o encontro de Teerão.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Devoção marinheira à Virgen del Carmen

O dia 16 de Julho é, para os espanhóis, o Dia de Nuestra Señora del Carmen, padroeira das gentes do mar, isto é, da Armada, da Marinha Mercante e das Marinhas de Pesca, Desportiva e Científica. É um dia de grande devoção das comunidades e das corporações marítimas, conforme se observa através da alargada cobertura que a imprensa espanhola e, em especial, aquela que se publica nas comunidades autónomas mais ligadas ao mar, dedicam a esta festividade.
A devoção das gentes do mar à Virgen del Carmen tem raízes históricas que remontam ao século XVI, mas a veneração e a prática devota evoluíram de forma diversa nas diferentes comunidades espanholas, embora tenham como pontos comuns as verbenas ou festas populares laicas, as procissões marítimas e os hinos de homenagem à Virgen marinera ou à Estrella de los mares
Depois de terem estado suspensas durante três anos por causa da pandemia, as festividades regressaram com forte aposta nas procissões marítimas de devoção à Virgen marinera para abençoar as águas do mar, tendo havido comunidades que as promoveram depois de muitos anos de interregno. São essas procissões marítimas que dão um carácter de tradição popular às festividades em honra da Virgen del Carmen, que este ano foram realizadas em muitas localidades, designadamente nas Astúrias, Cantábria, Galiza, Andaluzia, Canárias e em Ceuta.
A Armada espanhola veio a proclamar a Virgen del Carmen como a sua padroeira em 1901, oficializando uma tradição que já tinha profundas raízes populares, tendo adoptado como seu hino a Salve marinera:

Salve! Estrella de los mares, de los mares iris, de eterna ventura.

Como sabemos, algumas comunidades marítimas portuguesas também cumprem as suas devoções em procissões marítimas, desde Viana do Castelo aos Açores.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

O calor chegou aos 41ºC no Reino Unido!

Não é habitual que nos inspiremos no noticiário da prensa amarilla, ou imprensa cor-de-rosa, para seleccionar os temas tratados na ruadosnavegantes, não só porque essa imprensa se dedica a assuntos de menor interesse social e de ética do jornalismo, mas também porque cultiva o sensacionalismo e o voyeurismo. Daí que nunca tivéssemos aqui trazido o The Sun, um jornal diário de formato tablóide e de grande circulação, que se publica no Reino Unido e na República da Irlanda. 
Porém, a anormal onda de calor que tem afectado e provocado inúmeros incêndios florestais na península Ibérica, na França e na Itália, também chegou às ilhas Britânicas, pelo que os serviços meteorológicos britânicos, o chamado Met Office, accionaram pela primeira vez o alerta vermelho pois as temperaturas previstas aproximavam-se dos 40ºC. 
O jornal The Sun foi feliz no título que escolheu para a sua edição de ontem, pois classificou a situação que está a afectar o Reino Unido como escaldante e escreveu: mais quente que o Sahara… a Índia… o Paquistão… a Argélia… e a Etiópia.
Segundo os meteorologistas europeus, a onda de calor que tem afectado a península Ibérica vai alastrar para o norte e para o leste europeus, esperando-se que dê origem a máximos históricos de temperaturas em vários países, nomeadamente na Alemanha e nos Países Baixos, mas também na região balcânica. As alterações climáticas são cada vez mais evidentes e, realmente, ninguém esperava que os termómetros marcassem 41ºC em Londres.

domingo, 17 de julho de 2022

Grandes naus, grandes tormentas!

Ao presidente dos Estados Unidos pode aplicar-se, com grande a propósito, o provérbio português “grande nau, grande tormenta”, porque são enormes os problemas internos e externos do complexo militar-industrial americano ou da mais poderosa nação do mundo. Nos últimos tempos, os Estados Unidos têm sido confrontados com a guerra no centro da Europa, com o constante interesse chinês pelo controlo do mar da China, com a perda da sua tradicional hegemonia na América Latina e, obviamente, com o problema do Médio Oriente.
O Médio Oriente é uma área muito sensível devido à conflitualidade israelo-árabe e às tensões que foram reveladas na guerra da Síria, sobretudo entre o Irão e a Arábia Saudita, pelo que os Estados Unidos tiveram necessidade de restabelecer ou reforçar as suas alianças, num tempo de agravamento dos preços do petróleo e de eventual crescimento da hostilidade iraniana. Daí a primeira visita do presidente Joe Biden a Israel, aos territórios palestinianos e à Arábia Saudita, que é um grande produtor de petróleo, o maior comprador de armamento aos Estados Unidos e o exemplo universal de desrespeito pelos direitos humanos. Porém, Joe Biden tinha acusado a Arábia Saudita do assassínio de um jornalista dissidente saudita e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman de ser um pária e o mandante desse assassínio, o que fez arrefecer as relações entre os dois países. O aumento dos preços do petróleo convenceu Joe Biden, que se esqueceu de tudo o que disse antes e que, apenas quatro semanas antes da visita, tinha afirmado que não se encontraria com o príncipe herdeiro saudita. 
Hoje, a edição do The Wall Street Journal e outros jornais americanos, publicam a fotografia de Joe Biden a cumprimentar Mohammed bin Salman. Assim vai a política internacional! Há quem chame a isto a realpolitik, mas parece que tudo isto acontece devido à mediocridade de muitos líderes mundiais.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

O surto inflacionário afecta a economia

O mundo está a passar por situações muito complexas, desde a guerra no centro da Europa onde parece não haver vontade de a acabar, até às alterações climáticas e os seus efeitos sobre o ambiente, a natureza e a vida humana, mas também a persistência das epidemias, as crises políticas com recurso à violência e o agravamento das desigualdades e da pobreza no mundo, entre outros problemas. Como denominador comum de todas estas coisas está a economia e, de entre as suas múltiplas variáveis, está a inflação que, nos últimos tempos, se tornou notícia em todo o mundo.
A inflação é o aumento geral dos preços dos bens e serviços e mede-se pela sua variação percentual anualizada, que é a taxa de inflação. Com a mesma moeda, compra-se mais ou menos, conforme se tem menos ou mais inflação, o que significa que a taxa de inflação afecta o poder de compra das famílias, a capacidade de investimento das empresas e, de uma forma geral, a evolução da economia, do emprego e da estabilidade social.
Há diferentes teorias para explicar as causas da inflação, mas a mais aceite tem por base o desfasamento ou a desproporção entre o crescimento da economia e o crescimento da oferta de moeda.
Depois de muitos anos em que as autoridades monetárias controlaram a inflação, os acontecimentos da Ucrânia e os seus efeitos sobre o custo da energia, provocaram o seu disparo e, nos últimos 12 meses, a taxa de inflação na Zona Euro atingiu 8,6%, o nível mais alto de sempre. A Estónia (22,0%) e a Lituânia (20,5%) registam as taxas mais altas, tendo Malta (6,1%) e a França (6,5%) as taxas mais baixas, enquanto a Espanha atingiu 10,2% e a estimativa para Portugal é de 9,0%, o que já não se verificava desde há cerca de quarenta anos. Nos Estados Unidos, também a imprensa de referência anuncia hoje que a taxa de inflação chegou aos 9,1%, o seu mais alto valor desde 1981.
O surto inflacionário que está a afectar as economias mundiais é muitíssimo preocupante e é mais uma alínea na listagem das nossas incertezas. Com o título “Castigo ao bolsillo”, a edição de ontem do jornal espanhol ABC procurou explicar a evolução das diversas componentes do cabaz utilizado em Espanha para calcular a taxa de inflação.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

O Universo e uma nova era da Astronomia

Depois de uma viagem no espaço de mais de um milhão de quilómetros, o Telescópio Espacial James Webb (James Webb Space Telescope ou JWST) captou o seu primeiro conjunto de imagens coloridas do universo, que ontem foram difundidas numa sessão especial presidida por Joe Biden, o presidente dos Estados Unidos. A comunidade científica mundial e, em especial, o mundo dos astrónomos, entrou em euforia por poder conhecer galáxias que eram desconhecidas, que povoam a imensidão cósmica. A imprensa mundial publicou algumas dessas fotografias e dedicou grandes espaços ao acontecimento, destacando-se o título escolhido pelo jornal USA Today: “new era of astronomy”.
O Telescópio Espacial James Webb foi lançado no dia 25 de Dezembro de 2021 a partir do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, sendo o mais poderoso telescópio que alguma vez partiu da Terra. Foi imaginado há várias décadas e foi desenvolvido em parceria entre a National Aeronautics and Space Administration (NASA), a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadiana (CSA), tendo custado cerca de dez mil milhões de dólares. O seu principal objectivo é substituir o Telescópio Espacial Hubble que funcionava desde 1990 e a sua missão é pesquisar, estudar e compreender o espaço cósmico. Em 2002 foi decidido baptizá-lo em honra de James Edwin Webb, um antigo administrador da NASA.
Segundo foi divulgado, o telescópio James Webb vai produzir imagens cada vez mais profundas do cosmos, “extraindo segredos da escuridão e revelando realidades que os homens nunca viram ou sequer imaginaram”, o que também vai melhorar o nosso conhecimento do nosso universo, do nosso sistema solar e talvez da própria vida. Demasiado complexo e enigmático para os comuns mortais.

Calor, muito calor e incêndios florestais

Há uma onda de calor que está a afectar o território continental português e para o dia de hoje estão previstos máximos históricos para diversos locais, anunciando-se temperaturas de 46 ou mesmo 48 graus, num país em que a temperatura mais alta de que há registo aconteceu no dia 1 de agosto de 2003, quando os termómetros atingiram os 47,4 graus na Amareleja, no distrito de Beja. Ontem, diversas localidades como Monção, Vila Real e Viseu atingiram os seus máximos históricos de temperatura. A situação é deveras alarmante e se notarmos que o máximo europeu foi registado em 2021 na ilha Sicília com 48,8 graus, ficamos com uma ideia mais correcta da situação crítica que atravessamos.
Os incêndios florestais e a generalizada falta de água nas albufeiras e nos rios são as marcas mais graves da emergência climática que atravessamos, que fez com que grande parte do território continental estivesse sob alerta laranja e, nas últimas horas, tivesse entrado em alerta vermelho. Há incêndios activos em quase todos os distritos continentais e a luta das corporações dos Bombeiros e dos elementos da Protecção Civil tem sido muito corajosa, como por vezes se pode observar nas imagens televisivas, sobretudo quando não aproveitam estas situações para fazer reivindicações corporativas. Há sobressalto, inquietação e dor nas populações mais isoladas, impotentes para se defenderem das chamas que cercam as suas casas. Naturalmente, trata-se de uma consequência das profundas alterações climáticas que se estão a verificar no nosso planeta, a que se juntarão muitas outras causas, como o mau ordenamento florestal, mas não só.
Todos os anos, reúnem-se as autoridades administrativas e os especialistas, designadamente em debates televisivos, para diagnosticar a situação e para propor medidas que evitem ou atenuem a calamidade dos incêndios florestais, mas parece que em cada ano a situação se agrava. Não sei o que se possa fazer.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Boris Johnson caricaturado no Der Speigel

A demissão de Boris Johnson, que um jornal escocês considerou o pior primeiro-ministro britânico de sempre, gerou os mais diversos comentários de alguma imprensa, não só no Reino Unido, mas também no estrangeiro.
Na sua última edição a revista alemã Der Spiegel utilizou alguns títulos e subtítulos de primeira página como “Foi demasiada mentira”, e “O palhaço vai, mas o caos permanece” e “O legado tóxico de Boris”. O primeiro-ministro Boris Johnson era a excentricidade em Downing Street, o que é alguma coisa que não se ajusta à política do Reino Unido. Por isso, a revista alemã foi inspirar-se em Alfred E. Neuman, a mascote da revista humorística americana Mad que foi criada em 1952 por Harvey Kurtzman, cujos traços faciais desalinhados e sardentos, a falta de um dente incisivo, mais o seu aspecto irreverente e o seu sorriso despreocupado, ilustravam a maioria das capas daquela revista que fez história na imprensa humorística americana. A linguagem textual e gráfica da revista americana (que cessou a sua publicação em 2019) assentava na crítica satírica às figuras dominantes da política e da sociedade americanas tanto da esquerda como da direita e nenhuma lhe escapava.
Assim, a subtil ideia da revista Der Spiegel de criticar Boris Johnson com uma ilustração que manipula a sua imagem com a imagem ficcional de Alfred E. Neuman, que foi a marca identitária da revista humorística Mad é, em si mesma, uma curiosa e oportuna notícia.

sábado, 9 de julho de 2022

Worst PM ever: Boris Johnson sai de cena

Alexander Boris de Pfeffel Johnson demitiu-se das suas funções de primeiro-ministro do Reino Unido e de líder do Partido Conservador, cargos que desempenhava desde 2019. Nesse ano, ele liderou um movimento para afastar Theresa May do nº 10 de Downing Street e para ocupar o seu lugar, mas agora também foram os membros do seu próprio partido que levaram ao seu afastamento. No caso de Theresa May foi o Brexit que a derrotou, com Boris Johnson parece que foram as mentiras, os escândalos e. pensamos nós, as suas excentricidades que o seu partido não suportou. 
O Reino Unido é uma potência mundial e tem um inquestionável prestígio internacional, mas parece que passa por uma crise muito acentuada em vários domínios, numa altura em que relativamente à política internacional e ao conflito russo-ucraniano, tem procurado disputar protagonismo à União Europeia, de que se desligou no dia 31 de Janeiro de 2020. 
A imprensa internacional destacou o pedido de demissão de Boris Johnson, não tanto pelas alterações que possam surgir nas políticas interna ou externa britânica, mas sobretudo pela necessidade de dar maior credibilidade à governação errática do Reino Unido e, quem sabe, se não foi também pelo excesso de despesa com os generosos auxílios  ao regime de Kiev.
Nessa imprensa destacou-se o Daily Record, um tablóide escocês de circulação nacional que se publica em Glasgow e que foi o primeiro jornal europeu que foi impresso a cores. “Worst PM ever” ou, o pior primeiro-ministro de todos os tempos, foi a manchete escolhida pelo jornal que é verdadeiramente demolidora para Boris Johnson, embora a marca escocesa desta manchete nos obrigue a naturais reticências. Talvez a rainha Isabel II, que já conheceu 15 primeiros-ministros, nos possa dizer quem foi realmente o pior...

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Uma boa vitória da diplomacia angolana

O Jornal de Angola anunciou na sua edição de ontem que, com a mediação do presidente João Lourenço, a República Democrática do Congo (RDC) e o Rwanda tinham acordado o cessar-fogo imediato.
Uma parte da RDC (que tem 90 milhões de habitantes e a capital em Kinshasa) e o Rwanda (que tem 13 milhões de habitantes e a capital em Kigali) localizam-se na região dos Grandes Lagos, que é uma área geográfica africana de abundantes recursos minerais, mas também de muitas tensões étnicas, pelo que tem havido conflitos armados nessa região desde há várias décadas. Recentemente, os guerrilheiros do Movimento 23 de Março (M23), que têm o apoio do Rwanda e que há alguns anos já tinham sido derrotados pelas tropas da RDC, retomaram a sua luta e ocuparam a localidade congolesa de Bunagana, na região do Kivu Norte, que faz fronteira com o Rwanda.
Ambos os países se acusaram mutuamente de apoio a grupos rebeldes, ambos aumentaram as suas ameaças em relação ao rival e as forças armadas nacionais de ambos os países intervieram. Foi o início da guerra. Foi então que João Lourenço, o presidente da República Popular de Angola, foi mandatado pela União Africana para mediar o conflito. Os presidentes Félix Tshisekedi da RDC e Paul Kagame do Rwanda vieram a Luanda e a acção do presidente João Lourenço foi bem sucedida.
Que pena não haver líderes europeus tão prestigiados e tão eficazes como foi João Lourenço, para mediar o doloroso e destruidor conflito que decorre no território ucraniano.