segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Ceuta, assalto all’Europa

O problema surgido com a “invasão” de Ceuta “obriga-nos a pensar”, como escrevemos no último texto que aqui publicamos pois tem interpretações muito diversas, embora seja evidente que não se tratou de um acto espontâneo de cerca de 60 mil pessoas, sobretudo jovens, que de repente decidiram abandonar Marrocos e entrar na cidade autónoma de Ceuta, historicamente território espanhol, mas que o reino de Marrocos reivindica como território marroquino. 
Naturalmente, alguém instrumentalizou muitos daqueles jovens que procuram uma vida melhor e cujos direitos humanos devem ser respeitados, mas o que se passou terá sido “organizado” com a participação das redes sociais e pode ter sido um ensaio patrocinado pelo governo marroquino para avaliar as reações espanhola e da União Europeia, mas também pode ter sido “um plano pérfido de Marrocos contra a União Europeia” como escreveu o jornal austríaco Kronen Zeitung.
Porém, o jornal italiano La Stampa, que se publica em Turim, escolheu como manchete da sua edição a frase “Ceuta, o assalto à Europa”, havendo também abundante noticiário internacional que liga o que aconteceu com as relações íntimas entre Donald Trump, Benjamin Netanyahu e o rei de Marrocos, insinuando que os serviços secretos destes países prepararam esta “invasão” para criar dificuldades a Pedro Sánchez, o único chefe de governo da União Europeia que teve a coragem de condenar Netanyahu e de contrariar Donald Trump, designadamente ao não aceitar as orientações do presidente americano e do seu lacaio Mark Rutte, para gastar 5% do PIB em despesas militares.
Ainda ninguém explicou, com verdade e credibilidade, o que realmente se passou, mas objectivamente foi um assalto à Europa, como salientou o diário La Stampa. Os acontecimentos de Ceuta são de uma enorme gravidade, são um aviso e um alerta para a soberania europeia, mas serviram apenas para evidenciar a decadência da Europa, para mostrar a fragilidade dos seus vaidosos líderes e para excitar os extremistas europeus e os seus ideais xenófobos.

2 comentários:

  1. Não sei se esta tese merece crédito ou não, mas lá que faz sentido faz ... E se os bastidores das diplomacias internacionais fossem transparentes, o que aconteceria às nossas opiniões?

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