quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A tentação da chanceler e o seu plano B

A Europa está em férias e, aparentemente, nada acontece de relevante na sua vida política e económica. Porém, a prestigiada revista The Economist revela que a chanceler alemã está tentada a ultrapassar o actual impasse, mesmo que seja necessário desmembrar a zona euro. De facto, a equipa económica de Angela Merkel parece que tem trabalhado no sentido de resolver o problema grego e, também, os problemas económicos e financeiros de vários países que integram a moeda única. Apesar de sempre ter afirmado o interesse alemão na unidade dos 17 e na preservação da moeda única, a chanceler alemã está agora a considerar uma estratégia alternativa ou um plano B. Esse plano pretende salvar o euro através de uma intervenção selectiva, destinada a afastar os países que se têm revelado incapazes de cumprir as regras da moeda única e tem duas alternativas: uma considera apenas a saída da Grécia da zona euro, mas outra considera uma saída mais alargada de países, designadamente os que já foram ou estão em vias de ser intervencionados, isto é, os PICS (Portugal, Irlanda, Chipre e Espanha). Segundo o estudo feito, todos estes países falharam no seu projecto de integração na moeda única e têm perdido competitividade, aumentado o desemprego e reduzido o seu produto nacional. Apesar da austeridade e das reformas adoptadas, são muito reduzidas as perspectivas de melhorar o desempenho económico desses países no curto/médio prazo. A análise do The Economist e a referência ao plano B alemão são angustiantes, porque revelam que a solidariedade europeia já não existe e contrariam o recente discurso do nosso primeiro que, cheio de optimismo, afirmou que em 2013 o nosso ciclo económico seria invertido. Talvez o mês de Setembro já nos revele novidades, mas é evidente que também precisamos de um Plano B, para o que der e vier.

 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A Índia festeja 65 anos de independência

A Índia celebra hoje o 65º aniversário da sua independência e o dia é festejado com pompa e circunstância por todo o território nacional desde os Himalaias ao Cabo Comorim, através das mais diversas cerimónias destinadas a evocar uma data, mas sobretudo para afirmar um sentido de unidade e de orgulho nacionais.
Foi no dia 15 de Agosto de 1947 que Jawaharlal Nehru pronunciou o famoso discurso da independência que veio a dar o título ao famoso livro de Dominique Lapierre e   Larry Colins - “Freedom at midnight”. A prestigiada revista India Today associa-se à efeméride e, na sua primeira página, destaca as figuras históricas de Mohandas Gandhi e de Muhammad Ali Jinnah, que simbolizam a luta anti-colonial e a partilha da Índia Britânica entre os hindus e os muçulmanos. Esse processo foi muito complexo e muito conflituoso e, de certa forma, mantém-se na actualidade, porque apesar do seu passado comum sob a administração inglesa,  as diferenças entre os dois países são cada dia mais acentuadas. São mundos à parte. Enquanto a Índia regista um assinalável progresso económico, apesar de continuar a manter elevadíssimos índices de desigualdade e de pobreza, o Paquistão está cada vez mais ameaçado pela instabilidade política e por grupos terroristas.
A fronteira indo-paquistaneza é frequentemente referida como “a mais perigosa do mundo", não só devido à rivalidade entre a Índia e o Paquistão, mas também porque a região da Caxemira é objecto de reivindicações territoriais indianas, paquistanesas e até chinesas, isto é, por três países que dispõem de armas nucleares. A celebração do 65º aniversário da independência indiana é uma boa oportunidade para nos lembrarmos desse problema que as Nações Unidas têm em mãos, exactamente desde 1947.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Adeus Londres. O Rio já espera por nós!

Os Jogos Olímpicos de Londres chegaram ao fim e, para além do seu enorme sucesso desportivo, também foram um grande sucesso organizativo e mediático, conforme atestaram as imagens que diariamente nos chegaram através da televisão. Tal como acontecera com a imponente cerimónia de abertura, também a cerimónia de encerramento foi grandiosa e inesquecível. Os ingleses brilharam.
Uma primeira análise à participação portuguesa deixa um certo sentimento de frustração ao verificamos que no ranking final das medalhas ocupamos um modesto 69º lugar, apenas com a medalha de prata conquistada por Fernando Pimenta e Emanuel Silva na prova de canoagem (K2 - 1.000 metros). O chefe da missão olímpica portuguesa classificou de “muito positiva” a participação nos Jogos Olímpicos, mas essa declaração é muito exagerada, pois ficamos aquém das expectativas e dos resultados que obtivemos em Atenas e Pequim.
Segundo um estudo da agência Lusa, o investimento do Estado português na preparação e participação olímpica ascendeu a 15,1 milhões de euros, estimando-se que ao longo de quatro anos foi investida uma média de 196 mil euros por cada um dos atletas presentes em Londres, mas os resultados obtidos limitaram-se a um segundo, dois quintos, dois sextos, dois sétimos e três oitavos lugares. Esperava-se mais com esse nível de investimento? Não sei. Desconheço a correlação existente entre o investimento e os resultados desportivos obtidos, mas era desejável que fosse conhecida e comparada internacionalmente para tirarmos as nossas próprias conclusões. Da mesma forma era desejável que se conhecessem os critérios utilizados para atribuir bolsas e apoios aos atletas e a razão para haver tantos convidados “pendurados” na delegação olímpica portuguesa. Finalmente, um justo aplauso para o remo, a canoagem e o ténis de mesa que, estando sempre fora da atenção dos nossos media, tiveram prestações excelentes. Adeus Londres. O Rio já espera por nós!

domingo, 12 de agosto de 2012

A descoberta de Marte e o "nosso" futuro

No passado dia 6 de Agosto, às 05 horas e 31 minutos TMG, o robot Curiosity aterrou na superfície de Marte, num local situado apenas a 2,4 quilómetros do local previamente estudado, depois de uma viagem de mais de 560 milhões de quilómetros, tendo começado imediatamente a enviar imagens para a Terra. A revista TIME seleccionou o tema e informa-nos sobre “o que podemos aprender com um robot a 154 milhões de milhas de distância”.
O Curiosity é uma sonda-laboratório concebida pela NASA que foi transportada na sonda espacial Mars Science Laboratory (MSL), tendo sido lançada de Cabo Canaveral no dia 26 de Novembro de 2011, por meio de um foguetão espacial Atlas V. Transporta instrumentos científicos especialmente concebidos para esta missão que nunca antes tinham sido utilizados nas anteriores missões a Marte e que, em certa medida, resultam da cooperação científica internacional. A sua principal missão é a investigação sobre a possibilidade da existência passada ou actual de vida microbiana em Marte, o estudo do clima e da geologia do “planeta vermelho” e a recolha de dados para servirem de base a uma futura missão tripulada, o que se espera possa acontecer dentro de dez anos, se houver dinheiro para isso.
A especulação jornalística e a curiosidade científica misturam-se e sugerem que estamos no campo da ficção científica, mas para muita gente a missão do Curiosity pode representar o início da colonização de Marte. Existe a ideia de “terraformar” o planeta Marte, isto é, transformá-lo numa segunda Terra, através da “criação” de uma atmosfera respirável, com rios, mares e florestas e, dessa forma, duplicar a superfície de que a humanidade poderá dispor no sistema solar. Dizem que tal operação é o mais audacioso projeto de “engenharia civil” jamais concebido pela mente humana, mas para a nossa geração tudo isso não passa de ficção científica. Nem Júlio Verne foi tão longe.

"La vuelta al mundo de Pascual Sala"

Quando nas suas edições de hoje todos os jornais espanhóis celebram os êxitos dos seus atletas em Londres, festejam as 17 medalhas olímpicas já conquistadas e se concentram na grande final de basquetebol contra os Estados Unidos, o diário madrileno ABC escolhe um outro tema para a sua primeira página e titula: La vuelta al mundo de Pascual Sala. É uma pedrada no charco! É a denúncia dos que abusam dos dinheiros públicos em tempo de crise.
Pascual Sala Sánchez, de 77 anos de idade, é o presidente do Tribunal Constitucional de Espanha desde Janeiro de 2011 e, nesse mesmo ano de 2011, devido a compromisos internacionales, realizou viagens por seis países da América Latina e da Europa, que totalizaram 46 mil quilómetros. Estas despesas foram custeadas pela rubrica “despesas correntes de bens e serviços” do orçamento do Tribunal Constitucional, que teve uma dotação de 6.9 milhões de euros. Muito dinheiro. O jornal ABC informa que insistiu com a instituição para saber o custo exacto das viagens de Pascual Sala, mas que esses elementos não lhe foram facultados. A blogosfera espanhola reagiu a esta notícia e, sem qualquer hesitação, denunciou este caso como um exemplo da grande corrupção que tem a cumplicidade da imprensa que, geralmente, a encobre e silencia.
Esta notícia que hoje nos chega de Espanha é realmente muito curiosa, porque até parece indicar que a diferença entre os países ibéricos não está nos comportamentos, que serão muito parecidos, mas que está… nos jornais. Enquanto uns denunciam e informam, outros calam-se e esquecem o seu dever de informar, relatar e comentar. Aqui no rectângulo, mesmo em tempo de crise, também temos muita gente que gosta de viajar para satisfazer compromisos internacionales e outros, sem que os jornais denunciem as situações de abuso e de despesismo. São os nossos pascuais salas, que viajam, viajam, viajam. Era bom que soubéssemos para que servem essas viagens e quanto nos custam, a começar naturalmente pelas viagens constantes desse frequent flyer que é o licenciado portas. A bem da Nação!

 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O centenário de Jorge Amado

Jorge Amado, o escritor brasileiro que os portugueses melhor conhecem, completaria hoje cem anos se não tivesse falecido em 2001. Conhecido mundialmente como um dos símbolos da literatura brasileira, consagrou-se pelo seu estilo simples e pelas personagens populares que criou, que tanto evidenciavam as injustiças sociais da época. Tendo nascido em 1912, publicou em 1931  “O país do Carnaval”, que foi o seu primeiro romance e um grande êxito literário. Muito conhecido e apreciado em Portugal, que visitava frequentemente, a sua verdadeira consagração em Portugal só aconteceu com a projecção mediática que adquiriu depois da publicação de “Gabriela Cravo e Canela” e, sobretudo, depois da adaptação daquele romance para a televisão. O peso que a emissão dessa novela teve, fez crescer em grande volume a venda dos livros do escritor. Depois seguiram-se muitas outras adaptações televisivas das suas obras, com destaque para “Tieta do Agreste” e “Dona Flor e seus dois maridos”. A evocação da vida e obra de Jorge Amado vai ser feita na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, através de uma exposição intitulada  “Jorge Amado em Portugal”, que vai estar  vai estar disponível até ao dia 29 de Setembro. Na Casa dos Bicos, onde está instalada a Fundação José Saramago, o escritor baiano também será recordado numa exposição de livros, fotografias, correspondência trocada com José Saramago, filmes e música. Entretanto, no terreiro situado em frente da Casa dos Bicos realiza-se hoje uma festa que recordará Jorge Amado e os cem anos que ele teria se ainda fosse vivo, com a apresentação do grupo Arte Pura Capoeira, seguindo-se uma sessão de música e leituras encenadas no auditório da Casa dos Bicos. A efeméride é assinalada, ainda, por um cartaz que recorre a uma expressiva fotografia: Jorge Amado e José Saramago, sentados à conversa em Salvador da Baía.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Europa está sob a ameaça da recessão

 A recessão económica alastra pela União Europeia é o título do jornal madrileno La Razón, que acrescenta que as economias mais avançadas da Europa estão a registar maus resultados e a entrar em recessão.
Nos últimos meses a atenção internacional tem estado centrada principalmente nas crises grega, espanhola e italiana, aliviando ligeiramente a pressão sobre a Irlanda e sobre Portugal. Agora, com a divulgação das previsões económicas para as grandes economias europeias, verifica-se que afinal a crise não é uma condição inerente aos países da orla mediterrânica “que vivem acima das suas possibilidades”, como por vezes a arrogância alemã e dos seus aliados tem querido evidenciar, mas que a actual crise é bem mais complexa, estando a alastrar e a causar algum pânico nas margens do mar do Norte e do mar Báltico. Na Alemanha verifica-se que a produção industrial, as encomendas e as exportações estão em queda; em França prevê-se que o produto regrida 0,1% no 3º trimestre; no Reino Unido estima-se um crescimento nulo no corrente ano. Há medidas de austeridade anunciadas ou já em execução na generalidade dos países da União Europeia, como por exemplo na França, Holanda, Bélgica e, naturalmente, na Espanha, Itália, Grécia e Portugal. A Finlândia já treme. A Eslovénia e Chipre também. Os tempos que vivemos são difíceis e de incerteza, mas é cada vez mais evidente que a solução para os problemas europeus, requer mais coesão, mais solidariedade e melhores dirigentes para nos governarem. Estamos todos no mesmo barco e, se houver um naufrágio, não haverá náufragos de primeira nem de segunda. Seremos todos apenas náufragos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Alepo e a complexidade do puzzle sírio

A imprensa internacional têm andado muito ocupada com os Jogos Olímpicos e com os feitos desportivos que vão sendo praticados em Londres. A temática olímpica tomou conta do espaço noticioso na generalidade dos países, celebrando-se as vitórias dos campeões com expressiva adjectivação e reproduzindo-se as suas fotografias nas piscinas, nas pistas e nos pódios. Praticamente não tem havido espaço para relatar outros acontecimentos internacionais e a crise do euro, a guerra no Afeganistão ou a situação síria parece terem caído no esquecimento.
Porém, a edição de hoje do The Washington Post não enfatiza o número de medalhas olímpicas ganhas pelos americanos, mas destaca o estado de guerra na Síria, que está cada vez mais violento. O jornal publica em primeira página uma fotografia de um combatente anti-regime e informa sobre a violência dos confrontos que se travam na cidade de Alepo. Os apoiantes de Bashar al-Assad exigem uma vitória decisiva para aniquilar a rebelião nas ruas de Alepo para evitar que a guerra alastre e chegue a Damasco. A oposição esperava mais ajuda dos Estados Unidos. Naturalmente, como sempre acontece nestas situações, o grande sofredor é o povo.
Entretanto, os apoios internacionais explícitos de ambas as partes mostram que é muito elevado o risco de internacionalização do conflito, sobretudo depois de ter sido frustrada a missão mediadora de Kofi Annan. A Rússia e a China mantém o apoio ao regime de Bashar al-Assad, enquanto o Irão denuncia o que afirma ser uma conspiração contra a Síria, apoiada pela Arábia Saudita, pelo Qatar e pela Turquia. Quando o The Washington Post se torna o porta-voz dos rebeldes e sugere a fixação de uma zona de exclusão aérea e o fornecimento de armas pesadas, não é mais do que uma pressão indirecta sobre os aliados europeus que no ano passado se envolveram na Líbia. Porém, agora as circunstâncias são outras e o puzzle é bem mais complexo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Os maus exemplos dos governantes

Segundo noticia hoje o jornal i, os subsídios de alojamento pagos aos membros do Governo e aos chefes de gabinete que tenham residência a mais de 100 quilómetros de Lisboa, custam cerca de 15.800 euros por mês ao Estado e ao bolso dos contribuintes, correspondendo a um custo de quase 200 mil euros por ano. Ainda de acordo com a referida notícia, esse subsídio é actualmente recebido por um ministro, nove secretários de Estado e seis chefes de gabinete, recebendo os membros do governo cerca de 1.130 euros mensais, enquanto os chefes de gabinete recebem aproximadamente 750 euros mensais. Essas pessoas auferem as mais elevadas remunerações da administração pública e, certamente, não têm necessidade deste subsídio, a juntar a muitas outras benesses de que já usufruem. Porém, são como a sanguessuga e não têm dignidade ética para recusar mais essa mordomia, que é paga pelos contribuintes. Comem tudo. Alguns até terão residência permanente fora de Lisboa, mas têm casa própria na capital, onde vivem há muitos anos. De resto, é habitual que essa gente indique duas residências para “usar” conforme as circunstâncias e as conveniências. Ora, em tempo de crise e quando são retirados os subsídios de férias e de Natal aos pensionistas e a outros trabalhadores, a suspensão do subsídio de alojamento de todos os titulares de cargos políticos seria uma forma da classe política dar o exemplo, antes de exigir tão pesados sacrifícios aos restantes portugueses. Seria apenas uma atitude simbólica, mas nós precisamos de atitudes simbólicas. Porém, para esta gente, a prestação de serviço público e o exemplo são coisas que não conhecem. São demasiado pequenos e vulgares.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Aljubarrota revive os tempos medievais

Comemorando a batalha travada no dia 14 de Agosto de 1385, em que nos campos de Aljubarrota se enfrentaram os exércitos de Portugal e de Castela, vai realizar-se na vila de Aljubarrota, a cerca de 3 quilómetros de Alcobaça, a tradicional Aljubarrota Medieval. Trata-se de uma festa popular inspirada nas tradições medievais que se realiza anualmente entre os dias 12 e 15 de Agosto, em cujo programa se anunciam uma feira medieval e muita animação de rua, mas também rábulas teatrais, música medieval, torneios medievais, tendas árabes, uma ceia medieval e tabernas onde os visitantes podem encontrar refeições medievais.
As ruas estreitas da vila são especialmente decoradas para melhor recriarem o ambiente do século XIV e por elas desfilam com os seus trajos característicos e ao som de tambores e de gaitas de foles, alguns dos representantes da sociedade daquele tempo, designadamente as princesas, os nobres, os soldados, os frades e os camponeses, muitas vezes acompanhados por malabaristas e jograis que animam os cortejos e os recintos.
A entrada é livre e dizem-me, aqueles que já lá estiveram em anos anteriores, que é uma festa medieval a não perder.

Bolt: o homem mais veloz do planeta

O jamaicano Usain Bolt é o homem mais veloz do planeta, depois de ontem ter vencido a prova rainha dos Jogos Olímpicos que, aliás, já vencera em 2008 em Pequim.
A sua corrida e a sua vitória foram fantásticas, bem como o tempo que obteve e que constitui um novo record olímpico: 9,63 segundos. A marca com que  bateu todos os seus adversários é o segundo melhor tempo de sempre nos 100 metros planos e apenas foi batida pelo próprio Bolt, quando em 2009 correu aquela distância em 9,58 segundos e estabeleceu em Berlim o recorde mundial, que ainda perdura.
A notícia da prova olímpica dos 100 metros planos e a fotografia de Usain Bolt ilustram as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo, numa unanimidade que glorifica o atleta. Usain Bolt é de facto uma máquina de correr e, dizem os especialistas, é anatomicamente perfeito. Porém, é curioso verificar que os cinco primeiros classificados na prova, foram os representantes da Jamaica e dos Estados Unidos, o que parece significar que é naquela região do hemisfério ocidental que o homem tem mais propensão para a velocidade.

Ceuta e algumas memórias lusitanas

Terminaram ontem na cidade autónoma de Ceuta as Fiestas Patronales en Honor a Santa Maria de África, a “patrona y madre de Ceuta”, o que foi amplamente noticiado pelo jornal Faro de Ceuta.
A devoção dedicada a Santa Maria de África ou Nossa Senhora de África ou Virgem de África não é exclusiva daquela cidade espanhola do norte de África, pois estendeu-se a outras regiões africanas, como por exemplo à Argélia e ao golfo da Guiné. Porém, segundo se crê, essa devoção teria nascido com a presença portuguesa em Ceuta, pois o mais antigo lugar de culto com esta designação encontra-se naquela cidade e a sua construção inicial data do século XV. A imagem da Virgem "patrona y madre de Ceuta" que é venerada nas festas, terá sido doada à cidade pelo Infante D. Henrique, com o pedido para que todos os sábados se rezasse pela sua alma e a tradição da “sabatina”, que ainda hoje permanece em Ceuta, poderá ter essa origem. A imagem tem na mão um bastão com nós, que foi oferecido pelo último governador português de Ceuta.
Ceuta foi conquistada em 1415 pelo rei D. João I e a partir de 1640 deixou de pertencer a Portugal, por não ter aderido ao movimento da Restauração. No entanto, a cidade manteve a sua bandeira igual à da cidade de Lisboa e o seu brasão com as cinco quinas portuguesas, o que só por si evoca as memórias lusitanas.
Teria sido uma boa oportunidade para visitar Ceuta.

sábado, 4 de agosto de 2012

O uso e o abuso dos cartões de crédito

Nos últimos dias os jornais e as televisões repetiram exaustivamente que, entre 2009 e 2011, oito gestores da INCM - Imprensa Nacional Casa da Moeda gastaram cerca de 27 mil euros em despesas pessoais, utilizando cartões de crédito da empresa. Alguns desses jornais ficaram muito impressionados e escreveram que os “gestores gastaram balúrdio”. O Tribunal de Contas tinha detectado o uso indevido dos cartões de crédito e decidiu que esse dinheiro fosse devolvido, o que já terá sido feito na totalidade. E, aparentemente, ficou tudo certo. Não foi abuso de confiança, nem desonestidade. Foi, simplesmente, uma distracção. Devolve-se e pronto!
Casos como este que ocorreu com os gestores da INCM são, como todos sabemos, muito frequentes e bom seria que o Tribunal de Contas estivesse mais atento ao que se passa nos ministérios, nos organismos e serviços da administração central, nas autarquias e nas empresas públicas. O abuso nas chamadas despesas e no uso do cartão de crédito vulgarizou-se e tem uma dimensão que excede largamente o que se passou na INCM. Uma pequena parte das gorduras do Estado está encoberta pelo despesismo pessoal devido ao uso do cartão de crédito e há que acabar com isso para moralizar a nossa vida pública. Precisamos de bons exemplos.
De vez em quando, chegam-nos algumas notícias que são apenas a ponta de um iceberg que pode ser gigantesco. Quem não se lembra dos abusos dos deputados turistas, dos gestores da Gebalis, do uso indevido de telefones, dos almoços, das viagens, dos hotéis e eu sei lá que mais.  A invenção do dinheiro de plástico (e a correspondente criação de moeda) é uma das causas da crise geral por que passamos e também tem sido um veículo de inqualificáveis abusos praticados por muitos dos que usam esse cartão e que, dessa forma, têm tirado proveito ilícito e lesado impunemente o Estado e o contribuinte.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Relvas está em festa!

O mês de Agosto é um mês de festas e romarias, apesar do calor ser por vezes excessivo e nos suscitar um forte apelo para que procuremos o mar. Poucas cidades, vilas e até aldeias resistem a organizar as suas festas, umas vezes de cariz religioso, outras de cariz profano, mas sempre com presença musical, comes-e-bebes e um acentuado cunho popular. Antigamente a componente musical centrava-se nas actuações das bandas filarmónicas a tocar nos coretos, mas nos tempos modernos essa vertente passa pela apresentação de concertos com outros estilos e outros ritmos musicais mais modernos, incluindo alguns cantores mais ou menos conhecidos do público.
Hoje começam as festas em Relvas, uma localidade da freguesia de Santa Catarina, no concelho das Caldas da Rainha. O nome da terra nada tem a ver com o mais famoso ministro que temos, nem com a sua meteórica actividade académica. Honni soit qui mal y pense!
A partir de hoje Relvas está em festa e vai receber a actuação de alguns dos mais conhecidos grupos musicais do Oeste como a Chaparral Band de Torres Vedras, o Bico d’Obra das Caldas da Rainha ou Os Lord’s de Atouguia da Baleia. Há quem goste. Vão ser cinco dias com muita música e muita luz, com cantores e bailarinas, com muito entusiasmo e muita cerveja. Relvas vai animar-se!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Os gestores que alternam

A edição de hoje do jornal de Negócios, tendo por base o relatório de governação de sociedades publicado pela CMVM, relativo ao ano de 2010, informa que “250 gestores têm 4.100 cargos de administração”, isto é, em média cada um destes 250 super-gestores administra mais de 16 empresas. Esta realidade sugere de imediato uma pergunta: será possível ser bom gestor quando se acumulam cargos em 16 empresas?
O caso mais significativo passa-se com Miguel Pais do Amaral, que gere 73 empresas, mas se se incluirem as empresas que gere no estrangeiro, são mais de cem. Porém, segundo declarou, é accionista de todas as empresas em que é administrador e, nesse caso, a eventual ineficiência da sua gestão prejudica-o directamente.
O referido relatório também informava que havia 17 gestores que acumulavam mais de trinta cargos de gestão, nem sempre no mesmo grupo empresarial ou no mesmo sector de actividade. É gente que nada em todas as águas, como os tubarões. A maioria nem são gestores profissionais e muitos são advogados e ex-políticos, o que parece denunciar conflito de interesses e ambição pessoal sem limites. Alguns deles mantêm uma intervenção politico-partidária activa, mas discreta. Estão com um pé em cada lado, como convém. Alternam. Fazem gestão de alterne. Naturalmente, tornaram-se ricos e, consequentemente, tornaram-se muito poderosos e influentes. O jornal de Negócios identifica alguns: o advogado Proença de Carvalho que exerce funções de gestão em 31 sociedades, o socialista Fernando Gomes que tem 29 cargos como administrador e o emproado Nogeira Leite que ocupa 25 cargos de gestão, embora haja também os Rebelos de Sousa, os Lobos Xavier e outras sumidades. São alguns dos nossos super-gestores e, navegando entre empresas e interesses, fazem gestão de alterne.