terça-feira, 17 de maio de 2016

Perth entusiasmou-se com o Antonov-225

 
O maior avião do mundo é o Antonov An-225, um avião que foi concebido para servir o Programa Espacial Soviético e que construido em 1988 pela empresa ucraniana Antonov Design Bureau. É o único avião do seu tipo que está em operação e que tem disponibilidade comercial para transportar cargas de grandes proporções, nominalmente até 250 toneladas, devido ao tamanho único do seu compartimento de carga e à possibilidade de poder transportar cargas na parte externa e superior da fuselagem. Dispõe de seis reactores e voa a 850 quilómetros por hora.
Há dias o Antonov An-225, que é explorado comercialmente por uma empresa ucraniana, voou até à Austrália e esteve em Perth. A consulta do jornal The West Australian mostra o clima de euforia que tomou conta da cidade, com milhares de pessoas a passarem pelo aeroporto para ver aquele gigante dos ares, ao mesmo tempo que o jornal publicava uma fotografia do avião na sua primeira página.
As notícias não informam sobre a carga que o avião desembarcou ou embarcou em Perth, mas a presença do avião foi um grande acontecimento. Ontem, quando o Antonov An-225 descolou em direcção à Europa via Dubai, alguns milhares de pessoas foram assistir à partida daquele gigante. Não era caso para menos.

Nasceu o maior navio do mundo

No passado domingo, o maior navio de cruzeiro alguma vez construído no mundo, largou do porto francês de Saint-Nazaire e navegou para o porto inglês de Southampton, acompanhado por dezenas de pequenas embarcações e por muitos helicópteros, perante uma multidão calculada em 70 mil pessoas. Todos os grandes jornais franceses, como por exemplo Le Figaro, deram notícia deste importante acontecimento para a economia francesa, pois o Harmony of the Seas é um orgulho para a construção naval francesa.
O gigantesco navio custou mil milhões de euros, tem 362 metros de comprimento, 66 metros de largura e 72 metros de altura desde a linha de água, tendo capacidade para alojar 6.360 passageiros e 2.100 tripulantes. Nunca o conceito de cidade-flutuante tinha ido tão longe. Trata-se de uma obra-prima da arquitectura naval, tendo sido construido nos estaleiros STX France para a companhia americana Royal Caribbean International (RCI), uma filial do grupo RCCL que opera 24 navios de cruzeiro em todo o mundo.
Entretanto, o espaço vazio que o navio deixou nos estaleiros de Saint-Nazaire será ocupado a partir de agora por quatro novos navios de cruzeiros encomendados em Abril pela MSC por 4 mil milhões de euros, com entrega prevista a partir de 2022. É realmente uma alegria para a economia francesa.
O navio desloca 226 mil toneladas, tem 30 pés de calado (9,15 metros) e tem uma velocidade de cruzeiro de 23 nós. Até Outubro terá Barcelona por base, mas desconhece-se se escalará o porto de Lisboa.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O Benfica ganhou e o povo festejou

Terminou ontem a Primeira Liga de 2015-2016 e o Benfica foi o vencedor, apenas porque no final somou mais pontos do que os seus adversários. É sempre assim. O Benfica não foi melhor nem pior do que as outras equipas, mas somou mais pontos e isso é que conta. Dos que fizeram menos pontos, dos que desceram de divisão, dos que tiveram golos anulados ou penaltis mal assinalados, não reza a história. O Benfica ganhou e, de acordo com as estatísticas, foi campeão pela 35ª vez, enquanto os seus rivais FC Porto e o Sporting, que já ganharam a prova em 27 e em 18 ocasiões, respectivamente, têm que esperar mais um ano. Significa que essas equipas também são boas, mas que este ano o Benfica foi melhor.
As televisões passaram longas horas a contar tudo o que se passou, com intermináveis e cansativas reportagens e entrevistas. Os telejornais esqueceram o mundo e o país para se concentrarem no futebol e no Benfica, nos seus jogadores, dirigentes, treinadores, adeptos e simpatizantes. As imagens mostraram um clima de euforia que não é nada habitual e que revela como as televisões conseguem manipular multidões, pois fica-se com a sensação de que ninguém faltou à festa. Hoje, todos os jornais tratam do mesmo assunto com grande destaque, mostram a alegria popular na Praça Marquês de Pombal e falam na maré vermelha de festejos que se estendeu pelo país e pelos países onde há portugueses.
Não há dúvidas que o Benfica é mesmo um fenómeno de popularidade nacional e que dá muitas alegrias aos portugueses. Não há mal nenhum nisso. Aqueles que, como eu,  não pertencem à "nação benfiquista, não ficam indiferentes a tão grandes manifestações de alegria popular.

domingo, 15 de maio de 2016

Os responsáveis pela invasão do Iraque

A edição dominical do diário escocês Herald escolheu a sua edição de hoje – o Sunday Herald – para divulgar uma reportagem sobre o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair e sobre a sua decisão de apoiar e participar na invasão do Iraque.
Nessa reportagem destacam-se as declarações de Alex Salmond, o antigo primeiro-ministro do governo autónomo da Escócia que foi o principal patrocinador do referendo sobre a independència da Escócia, que se realizou em Setembro de 2014. Salmond afirma ter um plano para levar Tony Blair a julgamento no Tribunal Penal Internacional na Haia, o tribunal permanente criado em 2002 pelas Nações Unidas para julgar os mais graves crimes de guerra ou crimes contra a Humanidade cometidos por indivíduos.
Alex Salmond mostra ter boa memória e promete não esquecer, nem deixar esquecer, o gravíssimo erro cometido por George W. Bush e pelos seus aliados Blair, Aznar e Barroso que, obcecados pelas “armas de destruição maciça iraquianas” que afinal não existiam, decidiram invadir o Iraque e perseguir Saddam Hussein até à morte. A intervenção no Iraque não teve o apoio da França, nem da Alemanha, nem da Rússia, porque todos sabiam que a mentira tomara conta da situação. George W. Bush e Tony Blair também sabiam que era uma mentira e a cimeira das Lajes de 16 de Março de 2003 não passou de uma encenação a que o primeiro-ministro português José Barroso se sujeitou, ficando colado a essa mentira e às suas graves consequências para o mundo. Por tudo isto, será muito positivo que Alex Salmond leve a água ao seu moinho... e que Barroso, ao menos se cale.

sábado, 14 de maio de 2016

As aparições de Fátima são notícia em Goa

A edição de hoje do diário goês Herald destaca na sua primeira página o 99º aniversário das aparições de Fátima, com uma fotografia da grande procissão do dia 13 de Maio, o que é uma notícia bem curiosa. De facto, nos últimos dias, nenhum dos principais jornais portugueses noticiou as aparições ou as peregrinações a Fátima nas suas primeiras páginas, o que torna a notícia do Herald ainda mais interessante. 
A notícia mostra que as aparições de Fátima continuam a interessar os católicos de Goa e os leitores daquele jornal, embora o catolicismo já não seja a religião dominante em Goa, o que significa que a evocação religiosa e cultural de Fátima nos conduz a um passado portuguès que, embora cada vez mais ténue, ainda persiste. Porém, deve ser salientado que o jornal O Heraldo, que foi fundado em 1900 e que era publicado em português, em meados dos anos oitenta passou a ser publicado em inglês e adaptou o seu título mas, como se verifica nesta edição, continua a ser o jornal dos católicos de Goa e a interessar-se por alguns assuntos portugueses, o que não acontece com mais nenhum jornal goês. O Herald é, por isso, não só "the voice of Goa since 1900", mas também uma memória dos tempos da Goa portuguesa.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O Brasil vencerá!

Consumou-se ontem de afastamento e abertura do processo de destituição de Dilma Rousseff e da tomada de posse de Michel Temer como Presidente da República Federativa do Brasil, como o diário Globo hoje noticia com grande destaque. Numa sessão que durou mais de vinte horas, houve 55 senadores que votaram pela destituição da Presidente, enquanto apenas 22 votaram contra essa destituição.
O assunto arrastava-se há várias semanas e vinha surpreendendo o mundo, impressionado pelo radicalismo com que estavam a ser tratados os erros ou os abusos de poder da Presidente da República, uma vez que ao contrário do que sucede com muitos deputados e senadores, não existem quaisquer acusações de corrupção contra Dilma Rousseff. Com esta decisão dos senadores, o Brasil ficou politicamente dividido e, no meio da sua grave crise económica, há agora sérios riscos da crise se transformar num problema social de grandes dimensões. Enquanto uns falam em golpe de Estado, outros falam num novo governo de salvação nacional, o que mostra como o Brasil está dividido. O facto é que foi destituida a primeira mulher que exerceu a presidência do Brasil, para que tinha sido eleita democraticamente, tendo sido substituida pelo seu vice-presidente que deu posse a novo um governo sem quaisquer mulheres, o que é um sinal de grande retrocesso social.
Vista deste lado do Atlântico, a preocupante situação política, económica e social brasileira não é fácil de compreender porque, de facto, “só quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro”. Nós aqui só podemos imaginar. Assim, temos que confiar que os nossos irmãos brasileiros saberão encontrar as melhores soluções para inverter a difícil situação em que estão envolvidos e que nós aqui apenas acompanhamos por aquilo que as televisões nos querem mostrar.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O Dia da Europa, em tempo de incertezas

Hoje é o Dia da Europa, em que se assinala o aniversário da histórica Declaração Schuman, proferida no dia 9 de Maio de 1950 em Paris, em que propunha uma nova forma de cooperação política que tornasse impensável a repetição do drama da guerra por que a Europa acabara de passar. A ideia de Robert Schuman assentava na criação de uma instituição europeia encarregada de gerir a produção do carvão e do aço e, menos de um ano depois, era criada a CECA (Comunidade Económica do Carvão e do Aço). A ideia de Schuman avançou ainda mais e, no dia 25 de Março de 1957, foi assinado o Tratado de Roma que constituiu a CEE (Comunidade Económica Europeia), subscrito pela Bélgica, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e República Federal da Alemanha. A partir de 1 de Janeiro de 1986 foi a vez de Portugal ter sido admitido como o 11º Estado-membro, em simultâneo com a Espanha. Hoje são 28 Estados, agregados em torno de uma gigantesca máquina burocrática que cada vez mais se afasta dos princípios enunciados pelos seus fundadores e do espaço de liberdade, segurança e justiça com que eles sonharam. Muitos dos seus princípios fundadores, como a promoção da paz e do bem-estar dos povos da Europa, a coesão económica e social, a solidariedade comunitária e a própria soberania nacional dos Estados-membros, entre outros, estão ameaçados pelos interesses burocráticos instalados em Bruxelas.
A União Europeia está hoje perante a maior crise política da sua história de mais de meio século, sem conseguir resolver o drama dos refugiados, com a ameaça do Brexit e com o populismo em ascensão. Depois de tantos anos, continua sem rumo e a falar a várias vozes, tendo muitas responsabilidades nas dramáticas situações de guerra e de tragédia humanitária que se vivem junto de muitas das suas fronteiras. Depois, pela boca de um qualquer Jeroen Dijsselbloem ou de um Pierre Moscovici, exibe a sua arrogância não solidária nas pequenas coisas que humilham os seus próprios parceiros que passam por mais dificuldades. O jornal catalão Ara pergunta e bem, como salvar uma Europa dominada por egoismos e pela debilidade das suas lideranças. De facto, o futuro da Europa é cada vez mais uma incógnita.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A união dos portugueses do Luxemburgo

Na sua edição de hoje o diário luxemburguês Le Quotidien homenageia a comunidade portuguesa com um título e uma fotografia de primeira página, a propósito da 49ª peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Fatima em Wiltz.
Tous unis autour de Fatima é o título escolhido pelo jornal para noticiar que milhares de portugueses se dirigiram ontem para Wiltz. Aproveitando um dia de sol radioso, os peregrinos montaram as suas tendas à beira das estradas e fizeram os seus piqueniques em que, segundo salienta o jornal, o bacalhau assado foi rei. A cerimónia religiosa realizada no santuário de Wiltz foi presidida por D. António Francisco dos Santos, o Bispo do Porto, tendo-se seguido uma procissão até à capela de Noertrange. Como refere o jornal, foi um dia de festa e de união entre a comunidade portuguesa do Luxemburgo, que não dispensou a sua bandeira nacional como mostram as fotografias publicadas pelo mesmo diário.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

JRS, um grande manipulador televisivo

Nos últimos dias estalou uma curiosa polémica no espaço público onde se interceptam os interesses da Política e do Jornalismo que, pela sua enorme sensibilidade, muitas vezes dão origem a mal-entendidos.
Os políticos e os jornalistas não perseguem exactamente os mesmos objectivos e a mesma verdade. Embora ambos procurem influenciar a opinião pública, uns visam os favores do eleitorado, enquanto outros visam influenciar os seus leitores. Como os leitores também são eleitores, significa que políticos e jornalistas “pescam nas mesmas águas”.
Todos sabemos que, em geral, os políticos não são perfeitos, mas também sabemos que os jornalistas são geralmente muito imperfeitos e se comportam muitas vezes como agentes político-partidários. A mensagem por eles transmitida não tem apenas um determinado conteúdo, mas também tem um emissor e um meio de transmissão, sobretudo com a televisão. Assim, as mensagens transmitidas tornam-se muito perigosas para a sociedade, porque “o que eles dizem” tem um efeito semelhante a “balas mágicas” que influenciam ou manipulam os “indefesos” leitores, ouvintes e telespectadores.
José Rodrigues dos Santos (JRS) sabe isso muito bem e certamente conhece o livro “You are the message” de Roger Ailes. A sua recente apresentação na RTP sobre a dívida pública portuguesa é um caso de desonesta manipulação. Embora o texto que leu pelo teleponto estivesse formalmente correcto e mostrasse que a dívida pública portuguesa sobe regularmente desde 2000, o jornalista resolveu encená-lo ao pior estilo dos talk shows, transformando numa palhaçada aquilo que podia ser um esclarecimento ou uma notícia. Só lhe faltou a bandeirinha na lapela para fazer uma leitura ainda mais distorcida dos gráficos que apresentou. JRS podia ter dito, mas não disse, que a dívida resulta em larga escala da moeda única e de outras causas muito complexas, incluindo o despesismo da sua RTP, preferindo insinuar que tudo resultava da acção dos seus adversários políticos. JRS tem obra escrita sobre Comunicação e sabe que manipulou e que não foi honesto, o que com ele acontece muitas vezes. É muito grave, para quem tanta ganha e tão pouco faz na RTP, este seu papel de banal mensageiro de interesses partidários.

Marcelo em busca da paz em Moçambique

Desde que tomou posse como Presidente da República, no dia 9 de Março, que Marcelo Rebelo de Sousa tem mantido a corda esticada e actuado com o ritmo frenético que lhe conhecemos desde há muitos anos. Em menos de dois meses, o Presidente Marcelo mostrou como o indivíduo que antes dele ocupou o Palácio de Belém foi um enorme erro de casting, ao mesmo tempo que acumula pontos na escala da popularidade. Aqueles que há bem pouco tempo foram afastados do poder e que a princípio esperavam que dele viesse um apoio divisionista enganaram-se, porque Marcelo não tem alinhado no discurso do bota-abaixo e tem procurado que o ambiente político melhore. Os portugueses, mesmo os que nele não votaram, estão-lhe agradecidos pela inteligência e bom senso com que tem conduzido a relação com o governo e a forma descomplexada como tem reagido à tacanhez e à mediocridade do rapazola de Massamá e da sua cada vez mais reduzida corte de acólitos. É verdade que os ventos fortes e as tempestades virão mais tarde, mas o facto é que neste seu curto tempo de mandato, Marcelo introduziu alegria e optimismo na vida política e social portuguesa, ao contrário do que aconteceu com o Silva de Boliqueime.
Marcelo está de visita a Moçambique, aparentemente sem as grandes comitivas do passado. O jornal moçambicano O País destaca hoje essa visita na sua primeira página e, perante as grandes dificuldades económicas e financeiras por que passa o país e as ameaças de guerra, é bem possível que Marcelo Rebelo de Sousa esteja a trabalhar para a paz em Moçambique. Sim, Marcelo não foi revisitar praias e o que eu lhe posso desejar é que tenha sucesso nesta sua discreta e importantíssima viagem.

domingo, 1 de maio de 2016

R.I.P. Paulo Varela Gomes

Depois de cerca de quatro anos de uma corajosa luta contra a doença, o Paulo Varela Gomes partiu ontem de manhã da sua casa de Podentes, próximo de Penela, deixando um enorme vazio na cultura portuguesa e, de maneira muito especial, no domínio da relação cultural e da amizade entre Goa e Portugal, matéria em que era um dos maiores e mais respeitados especialistas portugueses, sobretudo depois de, entre 1996 e 1998 e entre 2007 e 2009, ter vivido em Goa como representante da Fundação Oriente na Índia.
A Universidade de Coimbra e a comunidade académica também perderam um dos seus maiores expoentes como historiador de arte e, sobretudo, como historiador de arquitectura, conforme atesta a originalidade da sua extensa obra académica, dispersa por monografias, intervenções mediáticas, conferências e intervenções de carácter científico, quer no país quer no estrangeiro. A sua versatilidade intelectual e a sua polivalência no domínio de temas complexos revelou-se igualmente na ficção, na crítica literária e nas obras que publicou nos últimos anos, que a crítica reconheceu e o público apreciou.
Os seus amigos também perderam um companheiro de superior inteligência e de grande erudição, amante da liberdade e da democracia, de discurso assertivo e frontal, cuja intervenção no espaço público se pautou sempre por uma atitude de grande coragem intelectual, vastos conhecimentos e uma enorme coerência cívica. Era um comunicador excepcional e ninguém esquecerá a sua notável participação na série televisiva “O mundo de cá”, o que levou a que a RTP lhe prestasse ontem à noite uma uma justa homenagem, ao transmitir um dos episódios dessa série gravada na Índia e no Sri Lanka em 1995.
Tive o privilégio de o ter conhecido e de com ele ter convivido durante cerca de duas dezenas de anos, dele recebendo sempre muitos ensinamentos, muita camaradagem e muita amizade. A nossa viagem a Diu em Setembro de 1998 e a demorada visita que fizemos à ilha conduzindo rudimentares motocicletas, continuam gravadas na minha memória.
O Paulo foi um grande Homem e teve a dedicada companhia da Patrícia, uma verdadeira mulher-coragem que aqui também justamente evoco.
O Paulo, a sua inteligência e a sua bondade vão fazer-nos muita falta.

sábado, 30 de abril de 2016

As fortalezas lusas do Algarve d’Além-Mar


A cidade portuguesa de Mazagão (El Jadida)

Durante alguns dias fui conhecer Ceuta e alguns locais da costa atlântica de Marrocos, a começar por Alcácer-Ceguer, Arzila e Tânger, a que se seguiram Azamor, Mazagão e Safim, onde as fortificações portuguesas com as suas muralhas e bastiões integram o património arquitectónico local e impressionam pela sua grandiosidade e até pelo seu estado de conservação. A aventura portuguesa em Marrocos começou em 1415 com a conquista de Ceuta, a que se seguiu a tomada de Alcácer-Ceguer (1458) e, depois, de Arzila e de Tânger (1471), pelo que o rei D. Afonso V passou a usar o título de “Rei de Portugal e dos Algarves, d’Áquem e d'Além-Mar em África”.
O senhorio português sobre este Algarve d’Além-Mar, nome que designava o conjunto de praças dominadas pelos portugueses no Norte de África, alargou-se com a ocupação de Safim (1508) e a conquista de Azamor (1514), a que se seguiu a construção de uma nova cidade em Mazagão. A orla costeira marroquina e o acesso ao mar Mediterrâneo, assim como as actividades marítimas na região, passaram a estar controlados pelos portugueses, embora pareça ser incontroverso que, por falta de meios, nunca procuraram o domínio territorial, tendo inclusive abandonado algumas das praças que dominavam. Após a restauração da independência em 1640, a praça de Ceuta optou por permanecer sujeita à coroa espanhola e em 1662 a praça de Tânger foi cedida à coroa inglesa como dote de D. Catarina de Bragança aquando do seu casamento com Carlos II de Inglaterra. Ficou Mazagão como a única fortaleza portuguesa, mas que veio a ser abandonada em 1769 por decisão régia.
Em 2004 as fortificações portuguesas de Mazagão, que hoje se integram na cidade de El Jadida, foram classificadas como património da Humanidade pela UNESCO e hoje são a melhor das memórias portuguesas em Marrocos.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Grandes talentos, grandes aumentos

Há algumas semanas atrás foi revelado com grande polémica à sua volta, que o gestor português Carlos Tavares, actual presidente do grupo PSA Peugeot Citroën, tinha quase duplicado as suas remunerações de 2014 para 2015, passando dos 2,75 para os 5,2 milhões de euros. Muita gente se indignou com esta notícia, incluindo o primeiro-ministro francês Manuel Valls e os dois representantes estatais no conselho de administração daquele grupo automóvel, mas também os sindicatos, porque entendem que esta remuneração não corresponde à realidade em que vivem os assalariados  franceses.
Hoje o diário económico La Tribune retoma esse assunto, destacando a fotografia de Carlos Tavares na sua primeira página e divulgando um estudo sobre as remunerações dos gestores das 40 empresas que integram o CAC 40 (Cotation Assistée en Continu), o mais importante índice bolsista francês. Esse estudo revela que em 2015 o envelope remuneratório dos gestores do CAC 40 aumentou 32% em relação a 2014 e que, no ano de 2015, Carlos Tavares foi o sétimo gestor mais bem pago em França, tendo os seus proveitos totalizado 5 202 839,87 euros, que se repartiram por 1,3 milhões de euros de salário fixo, 1,93 milhões de euros de rendimentos variáveis e 130 mil ações do grupo, valorizadas actualmente em 2,01 milhões de euros. É muito dinheiro em qualquer parte do mundo, certamente porque o mérito é muito grande, como provam os resultados que alcançou. Esse estudo “absolveu” Carlos Tavares, ao salientar que Tavares méritait bien une grosse augmentation e associa esse mérito ao facto de ter recuperado o grupo que se valorizou 58,6% na sua cotação bolsista. O tempo da mala de cartão e do bidonville já lá vai. Como os tempos mudaram para os portugueses em França!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Um veleiro mostra a outra face do Brasil

Nos últimos tempos as notícias que nos chegam do Brasil são alarmantes, não só pela crise económica e social que se está a aprofundar, mas também pela tensão política que está a dividir o país. As cenas absolutamente condenáveis a que assistimos pela televisão são indignas de um qualquer país democrático e não se enquadram em nenhum quadro constitucional. Goste-se ou não de um Presidente da República, a Presidente da República Federativa do Brasil é um símbolo da nação brasileira e resultou da escolha do povo em eleições livres. No exercício das suas funções, pode ou não ter cometido ilegalidades, pode ou não ser destituida, mas a sua figura não pode ser julgada e insultada num ambiente em que os deputados, muitos deles acusados de corrupção e de enriquecimento ilícito, se comportaram como se pertencessem a uma vulgar torcida de futebol ou a um bando de malfeitores.
Nesse ambiente de grande tensão, a notícia que hoje nos chega de Porto Alegre através do diário ZH é bastante desanuviadora: o veleiro Cisne Branco, a que o jornal chama “embaixada flutuante” vai estar no cais de Porto Alegre e vai poder ser visitado pela população nos próximos dias. O navio pertence à Marinha do Brasil, foi construido nos estaleiros Damen Shipyard em Amesterdão e foi encomendado para as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, tendo entrado ao serviço no ano de 2000. Actualmente, representa o Brasil em eventos náuticos nacionais e internacionais, podendo ser utilizado como navio-escola. Se os deputados brasileiros pudessem visitar o Cisne Branco e inspirar-se no seu simbolismo histórico-cultural, certamente sentiriam um brutal arrepio pelo seu lamentável comportamento que envergonhou o Brasil e talvez aprendessem a tomar as suas legítimas decisões de forma ordeira e sem ofender a dignidade presidencial.

A espanholização da banca portuguesa

O diário económico espanhol Cinco Dias anunciou que a banca portuguesa está mais espanhola, antecipando já que a oferta pública de aquisição (OPA) do banco CaixaBank sobre o português BPI vai ser bem sucedida. A confirmar-se essa operação, depois do Banif ter sido engolido pelo Santander, teremos mais um passo no sentido da chamada espanholização da banca portuguesa.
Porém, o assunto é muito complexo e muito confuso para quem não acompanha as negociatas da finança, porque envolve muita gente. Tudo começou com o BCE a impor as regras da harmonização bancária da União Europeia e a exigir que os dois principais accionistas do BPI, respectivamente o espanhol CaixaBank (44,09%) e a angolana Santoro Finance, Prestação de Serviços (18,57%) se entendessem em relação ao exercício do poder no governo do banco, um problema que interessa à economia e ao sistema financeiro português. Tudo parecia correr bem. A Santoro Finance cedia a sua participação ao CaixaBank e a Santoro Finance ficava com a posição indirecta que o CaixaBank tem no banco angolano BFA. Era uma quase troca e as autoridades portuguesas festejaram o bom sucesso do entendimento e o fim da guerra pela disputa no BPI, mas foi sol de pouca duração. Poucos dias depois a Santoro Finance veio recusar o acordo, quando a imprensa angolana já anunciava que “Isabel dos Santos era maioritária no BFA” e a imprensa espanhola anunciava o domínio do BPI pelo Caixa Bank. Então, o CaixaBank arrancou com uma OPA sobre o BPI e começou a tratar de arranjar 1600 milhões de euros para o efeito, enquanto a Santoro Finance terá dado um passo atrás e já admitiu voltar à mesa das negociações. É preciso que o bom senso regresse, mas não há dúvidas que a “nossa” banca só nos dá dores de cabeça. E não deixa de ser curioso lembrar a arrogância com que essa mesma banca sempre nos tratou nos tempos das vacas gordas.