domingo, 6 de setembro de 2020
O incrível rumo eleitoral americano
As eleições
presidenciais americanas realizam-se no dia 3 de Novembro o que significa que
estamos a menos de dois meses do dia da votação. A campanha eleitoral vai
começar a acelerar, mas o facto é que Donald Trump tem vindo a recuperar nas
intenções de voto relativamente ao democrata Joe Biden, pois enquanto há um mês
as sondagens o situavam 9% abaixo de Biden, as mesmas sondagens indicam que
Trump está agora a 6.9% do seu adversário. Porém, nos chamados estados decisivos – California, Texas,
Florida e Nova Iorque – as intenções de voto estão muito equilibradas e será
nesses estados que tudo se decidirá.
Ontem a
reputada revista The Economist destacou as eleições americanas como tema
principal e referiu-se-lhe como uma ugly
election, que traduzido para português significa uma eleição feia,
perigosa, repelente. De facto, depois de Donald Trump ter incentivado os seus
eleitores a tentarem votar duas vezes, primeiro por correspondência e depois
presencialmente, há todas as razões para que se olhe com desconfiança para as
eleições americanas e que se duvide que possam ser livres e justas. E não foi
um lapsus linguæ pois Trump repetiu
aquele incentivo e só muito depois emendou a mão ao acrescentar, que só se
deveria votar presencialmente na secção eleitoral se o voto por correspondência
não tivesse chegado. Entretanto, Donald Trump continua a ameaçar e a insultar
os seus adversários, embora não consiga calar muitas das pessoas que lhe são
próximas, como a sua irmã Maryanne Trump Barry, uma antiga juíza de 83 anos de
idade que numa entrevista para o jornal The
Washington Post descreveu o seu irmão-presidente como cruel, mentiroso e
sem quaisquer princípios.
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
As eleições e o futuro na Venezuela
A Venezuela tem
eleições parlamentares marcadas para o dia 6 de Dezembro e esse facto é
animador pois pode conduzir a uma saída para a grave crise que atravessa o
país, onde vivem cerca de 400 mil portugueses ou luso-descendentes.
As sanções
económicas impostas pelos Estados Unidos ao regime de Nicolas Maduro deram
origem a uma grave crise económica e a uma grande instabilidade social, que foi
aproveitada por alguma oposição estimulada por Donald Trump, para tentar mudar
o regime chavista que governa a Venezuela. Como não tiveram o apoio das Forças
Armadas para tomar o poder, foi montada uma operação que se disfarçou de ajuda humanitária
e até foi arranjado um tal Juan Guaidó para suceder a Maduro. A operação desenvolveu-se
em Fevereiro de 2019 e foi apoiada pelos mass
media internacionais, mas Maduro negou que houvesse crise humanitária no
país e continuou a ter o apoio dos militares e do aparelho judicial.
Passados muitos
meses e agora sob o efeito da pandemia, o presidente Maduro decidiu convocar
eleições para o dia 6 de Dezembro e convidou as Nações Unidas e a União
Europeia para participarem nas eleições como observadores. Ao mesmo tempo,
Nicolás Maduro concedeu mais de uma centena de indultos a políticos da oposição
que se encontravam detidos, o que significa que já escuta as reivindicações da
oposição, que entretanto se dividiu.
De um lado está Henrique
Capriles, o antigo governador do estado de Miranda e candidato derrotado nas
eleições presidenciais de 2012, que apoia a realização de eleições, admite
negociações com Maduro e se afastou de Guaidó, cuja estratégia “se agotó”.
Do outro lado
ainda está Juan Guaidó, agora com menos apoio de Trump e de Bolsonaro, que acusa
Capriles de negociar com “la dictadura de Maduro”. Assim, a Venezuela tem a sua
oposição dividida, enquanto o regime de Maduro parece estar mais moderado.
Quanto a Juan Guaidó, muito dependente de Trump e de algumas agências
americanas, parece que realmente se esgotou. Vamos a ver.
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
Já vamos com seis meses de covid-1
Vários jornais
portugueses lembraram hoje que passaram seis meses desde que, no dia 2 de
Março, foram detectados os dois primeiros casos de covid-19 em Portugal.
Desde então foram identificados 58.663 casos positivos de infecção por covid-19, dos quais cerca de 72% já recuperaram, mas a pandemia já provocou 1827 óbitos. A situação sanitária tem sido prolongada e catastrófica, tendo alterado o modo de vida dos grupos e das pessoas por todo o mundo, onde o número de óbitos se aproxima de um milhão, sobretudo nos Estados Unidos, no Brasil, na Índia e no México.
Desde então foram identificados 58.663 casos positivos de infecção por covid-19, dos quais cerca de 72% já recuperaram, mas a pandemia já provocou 1827 óbitos. A situação sanitária tem sido prolongada e catastrófica, tendo alterado o modo de vida dos grupos e das pessoas por todo o mundo, onde o número de óbitos se aproxima de um milhão, sobretudo nos Estados Unidos, no Brasil, na Índia e no México.
Em Portugal, os
efeitos do covid-19 têm sido
demolidores no aspecto sanitário, mas também na vida económica e cultural. Tudo mudou. O quotidiano e o trabalho. As viagens e as férias. Os restaurantes e as escolas. Vieram os confinamentos, as máscaras, o distanciamento social. A actividade económica e, especialmente o turismo, tiveram quebras brutais e,
no segundo trimestre do corrente ano, o produto nacional teve uma contração de
14,1% relativamente ao trimestre anterior e de 16,5% em relação ao segundo trimestre de
2019. Nunca acontecera. Foi uma verdadeira catástrofe. As
consequências sobre o emprego foi a destruição de cerca de 180 mil empregos em
apenas quatro meses, o que significa que haverá actualmente mais de 350 mil
pessoas desempregadas em Portugal.
O Governo tem
procurado tomar medidas para atenuar os efeitos desta crise económica provocada
pela pandemia e, de uma forma geral, tem tido o apoio ou a neutralidade dos
partidos políticos. Porém, o desafio é muito difícil, até porque está a ser
perturbado por uma campanha presidencial prematura e, além disso, como quase sempre acontece na nossa terra, as corporações de interesses e
os seus agentes aproveitam a oportunidade para apresentar exigências ao Governo que, mesmo que sejam justas, são inoportunas e incomportáveis. As necessidades são muitas, mas os nossos
recursos são escassos. O que as corporações de interesses querem, implica sempre mais impostos ou mais
dívida, o que nas actuais circunstâncias seria tão catastrófico como a própria
pandemia.
O Tour de France é a festa dos franceses
Começou o Tour de France que é, seguramente e em
todos os sentidos, a maior festa dos franceses. Trata-se de um acontecimento
desportivo que se realiza desde 1903 e que, este ano, entre Nice e Paris,
constará de 21 etapas que serão percorridas por 176 ciclistas de 22 equipas,
terminando no dia 20 de Setembro. Actualmente, a grande corrida pode ser acompanhada pela televisão com grande detalhe informativo e,
além disso, proporciona imagens de grande qualidade estética das regiões por
onde a prova passa, em que são sempre destacadas a paisagem e o património
construído, a par do entusiasmo popular à beira das estradas. Assim, na actual
pobreza da televisão portuguesa, o Tour
de France acaba por se tornar num programa com um conteúdo cultural muito apelativo
e que quase nos permite viajar sem sair de casa, embora os comentários sejam
por vezes muito brejeiros.
Este ano apenas
um português se encontra no pelotão. Chama-se Nelson Oliveira, é natural de
Anadia e corre com o dorsal 95 pela equipa espanhola Movistar. Embora o seu nível
internacional não o coloque no topo do ciclismo mundial, há que torcer por este
compatriota para que se sinta apoiado e possa ganhar uma etapa, o que seria uma
enorme alegria para a comunidade portuguesa que vive em França e também para
muitos de nós aqui no rectângulo continental português.
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Navegando no estreito de Magalhães
O centenário
jornal chileno El Mercúrio que se publica na cidade de Santiago ilustrou a sua
edição de hoje com uma expressiva fotografia da parte média do estreito de
Magalhães, em que se destaca o cabo Froward, o ponto mais meridional do continente
sul-americano, por onde passou em Novembro de 1520 a frota de Fernão de
Magalhães, durante a sua viagem para as ilhas Molucas, que veio a transformar-se
na primeira viagem de circum-navegação.
A justificação do
jornal para publicar esta fotografia foi a passagem pelo estreito de Magalhães
do moderno porta-helicópteros americano USS
Tripoli (LHA-7), que é um Landing
Helicopter Assault ou navio de assalto anfíbio.
O navio entrou ao serviço da Marinha americana no passado dia 15 de Julho, tem 240 metros de comprimento, desloca 45 mil
toneladas e tem uma guarnição base de 65 oficiais e 994 sargentos e praças,
podendo alojar 1687 fuzileiros. Nesta sua primeira viagem o navio atravessou o
estreito de Leste para Oeste e dirigiu-se para a sua base na Califórnia, tendo
realizado alguns exercícios com o navio-patrulha chileno Marinero Fuentealba de 81 metros de comprimento e 1772 toneladas de
deslocamento. O novo navio americano tem todas as modernas ajudas à navegação,
mas certamente que a companhia do Marinero
Fuentealba lhe foi muito útil, até porque a parte ocidental do estreito é
mesmo estreita e registou tantos naufrágios que até está institucionalizada uma rota turística
conhecida por Rota dos Naufrágios, que mostra aos turistas os restos dos navios que por ali se perderam. O que não há dúvidas é que a paisagem marítima do local é imponente e nos evoca um facto relevante da história da Humanidade.
domingo, 30 de agosto de 2020
A língua portuguesa é viva e renova-se
A língua
portuguesa é uma das línguas mais faladas no mundo e não é muito importante
saber qual a sua posição no ranking of
the most spoken languages of the world. Este ranking é divulgado anualmente pelo Ethnologue, um centro
científico de estudos linguísticos integrado na organização não-governamental
SIL Internacional, fundada em 1934 e com sede em Dallas.
Sempre confiei no
Ethnologue. Porém, entre as edições de 2019 e 2020, o Ethnologue parece ter
sido infectado e, para mim, a sua credibilidade está sob suspeita. Então não é
que, segundo o Ethnologue, em apenas um ano, o espanhol passou da segunda para a
quarta posição e o português passou da sexta para a nona posição, enquanto o
inglês passou da terceira para a primeira posição e o francês deu um monumental
salto da décima-quinta para a quinta posição do ranking. Mesmo que tenha havido mudanças de critério no apuramento
do número de falantes de cada língua, as enormes e tão rápidas alterações no ranking of the most spoken languages of the
world descridibilizam o Ethnologue.
Tudo isto vem a
propósito da edição de ontem do jornal angolano folha 8, cuja manchete de
carácter político recorreu com grande criatividade a uma expressiva palavra
que, embora existindo no vocabulário português, não é usada habitualmente.
Diz-se que está a ficar mais pequeno, que está a encolher, que se está a
reduzir, que está a diminuir ou que está a ficar menor, mas não é costume
dizer-se que qualquer coisa esteja a apequenar-se.
Este é, portanto,
um bom exemplo da riqueza de uma língua que se valoriza continuamente, quer
pela criatividade popular ou de autores como Mia Couto ou José Eduardo
Agualusa, mas também pela renovada utilização de palavras em vias de extinção,
como parecia ser o apequenar-se.
quarta-feira, 26 de agosto de 2020
“Quiero irme del Barça” e a cidade tremeu
A imprensa
espanhola e em especial a imprensa desportiva destacam hoje que Lionel Messi,
após cerca de dezoito anos ao serviço do FC Barcelona, escreveu ontem um
simples telefax dirigido à direcção do seu clube, solicitando unilateralmente o
fim do seu contrato. A cidade de Barcelona tremeu como se fosse um sismo. Talvez que o grande artista da bola ainda esteja amuado com o que
lhe aconteceu no Estádio da Luz onde o FC Bayern de Munique lhe aplicou oito
golos ou, então, concluiu que é a altura de ir tratar da gestão das muitas toneladas
de dinheiro que acumulou enquanto jogava à bola.
O jogador pouco
mais disse do que “quiero irme del Barça” e o mundo ficou sem saber o que é que
realmente lhe vai na alma, enquanto os dirigentes do seu clube ficaram em
estado de choque por estarem em vias de perder a sua estrela, mas também os
milhões que a sua transferência poderia render. Não se sabe se Messi foi
assediado por dinheiro árabe ou chinês ou até se tem propostas de trabalho do
Paços de Ferreira ou do Moreirense, mas o facto é que os jornais espanhóis e
latino-americanos deram um enorme destaque à decisão de Lionel Messi, porque ele
tem sido um excepcional artista da bola e um ícone da cidade de Barcelona e até
da Catalunha, que se encontra no mesmo patamar de notoriedade e fama que
atingiram Pelé, Maradona e Ronaldo.
No mundo
comunicacional em que vivemos, este telefax
de Lionel Messi foi pensado pelos seus advogados. Não foi um impulso e, por isso, esconde qualquer coisa e só pode ser uma artimanha ou uma peça de
uma estratégia de trampolim para outros passos que, naturalmente, já estão negociados. Vamos a
ver o que vai acontecer para esclarecer este mistério ou mais esta negociata do mundo do futebol. Alguém está a querer comprar o nome do jogador, apenas o nome, porque a marca Messi potencia muitos outros negócios.
terça-feira, 25 de agosto de 2020
À volta do mundo, apesar do covid-19
O navio-escola Juan Sebastián de Elcano largou ontem de La Carraca, a base e
estaleiro da Marinha Espanhola que se localiza em San Fernando, nos arredores
de Cádiz, para iniciar o seu 93º cruzeiro de instrução de cadetes, que servirá
também para comemorar o 5º Centenário da primeira volta ao mundo iniciada por
Magalhães e concluída por Elcano.
Será uma viagem de cerca de onze meses, em
que “a embaixada flutuante” dos espanhóis navegará por todos os oceanos e
procurará reconstituir a viagem realizada entre 1519 e 1522 e em que se espera
que visite, entre outros lugares, o porto de Montevideu, a baía de San Julián
(Argentina), a cidade de Punta Arenas (Chile), o estreito de Magalhães, as
ilhas Guam, as ilhas Filipinas, as ilhas Molucas e a Indonésia.
A bordo seguem 172 tripulantes e a largada
do navio foi motivo de reportagem para os jornais gaditanos que publicaram
fotografias da partida, embora considerassem que se tratava de “el viaje más
incierto” ou “su viaje más atípico”, uma vez que há uma grande incerteza
relativamente à evolução da pandemia do covid-19,
não só a bordo do navio, mas também nos portos que espera escalar para se
reabastecer ou para participar em actos comemorativos se, entretanto, os
movimentos anti-coloniais não enveredarem por manifestações anti-espanholas nos
pontos de passagem. Além disso, é natural que os tripulantes do Elcano não possam sair do navio e que
não sejam permitidas visitas a bordo, o que parece tornar esta viagem um caso
de extrema teimosia para celebrar aquilo que alguns sectores espanhóis não se
cansam de reclamar, isto é, “a plena y exclusiva hispañolidad” da primeira
volta ao mundo.
Bem avisadas estiveram as autoridades
portuguesas e as chefias da Marinha quando em Março deste ano cancelaram a
viagem de volta ao mundo que o navio-escola Sagres
tinha iniciado, porque a situação pandémica a isso obrigou.
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
Donald Trump poderá vir a ser reeleito?
Depois da
Convenção Democrata que escolheu Joe Biden como o seu candidato às eleições
presidenciais americanas de 3 de Novembro, é agora a vez da Convenção
Republicana escolher o seu candidato que será Donald Trump.
A generalidade da
imprensa americana não é neutra nas campanhas eleitorais e está alinhada com um
ou outro candidato, embora esse alinhamento seja quase sempre discreto e
subtil. Hoje, o jornal nova-iorquino Daily News caricaturou Donald Trump apresentando-o
como um showman, um entertainer, um demagogo ou mesmo um palhaço
de circo, ao mesmo tempo que revela alguns dos seus apoiantes que são figuras
desconhecidas ou de segundo plano na sociedade americana. O Donald não
apresenta um programa eleitoral e os extractos dos seus discursos que nos vão
chegando são centradas em ataques pessoais ao seu adversário, na agitação de
fantasmas e em ameaças quanto ao futuro dos americanos para o caso de não ser
eleito. Durante quatro anos usou a mentira, a arrogância e o narcisismo, mas uma parte da América gostou disso.
Hoje, também o
diário USA Today, que é o jornal de maior circulação nos Estados Unidos, apresentou os resultados de uma sondagem que revela
que a maioria dos americanos não acredita que Donald Trump aceite uma derrota eleitoral, isto é,
há 25% de americanos que acham que ele aceitará a derrota, mas há 52% que consideram
que ele não aceitará a derrota e 24% que não estão seguros de que ele aceite a
derrota.
A suspeita de que
este golpe trumpiano pudesse acontecer já tinha sido avançada, mas agora ela confirma-se
através desta sondagem hoje publicada.
Nasceu um novo campeão português
O Grande Prémio
de Estíria em motociclismo, realizou-se ontem em Spielberg, na Áustria e teve
um vencedor inesperado chamado Miguel Oliveira.
Foi a primeira
vitória deste piloto português que até agora apenas tinha conseguido um 6º
lugar em Brno, na República Checa, como o seu melhor resultado na MotoGP World Championship, mas também foi
a primeira vitória da Tech 3, a sua equipa que em mais de trinta anos de
corridas nunca tinha ganho uma prova num campeonato dominado pelas Hondas e
Yamahas e por pilotos italianos, ingleses, americanos e espanhóis. Ontem, na última curva
da corrida e quando seguia em terceiro lugar, Miguel Oliveira conseguiu
ultrapassar os concorrentes australiano e espanhol que seguiam na sua frente e
vencer, numa prestação de grande competência, em que foram reconhecidas a perícia
e a inteligência com que conduziu a sua prova.
A euforia de
Miguel Oliveira por esta inédita vitória portuguesa “na Fórmula 1 do
motociclismo” foi natural e a bandeira portuguesa que segurou com emoção foi
vista nos telejornais do mundo inteiro, ao mesmo tempo em que agradecia aos amigos e aos que o apoiaram e afirmava que os portugueses eram os melhores, o que só se aceita numa
situação daquelas.
Embora eu não
seja entendido nos desportos motorizados, associo-me às saudações que estão a
ser dirigidas a Miguel Oliveira que, segundo está a ser anunciado, já entra em
provas de motociclismo desde os nove anos de idade. É mesmo um campeão e até o jornal A Bola se esqueceu das suas manchetes sobre as negociatas das transferências dos jogadores de futebol para homenagear este piloto português.
sexta-feira, 21 de agosto de 2020
É a hora: Joe Biden for President 2020
No contexto das eleições presidenciais americanas chegou ao fim a Convenção Democrática que
escolheu o senador Joe Biden como o seu candidato para enfrentar Donald Trump
no próximo dia 3 de Novembro. A convenção decorreu num ambiente de grande
unidade e as intervenções das principais figuras do Partido Democrata,
incluindo os anteriores presidentes Bill Clinton e Barack Obama, bem como das suas
mulheres, foram devastadoras para o actual presidente que de imediato reagiu, a
mostrar que está inquieto e nervoso com a força, a determinação e a serenidade
que a candidatura de Joe Biden e Kamala Harris está a mostrar.
As eleições
americanas são importantes para os Estados Unidos, mas também são muito
importantes para o mundo, pois trata-se da escolha da pessoa que vai dirigir o
maior complexo militar-industrial e a maior economia do nosso planeta, num
tempo em que se acentuam os desafios da instabilidade regional, da
conflitualidade étnico-religiosa, das alterações climáticas, da desigualdade e
da pobreza e, até, da sobrevivência humana.
As novas
plataformas de comunicação que Donald Trump tem utilizado em larga escala
durante o seu mandato para se promover e justificar os enormes erros que tem
cometido, quer na ordem interna quer na ordem internacional, vão certamente
continuar a ser usadas para difundir fake
news e para criar uma imagem presidencial que, de facto, distorce um
retrato de ignorância, de insensibilidade e de autoritarismo do homem que se
instalou na Casa Branca e de onde não quer sair.
A pandemia do covid-19, a recessão económica, o
desemprego e a crise social que lhe estão associados, devem ter gorado todas as hipóteses do Donald continuar na Casa Branca… mas como dizia um famoso jogador de futebol, “prognósticos só no fim do jogo”.
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
Aproximam-se as eleições americanas
As eleições
presidenciais americanas que se vão realizar no dia 3 de Novembro entraram na
sua recta final com a realização da Convenção Democrata que confirmou a
nomeação do ex-vice-presidente Joe Biden como o seu candidato contra Donald Trump
e aprovou para a vice-presidência a senadora Kamala Devi Harris, a antiga procuradora-geral da Califórnia. A
escolha da senadora Harris gerou uma onda de entusiasmo nas hostes democratas
pelo efeito que esperam venha a ter no voto das mulheres e das comunidades de
origem latino-americana, africana e asiática, tendo tido grande impacto nos media americanos como se pode observar
na edição de hoje do The Washington Post.
De acordo com as
mais recentes sondagens o candidato Joe Biden tem cerca de 50% das intenções de
voto, enquanto Trump está com 42%, mas estes indicadores não são suficientes
para prever o resultado final. Nas eleições de 2016 a senadora Hillary Clinton
liderou as sondagens e teve cerca de três milhões de votos a mais do que Trump,
mas perdeu porque o sistema americano é indirecto, isto é, cada estado elege os
delegados em função da sua dimensão populacional e são esses delegados que vão
constituir o colégio eleitoral de 538 membros que se reunirá no dia 14 de
Dezembro para eleger oficialmente o presidente e o vice-presidente. O vencedor
precisa, portanto, de 270 delegados para vencer.
O candidato mais
votado em cada estado fica com todos os delegados e apenas nos pequenos estados
do Maine e do Nebraska os delegados são escolhidos proporcionalmente aos votos
recolhidos pelos candidatos. Nestas condições, são determinantes os votos nos
estados decisivos, conhecidos por battleground
states, casos da California (55 delegados), Texas (38 delegados), Florida e
Nova Iorque (29 delegados cada), enquanto os três delegados escolhidos em
Montana, Delaware, Wyoming e Vermont são muito menos importantes para o resultado
final.
Faltam 74 dias
para que os americanos votem.
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
A era do plástico e os males dos oceanos
A proliferação de
plásticos e de outros detritos nos oceanos começa a preocupar seriamente a
Humanidade e, na sua edição de hoje, o jornal Público publica uma
fotografia de uma praia do Haiti coberta de plásticos e de outros lixos, salientando
que “pode haver dez vezes mais plástico no Atlântico do que se pensava”. O
problema vem sendo tratado desde há alguns anos, depois de terem sido
identificadas algumas “ilhas” gigantescas de lixo em todos os oceanos e, em
especial, no mar Mediterrâneo, mas também no facto de muitas áreas costeiras registarem grandes
acumulações de lixo, constituído sobretudo por materiais plásticos, sobretudo
garrafas, cordas e sacos de nylon,
bóias, cadeiras e embalagens.
Esses materiais
concentram-se por efeito das correntes marítimas, mas calcula-se que esse lixo
represente apenas 1% daquilo que já foi depositado nos oceanos ao longo dos
anos e que, a outra parte, está ignorada ou até degradada, possivelmente no fundo
dos mares. O processo de degradação do lixo plástico é muito lento, mas com o
tempo e a acção da movimentação das águas, os plásticos vão-se transformando em
pedaços cada vez mais pequenos, até atingirem dimensões minúsculas e quase
indetectáveis, sob a forma de microplásticos que, actualmente, são objecto de estudo
para conhecer os seus efeitos sobre a vida marinha e, indirectamente, sobre a
vida humana.
Estas situações
constituem verdadeiras catástrofes ambientais e estão a afectar seriamente a
vida no nosso planeta, o que está a despertar o interesse da comunidade
científica e das autoridades dos países marítimos, embora haja quem pergunte se
ainda vamos a tempo de evitar males maiores na degradação dos oceanos e da vida
marinha.
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
Grande naufrágio e catástrofe ambiental
A ilha Maurícia, a ilha Rodrigues e outras ilhas
menores como Agalega, situam-se no oceano Índico a cerca de 2000 quilómetros da
costa de Moçambique e constituem um país insular com o nome de República das
Maurícias. A toponímia local revela a passagem dos portugueses por aquelas
ilhas, maas foram os holandeses, os franceses e os ingleses que as exploraram,
até que em 1968 alcançaram a independência.
Hoje a República
das Maurícias é um país próspero com cerca de 1,3 milhões de habitantes multiétnicos, com
influências culturais indianas, europeias e africanas, tendo o turismo como a
principal alavanca da sua economia.
No passado dia 25
de Julho o superpetroleiro japonês MV Wakashio
encalhou nos recifes que orlam a ilha Maurícia, num parque marinho protegido
que tem recifes de coral e espécies em vias de extinção, tendo esse facto sido
considerado uma catástrofe. As autoridades declararam o estado de emergência e
foi pedida ajuda internacional para atenuar as graves consequências para o país
e para o seu turismo. Depois de duas semanas de luta para evitar um desastre
ambiental em que participaram milhares de estudantes, activistas ambientais e
muita população, no passado sábado o navio partiu-se em duas partes e foram
libertadas toneladas de petróleo no oceano Índico. A bela ilha Maurícia corre
sérios riscos de perder o seu estatuto de paraíso natural e de destino
turístico de excelência.
O MV Wakashio
foi construído em 2007, desloca 203.000 toneladas, tem 300 metros de comprimento
e navegava da China para o Brasil, tendo encalhado a cerca de uma milha de
terra, quando se esperava que estivesse a uma distância entre 10 e 20 milhas de
terra. Nesta altura decorre uma investigação para perceber como foi possível,
num tempo de tantas tecnologias de apoio à segurança da navegação, que este
desastre tivesse acontecido. O jornal Finantial Times e outros publicaram
nas suas edições de hoje a fotografia do MV Wakashio
e do reef disaster.
domingo, 16 de agosto de 2020
Marcelo, o presidente nadador-salvador…
A campanha eleitoral para a reeleição do
ex-comentador político e professor de Direito já começou há muito tempo, mas
neste Verão tem-se acelerado de tal forma que aqueles que, como eu, entendem
que temos tido um bom Presidente, que até fez esquecer o outro que veio de
Boliqueime, já estão fartos da verdadeira farsa em que se está a tornar a
campanha quotidiana do cidadão Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, que tem
sido anunciada como as férias do
Senhor Presidente ou como uma ajuda à promoção do turismo interno. É uma
encenação cansativa vê-lo sempre rodeado de microfones a dar lições onde quer
que esteja e, naturalmente, imaginá-lo a ser vigiado por seguranças escondidos
e discretamente acompanhado por alguns dos seus assessores. Só um excesso de
vaidade pode justificar que um homem culto e inteligente tenha esta febre de
aparecer, de ser visto, de dar opiniões e de encher as televisões o dia
inteiro, com ou sem máscara, na praia ou na cidade, de manhã ou à tarde, dando
lições e opiniões sobre tudo. É um sufoco de marcelite e o que sufoca, também irrita.
Depois do convívio com os sem-abrigo e da
ajuda que deu nas cozinhas que preparam refeições para os pobres, eu pensava
que o ponto máximo do ridículo tinha sido atingido com as férias na ilha de Porto Santo. Porém, a cena de ontem na praia do
Alvor ultrapassou tudo o que se podia imaginar, não só com a ajuda que deu a
duas jovens banhistas como se fosse um salvamento, mas também com a espera
táctica que foi feita pela moto de água que estava no local para que o
espontâneo nadador-salvador pudesse intervir e ser filmado. O caso podia ter
ficado por aí, mas o herói do momento aproveitou a ocasional presença dos
microfones para explicar e dar lições oceanográficas a quem se estava a
divertir no mar, sem rejeitar o seu papel decisivo naquela corajosa
intervenção. Se uma cena destas fosse preparada não resultaria melhor. Se eu pudesse dar um conselho diria ao
cidadão Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa que sossegasse e que descansasse,
porque dessa forma terá mais votos quando chegarem as eleições. Não faria como
a TVI24 que quase lhe sugeriu que se candidatasse ao Instituto de Socorros a
Náufragos em vez de se recandidatar ao seu actual cargo.
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