quinta-feira, 19 de junho de 2025

Os "incendiários" e a crueldade sobre Gaza

A estação televisiva CNN Portugal não se esqueceu de Gaza e, hoje, às 08.29 horas, anunciou que “ataques israelitas fazem 140 mortes em 24 horas”. Ontem, às 07.13 horas, tinha anunciado “70 mortes e 200 feridos perto de camião com ajuda” e, anteontem, pelas 09.28 horas, informara “mortas 50 pessoas, metade junto a centro de ajuda”. O que se tem passado em Gaza, mas também na Cisjordânia, no Líbano, na Síria e, agora no Irão, é uma loucura da extrema-direita israelita comandada por Benjamin Netanyahu, com o apoio de diversos países a pretexto do Estado de Israel estar ameaçado, mas ignorando que, desde 1948, esse mesmo estado tem ameaçado e concretizado essa ameaça contra os palestinianos, o seu modo de vida, a sua cultura e os seus territórios.
Quando os líderes europeus ignoram o que se passa em Gaza e repetem que “Israel tem direito a defender-se”, não só afirmam uma banalidade, uma evidência e uma la palissada, como traem os princípios da Carta das Nações Unidas, do Tratado de Roma e todas as Resoluções das Nações Unidas, que Israel nunca respeitou, pois tem sido um lobo vestido de cordeiro. É absolutamente lamentável que a Europa não levante a sua voz contra o extremismo israelita e que os seus principais dirigentes se calem perante o que está a acontecer em Gaza. Ao mesmo tempo, esses dirigentes alinham no mesmo tipo de narrativa mentirosa com que foi derrubado Sadam Hussein, agora com o fantasma da bomba atómica e, antes, com o fantasma das armas de destruição maciça.
Na sua edição de hoje, o jornal francês L’Humanité classifica Trump e Netanyahu como “os incendiários”. Porém, a narrativa que circula pelas agências noticiosas e pelos mass media, bem como a opinião dos comentadores que diariamente nos entra em casa também é incendiária, pois não olha a princípios de legalidade internacional e tem ignorado ou justificado todo o belicismo e crueldade israelita sobre a população de Gaza.

terça-feira, 17 de junho de 2025

A marca americana nas guerras actuais

Hoje, a edição internacional do The New York Times publica com grande destaque de primeira página três fotografias alusivas às guerras que estão em curso e que tanto preocupam o mundo. Nas respectivas legendas, surge sempre destacada a figura de Donald Trump, num caso porque “acabava a guerra em 24 horas” e, nos outros casos, porque já se transformou num porta-voz do regime de Netanyahu. O facto é que há três guerras na Europa ou junto das fronteiras da Europa, é enorme o nível de destruição em Gaza, em Kiev, em Teerão ou em Telavive, enquanto as indústrias do armamento continuam a engordar…
Todos estes conflitos mostram, uma vez mais, como a propaganda funciona e manipula os acontecimentos, bem como se usam sem pudor dois pesos e duas medidas. Tanto na Ucrânia, como na Palestina e agora no Irão, os Estados Unidos protegem os regimes de Zelensky e de Netanyahu, enquanto a Europa continua hesitante, pequenina e ineficaz, a exibir-se de cimeira em cimeira em desfile de vaidades.
Quando Israel decidiu atacar o Irão para anular o seu programa nuclear, de forma semelhante ao que se passou com às armas de destruição maciça de Sadam Hussein, os Estados Unidos mostraram como estão envolvidos no apoio a um criminoso de guerra que tem conduzido um genocídio em Gaza, enquanto Donald Trump já tratou de afirmar que “domina os céus do Irão” e de exigir a “rendição incondicional”.
A Europa deveria ter moderado o conflito da Ucrânia e não tomar partido, deveria ter condenado o regime de Netanyahu pela sua acção cruel e genocida em Gaza e, no conflito entre Israel e o Irão, deveria reclamar à diplomacia para procurar resolver a situação, mas em vez disso fornece armas a Israel e tem afirmado que “Israel tem direito a defender-se”, como diria um qualquer senhor de La Palisse.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Os indianos e o fim do “sonho americano”

A mais recente edição da prestigiada revista indiana India Today inclui uma reportagem com abundante informação sobre as medidas tomadas ou anunciadas pela administração do presidente Donald Trump, em relação aos estudantes estrangeiros e às escolas que os recebem. Na capa, uma ilustração mostra a Estátua da Liberdade com o dedo a apontar a saída do país para um grupo de jovens estudantes, enquanto um destacado título diz que é “o fim do sonho americano” para milhares de estudantes indianos, cujo projecto de vida têm sido assente em estudos universitários nos Estados Unidos.
Muito do progresso de que tem beneficiado a Índia nos últimos anos, que já a colocam como a quarta potência económica global, tem sido apontado à formação académica que muitos milhares de estudantes adquirem no estrangeiro e, em especial, nos Estados Unidos. Porém, segundo salienta o India Today, “a repressão de Donald Trump está a fechar a porta aos estudantes indianos”.
No ano lectivo de 2023-24 havia 1.126.690 estudantes estrangeiros nas escolas americanas e 332.000 eram indianos, o que representava cerca de 29,4% do total. Nesse ano, o número de estudantes indianos em algumas universidades impressiona: no Georgia Institute of Technology em Atlanta (3.000), na Columbia University de Nova Iorque (1.250), na Harvard University em Cambridge, Mass (650), na University of Illinois em Champaign (1.400), na New York University em New York (2.000) e assim sucessivamente.
No mesmo ano, a procura de escolas estrangeiras pelos indianos também foi elevada no Canadá (137.608), no Reino Unido (98.890), na Austrália (68.572), na Alemanha (34.702), Rússia (31.444) e em Singapura (17.000).
A reportagem também indica os números astronómicos que “o sonho americano” custa às famílias indianas, mas Donald Trump que tanto gosta de negócios, parece nem olhar para essa gigantesca receita para os cofres das universidades americanas que ele quer controlar, enquanto símbolos maiores da excelência americana.

domingo, 15 de junho de 2025

Donald Trump e a “American disorder”

Donald Trump tomou posse como o 47º presidente dos Estados Unidos no dia 20 de Janeiro de 2025 e, desde então, uma onda de inquietação tem abalado o mundo e, naturalmente, também os Estados Unidos. 
Essa inquietação resulta do comportamento pessoal, fanfarrão e muito extrovertido do próprio presidente e das medidas tomadas pela sua administração, que se manifestam nas tentativas para resolver os conflitos em curso no mundo, nas alterações radicais às práticas comerciais, nas ameaças às anexações territoriais de territórios vizinhos como o Canadá e a Gronelândia e, mais recentemente, nas acções tendentes a reforçar o poder federal americano e a minimizar os poderes estaduais, sobretudo quando são exercidos por membros do Partido Democrata.
Na sua mais recente edição, a revista The Economist publica um editorial intitulado “American disorder” e, como subtítulo, pergunta “o que acontece quando um radical artista de palco tem o comando de um exército”. O texto refere que, ao decidir enviar tropas federais para Los Angeles para assegurar a ordem pública e controlar os imigrantes ilegais ou indocumentados, o presidente Donald Trump está a provocar a desordem no estado da Califórnia. Essa é a opinião da presidente da Câmara de Los Angeles, Karen Bass, e do governador da Califórnia, Gavin Newson, que foi claro ao dizer que Trump “prefere o teatro à segurança pública”. Esta situação poderá vir a afectar outras grandes cidades, sobretudo as que são governadas por democratas, onde Trump deseja que apareça um ciclo de protesto, violência e repressão, que façam dele o homem forte de que os Estados Unidos precisam para resolver esse conflito.
No entanto, segundo refere o editorial do The Economist, “o que serve Trump é perigoso para os Estados Unidos” e, por isso, “este é um momento perigoso para os Estados Unidos”.

sábado, 14 de junho de 2025

Um “milagre” em tragédia aérea na Índia

Um moderno avião de passageiros Boeing 787-8 Dreamliner da Air India despenhou-se na passada quinta-feira numa zona residencial da cidade indiana de Ahmedabad, cerca de um minuto depois de descolar com destino a Londres. O voo AI171 transformou-se numa enorme tragédia pois seguiam a bordo 242 passageiros e tripulantes, dos quais apenas um sobreviveu, tendo também morrido pelo menos oito pessoas que em terra foram atingidas pelos destroços do avião.Apesar dos modernos aviões terem padrões de segurança muito elevados, de vez em quando acontecem acidentes e todos querem saber se isso resultou de erro humano ou de falha técnica. No caso do voo AI171 tudo indica que houve uma perda de potência dos motores do avião que não lhe permitiram ganhar altitude, mas as causas do acidente estão a ser investigadas pelas autoridades e pelo fabricante Boeing, cuja reputação pode estar ameaçada.
O único sobrevivente desta tragédia chama-se Vishwash Kumar Ramesh, é um homem de origem indiana que tem passaporte britânico. Diversos jornais britânicos, como por exemplo o Daily Express, destacaram “o milagre do homem do assento 11A” que, entretanto, já contou como conseguiu abandonar o avião e salvar a vida, em circunstâncias que toda a imprensa britânica destacou e considerou que se salvou por milagre.
A bordo encontravam-se sete pessoas possuidoras de passaporte português, embora nenhum deles tivesse família residente em Portugal.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

O ataque israelita ao Irão e a escalada

O jornal New York Post é um dos poucos jornais que, nas suas edições de hoje, noticia o ataque de Israel ao Irão iniciado na noite passada, quando os aviões de Netanyahu atacaram aquele país. O seu alvo foram as instalações nucleares iranianas, algumas unidades militares e fábricas de mísseis balísticos, mas também visaram a liquidação de alguns altos comandos militares e cientistas envolvidos no programa nuclear iraniano, o que significa mais violência, mais incerteza e o aumento de risco de um conflito de maiores proporções no Médio Oriente.
Os bombardeamentos foram realizados por cerca de 200 aviões, tendo o presidente dos Estados Unidos sido avisado e, naturalmente, dado o seu acordo a esta iniciativa designada como operação Rising Lion que, segundo Netanyahu, tem carácter “preventivo” e durará “os dias que forem precisos”. O Irão terá sido fortemente atingido, mas retaliou imediatamente e as informações disponíveis mostram que a escalada belicista começou, o que constitui uma séria ameaça para a paz mundial.
Num tempo em que há nove países que dispõem da arma nuclear, incluindo Israel, o Irão também quer ter essa capacidade e esse seu desígnio não é aceite por Israel, nem pelos Estados Unidos.
Vários países árabes, incluindo o Egipto, o Catar e os Emirados Árabes Unidos já condenaram o ataque de Israel, mas a Europa está calada, pequenina, irrelevante e, uma vez mais, a ser cúmplice da violência israelita para com a Palestina e os seus outros vizinhos. Porém, ao longo do dia de hoje, as televisões portuguesas e a generalidade dos seus comentadores trataram de justificar a agressão israelita com os seus próprios argumentos de “defesa preventiva”, como se fossem publicitários ao serviço dos extremistas israelitas. Não se ouviu ninguém defender que se parasse de “meter gasolina na fogueira do Médio Oriente” e, como em outros cenários de conflito, há quem nos queira convencer que nestas coisas há os santos e há os pecadores. 

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Os 40 anos de Portugal na União Europeia

No dia 12 de Junho de 1985, exactamente há 40 anos, foi assinado por Mário Soares e por outros governantes portugueses, o tratado de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE) e o jornal i evocou esse acontecimento histórico ao escrever, em primeira página, que foram “quatro décadas que mudaram Portugal”.
Assim foi de facto. Depois do Ciclo do Império, iniciado no século XV com a conquista de Ceuta e a expansão marítima ultramarina, vieram a democratização e a descolonização como conquistas que só o 25 de Abril tornou possível e Portugal e os portugueses “regressaram” à Europa.
Foi uma evolução natural de acordo com os “ventos da História” e todos os indicadores económicos e sociais revelam uma profunda mudança no país, devida sobretudo a factores endógenos mais evidentes na Educação e na Saúde, mas também devido a factores de ordem externa, materializados através dos fundos comunitários que têm sido uma alavanca essencial para a Economia e para as Infraestruturas.
Desde o dia 1 de Janeiro de 1986 que Portugal é membro de pleno direito da União Europeia, que em 1992 sucedeu à CEE. Eram então 12 países da Europa ocidental e atlântica, mas os tempos expandiram este bloco e agregaram mais 15 países da Europa oriental. Hoje são 27 estados-membros com 24 línguas oficiais e nacionais, numa situação intermédia entre o federalismo e os nacionalismos regionais, com uma unidade só aparente, configurando-se quase como uma Europa das Pátrias, onde ainda procuram manter parte da soberania nacional como sonhara o general De Gaulle.
De Bruxelas para Lisboa veio modernidade, progresso e muito dinheiro – quase 200 mil milhões de euros em termos nominais nos últimos 40 anos – mas nem tudo corre bem por lá. Foi criada uma estrutura burocrática cujo combustível é o dinheiro, a ganância e o despesismo, há demasiada arrogância e falta de liderança, enquanto o bem-estar dos povos europeus deixou de ser a preocupação dos burocratas de Bruxelas. Homens como Robert Schuman, Jean Monnet, Konrad Adenauer, François Mitterand ou Jacques Dellors, não existem mais. Agora a liderança europeia está confiada a gente menor que casa dia mais afunda o sonho europeu de respeito pela paz, liberdade, democracia, igualdade, estado de direito e respeito pela dignidade e pelos direitos humanos.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Camões: autor moderno e premonitório

Estão a decorrer as comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões e esse facto influenciou o importante discurso que a escritora Lídia Jorge proferiu em Lagos no dia 10 de junho, que é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Luís de Camões é um poeta do Renascimento e da Modernidade, é uma figura inspiradora da cultura portuguesa e da identidade nacional. 
N’Os Lusíadas, ele celebra a viagem de Vasco da Gama e faz inúmeras observações sobre a História de Portugal, com as suas grandezas e as suas tragédias. De entre as inúmeras mensagens deixadas ao longo dos dez Cantos da obra, sempre admirei o episódio do Velho do Restelo, que se encontra cantado entre as estrofes 94 e 104 do Canto IV, em que “um velho, de aspecto venerando”, “com um saber só d’experiência feito”, falou e, entre outras coisas, disse o seguinte:

   Ó glória de mandar! Ó vã cobiça/ Desta vaidade a quem chamamos fama (XCV)

   A que novos desastres determinas/ De levar estes Reinos e esta gente? (XCVII)

   Deixas criar às portas o inimigo/ Por ires buscar outro de tão longe (CI)

   Buscas o incerto e incógnito perigo/ Por que a Fama te exalte e te lisonje (CI)

   Deixa intentado a humana geração./Mísera sorte! Estranha condição! (CIV)

Glória de mandar, cobiça, vaidade, fama, mísera sorte... Hoje, os versos de Camões revelam-se premonitórios perante o que está a acontecer em Kiev e em Gaza, em Los Angeles e em Paris, mas em muitas mais cidades europeias e americanas.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Portugal venceu Liga das Nações da UEFA

Ontem, os portugueses viveram uma enorme alegria com a vitória da sua selecção de futebol na Fase Final da Liga das Nações da UEFA de 2024-25, em que começou por derrotar a Alemanha nas meias-finais e encontrou depois na final a poderosa selecção espanhola, que se afirma ser uma das mais fortes do mundo. Foi um jogo muito equilibrado, muito sofrido, mas cheio de brilhantismo, que se traduziu num empate por 2-2 ao fim do tempo regulamentar, seguido de um prolongamento de 30 minutos sem golos e do confronto final com pontapés de grande penalidade Os portugueses não costumam ser felizes neste tipo de decisões e a ansiedade era grande. Estavam convertidos sete penaltis quando Diogo Costa defendeu o remate marcado pelo avançado espanhol Álvaro Morata, a que se seguiu um remate vitorioso de Rúben Neves. Foi o delírio e a taça da Liga das Nações regressou a Portugal, como mostra a reportagem na edição de hoje do jornal A Bola, em cuja capa se vê Cristiano Ronaldo que, com 40 anos de idade, capitaneou a equipa e até marcou um golo.
Portugal vencera a primeira Liga das Nações (2018-19) quando bateu os Países Baixos. Sucedeu-lhe a França que em 2020-21 venceu a Espanha e, de seguida, a mesma Espanha que em 2022-23 derrotou a Croácia. 
Estiveram em prova 54 selecções europeias e a equipa portuguesa ultrapassou a Croácia, a Escócia, a Polónia e a Dinamarca, antes da Alemanha e da Espanha. Foi um feito desportivo notável e os portugueses deliraram com esta vitória. 
A televisão mostrou o talento dos jogadores e o entusiasmo dos público, mas também mostrou que muita gente - gente demais embora possivelmente muito importante - esteve em Munique à conta do Orçamento do Estado, isto é, à custa dos contribuintes portugueses. 
É uma nota bem triste e bem provinciana num dia de grande orgulho nacional.

domingo, 8 de junho de 2025

O Dia D nas praias da Normandia

No dia 6 de Junho de 1944, sob o comando do general americano Dwight Eisenhower, que então era o comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa, as suas tropas desembarcaram nas praias da Normandia, então ocupadas pelos exércitos de Adolfo Hitler. Foi a chamada Operação Overlord que marcou o início da libertação da França e da Europa, mas também o colapso do regime alemão e o fim das atrocidades que praticava. 
Todos os anos essa efeméride é comemorada pelos sobreviventes que participaram nessa operação e, neste seu 81º aniversário, assim voltou a acontecer. Os poucos veteranos que ainda sobrevivem, certamente centenários, reuniram-se em diferentes locais da Normandia para evocar aquela operação que inverteu o curso da guerra. Ao longo do litoral e perto das praias do desembarque do Dia D, dezenas de milhares de espectadores compareceram às comemorações, que incluíram saltos de paraquedas, sobrevoos, cerimônias de memória, desfiles e reconstituições históricas. 
A Operação Overlod mobilizou a maior frota de navios, tropas, aviões e veículos da História, para romper as defesas de Hitler na Europa Ocidental e, logo no seu primeiro dia, morreram 4.414 soldados aliados, Na batalha que se seguiu, morreram 73 mil soldados aliados e houve 153 mil feridos, mas também houve milhares de civis franceses que morreram devido aos combates. 
Harold Terens, um veterano americano de 101 anos de idade, segundo uma reportagem publicada no The Wall Street Journal, disse: “Rezo pela liberdade do mundo inteiro. Pelo fim da guerra na Ucrânia, na Rússia, no Sudão e em Gaza. Acho a guerra nojenta. Absolutamente nojenta”. E falou bem.
De facto, só quer a guerra quem nunca passou por ela e pelos excessos que provoca.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Portugal campeão da Europa de Sub-17

O futebol português está em festa pois a sua selecção nacional de Sub-17 venceu ontem a final do Campeonato da Europa dessa categoria, na Arena Kombëtare, na cidade albanesa de Tirana. Na final venceu a equipa da França por um expressivo 3-0, depois de nas meias-finais ter derrotado a Itália num encontro decidido no desempate por grandes penalidades.
Esta vitória acontece em 2025, depois da equipa portuguesa já ter vencido o título europeu desta categoria em 2003 e 2016, o que mostra como são talentosos os jovens futebolistas portugueses, pelo que aqui fica expresso o nosso regozijo por esta vitória europeia.
Curiosamente, nos últimos dias e a reboque da imprensa desportiva, ou melhor da imprensa futebolística, só se falou de dirigentes sempre zangados uns com os outros e de jogadores e de treinadores, sempre avaliados em milhões, embora muitas vezes não se saiba de onde vem tanto dinheiro para contratar esta gente.
Nesse contexto, a vitória dos jovens jogadores portugueses entusiasma aqueles que verdadeiramente gostam de futebol e, bem a-propósito, o jornal A Bola chamou-lhes Meninos de Ouro.
Não sei o que lhes vai acontecer com este sucesso tão prematuro na sua carreira futebolística, mas será bom que cada um deles aproveite para se aconselhar e não seja rapidamente “engolido” pelos tubarões que vegetam e engordam no mundo do futebol. 

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Goa celebra o “Dia do Estado de Goa 2025”

Hoje é o Dia do Estado de Goa ou o Goa Statehood Day, pois perfazem-se 39 anos desde que a União Indiana reconheceu o território de Goa como o 25º estado da União. Hoje, o estado de Goa é marcado por um grande dinamismo económico, pela construção de muitas infraestruturas modernas e por exibir os melhores indicadores económico-sociais de toda a Índia. Os seus 3.702 quilómetros quadrados tornaram-se o alvo da atracção de todos os indianos que encontram em Goa uma harmonia social, um ambiente bastante cosmopolita e uma singular matriz cultural que fazem deste estado a “Europa da Índia”.
O território de Goa esteve sob soberania portuguesa até ao dia 19 de dezembro de 1961, data em que o governador Vassalo e Silva apresentou a rendição portuguesa às tropas da União Indiana que na véspera tinham invadido Goa e as outras possessões portuguesas por terra, mar e ar.
Seguiu-se um processo muito intenso em que os goeses tiveram que decidir se queriam integrar-se no estado de Maharashtra ou constituir-se como um estado autónomo. Prevaleceu esta opção depois de intensa luta política, bem como da promoção do concanim a língua oficial e, no dia 30 de Maio de 1987, Goa tornou-se o 25º estado da União. 
Na cidade de Pangim, que é a capital, podem ver-se inúmeros cartazes a anunciar a celebração do Dia do Estado de Goa 2025, com as fotografias do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e do ministro-chefe de Goa, Pramod Sawant, mas as autoridades governamentais também fizeram publicar um anúncio de meia página na capa de todos os jornais goeses, designadamente n’O Heraldo, the Voice of Goa since 1900.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Gaza e o genocídio praticado por Israel

As atrocidades que o exército israelita vem praticando em Gaza não têm qualquer justificação como salienta o jornal Libération na sua edição de hoje. A recusa continuada do regime de Benjamin Netanyahu em proibir a entrada de ajuda humanitária, os bombardeamentos continuados com toda a espécie de armamentos e a destruição cirúrgica de hospitais e escolas a pretexto de poderem esconder terroristas, estão a causar cada vez mais repulsa internacional e a merecer a condenação de muitos países. Porém, ainda há líderes ocidentais comprometidos desde há muitos meses com o belicismo israelita e que aceitam a destruição de Gaza e do povo palestiniano, fornecendo-lhe armas e apoio político, enquanto as nossas estações televisivas estão cheias de comentadores que apoiam a cruel desumanidade do regime extremista de Israel. A palavra do Papa e do Secretário-Geral das Nações Unidas têm que valer. É tempo de dizer basta. É tempo de condenar aqueles que continuam a apoiar a destruição de Gaza e aqueles que, a coberto das suas liberdades comunicacionais, apoiam o morticínio que os israelitas estão a levar por diante em Gaza.
A paz e a tolerância entre os povos não se defendem com este tipo de gente.
Assim, como salienta o Libération, surgiu um apelo de 300 escritores franceses que afirma que “nós não podemos mais contentar-nos com a palavra “horror”, é preciso utilizar a palavra “genocídio”.
Genocídio é, portanto, sem quaisquer dúvidas, aquilo que os israelitas estão a fazer em Gaza e, já agora, sem que se ouça bem alto um grito português de veemente condenação.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Goa em dia da chegada da monção

Ontem cheguei a Goa, o estado indiano que esteve sob a soberania portuguesa até 1961 e que, por razões diversas, não visitava desde há vários anos. Viajei de Lisboa num voo da Qatar Airways com escala em Doha, bem acompanhado, com conforto e com um excelente serviço de bordo.
No mesmo dia a monção chegou a Goa e, segundo a edição de hoje do jornal The Navhind Times que se publica em Pangim, apareceu com onze dias de avanço em relação à data habitual. A data “oficial” em que a monção chega a Goa é o dia 5 de junho, mas nos últimos dez anos chegou atrasada sete vezes, adiantada duas vezes e só em 2021 chegou no dia esperado. Nos últimos vinte anos nunca chegara tão cedo e todas estas “anomalias” da meteorologia da costa ocidental da Índia são atribuídas às alterações climáticas. 
A monção vai “permanecer” em Goa até meados de setembro, com chuva quase contínua e muitas vezes torrencial, que perturba a vida económica e social, inunda os campos, imobiliza a frota pesqueira e desertifica praias que são batidas por mares tempestuosos. Porém, a monção também é uma fonte de vida, pois atenua o calor intenso que aquecera o ambiente e, em poucos dias, faz despontar uma paisagem verdejante que traz consigo a marca da abundância para as populações rurais. Naturalmente, a monção tem sido inspiradora de uma boa parte da literatura goesa, mas também de práticas culturais muito diversas. 
Estar em Goa em tempo de monção é um verdadeiro privilégio,  sobretudo em termos históricos e culturais, até porque uma boa parte da expansão marítima portuguesa do século XVI foi condicionada pela mesma monção que ontem chegou a Goa.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Gaza e o tardio acordar da velha Europa

Depois de muitas semanas em que o mundo ignorou a brutalidade e a desproporcionada violência com que as forças de Benjamin Netanyahu atacaram o povo palestiniano na Faixa de Gaza a coberto da sua luta contra o Hamas e a sua legítima tentativa de libertação de reféns, parece que os líderes europeus finalmente acordaram para a gravíssima situação humanitária que está criada. Provavelmente, tarde demais.
A situação é muito antiga e muito complexa, mas foi definida em 1947 no quadro das Nações Unidas, quando na sua Resolução 181 determinava a partilha das terras entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo, prevendo a criação de um estado judeu e de um estado átabe – Israel e Palestina – mas desde então os confrontos são permanentes, com Israel a ocupar largas parcelas do território palestiniano. No dia 22 de outubro de 2023 a situação agudizou-se com a brutal acção do Hamas, mas logo os Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Reino Unido e Itália lançaram uma declaração conjunta, apoiando o direito de Israel se defender. Israel defendeu-se e contra-atacou de maneira desproporcionada e brutal, perante a cumplicidade dos países ocidentais que lhe fornecem armas e lhe dão apoio político. O regime extremista de Benjamin Netanyahu tem prosseguido uma acção de verdadeiro extermínio da população palestiniana na Faixa de Gaza, não só pelas bombas, mas também pela fome.
Nas últimas horas, conforme relata o diário catalão La Vanguardia e outros jornais europeus, surgiram vozes a condenar abertamente Benjamin Netanyahu, sobre quem o TPI já emitiu três mandatos de captura por crimes de guerra, incluindo a fome “como método de guerra”.
A indiferença ou o apoio, disfarçado ou não, perante a violência israelita, é uma das mais tristes marcas da decadência com que os líderes europeus estão a conduzir o velho continente.