quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Uma andorinha só não faz o Verão

A imprensa anunciou hoje que, de acordo com o INE, no segundo trimestre de 2013 o produto interno bruto cresceu 1.1%. Com muita imaginação, o jornal i deu à notícia o título - Provavelmente a melhor notícia do Verão - em clara alusão ao slogan da marca de cervejas de onde provém o actual ministro da economia. Outro jornal dizia que o PIB português voltou a crescer ao fim de 913 dias. Outro, ainda, revelava que no 2º trimestre, a economia portuguesa fora a que mais crescera em toda a União Europeia. Ninguém tem dúvidas de que, como diria o comentador de Azurém, é uma boa notícia, um sinal de que podemos estar a inverter um ciclo depressivo com dois anos e meio e, evidentemente, um estímulo para a confiança dos agentes económicos.
Porém, surgiram imediatamente uma série de declarações disparatadas e enviezadas a respeito da realidade e destes números, que não foram veiculadas pelo governo, mas por alguns analfabetos que, cheios de imbecilidade e de sabujice, não perceberam o significado deste valor de 1.1%.
Na realidade, a nossa economia está 2% pior do que estava em 2012 e estes números não nos podem enganar e, o que é preocupante, pouco tem sido feito para travar este ciclo depressivo. A marcha concertada entre troika e o governo que levou a um desemprego intolerável, que mandou emigrar uma geração de jovens qualificados, que agrediu os reformados sem dó nem piedade, que despede os funcionários públicos, que corta nas prestações sociais, que olha para o país com a insensibilidade de um contabilista, não é o caminho certo como já todos concluiram. Por isso, esta pode ser a melhor notícia do Verão, mas não nos pode iludir. E o ministro da economia foi inteligente, prudente e sensato nas declarações que fez.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ainda não estamos no vale tudo

O chefe de Estado solicitou ao Tribunal Constitucional a verificação da conformidade de normas do diploma que estabelece o regime jurídico da requalificação de trabalhadores em funções públicas, designadamente com o conceito constitucional de justa causa de despedimento, o regime dos direitos, liberdades e garantias e o princípio da proteção da confiança. Não se esperava outra coisa. Os nossos governantes têm despudoradamente deixado que a troika e os seus funcionários nos humilhem, aceitando um ajustamento que não tem tido os resultados desejados e que, inversamente, tem tido efeitos secundários brutais, que todos sentimos no desemprego e na emigração, na pobreza e na perda de direitos sociais, mas também na desertificação das nossas cidades e na morte do nosso comércio tradicional.
A estratégia continua a ser a mesma: o ataque ao funcionalismo público e aos pensionistas como se eles não fossem pessoas e não merecessem o respeito do Estado que servem ou serviram. A ideia de reduzir o peso do Estado e de despedir funcionários é controversa, mas eles insistem, tendo criado um programa de rescisões por mútuo acordo e um novo regime de mobilidade especial, que no prazo de um ano conduzirá ao despedimento de muitos funcionários, pois quem não aceitar rescindir com o Estado, tomará o caminho da chamada requalificação e, logo a seguir, o desemprego. Pretende o Rosalino, dessa forma, reduzir em cem mil o número de funcionários públicos até ao final da presente legislatura, isto é, em 2015, embora o governo continue sem apresentar um programa coerente para a reforma do Estado. Cortam no que está mais à mão, mas continuam a dar emprego aos amigos e a gastar à tripa forra em assessores, carros de luxo, seguranças e muitas mais mordomias que vemos nas televisões e nos escandalizam. O que está em causa e que o Tribunal Constitucional vai apreciar é a possibilidade de despedimento na função pública e essa questão não pode ser tratada apenas como uma questão económica, porque é um grave problema social e uma questão jurídica.
Os juízes do Tribunal Constitucional têm uma difícil missão porque se confrontam com aqueles que têm agido à margem da lei e querem equilibrar as contas públicas e reduzir o endividamento do Estado à custa dos mais fracos e mais desprotegidos. É necessário que o Tribunal Constitucional lhes diga, uma vez mais, que não vale tudo.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Gibraltar está ventoso e com neblinas

O caso já dura há vários dias e está nas primeiras páginas de vários jornais espanhóis e ingleses, que hoje destacam a fotografia do HMS Illustrious (um porta-helicópteros que está ao serviço da Royal Navy desde 1982 e que no seu currículo operacional tem a participação na guerra das Falklands/Malvinas), a sair da sua base de Portsmouth com rumo a Gibraltar. Essas fotografias mostram algumas pessoas a assistir à largada do navio e agitar bandeiras, como se o mesmo fosse para a guerra. O jornal Público, também escolheu a fotografia do HMS Illustrious para noticiar as ameaças, as provocações e a presença de navios de guerra nas águas de Gibraltar.
A Grã-Bretanha ameaça a Espanha com medidas legais “sem precedentes”, enquanto o governo espanhol não recua na sua intenção de reforçar os controlos de fronteira e de aplicar uma taxa de 50 euros aos veículos que atravessem a fronteira. Há informações de que a Espanha admite levar o assunto às Nações Unidas e outras em que se expressa o desejo de unir a causa argentina pelas Malvinas à reivindicação espanhola por Gibraltar. Aparentemente nenhum dos dois países está disposto a ceder num assunto muito complexo que já tem três séculos e que sempre tem servido para reactivar os velhos sentimentos destes dois países que são membros da União Europeia.
Tudo isto era dispensável se não fosse o seu orgulho nacionalista, bem como a obcessão por agradar às opiniões públicas nacionais e, assim, assegurar localmente os votos e a manutenção do poder.  

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Évora: imaginação e arte contemporânea

O diário espanhol El Pais destaca hoje na sua primeira página uma pequena notícia com o título: Portugal combate la crisis com cultura - un palacio de Évora renace como asombroso museo. O desenvolvimento da notícia esclarece que o velho palácio da Inquisição de Évora que é propriedade da Fundação Eugénio de Almeida, foi transformado num “impressionante centro cultural” destinado a exposições, concertos e ciclos de conferências e num importante museu que reúne a valiosa colecção de arte daquele coleccionador.
Nos tempos actuais em que a crise económica e social continuamente nos ameaçam, esta iniciativa daquela Fundação é muito elogiada pelo El Pais, que recorda que a cidade de Évora foi declarada Património da Humanidade em 1986 e está apenas a 100 Km de Badajoz e a 150 Km de Lisboa, parecendo sugerir aos seus leitores uma visita.
Para arrancar com o Fórum Fundação Eugénio de Almeida que foi inaugurado no dia 11 de Julho, funcionou a imaginação: foi enviado um convite a centenas de artistas de todo o mundo, famosos e menos famosos, para que apresentassem propostas de trabalhos destinados a integrar uma grande exposição mundial. As propostas chegaram de todas as partes do mundo por via digital. Chegaram 700 e foram escolhidas 450 obras oriundas de mais de cinco dezenas de países, que foram reproduzidas em tamanho idêntico e agrupadas por temas. O projecto chama-se Portas Abertas e estará patente até ao dia 9 de Outubro. É um grande projecto artístico internacional que apresenta obras de grande diversidade de conteúdos, linguagens e estéticas da arte contemporânea global, ficando provado que na cultura mundial já não existe um centro e uma periferia. O que é interessante é que foi um jornal espanhol a elogiar esta iniciativa, certamente porque os jornalistas portugueses não têm tempo para essas coisas.
 

Ronaldo é o ciclone deste Verão

Aproxima-se o início dos campeonatos de futebol nos diversos países europeus e cada equipa, sobretudo as mais ricas ou com maior capacidade de endividamento, contrataram os melhores actores – treinadores e jogadores.
Apesar das suas dificuldades económicas e sociais, a Espanha está na primeira linha dessas contratações futebolísticas com que gasta muitos milhões, mas também do entusiasmo futebolístico que alimenta a rivalidade entre os castelhanos e os catalães, ou entre o Real Madrid e o Barcelona, ou entre Ronaldo e Messi-Neymar. As equipas preparam-se para a grande corrida que durará alguns meses e, para isso, fazem as chamadas pré-temporadas para recuperar os seus atletas e para afinar as suas tácticas, enquanto os jornais se encarregam de promover tudo isto e alimentar as expectativas. É assim por toda a Europa, mas em especial na Europa do Sul, onde a imprensa desportiva é mais lida do que a imprensa de informação geral.
Porém, o que nos surpreende é o que se passa com Cristiano Ronaldo. A imprensa espanhola chama-o frequentemente às suas primeiras páginas, não só porque reconhece o seu valor futebolístico, mas também como um caso de grande popularidade. A edição de hoje do jornal desportivo as destaca-o mais uma vez e chama-lhe o ciclone de Verão. Ele é realmente um ídolo e o mais famoso português da actualidade.

 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O regresso à diplomacia das canhoneiras

É costume utilizar-se a expressão diplomacia das canhoneiras ou gunboat diplomacy  para classificar as exibições de poderio militar-naval em que, perante situações de conflito de interesses, há uma parte que pressiona, intimida ou ameaça a outra parte. Essa prática, a que por vezes se chama demonstração naval, foi um instrumento da política internacional muito utilizado na segunda metade do século XIX e na primeira metade do século XX, especialmente pela Grã-Bretanha e, depois, pelos Estados Unidos, mas não foi um instrumento utilizado apenas por estes países. Hoje continua a ser utilizado por esses e por muitos outros países, pretendendo ser a razão dos fortes e dos poderosos para humilhar e vergar os mais fracos.
É o que está a suceder em Gibraltar, em que a diplomacia das canhoneiras regressou com toda a força e a edição de hoje do  jornal madrileno La Gaceta destaca essa realidade, com uma fotografia a lembrar os negros anos da 2ª Guerra Mundial. Porém, ninguém imaginava que no século XXI houvesse dois Estados-membros da União Europeia, que são duas monarquias e que são governados por dois governos conservadores, entrassem neste jogo que é ridículo e muito perigoso. Era necessário mais bom senso e mais razoabilidade. Com tantos problemas que existem na Europa e nestes dois países, não vem nada a propósito arranjar mais este. Ingenuamente, eu até pensava que os nossos políticos eram fracos e irresponsáveis, mas afinal os Cameron e os Rajoy são farinha do mesmo saco.
 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

As práticas feudais foram ressuscitadas

A ser verdade aquilo que diz a última edição do jornal luso-canadiano Correio da Manhã – o jornal português de maior circulação no Canadá, que se publica às terças-feiras em Toronto e tem uma tiragem de 25 mil exemplares - é absolutamente ridículo que quatro políticos ocupem 100 polícias no Algarve. Meia dúzia deles ainda se poderia aceitar, mas um cento... só por exibicionismo ou má consciência. Assim, com este tipo de despesismo, não há país que aguente e nunca haverá impostos suficientes para custear esta aparatosa ou discreta comitiva que acompanha e serve Suas Excelências, como se uma estadia nas praias algarvias fosse um assunto de Estado. Provavelmente, nem Ceausescu, nem Mobutu, nem Kadaffi foram tão longe.
Por vezes, Suas Excelências deixam-se fotografar com ar descontraído e em atitude de passeio, chegando a parecer-se com pessoas como nós, mas com este tipo de comitiva ficamos a saber que é tudo uma encenação. Afinal, mesmo na praia, esta gente não está de consciência tranquila e provavelmente tem medo do povo, pois só assim se compreende a mobilização de tantos polícias e, provavelmente, de outros tantos súbditos a servir de motoristas, assessores, talvez cozinheiros e eu sei lá que mais. Até parece que regressamos à Idade Média, uma vez que Suas Excelências escolhem comportar-se como verdadeiros senhores feudais. Queixamo-nos que não temos policiamento suficiente e que andar pelas nossas ruas é um exercício de risco. Pudera, a polícia que pagamos com os nossos impostos está ocupada com Suas Excelências. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um filme popular, divertido e comovente

Depois do êxito que teve em França, onde em seis semanas registou mais de um milhão de espectadores, o filme A Gaiola Dourada ou La cage dorée (na sua versão original), foi estreado em Portugal. Realizado por Ruben Alves, um jovem realizador luso-descendente, o filme conta com leveza, alegria e humor, a história de um casal de emigrantes portugueses em França. A mulher é porteira e o marido é trabalhador da construção civil, sendo esses protagonistas interpretados por Rita Blanco e Joaquim de Almeida. São a Família Ribeiro.
Ora, nós temos vivido por aqui um tempo de incerteza e de grande preocupação, com os cortes nos salários e nas pensões, com o desemprego e o aumento da pobreza, com o aumento enorme de impostos e com o descrédito, a mentira e a falta de pudor de quem nos governa. Ora nós temos aguentado tudo isto, desde há dois anos, suportando gente que nos prometeu facilidades e que tanto criticou os outros, mas que tem revelado incompetência e amadorismo e não vemos maneira de sair disto. Há mais insegurança nas ruas, há menos confiança no amanhã, há cada vez maior risco de ruptura social, há uma crescente degradação do espaço público, há uma contínua ameaça governamental ao Estado social e ao nosso modelo de vida, sem qualquer consideração por quem trabalhou. Andamos preocupados e tristes. Sem esperança e sem vontade de rir.
Então, se há um filme que nos diverte, que nos faz rir e até nos comove, não hesitemos em vê-lo, até porque todos temos dentro de nós um pouco (ou muito) da Família Ribeiro. É bem divertido!
 

domingo, 4 de agosto de 2013

Gibraltar como manobra de diversão

Os principais jornais diários espanhóis de tendência conservadora, respectivamente o La Razón e o ABC, mas também o social-democrata El País, destacaram o rochedo de Gibraltar nas suas edições de hoje: “El Gobierno despliega un plano de mano dura contra Gibraltar”, “se acabó el recreo en Gibraltar” ou “La Armada volverá al Peñon”.
Gibraltar é uma colónia ou território ultramarino britânico situado no extremo sul da península Ibérica que foi ocupado militarmente em 1704, mas que a Espanha cedeu definitivamente à Grã-Bretanha em 1713 pelo Tratado de Utrech.
Os tempos correram e a Espanha tem reivindicado o “peñon” mas, nos referendos realizados em 1967 e em 2002, os 30 mil gibraltinos escolheram maciçamente permanecer sob a soberania britânica. O problema é muito complexo e a reivindicação espanhola sobre Gibraltar não pode ignorar as reivindicações marroquinas sobre Ceuta e Melilla ou os direitos portugueses sobre Olivença.
Porém, de vez em quando, certamente para distrair a opinião pública espanhola, é agitada a bandeira do nacionalismo e acentua-se a reivindicação por Gibraltar. Agora, numa altura em que o partido do governo e o seu líder Mariano Rajoy estão a ser acusados de corrupção, o pretexto para lembrar Gibraltar foram as descargas de entulho feitas em águas espanholas e os privilégios de 7 mil gibraltinos que vivem em Espanha e que pagam impostos muito moderados em Gibraltar. O governo espanhol que suporta tantas dificuldades, decidiu disfarçá-las e até encara a possibilidade de recorrer à Marinha espanhola para “cercar Gibraltar” como resposta às “provocações britânicas”. Só pode ser uma manobra de diversão, a mostrar como vão as coisas pela União Europeia.

sábado, 3 de agosto de 2013

Alto Douro Vinhateiro


A UNESCO classificou o Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade em 2001, na categoria de paisagem cultural, o que premeia a região vinícola demarcada mais antiga do mundo, decretada em 1756 pelo Marquês de Pombal. Foi uma decisão muito apreciada e muito justa, porque consagrou uma região cuja paisagem natural é muito bela, mas que a acção do homem transformou e valorizou, primeiro ao actuar sobre as montanhas e, depois, ao intervir no próprio rio Douro, que atravessa a região.
Ao longo dos séculos o xisto maciço foi removido daquelas íngremes e estéreis encostas, foram construídos socalcos quase inacessíveis, plantaram-se vinhas e nasceu o vinho do Porto. O seu transporte em barcos rabelo até aos armazéns em Vila Nova de Gaia, foi uma grande epopeia até há bem poucos anos, quando foi decidido o aproveitamento hidroeléctrico da bacia hidrográfica do Douro e foram construídas diversas barragens que tornaram o rio navegável. A paisagem duriense alterou-se, enriqueceu-se e a região tornou-se um pólo turístico de grande valor económico e que hoje atrai actividades e recursos para a região. Uma visita ao Alto Douro Vinhateiro é um verdadeiro deslumbramento e eu, que agora tive a oportunidade de revisitar a região, não só enchi o peito de ar bem puro, como ofereci aos meus olhos uma visão de grande espectacularidade, lembrando-me de alguns filhos da terra como Miguel Torga, Aquilino Ribeiro e Guerra Junqueiro

 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A vida está má para todos

A revista GQ é uma revista mensal para homens, luxuosa e sofisticada - segundo ela própria se classifica - que trata de moda e de estilos, com artigos sobre temas que lhes interessam como por exemplo a alimentação, cinema, fitness, sexo, música, viagens, desporto, tecnologia e livros.
A foto de capa dessa revista tende a ser apelativa e serve dois objectivos porque, por um lado, pretende atrair compradores para a revista e, por outro, proporciona a promoção da figura fotografada e permite-lhe ganhar algum dinheiro.
Ora, na sua última edição a revista contratou a apresentadora, actriz e letrista Catarina Furtado – é assim que a senhora é apresentada – para posar em estilo de “matadora”, com o pretexto de ter sido eleita Mulher do Ano. Não se sabe que título é esse, nem quem participa nessa eleição. É um evidente exagero de marketing!
O que sabemos é que, segundo revelam as redes sociais, a senhora ganharia 30 mil euros mensais que lhe eram pagos pela nossa RTP e que, generosamente, no ano passado aceitou fazer um desconto de 20%, o que significa que a mesma RTP lhe abona mensalmente 24 mil euros. Pessoalmente, acho que a senhora não tem actividade nem méritos que justifiquem os obscenos montantes que lhe são pagos com dinheiros públicos, isto é, dos meus impostos, pois que o seu grande atributo é o nome do pai. Apesar disso e porque a vida está má para todos, a senhora decidiu fazer umas fotografias insinuantes para se manter com popularidade e “sacar” mais umas massas para o seu pecúlio. Em fase descendente de uma carreira profissional incaracterística de animadora televisiva, ela aproveitou esta oportunidade e não se saiu bem. Naturalmente, a senhora pode tirar as fotografias todas que quiser, mas desta vez, mesmo vestidinha, deu um tiro no pé. Basta olhar para a capa da revista e apreciar o estilo de Madame Furtado.

 

O imparável dinamismo chinês


O canal do Panamá tem 82 quilómetros de extensão, faz a ligação entre o oceano Atlântico e o oceano Pacífico e por ele passam, anualmente, cerca de 13 mil navios que correspondem a 4% do comércio mundial. O canal começou a ser construído em 1880 sob a direcção do engenheiro francês Ferdinand de Lesseps, com base na sua própria experiência na construção do canal do Suez, que havia sido concluído em 1869, mas depois de vicissitudes e interrupções diversas, o canal só veio a ser concluído em 1914. É usualmente aceite que, durante a sua construção, terão morrido 5.609 trabalhadores vitimados sobretudo por doenças tropicais. O canal que foi uma maravilha tecnológica no seu tempo e que tem sido modernizado, já não pode corresponder às necessidades actuais. Assim, a China não perdeu tempo e entrou em acção, tendo estudado várias alternativas para a construção de um novo canal na Nicarágua. O novo canal já está escolhido, terá uma extensão de 200 quilómetros e será mais profundo e mais largo do que o canal do Panamá. Segundo informa o diário La Prensa de Manágua, o Congresso nicaraguense acaba de aprovar a concessão da construção do canal a um grupo de Hong Kong e, além do canal, o grupo deverá construir dois portos de águas profundas, um oleaduto, uma linha férrea e um aeroporto internacional, podendo explorar o canal nos próximos cem anos. Tudo para começar em finais de 2014 e para ficar concluído em 2019! As autoridades nicaraguenses acreditam que este projecto irá tirar o país e os seus 6 milhões de habitantes da pobreza e do subdesenvolvimento.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Nasceu um líder mundial: Francisco

A viagem do Papa ao Brasil revelou a consagração de um líder mundial cuja dimensão ultrapassa largamente a sua condição de líder religioso. Os mass media de todo o mundo, mas em especial os brasileiros, mostraram as multidões e o Correio Braziliense foi apenas um deles, ao exibir na sua primeira página a memorável fotografia de uma multidão de 3 milhões de pessoas na praia de Copacabana. As ventos de contestação que sopram em todo o mundo e que tinham chegado ao Brasil, parece terem cessado de repente perante a espectacular onda de entusiasmo, confiança, alegria e esperança que varreu a sociedade brasileira, especialmente os mais desfavorecidos.
O mundo que vive numa paz podre e precária, com inúmeros conflitos regionais um pouco por todo o lado, com o  fosso entre ricos e pobres a alargar-se e com muitas revoltas contra a injustiça e a corrupção, pareceu surpreendido. Nos tempos de incerteza que vivemos, já não estávamos habituados a ouvir vozes mundiais verdadeiramente respeitadas, cujas atitudes aproveitem ao homem e à Humanidade. Perante tudo isso, todos ficamos admirados com a grandeza de um homem e do seu discurso a apelar à procura do bem comum e de uma visão humanista da economia, a revelar como são pequenos e vulgares os líderes políticos que por aí andam, vergados pelo egoísmo e pela corrupção (como o Papa denunciou), mas também sem outro projecto que não seja a defesa dos seus próprios interesses. Nasceu, de facto, um líder mundial que apela para a construção de um mundo melhor e mais solidário!

domingo, 28 de julho de 2013

Sob o signo de Amadeo, um século de arte

O Centro de Arte Moderna (CAM) é um dos mais antigos e prestigiados centros de arte moderna da Europa e está a comemorar os seus 30 anos de idade com uma extensa exposição de mais de 350 obras, de entre as cerca de 10 mil da sua colecção, que ocupam pela primeira vez a totalidade dos seus espaços expositivos. Até ao fim do ano, vai ser possível observar as obras-primas do modernismo português e algumas peças-chave da arte do século XX que habitualmente se encontram nas reservas da Fundação Calouste Gulbenkian.
A exposição intitula-se "Sob o Signo de Amadeo" - porque o ponto de partida é Amadeo de Souza-Cardoso e a sua obra – sendo mostradas cerca de 170 obras do autor, isto é, a totalidade do seu acervo, em que às suas pinturas se juntam diversos desenhos em papel e uma enorme colecção de brasões. Porém, a exposição não se limita à obra de Amadeo, mas percorre o que de melhor foi feito ao longo do último século na pintura portuguesa e, assim, encontramos obras de Almada Negreiros, Sarah Afonso, Vieira da Silva, Vespeira, Paula Rego, Júlio Pomar e muitos outros artistas modernos e contemporâneos. A exposição estarará patente ao longo de seis meses e poderá ser vista até ao dia 19 de Janeiro de 2014.
É uma oportunidade para revisitar a obra pioneira de Amadeo de Souza-Cardoso, o genial modernista que é a maior referência da arte portuguesa do século XX e que faleceu por doença em 1918, quando tinha apenas 30 anos de idade.

 

Uma voz para ouvir!

Termina hoje no Rio de Janeiro a viagem que o Papa Francisco fez ao Brasil a propósito da 28ª Jornada Mundial da Juventude, que é também a primeira viagem internacional do seu pontificado.
A visita tem tido repercussão mundial e tem constituído uma grande jornada de afirmação da Igreja Católica não só na América Latina, mas também pelo mundo. Nas suas intervenções, o Papa dirigiu-se especialmente aos jovens e apelou ao seu protagonismo na construção de um mundo melhor, tendo dado razão àqueles que “deixaram de ter confiança nas instituições políticas porque vêem muito egoísmo e corrupção”, numa alusão a todos os que no mundo estão insatisfeitos com os seus políticos e com as suas promessas mentirosas, mas também àqueles “que perderam a fé” ao verem os erros dos padres e dos crentes que não seguem a palavra do Evangelho. Uma das mensagens mais repetidas pelo Papa foi a denúncia da pobreza, enquanto violação dos Direitos Humanos, tendo afirmado que “a ninguém falte o necessário e que a todos seja garantida dignidade, fraternidade e solidariedade: este é o caminho a seguir.”
Ontem, o Papa esteve no Theatro Municipal do Rio de Janeiro para um encontro com as lideranças políticas, culturais e empresariais brasileiras e, no seu discurso, afirmou que “o futuro exige a reabilitação da política, uma visão humanista da economia, uma sociedade mais justa e uma política que consiga cada vez mais e melhor participação das pessoas, que evite o elitismo e erradique a pobreza”. Muitos jornais mundiais destacaram essas afirmações e o diário espanhol La Gaceta é apenas um deles. Bom seria que a voz de Jorge Mario Bergoglio, o argentino que se tornou no 226º Papa da Igreja Católica,  chegasse à Europa para sobressaltar os eurocratas e, também a Portugal, para acordar os herdeiros do passos-gasparismo. Imitem-no!