O habitual programa Música nas Praças - concertos promenade em Lisboa regressa no próximo dia 5 de Outubro para animar a cidade de Lisboa e para celebrar o Dia Mundial da Música, mas também para fazer a ligação entre a música, o espaço público e o património cultural da cidade. O programa desta 6.ª edição encontra-se amplamente divulgado em mupis espalhados pela cidade e estende-se desde as 11 até às 23 horas, com entrada livre. Esta interessante iniciativa decorrerá em vários locais simbólicos do Chiado, como a Praça Luís de Camões, o Largo de São Carlos, as Ruínas do Carmo, o Largo do Carmo, o Museu do Chiado e o Miradouro de Santa Catarina. Apresentar-se-ão a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Septeto do Hot Clube de Portugal, os Brass Ensemble da Metropolitana, as Percussões da Metropolitana, o Coro Infanto-juvenil da Universidade de Lisboa, a Orquestra de Sopros da Metropolitana e o Coro do Tejo, entre outros grupos, que animarão esta parte da cidade com o som dos seus acordes e das suas vozes. A organização é da EGEAC, a empresa municipal responsável pela animação cultural da cidade, que salientou a escolha do Chiado para a realização deste evento por se tratar de um sítio simbólico e de forte matriz cultural, mas também pela forma dinâmica e criativa como ultrapassou o trauma do grande incêncio de 25 de Agosto de 1988. É uma iniciativa de grande mérito que contribui para a animação daquela zona da cidade e que justifica o nosso aplauso.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Música nas praças para animar Lisboa
Um veleiro desperta sempre boas emoções
Na maioria dos
países do mundo costumam existir navios-escolas especialmente destinados à
formação dos cadetes das suas Marinhas. Normalmente esses navios são veleiros
que fazem as suas viagens de instrução durante o Verão, em que atravessam os
oceanos e visitam diversos portos, proporcionando aos cadetes a formação
náutica e o conhecimento do mundo considerados necessários ao exercício da sua
profissão, ao mesmo tempo que esses navios cumprem missões de natureza
diplomática e de representação nacional. Assim acontece
com o navio-escola Cuauhtémoc da
Marinha Mexicana que iniciou em Março a sua viagem Europa-2013.
O navio largou de Acapulco e escalou Balboa, Vera Cruz, Havana, Norfolk, Bordéus, Ruão, Den Helder, Bergen, Aarhus, Helsinquia, San Petersburgo, Szczecin, Riga, Gdynia, Lisboa, Cadiz e Santa Cruz de Tenerife, onde se encontra, para depois seguir a sua viagem com destino a Cartagena das Indias. No final da sua viagem terão sido percorridas 22 mil milhas e visitados 18 portos de 14 diferentes países, mas esta viagem não difere substancialmente daquelas que anualmente são feitas por outros navios-escolas. Porém, o que distingue esta de outras viagens será a escala em Santa Cruz de Tenerife, pelo destaque entusiástico que lhe foi dado pela imprensa local, como sucedeu com o diário El Dia que utilizou uma bela fotografia na sua primeira página e que legendou - “um pedaço de México atraca em Tenerife”.
O navio largou de Acapulco e escalou Balboa, Vera Cruz, Havana, Norfolk, Bordéus, Ruão, Den Helder, Bergen, Aarhus, Helsinquia, San Petersburgo, Szczecin, Riga, Gdynia, Lisboa, Cadiz e Santa Cruz de Tenerife, onde se encontra, para depois seguir a sua viagem com destino a Cartagena das Indias. No final da sua viagem terão sido percorridas 22 mil milhas e visitados 18 portos de 14 diferentes países, mas esta viagem não difere substancialmente daquelas que anualmente são feitas por outros navios-escolas. Porém, o que distingue esta de outras viagens será a escala em Santa Cruz de Tenerife, pelo destaque entusiástico que lhe foi dado pela imprensa local, como sucedeu com o diário El Dia que utilizou uma bela fotografia na sua primeira página e que legendou - “um pedaço de México atraca em Tenerife”.
Um veleiro
desperta sempre boas emoções, sobretudo quando ainda é visto como uma memória
dos tempos em que, sem radiocomunicações e sem ligações aéreas, era o único elo
de ligação ao mundo.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Gente endinheirada e sem nenhum pudor
A notícia surgiu
esta manhã através do Correio da Manha: Rui Machete com
pensão de 132 mil euros! Numa altura em que o governo de que faz parte, ataca
pensionistas e reformados, o valor desta pensão é chocante e mostra que há
muita gente endinheirada que anda por aí como se o estado a que chegamos não
tivesse sido também da sua responsabilidade. É o caso de Machete que andou
sempre na crista da onda da política e que chegou a ter cargos sociais em cinco
bancos concorrentes! Já em tempo de
crise, em 2012, entre pensões e trabalho, teve um rendimento de 398 235
euros, para além de algumas centenas de milhares de euros em aplicações
financeiras, designadamente depósitos a prazo e fundos de investimento. O passado
do homem até lhe podia dar o estatuto de senador, mas afinal não passa de um
simples sacador! Incansavelmente sacou e saca de todo o lado. Acumulou cargos
em 31 instituições, desde o BPI ao BCP, passando pela EDP, CGD, Taguspark, FLAD
e pela famosa SLN, de que também foi accionista (embora se tenha esquecido),
tendo ainda tempo para dar aulas em duas universidades, aconselhar sociedades
de advogados e ser dirigente partidário. Se não fosse tão triste e tão miserável
esta promiscuidade e esta falta de pudor, até dava vontade de rir.
Foi este sacador
que alguém teve a lata de convidar para o governo e foi este sacador que teve a
lata de aceitar. Diz-se, por vezes, que temos vivido acima das nossas
possibilidades. Não é verdade. Quem viveu acima das nossas possibilidades foram
os machetes todos que por aí andam,
que só pensaram em acumular cargos e em engrossar as suas contas bancárias e
que, como claramente se vê, pouco ou nada fizeram pelo país que tanto sugaram. Só os podemos desprezar.
Há que fazer cumprir a Constituição
O Presidente da República é o Chefe de
Estado, que é eleito por sufrágio universal para um mandato de cinco anos. Nos termos da Constituição da República, ele representa a
República Portuguesa e "garante a independência nacional, a unidade
do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas", tendo
como especial incumbência, nos termos do juramento que presta no seu acto de
posse, "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República
Portuguesa". Ao Governo compete governar de acordo com a lei e, em
especial de acordo com a lei fundamental, enquanto ao Tribunal Constitucional compete
verificar se a legislação produzida se enquadra ou não na lei fundamental que é
a Constituição da República Portuguesa, aprovada por 2/3 dos deputados. Acontece
que o actual Governo, que deveria merecer a respeitabilidade e a confiança de
todos os portugueses, incluindo daqueles que não o escolheram, tem vindo
demasiadas vezes a pisar o risco da inconstitucionalidade ou da ilegalidade,
aumentando a sua quota de ilegitimidade e de impopularidade. As leis têm que
ser feitas para os portugueses e não podem ser feitas para satisfazer imposições
externas humilhantes. Por questões de independência e de dignidade nacionais.
Ora o Governo acaba de ver chumbada pelo citado Tribunal Constitucional algumas
das normas previstas no Código do Trabalho, relacionadas com a extinção do
posto de trabalho e com o despedimento por inadaptação. Há um mês, o mesmo Tribunal tinha declarado
inconstitucional a chamada "lei da mobilidade especial", que estabelece o regime jurídico da requalificação de trabalhadores em
funções públicas. Antes, declarara a inconstitucionalidade da suspensão do
pagamento dos subsídios de férias ou de Natal aos funcionários públicos ou
aposentados. São demasiados atropelos à lei e, nessas circunstâncias, pergunta-se
o que faz quem jurou "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da
República Portuguesa".
America’s Cup – uma regata memorável
Ontem, na baía de
S. Francisco, concluiu-se a 34ª edição da America’s
Cup ou Taça América, a famosa regata de vela que se
realiza desde 1851 e que ostenta o título de “a mais antiga competição
desportiva que se realiza no mundo”. A America’s
Cup é uma prova que consta de uma série de regatas em que participa o
anterior vencedor do troféu (o defender)
e uma outra embarcação desafiante (o challenger),
seleccionado de entre uma renhida luta entre vários candidatos.
Os americanos têm
sido os grandes vencedores desta prova que até 1983 se realizava em Newport,
mas que desde então tem sido realizada noutros locais e já foi vencida por
neozelandeses (duas vezes), suiços (2 vezes) e australianos (uma vez).
A equipa
americana Oracle Team USA – o defender – revalidou o seu título numa
das mais impressionantes reviravoltas a que o desporto tem assistido. A vitória em cada regata assegurava um ponto e eram necessários 9
pontos para vencer o troféu. O Oracle Team USA começou por ser penalizado
em dois pontos e a equipa neo-zelandeza Emirates Team New Zealand – o challenger – esteve a
ganhar por 6-0 e depois por 8-1. A confiança deveria dominar a tripulação
neo-zelandeza e a equipa americana estava à beira de uma humilhante derrota por
acontecer na baía de S. Francisco mas, contra todas as previsões, conseguiu
recuperar e chegar a 8-8.
Ontem era o dia decisivo ou o "Golden Gate drama", como se lhe referiu
o jornal The Sacramento Bee e, nessa última regata, o Oracle Team USA cruzou a meta com 44 segundos de avanço sobre o veleiro neozelandês,
obtendo uma inédita série de oito vitórias consecutivas e um resultado final de
9-8. Foi a mais longa final dos 162 anos de história da America’s Cup, teve a duração de 19 dias e vai ficar na história.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
A vitória da mulher dos casacos arco-íris
Angela Merkel, a líder da União Democrata-Cristã (CDU) ganhou
ontem as eleições legislativas alemãs com 41,5% dos votos, o que mostra que a
maioria absoluta esteve muito perto. É o melhor resultado que o seu partido
conseguiu desde 1990 quando se verificou a reunificação alemã e Merkel irá
cumprir um terceiro mandato, depois de também ter sido eleita em 2005 e 2009.
A notícia foi hoje destacada pela imprensa de quase todo o
mundo, especialmente na Europa, sendo ilustrada com fotografias da vitoriosa
chanceler. O diário dinamarquês Berlingske que se publica em
Copenhague e que é um dos mais antigos jornais do mundo, também destacou a
vitória de Angela Merkel mas ilustrou a notícia de forma original: são trinta
fotografias da chanceler, sempre com o mesmo tipo de casaco, mas cuja cor vai
do vermelho ao azul, passando pelo amarelo e pelo verde. A sucessão de fotos é
um verdadeiro arco-íris.
Politicamente ainda é cedo para saber que coligações vai
Merkel fazer para governar e que alterações fará ou não fará às suas políticas,
sobretudo em relação à Europa do sul e aos seus problemas financeiros. No
entanto, em relação à sua vitória, o Wall
Street Journal é hoje citado por incluir uma notícia com o título
“Portugal pode estar a cozinhar uma tempestade”, em que é salientado que no
topo da lista de problemas urgentes de Angela Merkel está o que fazer em
relação a Portugal. Ora, não é isso que dizem o irrevogável portas, nem o optimista maduro.
Assim, por aqui tudo ficará na mesma, isto é, a continuidade de Merkel vai significar a continuidade da
austeridade, a mesma ganância dos credores, igual sobranceria da troika e a mesma subserviência dos nossos dirigentes. Antes não fosse...
domingo, 22 de setembro de 2013
Mexia e ainda mexe, mas de bolsa cheia
No passado ano de
2012 o presidente executivo da EDP recebeu 1,2 milhões de euros de remunerações
a que juntou 1,9 milhões de euros de prémio plurianual de gestão relativo ao
mandato entre 2009 e 2011, tendo um jornal referido que ele recebeu o
equivalente a 6391 salários mínimos nacionais. No mesmo ano o presidente do
Conselho Geral e de Supervisão arrecadou 430 mil euros, enquanto o valor global
bruto das remunerações dos órgãos sociais pagas em 2012 foi de 18 milhões de euros.
Em tempo de crise é uma fartura, mas é também um caso de falta de escrúpulos. É
uma obscenidade. É certo que a EDP lucra
cerca de mil milhões de euros por ano, mas esse lucro é resultante de rendas
garantidas em mercado protegido e dos preços cada mais elevados que cobra aos
consumidores, que atrofiam a estrutura de custos e a competitividade de muitas
empresas. Apesar disso, a EDP ainda reclama um défice tarifário de cerca de 2
mil milhões de euros e, na sua ganância pelo dinheiro, endivida-se nos mercados
internacionais para, entre outros objectivos, distribuir dividendos aos seus
accionistas. Tudo isto é uma verdadeira imoralidade. A EDP e os seus gestores
insultam-nos.
Neste quadro, em
vez de reduzir as suas remunerações e os dividendos dos accionistas, o
presidente executivo da EDP resolve dar entrevistas com conselhos aos juízes
do Tribunal Constitucional e a responsabilizá-los pela eventual necessidade do país recorrer a
um segundo resgate, apenas porque garantem o cumprimento da
Constituição e se opuseram aos despedimentos discricionários na função pública
e ao ataque aos pensionistas. Era melhor que aquela deslumbrada criatura
ficasse calada e tivesse vergonha na cara, mas quis sabujar-se aos seus amigos
do governo.
Lamentavelmente ,
os nossos jornais nem sequer falam disto.
A Síria revela a fraqueza do Ocidente
The Economist dedica uma
boa parte da sua última edição à guerra civil na Síria, com vários artigos que classificam
a intervenção ocidental como
“uma enorme derrota política”, apresentando na capa uma sugestiva ilustração:
um velho leão desdentado que não pode morder porque não tem a sua dentatura
colocada. A influência ocidental no mundo entrou em declínio e, hoje, “outro
valor mais alto se alevanta”, como
diria Camões. Primeiro foi David Cameron que foi humilhado pelo seu Parlamento,
depois foi François Hollande que se esforçou por estar na primeira fila mas que
se viu hostilizado pelos franceses e, finalmente, foi Barack Obama que nunca
chegou a ter o apoio inequívoco do Congresso. As opiniões públicas ocidentais não
querem guerras de fundamentação duvidosa e uma acção militar é sempre demasiado
impopular.
A guerra na Síria foi inicialmente conduzida por moderados, mas foi
infiltrada por grupos extremistas sunitas, por jihadistas estrangeiros e pela
Al Qaeda. O mal-estar e a rivalidade entre esses grupos é insanável. Combatem
entre si e, há dias, confrontaram-se na cidade de Azaz que era
controlada pelos rebeldes do Exército Livre da Síria e que agora está nas mãos
de um grupo pró-Al Qaeda. Tem sido esta gente que o Ocidente tem ajudado com
armas e dinheiro. Entretanto, o relatório feito por inspectores da ONU divulgado
esta semana confirmou o uso de armas químicas na Síria, mas não atribuiu culpa
a nenhum dos dois lados, enquanto o presidente russo afirmou que há razões para
acreditar que o uso dessas armas foi uma astuta e engenhosa provocação. Ali ao
lado, Israel deseja a saída de Bashar El Assad mas ao mesmo tempo teme estar a
promover grupos radicais islâmicos, alguns dos quais próximos da Al Qaeda. Perante
a fraqueza do ocidente e a sua obcessão pelo derrube de Bashar El Assad, foi a
Rússia de Vladimir Putin que reassumiu um papel importante no xadrez mundial.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Um jovem ambicioso à procura de poder
Sabemos pouco
sobre esta figura política que, pelo menos no seu partido, é uma pessoa
importante e uma verdadeira luminária. Em Julho deixou de ser Secretário de
Estado da Solidariedade e Segurança Social, porque aquilo era pouco para a sua
ambição. Incomodava-o estar sempre em segundo plano e, ainda por cima, porque é
pequenino, não tinha qualquer destaque na televisão. O tempo das
vice-presidências em Valongo e Gaia ou as duas passagens por Secretarias de Estado,
não satisfizeram o seu apetite pelo poder. Assim, passou a ser coordenador e
porta-voz do seu partido, uma espécie de loureiro
ou de relvas reciclados, o que lhe
permite dominar o aparelho, tomar as rédeas do poder e preparar-se para o salto
em frente. Para já, percorre o país, aparece e fala à procura do protagonismo que o poderá levar ao poder.
Desde então, tem
uma página oficial na internet e aparece diariamente nas televisões com uma voz
que incomoda, opinando sobre tudo e atribuindo os males do mundo aos seus
adversários políticos. Há dias acusou o FMI
de "hipocrisia institucional", por fazer "proclamações em
relatórios" onde reconhece excesso de austeridade, embora depois se
mantenha "inflexível" nas negociações. Quis ser um valentão no ataque
ao FMI, mas os seus concorrentes de partido que também têm a mesma ambição, logo o mandaram calar. Na sua página oficial na internet
pode ver-se que todos os dias faz parte da notícia ou é a notícia, mas também
que tem uma sobrecarregada agenda com comícios, jantares e voltas de campanha,
um pouco por todo o lado. Porém, o homem está cheio de telhados de vidro e ainda
não explicou por que razão, enquanto administrador
da Metro do Porto em 2008 e 2009, deu parecer favorável à contratação de swaps que causaram elevadas perdas
à empresa.
Luanda com Mundial de Hóquei em Patins
O 41º Campeonato
do Mundo de Hóquei em Patins começa hoje em Angola, nas cidades de Luanda e
Namibe, prolongando-se até ao dia 28 de Setembro, sendo essa notícia hoje destacada
pelo jornal angolano Sol Angola. A realização da
prova em Angola é um grande acontecimento e, segundo tem sido relatado, a
organização trabalhou activamente para que constitua um evento de grande prestígio
desportivo e organizativo. Estarão em presença 16 equipas nacionais distribuídas
por 4 grupos:
A – Austria,
Espanha, Brasil e SuiçaB - Argentina, Uruguai, Alemanha e França
C – Angola, África do Sul, Chile e Portugal
D – Colômbia, Estados Unidos, Itália e Moçambique
Nestas 16 equipas
encontram-se quatro de países de língua portuguesa e cinco de língua espanhola,
o que significa uma evidente hegemonia ibérica no hóquei em patins. A equipa
espanhola, tetracampeã mundial e heptacampeã europeia é a grande favorita da
prova, mas a equipa portuguesa tem a ambição de ganhar o título mundial nesta
primeira edição realizada em África, até porque desde 2003 que não é campeã. No
entanto, em termos de “medalheiro” geral da prova, Portugal ainda é o país com
mais medalhas conquistadas, com um total de 37, mais três do que a Espanha
(34), sendo 15 de ouro, nove de prata e 13 de bronze.
Evidentemente, espera-se
que o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins seja um êxito organizativo para
Angola e que as equipas que falam português obtenham boas classificações
desportivas.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Aproxima-se o referendo escocês
Como recorda hoje
The
Scotsman, falta um ano para se realizar o referendo em que a Escócia vai
decidir se quer continuar ligada ao Reino Unido ou se quer recuperar a sua
completa independência perdida há trezentos anos, quando o seu Parlamento
aprovou a fusão da Escócia com a Inglaterra e a formação do Reino Unido da
Grã-Bretanha. Porém, apesar dessa fusão, muitas instituições escocesas
continuaram activas, ao mesmo tempo que a identidade nacional escocesa se
manteve muito forte e distinta e, assim, o desejo de independência tem muitos
seguidores.
A Escócia ocupa a
parte setentrional das Ilhas Britânicas e os arquipélagos das Shetland, as
Orcades e as Hébridas, tem 78 mil quilómetros quadrados de superfície e menos
de 6 milhões de habitantes. O referendo vai realizar-se no dia 18 de Setembro
de 2014 e resultou de um acordo entre o primeiro-ministro David Cameron e o
ministro britânico para a Escócia, Alex Salmond, tendo apenas uma pergunta: "Está de acordo que a Escócia seja um país independente?". Segundo algumas
sondagens que vão sendo publicadas, há um equilíbrio entre aqueles que votarão
no sim e aqueles que votarão no não à independência.
O referendo escocês
será, certamente, um factor muito importante para estimular ou desincentivar os
processos independentistas que se têm acentuado em Espanha e, em especial, na
Catalunha e no País Basco. Por isso, é um assunto de grande interesse para nos
ajudar a avaliar o que se passará aqui ao lado. Se o general De Gaulle ressuscitasse, haveria de ficar satisfeito por assistir à materialização da ideia da "Europa das pátrias" que ele defendia, isto é, uma confederação de Estados nacionais que não renunciavam aos seus direitos de soberania nacional, em vez da integração europeia que temos.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
A febre independentista da Catalunha
As celebrações do
Dia Nacional da Catalunha que aconteceram no dia 11 de Setembro, dinamizaram o
sentimento independentista, não só na região catalã, mas chegaram também ao
País Basco e à Galiza. O problema é complexo e o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy apressou-se a
enviar uma carta a Artur Mas, o presidente do governo regional da Catalunha, no
sentido de discutirem o futuro daquela região noroeste da península Ibérica,
mas rejeitou frontalmente que se realizasse um referendo sobre a independência
da região, como tem sido reivindicado pelos independentistas catalães. Segundo alguns estudos conhecidos, estima-se que metade dos 7,5
milhões de catalães sejam favoráveis à independência, embora exista uma grande
diversidade de modelos, que vão desde a independência completa e formal, até aos
estatutos de maior autonomia mas dentro da Espanha e da União Europeia.
A imprensa espanhola
tem tomado posição sobre esta questão, alinhando-se com os diversos pontos de vista em
confronto. Assim, o diário madrileno
La
Gaceta decidiu traçar um cenário possível para uma Catalunha
independente, especulando sobre o que seria, cinco anos depois de uma
hipotética independência, a economia, a política, a sociedade e a posição
internacional catalãs. E depois de quatro páginas dedicadas ao tema, afirma que
a Catalunha independente teria um futuro de ruina económica, com expulsão da UE
e do euro, a fuga de capitais, a queda das exportações, o aumento do desemprego
e do défice, a deslocalização empresarial e uma acentuada quebra do PIB que
poderia atingir os 23%. E conclui: “uma Catalunha livre, independente e ...
pobre”, ou seja, a independência também é uma moeda de duas faces.
domingo, 15 de setembro de 2013
Síria: um bom passo em frente
Ao fim de três dias de negociações em
Genebra, o secretário de Estado norte-americano
John Kerry e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo Sergei Lavrov, chegaram a
acordo sobre um plano que, para já, evita um ataque americano à Síria. Não
foram feitas declarações sobre quem utilizou armas químicas, a revelar que terão
sido usadas pelos dois lados do conflito, porque nas guerras modernas todos
combatem sem regras nem princípios humanitários. O governo sírio tem agora uma semana para
entregar todo o seu arsenal químico aos inspectores da ONU e deverá ser destruído até meados de 2014. Um passo em frente, mas apenas um passo.
O regime de Bashar al-Assad está satisfeito
com o acordo alcançado, a França e a China são alguns dos países que também o aplaudiram,
enquanto o Presidente Obama encontrou uma saída para a sua precipitada intenção
de lançar os Tomahawk sobre a Síria, contra os sentimentos da opinião pública
americana. Porém, o sentimento entre os apoiantes dos rebeldes é de desilusão
e, nessas condições, é preciso esperar para ver como vão correr as coisas. Os
negociadores frisaram que a solução para o problema sírio tem de passar pela
diplomacia e não por uma solução militar e esse reconhecimento é um elemento
importante para desenvolver os passos necessários no sentido da paz. Kerry e
Lavrov voltarão a encontrar-se no fim do mês com o objectivo de avaliar os
resultados já alcançados e para retomar os esforços comuns com vista à realização de uma conferência sobre a paz, que ponha termo
a uma guerra civil que já fez mais de 100 mil mortos em dois anos e meio.
A
fotografia destacada na edição de hoje do jornal Ouest France, "vale mais do que mil palavras", ao mostrar a evidente
boa disposição entre Kerry e Lavrov e é muito animadora quanto ao futuro da Síria e da brutal guerra civil que a destrói.
Então, é caso para perguntar, porque se demorou tanto tempo a perceber que a
solução é diplomática e não militar e não se
evitou a destruição de um país?
R.I.P. Kiyoshi Kobayashi
A Federação Portuguesa de Judo anunciou a morte de Kiyoshi Kobayashi
que, aos 88 anos de idade, faleceu no Japão.
Se Wenceslau de Morais foi o português que adoptou o Japão, Kobayashi foi o japonês que adoptou Portugal. Assisti algumas vezes às suas aulas, mas nunca foi meu treinador, nem nunca tivemos qualquer contacto. No entanto, muitos dos meus amigos conviveram e aprenderam com ele, elogiando-lhe sempre a sua correcção de atitude, a sua educação e o seu bom trato. Nascido a 9 de Abril de 1925, o mestre Kiyoshi Kobayashi integrou um grupo japonês que fez um périplo mundial para divulgar as artes marciais e a cultura nipónica, tendo visitado os Estados Unidos, o Médio Oriente e a Europa. Em 1958 chegou a Portugal com o objectivo de dedicar dois anos ao ensino do judo, mas acabou por ficar meio século. Nessa altura o judo era praticamente desconhecido em Portugal e o seu trabalho e a sua dedicação foram contributos importantíssimos para a sua divulgação, fazendo com que se tornasse numa das modalidades com mais praticantes em Portugal e que, inclusive, tivesse proporcionado uma medalha ao nosso país em 2000 nos Jogos Olímpicos de Sydney. O mestre Kiyoshi Kobayashi foi seleccionador e treinador da selecção nacional, tendo liderado as equipas nacionais nas mais importantes competições internacionais. Tinha uma das mais altas graduações de judo, o nono dan – em dez possíveis no cinturão negro – que lhe foi atribuído pela Federação Internacional em 1999 e tem sido, justamente, considerado o “pai do judo português”.
Se Wenceslau de Morais foi o português que adoptou o Japão, Kobayashi foi o japonês que adoptou Portugal. Assisti algumas vezes às suas aulas, mas nunca foi meu treinador, nem nunca tivemos qualquer contacto. No entanto, muitos dos meus amigos conviveram e aprenderam com ele, elogiando-lhe sempre a sua correcção de atitude, a sua educação e o seu bom trato. Nascido a 9 de Abril de 1925, o mestre Kiyoshi Kobayashi integrou um grupo japonês que fez um périplo mundial para divulgar as artes marciais e a cultura nipónica, tendo visitado os Estados Unidos, o Médio Oriente e a Europa. Em 1958 chegou a Portugal com o objectivo de dedicar dois anos ao ensino do judo, mas acabou por ficar meio século. Nessa altura o judo era praticamente desconhecido em Portugal e o seu trabalho e a sua dedicação foram contributos importantíssimos para a sua divulgação, fazendo com que se tornasse numa das modalidades com mais praticantes em Portugal e que, inclusive, tivesse proporcionado uma medalha ao nosso país em 2000 nos Jogos Olímpicos de Sydney. O mestre Kiyoshi Kobayashi foi seleccionador e treinador da selecção nacional, tendo liderado as equipas nacionais nas mais importantes competições internacionais. Tinha uma das mais altas graduações de judo, o nono dan – em dez possíveis no cinturão negro – que lhe foi atribuído pela Federação Internacional em 1999 e tem sido, justamente, considerado o “pai do judo português”.
Apesar de ser médico de
profissão, o mestre Kiyoshi Kobayashi dedicou-se principalmente ao ensino do judo,
tendo colaborado com diversas escolas e ensinado milhares de praticantes. E há
uma lenda a respeito de mestre Kiyoshi Kobayashi que vai ficar connosco: aos 19
anos de idade, durante a II Guerra Mundial, fez parte dos esquadrões kamikaze e
terá cumprido e sobrevivido a duas missões. Tinha regressado ao Japão há três anos.
Gente com muito pouca vergonha
Em Abril de 2011, enquanto candidato
eleitoral, o actual primeiro-ministro afirmou que fez as contas e que estava em
condições de garantir que não seria preciso cortar salários nem fazer
despedimentos para consolidar as finanças públicas portuguesas. E disse
textualmente que "nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: não
será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder
cumprir um programa de saneamento financeiro".
Mentiu descaradamente para
ganhar as eleições. Depois, veio a pressão da troika e dos especuladores financeiros nacionais e internacionais,
tendo o chamado processo de ajustamento sido transformado num doloroso processo
de destruição da nossa economia, com desemprego, empobrecimento, aumento da
dívida, saída para o estrangeiro e uma crescente perda de confiança no futuro.
Apesar destes resultados catastróficos, a saga continua com a insensibilidade
social de sempre, com a mesma descarada protecção à banca e com a habitual
humilhação imposta pelos credores. Não aprenderam a lição do passado e, quando
na televisão vemos a cumplicidade de sorrisos entre portas e albuquerques,
perdemos a última réstia de esperança. Até o pudor se acabou. Em vez de
reformarem o Estado, darem bons exemplos, acabarem com o exército de assessores
com que ocuparam o aparelho de Estado, renegociarem a dívida, cortar nos
privilégios da banca e dos “campeões nacionais”, decidem atacar os mesmos de
sempre – os funcionários públicos e os pensionistas. Cortam os salários e as
pensões e vão fazer despedimentos! Com crueldade. Há sempre uns irrevogáveis
sem dignidade prontos para tudo apoiar e também há uns rosalinos disponíveis para fazer estes trabalhos, porque o
incompetente e desorientado passos
nem coragem tem para aparecer. Realmente, é gente sem vergonha nenhuma!
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