quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Um ano depois da invasão do Capitólio

Completa-se hoje o primeiro aniversário sobre o assalto ou tentativa de assalto ao Capitólio, o edifício que em Washington aloja o Congresso, que é constituído pelo Congresso e pela Câmara dos Representantes. É, por isso, o centro legislativo dos Estados Unidos da América e o centro da democracia americana.
Na eleição de 3 de Novembro de 2020, a 59ª eleição presidencial da história dos Estados Unidos, o senador Joe Biden que fora o vice-presidente de Barack Obama nos seus dois mandatos, derrotou o presidente em exercício Donald Trump que, dessa forma, não conseguiu ser reeleito. Na votação, Biden obteve 51,3% dos votos populares e recolheu 306 votos no Colégio Eleitoral, enquanto Trump conseguiu apenas 46,9% dos votos populares e 232 votos no Colégio Eleitoral. Donald Trump não aceitou a derrota e alegou ter havido fraude, avançando com dezenas de acções judiciais e exigindo a recontagem de votos nos estados em que fora derrotado. Recusando-se a aceitar a vitória de Biden, tratou de convocar uma grande manifestação dos seus seguidores para o dia 6 de Janeiro para protestar contra o resultado eleitoral, em frente do Capitólio, onde o Congresso se iria reunir nesse dia para ratificar a vitória de Joe Biden. Os manifestantes estiveram antes num comício onde ouviram “discursos de guerra” e foram incitados a avançar para o Capitólio, que invadiram no sentido de aterrorizar os seus ocupantes e forçar o vice-presidente Mike Pence e os congressistas a rejeitar a vitória de Biden. A invasão do Capitólio que visava impedir a certificação dos resultados eleitorais durou várias horas e provocou cinco mortos e grandes destruições.
Joe Biden classificou este episódio como uma insurreição mas, no dia 20 de Janeiro de 2021, foi empossado como o 46º presidente dos Estados Unidos.
Um ano depois dos acontecimentos de 6 de Janeiro de 2021, o jornal Houston Chronicle é apenas um dos jornais americanos que nas suas edições de hoje recorda esse dia negro da história da democracia americana e reclama o julgamento dos seus responsáveis, incluindo Donald Trump que foi o seu inspirador e também o seu mandante.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Os ex-guerrilheiros e a droga colombiana

A Colômbia suportou “a guerrilha mais longa do mundo” através de um acordo assinado em 2016 entre o governo colombiano e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia ou Exército do Povo), uma organização fundada em 1964. Significa que a guerra de guerrilhas na Colômbia durou 52 anos, tendo feito cerca de 260 mil mortos! 
Aconteceu, porém, que a maioria dos colombianos não aceitou aquele acordo, o que levou o então presidente Juan Manuel Santos a convocar os negociadores para refazerem o processo de paz, o que veio a acontecer com sucesso ainda em 2016, com a assinatura dos Acordos de Paz de Havana. A partir de então decretou-se o cessar-fogo, iniciou-se o desarmamento e a integração de guerrilheiros, começou o exaustivo trabalho de reconciliação nacional e o estudo da solução para o problema das drogas ilícitas, porque a Colômbia é considerada o maior produtor mundial de cocaína, abastecendo cerca de 70% do mercado mundial, segundo as Nações Unidas. Esse parece ser o grande problema da Colômbia, pois o controlo da “economia da droga” é disputado por vários grupos ilegais, incluindo dissidentes das FARC que rejeitaram o acordo de 2016, elementos do ELN (Exército de Libertação Nacional) e outros grupos armados ilegais.
A região de Arauca faz fronteira com o estado venezuelano de Apure e os confrontos entre grupos rivais nestas regiões são frequentes. Desde os acordos de Havana estão registados 1.284 assassinatos de defensores de direitos humanos, ex-guerrilheiros e líderes comunitários, bem como frequentes confrontos entre esses grupos, sobretudo entre ex-elementos das FARC e do ELN. Foi o que aconteceu na segunda-feira e que foi noticiado pelo Correio do Brasil, que anunciou que os “guerrilheiros lutam entre si e 26 morrem”, informando ainda que nesses confrontos se registaram mais de trinta feridos e que este dia foi considerado “o mais violento dos últimos dez anos no país”. Curiosamente, a imprensa colombiana não deu qualquer destaque a este acontecimento, provavelmente para não alarmar a população colombiana que teme o regresso da guerra.

Moçambique e os seus hidrocarbonetos

O Instituto Nacional de Petróleos e toda a imprensa moçambicana, como por exemplo o jornal Notícias, noticiaram a chegada à Área 4 da bacia do Rovuma da plataforma gigante FLNG (Floating Liquefied Natural Gas) que vai fazer a exploração de gás naquela área marítima. A enorme estrutura assemelha-se a um navio gigante com 432 metros de comprimento e foi construída na divisão industrial da Samsung em Geoje, na Coreia do Sul, tendo saído para a costa de Cabo Delgado no dia 15 de Novembro.
A plataforma vai estar ligada a seis poços para extrair gás para uma fábrica instalada a bordo, onde vai ser arrefecido e liquefeito, de modo a poder ser transportado em cargueiros que se abastecerão a partir da própria plataforma e dos seus depósitos de armazenamento. Acima do plano do convés a plataforma dispõe de treze módulos onde se localiza a fábrica, um heliporto e um módulo de oito andares onde podem viver 350 pessoas.
A Área 4 está concessionada à Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma joint venture participada em 70% pela americana Exxon Mobil, pela italiana Eni e pela chinesa CNPCO, estando os restantes 30% repartidos pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique (ENH), pela coreana Kogas e pela Galp Energia Rovuma que tem a sua sede… na Holanda. O início da produção offshore está prevista para meados do corrente ano de 2022.
Na bacia do Rovuma também está delimitada a Área 1, concessionada a um consórcio dominado pela petrolífera francesa Total, a japonesa Mitsui e a indiana Beas, que aposta na produção onshore na península de Afungi, mas que tem sido perturbada pela insurreição jihadista que tem estado activa em Cabo Delgado.
Como aqui foi dito há tempos, para quem navegou naquelas águas da bacia do Rovuma, causa uma natural impressão imaginar uma tão grande estrutura num local onde o mar era livre e não havia plataformas a perturbar a paisagem marítima. Porém, as coisas são como são e, ao longo da costa moçambicana, estão definidas outras áreas de pesquisa e de produção de hidrocarbonetos.

domingo, 2 de janeiro de 2022

A chegada do novo ano ao Rio de Janeiro

A última publicação que fizemos na ruadosnavegantes enfatizava os festejos de entrada do novo ano de 2022 em Sydney e referia alguns outros que tiveram lugar no Dubai, em Atenas e em Londres. Porém, muito mais para ocidente, também outras cidades festejaram a entrada do novo ano e, catorze horas depois dos festejos de Sydney, foi a cidade do Rio de Janeiro que também apresentou o seu espectáculo pirotécnico a rivalizar com Sydney.
A excelente fotografia que foi publicada a toda a largura da sua primeira página na edição de ontem do jornal O Globo, mostra a imponência do fogo de artifício que iluminou a “cidade maravilhosa cheia de encantos mil” e o “coração do meu Brasil”. Segundo refere o jornal, o Rio de Janeiro recebeu o novo ano de 2022 “com fogos e esperança”. Com a estátua do Cristo Redentor localizada sobre o morro do Corcovado a enquadrar o cenário de Copacabana, pode observar-se na fotografia a profusão de focos de fogo alinhados ao longo da orla da baía, onde ocorreram a população e os turistas para desfrutar do espectáculo e festejar a chegada do novo ano.
Foi uma retoma da veia festiva carioca, pois a pandemia tinha inviabilizado os festejos da chegada de 2021, o que muito perturbou a economia e a vitalidade da “cidade maravilhosa”.

sábado, 1 de janeiro de 2022

O famoso festejo do ano novo em Sydney

Por ocasião da entrada de um novo ano, há notícias que sempre interessam a comunicação social e que anualmente se repetem: no plano internacional são as imagens dos festejos da passagem do ano sobretudo em Sydney e, no plano nacional, são o fogo de artifício em algumas cidades, mas também a desinteressante informação recolhida todos os anos nas maternidades sobre a primeira criança nascida em Portugal.
A entrada do novo ano em Sydney origina sempre as mais divulgadas imagens sobre esse evento em todo o mundo, por ser a primeira grande cidade a receber o novo ano. Esse facto é uma consequência da Conferência Internacional de Washington realizada em 1884, na qual foi adoptado o meridiano de Greenwich para o início da contagem das longitudes e dos 24 fusos horários. Daí resultou, também, a adopção de uma Linha Internacional de Mudança de Data, cujo traçado imaginário se desenvolve no oceano Pacífico próximo do meridiano dos 180 graus, isto é, diametralmente oposta ao meridiano de Greenwich. Pela posição dessa linha, a cidade australiana de Sydney é a primeira grande cidade que entra no novo ano, quando na Europa ainda se está no princípio da tarde. 
Os festejos do acontecimento são vistos nas televisões mundiais e a sua fotografia ilustra sempre muitos jornais europeus, como hoje acontece com o jornal sueco Dagens Nyheter. As televisões mostram depois as imagens da iluminação dos 828 metros de altura do imponente Burj Khalifa Bin Zayid no Dubai, o fogo de artifício de Atenas, de Paris e de Londres, mas o fogo de artifício na área da Harbour Bridge de Sydney é, certamente, o mais famoso e mais noticiado em todo o mundo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

2022 é um novo ano que se vai iniciar

Daqui a poucas horas entramos no novo ano de 2022 e, um pouco por todo o mundo, sucedem-se festejos ruidosos e iluminações deslumbrantes mas, sobretudo, divulgam-se mensagens de esperança num ano mais próspero, com mais paz e, nas circunstâncias actuais, com mais saúde. As pessoas trocam mensagens de amizade e os meios de comunicação social dedicam largos espaços ao balanço sobre o que aconteceu no ano que agora termina e traçam perspectivas sobre o que se espera para o ano que vai chegar. Por vezes, os jornais transmitem mensagens aos seus leitores, como hoje sucede com o The Standard-Times da cidade de New Bedford, no estado americano de Massachusetts, que se dirige aos seus leitores com uma sugestiva mensagem: Happy New Year
Os jornais portugueses são menos exuberantes e não transmitem mensagens directas aos seus leitores, mas fazem balanços e prognósticos. Porém, o seu balanço tem sido feito na espuma dos dias, pois esquecem quem realmente se destacou, isto é, os cientistas e as autoridades de saúde que souberam manter a epidemia sob controlo e transmitir mensagens de confiança à população, bem como a classe dos enfermeiros que operacionalizou o processo de vacinação. Da mesma forma ignoram aqueles que mantiveram o país a funcionar, nomeadamente os professores e os médicos, os bombeiros e os agricultores, os polícias e os farmacêuticos, bem como aqueles que mantiveram em funcionamento as escolas, os transportes, os supermercados, as farmácias, os hospitais, as livrarias, as fábricas, os serviços da protecção civil e a maioria das actividades económicas e sociais.
Na hora do balanço, tanto os jornais respeitáveis como a imprensa cor-de-rosa portuguesa, tendem a tomar a nuvem por Juno ou confundem a árvore com a floresta. 
Aqui não elegemos factos nem desfactos, nem figuras nem desfiguras. Apenas desejamos um Bom Ano de 2022 a quem nos lê.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Goa e a controversa estátua de Ronaldo

Os portugueses tomaram Goa aos muçulmanos do sultanato de Bijapur em 1510 e durante 451 anos ocuparam aquele território de cerca de 3.700 km2. A ocupação levou a um processo de aculturação que deu origem a uma cultura específica – a cultura indo-portuguesa – com evidências na língua, no modo de vida, nas artes, na religião, na gastronomia e em outros aspectos da vida social goesa. 
Goa era a “joia da coroa” do império português e o berço de gente muito ilustre.
Em 1947 a Índia tornou-se independente do Reino Unido e logo reivindicou o regresso de Goa à mother India, mas o governo português foi intransigente e, em 1961, as tropas, os navios e os aviões indianos invadiram e ocuparam aquele território, assim como Damão e Diu, que conjuntamente constituíam o Estado Português da Índia. O trauma foi enorme, tanto em Portugal como em Goa, onde uma parte dos goeses se considerou “libertada” e outra parte se afirmou “invadida”. Sessenta anos depois, a controvérsia entre libertação e invasão ainda continua, embora menos intensa do que antes. Contudo, permanecem em Goa muitos traços culturais e emocionais de cariz português e os indianos consideram Goa a “Europa da Índia”.
Nesse país que é o segundo mais populoso do mundo, o cricket é o desporto-rei, mas no estado de Goa – um dos 28 estados da Índia – o desporto-rei é o futebol, o que é uma das mais relevantes heranças culturais portuguesas. Foi aí que, na área de Calangute e por iniciativa oficial, foi agora erguida uma estátua de Cristiano Ronaldo para servir de incentivo e inspiração aos jovens futebolistas goeses. Numa terra onde depois de 1961 foram derrubadas as estátuas de Camões e de Afonso de Albuquerque, esta iniciativa de erguer uma estátua a um jogador de futebol português não caiu bem em alguns sectores da sociedade goesa que a consideraram um insulto ou um sacrilégio, enquanto outros sectores consideraram que a estátua de uma figura prestigiosa como Cristiano Ronaldo é mesmo um incentivo aos jovens e um sinal de reconciliação entre o colonizador e o colonizado. 
A iniciativa é realmente controversa embora tenha o meu aplauso. Porém, fico na expectativa quanto ao que irão fazer os fossilizados freedom fighters goeses, useiros e vezeiros em atentar contra tudo o que é português.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

As armas de Portugal continuam em Ceuta

Na edição de hoje do jornal El Pueblo de Ceuta encontra-se uma fotografia de Juan Jesús Vivas Lara, que desde Fevereiro de 2001 é o presidente da Ciudad Autónoma de Ceuta. No segundo plano dessa imagem vêem-se as bandeiras de Ceuta, da Espanha e da União Europeia, destacando-se nas duas primeiras de forma bem visível os brasões de armas de Ceuta e da Espanha, que também são de Portugal e da Espanha.
A presença de um escudo português na bandeira e no brasão de uma cidade autónoma espanhola é uma curiosidade que resulta da História. A cidade situada na margem africana do estreito de Gibraltar foi conquistada pelo rei D. João I de Portugal em Agosto de 1415 e, nessa altura, foi hasteada a bandeira da cidade de Lisboa, gironada de oito peças de negro e prata, que a partir de então simbolizou a posse portuguesa da cidade. Mesmo depois da união dos dos reinos ibéricos verificada em 1580, a cidade continuou a ser administrada pelos portugueses, mas quando Portugal restaurou a sua independência da Espanha em 1640, o povo de Ceuta escolheu a sua integração no reino de Espanha, mas não abdicou da sua bandeira nem do seu brasão que representa as armas do reino de Portugal, tal como se usavam na Idade Média.
Significa, portanto, que a cidade de Ceuta usa a "mesma bandeira" que na manhã do dia 22 de Agosto de 1415 foi hasteada na cidade por D. João Vasques de Almada, cavaleiro e conselheiro do rei D. João I.

A Antártida e as alterações climáticas

A problemática das alterações climáticas e do aquecimento global está na ordem do dia, até porque as catástrofes naturais parece que estão a aumentar, quer em frequência, quer em intensidade. É, certamente, uma das principais preocupações do nosso tempo. Um pouco por todo o planeta sucedem-se ciclones e furacões, cheias e inundações, incêndios e secas extremas de efeitos imprevisíveis e devastadores. A mudança dos padrões climáticos está a afectar a produção de alimentos, a qualidade da vida humana e ameaça a subida do nível das águas do mar. A humanidade enfrenta uma crise climática muito severa mas, como tem sido referido muitas vezes por António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, é uma batalha que podemos vencer, se os líderes políticos e empresariais unirem esforços e se a Economia e a Ciência trabalharem em conjunto.
Na edição de hoje do jornal The New York Times é destacada uma alargada reportagem sobre o aquecimento global do planeta e sobre a Corrente Circumpolar Antárctica, ainda pouco conhecida, mas que se sabe actuar como um potente motor climático que circula em torno da Antártida e que gera uma força fria que tem impedido que o aquecimento global seja ainda maior. Porém, o aquecimento global também está a afectar o oceano Glacial Antártico e o glaciar Thwaites, que é um dos maiores da Antártida e que tem sido considerado muito estável, está a desenvolver fendas que podem acelerar a sua desintegração num prazo de três a cinco anos, o que pode elevar o nível do mar em cerca de meio metro. Daí a preocupação dos cientistas e o seu esforço para conhecer melhor a realidade antártica e as suas influências climáticas.
Durante séculos, os mares do sul eram identificados como a região dos ventos ciclónicos, das enormes tempestades, dos frios intensos e da caça à baleia. Agora os cientistas, estão empenhados como nunca na descoberta dos mares da Antártida e dos seus efeitos climáticos.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

R. I. P. Desmond Tutu

Com 90 anos de idade, faleceu ontem em Capetown o arcebispo Desmond Tutu (1931-2021), uma das mais importantes figuras da Igreja Anglicana na República da África do Sul. Era amigo e companheiro de luta de Nelson Mandela (1918-2013), o homem que dirigiu o movimento do Congresso Nacional Africano (ANC) e foi o primeiro presidente eleito do país entre 1994 e 1999.
Desmond Tutu foi o primeiro negro nomeado deão da catedral de Johanesburgo e em 1976 foi sagrado bispo da diocese de Lesoto, onde intensificou a sua luta contra o apartheid e a favor dos direitos civis iguais para toda a população. Em reconhecimento da sua corajosa luta, em 1984 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz, a que se seguiu a atribuição de diversos títulos honoris causa por diversas universidades americanas e europeias. A partir de 1990, quando Nelson Mandela foi libertado, depois de 28 anos de prisão, Desmond Tutu tornou-se um dos seus principais apoios, quando já se tornara o primeiro negro a ocupar o cargo de arcebispo de Capetown.
Em 1992 foi referendado o apartheid, que veio a ser extinto em 1994 com as primeiras eleições sul-africanas que Nelson Mandela venceu. Com o fim do apartheid, o arcebispo Desmond Tutu continuou a ser uma figura central da política sul-africana, muito respeitado pela população e sempre apostado na luta contra a segregação racial. Na sua corajosa luta pela igualdade racial esteve sempre ao lado de Nelson Mandela, dizendo que “a voz de Desmond Tutu será sempre a voz dos que não têm voz”. A partir de 1996 veio a presidir à Comissão de Reconciliação e Verdade destinada a promover a integração racial sul-africana, depois de cerca de 50 anos de apartheid.
Quem conheceu o apartheid viu como era desumano, cruel e indigno. Quem lutou contra o apartheid foi muito corajoso e Desmond Tutu foi um deles. A sua morte foi destacada pela imprensa americana e europeia de referência, designadamente pelo jornal londrino The Guardian, que o classificou como "o campeão universal dos direitos humanos".

O Cumbre Vieja cessou a sua actividade

Depois de cerca de 85 dias de actividade, o vulcão Cumbre Vieja foi considerado extinto, tanto pelos cientistas como pelas autoridades, o que veio aliviar a tensão das populações da ilha de La Palma, no arquipélago das Canárias, tendo o jornal El Día de Tenerife anunciado o “fin”, na sua primeira página.
A erupção iniciou-se no dia 19 de Setembro na parte sul da ilha de La Palma e, durante cerca de três meses, expeliu toneladas de lava que invadiram milhares de hectares de terrenos agrícolas, soterraram algumas centenas de casas e forçaram à retirada de mais de duas mil pessoas. Os danos causados pelo vulcão foram enormes e cerca de 1300 casas de habitação, bem como casas agrícolas, hotéis, escolas e outras infraestruturas, assim como cerca de 73 quilómetros de estradas foram cobertas pela lava, enquanto as redes de distribuição de água, electricidade e linhas telefónicas da região também foram destruídas ou danificadas.
Segundo o comité científico que acompanhou a actividade do vulcão, a sua última erupção aconteceu no dia 13 de Dezembro, quando cessaram os abalos de terra e todos os parâmetros vulcanológicos diminuíram. Depois, decorreram dez dias consecutivos sem sinais visíveis de actividade, que é o período cientificamente recomendado para confirmar o fim da erupção, pelo que só depois foi confirmado o seu fim. De acordo com as informações divulgadas, a erupção aumentou a área da ilha em 43 hectares, resultantes da criação de deltas de lava e fajãs que atingiram as águas atlânticas.
Agora, já se anunciam as operações de realojamento das pessoas que perderam as suas casas, bem como a limpeza e a reconstrução do território, mas os cientistas pretendem que o Cumbre Vieja se transforme num local de estudo dos fenómenos vulcanológicos.

domingo, 26 de dezembro de 2021

Quando a caridade e a política se juntam

Foto retirada de www.presidencia.pt
As festividades do Natal proporcionam sempre episódios invulgares ou curiosos, alguns bem estimulantes, outros comoventes e outros bem deprimentes. 
De facto, a época natalícia é um tempo em que as ideias de fraternidade e de solidariedade estão mais activas e, por isso, é natural que cada um de nós, pelo menos por breves períodos, pense no próximo como em si mesmo. Trata-se de fazer pelos outros o que gostaríamos que eles fizessem por nós ou, como refere a religião católica nos seus mandamentos, trata-se de “amar o próximo como a nós mesmos”, que é talvez a expressão mais completa para definir a fraternidade e a solidariedade, isto é, a caridade.
Provavelmente, a forma mais nobre para nesta quadra exprimir a caridade é a que se dirige aos doentes e aos mais vulneráveis. Algumas pessoas e algumas instituições lembram-se – ao menos uma vez no ano – dos doentes, dos incapacitados, dos mais dependentes, dos mais debilitados e dos mais pobres. Assim, segundo uma notícia hoje divulgada pela Agência de Notícias Lusa, de que as televisões fizeram eco, o Presidente da República visitou o centro de acolhimento para pessoas sem-abrigo no antigo quartel de Santa Bárbara, em Lisboa. Reza a notícia que “o chefe do Estado visitou os vários espaços, desde as camaratas à sala de informática, passando pelo gabinete médico e o refeitório, onde serviu refeições nesta noite de Natal, equipado a rigor para o efeito com um avental, luvas e uma protecção de plástico na cabeça. A acompanhá-lo estiveram o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e a vereadora com o pelouro dos direitos humanos e sociais, Laurinda Alves”. 
A visita presidencial é louvável, mas a fotografia divulgada vale mais que mil palavras, pois mostra que se a caridade é uma coisa bonita, já a demagogia usada a servir sopas com fins políticos e para que seja mostrada pelas televisões, é outra coisa. Como diria o famoso Diácono Remédios e eu aqui subscrevo, não havia necessidade…

sábado, 25 de dezembro de 2021

Um Natal diferente na região de Manaus

A cidade de Manaus é a capital do estado da Amazónia, que tem uma superfície de 1559 mil km2, o que significa que é 17 vezes maior do que Portugal. A cidade tem mais de dois milhões de habitantes e fica localizada na confluência dos rios Negro e Solimões que, a partir daí, constituem o rio Amazonas.
Aproximando-se o Natal, a Prefeitura de Manaus decidiu montar um presépio gigante numa plataforma flutuante com 30 metros de altura e 15 metros de largura, que foi decorada, muito iluminada e recebeu uma árvore de Natal e um Pai Natal deslocando-se em trenós, a fim de visitar as populações ribeirinhas do interior do estado da Amazónia. Estas populações vivem geralmente muito isoladas e a iniciativa procurava constituir-se como uma boa surpresa, sobretudo na complexa situação sanitária que o país e o mundo atravessam. A operação iniciou-se no passado dia 16 de Dezembro e, nessa visita-surpresa, a embarcação-presépio distribuiu presentes às crianças e cestas básicas de alimentação às famílias rurais carenciadas, para além de levar alegria, música, luz e cor às populações isoladas.
O jornal O Globo destacou na sua edição de ontem o “Natal flutuante na Amazónia” com uma fotografia a toda a largura da primeira página, na qual se pode observar a plataforma-presépio e a sua espectacular decoração, que muito terá impressionado as populações visitadas. Segundo os depoimentos recolhidos pelo jornal, toda a gente elogiou a iniciativa da Prefeitura de Manaus neste Natal, ao levar um presépio flutuante a tantos locais isolados da Amazónia. Estes exemplos de criatividade entusiasmam e merecem realmente o nosso aplauso pela sua originalidade.

Feliz Natal para todos e cada um de nós

Hoje é Dia de Natal e ainda é oportuno aqui lembrar este dia tão simbólico para os seres humanos que se consideram cristãos e que, incluindo católicos romanos, ortodoxos e protestantes, são cerca de 2,18 mil milhões de pessoas e constituem cerca de 31,5% da população mundial. São, portanto, a maior religião do planeta, a que se segue a religião muçulmana com cerca de 23,2% da população mundial.
O Natal é uma festa religiosa em que é celebrado o nascimento de Jesus que ocorreu em Belém, na província romana da Judeia, que hoje pertence à Palestina. Porém, o Natal transformou-se numa festa que mistura tradições muito diversas e que evoluiu para um consumismo incontrolável que atrai as populações e mobiliza as pessoas, através das técnicas de marketing que criam necessidades de consumo e que são acompanhadas por grandes campanhas de publicidade, feéricas iluminações, árvores iluminadas e figurações de presépios e, mais recentemente, por essa invenção que é o Pai-Natal a viajar num trenó puxado por renas. As pessoas centram-se cada vez mais nas compras e enchem os shopping centres, adquirindo o necessário e o supérfluo, o que as afasta cada vez mais dos verdadeiros valores do Natal, que é a festa da unidade da família, mas também da fraternidade e da solidariedade. Porém, ainda se conservam alguns velhos hábitos, nomeadamente a saudação à família, aos amigos, aos vizinhos, aos companheiros de trabalho, entre outros, através da tradicional saudação Feliz Natal!
Muitos jornais também saúdam os seus leitores, assim acontecendo com a edição de ontem de Le Télégramme da cidade francesa de Lorient, a que nos associamos com a mesma saudação aos nossos leitores - Joyeux Noël - embora também pudéssemos usar a expressão Merry Christmas!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Alta velocidade ferroviária chega à Galiza

A Espanha possui uma importante rede de comboios de alta velocidade de cobertura nacional, pois permite ligar Madrid a algumas das principais cidades espanholas como Barcelona, Sevilha, Valencia, Alicante, León, Granada e outras mais. Na passada segunda-feira, essa rede foi acrescentada com a ligação do comboio de alta velocidade entre Madrid e a Galiza, ou antes, entre as cidades de Madrid e Ourense, que depois tem ligações a Vigo, Santiago e Corunha.
A rede de alta velocidade espanhola é gerida pela Renfe (Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles), uma entidade pública empresarial que explora a rede ferroviária, incluindo o AVE (Alta Velocidad Española), que é um dos mais rápidos comboios europeus e que pode atingir a velocidade máxima de 330 quilómetros por hora.
A viagem inaugural entre Madrid e Ourense teve a presença do rei Filipe VI e do primeiro-ministro Pedro Sánchez, além de muitas outras entidades oficiais, tendo o AVE saído às 10.00 horas da estação de Chamartin em Madrid, feito duas paragens e chegado a Ourense às 12.19 horas. Antes, esses 500 quilómetros demoravam 4 horas e 52 minutos, mas esse tempo foi agora reduzido para um pouco menos de metade.
A imprensa galega, nomeadamente o jornal La Voz de Galicia, classificou a chegada do AVE como um dia histórico e, de facto, é um sinal de grande progresso.
Para os portugueses do norte do país que precisem de se deslocar a Madrid e não gostem do avião, o AVE Madrid-Ourense vai obrigar a fazer algumas contas, porque a viagem de 620 quilómetros de automóvel entre o Porto e Madrid tem agora alternativas mais rápidas e mais económicas, até porque Ourense está a 90 quilómetros de Chaves e a 220 do Porto.
Quanto ao nosso TGV, o comboio lusitano de alta velocidade, bem se pode questionar se é um investimento mesmo necessário.