domingo, 5 de maio de 2019

A grande Feira de Sevilha já começou

Depois das grandes festas da Semana Santa, a cidade de Sevilha entrou de novo em festa com a Feria de Abril de Sevilla, que foi inaugurada ontem e que se vai manter até ao dia 11 de Maio, com uma festa que é única e deslumbrante, que durante sete dias encherá um recinto de 450.000 metros quadrados. Chama-se a Feira de Abril, mas este ano realiza-se em Maio, por razões de conveniência de calendário, sendo um acontecimento lúdico, cultural e gastronómico de grande impacto que se realiza desde 1846.
A Feira inicia-se com a iluminação da portada da Feira, que é um monumento efémero e uma obra de arte que todos os anos é diferente da anterior e que, simbolicamente, acolhe os sevilhanos e os turistas para participar na “feira das feiras”, sendo comum dizer-se que ali começa a Feira e o caminho para a cor, a luz, a diversão e a alegria. A escolha da porta é objecto de um concurso anual e, este ano, foram apresentadas 80 propostas ao Ayuntamiento de Sevilla. A importância da portada é tal que o diário ABC a destaca na sua edição de hoje, deixando para segundo plano as fotos habitualmente mais sugestivas das sevilhanas e dos toureiros.
A Feira é uma manifestação da cultura andaluza e espanhola, que está presente em todas as suas actividades, com destaque para os trajes das mulheres – o traje flamenco, de cigana ou de sevilhana – mas também para as corridas de touros que, diariamente, enchem a Plaza de Toros da Real Maestranza de Sevilla, considerada a catedral do toureio, onde os aficionados acorrem para ver os maiores nomes da tauromaquia.
O programa da Feira é vasto, muito diversificado e é realmente uma atracção turística internacional.

sábado, 4 de maio de 2019

EUA: a campanha eleitoral já começou

A edição do New York Post, um dos mais antigos jornais americanos, anuncia hoje que o desemprego nos Estados Unidos é de 3,6%, o que corresponde à mais baixa taxa de desemprego americano desde Dezembro de 1969. Além disso, é salientado que os salários estão a crescer e que, contrariamente ao que afirmam os Democratas, as classes médias e os pobres americanos não estão a perder poder de compra. O jornal reproduz em primeira página uma frase de Donald Trump em que, com a sua costumada fanfarronice, afirma que “nós somos a inveja do mundo”. Parece mesmo uma página de publicidade paga.
O New York Post é um jornal alinhado à direita, é considerado populista e apoiou a candidatura de Donald Trump nas eleições presidenciais de Novembro de 2016. Nessa altura o seu editor-chefe era Col Allan, um experiente jornalista e confesso admirador de Donald Trump, que foi premiado pela sua dedicação e foi trabalhar para junto do seu patrão e principal accionista do jornal, o australo-americano Rupert Murdoch, também ele amigo próximo do Donald.
Porém, porque os americanos estão a cerca de 18 meses das eleições presidenciais de 2020, Rupert Murdoch tratou de recolocar Col Allan como editor-chefe do jornal e é nessa lógica que a primeira página da edição de hoje já se parece com um anúncio de apoio à candidatura de Donald Trump, ou mesmo, com um indirecto apelo ao voto no actual presidente.
Portanto, os americanos já estão em campanha paras as eleições presidenciais de 3 de Novembro de 2020 e, segundo dizem algumas crónicas, para o Donald agora apenas contam essas eleições e não lhe interessam outros temas, como a Venezuela ou a Coreia, nem tão pouco Putin ou Kim Jong-un.

Pois que venham as eleições antecipadas

António Costa, o primeiro-ministro português, fez ontem uma importante declaração quando anunciou que, no caso de ser aprovada pela Assembleia da República uma lei que obriga à reposição das carreiras dos professores, o seu governo se demitiria. Depois de três anos e meio de indiscutível sucesso governativo – credibilidade externa, confiança interna, crescimento da economia e convergência com a Europa, redução do desemprego, da dívida pública e do défice orçamental – não se esperava o surgimento de qualquer crise.
Tudo parecia correr sem grandes problemas, a reboque do optimismo de António Costa, do dinamismo de Marcelo Rebelo de Sousa, da competência de Mário Centeno e do impulso do turismo. Até que ontem, os partidos da oposição, pela esquerda e pela direita, provavelmente a pensar no voto dos professores, resolveram votar favoravelmente uma lei que obriga o governo a repor as suas carreiras, o que representa uma cedência ao radicalismo dos sindicatos e um custo de muitos milhões de euros para o erário público e, naturalmente, para os contribuintes. A questão está, portanto, em saber se prevalecem os direitos dos professores e, depois, os de todos os outros grupos profissionais que foram afectados pela crise de 2008/2009, muitos dos quais perderam o emprego ou tiveram que emigrar, ou se prevalecem os direitos dos contribuintes e o equilíbrio das contas públicas.
Na minha família sempre houve muitos professores, mas não são os professores que estão em causa. O que está em causa é que em todas as economias, as necessidades são ilimitadas, mas os recursos são escassos e, por isso, não há recursos para satisfazer as mil e uma reivindicações, por mais justas que sejam, das corporações profissionais de professores, enfermeiros, oficiais de justiça, polícias, militares, juízes, técnicos de diagnóstico, bombeiros, guardas prisionais e tantas outras que o Estado suporta, só porque são alimentadas pelos activistas sindicais que se limitam a defender os seus interesses particulares e ignoram os interesses gerais. Ao governo compete gerir, de forma equilibrada, os interesses da sociedade que raramente são convergentes. É assim a política.
Andaram muito mal os partidos que se aliaram ao radicalismo sindical e que vão pagar por isso nas urnas. António Costa fez bem ao anunciar que se demitiria e, provavelmente, não aceitará outra coisa que não sejam eleições antecipadas, onde aparecerá como o homem do equilíbrio, da sensatez, do equilíbrio orçamental, da estabilidade financeira e das contas certas. Que as eleições venham depressa para clarificar tudo isto. Entretanto, em Belém houve tempo para saber do estado de saúde do  futebolista Iker Casillas, mas ainda não houve tempo para comentar esta situação.
Não é costume, mas até parece que MRS está embaraçado.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

O incrível desfile das tropas de Maduro

A crise venezuelana arrasta-se e um dos seus últimos episódios foi a tentativa de golpe de estado do passado dia 30 de Abril, que pareceu uma infantilidade e falhou. Dessa iniciativa apenas resultou a libertação de Leopoldo López, que parece ser o verdadeiro líder da oposição e que cumpria 14 anos de prisão domiciliária, mas que rapidamente deixou a luta na rua e se refugiou na Embaixada de Espanha, de onde declarou que vão ocorrer novos levantamentos militares.
Actualmente, a pressão americana é enorme e a administração Trump continua a apoiar as iniciativas de Juan Guaidó, que mantém a sua popularidade muito alta, mas que não consegue desequilibrar a situação a seu favor, enquanto os apoios de Maduro também são poderosos e incluem a Rússia, a China, Cuba, Turquia, Irão e outros países. Nesta conjuntura complexa e com o país dividido, a posição dos militares parece ser determinante e ambas as partes garantem ter o seu apoio. Assim, o melhor a fazer é mesmo conversarem todos para encontrar soluções que evitem que a situação social e económica da Venezuela se degrade ainda mais ou, pior ainda, que desatem aos tiros uns nos outros.
A curiosidade destes dias não foi tanto o golpe falhado do dia 30 de Abril, que mais pareceu uma iniciativa infantil da oposição, mas sobretudo a resposta de Nicolas Maduro, ao organizar uma marcha de militares que ele próprio encabeçava. Aquilo foi uma cena hilariante e uma coisa impensável de ridículo. Parecia a Grande Marcha de Mao Tsé-tung. Os militares foram instrumentalizados e humilhados. Não sei se estarão dispostos a continuar a ser actores neste teatro. A fotografia do insólito caso correu mundo a mostrar a extravagância do Maduro e do seu regime. Não parecia a brigada do reumático portuguesa de 1974, mas era um enorme batalhão de gente obediente a qualquer maduro que apareça. Aquela fotografia ajudou-me muito a perceber a situação.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Leonardo da Vinci, o génio renascentista

Se houvesse que escolher a personalidade mais influente ou mais importante da história da Europa, dificilmente se encontraria um nome consensual.
Se houvesse que escolher não uma mas um grupo de dez personalidades, a tarefa ainda tinha grandes dificuldades, pois surgira um nunca mais acabar de nomes de importantes filhos deste Velho Continente e, nessa lista apareceriam Beethoven, Picasso, Mozart, Shakespeare, Werner von Braun, Newton, Gutemberg, Rembrandt, Galileu, Max Weber, Churchill, Vasco da Gama, Pasteur, Karl Marx, Adam Smith, Kant, Gorbachev, Fernão de Magalhães, Marconi, Descartes, Einstein, Miguel Angelo, Bismarck, Arquimedes, João Paulo II, Leão XIII e muitos, muitos outros, homens de talento.
Porém, o nome de Leonardo da Vinci iria provavelmente entrar na short list das mais importantes personalidades da história da Europa, porque foi um dos seus mais talentosos filhos, destacando-se como pintor, matemático, cientista, inventor, engenheiro, escultor, arquitecto, anatomista, botânico, poeta e músico. É o maior símbolo do Renascimento, esse movimento cultural que libertou a Europa das trevas do feudalismo. Pois Leonardo da Vinci, o homem que pintou a Mona Lisa, a Última Ceia e que muitos consideram o maior génio que a Humanidade alguma vez produziu, faleceu no dia 2 de Maio de 1517 na cidade francesa de Amboise.
Perfazem-se hoje 500 anos sobre essa data e não deixa de ser curioso que essa efeméride tivesse sido ignorada pela generalidade da imprensa europeia. Por isso, a evocação que o semanário Expresso fez na sua última edição, reproduzindo o seu famoso auto-retrato na capa da sua Revista,  merece o nosso aplauso.

MRS e a grande viagem que fez à China

O nosso Presidente da República esteve na China em visita oficial e, segundo os relatos que nos vão chegando, correu tudo muito bem e MRS deu mais um bom contributo para que o prestígio de Portugal fosse acrescentado. Se os chineses têm a rota da seda, nós temos a rota de Marcelo
Apresentando-se em boa forma física, MRS não parou e esteve em Pequim e em Xangai, visitou a Grande Muralha e a Cidade Proibida e, por fim, passou por Macau. Como de costume levou acompanhantes institucionais e vários jornalistas, provavelmente mais do que seria necessário, ficando a ideia de que as viagens presidenciais já não são as excursões turísticas do antigamente, mas que ainda integram demasiados adesivos. As televisões corresponderam aos convites presidenciais e foram muito generosas nos tempos de antena que deram a MRS que, assim, consolida a sua corrida para novo mandato.
MRS parece ter apreciado especialmente Macau, o que é natural. Encontrou muitas marcas da identidade portuguesa, dissertou sobre a natureza do pastel de nata e cruzou-se com multidões curiosas que, naturalmente, exigiram as inevitáveis selfies. O jornal Ponto Final, um dos quatro jornais macaenses que se publicam em português, diz na sua edição de hoje que em Macau disparou a devoção ao Presidente dos afectos. De facto, o que agora aconteceu em Macau e que recentemente tinha acontecido em Angola e antes em Moçambique, não é apenas uma reacção à singular personalidade pessoal e cultural de MRS, mas também é uma prova das especiais relações afectivas dos portugueses com os povos com quem conviveram durante séculos, que se afigura ser bem mais forte do que as circunstâncias negativas do domínio colonial.
As visitas de MRS aos espaços do nosso antigo império têm contribuído em acentuado grau para criar e reforçar pontes de amizade e de cooperação, mas também para valorizar a herança cultural e afectiva de Portugal no mundo. Viva!

quarta-feira, 1 de maio de 2019

A incerteza e o caos na Venezuela

Ontem em Caracas, às primeiras horas da madrugada, um grupo de oposicionistas ao governo de Nicolas Maduro, sob a liderança do autoproclamado presidente Juan Guaidó, fez uma proclamação anunciando o início da Operação Liberdade, destinada a acabar com o regime chavista. Antes, Juan Guaidó e os seus apoiantes mais próximos tinham libertado Leopoldo López, considerado o verdadeiro líder da oposição venezuelana, que cumpria uma pena de prisão domiciliária.
Quem viu a mensagem transmitida por Juan Guaidó deve ter ficado perplexo, pois a cena tinha todo o aspecto de uma encenação mal preparada, com alguns elementos disfarçados de soldados e sem o anúncio de qualquer novidade mobilizadora do povo que, nestas coisas, gosta de ver soldados e marinheiros, autometralhoras, aviões no ar e helicópteros em movimento e, sobretudo, uma mão cheia de decididos salgueirosmaias.
 Contrariamente ao que acontece nas revoluções triunfantes, não houve uma tomada da Bastilha, nem uma revolta da guarnição de um qualquer couraçado Potemkin, nem tão pouco a ocupação de um qualquer Radio Clube Português ou o cerco a um qualquer Quartel do Carmo. Juan Guaidó confiou nessa arma que é o feicebuque, perdeu mais uma vez e limitou-se a chamar os seus apoiantes à rua, confiando na sua popularidade e convencendo-se, uma vez mais, que a queda de Maduro eram favas contadas.
A sua iniciativa foi chamada de golpe de estado, mas mais parece ter sido um golpe de comunicação impulsionado pelas redes sociais, pelos tweets e pelas fake news, que criaram muitas notícias fantasiosas e mentirosas, como a fuga de Maduro para a Rússia, a ocupação da base de La Carlota ou o apoio do general José Ferreira, que algumas declarações de responsáveis americanos mais desacreditaram. Foi um tiro de pólvora seca. Tudo parece ter-se resumido a um carro blindado, cujo condutor não resistiu à pressão e avançou sobre um grupo de manifestantes. É muito pouco para atirar abaixo o regime do Maduro, apesar da Venezuela continuar muito dividida.
Como hoje escreve o jornal colombiano Vanguardia, há incerteza e caos na Venezuela, mas Juan Guaidó parece já ter perdido mais uma batalha e ter tido apenas o mérito de acordar o país e o mundo do adormecimento em que a Venezuela tinha caído. Por isso, deixem-se destas brincadeiras, conversem e preparem eleições.

A nova febre (perigosa) das trotinetes

No Brasil chamam-lhe patinetes e tornaram-se uma verdadeira febre no Rio de Janeiro, conforme noticia o jornal O Globo, que acrescenta que estão a ser alimentadas novas estatísticas de acidentes, sobretudo nos fins de semana e nos feriados. Tem aumentado o número de acidentados que recorrem aos hospitais para o tratamento de fracturas e também já há muitos detidos por utilizarem as patinetes para roubar os transeuntes.
Aqui chamam-se trotinetes e essa febre também já assentou arraiais em Lisboa onde, nesta altura, há exactamente nove empresas - Lime, Bungo, Hive, Iomo, Voi, Tier, Flash, Wind e Bird – que exploram este negócio que, certamente, é muito lucrativo.
Todos os dias, entre as 7 e as 21 horas, os residentes e os visitantes de Lisboa com mais de 18 anos de idade podem encontrar e usar uma trotinete através de uma aplicação do seu telemóvel e é evidente que as trotinetes ajudam a cidade a reduzir o congestionamento de tráfego e as emissões de carbono, além de facilitarem a vida das pessoas.
Porém, parece não haver regras na utilização das trotinetes, porque embora ela se enquadre no Código da Estrada, a autoridades policiais não parecem estar a actuar na sua fiscalização de forma consistente. As trotinetes circulam por toda a parte e em todas as direcções, tendo-se tornado um perigo para os peões e para os automóveis e, tal como no Rio de Janeiro, também estarão a alimentar as estatísticas dos acidentes no espaço público urbano. São abandonadas pelos cantos da cidade e, lamentavelmente, não tardará que apareçam notícias de corridas de trotinetes pelas ruas e ruelas da cidade, nem de acidentes graves. A observação dos comportamentes dos trotineteiros não me permite outra previsão.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

O voto da Espanha e a incerteza do futuro

As eleições legislativas espanholas realizaram-se ontem e tiveram uma participação de quase 76%, a demonstrar o enorme interesse que despertaram. A vitória sorriu ao PSOE de Pedro Sánchez (28,8%), que quebrou um ciclo de onze anos a perder eleições legislativas e viu a sua representação parlamentar passar de 85 para 123 deputados, enquanto o grande derrotado foi o PP de Pablo Casado que passou de 137 para 66 deputados. Apesar deste resultado, o PSOE não tem maioria para governar e vai ter que negociar com os outros partidos.
Parece que se desenham duas hipóteses de coligação, que necessita de 176 deputados para se constituir como uma maioria estável: a primeira seria uma coligação entre o PSOE (123 deputados) com os Ciudadanos de Alberto Rivera (57 deputados), o que daria uma maioria de 180 deputados; a segunda hipotese seria uma coligação do PSOE com os Unidos Podemos de Pablo Iglésias (42 deputados), o que daria um total de 165 deputados. Esse número seria insuficiente para se afirmar como uma maioria e, nesse caso, o PSOE precisaria do apoio adicional de mais 11 dos 38 deputados que representam os oito menores partidos. Os analistas ainda não descartaram totalmente a possibilidade de uma eventual coligação pós-eleitoral entre o PSOE e o Ciudadanos, apesar dos dois partidos terem, antes das eleições, repetido que não se iriam aliar, preferindo associar-se a movimentos dentro do seu próprio bloco político, um de esquerda e o outro de direita.
A Espanha está politicamente fragmentada e o seu futuro é incerto e, como novidade, houve o aparecimento do Vox que representa a extrema-direita franquista que conseguiu 24 deputados.
Agora resta-nos esperar que Pedro Sánchez tenha êxito na formação de uma maioria que garanta a estabilidade da Espanha, o que será muito bom para Portugal.

sábado, 27 de abril de 2019

As piruetas e as ambições de um ex-juiz

Edição de 7 de Novembro de 2018 da revista Veja
Sérgio Moro é o Ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil desde o dia 1 de Janeiro de 2019 e veio a Portugal, um país onde todos os brasileiros são benvindos por circunstâncias históricas, culturais e emocionais.
A visita deste ex-juiz não teve grande repercussão na comunicação social portuguesa até ao dia em que um ex-primeiro-ministro português o acusou de ser medíocre, ser indigno e ser um activista político disfarçado de juiz, ao que o ministro respondeu com uma recusa “em debater com criminosos”.
A partir daí, os espaços de debate televisivo portugueses pegaram no tema e surgiu uma quase unanimidade na condenação das palavras de Sérgio Moro, que cometeu três erros graves:
- Como juiz porque chamou criminoso a alguém que ainda não foi acusado, nem julgado, nem condenado e, por isso, é inocente até prova em contrário.
- Como ministro porque comentou assuntos do foro interno da justiça portuguesa e, ainda por cima, quando se encontrava em território português.
- Como cidadão porque cometeu uma enorme falta de cortesia para com todos os portugueses ao insultar um cidadão português que ainda nem foi acusado e que apenas foi “condenado” por alguns jornais sensacionalistas que vivem dos escândalos.
Sérgio Moro revelou-se, portanto, um homem arrogante, impreparado e de uma chocante vulgaridade. O Brasil merecia muito mais. Foi ele que condenou o Presidente Lula da Silva e que o impediu de se bater com Bolsonaro. É um oportunista que envergonha o Brasil. De resto, a revista Veja já em 7 de Novembro de 2018 tratava Sérgio Moro como o homem da pirueta, isto é, o homem que depois de ter feito um grande servicinho como juiz, aceitou a recompensa de ser ministro e aparece agora cheio de ambição política. Sim, o Brasil merece melhor.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

A necessária evocação do 25 de Abril

Perfazem-se hoje 45 anos sobre “a madrugada que eu esperava” ou “o dia inicial inteiro e limpo”, como assinalam as inspiradas palavras de Sophia de Mello Breyner a propósito do dia 25 de Abril de 1974. Foi um dia memorável que saltou para as páginas da História e se tornou um referencial para muitos povos e para diferentes gerações que aspiravam pela liberdade.
Portugal e os portugueses, mas também os povos dos territórios coloniais então designados por províncias ultramarinas, estavam desde 1926 sujeitos a um regime autoritário, intolerante e repressivo, hostilizado pela comunidade internacional e incapaz de se renovar ou de compreender os ventos da História. Em 1974, após quase meio século de ditadura, eram chocantes os índices de obscurantismo e de subdesenvolvimento do país, havia medos e ameaças que nos cercavam por toda a parte e que moldavam as nossas mentalidades e instalara-se o cansaço por uma guerra dolorosa e sem sentido. O país ansiava por mudança e, no dia 25 de Abril de 1974, um grupo de militares organizado em torno do Movimento das Forças Armadas iniciou o desafio e a missão histórica de abrir as portas à democratização, à descolonização e ao desenvolvimento por que o povo ansiava. Não foram necessários tiros e o movimento que teve imediato apoio popular, tornou-se triunfante em poucas horas. O país transformou-se desde esse dia e a Europa e o mundo rejubilaram com o fim da “mais velha ditadura da Europa”. A partir de então, com a democratização e a descolonização, Portugal retomou o seu lugar no concerto das nações.
Hoje perfazem-se 45 anos sobre esse dia de libertação e de esperança que o jornal Público assinala. Viva o 25 de Abril!

segunda-feira, 22 de abril de 2019

O terrorismo regressou ao Sri Lanka

O Sri Lanka é uma ilha situada no sul do subcontinente indiano, mas também é um país com 65 mil km2 e 21 milhões de habitantes. Adquiriu a independência da Grã-Bretanha em 1948 mas, entre 1983 e 2009, veio a defrontar-se com uma violenta guerra civil que durou 26 anos e em que se envolveram o governo e os Tigres de Libertação do Eelam Tamil (LTTE), que lutou pela criação de um estado independente designado por Tamil Eelam, cujo território se localizava a norte e a leste da ilha. A guerra civil terminou com a vitória das tropas do general Sarath Fonseka. O país cuja população é budista (70%), hindu (13%), islamita (9%) e católica (8%), é favorecido por singulares belezas  naturais e parecia ter entrado numa via de paz e de progresso.
Porém, ontem, que era Domingo de Páscoa, verificaram-se oito explosões em hotéis de luxo e igrejas católicas localizadas em Colombo, Negumbo e Batticaloa, aparentemente provocadas por bombistas suicidas, que causaram pelo menos 290 mortos e 500 feridos.
Os ataques ainda não foram reivindicados e as autoridades cingalesas estão a ser muito prudentes nas suas investigações sobre o apuramento da verdade. Os comentadores portugueses trataram de apontar a autoria destes atentados para grupos jihadistas, eventualmente regressados do Médio-Oriente, embora os ataques tivessem sido condenados pelo Muslim Council of Sri Lanka. Porém, não se pode excluir que se esteja perante uma reaparição do LTTE, cerca de dez anos depois da sua derrota militar, até porque os alvos escolhidos e o método de ataque utilizado parecem ser os seus.  
A imprensa mundial noticia e condena estes bárbaros ataques. O jornal britânico The Guardian dedica toda a sua primeira página ao Sri Lanka e insere uma reportagem assinada por Amantha Perera, a sua correspondente em Colombo, em que são destacadas em caixa as declarações do ministro Harsha de Silva. Estes apelidos - Fonseka, Perera e Silva - revelam como foi grande a influência portuguesa naquele país da Ásia do Sul.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

O fim das boas viagens da Jet Airways

Jet Airways, que é uma das principais companhias aéreas indianas, suspendeu ontem todos os seus voos domésticos e internacionais devido a problemas financeiros, depois de não ter conseguido crédito para o pagamento do combustível e de outros serviços necessários à sua actividade operacional. No comunicado ontem emitido pela empresa é anunciado que a suspensão das operações de voo é temporária, mas poucos acreditarão nessa declaração, sobretudo os seus cerca de 20 mil funcionários onde se incluem mais de mil pilotos, que estarão há vários meses sem receber salários. A notícia da suspensão da actividade operacional da Jet Airways foi publicada por toda a imprensa indiana, incluindo o jornal Divya Bhaskar (દિવ્ય ભાસ્કર) que usa a indecifrável língua gujarati e se publica na cidade de Ahmadabad, que deu destaque de primeira página a essa notícia.
A Jet Airways é uma das grandes companhias aéreas da Índia e tem a sua sede em Mumbai, a antiga Bombaim, tendo sido fundada em 1992 por um milionário indiano. Dispõe actualmente de uma frota de 99 unidades, incluindo 67 Boeing 737 e onze modernos Boeing 777-300ER, que voam para 71 destinos internos e internacionais, incluindo Nova Iorque, Londres e Hong Kong.
Porém, parece que existe uma maldição que leva as companhias aéreas indianas à falência, pois a Jet Airways junta-se a algumas dezenas de companhias que não têm resistido à concorrência ou à má gestão, recordando-me da East-West Airlines, da Gujarat Airlines, da Indian Airlines, da Spice Jet Air, da Sahara Airlines e da Kingfisher Airlines, em que eu próprio voei algumas vezes, entre muitas outras que faliram. Agora com o encerramento da Jet Airways acabou-se aquela que eu sempre escolhia como a melhor companhia que me levava da Europa para a India e da Índia para a Europa, que me proporcionou sempre melhores voos do que aqueles que me foram servidos pela Lufthansa, pela British Airways, pela Swissair, pela Air France ou pela KLM.

A maior democracia do mundo vai a votos

A República da Índia é a maior democracia do mundo, constituindo um estado federal composto por 28 estados autónomos e sete Union Territories, sendo também a sétima maior economia mundial em termos de produto interno bruto nominal e o segundo país mais populoso do mundo.
Este ano a República da Índia realiza eleições gerais para o Lok Sabha, o parlamento nacional indiano que funciona em Nova Delhi, nas quais participarão cerca de 900 milhões de eleitores, incluindo cerca de 15 milhões que têm 18 ou 19 anos de idade, que vão escolher os 543 deputados nacionais. Significa que, depois, serão necessários 272 deputados para formar uma maioria de um partido ou coligação que escolherá o primeiro-ministro.
O processo eleitoral é muito complexo e, por exemplo em 2014 apresentaram-se ao sufrágio 8250 candidatos representando 464 partidos! As votações nos diferentes estados decorrem durante sete semanas e alguns estados já votaram no passado dia 11 de Abril, enquanto os outros estados votarão em outros dias até ao dia 19 de Maio, sendo os resultados finais anunciados no dia 23 de Maio. 
O Bharatiya Janata Party (BJP) e o Indian National Congress (INC) são as duas principais formações políticas entre as centenas de partidos que se apresentam nas eleições, mas de facto os eleitores vão escolher entre a recondução do actual primeiro-ministro Narendra Modi (BJP) e a eleição do seu principal oponente Rahul Gandhi (INC), o bisneto de Nehru e neto de Indira Gandhi que transporta consigo a tradição da família Nehru. Narendra Modi está no poder e representa o ultra-nacionalismo hindu, enquanto Rahul Gandhi representa a social-democracia e o secularismo religioso. Apesar de ter o favoritismo, Modi tem apelado ao voto com anúncios na primeira página dos principais jornais indianos, nomeadamente no Deccan Chronicle de Bangalore, onde refere o seu slogan de campanha eleitoral - a leadership that performs, reforms and transforms.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

As boas relações entre Portugal e Angola

Durante muitos anos, apesar da especial ligação histórica e de amizade entre os seus povos, as relações entre os governos de Portugal e de Angola foram tensas.
Porém, tudo parece ter entrado na normalidade das relações Estado a Estado e estão a viver-se tempos muito esperançosos com o aparecimento de novos protagonistas políticos que “enterraram o machado de guerra” e que estão a promover a desejada relação de amizade e de cooperação, que todos reconhecem ser de comum interesse para os dois países e para os seus povos. Primeiro foi a visita de António Costa a Angola (Setembro de 2018), a seguir foi a visita de João Lourenço a Portugal (Novembro de 2018) e, depois, foi a visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola (Março de 2019). Agora, quando a ministra da Justiça Francisca Van-Dúnem se desloca a Angola, essa visita não é mais que uma situação de rotina, a mostrar que as relações entre Portugal e Angola se estão a desenvolver com normalidade, na base de uma cooperação harmónica e frutuosa, como tanto desejam os angolanos e os portugueses. Por isso, a edição de hoje do Jornal de Angola destaca essa visita na sua primeira página.
Evidentemente que é a economia que tende a prevalecer nas relações entre os dois países mas, tanto em Luanda como em Lisboa, ninguém pode esquecer a importância do reforço dos laços afectivos que sempre existiram, inclusive no tempo colonial, derivados das afinidades culturais e do conhecimento mútuo entre os dois países, de uma história partilhada de bons e de maus episódios e, sobretudo, pela sua língua comum.
O futuro está realmente a construir-se “com grande articulação e harmonia”, como salientou em Luanda a ministra Francisca Van-Dúnem.