sábado, 22 de fevereiro de 2020

A integração portuguesa no Luxemburgo


Na sua edição de hoje o jornal luxemburguês Le Quotidien dedica um caderno especial aos portugueses que vivem no Luxemburgo que, segundo as estatísticas, são cerca de 80 mil e constituem cerca de 16% do total da população a viver no grão-ducado.
O jornal não permite o acesso aos seus textos sem que o interessado pague, o que é uma limitação para quem não esteja disposto ou não possa ir por esse caminho. Porém, deixa algumas frases como por exemplo “l’image de l’ouvrier reste trop ancrée” ou “des barrières restent à lever”, o que significa que a integração dos portugueses na sociedade luxemburguesa ainda padece dos mesmos estereótipos que, durante muitos anos, afectaram os emigrantes portugueses em França e que só agora começam a atenuar-se através de uma segunda geração que absorveu o modo de vida francês, se integrou na sociedade e hoje está presente na política, na economia e na cultura francesa.
O facto é que todos os emigrantes quando deixam o seu país levam consigo os hábitos, a cultura e o modo de vida que tinham no seu país de origem e, no país de acolhimento, tendem a aceitar os trabalhos mais modestos, o que lhes traça uma imagem percebida pela população local, sobretudo como operários da construção ou como pessoal dos serviços domésticos. Paralelamente, os emigrantes criam o seu próprio mundo, com os seus cafés, restaurantes, padarias, minimercados e empresas, mas também com as suas associações, clubes sociais, equipas de futebol e grupos folclóricos. Só muitos anos depois, com o aparecimento de uma segunda geração que já domina a língua e tem outro envolvimento com a comunidade local, é que a situação se altera.
A emigração portuguesa para o Luxemburgo foi mais tardia do que a que se dirigiu para França e, por isso, também essa integração tarda. No entanto, a associação L’Amitié Portugal-Luxembourg (Amitié.lu) já leva 50 anos de actividades no sentido da plena integração dos portugueses na sociedade luxemburguesa e, segundo refere o jornal, tem tido uma actividade muito meritória.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Um navio-fantasma que chegou à Irlanda


Um “navio-fantasma” de 77 metros de comprimento apareceu encalhado em Ballycotton, na costa sul da Irlanda, na sequência da tempestade Dennis que assolou a Europa na passada semana. O navio terá andado à deriva durante mais de um ano sem tripulação e percorrido milhares de quilómetros no oceano Atlântico. Segundo revela o jornal The Guardian o navio chama-se M/V Alta, foi construído em 1976 e, ao longo da sua vida, teve vários nomes e diferentes proprietários.
Em Setembro de 2018 o navio navegava da Grécia para o Haiti quando teve uma grave avaria pelo que ficou sem energia a bordo e, durante vinte dias, andou à deriva numa posição a cerca de duas mil milhas para sueste da Bermuda. Tendo sido detectado naquelas condições, a autoridade marítima americana tratou de lhe lançar comida por via aérea, mas como se aproximava um furacão, decidiu resgatar os seus dez tripulantes e levá-los para Porto Rico. Desde então, o M/V Alta ficou à deriva e sem tripulação.
Ao aparecer encalhado na rochosa costa sul da Irlanda, significa que o navio andou à deriva durante cerca de dezoito meses, tendo sido avistado apenas uma vez pelo HMS Protector da Royal Navy, o que mostra como é grande a vastidão do oceano ou como no mar cada um trata de si. Porém, o jornal deixa muitas interrogações para serem resolvidas, sobretudo saber quem é o proprietário do navio, qual a sua carga na altura em que foi abandonado e como foi possível que quem resgatou a sua tripulação deixasse o navio à deriva e a constituir um “perigo para a navegação”.
É mesmo um caso de navio-fantasma.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A Venezuela de Maduro ataca a TAP

A Venezuela é um grande problema internacional devido à grave situação económica e à instabilidade política por que passa, pois enquanto meio mundo está ao lado de Nicolas Maduro, o outro meio mundo apoia Juan Guaidó, o auto-proclamado presidente do país. Internamente, a situação também é complexa pois não se conhecem exactamente os apoios que tem cada uma destas facções.
Acontece que na Venezuela vivem três centenas de milhar de portugueses e de luso-descendentes e, por isso, a questão venezuelana é importante para Portugal que, com sensatez e prudência, tem acompanhado as posições da União Europeia e tem evitado criar fricções com as autoridades venezuelanas. Apesar disso, a Venezuela decidiu ontem suspender as operações da TAP por 90 dias nos seus aeroportos, com o argumento de ter havido irregularidades no voo TP173 que ligou Lisboa a Caracas e de ser necessário “proteger a segurança da Venezuela”. Hoje a notícia merece grande destaque na imprensa venezuelana, nomeadamente no El Periodiquito que se publica em Maracay, no estado de Aragua.
Depois de um périplo político pelos Estados Unidos e pela Europa, Juan Guaidó regressou à Venezuela no referido voo da TAP, sendo acompanhado por um tio. À chegada a Caracas foi esperado por manifestações de apoio e as autoridades chavistas não gostaram, pelo que acusaram a TAP de ter ocultado a sua identidade e de ter permitido que o seu tio transportasse material explosivo em diversos objectos.
Quer a TAP, quer o governo português, já mostraram a sua surpresa por esta iniciativa do regime de Maduro que, naturalmente, afecta os portugueses que vivem na Venezuela e vão ser vítimas desta evidente provocação de Nicolas Maduro a Portugal.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Outra viagem presidencial, agora à Índia


O Presidente da República de Portugal gosta de ser apreciado interna e externamente e não perde nenhuma oportunidade. Agora foi em visita oficial à Índia porque assim o exige a sua função de representação e essa visita tem que ser vivamente saudada. Embora não estejam isentos de controvérsias, os laços históricos entre os dois países são muito antigos e o facto é que em algumas regiões da Índia, nomeadamente na costa do Concão, há fortes sinais da herança cultural portuguesa. Porém, nas visitas que os portugueses fazem à Índia, o ponto central é sempre Goa e com a visita do Presidente da República, não poderia ter sido diferente.
Goa foi a capital do Estado da Índia e, no século XVI, “governava” a navegação e o comércio da orla do oceano Índico desde Moçambique até à China. Seguiram-se cerca de quatro séculos de “presença” que deixaram um património construído de raíz religiosa e militar mas, sobretudo, uma presença cultural que tem resistido à indianização. Hoje, a matriz cultural portuguesa e em especial a língua portuguesa, estão em acelerado retrocesso e são pouco mais do que uma memória. O português nunca foi a língua franca de Goa e agora está realmente a desaparecer, até porque as novas gerações não encontram nela qualquer sentido de utilidade. No entanto, as marcas lusas estão lá e, como disse o Presidente, "ninguém percebe bem o que é ser português sem vir a Goa". É realmente assim.
A visita presidencial foi, naturalmente, uma visita de afectos às poucas centenas de "portugueses de Goa" e das selfies de que tanto gosta, mas seria desejável que se fizesse mais do que tem sido feito para assegurar que a memória portuguesa não se perdesse em Goa. E há muito para fazer, desde a protecção religiosa que por vezes parece ameaçada pelas hostes mais radicais do partido de Narendra Modi, até à desburocratização das actividades consulares em que a obtenção de um visto turístico exige uma ilimitada paciência de quem o procura.
Finalmente, porque tudo é pago com os meus impostos, volto a perguntar porque razão o Presidente se faz acompanhar de tanta gente nestes passeios que não são nada baratos.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

O projecto de reunificação das Irlandas


A saída do Reino Unido da União Europeia que se concretizou há duas semanas continua a causar apreensões, sobretudo em relação à unidade do Reino Unido. Em primeiro lugar está a Escócia, onde a primeira-ministra Nicola Sturgeon reclama a realização de um referendo para a independência, porque Boris Johnson não estava mandatado pelos escoceses para tirar o seu país da União Europeia. Em segundo lugar está a Irlanda do Norte onde o Sinn Féin, o centenário partido nacionalista irlandês liderado por Mary Lou McDonald, venceu pela primeira vez as eleições legislativas realizadas no passado sábado, com um programa que defende a unificação da Irlanda e a realização de um referendo para a unificação das Irlandas num prazo de cinco anos.
Nestas questões, a História está sempre presente. A República da Irlanda conquistou a independência em 1922 e fixou a sua capital em Dublin, mas dos 32 condados que existiam na ilha, houve seis que preferiram ficar ligados à Grã-Bretanha e formaram a Irlanda do Norte, com a sua capital em Belfast.
A Irlanda do Norte viveu sempre sob grande tensão entre os unionistas (ligados à Grã-Bretanha) e os nacionalistas (ligados à Irlanda). Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 o território viveu numa clima de guerrilha urbana e de quase guerra civil entre as duas facções dominantes, por vezes chamadas de católicos e protestantes.  
O facto é que 62% dos escoceses votaram contra o Brexit, enquanto na Irlanda do Norte também 55,8% não queriam sair da União Europeia. Hoje, a edição do The Economist analisa a questão de um eventual referendo na Irlanda do Norte visando a unificação do país, tal como era em 1922.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Uma nau histórica para servir de museu

Realizou-se ontem nos estaleiros Palmás em Punta Umbría, nas vizinhanças da cidade de Huelva, o lançamento à água de uma réplica da nau Victoria, isto é, da única das cinco naus da frota de Fernão de Magalhães que tendo partido de Sanlúcar de Barrameda em 1519 conseguiu terminar a volta ao mundo em 1522, então com Juan Sebastian de Elcano no comando. A nau Victoria demorou 3 anos e 14 dias a percorrer cerca de 37.753 milhas e a completar a sua viagem de circumnavegação e, quando chegou ao fim dessa histórica viagem, trazia a bordo apenas 18 homens.
Esta réplica é a segunda que se constrói, mas enquanto a primeira foi construída em 1991 para navegar em 1992 durante as Comemorações da Viagem de Cristóvão Colombo, esta nova réplica que foi baptizada como Victoria 500, não foi concebida para sulcar os mares mas apenas para servir como um museu flutuante atracado em Sevilha para celebrar a primeira volta ao mundo. A nau Victoria simboliza esse feito marítimo e científico que foi a viagem de circumnavegação e é pena que em Portugal não se tenha uma iniciativa semelhante que servisse para mostrar aos milhões de turistas que nos visitam um pouco do nosso pioneirismo na abertura do mundo que, naturalmente, teve grandes benefícios para a Humanidade, embora também tivesse outras coisas menos boas. O Diário de Sevilla deu um grande destaque a esta notícia, tal como a generalidade dos jornais da Andaluzia.
Agora que já se iniciaram as obras de integração da antiga Doca da Marinha na paisagem marítima da cidade de Lisboa, que bem que ali ficaria a última nau da Índia, bem conservada e bem iluminada, em vez de estar escondida em Cacilhas onde poucos a vêm.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Ricardinho, a grande estrela do futsal

Por razões históricas de ordem diversa, Portugal só se começou a modernizar há pouco tempo e como consequência disso, em diversos sectores de actividade, começou a surgir gente de muito talento, havendo mesmo quem se tenha destacado a nível mundial. Na Política é costume citarem-se os nomes do secretário-geral das Nações Unidas, do presidente da Comissão Europeia ou do presidente do Eurogrupo, enquanto na Cultura são referidos habitualmente os nomes de José Saramago, de Paula Rego ou de Siza Vieira. Porém, no desporto e em especial no futebol, a lista começa a ser extensa com o famoso Cristiano Ronaldo à cabeça. Porém, nem todas estas personalidades têm direito a aparecer nas primeiras páginas dos jornais, como aconteceu ontem com Ricardo Filipe da Silva Braga, mais conhecido no mundo do futsal por Ricardinho, a quem o jornal francês L’Équipe dedicou a sua primeira página, o que significa que mais de 300.000 fotografias dele foram distribuídas por todo o país, o que naturalmente enche de orgulho os portugueses que vivem em França.
Ricardinho é uma superestrela e foi eleito o melhor jogador de futsal do Mundo em 2010, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, tendo jogado em clubes portugueses (Miramar e Benfica), japoneses (Nagoia Oceans), russos (CSKA Moscovo) e espanhóis (Inter Movistar). Agora vai jogar num clube francês (Asnières) e, certamente, vai mostrar a sua arte nos recintos franceses e entusiasmar os seus compatriotas. Portanto, que viva o Ricardinho!

sábado, 8 de fevereiro de 2020

A esquerda anda à deriva no Brasil

A revista Veja destaca na sua última edição a situação em que se encontra a esquerda política no Brasil e ilustra a notícia com um navio chamado PT a afundar-se e com o timoneiro Lula da Silva ainda agarrado ao leme. Esta é uma das possíveis imagens da crise brasileira pois mostra que não há alternativa ao poder agora instalado em Brasília.
É preciso recordar que a actual crise política que afecta o Brasil se começou a desenhar em Agosto de 2016, quando a presidente Dilma Rousseff foi afastada do seu cargo, num processo em que o seu maior crime foram as “pedaladas fiscais”, uma expressão que em Portugal corresponde a uma habilidade chamada contabilidade criativa. Nunca ninguém se convenceu que o impeachment que a destituíu não foi um golpe urdido pela direita brasileira que utilizou deputados e senadores, muitos deles com graves acusações criminais. Depois, em Abril de 2018, aconteceu a condenação do ex-presidente Lula da Silva com 17 anos de prisão e as hostes da esquerda brasileira entraram em estado de choque, por verem o seu ídolo encarcerado. Seguiram-se as eleições presidenciais e, sem Lula da Silva na corrida, em Outubro de 2018, foi eleito Jair Bolsonaro que bateu Fernando Haddad com 55% dos votos. 
Com Bolsonaro as coisas parece não correrem bem no Brasil, mas o ponto fulcral da política brasileira não é saber se o país progride ou não, mas saber se Lula da Silva é mesmo corrupto ou se foi vítima de mais um golpe desferido pelos procuradores e juízes envolvidos no gigantesco escândalo de corrupção em torno da empresa pública Petrobras. O sistema democrático assenta na existência de um mínimo de duas alternativas e na possibilidade de alternância no poder mas, desde 2016, a esquerda brasileira está à deriva o que torna o sistema político-partidário brasileiro menos democrático, mais débil, menos fiável e cada vez mais ocupado por dirigentes pouco escrutinados e sem ética.

Madrid e Barcelona já estão a conversar


A conflitualidade e a tensão que se têm verificado nos últimos meses entre o governo de Espanha e o governo regional da Catalunha, parecem estar a entrar agora no caminho do diálogo institucional, coisa que não acontecia nos tempos de Mariano Rajoy e de Carles Puigdemont. Depois das intransigências de um e das tentativas de insurreição popular do outro, parece estar aberto um caminho de sensatez e de diálogo, embora para alguns o governo de Pedro Sanchéz esteja a ir longe demais e, para outros, se esteja apenas a abrir uma porta.
O encontro entre Pedro Sanchéz e Quim Torra, o presidente do governo regional da Catalunha, foi cordial e dele saíu a criação de uma comissão bilateral para estudar as reivindicações catalãs. Foi um bom passo. Num outro encontro entre Pedro Sanchéz e Ada Colau, a presidente do município de Barcelona, surgiu o reconhecimento da co-capitalidade cultural e científica da cidade de Barcelona. Foi outro bom passo. Significa, portanto, que Madrid e Barcelona já estão a conversar. 
O jornal La Vanguardia refere hoje esta grande notícia mas, com fotografia de primeira página, também destaca a descoberta de uma “Altamira catalana”. Trata-se de algumas grutas situadas em l’Espluga de Francolí (Tarragona), com cerca de um cento de figuras gravadas na pedra que representam veados, cavalos, bois e alguns símbolos abstractos, que terão cerca de 15 mil anos. Esta datação converte este santuário da arte rupestre no mais antigo testemunho do Paleolítico na Catalunha, torna-o comparável às grutas cantábricas de Altamira e é um dos mais antigos de toda a área mediterrânica.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Rasgas tu, ou rasgo eu?… a polémica!


Menos de 24 horas depois de Nancy Pelosi ter rasgado o discurso de Donald Trump sobre o estado da União, Donald Trump foi absolvido pelo Senado das acusações que sobre ele pendiam e coube-lhe a vez de rasgar o documento de impeachment, o que significa que o rasgar papéis em frente das câmaras de televisão entrou na agenda política americana.
Sobre Donald Trump pendiam duas acusações. A primeira acusação por ter pressionado o presidente da Ucrânia para investigar o seu concorrente político Joe Biden, tendo Trump vencido essa votação por 52 a 48; a segunda acusação fundamentava-se numa obstrução ao Congresso, cuja votação Trump também venceu por 53 a 47. Ora, para que o impeachment acontecesse eram necessários dois terços dos votos (67) e os votos conseguidos pela acusação não foram além de 47 e de 48. Portanto, o resultado final já era esperado, mas esta disputa entre Democratas e Republicanos veio mostrar que a perversidade política existe por todo o mundo.  
Depois de várias semanas de alguma incerteza, Donald Trump foi declarado inocente, mantém-se na Casa Branca e ficou cheio de força... ou não, para a corrida presidencial que já está em andamento, faltando saber quem vai ser o seu adversário directo. A partir de agora todos os americanos vão olhar para a campanha eleitoral que, mais do que uma escolha entre projectos políticos, é um grande espectáculo de som, luz e cor. É natural que o Donald se sinta confiante e fortalecido com o que se passou nas últimas horas e a sua reeleição parece ser agora mais provável do que antes. A preocupação do mundo vai aumentar perante o que está a acontecer na América.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Na política americana também há tensão


O Congresso dos Estados Unidos reuniu ontem em Washington as suas duas Câmaras – o Senado e a Câmara dos Representantes - pois era o dia do discurso do presidente sobre o Estado da União e, segundo as notícias veiculadas pela imprensa, a cerimónia começou mal. 
Quando Donald Trump chegou ao local onde iria ler o seu discurso, quebrou o protocolo ao cumprimentar apenas o vice-presidente Mike Pence e ao ignorar a democrata Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes, que lhe tinha estendido a mão. Depois, Trump leu o seu discurso no qual fez o seu próprio elogio e em que disse que os Estados Unidos estavam agora mais fortes do que nunca e que a sua Administração teve um grande sucesso económico ao reverter as políticas do anterior governo de Barack Obama e ao acabar com a mentalidade de declínio dos Estados Unidos. O tom comicieiro esteve presente em todo o discurso, pois foi um pretexto para o lançamento da sua corrida presidencial, pelo que foi muitas vezes aplaudido pelas bancadas republicanas com gritos de “mais quatro anos”.
Acontece que o pior estava para vir, pois Nancy Pelosi é a responsável pela abertura do processo de impeachment que está a decorrer contra Trump e daí a tensão que esteve sempre presente naquela sala. Por tudo isso, Nancy Pelosi respondeu a Donald Trump no fim, pois enquanto o presidente era aplaudido, ela levantou-se e, diante de todos e em directo pela televisão, rasgou o que seria uma cópia do discurso. De uma forma geral, a imprensa condena Pelosi, provavelmente porque não viu ou não quis ver a falta de educação democrática de Trump ao deixar a presidente da Câmara dos Representantes de mão estendida.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

The race for the White House: day 1.


A corrida para as eleições presidenciais americanas, que se realizam no dia 3 de Novembro de 2020, começou hoje no Iowa, onde estão a realizar-se as eleições primárias do Partido Democrata. 
Nessa eleição vão ser escolhidos os delegados do Partido Democrata que tomarão parte na convenção nacional que, por fim, escolherá o seu candidato presidencial. Porém, enquanto do lado do Partido Republicano se encontra Donald Trump à procura de uma reeleição, embora possa vir a ter alguns concorrentes mais ou menos quixotescos como Bill Weld, o antigo goverrnador de Massachusetts, do lado do Partido Democrata há por agora 24 candidatos com idades entre os 37 e os 89 anos, com um númerro recorde de mulheres, com alguns candidatos originários das minorias e com posições ideológicas muito diferenciadas, umas bem moderadas e outras muito radicais. Segundo algumas sondagens que a edição do New York Post hoje divulga, os favoritos parecem ser Joe Biden, Bernie Sanders e Elisabeth Warren, mas ainda é muito cedo para fazer previsões. As eleições no Iowa são bem curiosas, pois não são utilizados os tradicionais votos que se metem numa urna, sendo as escolhas feitas em assembleias. Serão 1.678 assembleias ou caucus em todo o estado (um processo que também acontece no estado de Nevada), que se realizam em espaços como bibliotecas, ginásios, igrejas e sindicatos, nas quais participam as pessoas com 18 anos completos até ao dia 3 de Novembro e em que, mais ou menos por braço no ar, são escolhidos os delegados do partido.
As eleições presidenciais americanas não são apenas um assunto da política interna americana, pois interessam a todo o mundo.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

As singulares mensagens dos ‘graffiti’

Lisboa - Alameda Dom Afonso Henriques
Os graffiti são simples textos ou desenhos feitos nas paredes ou em outras superfícies, por vezes com grande arte e criatividade, mas que são práticas artísticas marginais que sujam e poluem a paisagem urbana, os monumentos, os edifícios e os transportes públicos. Porém, há que reconhecer que os graffiti estão na moda e, nalgumas situações, surpreendem mesmo os mais avessos a este tipo de mensagens, umas vezes pela sua qualidade artística, outras vezes pelo conteúdo da sua mensagem e outras, ainda, pelo humor que nos transmitem.
Na alameda Dom Afonso Henriques e nas proximidades da Fonte Luminosa, em Lisboa, encontra-se uma dessas mensagens que nos atraem, não tanto pelo seu teor anarquista, em que o autor se afirma contra toda a autoridade imposta pelas estruturas do Estado ou da Sociedade, mas em que aceita com reverência a carinhosa autoridade da sua mãe – contra toda a autoridade excepto a da minha mãe.
Esta mensagem é inteligente e bem humorada e, por isso, aqui a destaco.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Um futuro de incerteza na ‘small island’


Dentro de poucas horas vai concretizar-se a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, o tal Brexit de que se falou durante tanto tempo e que metade dos britânicos queria, mas que a outra metade não queria. 
Alguma imprensa internacional destaca hoje esse assunto e aborda-o de muito diferentes maneiras, desde uma quase indiferença traduzida por um bye, bye ou um l’adieu, até a um bem afirmativo acordo com um triunfante yes, we did it, passando por situações intermédias que parecem prever ou desejar um regresso em tempo não muito longo, com frases como see you later ou, ainda, farewell, not goodbye.
Esta decisão, como foi repetidamente afirmado, é má para a Grã-Bretanha e é má para a Europa, podendo criar situações muito difíceis para as duas partes, apesar de ambos jurarem que vão ficar amigos para lá deste divórcio. Porém, parece evidente que os britânicos vão ser mais penalizados, não só porque se transformaram na small island a que se refere a edição de hoje do The Guardian, mas também porque correm o risco de se desintegrarem e acabarem com o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, que existe desde 1801. Os mentores deste divórcio sempre contaram com o amigo americano, mas esquecem-se que as solidariedades anglo-americanas de há setenta anos têm sido cada vez mais substituídas por interesses.
Os tempos que aí vêm são de muita incerteza. Os britânicos que apoiaram este divórcio, depois de 47 anos de união com a Europa, não estão alinhados com os sinais dos tempos e parece quererem reactivar o seu orgulhoso passado vitoriano e imperial, mas serão  esses mesmos sinais dos tempos que lhes vão mostrar que sem a Europa não passarão de uma small island.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Calatrava e a arquitectura de Valência

Santiago Calatrava é um arquitecto e engenheiro espanhol que nasceu em 1951 na cidade de Valência e que é, actualmente, um símbolo maior da arquitectura mundial, pelo seu carácter inovador nas formas e nos materiais que utiliza, em especial o vidro e o aço, mas também pelo arrojo com que estuda as suas soluções a partir de métodos matemáticos e informáticos.
As obras de Santiago Calatrava integram-se na chamada “arquitectura-espectáculo” e, por vezes, parecem desafiar as leis da Física, mas estão hoje espalhadas por muitos países europeus, pelos Estados Unidos, Canadá, Argentina e Brasil, destacando-se mais de quarenta pontes que são classificadas como verdadeiras obras de arte. Em Portugal, Santiago Calatrava deixou a sua marca em 1998 na monumental Gare do Oriente, em Lisboa, cuja cobertura de vidro está equilibrada sobre colunas que se assemelham a um enorme palmar.
Na sua cidade natal de Valência, o arquitecto Santiago Calatrava ergueu a Cidade das Artes e das Ciências, um impressionante complexo arquitectónico formado por oito gigantescas construções, entre elas o Planetário em formato de olho humano adornado com gigantescas pálpebras de aço, um Oceanário e o Palácio das Artes Rainha Sofia.
Hoje o jornal valenciano Las Provincias destaca na sua primeira página a fotografia de Pedro Luis Ajuriaguerra, o fotógrafo espanhol que venceu o Art of Building, um concurso anualmente organizado pelo Chartered Institute of Building do Reino Unido. Ajuriaguerra fotografou o Museu da Ciência, um dos edifícios integrado na Cidade das Artes e das Ciências utilizando o reflexo do edifício para dar a aparência de um estranho tipo de peixe, pelo que deu o título Fish à sua fotografia. É uma fotografia realmente espectacular, bem ao nível da criatividade de Santiago Calatrava.