terça-feira, 2 de outubro de 2012

Entre a injusta legalidade e a imoralidade

O jornal i destaca hoje em primeira página que 17 ex-administradores da Caixa Geral de Depósitos recebem dois milhões de euros em reformas, embora a maioria continue no activo e a servir grandes empresas privadas. Certamente que não beneficiam de qualquer ilegalidade, mas seguramente que beneficiam de muita imoralidade. Trata-se de indivíduos que ocuparam lugares na administração da CGD por fidelidade partidária e não por mérito, independentemente de o terem ou não. Alguns deles não tinham qualquer formação ou experiência bancária. Muitas vezes não se sabe como essa gente chegou a esses posições, nem se procuraram apurar as suas responsabilidades nos descalabros, nas negociatas e nos favorecimentos em que a CGD esteve envolvida.
Mas a imoralidade não está apenas na CGD. Está também na EDP, na PT, na GALP, na CIMPOR, na LUSOPONTE, na MOTA-ENGIL e algumas outras empresas. São ex-ministros e ex-gestores públicos que se movem por aí, sem serem responsabilizados pelo que fizeram ou não fizeram no exercício de funções públicas. São um exemplo do proteccionismo de que beneficiam muitas figuras e alguns figurões da nossa República que, como agora se vê, fazem parte do grupo dirigente que têm conduzido a gestão do Estado e de algumas empresas públicas à melindrosa situação em que hoje se encontram.
Numa altura em que estão a ser cortadas as pensões de milhares de portugueses e já se anunciam novas medidas de austeridade, esta gente não tem vergonha nenhuma e, sem qualquer moralidade, acumula. Com este tipo de exemplos não sairemos desta situação e só aumentará a contestação e a revolta.



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dia Mundial da Música

Hoje, dia 1 de Outubro, é o Dia Mundial da Música, uma data instituída em 1975 pelo International Music Council (IMC), uma organização não governamental criada pela UNESCO, que agrega a maior rede mundial de organizações, instituições e indivíduos que trabalham no campo da música, com o objectivo de promover a diversidade e o acesso à cultura musical para toda a gente.
O Dia Mundial da Música é cada vez mais celebrado em Portugal, como resposta ao interesse cada vez maior pela música e ao crescente número de escolas, conservatórios, academias musicais e bandas filarmónicas que, por todo o país, formam novos praticantes musicais. Muitas instituições, com particular destaque para as autarquias, promovem eventos musicais muito diversificados, não só sob a forma de concertos e recitais, mas também com outros tipos de apresentações, que traduzem um maior interesse pela música. Neste Dia a música toma conta de muitos palcos e ruas, quer na sua expressão erudita, quer popular. Não é apenas no Teatro Municipal de São Luiz, na Casa da Música, no Teatro Micaelense, no Museu do Oriente, no Centro Cultural Vila Flor de Guimarães, no Teatro Municipal Baltazar Dias no Funchal ou no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz. Muitos clarinetes, violas, violinos, trombones, violoncelos, trompetes, saxofones e flautas ouvem-se neste Dia e muitos jovens alunos das academias da música são apresentados ao público.
O Dia Mundial da Música vai ser celebrado em Almeirim, Peniche, Beja, Vila Nova de Gaia, Trofa, Póvoa de Varzim, Horta, Tavira, Viseu, Braga Cascais, Ribeira Grande, Alcobaça, Montijo, Alenquer, Santarém, Aveiro, Coimbra, Pombal, Angra do Heroísmo, Portalegre e muitas mais cidades e vilas portuguesas, a lembrar que há muitas coisas que correm bem em Portugal.

domingo, 30 de setembro de 2012

Está na hora de aprender português

A revista Monocle – A briefing on global affairs, business, culture & design, já distribuiu a sua edição 57 (Outubro de 2012) que é especialmente dedicada à Generation Lusophonia: why Portuguese is the new language of power and trade. São cerca de 250 páginas e, apesar de ainda não ter visto a revista, tive a oportunidade de consultar a respectiva website e ler os resumos de alguns dos seus artigos, mas também alguns comentários feitos por quem já a leu. Em vários desses artigos fala-se de Lisboa e Brasília, Maputo e Luanda, Macau e Rio de Janeiro. Mas também do Porto, do estuário do rio Sado e de Coruche, da família Amorim e da maior indústria corticeira do mundo, de Álvaro Siza Vieira e da arquitectura nacional, da Comporta e de um local que ainda está a salvo do cimento e, de forma especial, dos Açores. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é o pano de fundo desta iniciativa editorial, que contempla outros temas como a língua portuguesa, o acordo ortográfico, a nova onda migratória, os novos negócios e as novas oportunidades. Steve Bloomfield, o editor de assuntos estrangeiros da Monocle justificou a escolha do tema referindo que “sentimos que o mundo lusófono é muitas vezes ignorado pelos outros e era altura de alguém reparar em países que estão a crescer economicamente e onde estão a acontecer coisas fantásticas”, concluindo que “está na hora do resto do mundo começar a aprender um pouco de português”. Num tempo de crise e de enfraquecida confiança é seguramente animadora esta leitura. Espero encontrar rapidamente a revista e recomendo que também o faça.

 

A arrogante teimosia do assessor Borges

O assessor Borges é completamente desprovido de tacto social e é um especialista em frases muito infelizes, absolutamente indesculpáveis a quem se julga uma figura de Estado. Ninguém votou nele. Não tem que ouvir apupos, nem enfrentar manifestantes. Não tem que gerir orçamentos apertados, nem tem que arranjar lugares para os amigos. Não se percebe exactamente qual o seu papel no meio de tudo isto. Exerce funções públicas, mas acumula com funções e interesses privados, o que significa que gosta da promiscuidade. Assume uns ares de arrogância e de superioridade académica intoleráveis, que nos agridem. Parece tratar-se do "ministro sombra" das privatizações, mas há a suspeita de que só não foi para o governo por não conseguir viver com o salário de ministro. No entanto, tem cobertura do nosso primeiro e até há quem diga que ele é que manda.
Há tempos foi noticiado que o assessor Borges teve em 2011 um salário de 225 mil euros e beneficiou do estatuto de isenção de IRS, enquanto funcionário do FMI, mas defende que é urgente a diminuição de salários… dos outros. Foi ele que apresentou o modelo de privatização da RTP que foi veementemente contestado, mas não apareceu ninguém a desautorizá-lo. Agora veio dizer que os empresários que criticaram a taxa social única são ignorantes e, naturalmente, caiu o carmo e a trindade.
Pessoalmente estou farto do Borges e da sua arrogância. Ele poderá ter brilhado em Stanford, ter andado pelos corredores da Goldman Sachs e até saber algumas coisas de economia, mas aqui é um poço de ignorância social, que desconhece o que é o trabalho, a dificuldade e o esforço. Nós não precisamos de gente desta – estou também a pensar no outro da CGD que ameaçou pirar-se – que são uns sacadores e não percebem a nossa realidade social, nem a nosso tecido empresarial. Emigrem por favor!

sábado, 29 de setembro de 2012

A França está a atravessar tempos difíceis

As dificuldades financeiras por que passam a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, também afectam, em maior ou menor grau, os restantes países da zona Euro. Agora é a França que revela essas mesmas dificuldades e que anuncia “um esforço histórico de rigor orçamental”, como revela o Le Monde, numa tentativa para impedir que o país sofra ainda mais com a crise financeira europeia. O objectivo é diminuir o seu défice orçamental de 4,5% para 3%, inverter o ritmo de crescimento da sua dívida pública que já atingiu 91% do PIB, reduzir o desemprego que já ultrapassa os 3 milhões de pessoas e relançar a economia de forma a travar o actual ciclo de recessão. O plano prevê um ganho orçamental global de 36,9 mil milhões de euros por aumento de impostos e por reduções de despesa. Uma das medidas adoptadas é o aumento dos impostos para os mais ricos e para as grandes empresas, com o aumento para 75% da tributação sobre os rendimentos superiores a um milhão de euros e um novo imposto de 45% sobre os rendimentos superiores a 150 mil euros.
O presidente Hollande e o primeiro-ministro Ayrault querem inverter o ciclo recessivo, mas mostram-se atentos à realidade social francesa e não adoptam modelos experimentais. Colocam as pessoas em primeiro lugar e protegem as classes de menores rendimentos. Sabem que a perda de rendimentos e o próprio medo de perder os empregos, levam à redução do consumo e que, nessas condições, as empresas vendem menos, não fazem novos investimentos, são obrigadas a despedir pessoas e também não exportam mais, porque os habituais compradores também estão a passar por problemas muito parecidos.  
Como é diferente daquilo que se passa por aqui, em que se insiste em receitas que já provaram estar erradas e que fazem lembrar os tempos do "orgulhosamente sós".

Olivença é uma cidade que espera por nós

A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, foi eleita "O Melhor Recanto de Espanha 2012", num passatempo promovido na Internet pela petrolífera Repsol. Num país cujo património edificado é impressionante e que faz de cada povoação um verdadeiro “museu ao ar livre”, a escolha dos internautas não tem qualquer significado especial, apesar de, segundo informação divulgada pelo Turismo de Olivença, a igreja datar da primeira metade do século XVI e ser considerada uma jóia oliventina e do património manuelino português, pela sua riqueza em azulejos, talha dourada e motivos decorativos marítimos, que nos remetem para a época dos Descobrimentos portugueses. Foi mandada construir para servir como templo do local de residência dos bispos de Ceuta, tendo sido estreada por Frei Henrique de Coimbra, que foi confessor do rei D. Manuel e o primeiro padre que celebrou uma missa no Brasil.
Influenciado pela eleição da igreja da Madalena, o Jornal i anuncia em primeira página que em Olivença “as marcas de Portugal resistem ainda e sempre à ocupação” e insere um interessante artigo sobre Olivença/Olivenza, realçando as marcas portuguesas no património, na toponímia, na música e nas danças, na gastronomia e na cultura popular. Os oliventinos são o produto de uma mistura de duas culturas e, em maior ou menor grau, todos os oliventinos têm ascendência portuguesa - “um oliventino não é português nem espanhol, é oliventino”. O alcaide da cidade de 12 mil habitantes defende que “se um dia Portugal e Espanha se unirem, a capital será Olivença”. Com estas referências, certamente que muitos portugueses procurarão conhecer a cidade que foi anexada em 1801 e que Portugal não reconhece como espanhola.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Açores: as eleições e as promessas

A difícil situação que atravessamos tem evidenciado uma grave irresponsabilidade de gestão em muitos sectores do Estado que, muitas vezes, tem servido objectivamente para assegurar a manutenção do poder ou para satisfazer interesses particulares em desfavor do interesse público. Esta situação tem sido denunciada como ausência de ética de serviço público, corrupção, promiscuidade entre interesses públicos e privados, peculato, violação de normas de execução orçamental, vantagem patrimonial, etc. Essa anomalia acontece com elevada impunidade a nível nacional, regional e local, tendo conduzido a uma distorção entre aquilo que os políticos prometem e aquilo que fazem, depois de serem eleitos. Foi sempre assim, mas parece que nos últimos anos essa distorção se acentuou, apesar dos eleitores estarem cada vez mais esclarecidos e mais atentos. Daí tem resultado uma maior desconfiança do povo em relação aos políticos e às suas promessas e, por isso, são cada vez mais classificados como mentirosos. Nos últimos meses o discurso político deteriorou-se, agravou-se e tornou-se mais caricato, porque se desmente agora, aquilo que tinha sido prometido há poucas semanas.
Na Região Autónoma dos Açores vão ser realizadas, no próximo dia 14 de Outubro, as eleições para a Assembleia Legislativa. A pré-campanha eleitoral já começou e, na difícil situação que atravessamos, esperava-se mais esclarecimento e grande contenção nas promessas. Porém, de entre os cartazes já afixados, destaca-se a habitual promessa de mais empregos e esta novidade: viagens mais baratas.
Ainda haverá alguém que em 2012 dê crédito a este tipo de promessas?

A Catalunha e a "quimera soberanista"

O separatismo catalão tem raízes históricas seculares e, de vez em quando, acorda e manifesta-se, como acontece agora em clima de recessão económica, quando o governo catalão se viu na necessidade de pedir ajuda ao governo espanhol para pagar aos funcionários públicos, aos fornecedores e o serviço da sua dívida de 42 mil milhões de euros. Na sua ânsia autonomista a Catalunha deslumbrou-se, foi longe demais e criou um super-Estado que acumulou dívidas e elevados custos de gestão mas, apesar de limitado pelas restrições do défice e da dívida, o governo de Madrid afirmou estar pronto a prestar essa ajuda. Porém, o governo catalão afirmou não aceitar quaisquer condições políticas e exigiu um pacto fiscal que nacionalize as receitas fiscais catalãs, o que objectivamente corresponde à rejeição da solidariedade com as outras regiões espanholas. A manifestação de 11 de Setembro, inicialmente de luta contra a crise, transformou-se num ajuste de contas com o governo central e num veemente apelo à independência catalã. Perante os factos ocorridos, o Rei João Carlos emitiu uma mensagem pacificadora dirigida aos partidos políticos e aos separatistas, mas a escalada prossegue. O governo de Mariano Rajoy afirma que reagirá com firmeza às intenções catalãs e recusa negociar qualquer pacto fiscal, enquanto os separatistas catalães invocam que dão a Madrid mais do que recebem. Ontem Artur Mas, o presidente do governo autónomo da Catalunha, deu mais um passo em frente ao decidir a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições para o dia 25 de Novembro. O jornal ABC afirma que Mas “avança com eleições para alimentar a sua quimera soberanista” e cita o Rei que já afirmou que “seria cegueira não ver a gravidade desta etapa histórica”. Mais do que em Mariano Rajoy, as atenções vão estar centradas em Artur Mas e no Rei João Carlos. Os espanhóis receiam cada vez mais o fantasma da fragmentação do país e, aqui tão perto, não podemos estar desatentos ou não aprender com a evolução que está a acontecer.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Os doutores-ministros que nos governam

Tanto quanto sei, o actual governo de 11 ministros tem dois doutores. São doutores-ministros que vieram de fora – um de Bruxelas e outro de Vancouver. Seguramente são competentes em Estatística, Econometria, Microeconomia, Finanças Públicas, Planeamento Económico e outras matérias curriculares. O seu percurso académico ou profissional será modelar, sem vírus do tipo relvas. Vieram com a sua sabedoria, para ajudar o país a sair da situação desregulada que se criou e acentuou, é bom salientá-lo, desde a nossa entrada na Comunidade Económica Europeia e do deslumbramento novo-riquista que o cavaquismo nos trouxe.
Porém, ao fim de 15 meses de actividade, nem os nossos dois doutores-ministros, nem os seus dez Secretários de Estado, conseguiram controlar as contas públicas nem o seu principal problema que é o excesso de despesa, nem melhorar a competitividade da economia, nem travar o desemprego, nem mobilizar novos investimentos. Limitaram-se a atacar quem trabalha. Erraram no diagnóstico. Erraram nas previsões. Os seus “modelos económicos” não resultaram e o panorama está a agravar-se com a brutal queda do consumo que arruína a receita fiscal, com a subida do desemprego que delapida a Segurança Social e com a ameaça de ruptura social. Esses doutores-ministros falharam. Ainda não perceberam a diferença entre o que está nos livros e a realidade da nossa economia, do nosso Estado e da nossa sociedade. Não estudaram na mais antiga escola de economia que existe em Portugal - o Instituto Superior de Economia e Gestão. Se lá tivessem estudado conheceriam a frase de Bento de Jesus Caraça que está afixada à entrada: “Se não receio o erro, é porque estou sempre disposto a emendá-lo”. Seriam mais humildes e emendariam os seus erros ou, então, regressavam imediatamente aos seus lugares de origem com um valente "chumbo por teimosia e incompetência".

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

As rivalidades sino-japonesas

No mar da China Oriental situa-se um pequeno arquipélago formado por oito ilhas desabitadas com uma área total inferior a 7 Km2, a que os japoneses chamam Senkaku e os chineses Diaoyu, que fica situado a sul do Japão, a 200 km a nordeste das costas de Taiwan e a 400 km a oeste da ilha de Okinawa. Por razões históricas, o pequeno arquipélago é reivindicado pelo Japão, pela China e por Taiwan.
Recentemente, três das oito ilhas do arquipélago que ainda não pertenciam ao governo japonês foram compradas aos seus proprietários privados e esse facto deu origem a uma série de violentos protestos chineses contra os seus vizinhos que, em alguns casos, tiveram contornos de uma invulgar onda nacionalista e anti-japonesa. A histórica rivalidade sino-japonesa acordou e a tensão entre as duas principais potências asiáticas acentuou-se. Há sérios riscos de provocações entre os navios chineses e japoneses que se têm aproximado das ilhas que, para além do seu valor estratégico e simbólico, parece possuírem importantes reservas de hidrocarbonetos. The Economist abordou este delicado tema e nem sequer omitiu a palavra "guerra".
Muitos cenários estão traçados, havendo alguns bem pouco pacíficos. Na hipótese da China concretizar a ameaça de ocupar as ilhas, os Estados Unidos encararão esse passo como uma ameaça à sua própria segurança, nos termos do Tratado de Cooperação Mútua e Garantias de Segurança assinado com o Japão. Por isso, estão a ser desenvolvidos esforços para normalizar a situação, porque é consensual que se está perante uma séria ameaça para a paz e para a prosperidade daquela região.
Essa visão não pode ser desvalorizada, até porque a história nos mostra que é em períodos de instabilidade económica que as ameaças à paz se desenvolvem. Além disso, há por esse mundo muitas outras ilhotas e penhascos que são potencial fonte de conflito, inclusivé aqui bem perto.


domingo, 23 de setembro de 2012

A Semana da Cultura Indo-Portuguesa

Entre os dias 11 e 14 de Outubro vai decorrer pela primeira vez em Portugal a Semana da Cultura Indo-Portuguesa, que é promovida pela Embaixada da Índia em Portugal e pela Casa de Goa, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, Fundação Oriente, Fundação Champalimaud, Cinemateca Portuguesa e Comunidade Hindu de Portugal, entre outras entidades. Esta iniciativa incluirá diversas actividades culturais, designadamente música, dança, fotografia e gastronomia goesas, mas também algumas iniciativas empresariais, visando melhorar o conhecimento mútuo e assegurar o reforço da amizade entre as duas sociedades ligadas por quase cinco séculos de história comum, sobretudo entre as gerações mais jovens.
As Semanas da Cultura Indo-Portuguesa realizam-se em Goa desde 2008 com o patrocínio do Consulado-Geral de Portugal e de outras instituições portuguesas e têm dado um bom contributo para a preservação da herança cultural portuguesa e para a promoção da  cultura contemporânea portuguesa em Goa, pelo que a ideia de trazer essas iniciativas a Portugal é muito positiva. Decorreram mais de 50 anos desde a queda da Índia Portuguesa e embora a cultura e a língua portuguesas ainda estejam presentes em Goa, estão sob ameaça devido a um normal processo de desgaste e a um objectivo desinteresse dos governos portugueses. Alguns esforços têm sido feitos localmente, sobretudo nas áreas do ensino da língua portuguesa e da preservação do património arquitectónico, mas muito mais haveria a fazer. Por estas razões, a realização da Semana da Cultura Indo-Portuguesa é uma iniciativa para aplaudir e para acompanhar.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Javier Moro e um livro: "O Império És Tu"

Desde que em 2008 se celebraram duzentos anos sobre a data da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, quando esta abandonou Lisboa para evitar a sua captura pelas tropas napoleónicas, que nos dois países atlânticos surgiu uma expressiva literatura sobre esse tema. Porém, um dos livros de maior sucesso foi “El Império eres tu”, da autoria do escritor espanhol Javier Moro, que foi publicado em 2011 e ganhou o Prémio Planeta 2011, ao qual concorreram 484 obras. O livro foi traduzido para português e publicado no Brasil com o título “O Império é você” e, agora, foi publicado em Portugal com o título “O Império És Tu”.
Trata-se de um romance baseado em factos reais que relata “a fascinante saga do homem que mudou a história do Brasil”, que foi Imperador do Brasil aos 23 anos de idade e Rei de Portugal durante sete dias, deixando a sua marca na história de dois continentes. Dom Pedro de Bragança, o filho mais velho do Rei Dom João VI, era um homem dotado de grande inteligência, com uma personalidade excessiva e contraditória e, sentimentalmente, era um aventureiro que se dividia entre a virtuosa Leopoldina, sua mulher, e a ardente Domitila, sua amante.
O livro foi classificado como romance, mas apesar disso foi criticado por muitos historiadores por conter algumas imprecisões históricas. É sempre assim, quando um não historiador entra nos campos da História e chega ao grande público com sucesso, como acontece com Javier Moro e o “D. Pedro, o Rei-Imperador, O Império És Tu”, que é um grande livro e um sucesso literário que se recomenda.

A fúria fiscal gasparista está ao ataque!

O Jornal de Notícias destaca hoje na sua primeira página que o “Fisco ataca reformados de 500 euros” e que, através do IRS, transforma os mais pobres em contribuintes. Na sua fúria cega destinada a recolher receita, o fisco gasparista é particularmente violento para com as classes de menores rendimentos e para com a classe média, que “apanha cortes brutais”, inclusive pelas alterações à colecta proporcionadas pelas despesas de saúde, casa e educação. O jornal faz diversas simulações e os resultados não deixam dúvidas: maior carga fiscal, menor rendimento disponível e menor consumo, de que resulta mais recessão e mais desemprego. É o aprofundamento da crise ou, como se costuma dizer, cada vez mais do mesmo.
Esta situação está a provocar uma onde de protesto e de indignação que atravessa toda a sociedade portuguesa. Tem sido repetidamente afirmado, inclusive pelos actuais governantes quando se candidataram, que o equilíbrio das contas públicas haveria de ser feito sobretudo pelo lado da despesa, mas não tem havido coragem para enfrentar o problema por esse lado. Atacam-se os fracos e apoiam-se os fortes. E continuam a gastar à tripa forra, exibindo o seu despesismo nos gabinetes, nas comitivas, nas viagens e nos luxuosos automóveis que usam e que nós vemos na televisão. Dizem que essa despesa tem pouco peso na despesa global. É verdade, mas esse mau exemplo está a enfurecer o povo e aqueles a quem todos os dias pedem mais sacrifícios. É lamentável que eles se comportem assim e que estejam a destroçar o nosso país.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O desemprego é a chaga do nosso tempo

Não é costume que um jornal abdique do noticiário corrente, mais ou menos sensacionalista, para se concentrar num só tema. Assim fez ontem o London Evening Standard com a apresentação de uma desenvolvida reportagem sobre a “lost generation”, na qual verifica que em Londres, um em cada quatro jovens masculinos e um em cada cinco jovens femininos estão desempregados e que a procura de emprego excede dez vezes a oferta. Os jovens perdem a esperança, o entusiasmo e a energia por meses e anos de ociosidade involuntária e, quanto mais tempo permanecem fora do mundo do trabalho, mais difícil se torna encontrar um emprego. A marginalidade, a pobreza, a ruptura social e a revolta tornam-se uma ameaça. É um problema sério e é uma espiral de consequências imprevisíveis.
Porém, o problema não existe apenas em Londres, no Reino Unido e na Europa, onde as filas de desempregados continuam a aumentar. Em Portugal temos o mesmo problema, mas em maior escala, sendo igualmente graves e imprevisíveis as consequências económicas e sociais da situação. Entre 2000 e 2012 o desemprego passou de 3,9% para 15,5%, o que equivale a cerca de 827 mil trabalhadores no desemprego. Entre os jovens com menos de 25 anos, um dos segmentos mais afectados pela falta de emprego na União Europeia, o desemprego em Portugal encontra-se nos 36,4%, sendo o terceiro mais alto em todo o espaço comunitário. Por estas razões, é indispensável que os governantes pensem mais nas pessoas e adoptem políticas de apoio ao crescimento e ao emprego, não se limitando a ser bons alunos dos burocratas da troika, nem a mandar os nossos jovens para a emigração.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Por la unidad de España

O movimento autonómico catalão não arrefece, apesar dos estudos que vão aparecendo e que parecem mostrar que a independência da Catalunha se traduziria por um acentuado retrocesso económico e por um fiasco financeiro. O debate está lançado, mas acumulam-se as vozes que o consideram inoportuno. Por um lado, os efeitos desta discussão podem contagiar outras regiões autónomas espanholas e, por outro, a Espanha já atravessa demasiados e complexos problemas, não sendo desejável que entre numa espiral de instabilidade política.
Mariano Rajoy, o presidente do governo espanhol, já tomou posição inequívoca sobre o assunto: "Me he comprometido a hacer guardar la Constitución y las leyes". Porém, o Rei Juan Carlos também decidiu falar e tomou a iniciativa de fazer uma chamada de atenção à consciência da nação, através de uma mensagem real inédita que fez publicar na página web da Casa Real, recentemente criada. Segundo a imprensa espanhola, os destinatários da mensagem real seriam os governos autónomos independentistas, todos os partidos políticos e as forças sociais que podem encher as ruas com manifestações e greves gerais e, ainda, todos os que possam contribuir para um “otoño caliente”. No actual contexto político, a mensagem do Rei foi considerada determinante, não só porque pairam nuvens sombrias sobre o futuro da Europa e da Espanha, mas também porque está em causa “o bem-estar que tanto nos custou a alcançar”. Foi um real apelo à unidade, tendo a imprensa espanhola destacado alguns passos da mensagem real, como por exemplo os seguintes:
        - “O pior que podemos fazer é dividir forças, encorajar dissidências, perseguir quimeras, aprofundar feridas”.
        - “Só ultrapassaremos as dificuldades actuais actuando unidos, caminhando juntos, unindo as nossas vozes, remando no mesmo sentido”. 
        - Venceremos com o trabalho, o esforço, o mérito, a generosidade, o diálogo e o sacrifício dos interesses particulares face ao interesse geral”.

Não é preciso ser-se monárquico para apreciar este toque a reunir. Aqui no rectângulo não há toques deste tipo e parece que a embarcação está à deriva.