domingo, 7 de julho de 2019

O “regresso” de Elcano ao País Basco

A expedição de cinco navios comandada por Fernão de Magalhães, que tinha por objectivo a descoberta do caminho para as Molucas navegando por ocidente, largou de Sanlúcar de Barrameda no dia 20 de Setembro de 1519. No dia 27 de Abril de 1521, Magalhães foi morto em combate com os nativos na ilha de Mactan, no arquipélago das Filipinas e, depois, coube ao navegador basco Juan Sebastián Elcano a missão de conduzir a nau Victoria até ao ponto de partida, utilizando a rota dos portugueses, isto é, pelo cabo da Boa Esperança. Elcano chegou a Sanlúcar no dia 8 de Setembro de 1522 e a bordo da Victoria iam apenas 18 homens dos cerca de 240 que tinham iniciado a viagem. Embora não fosse esse o seu objectivo, o facto é que essa  viagem constituíu a primeira volta do mundo e, tanto Magalhães como Elcano, repartem essa honra.
Elcano veio a integrar a expedição de sete navios que largou da Corunha em 1525 sob o comando de Garcia Jofre de Loayza para reclamar as Molucas para o Rei de Espanha, mas veio a ser vítima do escorbuto quando a expedição já navegava no oceano Pacífico.
Juan Sebastián Elcano é, portanto, um dos grandes navegadores do século XVI e o navio-escola da Marinha de Espanha tem exactamente o seu nome. Ontem o navio chegou ao porto de Getaria, na província de Gipuzkoa, no País Basco, a fim participar nas cerimónias comemorativas dos 500 anos da viagem em que o navegador basco completou a volta ao mundo.
A visita do navio-escola espanhol à localidade onde nasceu Elcano foi recebida com grande entusiasmo e foi relatada por alguma imprensa nacional, que ilustrou as suas primeiras páginas com a fotografia do navio. O jornal El Correo, que se publica em Bilbau, foi original e escolheu o sugestivo título: Elcano vuelve a casa.

O Tour de France 2019 já aí está!

A 106ª edição da Volta à França começou ontem em Bruxelas e, depois dos ciclistas pedalarem 3460 quilómetros, terminará em Paris no dia 28 de Julho. Durante 22 dias estarão na estrada 176 ciclistas de 22 equipas e, entre eles, três portugueses: José Gonçalves do Team Katusha Alpecin, Nélson Oliveia do Movistar Team e Rui Costa do UAE Team Emirates.
O Tour de France é um dos mais importantes acontecimentos desportivos do mundo e desperta um enorme entusiasmo nos franceses. Este ano a corrida homenageia Eddy Merckx, o ciclista belga que a venceu por cinco vezes, estando a despertar um interesse adicional, não só porque o percurso é considerado muito duro e inclui cinco etapas de alta montanha, mas também porque o ciclista inglês Chris Froome, campeão do Tour em 2013, 2015, 2016 e 2017, vai estar ausente, o que faz aumentar as possibilidades de uma vitória francesa.
Independentemente dos seus aspectos desportivos, o Tour de France é um grande espectáculo de realização televisiva, não só porque informa sobre todos os detalhes desportivos da corrida, mas também porque constitui um notável exemplo de promoção turística e cultural da França ao mostrar grandes paisagens naturais e inúmeros elementos do património construído, incluindo palácios, castelos, igrejas, pontes e outros monumentos. As reportagens televisivas do Tour de France são documentos de promoção turística e de divulgação cultural imperdíveis, mesmo para quem não gosta do desporto velocipédico.

Até Cavaco beneficiou do saco azul do BES

No já longínquo dia 22 de Janeiro de 2006 realizaram-se eleições presidenciais em Portugal e o vencedor com 50,54% dos votos foi o candidato Aníbal Cavaco Silva, natural de Boliqueime, professor universitário e ex-primeiro-ministro. Mais tarde a imprensa noticiou e o google conserva essa informação, que a “Família Espírito Santo foi a principal financiadora da campanha de Cavaco em 2006” e que “Ricardo Salgado deu a quantia máxima”.
Em 2011 o presidente Cavaco Silva recandidatou-se e foi eleito com 52,95% dos votos, quando o mundo estava assolado por uma grave crise financeira surgida da chamada crise do subprime (2007) e da falência do centenário banco novaiorquino Lehman Brothers (2008). O turbilhão da crise chegara a Portugal e o BPN foi nacionalizado (2008) para evitar a sua falência e outros males maiores no sistema financeiro português. A crise financeira persistiu e o BES entrou em dificuldade que se revelou inultrapassável. O presidente Cavaco Silva esteve atento, até pela sua condição de economista e antigo director do Banco de Portugal. Então, durante uma viagem oficial à Coreia do Sul, afirmou que “os portugueses podem confiar no BES”, ao mesmo tempo que elogiava a actuação do Banco de Portugal. Cavaco quis ajudar os seus amigos do BES, mas o desastre aconteceu. Os milhares de clientes do BES que confiaram na sabedoria do Professor e na palavra do seu Presidente da República, ficaram arruinados.
Agora, a reportagem da última edição da revista Sábado revela que na campanha presidencial de 2011 houve um esquema de financiamento ilegal em que altos dirigentes do BES, supostamente a título pessoal, doaram cerca de 253 mil euros à candidatura de Cavaco Silva, para iludir a lei de financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais que, expressamente, proíbe os donativos de empresas e outras entidades colectivas. Só que esses dirigentes vieram a ser integralmente ressarcidos do seu “donativo” pelo fundo que agora é conhecido como o “saco azul” do BES, o que significa que terão incorrido no crime de financiamento ilegal de campanhas eleitorais. Esta situação mostra como o BES sempre ajudou Cavaco Silva nas suas campanhas eleitorais, designadamente através do seu famoso “saco azul”, pelo que o Ministério Público, através do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), parece querer esclarecer este caso. Mas porquê só agora? Contudo, vale mais tarde do que nunca.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

A festa da unidade nacional americana

Hoje é o Dia da Independência dos Estados Unidos, em que se comemora o 4 de Julho de 1776, o histórico dia em que os representantes das treze colónias americanas declararam a sua separação do Império Britânico e aprovaram a Declaração de Independência.
O 4 de Julho é também o dia nacional dos Estados Unidos e é um momento único de unidade para os americanos, que acompanham os desfiles militares e paramilitares que se realizam por todo o país, nos quais são exaltados os seus valores patrióticos e simbólicos. As associações culturais e profissionais participam activamente nas comemorações e mobilizam os seus associados. As famílias aderem à grande festa nacional e convivem em animados churrascos e piqueniques, esquecendo por um dia as suas preferências políticas e o apoio que dão aos democratas ou aos republicanos.
Embora os principais factores que tornam os Estados Unidos no país mais poderoso do mundo se encontrem na economia, no desenvolvimento tecnológico e no seu potencial militar, é considerado que o simbolismo transmitido pelo The Fourth of July reforça o sentimento de unidade e de coesão nacionais dos americanos de todas as origens geográficas ou étnicas.
O jornal New York Post dedicou a capa da sua edição de hoje ao The Fourth of July, associando-se dessa forma à grande festa americana da unidade nacional. Provavelmente, em nenhum outro país do mundo o seu dia nacional é celebrado de forma tão entusiástica.
 

Será o renascimento da sociedade feudal?

A notícia da edição de hoje do Jornal de Notícias deixou-me estarrecido – os magistrados com dois anos de serviço vão ganhar tanto como um general. Segundo informa o jornal, todos os juízes e procuradores do Ministério Público que ao fim de dois anos de trabalho não tenham uma nota inferior a “bom” terão uma remuneração ilíquida base de 4.336 euros. Este valor é quase equivalente ao que aufere um almirante ou um general das Forças Armadas, após uma carreira muito longa, muito exigente tecnologicamente e muito escrutinada interna e externamente.
A medida faz parte dos novos estatutos dos magistrados judiciais e do Ministério Público e também coloca os magistrados a receberem mais do que um coordenador da Polícia Judiciária no topo da sua carreira de investigação criminal e com décadas de serviço efectivo. Esta situação é bizarra e, certamente, é uma consequência da actividade do sindicalista Ventinhas e das greves que tem promovido na sua luta pela independência e pela autonomia funcional do Ministério Público. O tema é muito controverso, porque na República o poder pertence ao povo e a sua arma é o voto. Os poderes do Ministério Público e dos seus magistrados, que são importantes num Estado de Direito, não derivam do voto popular e são desproporcionados, o que lhes permite atacar quem quiserem com base em meros indícios ou suspeitas, com privação da liberdade, destruição da vida profissional e pessoal, liquidação do seu bom nome e a condenação na praça pública. Miguel Sousa Tavares chamou-lhes “os intocáveis” e explicou que “são a única classe profissional em Portugal que não pode ser julgada disciplinarmente por ninguém que não eles próprios” (Expresso, 29 de Junho de 2019).
Ora é esta gente que ao fim de dois anos passa a ganhar tanto como um almirante ou com um general e que, pouco tempo depois, pode ganhar mais do que o primeiro-ministro. É chocante. Parece o renascer da sociedade feudal, em que havia os senhores com todos os direitos e os servos da gleba sem direitos nenhuns.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Portugal e Moçambique: relações fortes

Na minha já distante juventude uma visita de um chefe de Estado estrangeiro a Portugal era um grande acontecimento e eu lembro-me das visitas da Rainha Isabel II da Grã-Bretanha (1957) e do Presidente Eisenhower dos Estados Unidos (1960), entre outras visitas presidenciais feitas a Portugal nesse tempo. A televisão que acabara de aparecer no nosso país mostrava imagens dos banquetes oficiais e dos desfiles militares, enquanto os jornais e as estações radiofónicas dedicavam grandes reportagens ao acontecimento. O povo saía à rua para ver passar a caravana oficial, para apreciar as vistosas guardas de honra e para aplaudir o dignitário, ao mesmo tempo que as crianças das escolas eram alinhadas nas bermas dos percursos para agitar bandeiras.
Depois, com o surgimento de uma nova ordem internacional marcada pelo progresso económico e tecnológico, pela interdependência regional, pelo desanuviamento e pelo interesse mútuo, as relações entre os Estados intensificaram-se e as visitas presidenciais tornaram-se uma rotina e passaram a ter, quase sempre, objectivos de natureza económica. Porque essas visitas se tornaram uma rotina na vida das nações e, por vezes, duram poucas horas, quase deixaram de ser notícia.
Porém, a visita oficial a Portugal ontem iniciada por Filipe Nyusi, o Presidente da República de Moçambique, tem características especiais e é uma notícia importante, destacada hoje no jornal moçambicano O País. Moçambique e Portugal falam a mesma língua e partilharam um passado histórico comum, com altos e baixos como todos os relacionamentos, mas seguramente que não há na Europa um país tão moçambicano como Portugal, enquanto na costa oriental africana não há país tão português como Moçambique. 

Quem são os caloteiros que devem à banca

Em Portugal há uma forte tendência para encontrar bodes expiatórios para tudo o que não corre bem, isto é, arranja-se um alvo e a imprensa, ou a justiça, ou a política, encarregam-se de influenciar a opinião pública e queimar esse alvo na praça pública. Há uns anos atrás foi o Relvas que usou títulos académicos indevidos e tudo lhe caiu em cima, como se fosse só ele. Depois foi o Pinto de Sousa que vivia acima das suas possibilidades e também tudo lhe caiu em cima, como se fosse só ele. A seguir foram os incêndios de Pedrógão e à ministra Constança tudo lhe caiu em cima, como se fosse só ela. Agora é o José Berardo e tudo lhe cai em cima, como se fosse só ele a dever dinheiro à Caixa Geral de Depósitos ou a provocar a derrocada do sistema financeiro português e das fraudes que aconteceram no BPN, no Banif, no BES e não sei onde mais.
Os aspectos jurídicos ou criminais destes casos não me interessam particularmente, embora saiba que “47 banqueiros foram ou ainda estão presos por causa da crise financeira. Metade são da Islândia. Nenhum é de Portugal” (Expresso, 23 de Setembro de 2018).
No caso da dívida de 320 milhões de euros de José Berardo à Caixa Geral de Depósitos, assistimos ao triste episódio de uma audição parlamentar que mais parecia um inquérito policial, enquanto os políticos e os jornalistas estão calados no que respeita à divulgação dos nomes dos outros grandes devedores da banca pública ou privada, sem que sejam conhecidas as suas fraudes e as enormes batotas de quem se governou e que, por vezes, até comendas recebeu. Uma tristeza e, por isso, o título do jornal i tem o meu aplauso. O que tem acontecido com este silêncio e com a ajuda pública a toda a banca é obsceno, pois é o dinheiro dos nossos impostos. É caso para perguntar quem são e quanto devem todos os Berardos que há por aí.

Um passo errado do soberanismo catalão

O movimento independentista da Catalunha ensaiou em Outubro de 2017 uma insurreição contra o Estado espanhol, que incluiu a realização de um referendo organizado pelo governo catalão que não passou de uma farsa, uma declaração unilateral de independência feita por Carles Puigdemont e a promoção de grandes manifestações populares que mostraram que a Catalunha estava politicamente dividida. A unidade da Espanha que consta da sua Constituição levou à intervenção da justiça espanhola de que resultou a detenção de alguns dos líderes independentistas, enquanto outros se decidiram pelo exílio em Bruxelas. Quando no passado mês de Maio se realizaram as eleições europeias, dois tribunais de Madrid anularam a decisão da Junta Eleitoral que excluira Carles Puigdemont e Toni Comín, ambos fugidos à justiça espanhola pela sua participação no mencionado referendo, que o governo espanhol considerou ilegal.
No passado dia 26 de Maio tanto Carles Puigdemont como Toni Comín foram eleitos eurodeputados e ontem, em Estrasburgo, prepararam-se para tomar posse na primeira sessão da nova legislatura. Porém, os dois políticos catalães foram impedidos pelo Tribunal Geral da União Europeia porque não tinham a cédula emitida pela Comissão Nacional Eleitoral de Espanha que exige que todos os novos eurodeputados espanhóis se apresentem numa cerimónia de posse e de compromisso, que se realiza em Madrid, onde juram obedecer a Constituição de Espanha. Ora estes eleitos não tinham essa cédula, uma vez que não compareceram à referida cerimónia (pois seriam detidos), além de que o governo espanhol considera que ambos eram "inelegíveis" nas europeias por não estarem inscritos como cidadãos espanhóis a viver no estrangeiro. O legítimo movimento soberanista catalão continua a ser muito mal servido por esse Puigdemont que, enquanto representante da Catalunha, não tem assento no Parlamento Europeu. Foi um erro dos independentistas que esqueceram a sua causa para safar um descontrolado político.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Os novos rostos para a União Europeia


Hoje ninguém duvida que a União Europeia vive dias difíceis, sobretudo porque lhe tem faltado um verdadeiro ideal comunitário e porque não tem tido dirigentes capazes de ultrapassar os seus nacionalismos egoistas.
Quando em 1962 o general De Gaulle utilizou a expressão “Europa das pátrias” teve a visão de um espaço marcado por culturas diferenciadas, por rivalidades e por um historial de violência e de guerra, de revoluções e de insurreições, sem paralelo com qualquer outra parte do mundo. Por isso, a construção europeia tem sido um processo muito complexo e, com frequência, a União Europeia tem-se comportado como um grupo de famílias desavindas, devido sobretudo à rivalidade do eixo França-Alemanha, à tradicional desconfiança da Grã-Bretanha em relação ao continente (de que o Brexit é apenas um episódio) e a muitos outros exemplos.
O Conselho Europeu deveria agora encontrar as personalidades que, até ao final do corrente ano e depois do voto do Parlamento Europeu, irão ocupar os lugares de topo da União Europeia. Essas escolhas deveriam assegurar o equilíbrio de género e o equilíbrio entre as diferentes regiões, famílias políticas e, sobretudo, garantir pessoas com experiência comprovada, quer a nível nacional quer a nível internacional. Foi muito difícil o consenso e só hoje, depois de uma terceira ronda de impasses e de duras negociações, os chefes de Estado e Governo da União Europeia chegaram a um acordo.
A alemã Ursula von der Leyen, foi proposta para nova presidente da Comissão Europeia, cargo atualmente ocupado por Jean Claude-Juncker. Para vice-presidentes da Comissão Europeia foram escolhidos a liberal dinamarquesa Margrethe Vestager, o socialista holandês Frans Timmermans e o eslovaco Maros Sefcovic. A atual líder do FMI, Christine Lagarde, foi indicada para presidir ao Banco Central Europeu, para a presidência do Conselho Europeu foi proposto o liberal belga Charles Michel e o novo responsável pela diplomacia da União Europeia será o socialista espanhol Josep Borrell. Com tanta negociação é de esperar que as escolhas tenham sido acertadas e que os escolhidos sejam capazes de fortalecer a unidade da Europa.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

O marketing para a reeleição do Donald

A imprensa mundial de referência destaca nas suas edições de hoje o encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un que ocorreu na zona desmilitarizada entre as duas Coreias. Foi a terceira vez que os dois líderes se encontraram e, desta vez, o Donald até cruzou a fronteira e tornou-se o primeiro presidente americano a entrar na Coreia do Norte. Antes, os dois presidentes tinham-se encontrado em Singapura (Junho de 2018) e em Hanói (Fevereiro de 2019), sendo o tema dominante das conversas o programa nuclear norte-coreano que se vem arrastando sem solução, apesar das declarações de ambas as partes expressarem vontade para resolver o problema e para assegurar estabilidade na península coreana.
A iniciativa pertenceu ao Donald que, em viagem para a Coreia do Sul, convidou o Kim para um “aperto a mão” na zona desmilitarizada entre as duas Coreias. O encontro durou 50 minutos e permitiu muitas fotografías, parecendo que os dois líderes decidiram retomar as conversações que estavam num impasse desde o passado mês de Fevereiro, embora o Donald tenha declarado que as actuais sanções americanas à Coreia do Norte eram para continuar.
Evidentemente que o encontro entre o Donald e o Kim, tal como os encontros havidos entre os líderes mundiais no âmbito do G-20, são passos muito importantes para assegurar a estabilidade e a paz no mundo. No entanto, o aspecto mais importante da visita do Donald à fronteira coreana parece ter sido a fotografia. Com eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2020, a fotografia do Donald a entrar em solo norte-coreano ao lado do Kim, vai ser um poderoso instrumento do seu marketing eleitoral.

domingo, 30 de junho de 2019

Torre de Hércules - património mundial

O farol da Torre de Hércules localiza-se no extremo norte da região da Galiza a cerca de 1600 metros do centro da cidade da Corunha, sendo o único farol romano que continua a servir a navegação marítima que utiliza aquele porto.
O edifício do farol tem 68 metros de altura e está construído sobre um promontório com 57 metros de altitude, constando de três níveis estruturais: o primeiro tem uma base quadrada e corresponde à estrutura do farol romano construído no século I da nossa era, um segundo nível estrutural tem secção octogonal e foi acrescentado no século XVIII e, um terceiro nível também octogonal, suporta o sistema de alumiamento ou o farol propriamente dito.
Em 2009 a Torre de Hércules foi inscrita na Lista do Património Mundial da Unesco.
Ontem, porque se completava o 10º aniversário da classificação do farol, houve uma grande festa comemorativa que incluiu uma reconstituição do acampamento romano de Ave Crunia, uma representação teatral clássica ao ar livre, um concerto de Mercedes Peón e a projecção de um espectáculo audiovisual sobre a própria torre, intitulado “Luz e Som de Hércules”.
O jornal La Voz de Galicia assinalou a efeméride na sua edição de hoje com uma reportagem intitulada  dos mil años y diez de Patrimonio, ilustrada com uma fotografia do farol iluminado pelo espectáculo de luz e som. E o assunto justifica-se até porque a classificação da Unesco converteu a Torre de Hércules num dos mais atractivos pontos turísticos da Galiza.

sábado, 29 de junho de 2019

Talento e humor inteligente em Macau

No fim-de-semana que se aproxima o humorista e comentador político Ricardo Araújo Pereira (R.A.P.) vai apresentar dois espectáculos em Macau no âmbito de uma iniciativa do Consulado Geral de Portugal e de outras entidades portuguesas que se intitula “Junho, mês de Portugal na RAEM”. O programa cultural é muito diversificado e aposta no humor e na música, mas também noutras actividades como o teatro, a gastronomia, a ciência e a dança.
A presença de R.A.P. em Macau está a despertar grande curiosidade na comunidade portuguesa e, nas suas edições de hoje, os três jornais macaenses que se publicam em português – JTM (Jornal Tribuna de Macau, Hojemacau e Ponto final – destacaram a sua apresentação no território de Macau e todos ilustraram a notícia com a sua fotografia em primeira página.  É, por isso, um grande acontecimento.
É natural este interesse em ouvir quem se tem destacado no panorama humorístico português pela sua inteligência e pelo seu talento, mas também pela oportunidade da sua crítica política. O público tem correspondido e transformou R.A.P. numa figura nacional de grande notoriedade e de imagem de excelência. Porém, como diz o povo, não há bela sem senão e, mesmo aqueles que apreciam o inteligente humor de R.A.P., como é o nosso caso, lamentam que, por vezes, ele caia em facilitismos e se decida a desancar naqueles que estão na mó de baixo por questões judiciais ou por acção de alguma imprensa que, para ganhar audiências, se especializou em condenações na praça pública. Humilhar pessoas indefesas e fragilizadas não é coisa que faça rir, nem é símbolo de coragem cívica. Nesses casos, a utilização do poder da televisão para humilhar quem não se pode defender, é desumana, injusta e pouco séria.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

O enorme embaraço de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro, o presidente da República Federativa do Brasil, ia participar pela primeira vez na reunião do G20, o grupo de que junta os líderes das maiores economias do mundo que se irão encontrar em Osaka nos próximos dois dias.
Acontece que uma parte da sua comitiva constituída por 21 militares que dão apoio ao presidente, viajou por antecipação, tendo o avião da Força Aérea do Brasil feito uma escala em Sevilha. Nessa escala e no decorrer de um controlo alfandegário de rotina, as autoridades espanholas detiveram um militar que servia como comissário de bordo e que transportava 39 quilos de cocaína, que estava dividida em pacotes colocados na sua bagagem de mão. O caso deixou toda a gente perplexa por ter sido possível que alguém ousasse transportar tanta cocaína num avião oficial e até o presidente Jair Bolsonaro, que ao ser eleito prometeu combater o crime e as drogas como nunca antes no país, ficou naturalmente muito embaraçado, até porque se assumia como um defensor dos militares, que considera como uma espécie de reserva moral da nação brasileira. A imprensa internacional relatou o insólito caso e, no Brasil, diversos jornais como O Dia, que se publica no Rio de Janeiro, deram grande destaque a esta notícia que constitui um grande embaraço para o Brasil e para o seu presidente.
Entretanto, o presidente em exercício já lamentou o sucedido e afirmou que o militar actuou como “mula qualificada” de alguém, enquanto o avião presidencial que se previa também fizesse uma escala em Sevilha, alterou os seus planos e desviou a sua rota para Lisboa onde utilizou a base aérea de Figo Maduro. O que não há dúvidas é que o Brasil, ou uma parte do Brasil, parece atravessar uma séria crise de valores éticos e morais. Como escreveu a jornalista Alexandra Lucas Coelho "nunca antes na história do país a vergonha do Brasil foi tão mundial".

terça-feira, 25 de junho de 2019

Onde estarão as orcas do Salish Sea?

O Salish Sea é uma grande área marítima que penetra pelo interior da costa ocidental da América do Norte. Constitui um complexo sistema de ilhas e de canais, banhando uma parte do noroeste do estado americano de Washington e uma parte do sudoeste da província canadiana de British Columbia, incluindo a cidade de Vancouver.
Este mar é uma área cuja paisagem marítima é de grande beleza e de invulgar diversidade biológica, sendo frequentado por orcas cujo número tem vindo a regredir, embora actualmente ainda estejam reconhecidos 76 exemplares residentes que são identificados pela sua barbatana dorsal. Alimentam-se sobretudo de salmão-rei ou chinook salmon (Oncorhynchus tshawytscha) e estima-se que cada orca se alimente diariamente com uma dieta de 1400 salmões!
As orcas aparecem nas proximidades de Vancouver desde a primavera ao outono e são responsáveis por uma florescente indústria turística em que, por uma importância de 165,70 euros, se faz um safari marítimo de cerca de 4 horas em que se podem ver as Montanhas Rochosas e as florestas de pinheiros canadianos e, além de outros cetáceos, as famosas orcas. Porém, como hoje anuncia o Star Metro (edição gratuita de Vancouver) ninguém sabe o que se passa com as orcas que são um quase ex-libris da cidade. e que ainda não apareceram. Os meios científicos e ambientais, bem como a opinião pública da bacia do Salish Sea, estão preocupados e não sabem o que se passa. Consequência das alterações climáticas? Escassez de salmão? Sobreutilização turística do Salish Sea? Daí que se volte a salientar que as orcas estão em vias de extinção naquela região do oceano Pacífico.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Vivam a cidade de Angra e as Sanjoaninas

Hoje, dia 24 de Junho, é o Dia de S. João. Ontem, um pouco por todo país, realizaram-se as festas deste santo e os seus muito participados arraiais, sobretudo no norte de Portugal e, em especial, nas cidades do Porto e de Braga. A televisão mostrou essas festas todas e a alegria do povo. Porém, que me desculpem os meus concidadãos e amigos do norte de Portugal, mas as melhores festas de S. João acontecem nos Açores e, muito em especial, na cidade de Angra do Heroísmo. São as Sanjoaninas, que são consideradas as maiores festas profanas dos Açores e que este ano decorrem desde o dia 21 ao dia 30 de Junho. Todos os anos as Sanjoaninas têm um tema e este ano foi escolhido o exílio do rei D. Afonso VI na ilha Terceira com o lema Angra – Regalo de Rei e de Gente.
A cidade de Angra do Heroísmo que em 1983 foi declarada património da Humanidade pela Unesco, transforma-se nestes dias de grandes festejos com a animada participação da população a que se juntam turistas e muitos emigrantes vindos dos Estados Unidos e de outras regiões para participar no vasto programa que inclui desfiles de rua, exposições, concertos em cinco palcos, apresentação de filarmónicas (incluindo a Sociedade Filarmónica Nova Aliança de S. José, na Califórnia) e provas desportivas, embora os ex-libris das Sanjoaninas sejam as marchas populares e as corridas de touros. As marchas e as touradas são um deslumbramento para os terceirenses e, de facto, impressiona como uma ilha tão pequena - embora cheia de história e de grandeza - tem energias e vontades bastantes para preparar e participar em tanta festa em Junho, quando ainda se parecem ouvir os bailinhos de Carnaval, outra das grandes manifestações da cultura popular da ilha Terceira, que aconteceram em Março.
Vivam a cidade de Angra, as Sanjoaninas e a ilha Terceira!