A Espanha é uma
monarquia constitucional e o Rei Filipe VI, a quem os espanhóis chamam Don
Felipe, ocupa o principal posto do poder político e da organização do Estado. Tendo
agora completado cinco anos do seu reinado, o facto deu origem a que os antigos
presidentes do governo espanhol que estão vivos, o tivessem cumprimentado
conjuntamente e que Felipe González (1982-1996), José Maria Aznar (1996-2004),
José Luis Rodriguez Zapatero (2004-2011) e Mariano Rajoy (2011-2018), com ele
se fizessem fotografar. Este encontro também serviu para atenuar amuos e
reconciliar adversários políticos mas foi, sobretudo, uma forte mensagem
dirigida aos espanhóis relativamente à unidade da Espanha. A imprensa espanhola deu grande relevo a este
encontro e fez um laudatório balanço dos cinco anos do reinado de Don Felipe,
pelo seu papel positivo na evolução da Democracia e na forma como conseguiu
reabilitar a Monarquia, afectada por escândalos protagonizados por alguns
membros da sua família. Além disso, a imprensa salientou a forma como Filipe VI
representou a unidade da Espanha e como enfrentou o separatismo catalão, destacando
o seu discurso de 3 de Outubro de 2017 em que denunciou o golpe de estado que
estava em curso na Catalunha. A presença do Rei tem sido constante na
Catalunha, antes e depois da aventura independentista, apesar de alguns
protestos, tendo essa atitude corajosa e solidária sido muito apreciada pelos
espanhóis. Com um índice de popularidade de 75,3%, a imprensa considera que o
Rei partilha as inquietações, as preocupações e as alegrias dos espanhóis, que
estimula o equilíbrio social e que,
com Don Felipe, a “España tiene ganado un Rey para la historia”, como escreveu
o conservador ABC.
quarta-feira, 19 de junho de 2019
terça-feira, 18 de junho de 2019
Honi soit qui mal y pense
Alguns jornais britânicos e espanhóis dão hoje grande destaque
fotográfico à cerimónia ontem realizada no castelo de Windsor, em que Filipe VI
de Espanha e Guilherme da Holanda foram investidos como novos membros da Nobilíssima
Ordem da Jarreteira.
A Ordem da Jarreteira é a mais antiga ordem militar da cavalaria
inglesa e foi fundada em 1348, tendo por lema a frase Honi soit qui mal y
pense que, em bom português, significa Maldito
seja quem pense mal disto. Os seus membros são escolhidos pela Rainha Isabel
II e, para além dos seus vinte e quatro membros ou companheiros, incluem
cavaleiros ou damas supranumerários, normalmente membros da família real ou
monarcas estrangeiros. Significa que, pertencer à Ordem da Jarreteira é uma
distinção muito singular e que resulta de uma escolha pessoal da Rainha, sendo
essa uma das poucas prerrogativas executivas que lhe cabe em exclusivo.
O cerimonial da
investidura é muito apreciado, sobretudo pela indumentária tradicional dos
membros da Ordem com capas de veludo e chapéu ao estilo Tudor. Depois de um
ritual privado e de um almoço, todos se dirigem em procissão para a capela de
S. Jorge para tomar parte na cerimónia religiosa de investidura.
O último
português que foi membro da Ordem da Jarreteira foi o Rei D. Manuel II,
investido em 1909, enquanto o primeiro e único membro americano da Ordem foi o
Imperador D. Pedro II do Brasil, enquanto membro da Casa de Bragança.
Porém, sobre
estas realidades de outros tempos que conferem honrarias e privilégios, talvez
seja de aplicar o próprio lema da Ordem da Jarreteira: Maldito seja quem pense mal disto.
domingo, 16 de junho de 2019
A complexa via autonómica de Hong Kong
O regresso da
colónia britânica de Hong Kong à República Popular da China aconteceu em 1997
mas, apesar do seu estatuto de região administrativa especial, têm sido
evidentes as dificuldades de integração do território na China continental e a
prova disso são os protestos mais ou menos violentos que vão acontecendo. Por
via do acordo de regresso à mãe-pátria e, tal como acontece com Macau, o
território de Hong Kong desfruta de um alto grau de autonomia, excepto em
matérias de Defesa e Negócios Estrangeiros, podendo utilizar algumas regras e
liberdades que não são autorizadas na China continental.
A ilha de Hong
Kong foi cedida aos britânicos depois da 1ª Guerra do Ópio (1839-1842) e, mais
tarde, a Grã-Bretanha alugou por 99 anos uma parte do território continental
designada por Novos Territórios. Uma tão longa permanência e o grande
desenvolvimento económico da colónia fez com que a maioria dos seus 7 milhões
de residentes, embora de etnia chinesa, não se sintam chineses, mas sobretudo Hong Kongers. Daí resulta uma contínua
reacção às políticas centralistas e de maior aproximação a Pequim, acontecendo
que algumas das medidas tomadas provocam reacções, como aconteceu com a recente
aprovação da lei que permitirá a extradição de Hong Kongers para a China, um tema tratado na última edição de The Economist.
E o que fazem os Hong Kongers? Para além de um aumento do
sentimento anti-continente chinês e de já haver quem peça a independência do
território que os britânicos geriram durante cerca de 150 anos, há muitos milhares que protestam,
que bloqueiam estradas e que cercam os edifícios governamentais, enquanto a polícia
utiliza gás lacrimogéneo e balas de borracha para dispersar as multidões. O confronto entre
Pequim e Hong Kong vai, naturalmente, continuar.
Há novos actores no teatro do Golfo
Os Estados Unidos
e o Irão não têm relações diplomáticas entre si e, desde 1979, quando o regime
monárquico do xá Reza Pahlevi foi derrubado pela revolução iraniana liderada
pelo ayatollah Khomeini, que existe uma tensão permanente entre os dois países.
Aparentemente, nem os americanos gostam dos iranianos, nem os iranianos gostam
dos americanos. As causas dessa tensão são muito diversas, sobretudo as causas políticas
relacionadas com a revolução iraniana e as causas económicas relacionadas com o domínio
do petróleo do Golfo, mas todas se agravaram quando os americanos souberam que
o Irão estava a desenvolver armas nucleares.
Assim, em 2015 foi assinado o Joint Comprehensive Plan of
Action (JCPOA), um acordo destinado a limitar o programa nuclear iraniano a
troco do levantamento parcial das sanções económicas impostas pelos Estados
Unidos e pelos seus aliados europeus, mas Donald Trump considerou-o “o pior
negócio do mundo” e abandonou-o em 2018. Desde então, sucedem-se os episódios
que têm contribuído para aumentar a tensão na região do Golfo, o mais recente
dos quais foram os ataques a um petroleiro norueguês e a um petroleiro japonês.
Os Estados Unidos acusaram imediatamente o Irão por esses ataques, mas as
Nações Unidas, o Japão, a Rússia e outros países querem provas mais definitivas do
envolvimento iraniano. Os americanos afirmaram que esses ataques exigiram um
nível de especialização só possível por parte do Irão, mas os japoneses
rejeitam esse argumento que, segundo eles, também se aplicaria aos Estados
Unidos e a Israel.
O facto é que ontem o jornal Shargh Daily, que é
editado em Teerão na língua persa, publicou uma expressiva fotografia de Hassan Rouhani, junto de Vladimir Putin e de
Xi Jinping, mostrando que o Irão tem aliados poderosos e que o domínio e a
influência americanas na região já não são o que foram.
sábado, 15 de junho de 2019
O desmoronamento da Justiça brasileira
A imprensa brasileira revelou há poucas horas atrás
que Sérgio Moro, o actual Ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil
terá feito batota, enquanto juiz que condenou em primeira instância o
ex-presidente Lula da Silva. Na sua ânsia de protagonismo e de perseguição a
Lula, designadamente para o impedir de concorrer às eleições presidenciais, o
ex-juiz Sérgio Moro terá criado situações condenatórias de Lula, incluindo a
simulação de denúncias anónimas para obrigar algumas pessoas a depor e a
envolvê-las nas teias do processo Lava-Jato.
Se isso vier a ser comprovado, a
sua conduta não é só uma grave falta de ética, mas é também uma prática criminosa
e pode resultar na nulidade de todo o processo. A divulgação de textos com
supostas mensagens e conversas privadas entre promotores e juízes brasileiros
sugerem falta de imparcialidade e colaboração ilegal na operação Lava-Jato. Esta
questão da promiscuidade entre os procuradores e os juízes, ou entre quem
investiga e quem julga, é um problema sério e não é exclusivo do Brasil, pois
todos nos recordamos da telenovela que por cá tem acontecido por causa da
relação entre procuradores, juízes e jornalistas, de que resulta a construção
de acusações e o julgamento sumário nas páginas dos jornais.
A revista Veja, que tinha liderado a campanha de propaganda contra
Lula e que dera um importante contributo para que Moro ascendesse na
consideração da opinião pública brasileira, vem agora dizer que Sérgio Moro
“desmoronou” e acusa-o de ter cometido o crime de validar diálogos em clara
transgressão à lei. Mas não é só aquela revista que se afasta de Moro, pois
alguns juízes do Supremo Tribunal Federal têm a mesma opinião. Entretanto,
Sérgio Moro já admitiu que possa ter havido um descuido formal nas conversas
que manteve com o procurador do Ministério Público durante as investigações da
operação Lava-Jato. Parece que moro merece menos confiança e que estamos perante o desmoronamento da
Justiça. Esse é mais um problema para o Brasil.
sexta-feira, 14 de junho de 2019
A subida da tensão na região do Golfo
Dois petroleiros
foram atacados no golfo de Omã, perto do estreito de Ormuz, mas embora estas
acçõess ainda não tenham sido reivindicadas por qualquer país ou organização, os
Estados Unidos já acusaram o Irão pela sua realização, suspeitando-se da
colocação de minas no casco de um navio e de um ataque com um torpedo noutro
caso. Um dos navios está em chamas e foi abandonado pelos seus tripulantes,
aparecendo a sua fotografia nas primeiras páginas da imprensa internacional.
Estes ataques representam uma ameaça à
paz e segurança internacional, constituindo uma agressão flagrante à liberdade
de navegação e uma escalada da tensão na região do golfo Pérsico, especialmente
entre os Estados Unidos e o Irão.
O
secretário-geral das Nações Unidas reclamou que se apurem os factos e que
depois se identifiquem os responsáveis, ao mesmo tempo que o Conselho de
Segurança se vai reunir hoje de emergência para analisar o caso e a situação no
golfo Pérsico. A região do Golfo e a conjuntura são demasiado sensíveis, pelo
que é necessária muita contenção para que este caso não se transforme num
pretexto para uma escalada na confrontação entre os Estados Unidos e o Irão que
se vem desenhando desde há algum tempo. No entanto, o Irão já declarou não
estar envolvido nestes ataques e alertou para que
não se caia na armadilha preparada por quem lucra com a instabilidade na
região.
quinta-feira, 13 de junho de 2019
António Guterres é referência mundial
António Guterres,
o cidadão português que ocupa o cargo de secretário-geral das Nações Unidas foi
escolhido pela revista Time para ilustrar a capa da sua
última edição, a propósito da sua luta pela defesa do ambiente e do seu combate
contra as alterações climáticas. Na fotografia utilizadada, António Guterres
aparece de fato e gravata, com ar de poucos amigos e com água pelos joelhos, sendo
essa imagem completada com as frases “oceanos a subir, residentes em fuga,
aldeias a desaparecer. O nosso planeta está a afundar-se”.
A mensagem é
objectiva e reflecte uma situação que começa a ser dramática, pela sucessão de
acontecimentos meteorológicos anormais – ciclones devastadores, cheias
torrenciais, incêndios florestais, secas severas, entre outras calamidades.
O Acordo de Paris
celebrado em 2015 foi patrocinado pelas Nações Unidas e visou a redução de
emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global,
mas o anúncio da saída dos Estados Unidos e as reticências do Brasil, são
apenas algumas das dificuldades que estão a colocar em causa os objectivos do
acordo.
A iniciativa da Time relança
o problema das alterações climáticas que Guterres considera “a batalha das
nossas vidas”. O tempo está a esgotar-se, o “planeta está a afundar” e essa
realidade torrnou-se uma bandeira para o antigo primeiro-ministro português,
pelo que foi escolhido para ilustrar a capa de uma das mais importantes
revistas internacionais. Naturalmente, a escolha da Time agrada-nos e reforça
o estatuto de figura mundial de António Guterres. Até agora apenas dois portugueses tinham aparecido na capa daquela prestigiosa revista: António Salazar em 22 de Julho de 1946 e António de Spínola em 6 de Maio de 1974. Agora foi o terceiro um terceiro António fez capa da Time.
quarta-feira, 12 de junho de 2019
Aí estão as Festas de Lisboa 2019
As Festas de
Lisboa já começaram no início do mês, mas a próxima noite, a noite de Santo
António, é sem dúvida o seu ponto mais alto. Um pouco por toda a cidade, mas
sobretudo nos bairros populares da sua zona histórica, tudo se transforma num
enorme arraial com arcos e balões coloridos e com os grelhadores a assar
sardinhas que espalham no ar o seu agradável cheiro característico. Multidões
de residentes e de turistas entopem as estreitas ruas da Alfama, da Mouraria e
da Graça, esgotando litros de cerveja para atenuar o calor da noite, enquanto o
ensurdecedor som das músicas mais populares de raiz lisboeta gera
congestionamentos sonoros quase insuportáveis. É realmente uma apreciada e colorida festa que anima a cidade.
Num outro palco
apresentam-se as marchas populares que desfilam animadamente pela Avenida da
Liberdade com os seus figurinos, encenações, danças e canções, sob o entusiástico
apoio de milhares de pessoas que aplaudem cada marcha e cada bairro num exercício
de rivalidade pouco comum. A televisão costuma fazer um directo, habitualmente apresentado
de uma forma demasiado popularucha, mas que permite que no conforto doméstico
se acompanhem as marchas e a sua estética e se aprecie o esforço dos
marchantes.
Porém, as Festas
de Lisboa são muito mais do que arraiais, sardinha assada e marchas populares,
pois multiplicam-se as iniciativas, sobretudo musicais. Um dos seus mais
característicos ex-libris são os Casamentos de Santo António, em que 16 casais lisboetas
presumivelmente com maiores carências financeiras, celebram o seu casamento na
Sé de Lisboa com toda a pompa e circunstância, com o apoio da tradição popular
e da Câmara Municipal de Lisboa.
As Festas de
Lisboa sempre foram muito atractivas, mas com tantos turistas que por aí andam,
estão a tornar-se demasiado cansativas, porque já não há espaço, nem sardinhas,
nem paciência para tanta gente!
terça-feira, 11 de junho de 2019
No Reino Unido é só navegação à vista
Foram dez os
candidatos que ontem formalizaram a sua entrada na corrida à liderança do Partido Conservador
britânico e que são potenciais sucessores de Theresa May como primeiros-ministros
do Reino Unido, os quais vão ser submetidos a várias rondas de votação até ser encontrado um vencedor. O processo que se vai seguir até à nomeação do novo
presidente de um partido que foi fundado em 1834, vai ser muito longo e vai manter
em sobressalto os portugueses que vivem no Reino Unido e os britânicos que
vivem em Portugal, sobretudo porque o
Brexit vai continuar no centro do debate político. A primeira votação vai acontecer no próximo dia 13 de
Junho e apenas os candidatos que tenham o apoio de oito deputados poderão
continuar na corrida. No dia 18 de Junho haverá nova votação e, no final, ficarão
apenas dois candidatos, sendo então escolhido o novo presidente do partido,
provavelmente no dia 22 de Julho.
Com tantas rondas de votações, os votos vão circular
entre os diferentes candidatos ao sabor das conveniências pessoais de quem vai
votar e o Reino Unido vai continuar à deriva e a fazer navegação à vista como
hoje titula o jornal francês La Croix.
Boris Johnson, o antigo ministro dos Negócios
Estrangeiros parece ser o favorito nesta corrida, mas Jeremy Hunt, o actual ministro
dos Negócios Estrangeiros, bem como o ministro do Ambiente, Michael Gove,
também têm boas hipóteses. O facto é que as expectativas quanto ao Brexit são
demasiado baixas e poucos acreditam que uma nova liderança do partido possa
encontrar soluções. Já foi perdido muito tempo e a confiança do povo nos
deputados já acabou. Assim, num quadro de grandes dúvidas entre sair ou não
sair da União Europeia, ou de sair com ou sem acordo, os britânicos ficam agora
dependentes das negociatas entre os deputados do Partido Conservador.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Rafa Nadal alimenta a euforia espanhola
Rafael Nadal
Parera é um tenista profissional espanhol que ocupa actualmente o segundo lugar
do ranking mundial masculino da ATP e
que ontem, em Paris, venceu o Torneio Roland Garros pela 12ª vez. É um feito
desportivo notável que veio enriquecer um palmarés onde constam 18 vitórias
individuais nos chamados torneios do Grand
Slam (doze no Open de França/Roland Garros, dois no torneio de Wimbledon,
três no US Open e um no Open da Austrália).
Rafael Nadal é, por isso, um dos maiores tenistas de todos os tempos, sendo considerado o rei da terra batida. Hoje, todos os grandes jornais espanhóis destacam a sua vitória com uma fotografia em que, após a vitória sobre o austríaco Dominic Thiem, se deixou estender no chão para descarregar toda a tensão nervosa acumulada ao longo de três horas e um minuto de jogo. A euforia espanhola pela vitória foi de tal forma incontrolável que o jornal catalão Sport até destaca que Nadal é “el mejor de la Historia”.
Rafael Nadal é, por isso, um dos maiores tenistas de todos os tempos, sendo considerado o rei da terra batida. Hoje, todos os grandes jornais espanhóis destacam a sua vitória com uma fotografia em que, após a vitória sobre o austríaco Dominic Thiem, se deixou estender no chão para descarregar toda a tensão nervosa acumulada ao longo de três horas e um minuto de jogo. A euforia espanhola pela vitória foi de tal forma incontrolável que o jornal catalão Sport até destaca que Nadal é “el mejor de la Historia”.
Acontece, porém,
que o actual número quatro do ranking
mundial masculino da ATP é o suiço Roger Federer que conta com 20 vitórias
individuais nos chamados torneios do Grand
Slam (um no Open de França/Roland Garros, oito no torneio de Wimbledon,
cinco no US Open e seis no Open da Austrália), o que significa que Nadal ainda
está a dois títulos do recorde de Roger Federer.
Rafael Nadal e Roger Federer têm mantido uma grande rivalidade ao
longo dos últimos anos, mas ambos já entraram na casa dos trinta anos e,
provavelmente, já terão poucas hipóteses de voltar a triunfar em torneios do Grand Slam. Porém, parece que nada é impossível para homens como estes.
A alegria do povo está mesmo no futebol
A selecção
portuguesa de futebol venceu ontem a primeira
edição da Liga das Nações, ao bater a equipa da Holanda por 1-0 na final
realizada na cidade do Porto. Num jogo emocionante e muito equilibrado, a vitória resultou de
uma superior exibição dos jogadores portugueses, que jogaram bem e dominaram o
seu adversário. Depois de ter vencido o Euro 2016, o triunfo na Liga das Nações
2019 inscreve a selecção portuguesa na galeria das melhores selecções mundiais
de futebol e, neste tempo em que o futebol parece tudo dominar desde a política
à economia, o acontecimento torna-se relevante, tanto interna, como internacionalmente.
Sem dúvida que,
por circunstâncias diversas, Portugal atravessa um período de grande entusiasmo
em que a auto-estima dos portugueses é muito alta, pelo que esta vitória foi
mais um contributo para a euforia nacional e deu origem a grandes manifestações populares de alegria. Naturalmente, a fotografia dos vencedores da Liga das Nações ilustrou a capa de toda a imprensa portuguesa.
O povo que trabalha, que paga impostos e que, impotente, assiste aos
desmandos do novo-riquismo e da trafulhice bancária que por aí se passeia, bem
mereceu mais esta alegria resultante dos pontapés do Ronaldo e do Guedes, mas
também das defesas do Patrício. A alegria do povo está mesmo no futebol e hoje,
que é o Dia
de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a vitória no futebol até
parece ter sido encomendada e vai certamente estar presente, pelo menos no
subconsciente nacional, nas cerimónias
que se realizarão em Portalegre e em Cabo Verde.
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Uma nova fase no processo da Catalunha
O procés catalão, nome por que
foram designadas as várias frentes de luta pela independência da Catalunha acontecidas
no Outono de 2017, teve agora um novo desenvolvimento com a tomada de posição
da Fiscalia, nome que é utilizado para designar o Ministério Fiscal ou
Ministério Público de Espanha. A Fiscalia é um órgão constitucional do poder
judicial que intervém na defesa da legalidade, dos direitos dos cidadãos e do
interesse público e que, depois de vários meses de apreciação do caso catalão, não
só ratificou a acusação de rebelião que foi feita contra os dirigentes
independentistas catalães, como também veio considerar que os acontecimentos da
Catalunha configuraram uma tentativa de golpe de estado violento, ao visar a
suspensão total ou parcial da Constituição de Espanha e a declaração de
independência de uma parte do território nacional.
O jornal La Razón apresenta na sua primeira página as fotografias dos
principais acusados e, segundo a Fiscalia, el
procés foi uma estratégia para fracturar a ordem constitucional espanhola e
o que sucedeu foi um golpe de estado. Na extensa declaração da Fiscalia
reproduzida pela imprensa espanhola destaca-se a acusação de que os Mossos ou
polícia catalã, se limitaram a simular o cumprimento dos seus deveres, mas que
facilitaram todo o procés.
Relativamente aos responsáveis políticos, a acusação dirige-se sobretudo contra
Oriol Junqueras, o presidente da ERC (Esquerda Republicana da Catalunha), que
foi considerado o “motor principal” da rebelião e contra Carles Puigdemont, então
presidente da Generalitat da
Catalunha e membro do PDeCAT (Partido Democrata Europeu Catalão), actualmente
“fugido à Justiça” na Bélgica.
Os responsáveis, segundo a Fiscalia, devem ser condenados, não pelas suas
ideias independentistas mas pela rebelião que, objectivamente, comandaram. Está
aberto, portanto, um novo capítulo na luta pela independência da Catalunha.
Goa é um sítio em grande transformação
Após alguns dias
de permanência em Goa já regressei a Lisboa, com a minha arca de emoções bem
mais atulhada do que a minha bagagem, que quase só trazia livros.
Goa continua a
ser atraente para o visitante e, em especial, para os portugueses, porque por lá
encontram múltiplas referências a uma herança cultural que,
naturalmente, teve muitos aspectos positivos, mas também alguns negativos. Embora seja um tema ainda
polémico por razões políticas diversas, umas mais antigas e outras mais
recentes, há sinais que apontam para a recuperação e conservação do rico
património arquitectónico civil, religioso e militar goês, sobretudo na área
arqueológica da sua antiga capital, hoje conhecida por Velha Goa. Além disso, o
estado de Goa continua a ter uma vida cultural intensa, quer de raiz erudita,
quer de base popular, nomeadamente em Pangim e Margão, com uma dinâmica actividade
editorial e a publicação de muitos livros, a realização de concertos e
festivais, bem como a apresentação de muitas exposições e muitos espectáculos do
seu apreciado tiatr.
Porém, o
território de Goa também está a passar por um processo de transformação nas
suas infraestruturas rodoviárias, com novas pontes e vias rápidas que, estando
em construção, perturbam naturalmente a vida quotidiana e tendem a alterar a
rotina da vida goesa. Por outro lado, a intensidade do tráfego rodoviário
acentuou-se e, apesar de uma constante publicitação das boas práticas
ambientais, em que predominam as palavras clean
e green, os resultados ainda não são
satisfatórios.
Impulsionado pelo
turismo interno e internacional, há um acentuado dinamismo empresarial em todos
os sectores de actividade, nomeadamente na construção e nas actividades
turísticas. Portanto, Goa está em transformação e a passar por uma onda de
acentuado progresso. Só o futuro dirá se essa transformação conseguirá
realizar-se sem afectar o equilíbrio social e a diversidade cultural do
território, mas também se será possível manter a herança e a memória cultural
portuguesa. Espero voltar para ver.
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SÍTIOS COM HISTÓRIA
quinta-feira, 6 de junho de 2019
O início da libertação da Europa em 1944
Celebram-se hoje 75 anos sobre o dia 6 de Junho de 1944, que ficou conhecido na História como o Dia D. Na manhã desse dia, as tropas aliadas constituídas sobretudo por forças americanas, inglesas e canadianas, mas também por elementos de outras nacionalidades, concretizaram o seu desembarque nas praias francesas da Normandia e iniciaram a sua caminhada em direcção à Alemanha e ao refúgio de Adolfo Hitler.
O comandante supremo desta acção, que foi a maior operação anfíbia que a História alguma vez conheceu e que foi designada por Operação Overlord, foi o general americano Dwight D. Eisenhower, mas muitos outros militares importantes de ambos os lados do conflito participaram na operação.
Hitler e o nazismo dominavam a Europa e tinha sido ordenada a construção de fortificações ao longo de toda a costa atlântica desde a Espanha à Noruega, para assegurar a proteção alemã de uma invasão aliada, que veio a acontecer. O local escolhido para o desembarque foi uma extensa área de cerca de 80 km que foi dividida em sectores, cujos nomes ficaram famosos – Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword. O desembarque foi feito sob más condições meteorológicas e sob intenso fogo alemão em praias minadas e cheias de obstáculos e, só nesse dia, atravessaram o canal da Mancha cerca de 160 mil homens, transportados em quase 5 mil veículos de desembarque e de assalto e, nesse dia, tiveram dez mil baixas, incluindo 4414 mortos confirmados.
A história deste dia está devidamente registada na obra de referência The Longest Day, um livro editado em 1959 por Cornelius Ryan que o cinema adoptou em 1962, sendo porventura os mais expessivos documentos que relatam o Dia D.
Ontem e hoje foram dias de grandes cerimónias de evocação desse desembarque que iniciou a libertação da Europa e de homenagem aos homens que lhe sobreviveram até aos nossos dias, tendo muitos jornais internacionais evocado essa efeméride, como aconteceu com Le Figaro.
sexta-feira, 31 de maio de 2019
A grande festa de aniversário da Airbus
Foi no dia 29 de
Maio de 1969 que nasceu a Airbus resultante da fusão de algumas empresas aeronáuticas
francesas, alemãs, inglesas e espanholas agrupadas no consórcio European
Aeronautic Defence and Space Company.
Cinquenta anos
depois, a maior aventura industrial da Europa gerou o maior construtor mundial
de aviões e a cidade de Toulouse tornou-se a capital mundial da aeronáutica. No
seu percurso aconteceram muitas perpécias ditadas pela rivalidade com as
construtoras americanas Boeing e Mc Donnell Douglas que dominavam o mercado, mas a Airbus venceu
todas as suas dificuldades e detém actualmente uma quota de mercado que até há
bem pouco tempo era impensável - metade das vendas e das encomendas de novos
aviões comerciais.
A Airbus festejou
a passagem do seu 50º aniversário e fez voar sobre a cidade de Toulouse toda a
sua família, desde o pioneiro A300B que fora apresentado em 1969 no salão
aeronáutico de Bourget, passando pelo bem sucedido projecto do A320 que hoje é
fabricado em seis países, até ao A380 que é o maior avião comercial do mundo e ao novíssimo A 350.
Hoje o sucesso e a performance da Airbus traduzem-se no
emprego de 130.000 pessoas, numa produção anual da ordem dos 880 aparelhos e,
em fins de Abril de 2019, numa carteira de encomendas de 7.287 novos aviões. As
suas estimativas apontam para a produção de 37.000 aviões até 2039!
Poucas iniciativas como esta são tão demonstrativas da força que tem a união europeia e a União Europeia. O jornal La
Dépêche du Midi, que se publica em Toulouse, destacou com desenvolvida
reportagem esta importante efeméride.
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