sábado, 10 de setembro de 2011

Um justo prémio

A Fundação Champalimaud instituiu em 2007 o "Prémio de Visão António Champalimaud", a atribuir a instituições de qualquer país do mundo que se destaquem no combate às doenças que afectem a visão.
Este prémio é atribuído nos anos ímpares e é o maior na área da oftalmologia a nível mundial, tendo o valor de um milhão de euros. Em 2007 foi atribuído à Aravind Eye Care System (Índia), em 2009 ao Helen Keller International e, este ano, ao Programa Africano de Controlo da Oncocercose - African Programme for Onchocerciasis Control (APOC).
A escolha do APOC, que foi criada em 1995 no âmbito da Organização Mundial de Saúde, é o reconhecimento dos resultados já obtidos na prevenção, controlo e combate da oncocercose, uma doença parasitária conhecida como a “cegueira dos rios”, que já infectou mais de 18 milhões de pessoas e que é uma das principais causas de cegueira. Só em 2010, o APOC realizou 73 milhões de tratamentos, protegendo mais de 120 milhões de pessoas em risco, através de acções que envolveram 153 mil comunidades, em 19 países africanos, entre os quais Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Estas acções do APOC desenvolvem-se com o envolvimento das comunidades locais e de voluntários, em regiões muito isoladas e em áreas onde normalmente não existem profissionais de saúde.
O prémio homenageia todos os homens e mulheres que, anónima e diariamente, estão no terreno a prevenir e a combater a doença, ajudando quem mais precisa, mas é também um prémio que chama a atenção da comunidade internacional e de alguns países que preferem gastar o seu dinheiro em bombardeamentos.
É por isso, um justo prémio.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

September 11th 2001

Foi exactamente há dez anos que a televisão global nos mostrou a maior tragédia humana que até agora pudemos ver em directo: o ataque às Torres Gémeas de Nova York. Todos acompanhamos a violência das imagens que sucessivamente nos chegavam. Vimos os incêndios, os rolos de espesso fumo e o momento da grande derrocada. Imaginamos a angústia das pessoas encarceradas. Não sabíamos quantas eram, mas sabíamos que eram muitas. Soube-se depois: quase 3 mil mortos e mais de 6 mil feridos.
Nesse dia, de facto, todos fomos americanos.
Os Estados Unidos eram, então, a nação mais poderosa e mais próspera do mundo e vivia em paz. Com o ataque às Torres Gémeas o país sofreu um choque brutal, uma enorme dor e o seu orgulho nacional ficou ferido. Veio a resposta ao chamado “eixo do mal” e foram abertas duas guerras, primeiro no Iraque e, depois, no Afeganistão.
As guerras são caras e foi necessário um desvio colossal de recursos para as suportar. A dívida americana aumentou e tornou-se a maior ameaça à segurança nacional do país. O défice orçamental tornou-se gigantesco. O sistema financeiro e a economia estão a viver tempos difíceis. O poder e a prosperidade americanas estão muito ameaçadas. Entretanto, a Europa foi contagiada, ao mesmo tempo que o dragão chinês e o produto “made in China” consolidaram a sua presença no mundo.
A evocação do 11 de Setembro está a ser feita em todo o mundo por jornais e televisões. Na realidade foi uma data histórica para os Estados Unidos e para o mundo. O actual poderio da superpotência já não é o que era. Tudo mudou e nada ficou como dantes, depois da manhã de 11 de Setembro de 2001.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Prémio distingue "Heróis de Fukushima"

Um grupo de 230 pessoas que trabalharam em condições extremas para evitar uma catástrofe nuclear na central japonesa de Fukushima Daiichi e que já é conhecido como os “Heróis de Fukushima”, foi agraciado com o Prémio Príncipe de Astúrias da Concórdia 2011.
Os prémios Príncipe de Astúrias são atribuídos anualmente desde 1981 pela Fundación Príncipe de Asturias, na cidade espanhola de Oviedo, a indivíduos ou instituições que tenham contribuído de forma notável para o progresso da Humanidade nas seguintes oito áreas: Artes, Comunicação e Humanidades, Cooperação Internacional, Letras, Ciências Sociais, Desporto, Investigação Científica e Técnica e Concórdia.
Os “Heróis de Fukushima” são engenheiros, técnicos, bombeiros, soldados, polícias, voluntários e reformados que, apesar do risco que tem representado para as suas vidas a exposição a altos níveis de radiação, se esforçaram para atenuar os danos produzidos na central nuclear. Dos 800 trabalhadores que inicialmente estavam nas instalações ficou apenas um grupo de 50 para tentar conter o aquecimento dos seus núcleos, mas o grupo estendeu-se depois a mais 180 pessoas que trabalharam em turnos para arrefecer os seis reactores da central. Porém, um dos aspectos mais relevantes desta crise foi o aparecimento de um grupo de mais de 160 engenheiros militares e civis reformados, com mais de 60 anos de idade, que se ofereceu para substituir os jovens que estão envolvidos na missão de alto risco de estabilizar a radiação da central nuclear. O seu objectivo é preservar a vida de quem ainda tem muitos anos pela frente, sobretudo os jovens, especialmente aqueles que terão filhos no futuro, que não devem ser expostos à radiação.
O prémio Príncipe de Astúrias da Concórdia 2011 foi uma feliz escolha de um júri que distinguiu a coragem dos voluntários que se sacrificam pelo bem da comunidade, dos homens e mulheres que não hesitaram, que foram solidários, que deixaram a família numa hora de tragédia nacional a seguir a um sismo e um tsunami, apenas para lutar pelo bem da nação, sem olhar ao sacrifício nem ao prémio. Grandes japoneses!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O Brasil chama por si. Celebre a vida aqui.

O turismo é uma actividade que atrai cada vez mais pessoas e que se transformou numa grande indústria, que dinamiza a economia e gera emprego. Portugal é um dos principais destinos mundiais do turismo e recebe anualmente cerca de 11 milhões de turistas, o que o posiciona nos vinte primeiros lugares do ranking mundial da OMT.
Porém, Portugal não é apenas um receptor, pois também é um emissor de turismo.
Um dos mais apreciados destinos turísticos dos portugueses é o Brasil, por compreensíveis razões de afinidade linguística e cultural.
Em 2006 viajaram para o Brasil 299.211 portugueses, o que representou 5,97% do fluxo turístico total que entrou no Brasil e só argentinos e americanos superaram os portugueses na visita ao território brasileiro. Entretanto, a crise económica começou a afectar os portugueses e o fluxo turístico lusitano para o Brasil diminuiu. Em 2007 foram 280.438; em 2008 foram 208.558; em 2009 foram 183.697.
Em quatro anos o turismo português para o Brasil caiu 40% e passou de 3º para 7º no ranking do turismo estrangeiro no Brasil, representando apenas 3,83% do total desse fluxo turístico. Para além de argentinos e americanos, também os chilenos, os uruguaios, os alemães e os italianos estão a superar os portugueses nas visitas ao Brasil.
O Ministério do Turismo do Brasil está atento a esta realidade e decidiu promover uma campanha publicitária para recuperar o interesse do turismo português pelo Brasil. O slogan - O Brasil chama por si. Celebre a vida aqui – é ajustado. No entanto, em vez de se apoiar fotograficamente no sol e praia, talvez a campanha fosse mais eficaz se fosse apoiada em factores culturais, como o património arquitectónico, a paisagem natural ou os grandes eventos que se aproximam. Isso é que distingue, isso é que me atrai.

sábado, 3 de setembro de 2011

Líbia: Sarkozy quer a parte de leão

A Organização das Nações Unidas tem dado muitos contributos para a paz no mundo, sobretudo através das chamadas missões de manutenção da paz, a primeira das quais se iniciou no dia 24 de Janeiro de 1949 e se mantém, para supervisionar o cessar-fogo entre a Índia e o Paquistão na região fronteiriça de Jammu e Caxemira. Muitas outras operações desse tipo se sucederam e, actualmente, estão em curso quase duas dezenas delas, designadamente na Índia/Paquistão, Sahara Ocidental, Timor Leste, Chipre, Líbano, Kosovo, Darfur, Sudão, Sudão do Sul, Libéria, Costa do Marfim, Haiti, etc. Embora com características ajustadas a cada caso, há um ponto comum nestas intervenções: as forças das Nações Unidas separam forças antagónicas, militarizadas ou não militarizadas, saídas de confrontos ou em vias de confronto.
Recentemente surgiram outros tipos de intervenções ao abrigo de Resoluções da ONU, conduzidas por algumas das grandes potências, sob a bandeira da “comunidade internacional” ou da NATO, dirigidas às ditaduras que controlam o petróleo. No caso do Iraque o pretexto foi “as armas de destruição maciça” e, no caso da Líbia, o pretexto foi “a protecção de civis”.
Desde 31 de Março e até agora, a NATO efectuou 21.200 voos sobre a Líbia e 7.958 voos de ataque, tendo-se tornado a “componente aérea” da oposição a Kadhafi. A operação apenas teve o apoio de metade dos 28 membros da NATO e a participação de oito - França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Bélgica, Dinamarca, Noruega, Itália e Canadá. A Alemanha, tal como o Brasil, a Rússia, a China, a Índia e a África do Sul, não apoiaram esta agressão e a Polónia recusou-a, com o argumento de que a intervenção era motivada pelo petróleo.
A vitória da NATO destruiu muitas infraestruturas, provocou muitas mortes, gerou uma situação muito preocupante e abriu uma incógnita quanto ao futuro da Líbia. Porém, a França já tratou de organizar uma cimeira para começar a repartir o bolo líbio. A reconstrução e a partilha do petróleo são os troféus que resultaram da intervenção da NATO e, desse bolo, Sarkozi quer a parte de leão.
Nota: Este tema já aqui fora tratado no dia 30 de Junho.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Aperto colossal

Todos os jornais destacam hoje as medidas anunciadas pelo Governo para superar a crise das Finanças Públicas e para reduzir o défice e a dívida públicas, como ponto de partida para a credibilidade externa, para o crescimento económico e para o emprego.
Trata-se de um aperto colossal para os contribuintes!
Durante meses insinuaram que tudo isto seria resolvido com os contributos de 1/3 do lado da receita (mas sem aumento de impostos) e de 2/3 do lado da despesa (com o corte das gorduras do Estado). Afinal não estamos a ver qualquer corte significativo nas ditas gorduras e estamos a assistir a um assalto ao bolso do contribuinte, através da sobretaxa extraordinária (subsídios de Natal), do aumento dos gás, da electricidade e dos transportes, do imposto de solidariedade (IRS e IRC), do imposto sobre mais-valias, da redução e extinção dos benefícios fiscais, do aumento do IMI, entre outros.
Ainda é cedo para avaliar o desempenho do Governo e há que esperar pelos resultados da governação, a ser validados pelo Eurostat, mas para quem afirmava que não haveria aumento de impostos, já foi atingido um record, pois nunca um Governo aprovara tantos aumentos de impostos em tão pouco tempo. O ministro Gaspar corre o risco de se transformar no homem que, quando fala, anuncia impostos. O Álvaro, bem como um ou outro ministro, dizem que os cortes serão históricos, mas não é com esses anúncios avulsos para consumo mediático, que o nosso problema vai ser resolvido.
O Governo tem repetido que quer ser mais ambicioso nos objectivos do que aquilo que foi exigido pela troika, mas até agora essa ambição parece limitar-se ao aumento dos impostos e não há sinais claros de uma estratégia de redução da despesa pública e de relançamento da economia, de que tanto falavam o sargento Catroga e os seus ajudantes.
Desta forma, em vez do tal desvio colossal, o que vamos tendo é um aperto colossal ou, como vão dizendo alguns comentadores, começamos a estar confrontados com um equívoco colossal. A corda já está muito esticada...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A festa continua na RTP

Apesar de ser um assunto transversal a todos os governos, a gestão da RTP, os seus vícios, as suas mordomias e os seus números não deixam de nos surpreender.
Sabemos, inclusive através do actual primeiro-ministro, que o Estado gasta 400 milhões de euros com a RTP em indemnizações compensatórias e sabemos, também, que a dívida bancária total da empresa em finais de 2010 era de 717 milhões de euros.
Agora ficamos a saber através do jornal i que, até Julho de 2012, o Estado vai assumir 520 milhões de euros das dívidas da RTP, porque a empresa se viu obrigada contratualmente a antecipar o reembolso que lhe foi exigido por um banco alemão. Deste montante, há 150 milhões de euros já avançados, que correspondem ao custo de aquisição do arquivo da estação!, mas o Estado ainda terá de garantir mais 370 milhões de euros à empresa para pagar dívidas que se vencem até meados de 2012.
Costuma dizer-se que para grandes males, grandes remédios.
Era essa a expectativa que havia há poucos meses quando o sargento Catroga falava a denunciar o despesismo da RTP e a afirmar que havia soluções para tudo através do corte de gorduras. Afinal, não era assim e, recentemente, até foi criada uma comissão de peritos para estudar o assunto.
Entretanto, nós vamos pagando para aquele pequeno BPN, que nos desgraça, como diria a minha avó. Da sobretaxa extraordinária em sede de IRS, a cobrar no próximo subsídio de Natal, cuja receita esperada é de cerca de 840 milhões de euros, já sabemos que mais de metade vai para a RTP.
A festa continua na RTP.

Dinheiros públicos e maus exemplos

A presidência da Assembleia da República é um cargo de grande importância institucional e política desempenhado pela segunda figura do Estado, pelo que o affaire Fernando Nobre foi um fiasco que cobriu de ridículo os seus patrocinadores.
Porém, em sentido inverso, a eleição de uma jovem mulher da transmontana vila de Val-passos foi um acontecimento relevante, consensual e muito justamente aplaudido.
A eleita está na política há mais de vinte anos e, aparentemente, saberá de leis e de regulamentos, mas parece saber pouco de gestão orçamental e, menos ainda, da realidade sociológica em que vivemos.
De facto, a jovem presidente ainda estará deslumbrada com a sua meteórica carreira política, parecendo ignorar que estamos em grandes apertos e que é preciso poupar, reduzir despesas e dar exemplos ao Parlamento e à sociedade.
A atribuição de um BMW com motorista ao deputado Amaral merece a nossa crítica, por revelar um fraco pelos amigos que alguma vez lhe deram a mão. A amizade e a gratidão ficam-lhe bem, mas não podem ser pagas com dinheiros públicos.
Agora, ignorando que o seu gabinete tem um quadro de pessoal com 8 motoristas oficiais, a jovem presidente nomeou o senhor António da Conceição Leitão para o cargo de motorista do seu gabinete, por ser o seu anterior motorista privado e pessoa da sua confiança. É legítimo manter estes luxos privados, mas não podem ser pagos com dinheiros públicos.
São estes tipos de maus exemplos que empurram muita gente para o protesto e para a indignação e, muitos mais, para a descrença.



terça-feira, 30 de agosto de 2011

A vaidade gravada na pedra

Há pessoas que têm qualidades de inteligência, que têm muitos conhecimentos e que provavelmente são quase perfeitas, mas que se perdem pelas sua extrema vaidade e pela exagerada estima que têm por si próprias. Tornam-se insuportáveis e ridículas.
A vaidade é de tal forma grave que o catolicismo a considera um dos sete pecados capitais, talvez porque corresponda a uma mentira.
Enquanto desejo de atrair a atenção dos outros e de lhes transmitir uma imagem que saliente alguns pontos (eventualmente fortes) e atenue outros pontos (eventualmente fracos), a vaidade é uma perversão e o vaidoso é um mentiroso e uma fraca figura.
Há muitos tipos de vaidosos e os portugueses são geralmente muito vaidosos, sobretudo quando têm algum dinheiro – as suas viagens, os seus carros, as suas férias, as suas revistas sociais – ou quando estão no poder ou próximo dele – as excelências, os doutores, as sessões solenes, as comitivas, as inaugurações, as placas.
Isto vem a propósito da placa que nos informa que Sua Exª o Senhor Engenheiro Rui Pedro Barreiro Presidente da Câmara Municipal de Santarém, inaugurou no dia 6 de Abril de 2005 um busto do poeta e jornalista Guilherme de Azevedo, na rua que tem o seu nome, em Santarém.
Neste caso, o inaugurador quase tem mais destaque que o homenageado!

domingo, 28 de agosto de 2011

Há uma bela fortaleza ao total abandono

O castelo ou fortaleza de Juromenha fica situado na margem direita do rio Guadiana, a cerca de 18 km de Elvas e a 16 km da vila do Alandroal, sendo um importante monumento da arquitectura militar portuguesa.
Está classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público desde 1957 e é tutelado pelo IGESPAR - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.
O castelo tem um historial muito ligado à luta de Portugal pela sua independência. Foi conquistado ao califado de Córdova por D. Afonso Henriques em 1167, foi perdido e reconquistado pela Coroa portuguesa em 1242. Devido à sua importância estratégica, o rei D. João IV decidiu em 1646 alargar e reforçar o antigo castelo medieval, segundo uma planta de modelo poligonal composto por duas cinturas de muralhas. As obras prolongaram-se pelos anos seguintes e ainda decorriam quando em 1659 explodiu o paiol da pólvora, de que resultou terem perdido a vida uma centena de homens da guarnição e ter ficado arruinada grande parte das estruturas já edificadas. Nos séculos XXIII e XIX a fortaleza foi atacada e ocupada algumas vezes pelos espanhóis e, em 1920 foi abandonada, entrando em decadência e em ruinas.
Sobranceiro ao rio Guadiana e com as águas do Alqueva à vista, o sítio é espectacularmente belo e o enquadramento paisagístico é perfeito, mas a enorme ruina da fortaleza e o seu total abandono são chocantes. A nossa auto-estima revolta-se. O nosso orgulho indigna-se. O património merece muito mais. Esta insensibilidade é obscena. Este desleixo é uma vergonha.
A edição de 5-9-2005 do Diário de Notícias noticiava que existia um projecto orçado em 20 milhões de euros para a recuperação da fortaleza e instalação de uma unidade hoteleira, faltando apenas uma assinatura da Direcção Geral do Património para ser desbloqueada. Passaram seis anos. Não sei quem poderá fazer alguma coisa: o IGESPAR, ou a Câmara Municipal do Alandroal, ou ambos?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Férias na República Dominicana

Tem sido afirmado repetidamente, desde há cerca de dez anos, que o grande problema português é a estagnação económica, ou a falta de crescimento económico, ou o não crescimento do produto interno bruto (PIB).
De facto, sem crescimento económico, não há criação de emprego, nem há riqueza adicional para distribuir ou, por outras palavras, empobrecemos todos os dias.
O crescimento económico representa o aumento do produto que, na óptica da despesa, significa a soma do consumo (público e privado), mais o investimento (que corresponde à poupança), mais as exportações e menos as importações (de bens e serviços).
Assim, a resolução do nosso problema económico passa pelos agentes económicos – o Estado, as empresas e as famílias –, mas também passa pelos hábitos de cada um de nós que, à nossa pequena escala, podemos contribuir para o aumento das exportações e para a diminuição das importações – preferindo o made in Portugal, mantendo as ruas e as praias limpas para atrair turistas, evitando as lojas chinesas, comprando frutas nacionais, abdicando de férias no exterior, etc, etc.
Tudo isto vem a propósito da tranquilizadora notícia divulgada pela Agência Portuguesa de Agências de Viagem e Turismo (APAVT), que “desconhece a existência de problemas com os 800 a 900 portugueses que estão na República Dominicana”, onde a passagem do furacão Irene matou três pessoas. Ainda bem que os nossos concidadãos podem continuar a gozar as suas férias dominicanas! Até pode ser que as ventanias lhe tivessem dado um toque mais exótico e lhes tenham dado mais histórias para, no regresso, poderem contar aos amigos que fizeram férias na Trafaria e na Fonte da Telha!
Entretanto, o furacão que se desloca com ventos com intensidade de 195 quilómetros por hora e fortes chuvas, depois passar por Porto Rico, República Dominicana e Bahamas, segue agora para os Estados Unidos, onde ameaça causar sérios estragos. Por cá, mesmo sem o furacão Irene, também continuam os estragos na economia e nas finanças, até porque as férias no estrangeiro dão uma boa ajuda a esse estrago.
Novecentos portugueses de férias na República Dominicana é obra!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A festa das flores em Campo Maior

Após sete anos de ausência, as Festas do Povo estão de regresso a Campo Maior entre os dias 27 de Agosto e 4 de Setembro.
Embora a decoração com papéis coloridos seja comum nas festas populares portuguesas, as festas das flores só se realizam em algumas localidades alentejanas, com grande destaque para as festas que se realizam em Campo Maior, que são as mais conhecidas e as mais visitadas, devido à diversidade da decoração das suas ruas, especialmente no centro histórico da vila e ruas adjacentes.
As festas deste ano apresentarão 104 ruas decoradas, superando as 84 que foram decoradas na última edição que se realizou em 2004. Este aumento significa um aumento do interesse na preservação da festa, que este ano mobiliza cerca de 8 mil moradores voluntários e representa o consumo de 23 toneladas de papel.
Segundo um estudo feito pela Universidade de Évora, as últimas Festas do Povo levaram a Campo Maior, cerca de 2 milhões de pessoas, vindas de todo o país, da vizinha Espanha, da comunidade emigrante e até mesmo de outros países europeus e há quem reivindique que a arte das flores de papel e as Festas do Povo de Campo Maior constituem um património cultural único no Mundo.
Há menos de um mês realizaram-se as festas do Redondo - as “Ruas Floridas” – que foram muito perturbadas pela chuva, o que obrigou a um esforço suplementar de reposição das decorações. Agora, em Campo Maior – as “Festas do Povo” – prometem e não deixarão de justificar o seu prestígio como as mais celebradas festas das flores que se realizam.
Recomendo vivamente uma visita a esta festa única, até porque nunca se sabe quando acontecerá a próxima.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A queda de Kadhafi e o papel dos falcões

O regime de Kadhafi e a sua arrogante extravagância chegaram ao fim, mas a crise líbia prosseguirá.
Apesar de estarem confrontados com gravíssimos problemas internos, alguns líderes ocidentais esconderam-se atrás da NATO e decidiram acabar com o regime líbio ou assegurar o controlo do petróleo líbio. O papel da NATO foi crucial, apesar de não ter mandato da ONU para actuar como actuou. Obama, Cameron e Sarkozy usaram o direito da força e preferiram esta brutal solução, em vez do diálogo e da concertação ou mesmo a colocação no terreno de uma força de interposição. Teria sido mais barata, mais rápida, menos dolorosa e mais eficaz.
Assim, cada um desses frustrados líderes aparecerá às suas opiniões públicas como um verdadeiro falcão e, no caso do pequeno Sarkozy, poderá dar à França uma vitória militar, coisa que não conhecia desde há dezenas de anos.
No entanto, tem todo o sentido que nos interroguemos sobre se a via seguida pelos interesses do petróleo, semelhante há via que já tinha sido seguida no Iraque, justifica os milhares de mortos, a destruição das cidades, o desmantelamento de um país, a destruição do tecido social e o grande risco de uma incontrolável anarquia.
O Iraque deveria ter sido uma lição, mas parece que não foi. O mais fácil foi feito.
Agora virão os novos problemas, com os ajustes de contas e as vinganças que sobram sempre depois das guerras civis. Talvez a ingovernabilidade por longo tempo, com os interesses e as facções vencedoras a reivindicar parcelas do poder. Irão aparecer os radicais islâmicos, exactamente os mesmos que já se anunciaram no Egipto.
A reconstrução já está preparada pelas empresas americanas, inglesas e francesas e, muitas delas, virão directamente de Bagdad. A sua factura será paga em barris de petróleo. Os chineses não vão gostar desta partida que lhes fizeram e não se vão esquecer.
Na Líbia, como nas restantes revoltas da região, há muito mais dúvidas que certezas.

domingo, 21 de agosto de 2011

A luta contra a corrupção na Índia

A dimensão demográfica e cultural da Índia é enorme, como são enormes as suas grandezas e as suas misérias. A sociedade é muito segmentada por castas, religiões, línguas e etnias, mas no seu seio há factores de convergência, muitas vezes utilizados por activistas sociais movidos por causas, que buscam inspiração no exemplo de Mohandas Gandhi.
Nos últimos tempos tem-se destacado Anna Hazare, um motorista aposentado do Exército que, aos 73 anos de idade, se tornou a face da luta contra a corrupção e é considerado o inspirador da primeira e mais importante rede social da Índia. Oriundo do Estado de Maharashtra, tem conduzido algumas lutas sociais com sucesso e tem feito algumas greves de fome para forçar o governo central a adoptar novas leis anti-corrupção. Esta semana, ao sair da prisão em Nova Delhi e antes de iniciar mais uma greve de fome, transformou-se no símbolo da ira nacional contra a corrupção, tendo mobilizado milhares de apoiantes, sobretudo da classe média, que marcharam em seu apoio em muitas cidades indianas. Disse então que “estava apenas a dar continuidade a luta de libertação do líder que conduziu à independência em 1947” e acrescentou: "Este é o começo de uma revolução. Não permita que esta chama desapareça até que tenhamos atingido o nosso objectivo”.
O Diário de Notícias chamou à sua primeira página o activista Anna Hazare e à sua luta chamou “o método Gandhi contra a corrupção”. A Transparency International, uma organização que luta contra a corrupção, enquanto causadora da pobreza e da injustiça que afectam milhões de pessoas, publica anualmente o Corruption Perceptions Index, tendo em 2010, classificado Portugal em 32º lugar e a Índia na 87º posição, num universo de 178 países. Significa que aqui o problema tem uma dimensão muito menos grave do que na Índia, mas o exemplo indiano talvez nos devesse inspirar para usar o nosso direito à indignação. Mas, vamos preferindo ficar em casa, de pantufas e a ver televisão.

Futebol: uma final falada em português

Terminou esta madrugada em Bogotá, o Campeonato do Mundo de Futebol para jogadores com menos de 20 anos de idade (U-20 World Cup), para o qual foram apuradas 24 selecções nacionais, incluindo seis selecções europeias – Austria, Croácia, Espanha, França, Inglaterra e Portugal.
Durante o campeonato, a equipa portuguesa ultrapassou as selecções do Uruguai, Camarões, Nova Zelândia, Guatemala, Argentina e França, tendo chegado à final em que defrontou o Brasil.
Após um jogo equilibrado e um prolongamento, a equipa portuguesa perdeu por 3-2, mas embora seja justa a vitória brasileira, tem que se destacar que Portugal também esteve muito próximo do triunfo. Por isso, numa final falada em português, glória aos vencedores, honra aos vencidos!
Recentemente, em algumas modalidades como o andebol, basquetebol, voleibol, remo, judo e atletismo, as equipas ou atletas portugueses conseguiram classificações muito destacadas no plano internacional, significando que as nossas aptidões e performances no desporto, são bem melhores que as da economia ou da política.
Da mesma forma, também a recente organização das primeiras regatas da America’s Cup em Cascais, foi um bom contributo para melhorar a imagem de Portugal no mundo.
Nos últimos meses, por razões financeiras e outras, Portugal tem sido descredibilizado internacionalmente, nem sempre por razões justas. Por isso, o fenómeno socio-cultural e mediático que é o desporto, está a cumprir o seu papel de divulgar uma imagem bem mais positiva do nosso país.