sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mediterrâneo

Tunísia, Egipto… a revolução nas ruas, aqui bem perto, na margem sul do espaço geopolítico euro-mediterrânico.
Poucos imaginariam ver as imagens que a televisão nos tem mostrado, com multidões a reclamar por mudanças políticas profundas.
A rapidez da mobilização popular, estimulada pelas novas tecnologias da comunicação e da informação, surpreendeu a comunidade internacional que não esperaria este tipo de movimentações na orla mediterrânica.
Porém, numa época de crise generalizada e de dificuldades desigualmente partilhadas, como acontece na área euro-mediterrânica, não nos podemos surpreender com esta reacção à cegueira política dos dirigentes, à corrupção generalizada, ao clientelismo, ao agravamento da desigualdade e à injustiça social.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Última Missão

As guerras de África são um tema que sempre me interessou e não dispenso a leitura do que se tem escrito sobre o assunto, até porque estive pessoalmente nelas envolvido e conheci muitos dos seus cenários em Moçambique e na Guiné. Por isso, li com toda a atenção A Última Missão de José de Moura Calheiros, que foi publicado muito recentemente. E gostei muito.
É uma obra muito bem estruturada, com uma escrita elegante, solidamente documentada e com um enorme interesse histórico, que nos permite conhecer com detalhe o que aconteceu na Guiné em 1973, especialmente nas violentas batalhas de Guidage e de Guilege/Gadamael.
Trata-se, provavelmente, de duas das mais importantes operações realizadas na Guiné, que se traduziram na perda de muitas vidas, de alguns aviões e de algumas dezenas de viaturas.
A Última Missão foi escrito por quem viveu esses acontecimentos no terreno e é, seguramente, um dos melhores livros até agora escritos sobre as guerras de África.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

RTP

A RTP é uma empresa pública. As suas receitas resultam, sobretudo, das indemnizações compensatórias e da taxa audiovisual, isto é, de fundos públicos. Segundo afirmou o líder do PSD (Correio da Manhã de 6 de Setembro de 2010), “só com a RTP o Estado gasta 400 milhões de euros”. Portanto, todos os dias, a RTP recebe mais de um milhão de euros.
É muito dinheiro!
Nenhuma outra empresa em Portugal recebe este avultado incentivo, que lhe permite pagar os mais elevados salários públicos, conceder mordomias impensáveis num país cronicamente deficitário e alimentar clientelas de toda a ordem, como não sucede nas estações televisivas concorrentes.
É muito despesismo!
Tudo isto até poderia ser aceitável se o serviço prestado fosse credível e de qualidade mas, infelizmente, é a mediocridade que está presente na generalidade da programação, que não diverte, que não forma e que não informa. Que faz fretes aos amigos, que embrutece, que enerva e que, por vezes, enoja!
É uma vergonha!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 2011

Realizaram-se as eleições presidenciais e, sem qualquer surpresa, tudo ficou na mesma.
Ou talvez não.
O discurso da vitória foi confrangedor e desagregador, deixando-nos perplexos e apreensivos, porque não foi um momento de mobilização, nem foi uma mensagem de esperança. Foi uma oportunidade perdida e, nos tempos que correm, não se podem perder oportunidades.
Valha-nos Deus, como diz o povo!
Entretanto, os cadernos eleitorais tinham 9 629 630 inscritos. Alguém acredita neste número?