domingo, 15 de agosto de 2021

Uma longa jornada com três mil textos

Esta manhã escrevi qualquer coisa sobre o 75º aniversário da independência da Índia e verifiquei que o número de mensagens ou posts que já coloquei nesta Rua dos Navegantes atingiu o bonito número de 3000, o que é um motivo de grande alegria!
Este espaço nasceu no dia 25 de Janeiro de 2011 e com ele, eu não me obrigava “a rotas nem calendários, nem escalas nem horários”, isto é, apenas pretendia criar um espaço que me ajudasse a manter o interesse pelo que vai acontecendo por aqui e pelo mundo, a conservar algum sentido crítico e a ter alguma actividade redactorial, não sendo minha intenção fazer dele um espaço de intervenção pública. Por isso, aqui emiti algumas opiniões, por vezes com críticas e outras vezes com aplausos, mas sem qualquer intenção de difamar ou ofender pessoas ou instituições.
A Rua dos Navegantes tem cerca de 127 meses de vida, o que significa que foram escritas 23,6 mensagens mensalmente, as quais têm tido algumas dezenas de leitores, não só em Portugal, mas também em regiões onde se fala ou onde há portugueses. Como se costuma dizer, os leitores ou os followers são poucos mas são muito bons.
Agradeço a todos e, de forma especial, aos meus amigos que têm comentado os textos de forma habitualmente tão generosa.
Thank you followers!

Os 75 anos da República da Índia

A República da Índia foi proclamada no dia 15 de Agosto de 1947 por Jawaharlal Nehru, mas o processo que conduziu à sua independência do Império Britânico foi muito complexo e até dramático, devido sobretudo à violenta rivalidade religiosa que existia entre hindus e muçulmanos, de que resultou a formação de dois estados: a Índia e o Paquistão.
Nehru foi escolhido pelo seu partido para ser o primeiro-ministro da República da Índia e ocupou esse cargo desde 1947 até à sua morte em 1964, mas para além da guerra que suportou com Muhammad Ali Jinnah e com a Liga Muçulmana, tratou de formar um estado federal a partir de um território superpopuloso, ocupado por inúmeras etnias, línguas e dialectos.
A diversidade cultural da Índia é enorme e a construção da unidade nacional tem sido uma prioridade desde 1947. Nesse sentido são incentivadas as mais diversas iniciativas, sobretudo no Independence Day (15 de Agosto) e no Republic Day (26 de Janeiro), que incluem paradas militares, actividades escolares e festas populares. A imprensa associa-se sempre as estas iniciativas de carácter nacional e todos os jornais lhe dedicam grandes espaços promocionais. Assim acontece hoje com a edição do Statesman de Nova Delhi que dedica a sua primeira página ao 75º aniversário da República da Índia, saudando a sua liberdade e os seus bravos heróis.
Os 75 anos da Índia independente têm levado o país para níveis de prosperidade económica, desenvolvimento tecnológico e prestígio internacional, mas subsiste um elevado nível de pobreza extrema, bem como fortes assimetrias regionais e muita desigualdade social, para além de uma grave e perigosa intolerância religiosa.

sábado, 14 de agosto de 2021

Ajuda a Moçambique: chegar, ver e vencer

O jornal moçambicano Savana noticiou na sua última edição que “Mocímboa cai com apoio da força ruandesa” e escreveu que foi “chegar, ver e vencer”, o que traduz um enorme elogio à acção das forças ruandesas que se encontram no norte de Moçambique para combater as forças insurgentes que, inspiradas ou manipuladas pelo Estado Islâmico, se têm revelado desde 2017 no distrito moçambicano de Cabo Delgado. 
A acção destas forças insurgentes tem aumentado e, nos primeiros meses do corrente ano, foram atacadas algumas povoações e ocupadas as vilas costeiras de Mocímboa da Praia e de Palma. A construção do complexo industrial da ponta Afungi foi suspensa, os trabalhadores estrangeiros retiraram-se e a comunidade internacional começou a pôr em causa a capacidade das autoridades moçambicanas para combater a insurgência islâmica. Mais de 700 mil deslocados e quase três mil mortos é o balanço que tem sido apresentado sobre as consequências das acções que o governo moçambicano classifica como terroristas.
Entretanto, os dezasseis países da Southern African Development Community (SADC) ou Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, decidiram constituir uma força conjunta para ajudar Moçambique, mas nessa altura já havia em Cabo Delgado um contingente de mil militares e polícias do Ruanda para a luta contra os grupos armados, no quadro de um acordo bilateral existente entre o governo moçambicano e as autoridades ruandesas.

Essas forças ruandesas reivindicaram na semana passada o seu primeiro sucesso, dizendo que ajudaram o exército de Moçambique a recuperar o controlo de Awasse - um pequeno mas estratégico posto militar situado perto de Mocímboa da Praia. Agora anunciaram que Mocímboa da Praia “foi capturada pelas forças de segurança do Ruanda e Moçambique”. A rapidez e a eficiência da acção ruandesa vieram dar ânimo às autoridades moçambicanas e mostrar que, apesar de todas as dificuldades, a insurgência pode ser dominada.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

As neblinas e o Monumento ao Baleeiro

Costuma dizer-se que nas ilhas dos Açores as quatro estações do ano se sucedem em cada dia e nem é preciso invocar as alterações climáticas para verificarmos essa realidade resultante da localização atlântica do arquipélago açoriano. Mesmo neste tempo de Agosto, em que seriam de esperar meteorologias benignas, os dias de sol intercalam-se com alguns períodos de chuva, enquanto algumas ventanias e muitas neblinas se esforçam por demonstrar que a vida meteorológica dos Açores é uma matéria complexa.
Há dias a neblina envolveu São Roque do Pico e o Monumento ao Baleeiro, localizado em frente do Museu da Indústria Baleeira, destacou-se e ofereceu um contraste nada habitual, a proporcionar uma fotografia inédita e interessante de um monumento que tantas vezes fotografei, mas sem que alguma vez tivesse conseguido este resultado.
Após cerca de um mês de deambulações por estas paragens do concelho de São Roque do Pico, esta é a melhor homenagem que posso fazer à terra onde estão sempre presentes as evocações da baleação e dos seus homens.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

O último aviso para salvar o planeta

No ano de 1988 foi criado, no âmbito das Nações Unidas, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, mais conhecido pela sigla IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), cujo principal objectivo é o estudo e a divulgação dos mais avançados conhecimentos científicos sobre as mudanças climáticas e, em especial, sobre o aquecimento global. 
O IPCC agrega milhares dos mais qualificados especialistas mundiais e, desde a sua fundação, tem produzido vários documentos importantes, o que levou o Comité Nobel a atribuir-lhe o Prémio Nobel da Paz em 2014. Desses documentos destacam-se os cinco relatórios de avaliação global já apresentados e, agora, a sua sexta avaliação ou sexto relatório sobre as alterações climáticas, que veio confirmar a enorme influência humana no aquecimento global e nos fenómenos a ele associados.
O nosso planeta está a aquecer a um ritmo sem precedentes e é necessário travar a fundo as emissões de gases com efeito de estufa, embora já não seja possível impedir alguns fenómenos já em marcha durante décadas, como a fusão do gelo polar e a subida do nível do mar, prevendo-se que até 2040 o planeta deve aquecer 1,5 graus e essa é a mais severa previsão feita até agora.
Com base neste relatório, o secretário-geral das Nações Unidas foi claro e afirmou que este relatório é “um alerta vermelho para a humanidade” e que é necessário ”o fim do uso do carvão e dos combustíveis fósseis, antes que destruam o planeta”. António Guterres apelou ainda para que se unam todas as forças para evitar a catástrofe climática e pediu aos dirigentes mundiais, que em Novembro se vão reunir na conferência do clima em Glasgow, para que tomem medidas no sentido da efectiva redução das emissões de gases de efeito de estufa.
O jornal el Periódico de Barcelona diz que é “o último aviso para salvar o planeta”.

Lionel Messi e as lágrimas de crocodilo

Toda a imprensa espanhola da passada segunda-feira dedicou as suas primeiras páginas à conferência de imprensa do futebolista argentino Lionel Messi que, depois de ter integrado a equipa do Barcelona FC desde os 13 anos de idade e durante 21 anos, decidiu mudar de clube e não conseguiu evitar de chorar quando anunciou essa decisão. A Catalunha e a Espanha entraram em paranóia por terem perdido Messi, enquanto a euforia invadiu a cidade de Paris, para onde o futebolista se dirigiu em busca do dinheiro que o clube catalão já não lhe podia pagar.
O problema do Barcelona e de Lionel Messi foi o dinheiro. O clube estará falido, com uma dívida superior a mil milhões de euros, da qual cerca de 730 milhões são dívida de curto prazo, porque de uma forma irresponsável contratou quem quis e pagou tudo o que lhe pediram. Ninguém sabe o que o Barcelona FC pagou a Lionel Messi durante 21 anos, mas a imprensa refere que actualmente lhe pagava 110 milhões de euros anuais, correspondentes a cerca de 9 milhões de euros mensais. Se era verdade, era uma verdadeira obscenidade!
Messi encenou bem a cena do choro quando anunciou a sua saída de Barcelona, mas o facto é que o seu clube entrou em ruptura financeira exactamente para lhe pagar a ele e a outros dos seus companheiros. Afirmou que “não estava preparado para sair” e que “pensava que ia continuar em casa”, acrescentando que “fez tudo o que era possível para continuar”. Chorou porquê? Apenas porque queria ainda mais dinheiro. Estas declarações, bem como as lágrimas de crocodilo que derramou, apenas mostram como é o mundo do futebol – o dinheiro, só o dinheiro e mais dinheiro.
Gosto muito de futebol, mas isto não é futebol.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Heranças coloniais e derrubes de estátuas

A edição de ontem do jornal madrileno ABC destaca que “el odio a España se enseña en las escuelas de América” e ilustra a sua primeira página com uma fotografia em que um jovem arrasta uma cabeça de uma estátua de Colombo por uma rua da cidade colombiana de Barranquilla.
A rejeição das heranças coloniais, com todas as suas grandezas e desgraças, parece estar a tornar-se uma moda, em que se acentua a exploração dos colonizados pelos colonizadores, assim como a escravatura, o trabalho forçado, a apropriação de terras e recursos, bem como muitas outras facetas do domínio colonial. Aqueles que a História tem registado como pioneiros do descobrimento do mundo, do encontro de culturas e da globalização, caso dos Colombos, dos Gamas, dos Cartier, dos Janszoon ou dos Cook, tendem a ser contestados nas regiões que procuraram dominar, civilizar, cristianizar ou simplesmente trazer para o seu convívio cultural de acordo com os padrões da sua época. Nesse tempo não havia “direitos humanos” e esses padrões eram por vezes marcados por grande violência e crueldade, mas não eram uma prática exclusiva dos colonizadores para com os colonizados dos novos continentes, pois manifestavam-se com iguais características nas sociedades medievais europeias e algumas chegaram mesmo até aos nossos dias, como se viu no recente conflito da ex-Jugoslávia.
A actual contestação africana ou latino-americana que derruba estátuas e contesta a herança colonial, tem uma narrativa que é tão distorcida como aquela que agora rejeita. A reescrita da História faz sentido e pode ser necessária, mas não pode ser vista com os olhos do nosso tempo de modas, de redes sociais e de ajustes de contas. Diz o ABC que o ódio a Espanha se ensina nas escolas da América, mas se assim é, não faltará muito tempo para que essa moda se espalhe e que, em vez de caminharmos para uma sociedade mundial mais harmoniosa e mais justa, se multipliquem os factores de conflitualidade.

Terminou Tóquio 2020. Venha Paris 2024

Terminaram os Jogos Olímpicos de Tóquio com os Estados Unidos na liderança do chamado medalheiro global com 113 medalhas conquistadas, sendo 39 de ouro, 41 de prata e 33 de bronze, seguindo-se a China com 88, o Comité Olímpico Russo com 71, a Grã-Bretanha com 65 e o Japão com 58. Os nossos amigos brasileiros aparecem em 12º lugar com 21 medalhas, os nossos vizinhos espanhóis em 22º lugar com 17 medalhas e o nosso Portugal em 56º lugar com 4 medalhas. Foi a melhor prestação olímpica portuguesa de sempre, com quatro medalhas e quinze diplomas atribuídos aos atletas que se classificaram entre o 4º e o 8º lugar, mas porque houve 93 países que ganharam medalhas, ficamos na segunda metade da tabela.
Pode ser que surjam agora os apoios necessários para que a preparação olímpica para 2024 em Paris, permita que se dê mais um salto no campo da “convergência desportiva”. De facto, se analisarmos os resultados olímpicos dos países europeus de dimensão semelhante a Portugal encontramos alguns países que quase nos fazem inveja, como por exemplo a Hungria (20 medalhas), a Suiça (13), a Dinamarca (11), a Suécia e a Sérvia (9), a Croácia (8) e a Bélgica (7). 
Curiosamente o ponto final nos Jogos de Tóquio quase foi ignorado pela imprensa portuguesa e teve que ser o jornal macaense ponto final a assinalar o desempenho histórico de Portugal.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

A melhor prestação olímpica de sempre

O movimento olímpico português bem pode festejar porque, em 25 participações nos Jogos Olímpicos, nunca a nossa representação tinha ganho quatro medalhas!
Aconteceu quando era madrugada em Lisboa e Pedro Pablo Pichardo ganhou a medalha de ouro na prova do triplo salto com um salto de 17,98 metros, que se somou às medalhas já ganhas por Jorge Fonseca, Patrícia Mamona e Fernando Pimenta. A sua vitória foi tão clara que até pareceu fácil, levando-o a declarar que “toda a gente acha que é fácil, mas dá muito trabalho”.
Embora ainda não tenham terminado, os Jogos Olímpicos de Tóquio já garantiram o melhor resultado olímpico de sempre para Portugal e, este momento é, realmente, um momento alto do desporto português.
Durante o dia sucederam-se os justos elogios a Pedro Pablo Pichardo, o atleta de origem cubana que se naturalizou português, para quem esta medalha é ”a forma de agradecer ao país que me apoiou”. Entre os que primeiro felicitaram o atleta pela sua proeza estava o venerando Chefe do Estado, que nestas coisas que as televisões mostram muitas vezes, está sempre muito atento e gosta de aparecer.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

A canoagem garante uma terceira medalha

Fernando Pimenta conseguiu o terceiro lugar na final da prova olímpica de canoagem K1 1000 metros e, dessa forma, assegurou a terceira medalha para Portugal. Assim, a delegação portuguesa já conquistou três medalhas olímpicas em Tóquio, o que iguala os melhores resultados de sempre conseguidos em Los Angeles-1984 e em Atenas-2004.
Fernando Pimenta já conquistara uma medalha de prata em Londres-2012 e, dessa forma, tornou-se o quinto atleta português que conseguiu duas medalhas olímpicas, o que aqui saudamos e aplaudimos.
Toda a imprensa portuguesa destacou o feito de Fernando Pimenta, mas houve um jornal desportivo chamado Récord, que deu mais destaque ao treinador de futebol do Benfica do que ao atleta medalhado em Tóquio, o que é um verdadeiro caso de mediocridade jornalística, que aqui queremos destacar. O próprio jornal A Bola, que é a "bíblia" do nosso futebol, não comete esse tipo de erros jornalísticos e nesta sua edição destaca o "beijo de bronze" de Fernando Pimenta.
Os jogos Olímpicos aproximam-se do fim, mas ainda é possível assegurar uma quarta medalha, o que faria de Tóquio-2020 o melhor ano olímpico da história do desporto português.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Mais uma medalha que chega de Tóquio

Ao nono dia de provas olímpicas pudemos começar a controlar o nosso stress porque o nosso país já tem uma segunda medalha olímpica, o que significa que no nosso historial olímpico já estamos ao nível do que é habitual, isto é, com 25 participações os nossos atletas ganharam 26 medalhas. Não são muitas, nem poucas, mas é o que tem sido possível.
Esta segunda medalha foi ganha ontem por Patrícia Mamona, a mais elegante participante na final da prova do triplo salto, que se classificou em segundo lugar e bateu o seu record nacional com 15,01 metros, numa prova muito bem disputada que foi ganha por uma super-atleta venezuelana. Toda a imprensa portuguesa salientou a proeza de Patrícia Mamona e o jornal O Jogo referiu-se-lhe com a frase “asas de prata”.
O sucesso da atleta portuguesa trouxe muita satisfação a quem acompanha as provas olímpicas não só pelo resultado desportivo que conseguiu, mas também pelo equilíbrio e sensatez das suas declarações à comunicação social.
Patrícia Mamona já dera algumas alegrias ao desporto português e em 2016 classificara-se em 6º lugar na prova do triplo salto nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Agora conquistou a medalha olímpica de prata e disse: ”Estava muito confiante na qualificação, muito tranquila e sabia que este momento era muito especial para mim. São cinco anos a trabalhar para este momento. Estou orgulhosa. Estou orgulhosa de todos nós. Portugal é um país pequeno, mas conseguimos fazer coisas grandes. Estou muito emocionada”.
Nós aplaudimos esta grande campeã!

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Portugal venceu uma medalha olímpica

Ao sexto dia de provas foi quebrado o enguiço e Portugal entrou para a lista de países medalhados nos Jogos Olímpicos de Tóquio, através da medalha de bronze conquistada por Jorge Fonseca numa das provas de judo. 
Podia ter sido melhor, mas se não foi óptimo, foi mais do que suficiente. "Vale ouro" como escreveu A Bola. Por isso, aqui ficam os parabéns ao atleta medalhado que, para já, nos resgatou daquela triste situação de ver 62 países medalhados e não ver Portugal nessa lista. Agora já são 68 países medalhados, que é quase meio mundo, mas já temos a satisfação de ver o nome do nosso país naquela lista graças ao waza-ari com que Jorge Fonseca derrotou o canadiano Shady Elnahas.
A imprensa portuguesa acordou e a fotografia de Jorge Fonseca aparece hoje nas primeiras páginas de todos jornais. Foi a 25ª medalha portuguesa em 25 participações olímpicas. Bom seria que que neste caso se aplicasse a frase que nos diz que “o mais difícil é começar”. Recordamos que em Los Angeles-1984 e Atenas-2004 os portugueses conseguiram três medalhas. Para que Tóquio-2020 possa igualar aquelas prestações só faltam duas…

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Um farol, um património da Humanidade

O farol de Cordouan, que fica situado sobre uns rochedos na foz do estuário do rio Gironda e a cerca de sete quilómetros de terra, foi construído entre 1584 e 1611, sendo o mais antigo farol francês ainda em funcionamento. É constituído por uma artística torre com 67,5 metros de altura e tem seis andares, no primeiro dos quais se encontram os aposentos reais decorados com pilastras e, no segundo, uma capela decorada com vitrais, sendo por vezes apelidado como o “Versalhes do mar”. O edifício tem uma arquitectura única, foi classificado como monumento histórico em 1862 e o acesso ao topo da torre e ao sistema de iluminação é feito por uma monumental escadaria com 301 degraus. O farol recebe cerca de 24 mil visitantes por ano e é visitável de Abril a Outubro, demorando cerca de 45 minutos a percorrer a distância de terra ao farol.
Na passada semana o Comité do Património Mundial da Unesco reuniu na cidade chinesa de Fuzhou e, com base no seu excepcional interesse para a herança cultural da humanidade, decidiu incluir o Farol de Cordouan na sua Lista do Património Mundial. Com mais de quatro séculos de serviço aos navegantes, o Farol de Cordouan é o último farol habitado das costas francesas e é o segundo farol europeu a ser classificado pela Unesco, depois do farol espanhol de La Coruña, conhecido por Torre de Hércules.
O jornal Sud Ouest, que se publica em Bordéus, deu um justificado destaque à decisão da Unesco e escreveu que foi “a coroação de um rei”.

Tóquio: enquanto há vida há esperança

Ao fim de sete dias de provas olímpicas em Tóquio, o medalheiro olímpico já regista 62 países que conquistaram medalhas, dos quais há 35 que já ganharam medalhas de ouro, mas nesse quadro veificamos que os atletas portugueses ainda não conquistaram qualquer medalha, o que muito desgosta os desportistas portugueses, um grupo em que ainda me incluo. Em contrapartida, os nossos irmãos brasileiros já conquistaram cinco medalhas olímpicas, enquanto os nossos vizinhos espanhóis andam eufóricos por terem conquistado três medalhas. Os seus êxitos olímpicos aparecem elogiados em todos os jornais e o jornal desportivo as dedica toda a sua primeira página a um David Valero que conquistou a medalha de bronze na prova de ciclismo MTB, tendo escolhido a palavra heróico para homenagear o atleta.
Embora não sendo uma potência desportiva mundial, seriam de esperar outros resultados dos atletas portugueses, até porque parece não lhe terem faltado apoios para a sua preparação. Porém, como são 46 as modalidades que estão em prova e, apesar de não termos tradição de grandes sucessos nas disputas olímpicas, ainda continuamos a alimentar a esperança de voltar a ver algum compatriota a subir ao lugar mais alto do pódio como aconteceu com Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nelson Évora, os únicos campeões olímpicos portugueses.
Estamos a chegar a meio dos Jogos Olímpicos e como diz o ditado popular… enquanto há vida há esperança. 

A caminho da paz em Cabo Delgado?

Desde o ano de 2017 que grupos armados com inspiração no Estado Islâmico têm actuado na província moçambicana de Cabo Delgado, estando contabilizados cerca de 2800 mortos, mais de 700 mil deslocados e a destruição de infraestruturas e de património em Mocímboa da Praia, Palma e outras localidades. Perante este quadro ameaçador, a Southern African Development Community (SADC) ou Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, uma organização regional que reúne dezasseis países, aprovou no passado dia 23 de Junho a constituição de uma “força conjunta” regional para apoiar Moçambique no combate contra o terrorismo naquela província setentrional do país. As autoridades moçambicanas já anunciaram à população a próxima presença de forças militares estrangeiras e que o comando da intervenção caberá ao país que tiver a maior força destacada, prevendo-se que seja a África do Sul, conforme anunciou o Jornal de Angola. Não é publicamente conhecido o número de militares que a organização vai enviar para Moçambique, mas peritos da SADC que estiveram em Cabo Delgado já tinham avançado em Abril que a missão deve ser composta por cerca de três mil militares.
Está previsto que cada força estrangeira destacada inclua militares moçambicanos e que, embora subordinadas ao comando da intervenção, cada força actuará tacticamente sob sua própria responsabilidade.
Entretanto, já se encontra em Cabo Delgado um contingente de mil militares e polícias do Rwanda para a luta contra os grupos armados, no quadro de um acordo bilateral existente entre o governo moçambicano e as autoridades rwandesas.
Espera-se, naturalmente, que a paz e a segurança regressem rapidamente a Cabo Delgado, uma região que os portugueses conhecem muito bem.